REGINA DINIZ
O cruzamento de dados da última
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desfaz
qualquer dúvida: mais estudo significar também melhores vencimentos
na vida profissional. A diferença salarial entre os que concluíram apenas o
Ensino Médio e os trabalhadores brasileiros com curso universitário no Brasil
alcançam 167%. O percentual, que já foi maior, começou a cair a partir do
início deste século, numa tendência comum em países desenvolvidos, nos quais o
ensino técnico costuma ser bem valorizado.
Mesmo com os avanços registrados
no país nos últimos anos e de uma maior conscientização dos
brasileiros de maneira geral sobre a importância do estudo, as estatísticas são
pouco animadoras. Levantamento conjunto dos jornais O Globo e o Estado de São
Paulo, por exemplo, revela que nada
menos de 5,3 milhões de pessoas entre 18 e 25 anos não estudam, nem trabalham,
nem procuram emprego. Aumentou, porém, em 60% o total de jovens brasileiros que
apostam na educação profissional, embora a proporção ainda fique longe da
registrada em economias bem-sucedidas como a Alemanha por exemplo.
No Brasil além da baixa
escolaridade, o país convive com outros problemas no âmbito educacional. Um
deles é a baixa qualidade do ensino de maneira geral, tanto no nível médio
quanto no superior. O outro é a acentuada dissociação
entre o que ocorre no meio acadêmico e na realidade. Além de melhorar o acesso
ao ensino no nível superior, portanto, sem prejuízo de qualidade, o país
precisa a-
proximar os conteúdos das
exigências cada vez maiores e mais aceleradas do mercado de trabalho. Quem
entra numa escola na Finlândia se espanta com a
simplicidade das instalações. Era de esperar que o sistema educacional
considerado o melhor do mundo surpreende-se também pela exuberância do
equipamento didático.
Quem entra na escola Meilahden
Yláast, em Helsinque , igual a centenas de outras no país, as salas de aula são
convencionais, comquadro-negro e, às vezes, um par
de computadores. Apesar dos despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking
do pisa, é a mais abrangente avaliação
internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006 foi aplicado em
4OO.OOO alunos de 57 países. O Brasil
disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia. O Segredo da
boa educação finlandesa realmente não está na parafernália tecnológica, mas
numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional. A primeira é o
currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas
estrangeiras. A segunda é a formação de professores. O título de mestrado é
exigido até para os educadores do ensino básico.
O Brasil é o sexagésimo em
ranking mundial de educação. O Brasil perdeu duas posições, em 13 de maio de
2015, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE). Foram
avaliados 76 países por meio do
desempenho de alunos de 15 anos em ciência e matemática. O Brasil
ficou entre os países com pior desempenho, atrás da Tailândia (47º-), Irã
(51º-), Malásia
(52º-), Chile (48º-) e Uruguai (55º-). Outros três sul-americanos ficaram entre
os l5 piores colocados: Argentina (62º-), Colômbia 67º-) e Peru (71º-). No ranking de 2012, que avaliou 65 países, o Brasil havia ficado em 58º-. (O Brasil é o 60º- colocado
em ranking mundial de educação – Zero Hora – Porto Alegre – l4-05-2015).
As cinco melhores colocações ficaram para os países
asiáticos: Cingapura, Hong Kong. Coréia do Sul, Japão e Taiwan. O último
colocado foi Gana. Segundo o diretor educacional da OCDE, Andreas Schlicher é a
primeira vez que o ranking tem uma escala “verdadeiramente global” sobre a
qualidade da educação: A idéia é dar a mais países ricos e pobres, a
possibilidade de compararem-se com os líderes mundiais em educação para descobrir
seus pontos fracos e fortes e ver os ganhos econômicos a longo prazo, gerados
pela melhora da qualidade nesta área. O ranking será apresentado oficialmente na próxima semana, durante o Fórum
Mundial de Educação, na Coréia do Sul, quando líderes mundiais vão traçar metas
de educação para os próximos 15 anos.
Além da baixa escolaridade, o país convive com outros
problemas no âmbito educacional. Um deles é a baixa qualidade do
ensino de maneira geral, tanto no nível médio quanto no superior, portanto, sem
prejuízo da qualidade, o país precisa aproximar os conteúdos das exigências
cada vez maiores e mais aceleradas do mercado de trabalho. Países como a Coréia
do Sul, entre outros, são exemplos significativos de que é possível obter
resultados compensadores com uma aposta firme em educação. Em apenas uma década até 2014, o percentual de sul-coreanos com
diploma universitário passou de 24% para 40%.
No Brasil, que só na área de engenharia tem um déficit
estimado de 150 mil profissionais, muitas empresas começam a investir em
treinamento, apostando nas chamadas “universidades corporativas”.
É importante que também o poder público faça esta
opção clara, para permitir melhor formação, maiores ganhos para os brasileiros
e um salto de qualidade para o país.
Segundo pesquisas recentes do INAF / Brasil, que
examina os indicadores de alfabetismo funcional no país, realizadas entre 2001
e 2011, aconteceu neste período, um progresso no acesso à escola.
Entretanto, no que se refere a leitura, escrita e
matemática, somente um em cada quatro estudantes domina essas habilidades
básicas. Consultando o IBGE verifica-se que 20,14% dos brasileiros com mais com mais de 15 anos não têm possibilidades de
participar de todas as atividades em que a alfabetização é necessária.
Atualmente o número de analfabetos funcionais ou de pessoas que conseguem ler e compreender um texto fácil, está estagnado. O grande desafio é que se há
mais estudantes na escola, porque não há uma mesma proporção num processo de
alfabetização plena? (Zero Hora – A Educação precisa de perguntas 13-05- 2013 –
Porto Alegre).
O governo e as instituições de ensino precisam
entender que uma das lições mais importantes a apresentar aos nossos alunos,
além do compromisso com nosso campo de estudos, é a da liberdade e autonomia
crítica. O professor segundo afirma Edward Said, precisa assumir o papel de “falar a verdade ao poder”. Em
primeiro lugar, isso quer dizer que para além de consolidar autoridades, devemos compreendê-las,
interpretá-las e, sobretudo questioná-las.
A Educação
precisa é de mais questionamentos que busquem examinar: por que a educação
dispõe sempre de tão poucos recursos? E, porque as instituições de ensino são
estimuladas, cada vez mais, ao conhecimento instrumental e técnico, visando à
formação de mão de obra para o mercado e não para a reflexão? Por que nunca há verbas dirigidas para as bibliotecas das
escolas? Por que?...
Leitura e escrita são processos fundamentais da
comunicação humana e também podem ser consideradas direitos inalienáveis dos indivíduos numa sociedade civilizada. No Brasil, infelizmente,
uma parcela da população ainda não superou sequer a
barreira do analfabetismo e um contingente ainda maior tem dificuldades para compreender e interpretar mensagens escritas.
As verbas destinadas à educação nunca foram usadas devidamente. Todos os dias,
milhares de alfabetizadores, professores, orientadores educacionais e até mesmo
militantes de organizações não governamentais trabalham arduamente para ajudar
milhões de brasileiros a dominar os códigos da comunicação gráfica e digital.