sábado, 29 de outubro de 2016

O RECRIAR DO MUNDO MODERNO EM TODA A SUA COMPLEXIDADE






REGINA  DINIZ





Na primeira cena de Sábado, romance publicado em 2005, o neurocirurgião  Henry Perowne observa Londres  através da janela do quarto. Se antes Perowne acreditasse atravessar uma sucessão de dias “desconcertantes e assustadores, naquele momento, insone, examinando o entorno, a cidade semiadormecida lhe parece “um sucesso, uma invenção genial, uma obra-prima biológica – milhões de pessoas que formigam em torno das conquistas de séculos”. A despeito do que está por vir, o personagem sente uma pontada de otimismo em relação às conquistas humanas.



Esta pequena cena fornece um bom panorama da segunda fase da obra de Ian McEwan. A primeira, marcada por romances perturbadores na linha de O Jardim de Cimento valeu ao autor a conhecida alcunha de “Ian Macabro. De alguns anos para cá – ainda mais frio e analítico, mas menos afeito ao lúgubre e menos inclinado ao pessimismo – McEwan tem se dedicado a recriar o mundo moderno em toda a sua complexidade.



Se é fácil ver aí um projeto ambicioso, também é fácil constatar que o autor, mesmo ainda em atividade, foi bem-sucedido em sua execução. Isso se deve, em parte, ao fato de que McEwan desenvolve seus personagens e temas de forma meticulosa, quase obsessiva. A reunião das qualidades que o definem – o domínio técnico, o rigor, a própria vontade de compor um quadro mais completo da atualidade – não é compartilhada por nenhum outro es-

critor vivo. Segundo a trilha aberta pelo bom e velho romance inglês os livros do Ian McEwan embaralham os opostos e as distâncias, medindo bem as nuances e as escalas. Em outras palavras, sem enredos procuram conciliar o externo e o interno. O todo e o detalhe. O maior e o menor.



O esforço de elaborar elementos tão diversos invariavelmente resulta em dilemas éticos e morais difíceis de resolver. McEwan já deixou clara a vontade de sondar questões políticas e culturais – passadas e atuais – que ultrapassam as fronteiras de seu próprio país. Em Solar, trata do aquecimento global; Em Serena tangencia a época da Guerra Fria; no já mencionado Sábado, analisa o terrorismo. Já no estupendo Reparação, um punhado de períodos e circunstâncias importantes são escrutinados. Os conflitos entre os personagens, como na novela na praia, a realidade dos anos de repressão sexual está subtendida – não como algo incidental, mas como ruído de fundo

assinado por autor experiente.



Os conflitos entre os personagens, sempre presentes, não raro misturam interesses particulares e coletivos. Amstersdam, livro que rendeu ao autor o prestigioso Prêmio Man Booker, é um bom exemplo do artifício. Dois amigos de longa data, um jornalista e um compositor, brigam por ciúme e vaidade, mas também para garantir alguma glória e dignidade. O equilíbrio perfeito entre impulsos mesquinhos e outros nem tanto não só cria personagens complexos como reflete um cenário caótico e igualmente prenhe de potencialidades e nuances.



Como um bom regente – as referências musicais, sobretudo à música erudita, são frequentes ao longo de toda a obra do autor –McEwan sabe conciliar e modular o tom, o tempo, o ritmo. Seus romances são cerebrais sem deixar de ser viscerais. Mesmo a balada de Adam Henry, visto por alguns críticos como um retrato daquilo que seria uma oposição (descabida) entre o pensamento lógico e religioso, é muito mais do que isso. Com notável sutileza, McEwan mostra que não é possível assimilar e defender um sistema de crenças sem fazer uso da razão. 



Os dilemas propostos pelo autor não cessam de desafiar os leitores, que não raro têm de assumir uma posição ou outra diante da engenhosidade das tramas. Não restam dúvidas de que o olhar  afiado de McEwan  como Henry Perrowne  à janela, capaz de enxergar luz e sombra continua a ver o que poucos veem. Segui-lo é um movimento essencial para começar a entender o nosso tempo.(Autora: Camila Von Holdefer – Crítica literária – Fronteiras do Pensamento- 2016).



Ian MCE Wan (1948), escritor britânico é um dos mais importantes ficcionistas de sua geração. Em (1998), ganhou o prêmio Man Booker pelo romance Amsterdam. Seu livro mais conhecido, Reparação, alcançou grande sucesso mundial e foi escolhido como o melhor romance de 2002 pela revista TIME, indicado ao prêmio Ficção e vencedor do British Book como livro e autor do ano. A balada de Adam Henry, livro mais recente publicado pela Companhia das letras.



Desejo e Reparação é convite para ler mais IanEwan. Ele  é um dos maiores nomes da Literatura britânica e sua obra vem sendo lançada no Brasil há mais de uma década. Ainda assim, um novo público de leitores veio conhecer Ian McEwEwan graças à bem-sucedida  adaptação cinematográfica “Desejo e Reparação”. Autor de dez romances vários já transpostos para o cinema  (nenhum com tamanho sucesso), McEwan estreou com duas coletâneas  de contos, em 1976 e 1978. A edição brasileira uniu ambas em “Primeiro  Amor, Último Sacramento e Entre Lençóis”. Nessas histórias predominam personagens adolescentes e os ingredientes que renderiam ele o apelido de Ian Macabro: sexo, violência e morte, sem meias palavras.



Embora o tom sinistro tenha esmaecido com o passar dos anos, os temas dos contos, perda da inocência , sexualidade e perversão, crime e culpa – podem ser entendidos a quase toda a obra do autor, que certamente vale a pena conhecer. O primeiro romance, “O Jardim de Cimento (1978), é a história de quatro irmãos, três deles adolescentes, que perdem pai e mãe num curto intervalo. Para evitar a adoção enterram com cimento o cadáver da mãe no porão de casa,

E passam a viver sem qualquer influência adulta. O livro foi adaptado para o cinema em 1993, estrelando Charlotte Gaensbourg, e um trecho do roteiro virou introdução da música “What it Feels Like  for a girl” de Madonna. Em “ao Deus Dará” (1981), considerado  um dos livros mais tenebrosos do autor, um entendiado casal britânico em férias acaba envolvido em práticas extremas de sadomasoquismo. Novamente o livro deu origem a um filme, “Uma estranha passagem em Veneza”, com roteiro do prêmio Nobel de Literatura Harold Pinter e direção de Paul Schrader. O romance seguinte só viria seis anos mais tarde com A Criança no tempo”, no qual um pai, escritor de livros infantis, ”perde” sua filha de cinco anos num supermercado de Londres.



Em 1989, sai o “inocente”, ficção histórica ambientada na Alemanha  dos anos 1950 em que um jovem britânico tem sua iniciação sexual e política  em meio a circunstâncias bizarras. Foi levado às telas por John Schlesinger. “Cães Negros” (1992) tem como pano de fundo a queda do muro de Berlim e coloca em primeiro plano o  embate entre misticismo e racionalismo, outro dos temas marcantes do autor.          

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O AMOR É ESSÊNCIA DO N0SSO SER






REGINA DINIZ



O nosso propósito é direito básico...

É viver uma vida feliz...



O amor incondicional está repleto de sabedoria...

O amor incondicional está repleto de compaixão...

O amor é a energia fundamental...

O amor é a essência de nosso ser...



É o amor que une todas as pessoas...

O amor é a energia mais poderosa...



O amor é mais que um ideal...

Nós somos amor...

O amor remove obstáculos...

O amor nos traz a paz interior...



O amor nos traz saúde e felicidade...

A nossa mente deve se voltar ao amor...

A nossa mente deve se voltar a paz...

A nossa mente deve se voltar a vida eterna...



A nossa mente...

Deve se voltar às práticas espiritualizadas...



É preciso deixar de lado as coisas materiais...

É preciso abandonar o orgulho...

É preciso abandonar o egoísmo...

É preciso abandonar a violência e o medo...



É importante compreender e expressar o amor...

É importante expressar o amor e a satisfação...



A nossa verdadeira natureza é a esperança...

A nossa verdadeira natureza é a fé...

Necessitamos aprender lições sobre o equilíbrio...

Necessitamos aprender lições sobre a harmonia...

As pessoas desejam promover mudanças positivas na vida...

As pessoas dedicam-se a comportamentos saudáveis...