quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SOCIEDADES JUSTAS E SADIAS


REGINA DINIZ

“Direitos Naturais”, “Direitos Humanos”, “Direitos do Homem”, “Direitos Individuais”, “Direitos Públicos”, “Direitos Subjetivos”, Direitos Fundamentais”, “Liberdades Públicas” são todas expressões utilizadas para designar uma mesma categoria jurídica. A preferência por uma determinada designação varia no tempo  no espaço. Originalmente, era disseminada a designação direitos naturais, pois essa categoria de direitos era tida como universal e imutável, decorrente da própria natureza humana, enquanto criada à imagem e semelhança de Deus ou enquanto ser racional. Com a evolução histórica e a positivação desses direitos, passou-se a preferir, nos países anglo-saxões e latinos, a expressão Direitos
do Homem”, mas que foi, por ocasião da Segunda Guerra Mundial e da fundação da Organização das Nações Unidas (ONU), substituída por Direitos Humanos na medida em que aquela não necessariamente contemplava as mulheres”. (Weston, Burns H. Human Rights In: The New En cyclopedia Britannica.15 ed. Chicago, 1990. v.20, p. 656).

Quantas inexplicáveis recusas culturais em reconhecer o ser humano, como a razão maior acima de tudo, por ter responsabilidade jurídica! Os seres humanos com existência significativa estão presentes em todas as reivindicações morais, políticas e sociais no consenso contemporâneo, admitido como “de direito”, e não por pena, pobreza ou comiseração. É uma reivindicação milenar manter e concretizar as exigências da dignidade, da liberdade e da igualdade humanas.

Já começamos a trocar idéias sobre os nossos direitos à vida plena, a liberdade, a segurança, a não discriminação racial, a propriedade privada, a privacidade, asilo diante perseguições políticas. Evoluíram as liberdades de culto, crença, consciência, expressão, associação e reuniões pacíficas, locomoção, residência, participação política, diretamente ou por meio de eleições. Discutem-se os direitos econômicos, sociais e culturais, que decorrem de aspirações igualitárias historicamente vinculadas a movimentos socialistas do século XIX e início do século XX.

O sistema diplomático de proteção aos Direitos Humanos começou a ruir com a crise mundial da primeira metade do século XX. As duas grandes guerras geraram um gigantesco contingente de refugiados, apátridas e minorias que não se encaixavam no sistema internacional da trindade - Estado – Povo – Território. É identificado nesse fenômeno um dos mais importantes ingredientes para o surgimento do totalitarismo. Hanah Arendt identifica que a ruptura totalitária se dá justamente quando estas pessoas destituídas de cidadania, de direitos a terem direitos tornam-se supérfluas, subvertendo o princípio da dignidade de cada ser humano subjacente aos ordenamentos moral e jurídico do Ocidente.

Surgiu então a proteção internacional que tutelaria os direitos dos indivíduos independentemente de serem nacionais de qualquer Estado. Despontou um princípio jurídico universal – a proteção dos direitos humanos – que dependia desse elemento contingente, ou seja, a cidadania que lhe daria condições de ser tratado pelos outros como um ser semelhante. Após a Segunda Guerra Mundial, o Direito Internacional Público, reagiu, procurando minimizar os efeitos da condição de apátrida e refugiado.

Devemos lembrar permanentemente as autoridades públicas pela sua responsabilidade na efetivação dos Direitos Humanos. Países como o Brasil assinaram os documentos se comprometendo a respeitar, garantir e proteger os Direitos Humanos. É muito positivo compreender que devemos nos libertar de regimes econômicos, sociais e políticos que oprimam e imponham a fome e a miséria. É imprescindível a garantia à saúde, a educação, ao salário justo e a moradia também. Ninguém vive em condições dignas, sem alimentação,    
sem vestuário, sem trabalho e sem participação política. Os Direitos Humanos dependem uns dos outros. Valem para todas as pessoas. São Direitos Universais.

Os Direitos Universais se subdividem em: Direitos Civis, Direitos Políticos, Direitos Sociais, Direitos Culturais, Direitos Econômicos, Direitos Ambientais. Nos dias atuais, faz parte da evolução da natureza do homem dispor de uma série de direitos, que devem ser respeitados, para que sua existência possa ser garantida. O equilíbrio da ordem social pressupõe a existência de direitos e deveres. Observando a prática na vida diária, constatamos que grande parte da população não tem consciência, não tem conhecimento dos seus direitos. Ignoram duas verdades fundamentais: - a todo direito corresponde um dever e vice-versa. Os direitos de cada indivíduo, por sua vez, encontram correspondência nos direitos de seus semelhantes. É importantíssimo manter o debate por estes direitos.

“A Europa sempre foi Modelo de Bem-Estar Social com Educação, com Saúde de qualidade, com Auxílio Desemprego, com Aposentadoria Justa. No Reino Unido, o grande projeto de proteção social foi criado por Beveridge, um político liberal. A grande base do Estado do Bem Estar foi feita pelos partidos socialistas, e social democratas europeus. A partir dos anos 50,60 o Estado Social na Europa era o mais avançado. Mas a partir dos anos 80, ouve um conflito entre a corrente do Estado Social muito avançado na Europa, e, do outro lado, a oposição marcadamente da Sra. Margareth Thatcker no Reino Unido, assim como  outros conservadores da Europa, surgindo um liberalismo contrário ao Estado de bem-estar social. O conflito começou nos anos 80, continuou nos anos 90, continuando até os dias de hoje”.(Repórter Elizabeth Carvalho – Globo News Documento – dezembro de 2011).

O primeiro espaço a ser enfrentado pela reforma no sistema europeu foi o trabalho. A idéia de um trabalhismo clássico, contratos com horário ilimitado sob a supervisão de sindicatos para ganhar salários compatíveis com o custo de vida foi pouco a pouco substituído pelas leis de flexibilização, redução da jornada, contratos com duração determinada, redução do tempo e do valor, salário desemprego, idade para a aposentadoria. O Mercado de Trabalho foi totalmente destruído, 30 % dos trabalhadores estão em condições precárias. Ninguém discutiu até hoje sobre o Mercado de Trabalho, pois ele terminou, não existe mais.

A partir de 1980, o fenômeno de uma acelerada desindustrialização, abertura das fronteiras, a competição global permitiu o acesso às reservas mundiais de mão de obra bem mais econômica, que a mão de obra que estes países tinham em casa e de repente sem que as pessoas se dessem conta, perderam totalmente as oportunidades de trabalho. Tudo despencou subitamente. Em cinco anos portas fechadas, todo mundo demitido. Depois da desindustrialização e da reestruturação desde Thatcher não sobrou indústria nenhuma no Reino Unido com exceção do setor bancário.

Interpretando os solavancos violentos vivenciados pela humanidade, e os desejos sociais pacíficos desejados por ela, notamos a ausência permanente dos debates dos investimentos sociais positivos, a nível comunitário, a nível estatal, a nível nacional, a nível global, que nos preparariam para desencorajar estas arrancadas economicamente ilícitas. A realidade histórica comprova conflitos devastadores, mas há também nações saudáveis que anseiam por ordem e paz. Hoje já percebemos o sonho social no surgimento de sociedades justas, inclusivas e sadias.

Para neutralizar estes arranques destrutivos, que ocorrem sempre por motivações de ganância econômica, o ideal seria também cultivar a paz de dentro de nós. É só um empurrãozinho, pois apreciamos imensamente nossas lutas interiores permanentes por equilíbrio mental, e sabemos que a paz interior nos torna pessoas saudáveis. Sempre procuro fazer uma campanha de investimento interno em prol de uma vibração amorosa e com objetivos pacíficos para todos os seres humanos para sentir-me em paz.     

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

MUROS ALTOS


Regina Diniz


                                   Enfrento obstáculos interiores...
                                   Questiono a base dos sentimentos...
                                    Supero as limitações emocionais...
                                    Decido pela qualidade de ser...

Hoje, encoberto e trovoadas,
Amanhã, trovoadas e chuvas,
A temperatura está extremamente baixa,
Faltando um mês para o inverno, as folhas secas
Rolam sem rumo pela rua,
Provando a transitoriedade irreversível da vida.
A natureza emudeceu.
Os pássaros já não mais cantam a alegria...
Um forte vento sul nos chicoteia sem tréguas,
Desafia o limite de nossa decidida resistência.
Estão descobertos dois pares de olhos.
Numa corrida, apostamos qualidade na adversidade.
É preciso fé pura para não duvidar da dor.
Após uma hora de duro embate físico,
Entramos num bar simples do trajeto,
Que servia chocolate quente e barato,
Olhei pela vidraça uma árvore, que dobrava,
Impiedosamente sob a tirania do vento...

Desejo descobrir o caminho certo...
Revejo o contexto dos meus tempos...
Invisto nos valores da imortalidade...
Tudo é jornada espiritual...

Em silêncio tomávamos nosso chocolate...
E nos olhávamos sem palavras.
Eduardo não aceitava mais que eu mentisse,
Compulsivamente, para ele e para mim mesma.
Afirmava que éramos mestres
Em nos esconder afetivamente um do outro,
Tudo era válido em nosso relacionamento,
Menos a transparência de sentimentos.
Um olhar profundamente penetrante
Incomodava, pois nos reduzia a pedaços...
A fragilidade de emoção era um estado de ser,
                                    Que requeria a solidez que não tínhamos.


Ensinaram-me
                                    A chorar na alegria...
Ensinaram-me
A sorrir na tristeza...

Conhecemo-nos numa discoteca,
Já lá se vão três anos.
Os amigos dizem que somos bailarinos,
Amamos a música.
No verão passado mergulhamos
Numa ilha deserta e paradisíaca.
Praticamos o turismo ecológico.
Apreciamos lugares selvagens,
Na busca frenética para descobrir novos rumos,
Que enriquecessem de significados nossas vidas.
O meu tio Mário uma vez me disse:
“O planeta terra saturou-se de pedreiros”.
Impressionei-me ao ouvir dele,
Que éramos mestres em erguer
Muros bem altos a nossa volta.
Então eu mesma admiti,
Construo muros sim...
Porque sou receosa...
Minha alma treme de medo...
É a desconfiabilidade...
Que irrompe triunfal do meu peito...
Vejo armadilhas a cada passo...
Vulnerável, temo fraquejar...
Entre muros procuro,
Proteger-me
De meus próprios sentimentos negativos...

Perdi a finalidade da existência...
Escaparam-me os bons objetivos...
Desesperada, busco a transcendência,
Que foi aniquilada dramaticamente.

O planeta terra está de luto...
O século XX I inicia violento demais,
Cruel demais...
É natural que se afundasse
No negativismo, na depressão, na descrença,
Da derrota de suas próprias teses...
- Eduardo – Veja bem:
- Só aparece euforia falsa...
- Só se vê sorriso estereotipado...
- Só se ouve frases sem emoção...
- Só vemos olhos sem vida...
- Bocas com ares de carinho e afeto,
- Fingindo...
- Sentir um amor que desconhecem...
- Todos se comportando do mesmo jeito,
- Desesperados procurando o rebanho,
- Em busca da identidade ilusória...
-Confusos porque se gratificam só no exterior,,,
-Como nós não conseguem revigorar valores internos...
-De seres humanos para seres humanos.

Pago um alto preço...
Pelo não investimento...
No reconhecimento transcendental...
Tudo ficou muito escuro...

- Eduardo... Olha o quadro na parede...
-Comunica a fartura virtual,
-Na exuberância dos alimentos.
-Que coisa séria...
-Só se pensa no alimento do corpo.
-Não passamos um centímetro
-Da rasa sobrevivência...
-Reunimo-nos só para comer,
-De preferência sem diálogo...
-É a ditadura da sobrevivência do corpo sem alma...
-Em seu apogeu...
-E acreditamos ser o nosso
-Maior triunfo...
-É a nossa maior ferramenta de status,
-Fazemos dele uma máquina,
-Escravo do trabalho escravo,
-Mas na realidade não o valorizamos,
-Tanto que teatralizamos a sua importância,
-Mentimos...
-Porque em horas decisivas,
-Nem titubeamos,
-Damos o nosso corpo,
-Mas não permitimos
-A posse de nosso espírito.

Tempos confusos...
Parece que supervalorizamos o transitório...
Mas a verdade é outra,
Escondemo-nos nele dos outros.

-Eduardo não adianta afirmares,
- Que o corpo
- É o santuário do espírito.
- Não respeitamos o corpo.
- Quando nos deprimimos
- Ele é sacrificado...
- Estamos tremendamente equivocados,
- Achamos que curando o corpo,
- Curamos a alma...
- E através de potente química
- Matamos a alma,
- E
- Liquidamos o templo do espírito,
-Que conscientemente é
- Destruído por nós...
- Paula... Tens medo
-De ser ferida, abandonada e rejeitada?
-Quando suprimimos as emoções,
-Sepultamos a alma...
- Fecha os olhos e respira fundo...
- Deixa os teus muros desabarem...

A ausência da identificação divina
Fragiliza-me...
Procurarei a união,
Na consciência da presença de Deus...

- Qual é o teu medo?
- Estás te protegendo de ti mesma?
- Como te curarás deste medo?
- Como te tornarás outra vez uma pessoa inteira?
- Compreenda as origens deste medo...
- E teu coração abrir-se-á outra vez...
- E sentirás grande alegria...
- Entenda o teu coração...
- Ele é teu amigo...
- Ele é a tua alma gêmea...
-O nosso barco está afundando...
-Diga-me por que?
-Sinto o vento da tempestade,
-Destruindo o afeto que não nasceu.
-Tens medo da proximidade,
-É preciso ter coração
-Para sentir emoção...
-Hoje é preciso coragem
--Muita coragem
--Para ver um sorriso brilhando,
-No rosto de nossos tempos...

Não sou apenas a matéria...
Sou os meus pensamentos...
Sou os meus sentimentos...
Dependo dos valores éticos milenares...

-É verdade tudo o que disseste...
-É extremamente profundo...
-Todo coração tem uma alma
-Que busca a força na vitalidade do afeto.
-Eu também quero viver
-E não ser vivida,
-Mas é grande a minha solidão,
-Tenho dificuldade em partilhar o amor...
-No meu território interior.
-Só eu posso deixar pegadas...
-Em nosso mundo violento de hoje,
-Sinto-me exposta.
-Caminho através da vulnerabilidade...
-Pela beira da estrada,
-Olhando para os lados e para a frente,
-E expiando desconfiada para trás...
-No momento, passo por negativismo incontrolável,
-Estou sob pesado estresse.
-Preciso isolar-me,
-Para reunir forças e continuar
-A minha compreensão da vida...
-Sei que a caminhada deve ser de qualidade...
-Que devo purificar tudo...
-Que é a essência que me falta...
-Para desembaciar o nublado da minha mente,
-Não sou uma folha de papel em branco...
-Não quero ser manipulada,
-Mesmo frágil e vulnerável
-É eu que quero escrever a minha história,
-Mas aguarde-me...
-Voltarei em breve
-Com a energia dos Deuses...

Não sou mendiga...
Sou filha de Deus...
Quero uma via mais humana,
Mais espiritual...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A COMPLEXIDADE DOS ACORDOS CONCILIATÓRIOS


REGINA DINIZ

O reconhecimento do “Outro”, como ser humano pleno e com os mesmos direitos elevou a qualidade de interação social em nossa pós-modernidade. Infelizmente, a chaga exposta da discriminação, que nos causa constrangimento, porque não entendemos ainda a inclinação pelas práticas de xenofobia, de racismo, de aversões étnicas, segregação etc... Através da interpretação essencialmente construtiva nos protegemos das identificações sociais negativas, e assim não nos envolvemos em desavenças desagregadoras por motivo de raça, riqueza, pobreza, educação, religião, nacionalidade.

Começa a surgir culturas humanizadas, que estão renovando as interações, apostando na conciliação, isto é na aceitabilidade dos novos valores, permitindo e incentivando as diferentes formas de auto-expressão. Este revigoramento atual significa aceitar o direito da individualidade do outro. As diferentes interpretações e atitudes dos indivíduos são vertentes naturais de idéias de prontidão criativa.

Os ideólogos da cultura padronizada perdem espaços significativos para a política cultural da diferença. Atualmente o nível da consideração pelo ser humano não admite força, violência ou dominação. O diálogo como mediação torna-se a grande possibilidade da negociação das diferenças de percepções originais. Admitir a autenticidade das idéias das outras pessoas, cujas opiniões e propostas foram dadas diferentes das nossas, para serem ouvidas e debatidas demonstram o surgimento de uma solução. Os pensamentos divergentes construtivos colaboram para as percepções mútuas e também facilitam surgimento de novas teses.

Modernamente, os indivíduos conquistaram relativa expressão, e liberdade de possibilidades de se manifestarem e interagirem. Persistem ainda discriminações, mas a conscientização e o reconhecimento do ser genuinamente humano está presente em todas as culturas. Aprender a conviver significa empatia, abertura e elevado grau de civilidade para as relações humanas, porque a nossa vida depende dos grandes e complexos elementos sociais, políticos e culturais.

O “aprender a conviver” exige consideração e habilidade pessoal autêntica para consentir a aproximação e não o isolamento formal do outro. O pensar padronizado foi o jeito de ser do passado. Hoje, surge um pensamento crítico e sempre estaremos interagindo no jogo das possibilidades diferentes e, portanto renovadoras.

A condição pós-moderna enfatiza os questionamentos sobre as diferenças cognitivas superiores. Diante de nossos pares, vivendo e pensando com teses diferentes de ser, devem ser reconhecidos e identificados como nós. A política central é pensarmos nas mudanças e renovações que devemos propor. A conversa franca e autêntica com os outros começa a se tornar realidade, precisamos refletir nesta possibilidade porque, este diálogo exige uma negociação complexa em acordos conciliatórios.

“A destruição da globalização: desemprego, aumento da miséria no Mundo, concentração de riquezas, bancarrota de países inteiros frente ao capital volátil etc... A sensação para todos os que alimentaram, senão utopias, ao menos esperanças num mundo melhor, muitas vezes é de completa derrota. O esgotamento das ideologias revela de forma bastante clara a exaustão das ideologias políticas recebidas. Vivermos em um mundo radicalmente danificado para o qual são necessários tratamentos radicais”. (Anthony Giddens – Livro: Para Além da Esquerda e da Direita – Edunesp, 1996).

Novos movimentos sociais vinculados à temas como paz, ecologia, direitos humanos surgem com características renovadas e se reorganizam como movimento social autônomo (completamente desvinculado dos sistemas ideológicos. Esses movimentos indicam que novos vínculos de identificação são possíveis e motivam novas relações solidárias que conseguem impulsionar a realidade de forma penetrante. O cosmopolitismo cria espaços e as possibilidades de interações transnacionais criadas pelo sistema mundial  ou seja fora das exigências do grande capital acontecem.

Da defesa do ser humano como idéia radical, nasceram os direitos coletivos, em que os indivíduos obtiveram créditos, frente à coletividade: o direito ao trabalho, à saúde, à educação. Evoluíram os critérios da autodeterminação dos povos: Tremulam bandeiras marcando o direito à paz, a um ambiente preservado, ao desenvolvimento, à proteção da família, ao reconhecimento de grupos étnicos. A plataforma atualizada dos Direitos Humanos em efervescentes idéias novas e emancipatórias acima das ideologias preconizam o respeito à vida como sua pedra fundamental.

“O território urbano torna-se o campo de batalha de uma contínua guerra espacial, que às vezes irrompe no espetáculo público de motins internos, escaramuças, rituais com a polícia, ocasionais tropelias de torcidas de futebol, mas travadas diariamente logo abaixo da superficie da versão oficial pública (publicada) da ordem urbana rotineira. Os habitantes desprezados de despojados de poder das áreas pressionadas e implacavelmente usurpadas respondem com ações agressivas próprias: tentem instalar nas fronteiras de seus guetos seus próprios avisos de “não ultrapasse”. Seguindo o eterno costume dos “bricoleurs”, usam para isso qualquer material que lhes caia em mãos- rituais, roupas estranhas, atitudes bizarras, ruptura de regras, quebrando garrafas, janelas ou cabeças, lançando retóricos desafios “à lei”. (Dick Hebdidge, Hiding in the Light (Londres, Routledge, 198) p. 18. – Citação feita por Zygmunt Bauman – Livro: Globalização – As Consequências Humanas – 1998 – Ed. Zahar – Rio de Janeiro).

Já está demorando demais o embate entre as forças conservadoras, que persistem em manter seu padrão de consumo e prosperidade, e que na realidade somam apenas 20 % da população mundial, e forças progressistas que lutam por uma civilização socialmente justa. Deste terrível conflito silencioso, resultam novas e profundas divisões entre nações, e as classes sociais e os partidos. Em todos os países desenvolvidos do mundo, reina enorme insegurança, porque todos eles estão 80% em estado de favelização.

A pós-modernidade para manter o seu paraíso de liberdade, dedica para a construção e manutenção das prisões um orçamento que ultrapassa de longe a soma total dos fundos estatais destinados às instituições de ensino superior. É de se perguntar: porque a pós-modernidade não operacionaliza a educação inclusiva rejeitando e desprezando as práticas de sustentabilidade social?...