quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A CRENÇA NA INTERAÇÃO DE TODA A HUMANIDADE

            
REGINA DINIZ

“A Alemanha executou a - solução final - do seu - problema judeu - como um exercício escolar de raciocínio instrumental. Logo a humanidade dava de ombros, quando já não podia evitar olhar o que se passara, quando as fotografias tiradas pelos próprios assassinos começaram a circular, e quando os desgraçados sobreviventes regressaram à luz do dia. Mas no final não fez diferença. A mesma lógica, a mesma velha aplicação fria e impiedosa da razão calculista, dizimou pelo menos tanta gente nos vinte anos seguinte quanto o número de vítimas dos técnicos do Reich de mil anos. Não aprendemos nada. A civilização corre tanto perigo hoje quanto naquela época”.( Joseph Weizenbaum – Computer Power.).

Atualmente, a reflexão com história e memória tem sido acolhida, valorizada e divulgada nas escolas, na mídia, em exposições, e em muitos debates culturais públicos. A questão do genocídio executado pelos nazistas contra os judeus na Segunda Guerra Mundial (holocausto), ocupa um espaço significativo nos documentos de interpretações da memória e da história, admitido como o mais violento dos acontecimentos do século XX. Não resta a menor dúvida de que os estudos permanentes deste genocídio nos mostrem com clareza as causas e intenções deste terrível crime contra a humanidade.

É uma obrigação de todos nós, tomarmos conhecimento desta história de barbárie, de como foi admissível, que um país moderno considerado exemplar em seu desenvolvimento, tenha praticado um genocídio em escala industrial há 66 anos atrás. Estudar, relembrar a história é de fundamental importância, para que estes horrores bárbaros jamais aconteçam novamente. Precisamos do conhecimento do passado, não tão distante, para pensar detalhadamente o presente, alargando as possibilidades de entendimento ético.

Ao terminar o século XX surgiu o respeito e o reconhecimento aos Direitos Humanos, surgiu o respeito e o reconhecimento às minorias étnicas, surgiu o respeito e o reconhecimento aos valores básicos da cidadania e da democracia. Continuam e continuarão a serem estudados e discutidos por séculos e séculos, porque infelizmente grande parcela da humanidade permanece sem ter esses direitos assegurados, prolongando este estado de humilhação e sofrimento, que mostram múltiplas formas de violência. E nesta realidade social é que o debate permanente de qualquer tipo de violência adquire importância digna de consideração política e histórica, a fim de que não mais testemunhemos tempos alucinantemente sombrios.

Contam os historiadores que Hitler estudou detalhadamente o extermínio dos Armênios, daí a perfeição da máquina da morte em massa, no holocausto judeu. 1939 – 1945 - Vítimas – 6 milhões de judeus – Autor – Nazistas. Além da quantidade, o mais estarrecedor foi o plano industrial de como os judeus foram massacrados. Durante os seis anos de guerra nos campos de concentração os prisioneiros judeus viviam em máximo grau de trabalho intenso: roupas, dentes, cabelos e até os cadáveres eram aproveitados. Homens mais fortes trabalhavam até a morte, os improdutivos iam direto para as câmaras de gás, calcula-se em 1.4 milhão em operações de limpeza. Cerca de 800 mil judeus morreram de febre tifóide, desnutrição e outras doenças ao ficarem confinados nos guetos.
“A principal acusação foi ter havido uma conspiração nazi-suiça de 50 anos de organização e planejamento, para roubar bilhões dos judeus da Europa e sobreviventes do holocausto. Este é o maior roubo da história da humanidade”. Para a indústria do Holocausto, todos os massacres contra os judeus pertencem a um nível superlativo, o mais estarrecedor. Por mais apavorante, que esta situação possa parecer, eles queriam o dinheiro judaico. A pilhagem nazista dos judeus não é novidade”.( Autor:Raul Hilberg – The Destruction of the European Jews – publicado em 1961.

Após a guerra fria a Alemanha se “recuperou” rapidamente e o holocausto nazista foi esquecido. Silêncio total do maior genocídio até hoje acontecido. Mas no início dos anos 50, a Alemanha entrou em negociação com as instituições judaicas americanas e acertaram  o primeiro acordo de indenização. A Alemanha pagou, ou melhor, devolveu, cerca de 60 bilhões para os Grupos Judaicos já organizados. Os banqueiros suíços também saquearam os depósitos das vítimas do holocausto, e destruíram metodicamente registros vitais.

“Os Suíços compraram vastas quantidades de ouro das vítimas, que os nazistas refundiram em barras. Os nazistas roubaram e pilharam os bens das casas, dos bancos nacionais, dos campos de morte, do ouro dos relógios, braceletes, armações de óculos e obturações dentárias das pessoas”. (Bower, Nazi Gold, 301. Audiência diante do Comitê de Serviços Bancários e Financeiros, Câmara dos Deputados; 25 de junho de 1997 – Nova York). A guerra jurídica dos inúmeros grupos judaicos americanos com a Suíça, para obter a devolução, do que lhes foi miseravelmente saqueado, foi longa e penosa. Em junho de l997, os bancos suíços fizeram uma “oferta final de 600milhões de dólares”. Abraham Foxman, chocada com a arrogância suíça não conteve a sua ira e disse: “Este ultimato é um insulto à memória das vítimas, aos sobreviventes e aqueles da comunidade judaica, que de boa fé se aproximaram dos suíços, para trabalhar juntos a fim de resolver este que é o mais difícil dos problemas”. (Levin, Last Deposit, 218 – Swiss Banks, 214, 223, 221 – Rickman, Swiss Banks, 231).

Em julho de 1998, Hevesi e McCall, ameaçaram lançar novas sanções. Nova Jersey, Pensilvânia, Connecticut, Flórida, Michigan e Califórnia se juntaram em questão de dias. Em meados de agosto, os suíços finalmente se ajoelharam. Eles concordaram em pagar 1.25 bilhão de dólares num acordo de ação coletiva.”O resultado não é só uma aquisição em termos materiais, mas uma vitória moral e um triunfo da vontade”. ( Rickman, Swiss Banks, capítulo de “Boycotts and De Ktats” – (Boicotes e Decretos).

A história atual da humanidade continua repleta de horripilantes genocídios. Diante dos sofrimentos em Camboja com l.7 milhões de óbitos, em Timor Leste com 150 mil óbitos, na Bósnia com 200 mil óbitos, em Ruanda com 700 mil óbitos, no Vietnã, somos todos vítimas de possíveis holocaustos. “Não aprendemos nada. A civilização corre tanto perigo hoje quanto naquela época”.(Weizenbaum, Computer Power- pág. 256).

O fascínio pelos atributos materialistas é inquestionável. É, e sempre foi historicamente comprovado, que todos os genocídios tiveram como principal objetivo o saque, o roubo com mortes. Mas no fim do século XX, inúmeras nações começaram a construir coletivamente os Direitos Humanos, como um instrumento de elevada conscientização na luta contra a violência. Neste alto grau de dignificação, incluem-se os direitos à vida, incluem-se os direitos “a liberdade e segurança, a não discriminação racial, a propriedade privada, privacidade e sigilo de comunicações, asilo face às perseguições políticas. Debate-se também a liberdade de culto, crença, consciência, opinião, expressão, associação, reuniões pacíficas, locomoção, residência, participação política diretamente ou por meio de eleições. Reflete-se muito sobre a ruptura totalitária, que se dá justamente quando estas pessoas destituídas de cidadania, de direito a ter direitos, tornam-se descartáveis e supérfluas, subvertendo o princípio da dignidade de cada ser humano, que está subentendido aos ordenamentos moral e jurídico do ocidente.

A ciclo compulsivo de genocídios começa a ser estudado por quase todas as culturas, estão debatendo o Direito à vida, consagrando o direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. A educação é o grande pilar da existência digna. É pela educação que o ser humano desenvolve a sua inteligência e os seus talentos, tornando-se capaz de compreender o mundo, valorizando a sua capacidade de gerar autonomia, renda e bem-estar. Somente, a educação de qualidade concorre e contribui para o desenvolvimento dos direitos humanos.

A cultura de um povo compõe a sua dignidade. É imprescindível que nos conscientizemos de que o princípio da existência não admite a prática da tortura, de penas e tratamentos degradantes. Já admitimos a prática da comunicação saudável ao tratar as pessoas. Quando adotamos o pensamento de união e conciliação, optamos pela auto-expressão positiva, então as nossas divergências, as nossas discussões, os nossos conflitos tendem, a ser amigavelmente resolvidos. Precisamos assegurar os direitos e as condições humanas necessárias a uma sociedade fundada na harmonia social e comprometida com as soluções pacíficas.   

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