REGINA DINIZ
‘O desejo ou inclinação para ser
feliz e evitar os sofrimentos não conhece fronteiras. Faz parte da nossa
natureza. Como tal, não necessita de justificativa e é legitimado pelo simples
fato de ser o que nós natural e corretamente queremos. É o que vemos tanto em países ricos quanto em países pobres. Em toda parte,
de todas as maneiras imagináveis. As pessoas procuram melhorar suas vidas. No
entanto, estranhamente, minha impressão é que aqueles que vivem em países de
grande desenvolvimento material, apesar de toda a sua atividade e diligência
são de certa forma menos satisfeitas, menos felizes e, até certo ponto, sofrem
mais do que as que vivem em países menos desenvolvidos. Se compararmos os ricos
com os pobres, muitas vezes parece que aqueles que têm quase nada são menos
ansiosos, apesar de atormentados por sofrimentos físicos. (Autor: Dalai Lama – Livro: Uma Ética Para O
Novo Milênio).
Algumas pessoas ricas sabem como
usar sua riqueza de modo inteligente compartilhando-a com os necessitados e não
em uma vida
de luxos – mas muitos não sabem.
Estão de tal forma envolvidos com a idéia de adquirir ainda mais riquezas que
não abrem espaço para qualquer coisa diferente em suas vidas. Extremamente
envolvidos deixam de buscar a felicidade que as riquezas deveriam trazer.
É comprovado o alto grau e a
frequência inquietante, nas populações dos países desenvolvidos materialmente,
da ansiedade, do descontentamento, da frustração, da insegurança e da
depressão. Esse sofrimento interior está na confusão cada vez maior sobre a moralidade,
sobre a Ética e quais são seus objetivos. Nota-se que a
atmosfera perturbada é um traço
característico do mundo desenvolvido. Nasceu uma sociedade em que as pessoas
acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros.
Atualmente, encontramos um alto
grau de solidão e perda de laços afetivos. Em nenhuma outra sociedade houve
grande espaço, que nos faça imaginar que as chaves da felicidade são, por um
lado, o bem estar material e, por outro, o poder conferido pelo conhecimento.
O conhecimento por si só não
proporciona a felicidade resultante do desenvolvimento interior, que independe
de fatores externos. O mais importante é resgatar o contato com a experiência
humana, e em especial com a nossa dependência dos outros.
“Jean Claude Kaufmam explica a
contemporaneidade : inundem a sociedade: - “Todo mundo busca ansiosamente a
aprovação, a admiração ou o amor nos olhos dos outros”. E observemos que as
bases para a autoestima fornecidas pela “aprovação e admiração” de outros são
notoriamente frágeis. Como se sabe, os olhos se movem, e as coisas sobre as
quais eles recaem ou pelas quais deslizam são conhecidas pela sua propensão a
virar e revirar de maneiras impossíveis de prever de modo que o impulso e
compulsão de “observar atentamente” na verdade nunca cessam. O calor da
vigilância atual pode muito bem transformar a aprovação e aclamação de ontem na
condenação e no ridículo de amanhã. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: A Arte de Vida – 2008).
Desejamos não um mundo perfeito,
mas um mundo com menos mal. A sociedade passa por uma crise de valores e as
consequências dessa crise é a corrupção e a violência. As universidades, as
escolas, as famílias e a sociedade em geral estão corroídas e esta crise de
Valores Éticos não consegue cumprir o papel de ser a vanguarda intelectual e encontrar as
soluções para os problemas que a realidade apresenta, ao invés disso vai se
adaptando a um sistema decadente condenado pelas esferas intelectuais mais
cultas.
Os bons sentimentos são
vitais. É do coração que nascem as obras
e as palavras. Nossos sentimentos serão verdadeiros se forem comprovados por
obras, por ações concretas. E a Fraternidade só se comprova por ações e não por
palavras. É tornar a teoria uma prática.
É falar menos e agir mais.
Compartilhar é uma atitude que leva à Fraternidade, porque compartilhar mostra
que somos todos iguais. Devemos compartilhar na família, na escola, no
trabalho, na igreja, na organização etc...
A ação ética na matéria
educacional tem sido objeto de freqüentes reflexões. Discute-se hoje em debate
que, de tão intenso, torna-se desgastado, quase ausente nestes anos de
fronteiras: fronteiras de séculos e de utopias. Parece que aqui em nosso
querido Brasil não temos nada a dizer. Será mesmo? O estudo da Ética só pode ser
apreendido quando pensamos a realidade social: a qualidade de vida com os outros; é urgente o estudo da
Ética e a escola continua sendo, o lugar por excelência da transmissão dos
valores morais em nossas sociedades. Desprovido de modelos Éticos substantivos
o indivíduo limita-se a fazer malabarismos entre diferentes ideais, perdendo a
seriedade Ética.
A Ética é a reflexão sobre a
própria conduta para saber como agir, e é um fator imprescindível de
convivência em sociedade. É uma condição indispensável para a sobre vivência
humana. A Ética no ponto de vista social zela pelo bem comum e no ponto de
vista psicológico é o processo intelectual e afetivo nas relações
interpessoais. Os fundamentos maiores da Ética é a prática do Bem e da Justiça,
sendo o instrumento fundamental para a instauração de um viver em conjunto, que
é a condição necessária para a sobrevivência da espécie humana. Ética significa
a relação entre vontade e a obrigação de seguir uma norma, do que é bom, certo
e do respeito ao próximo.
A democracia é um regime político
e também um modo de sociabilidade brasileira. A democracia é um regime político
e também um modo de sociabilidade que permite a expressão de conflitos, em uma
palavra, a pluralidade. Portanto, para além do que se chama de conjunto central
de valores, deve valer a liberdade, a tolerância, a sabedoria de conviver com o
diferente, com a diversidade, seja do ponto de vista de valores, como de
costumes, crenças religiosas, expressões artísticas, etc. Tal valorização da
liberdade não está em contradição com a presença de um conjunto central de
valores. Pelo contrário, o conjunto garante justamente, a possibilidade da
liberdade humana, coloca-lhe fronteiras precisas para que todos possam usufruir
dela, para que todos possam preservá-la.
A Ética trata de princípios e propõe que o homem a
valorize em seu dia a dia. Não existem
regras definitivamente consagradas. A Ética é um eterno vir a ser,
pensar, refletir, construir. A escola deve participar nesta proposta, para que
sejam livres e autônomos, par pensarem e julgarem. Pensar, apropriar-se dos valores morais com o máximo de
racionalidade é condição necessária, tanto à legitimação das regras e ao
emprego justo e ponderado delas, como
a construção de novas regras.
É
importantíssimo valorizar a presença da racionalidade na esfera moral: ter a capacidade de dialogar, essencial a
convivência humana. Viver em democracia significa explicitar e, se possível,
resolver conflitos por meio da palavra,
da comunicação, do diálogo. Significa trocar argumentos, negociar. Para que o
diálogo seja profícuo, para que possa gerar resultados, a racionalidade é
condição necessária. Aqui também são estabelecidas duas consequências centrais
para a educação: A escola deve ser um lugar onde os valores morais sejam
pensados, refletidos, e não meramente impostos. A escola deve ser o lugar onde
os alunos desenvolvam a arte do diálogo e a arte da mediação.