quinta-feira, 29 de março de 2012

O MEU PROJETO


 Regina Diniz


Eu sou o meu próprio projeto.
Para adiante... Nutro minhas capacidades...
Mas o mundo em que vivo é repressor...
Luto pelas minhas metas desesperadamente...

Calma!... Construo a minha vida aos poucos...

Eu sou o meu próprio projeto.
Para adiante... Protejo o núcleo interno da alma.
A minha natureza íntima de luta é sempre criticada...
Valorizo todos os meus instintos e necessidades...

Calma!... Aprecio o despontar do sol da esperança...

Eu sou o meu próprio projeto.
Para adiante... Cuido da qualidade das transações afetivas
Mas as motivações dos meus tempos são depressivas.
Destruo os óbices à realização das potencialidades...

Calma! ... Percebo que a modernidade está confusa...

Eu sou o meu próprio projeto.
Para adiante...Descubro as inclinações internas,
Mas a minha cultura suprime a natureza do homem...
Nascem do meu ser opções contínuas de coragem...

Calma!... Descubro que a motivação é Deus na alma...

Eu sou o meu próprio projeto.
Para adiante... Apaixono-me pelas pessoas bondosas.
Admiro os heróis que lutam pela pureza espiritual...
Dedico fé na reconciliação comigo mesma...

Calma!... Aprendo a socorrer a mim mesma...

Eu sou o meu próprio projeto.
Para adiante... Sou obstinada pelos valores éticos milenares,
Mas o meu século prima pela síndrome da deteriorização.
Transcendo a vida construindo-me junto com os outros...

Calma... Luto tenazmente pelos meus projetos espirituais...

quarta-feira, 21 de março de 2012

O INVESTIMENTO CULTURAL E O CAPITAL HUMANO


REGINA DINIZ 

Com a queda do Muro de Berlim, fez-se leitura simplificada do significado do fim da guerra fria, constatando-se precipitadamente a emergência de nova ordem internacional, uma definitiva “Pax Americana”, à qual seria inevitável ajustar-se. Aceita-se a proclamação do fim da História, com a vitória da economia de  mercado e da democracia. Cria-se um clima de tal conformismo, que um intelectual do porte de Vargas Llosa, com pretensões de governar o seu país, ousaria tomar, sem pejo e até com entusiasmo, a imensa liberdade de sugerir, em artigo assinado, que Porto Rico, como Estado associado dos Estados Unidos, passasse  a constituir o modelo, por excelência, para a América Latina. Proposta esdrúxula e vexaminosa, que passou indene, sem comentários, de forma que indica o grau de anestesiamento da consciência nacional na região. Os países latino-americanos comportam-se como países derrotados”.(Paulo Nogueira Batista – livro: O Consenso de Washington 1994).

Conformados, rendidos e iludidos perderam a motivação de se confirmarem como verdadeiras nações independentes. Amedrontaram-se pela ausência de conhecimento, porque não tinham economistas, que soubessem compreender o modelo diferente do plano nacional. Desesperados e perdidos demonstraram com extremada aceitação a dependência aos Estados Unidos.

O marketing das idéias neoliberais foi esplendidamente planejado, sinalizando a modernidade na América. Elogiava a visão do progresso, da inteligência e à coragem renovadora de seus líderes. Surgiam slogans charmosos – Globalização – Trans-nacionalização – etc... Instala-se na América Latina, no discurso e na ação, a postura de dependência externa total. Fizeram empréstimos vultuosos.

O trauma dramático para a América Latina, foi a decisão do Federal Reserve System de elevar as taxas de juros sobre o dólar para combater a inflação nos Estados Unidos. Toda a América Latina caiu pesadamente nesta armadilha. Os presidentes da Argentina do Brasil confiscaram a poupança do povo. O desespero tomou conta destes países. Inteligentemente, o General De Gaulle disse esta frase: “Os países, a rigor, não têm amigos, tem interesses”.

Seria necessário construir um consenso “made in Brasil”, e para produzi-lo em uma grande aliança, que inclua partidos políticos, intelectuais, educacionais, economistas em um excelente plano neste sentido.

O que nos falta é admitir, que tudo depende de incentivar novas apreciações, novas idealizações, que incentivemos nosso sonho maior de sociedade democrática. São prioridades terminar com o analfabetismo, terminar com a falta de investimento em educação, terminar com a falta de saneamento básico, terminar com a impunidade a fim de superarmos os obstáculos contra os quais lutamos há décadas. O FMI é uma falácia. A retomada de nosso crescimento econômico e social deverá surgir de nosso trabalho, porque  aprendemos através de uma lição, que os investimentos externos são terríveis armadilhas.

Não restam dúvidas que a simplicidade intelectual do sistema latino-americano encoraja abrangentes “consensos”. Não conseguimos combater a miséria e então copiamos soluções concebidas no exterior. Esta submissão intelectual para obter ajuda externa, obrigatoriamente deverá ser substituída pela implantação da educação, em nosso país, nunca assumida com seriedade.

Há mais de quarenta anos, as nações do mundo afirmaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos que “toda pessoa tem direito à educação”. No entanto, nada foi realizado por países do mundo inteiro, que não implementaram o direito à educação para todos, pois persistem as mesmas realidades. – mais de cem milhões de crianças das quais pelo menos 60 milhões são meninas não tem acesso ao ensino primário. Mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, não tem acesso às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a perceber às mudanças sociais e culturais.

Hoje, o mundo enfrenta mais um quadro sério de problemas: o aumento da dívida de muitos países, a ameaça constante da decadência econômica, o rápido aumento da população, as diferenças econômicas crescentes entre as nações e dentro delas, a guerra, a ocupação, as lutas civis, a violência. Se fossem atendidas as necessidades básicas de aprendizagem, se fosse ministrada a educação básica para significativas parcelas da população a sociedade enfrentaria esses problemas com vigor e determinação.

Se a qualidade de educação tivesse sido enfrentada em nosso país, há quarenta anos atrás, teríamos discutido com sabedoria o consenso de Washington, e não teríamos sido tão brutalmente enganados pela nossa ignorância econômica e social. Durante a década de 80 a baixa educação básica dificultou imensamente os países menos desenvolvidos. A aceitação da educação como um extraordinário Capital Humano, em países com relativo crescimento econômico permitiu financiar a expansão cultural, mas milhões de pessoas continuam na pobreza, privados de escolaridade ou analfabetos.

Em países industrializados, o corte nos gastos públicos em educação na década de 80, impulsionou a deteriorização educacional e econômica. Mas este novo século vem carregado de esperanças e de oportunidades. Os países ricos pedem aos países subdesenvolvidos que invistam em educação. Testemunhamos o reconhecimento do valor da educação, rumo ao entendimento pacífico e de uma troca e cooperação entre as nações.

A chanceler alemã, Ângela Mercker e a nossa presidente Dilma Rouseff disseram a repórteres depois de uma reunião na feira de tecnologia Cebit, em Hanover em 06/03/2012, que discutiram as preocupações de Dilma de que uma enxurrada de dinheiro barato das nações industrializadas, incluindo as operações de liquidez do Banco Central Europeu (BCE), prejudicava países como o Brasil por levar a uma apreciação de suas moedas. Ângela Merckel afirmou que tranqüilizou Dilma, explicando que essas eram apenas medidas temporárias destinadas a ajudar as reformas da zona do euro a fim de enfrentar a crise da dívida...

Neste mesmo dia Ângela Merkel e a presidente Dilma Roussef assinaram um livro de ouro digital, o livro de visitantes, no estande da Microsoft durante  visita à Feira Internacional das Tecnologias da Informação e das comunicações, a Cebit, em Hannover, um dos maiores eventos do mundo de computadores para as inovações digitais e tendências. Durante a abertura desta feira Dilma Roussef disse em discurso que: “A exclusão digital, das tecnologias da informação, acentua as desigualdades já existentes. [...] O Brasil fez opção clara nos últimos anos por universalizar o acesso à tecnologia”. Segundo ela, os benefícios decorrentes do desenvolvimento das tecnologias da informação não podem ser “privilégios de poucos”.   

quinta-feira, 15 de março de 2012

O SEGREDO DO MARISCO


Regina Diniz

A desconfiabilidade  permeia o meu coração...
Para que colocar a esperança fora da realidade?
Gasto precioso tempo desvendando armadilhas inexistentes...
Sou uma alma sufocada por pressões extremas...

Pago o preço dos meus tempos...
Mas com alegria imagino a paz da morada dos santos...

As serpentes estão enrodilhadas para dar o bote no luar...
Estão em grupos patrulhando tudo e todos.
Morrem de inveja da beleza do luar.
Eu percebo e acho um ganho não sair do mesmo lugar...

Mas com alegria penso sobre o ideal de justiça e bondade...

A desconfiabilidade amordaça o meu ser...
O meu olhar espichado tenta desvendar uma saída,
Mas os ventos de sobrevivência da alma me aconselham:
- Administra os prejuízos afetivos que já é lucro...

Mas com alegria sonho no entendimento entre os homens...

Perco poderosas cifras de entusiasmo...
Quando a mágoa me engole...
De onde vem este sentimento de desaprovação?
Serão expectativas altas demais que jamais alcançarei?...

Mas com alegria medito sobre a igualdade humana...

São muitas as invejas, os ciúmes e as frustrações...
Jogam tudo na ânsia de desforra,
Levantam a auto-estima pagando juros à vingança,
Eis o esplendor das teses narcisistas...

Mas com alegria procuro vivenciar a virtude em sumo grau...

Eu não acredito na construtividade dos meus tempos.
E os ventos de sobrevivência da alma me aconselham:
- Cuidado - afeto movediço.
Forças maiores diminuam o preço emocional dos meus tempos...

quinta-feira, 8 de março de 2012

LIVRES E IGUAIS EM DIGNIDADES E DIREITOS


 REGINA DINIZ

Os Direitos Humanos são conquistas de uma longa história, que foram debatidos ao longo dos séculos por filósofos e juristas. O avanço civilizatório desta conquista começa no Cristianismo durante a Idade Média que se posiciona na defesa da igualdade, comparando todos os homens numa mesma posição de dignidade. É neste período que os matemáticos cristãos recolheram e desenvolveram a Teoria do Direito Natural.

Da evolução destas correntes, originou o Acto Hábeas Corpus (1679) que foi a primeira tentativa para impedir as detenções ilegais. Com as Declarações Americanas da Independência, que surgiu em 04 de julho de 1776, constavam os Direitos Naturais do ser humano, que o poder político deveria respeitar com base na Declaração de Virginia, que valorizou os Direitos Humanos e definiu os direitos econômicos e sociais.

O avanço civilizante mais importante na luta pelos Direitos do Homem aconteceu no período de 1945 a 1948. A consciência das tragédias, das destruições e das atrocidades vividas durante a segunda guerra, levou as nações a criarem a Organização das Nações Unidas para estimular e manter a paz no mundo. Na Carta das Nações Unidas assinada em 20 de junho de 1945, os povos exprimiram a sua determinação “em preservarem as gerações futuras das devastações das guerras”.

Nos mais importantes centros culturais do mundo, até os dias de hoje é proclamada a fé nos direitos fundamentais do homem, é privilegiada a dignidade e valor da pessoa humana, é preservada a igualdade de direitos entre homens e mulheres. O progresso social é avaliado pelas melhores condições de vida numa maior liberdade criativa. São divulgadas as propostas do surgimento de novo mundo de tolerância, de paz, de solidariedade entre as nações, propondo o progresso da qualidade de educação, do progresso econômico e social.

As Nações Unidas entre si desejam a paz e a segurança nacional e internacional. As resoluções dos problemas internacionais, econômicos, sociais e humanitários respaldam o respeito pelos Direitos Humanos e pelas liberdades fundamentais  do ser humano. As possibilidades de paz e segurança precisam receber redobrada  atenção e dedicação, porque é comum acreditarmos em conter a violência com uma violência maior. Já vimos com clareza que não podemos responder à força com a força, e que só uma cultura de paz e a imparcialidade podem enfrentar a violência. Nenhum ser humano deseja a guerra.   

A Declaração Universal dos Direitos Humanos da organização das Nações Unidas afirma: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade”. (ONU – artigo I). Ninguém está livre até todos estarmos livres. Só admitindo a liberdade de ser  é que sentiremos alegria no trabalho, na família e com os amigos. Permitir a liberdade incondicionalmente a nós mesmos e aos outros é a maneira de sentir a alegria que ela nos traz.

Um dos documentos mais antigos que vinculou os Direitos Humanos é o Cilindro de Ciro. Foi descoberto em 1879 e a ONU o traduziu em 1971 a todos os seus idiomas oficiais. A tradição mesopotâmia centrada no modelo do rei justo, ressaltado pelo rei Urukagina que reinou durante o século XXIV a.C. e também, destacada pelo rei Hammurabi também da Babilônia que reinou XVIII a.C. reconheceram abertamente os Direitos Humanos.  Ciro II que era um rei persa após a conquista da Babilônia em 539 a.C. decretou os valores humanos embasados principalmente na liberdade de ser. O Cilindro de Ciro declara a liberdade de religião e a abolição da escravatura.

Num simples olhar de retroatividade histórica nota-se, que apesar de todas as profundas reflexões humanísticas, os Direitos Humanos não consegui estabelecer uma plataforma ampliada e atualizada de inserção no imaginário coletivo, que eliminasse a falência dos desentendimentos conflituosos. A prática da vontade política construtiva humanística tem o poder de eliminar o embrutecimento do cotidiano, oferecendo as possibilidades de esperanças, de boa vontade e civilidade.

É interessante pensar no modelo do sujeito atuante positivamente, interessado nos investimentos públicos, em transformações sociais através das referências morais e éticas. Idealizar novas práticas comportamentais, dotadas de refinada integridade, através de profundos debates de conscientização à diversidade humana, e o respeito que ela impõe sendo o peso de todas as coisas seria salutar. Avoluma-se através dos Direitos Humanos o debate para a construção de um mundo de todos para todos.

A tradição mesopotâmia centrada no modelo do rei justo colaborou decisivamente para o surgimento dos Direitos humanos. Há 26 milênios através das propostas do Cilindro de Ciro já se tornara realidade a liberdade de religião e a abolição da escravatura. Numa avaliação rápida notamos que os Direitos Humanos se operacionalizam na sua essência em determinadas culturas, as quais primam pelo investimento ético Estimulam a reflexão permanente do valor da dignidade de todos os seres humanos sem exceção.

Há 26 milênios a escravidão foi abolida, e foi demonstrada a repulsa a todas as formas de escravização humana. As marginalizações sociais foram totalmente proscritas, considerando-se uma chaga denunciadora de sociedades atrasadíssimas tanto culturalmente como socialmente. Os valores democráticos envernizam, porque ressaltam o sentido de igualdade de todas as pessoas e a recusa deliberada de privilégios.

O direito à educação constitui avanço considerável na trajetória humana, mas está travada ainda não deslanchou. Através do conhecimento humanístico do Cilindro de Ciro, concomitantemente com o reconhecimento da ONU, estas propostas éticas avançadíssimas, intencionalmente estão escondidas e esquecidas. Não resta a menor dúvida de que os preconceitos, as exclusões, as discriminações, as sofisticadas escravizações exercem imensurável fascínio, mostrando bárbara e psicótica inferiorização em pleno século XXI. Por esta razão os Direitos Humanos devem ser estudados e debatidos diariamente porque o que mais dignifica culturalmente e socialmente é a igualdade de direitos.     

quinta-feira, 1 de março de 2012

O MEU NAVIO INTERIOR

Regina Diniz

Não jogarei a minha bagagem emocional pela amurada.
Apesar de impedimentos expressarei sentimentos delicados.
Descobrirei jeitos para reverenciar tudo e todos.
Abro o meu coração e sinto-me mais leve...

O meu navio interior precisa continuar flutuando...

Procuro vencer constantemente as minhas limitações...
Pronuncio as doces exclamações de admiração...
Reparto sentimentos e pensamentos com todas as pessoas...
Ganho força ao lembrar-me de minhas difíceis superações...

O meu navio interior precisa acreditar na evolução dos indivíduos...

Renasce a luta pela qualidade de pensamentos...
Preciso da empolgação contagiante dos ideais...
Mais do que ninguém preciso de uma direção...
Valorizo as pessoas que fazem parte da minha vida...

O meu navio interior precisa confiar em si mesmo...

Busco o sol da renovação...
Substituo o discurso desqualificante pelo de consideração...
Procuro valorizar as qualidades das pessoas...
Ao voltar-me para os outros, mais forte me torno...

O meu navio interior precisa equilibrar-se na estabilidade cósmica...

Gosto muito da aventura interpessoal...
Faço tudo para que o otimismo me cure...
Trabalho incansavelmente para derrubar muros gélidos...
Tenho certeza de que quero somente os caminhos afetivos...

O meu navio interior precisa encorajar a esperança da alma...

Preparo-me para a partida...
Repudio os ideais sombrios da depressão...
Imagino verdes oásis rompendo a monotonia da solidão...
Nutro a esperança de alcançar a consciência de mim mesma...

Apesar da maré gigantesca de violência dos meus tempos:
O meu navio interior precisa de serenidade e paz...