Regina Diniz
O indivíduo está capacitado a mais do que aquilo que sua sociedade, em geral, exige dele, embora não seja fácil determinar este fato, uma vez que as potencialidades podem estar escondidas, não só dos outros como também do próprio indivíduo. (David Riesman – A Multidão Solitária – Editora Perspectiva S.A. 1995). A Cultura de Consumo enterra a individualidade. É necessário extremo cuidado, pois se instalou um verdadeiro pavor da introspecção e da reflexão.
Acredito que a escolha de exercitar a consciência, de olhar para dentro de si e para o mundo, por meio da própria descoberta é uma atitude básica de responsabilidade pessoal. Honramos o próprio ser, assumindo as próprias percepções e convicções. Se conseguirmos a coragem para sustentar a batalha pela compreensão de nossas potencialidades, e com habilidade usá-las a nosso favor, e para o bem de outras pessoas, já alcançaremos alguns degraus de evolução pessoal.
Nutrimos a nossa individualidade, fortalecendo a competência, escolhendo direção autônoma e auto-regulada. A perene renovação de ser nos gratifica profundamente, porque nos tira de um nível conhecido e nos arremessa num desconhecido. Aprendemos assim a confiar em nossos pensamentos. Ninguém vem ao mundo independente, autônomo ou responsável por si. Essa condição é resultante de nossos investimentos reflexivos e representa uma importante conquista.
“A liberdade é uma força positiva, fluindo de uma fonte de profundidade ilimitada. Liberdade é o poder de criar do nada, o poder do espírito de criar de si mesmo”. (Nikolai Berdyayes). O espírito humano só é tornado possível pela liberdade de opção dos valores. Mas é preciso construir a auto-estima positiva, pois nas culturas consumistas as pessoas ficam muito frustradas, abatidas e negativas.
Como investir na auto-estima positiva? – desenvolver a forte convicção de ser capaz de viver com equilíbrio apesar das naturais dificuldades de ser... – no enfrentamento da vida pedir-se confiança, boa vontade e otimismo para atingir as próprias metas... –Ter em mente que sentir a auto-realização é um objetivo de uma vida inteira.
Eu sempre procuro pontos positivos na minha pessoa, se não acho, crio alguns. Bem equilibrada, sinto-me equipada espiritualmente para lidar com as adversidades da vida. Trato os outros com respeito, benevolência e boa vontade, pois acredito que o auto-respeito é o fundamento do respeito pelos outros.
Apesar do desenvolvimento do caráter ser talhado pelas condições básicas da vida e apesar de não haver uma natureza humana biologicamente fixada, esta natureza tem um dinamismo próprio que constitui um fator atuante na evolução do processo social. Os direitos inalienáveis do homem à liberdade e à felicidade fundam-se em qualidades humanas intrínsecas: sua ânsia de viver, expandir-se e expressar as potencialidades que nele se desenvolveram no decurso da evolução histórica. ( Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Erich Fromm – Zahar Editores – l979).
Somos seres humanos essencialmente criativos. A criatividade é a descoberta de novas formas, novos símbolos, posturas renovadas nas quais uma cultura é construída. Atualmente centenas de profissionais (engenharia – diplomacia, magistério etc...) passam por mudanças radicais que exigem indivíduos atentos cognitivamente. Este grau de mudança exige uma prontidão mental singular.
Preocupa-me a passividade de indivíduos que mergulham cegamente, em grandes exércitos de padronização, acreditando que suas identidades devem ser coletivas. Perguntar-se sobre a singularidade da interpretação da vida é fundamental. É preciso ousar, expressar novas formas, novos tipos de vitalidade e de significação existencial. Todos nós temos contribuições valiosas a fazer para aperfeiçoar as nossas realidades.
Um dos maiores perigos da sociedade moderna são os aconselhamentos que refletem tendências de massificação como dados para definir o perfil das pessoas. “Seguir a moda” é um meio de evitar a individualidade. Escolhermos por nós mesmos significa assumirmos a responsabilidade pelas nossas opções, dizendo: “Faço isto porque assim eu vejo o mundo neste momento”.
Cada um de nós tem um eu interior bem singular, que sabe exatamente o que necessita para evoluir. No fundo de nossa alma sabemos que somos indivíduos únicos, com propostas, planos e jeitos de ver o mundo de maneira diferente dos outros. Somos proprietários de nossas peculiaridades, precisamos valorizar o nosso eu interior.
Somos os maiores especialistas de nossas próprias vidas. Que sejamos incansáveis nas consultas com o nosso eu interior. Errando aqui, acertando ali, é assim que alcançamos algumas vitórias existenciais...
