quinta-feira, 23 de junho de 2011

NOVOS CAMINHOS DE REALIZAÇÃO

                    
 REGINA DINIZ

“O homem e não a técnica deve ser a fonte básica de valores; o desenvolvimento humano ótimo e não a produção máxima deve ser o critério para todo planejamento. À parte  isso, o planejamento no campo da Economia deve ser ampliado para todo o sistema; ademais o sistema Homem deve ser integrado no sistema social todo. O homem, como planejador, deve estar cônscio do papel do homem como parte de todo o sistema. Assim como o homem é o único caso de vida que está cônscio de si mesmo, o homem como construtor e analista de sistema deve tornar-se o objeto do sistema que analisa. Isto significa que o conhecimento do homem, sua natureza e as possibilidades reais das suas manifestações devem tornar-se um dos dados básicos para qualquer planejamento social”.(Autor: Erich Fromm – Livro: A Revolução da Esperança – Editores Zahar – 1981 ).

Há milênios lutamos em ser uns pelos outros, e deveríamos trocar idéias construtivas, continuamente a respeito de nosso valor intrínseco de pessoas humanizadas. Pensar realmente é viver, e pensar com honradez a respeito de nós mesmos é enriquecer positivamente a nossa motivação. A consciência de nossa dedicação em medir em curto prazo as nossas aspirações e as nossas ações, nos ajuda a descobrir com transparência novos caminhos de realização.”O que é esta vida se, de tanto se inquietar, - Não se encontra tempo para parar e contemplar?” (Willian Henry Davies).  

As transmissões de idéias, as significativas rotas de soluções, de pessoas a nós e de nós a elas são comportamentos originais, estruturados pela nossa natureza humana de interagir. Somos seres destinados a viver em grupo. A  identificação e a comparação entre diversos posicionamentos abrem a nossa mente para a compreensão. Almejamos conferir se o resultado de nossas deduções corresponde àquela qualidade de vida pela qual estamos pleiteando. É tranqüilizador saber que temos histórias pessoais, as quais tem valor na evolução de nossos semelhantes. 

A proposta de afastamento total das decisões juntamente com a padronização cultural, nos impede no sentido mais profundo de opinar e de debater sobre possíveis benefícios humanísticos. Nunca o cidadão é consultado sobre planejamentos educacionais, profissionais e sociais. O cidadão é o grande ausente do processo o que não é justificável. É sempre repassada a velha mensagem “do faz de conta” de que o desejo social maior dos poderes constituídos é o de “bem-estar ótimo da sociedade”.

A participação ideal seria aquela, que não impossibilitasse a administração central (estatal) permitindo, contudo, aos participantes, o ótimo de participação responsável. Evidentemente, essa formulação é bastante geral e não é suficiente como base para tomar medidas imediatas. A centralização ótima seria o grau necessário para a organização e planejamentos eficazes e em grande escala. Podemos lidar com o conceito de centralização ótima e de participação ótima, partindo espontaneamente de pesquisas diretas com a sociedade civil.

Quando decidimos enfrentar os problemas de crescimento humano, as dificuldades tendem a desencorajar a maioria das pessoas. A verdade é que temos imaginação e iniciativa ilimitadas para resolver problemas técnicos, mas uma imaginação muito restrita, quando lidamos com o crescimento humanístico. Por que é sempre assim? É que ainda não temos no campo da ciência do homem, o conhecimento que possuímos nas Ciências Naturais e na Técnica.

Por que não aplicamos o conhecimento que possuímos? – Não se pode sugerir ou provar nada sem estudo adicional. Esse tipo de pesquisa não é feito, porque nossas atuais prioridades, nosso interesse em encontrar soluções humanamente mais aceitáveis, para a nossa organização social é fraquíssimo. Não obstante, a necessidade de pesquisas nas últimas décadas, tem havido alguma experimentação e pouquíssimos debates sobre esta grave problemática. Não conseguimos entender, porque um processo dinâmico de compreensão e intervenção construtiva no funcionamento das relações humanas, em áreas de miserabilidade civil, não interessa aos governantes. Já não podemos mais esconder de nós mesmos a dura realidade da favelização em nossas grandes metrópoles, e também em nossas pequenas cidades. 

Pela ampliação do conhecimento mútuo entre as pessoas, o debate humanístico é salutar, porque se transforma em diálogo em vez de disputa. Para que haja a possibilidade de diálogo saudável, é essencial que cada participante procure ser menos defensivo e mais acessível, e também valorize a empatia, isto é que compreenda o que a outra pessoa quer dizer. Em todo diálogo proveitoso cada participante deve ajudar o outro a esclarecer o seu pensamento, em vez de forçá-lo a defender idéias sobre as quais ele pode ter as suas próprias dúvidas.

O diálogo sempre subentende esclarecimento mútuo, e muitos até mesmo entendem melhor do outro do que a si mesmo. Somos por excelência seres gregários, investimos em nossa família, gostamos de fazer amizades, e neste intercâmbio humano ficamos mais fortes socialmente. A solidão nos enfraquece, e para ficarmos saudáveis e equilibrados, é necessário que nós mesmos teçamos, ponto a ponto, a confiabilidade que nos dará consolo e paz.

“O homem sente o prazer da honradez se relacionando com os demais, preservando a sua integridade, e relacionando-se de um modo construtivo e afetivo com os demais. Unicamente desenvolvendo o seu amor, unicamente podendo sentir o mundo social e natural de maneira humana, pode o homem sentir-se em seu lugar seguro de si mesmo, e dono de sua vida. Não é necessário acentuar que, das duas formas possíveis de transcendência, a capacidade destruidora conduz ao sofrimento e a construtiva à felicidade. É também fácil de ver-se que só um sentimento de identidade baseado na sensação de capacidade própria pode proporcionar vigor”.( Erich Fromm – livro: Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Zahar Editores – 1979).

O que o ser humano mais deseja é perseverar em um emprego, luta a despeito de todas as dificuldades em aumentar a sua capacidade para trabalhar com outras pessoas, dentro de um conjunto organizado, e sob uma autoridade confiável. Envida esforços na capacidade para tomar decisões de qualidade, e deseja usufruir vontade de viver, conjugando flexibilidade, independência e tolerância. Almeja construir as virtudes de um bom profissional em organizações de nossos tempos.

O ser humano não é uma folha de papel em branco na qual a cultura escreve o seu texto. Necessidades como as de felicidade, amor, harmonia, liberdade e paz para criar são inerentes à sua natureza. A alegria de viver depende do nível de interpretação dos objetivos com os outros com quem convivemos. Todos compartilhamos deste universo de compreensão, cada um contribuindo para sua renovação e recebendo sustentação em troca.    

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A MAGIA DA FELICIDADE


Regina Diniz


Ouço do fundo do meu ser
A vibração de ondas harmoniosas,
São marolas de compreensão interior.
Aprendo a confiar no próprio pensamento...

Permitiram poderosas forças,
Que eu recebesse este presente da vida,
De permanecer horas e horas
Extasiada pelo mar e pelas montanhas...
Experimento este sentimento misterioso
Que me absorve profundamente...
Mergulho então num sonho divino
De ousar interpretar com originalidade,
O sentido profundo e oculto da vida.
A inspiração vai chegando...
Sinto o meu ego fortalecer-se...
Percebo a gratificação das minhas emoções,
É que Deus fala com o ser humano,
Através da natureza, que dá o melhor de si,
Que conhece o porquê da vida,
Em todas as direções, é a ecologia da alma...

Interrogo-me construtivamente,
Penetro nos mais íntimos espaços
Do meu ser, buscando elucidações,
Esforço-me na redentora purificação...

Por opção estou completamente insulada...
Quero ler na intimidade da minha alma
O que há em mim escondido em desafios.
Talvez uma excelente potencialidade
Adormecida desejando emergir,
Explodem auto-exigências...
Sempre gostei de perseguir interesses individuais,
De sentir-me com veemência...
Rasgo o véu material com facilidade,
Então se abrem perspectivas imensas.
Sempre programo um passeio solitário,
Para oferecer-me condições de reflexão...
Sinto imensa paz...
Aprecio as potentes ramadas das árvores...
Encorajo-me, em colocar no meu coração,
A concepção da existência espiritual.
Coleciono forças emocionais para elevar-me
Acima das vulgaridades cotidianas...
Vejo com clareza que a independência
Começa com o ato de pensar sozinha,
Mas reconheço que estou na arrebentação da onda.
Com certeza há correntes mais profundas
No oceano da evolução da humanidade.

O templo do sonho ressurge.
É o sagrado conhecimento na sobrevivência...
É uma metáfora o saber da destinação...
Recapturo a essência da vida...

Visualizo como único caminho viável...
Entrar na Internet cósmica,
Entrar em níveis de consciência avançados.
Fico pensando e pensando...
Tecendo inimagináveis teias de idéias,
Procurando pistas no emaranhado da vida,
Desejando tornar tudo mais fácil,
Mas o crescimento humano é de difícil acesso...
Então assumo as rédeas da minha vida...
Assumo a responsabilidade por mim mesma...
Só me sinto feliz quando me vejo,
Buscando a compreensão de atos de valor.
Tenho consciência de que construo
A minha vida a cada momento...
E vou sentindo-me amadurecida,
Num cotidiano interior bem simples.
Fujo da prepotência e da arrogância,
Porque elas me entristecem...
Então a insegurança surge avassaladora,
E vira um caos a minha personalidade...

Beberei as águas cristalinas,
Nas fontes puras,
Onde acontece magicamente
A cura da alma...

Estou na praia do Matadeiro,
Contemplando o azul infinito do céu.
O mar está agitadíssimo...
As ondas altíssimas...
Que se jogam com força contra o rochedo,
E se transformam em mil pedaços,
O mar espuma, esbraveja inconformado...
Talvez seja pela resistência heróica do rochedo...
É uma guerra:
O rochedo para conter o mar
E as águas para ultrapassá-lo...
Vejo que seres humanos e todo o universo
Lutam tenazmente para sobreviver com espírito de luta.
Emitem mensagens de independência,
E desempenham os seus papéis com responsabilidade...
Gosto de celebrar o valor da individualidade,
A responsabilidade por si mesmo é indispensável.
A independência é a consciência
De que tenho algo importante a fazer
Para mim mesma e para os outros.
A independência é um sentimento de validez,
De alegrar-me por ser útil.
Esta emoção me proporciona bem-estar psicológico...
Sempre me pergunto com insistência:
- Estou potencializando a auto-estima?
E fico a pensar como poderei aumentar
Tudo o que de bom e positivo construí?
E só eu sei, que se não fosse pensar assim,
Talvez eu tivesse me fechado a sete chaves
Numa pequena caixa, e estaria hoje olhando o mundo,
Por uma pequena fresta, apavorada...
Sempre respeitei as adversidades da vida...
E sempre achei que a felicidade
É uma emoção digna de respeito...
E é um estado de ser tão almejado,
Que sempre o procurei com seriedade...
Dá-me pavor ver as pessoas
Cultivando idéias negativas...
Dá-me pavor ver as pessoas
Atropelando outros seres humanos...
Quero saber de viver com satisfação...
E só vou conseguir
Valendo-me das minhas qualidades positivas.
Quero saber de ganhar força emocional...
Esta história de brincar de perder sempre...
Longe da minha vida estes jogos neuróticos...
Posso estar bem simples materialmente,
Mas rica espiritualmente...

Ouço dentro do meu coração
Que devo agarrar a felicidade,
Que devo dirigi-la,
Que devo regulá-la a meu favor...

O mar é tão glorificado, é tão grandioso,
Que fico admirada do triunfalismo, que ele emite...
Este estado de ser gratifica-me,
Este estado de ser fascina-me.
Um casal de botos passeia pelas águas,
Num ritmo e harmonia espetaculares,
Que elegância, que leveza de ser...
Eis aí um narcisismo que deu certo.
Os surfistas sentados nas pranchas
Olham os botos que passam bem perto deles.
Observo que os trajes esportivos colorem o mar,
Alegram...
São predominantemente de cor vermelha...
Eles estão aqui praticando
Este belíssimo esporte,
E isto é muito bom...
Gosto muito de perguntar-me:
 -Estou exercitando a confiabilidade...
Regulo com atenção o leme da minha vida,
Embora seja uma pretensão alta.
Gosto de ter o meu destino
Mais ou menos nas minhas próprias mãos,
Tenho consciência de que eu sou
A minha própria escolha.
Por isso estou aqui nesta linda praia,
Fazendo o impossível para contemplar
O mundo sempre com novo frescor...
Com um novo olhar
Preparo sempre o terreno para sentir-me bem...
É preciso interesse para planejar
Para abrir a disponibilidade para a felicidade chegar.
Um barco com cinco pescadores parte para o mar...
De repente, mais longe,
Parece um barquinho de papel
Ao balanço poético das ondas...

Fervilham estimulantemente...
Ondas de questionamentos de vida...
Ondas de renovados objetivos existenciais...
Ondas de significativas redefinições...

Aqui de cima do penhasco
Admiro a majestosa imensidão do mar,
As batidas nas pedras lá embaixo
São muito fortes...
Dezenas de tarrafeiros pescam tainhas.
Duas garças brancas estão perto dos pescadores.
O mar é uma fonte de alimentos,
A sua beleza e abundância me encantam.
Equilibra-me ficar olhando-o...
Não quero ficar parada...
Procuro aqui e ali facilitar as descobertas...
Desejo curar a própria vida...
Escolho o caminho da coragem da renovação...
Só assim encontrarei as premissas verdadeiras,
Que são milhares e milhares...
Busco incansavelmente a minha identidade...

Tento de todas as formas
Dar qualidade ao meu presente...
Esta meta complexa
Acalma a minha alma inquieta...

Quero iluminar os meus caminhos de vida,
Fui contaminada por idéias incoerentes,
Mas procuro reconciliar-me comigo mesma...
Pouco a pouco desperto da apatia,
Trilho um caminho ativo de qualidade...
Trilho um caminho sem estresse...
Trilho um caminho de mais alegria...
O que procuro é a tranqüilidade interior,
Que acredito ser a felicidade verdadeira.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O ANSEIO PELA VIDA COMPARTILHADA

REGINA DINIZ 

Como compreender a perda do foco de valores da nossa época? O fato central  é vivermos num daqueles momentos da história em que um tipo de vida se encontra em agonia e outro começa a surgir, isto é, os valores e objetivos da sociedade ocidental encontram-se em estado de transição. Quais são especificadamente os valores que perdemos? Uma das suas crenças fundamentais dos tempos modernos, desde o Renascimento é o valor da competição individual. Existia a convicção de que quanto mais alguém trabalhasse no sentido de seus interesses econômicos e enriquecesse, tanto mais contribuiria para o progresso material da comunidade. Esta famosa teoria do laissez faire econômico foi eficaz durante vários séculos. (Rollo May – Livro: O Significado da Ansiedade – Zahar Editores – 1980 – Rio de Janeiro – 1980)

Entre os séculos XIX e XX encaminharam-se profundas renovações econômicas e sociais. Surgiram os negócios gigantescos e monopólios capitalistas, que desejavam uma nova personalidade, então o estilo de ser do homem competidor foi substituído pelo estilo do homem, bem mais sociável e  competente no trabalho em equipe. Passar à frente dos outros passou a ser uma prática inaceitável.

Na trajetória da civilização, os dons sempre explodiram em poderosas redescobertas, que se multiplicavam para o bem da comunidade. Atualmente os valores éticos de atenuada influência são os da tradição hebraico-cristã: “amor”, “serviço ao próximo”, “o desejo ser estimado”. Precisamos encontrar um novo centro de apoio, ou seja, a “reavaliação” de todos os valores. Só renovando, podemos descobrir as conseqüências benéficas destas mudanças.

O ser humano é fundamentalmente uma criatura social e psicologicamente interdependente em relação a outras pessoas. A auto-realização pode ser construtivamente alcançada pela afirmação e consolidação dos vínculos dentro  de um lar, no emprego, dentro de um círculo de amizades ou dentro de um grupo de pessoas conhecidas. A revitalização emocional flui quando aceitamos solidificar as ligações, que nos ligam à humanidade. Vivencio o estado de realização pessoal, quando consigo compreender o sentimento forte de pertencer, de me identificar com outros seres humanos.

É gratificante vivificar o sentido do valor e da dignidade do ser humano, ou seja, falar mais sobre nós mesmos. Um bom caminho é nos proclamar como seres em busca de elevada humanização. O ideal é investir e confiar em nós mesmos e não só na técnica, e nas máquinas. O ideal é trazer de volta a presença da fé na dignidade, na complexidade e na liberdade da pessoa. “Ai daquele que está sozinho quando cai, pois não tem ninguém para ajudá-lo a levantar”.(Eclesiastes).

A decisão pessoal tem muito valor, e agora começa a surgir a tendência de sentir-se cada vez melhor como pessoa. Muitos indivíduos, hoje em dia,  optaram por conhecer-se melhor, e procuram decifrar  a essência de suas mais altas qualidades de ser. O homem sempre pensou em abstrações como união, razão e bondade e como também sempre acreditou no valor e na importância que tem para os outros seres humanos. Todos os grandes homens na terra deram-se a reconhecer pelo traço de fraternidade deixada por onde passaram, pelo amor à humanidade, pela ajuda desinteressada a quem quer que fosse.

Todos nós temos talentos para amar o próximo, temos energias de sensibilidade ética, consideramos a verdade, criamos a beleza, dedicamo-nos à ideais e lutamos por eles. Realizar tais dons é ser uma pessoa. Nascemos e avançamos no âmago dos relacionamentos interpessoais. Dentro de nossa sublime natureza afetiva, sentimos forte pressão para progredir em padrões renovados de ser. Uma das inúmeras verdades da vida é que somos exatamente quem precisamos ser.

Conta a lenda que o filósofo Descartes, em começos da era moderna há três séculos, aninhou-se em sua lareira um dia inteiro, procurando descobrir o princípio fundamental da existência humana. E saiu do esconderijo à noite com a famosa conclusão “Penso logo existo”. Pensar com qualidade é profundo e complexo. Sempre me pergunto incansavelmente: - Estou pensando de forma construtiva?... É difícil, mas me esforço. O objetivo maior de nossa jornada é aprender a pensar com saúde pessoal e espiritual.

Todos nós temos necessidades normais de aprofundar e enriquecer nossas realizações, principalmente em relação afetiva de encanto à comunidade, desejando que todos sobrevivam com dignidade. A experiência da própria compreensão em relação a outros seres humanos é ao mesmo tempo a experiência mais simples e mais profunda de nossa vida. “Entre as obras do homem que a vida humana se dedica a aperfeiçoar e embelezar, a mais importante é com certeza o próprio homem...”. (escreveu John Stuart Miel).

“Pobre é aquele (e aquela) que se encontra permanente ou passageiramente numa situação de debilidade, dependência ou degradação, numa situação de carência cunhada diferentemente de acordo com a época e as formas sociais, numa situação de impotência e desprezo social: ao pobre (e à pobre) faltam dinheiro, relações, influência, poder, saber, qualificação técnica, nascimento honroso, força física, capacidade intelectual, liberdade pessoal, enfim, dignidade humana. Ele (e ela) vivem dia após dia  e não têm nenhuma chance de libertar-se de sua situação sem o auxílio de terceiros.(Mollat, 1984, p.13). Citação de Thomas Kesselring – livro: Ética Política e Desenvolvimento Humano – A Justiça na Era da Globalização – EDUCS – Editora da Universidade de Caxias do Sul – 2007).

Todos nós tememos a miséria e a indigência, e nos esforçamos por evitá-las, e se atingidas por elas, fazemos tudo o que possível para superá-las. Não há justificativa aceitável para que as forças sociais e estatais não se esforcem em estudar, em planejar, em operacionalizar meios de educação profissional para  a inclusão social. Só conquistaremos a paz duradoura em nossos corações, quando assumirmos de frente, este desafio, reconhecendo a fome, reconhecendo a pobreza absoluta, reconhecendo o sofrimento em conseqüência da fome e da falta de moradia. Não podemos mais esperar para assumirmos esta grande parcela da nossa população, com todos os meios disponibilizados. Afinal para onde são destinados os altos impostos que pagamos? O atendimento ao ser humano é a prioridade maior de todas as culturas.

O nosso tempo porta-se de maneira brutal, na total omissão de nossas políticas sociais, que indiferentes permitem a morte de milhares de pessoas. Não reconhecer esta realidade social é concordar com este genocídio. Só o nosso desejo de ajudá-los, já purifica a vibração espiritual de toda a cultura. O impulso de ajudar no ser humano é propensão inata, pois constitui harmonia do Criador em todas as coisas que fez, principalmente no desabrochar da razão e no alvorecer dos sentimentos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O DOCE CATIVEIRO

Regina Diniz

Receio a fadiga da depressão pelo temor de não decidir a própria vida...
É extremamente gratificante escolher o meu caminho existencial...
Passo todo tempo de plantão, defendendo a minha liberdade...
Reajo indignada às proteções e direções impostas...

Reconheço o esplendor da liberdade de escolha...
Aquecida emocionalmente admiro a lua resplandecente e soberana...

Receio a fadiga da depressão pelo temor de não decidir a própria vida...
A liberdade não está morta, mas agoniza...
Não vislumbro a liberdade de ser nos meus tempos...
O mundo está cansado e saturado de horrores...

Sou livre para ser quem quero ser...
Fascinada pelo mistério humano desvendarei a minha essência...

Receio a fadiga da depressão pelo temor de não decidir a própria vida...
Os doces cativeiros multiplicaram-se em sofisticação,
Nunca investiram tanto no controle da liberdade.
Passei por cima de tudo e dei atenção a minha individualidade...

A minha felicidade é a capacidade de cuidar de mim mesma...
Espelho-me na dignidade da montanha...

Receio a fadiga da depressão pelo temor de não decidir a própria vida...
Aprendi com sofrimento extremo a conviver com a insegurança.
Tenho infinitas dúvidas acerca de meu papel no mundo,
Ainda procuro com pertinácia o significado da minha existência..

Sou verdadeira a mim mesma e fiel a minha história...
Graças a desígnios maiores sou livre para crescer espiritualmente...

Receio a fadiga da depressão pelo temor de não decidir a própria vida...
Faço o impossível para tornar a minha interioridade ativa e digna.
Batalho incansavelmente pela minha liberdade.
Sou filha de um tempo que só quer oprimir...

Sou livre para sentir alegria, paz e segurança...
Apesar de espoliada sou dona de minhas próprias escolhas...

Receio a fadiga da depressão pelo temor de não decidir a própria vida...
Não quero jamais pensar em desistir da liberdade.
Seguidamente sou atacada pela ânsia da submissão,
Mas tenho certeza de que não há satisfação em submeter-se...

Reconquisto minuto a minuto o direito do meu espaço de ser...
Sempre amei deveras o meu eu rebelde e me salvei...