REGINA
DINIZ
Os oligarcas estão errados,
porque a comunidade política não envolve apenas a proteção da propriedade ou
promoção da prosperidade econômica. Se fosse o caso, quem tivesse propriedades
teria direito à maior parte da autoridade da política. Por sua vez, os
democratas estão errados porque a comunidade política não serve apenas para dar
à maioria o direito de decidir. Por democratas, Aristóteles compreende o que
denominamos majoritários. Ele repudia a noção de que o propósito da política
seja satisfazer as preferências da maioria. A maior finalidade da associação
política é cultivar a virtude dos cidadãos. O objetivo do Estado não é
proporcionar uma aliança para a defesa mútua (...) ou facilitar o intercâmbio
econômico e promover as relações econômicas. Para Aristóteles a política tem um
significado mais elevado. É aprender a viver uma vida boa.
O objetivo primordial da
política é oferecer condições para que os indivíduos aperfeiçoem as suas
capacidades e virtudes, para debaterem sobre o bem comum, elaborando um
julgamento prático, participando ativamente das descobertas do grupo, zelando
continuamente pelo presente e pelo futuro de toda a comunidade. As organizações
como a OTAM, o NAFTA e o OMC só se dedicam à segurança e ao intercâmbio
econômico. Não oferecem uma proposta social que valorize e aperfeiçoe o caráter
dos indivíduos.
Em pleno século XXI não se
justifica que um grupo, uma cidade, um estado, um país só se dedique com a
segurança e com o comércio, negligenciando totalmente a moral e a educação
cívica de seus cidadãos. Defendemos a importância do retorno da formação ética
das novas gerações, situando-a no contexto das diversas influências que a
sociedade exerce sobre o desenvolvimento das crianças, dos adolescentes, e dos
jovens e do povo em geral. Após estas propostas de cunho geral, são feitas
considerações de ordem psicológica, procurando apontar o papel da afetividade e
da racionalidade no desenvolvimento moral dos adultos e jovens no processo de
socialização.
O ser humano vive em
sociedade com outros indivíduos e, portanto, cabe-lhe pensar e responder a
seguinte pergunta: - Como devo interagir perante os outros? Trata-se de uma
pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Esta é a
questão central da Moral e da Ética, que pode também significar Filosofia da
Moral, formalizando um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas que
regem as condutas humanas. A Moralidade deve ser discutida no contexto
histórico e social. Atualmente um currículo escolar sobre ética pede uma
reflexão sobre a sociedade contemporânea na qual está inserida a escola; no
caso o Brasil do século XXI.
Só realizamos a nossa
natureza de ser, quando usamos nossa faculdade de linguagem, para nos comunicar
sobre o certo e o errado, sobre o bem e o mal, sobre a justiça e a injustiça.
Somos seres sociais e obrigatoriamente precisamos analisar o conceito de
virtude. Aristóteles em seu livro “Ética a Nicômaco” apresenta um estudo sobre
filosofia moral, debatendo a ligação entre virtude e cidadania, para que
possamos aprender jeitos de ser nobres e sofrer com as decisões erradas. A felicidade é uma
maneira de ser e agir eticamente.
A virtude moral é algo que
aprendemos com muito estudo e praticando-a, privilegiando os hábitos e decisões
corretas. Os legisladores tornam os cidadãos bons ao incutir-lhes bons hábitos,
e é isso que todo legislador deseja; A educação moral propõe a formação de
hábitos e a construção do caráter. O bom comportamento encoraja os sentimentos
virtuosos. A discussão sobre os valores morais se mantém em posição de
destaque, visto que a sua compreensão é deveras importante para o bom
funcionamento da sociedade como um todo.
Os valores morais são muito
importantes na sociedade. Eles são os responsáveis pela manutenção da ordem
entre as pessoas, sendo ensinados desde o berço. É fácil imaginar em que
situação o mundo se encontraria atualmente, caso o homem ignorasse as leis
formuladas a partir dos conceitos de ética e moralidade.
Atualmente, muitos
indivíduos, acreditam que alguns valores de extrema importância estejam sendo
esquecidos, assim como os morais. Não há dúvidas, a sociedade encontra-se em
dificuldades. Sem a reflexão social contínua destes valores morais o
comportamento humano passa a ficar retrógrado, especialmente o modo como as
pessoas passam a viver, a agir e a se comportar com seus semelhantes dentro da
sociedade. Valores Morais são praticamente regras de convívio entre um conjunto
de pessoas, e sem o cumprimento delas fica comprometido o bem estar de
convivência, e assim os Valores Morais são de suma importância para a
sociedade.
Por milênios e milênios, a
Ética Moral permitiu uma interiorização das normas que organizavam, ao mesmo
tempo, a relação consigo mesmo e com o outro, sob o selo da relação com todos
os outros – a sociedade. A fronteira entre
o cumprimento das responsabilidades funcionais e a resistência ética deve
tornar-se um objetivo central do ensino nas escolas. Diante das situações
históricas, os jovens sempre se perguntaram: - O que eu faria numa situação
semelhante? É preciso que o veredito da justiça, e sua discussão, no âmbito
escolar, e no âmbito universitário, esclareçam seu juízo, de modo que saibam,
quando necessário, o que deveriam fazer. As escolas, e as universidades
continuam sendo, pelos seus debates, o lugar por excelência na transmissão dos
Valores Morais em nossas sociedades.
A sociedade perplexa assiste
a ausência das considerações éticas, a escola demora para reconhecer a
importância da preocupação ética. Diante de uma crise da educação moral, não
consegue não consegue efetuar reflexões, que abertamente fazem parte do
cotidiano dos alunos, pais e professores. É urgente a proposta da Renovação
Ética mediante três grandes dimensões: a relação consigo, a relação com o
outro, a relação com a sociedade.
Na comunicação com o outro
apresenta-se uma dificuldade em compreender o retorno das indagações éticas. A
relação com o outro indica o projeto de uma boa vida. A nova exigência ética
articula-se mais em torno da comunicação e, sobretudo do desejo da comunicação
horizontal com o outro. A preocupação ética da relação com o outro, alicerçada sobre
a comunicação atribui às relações uma nova importância.
Atualmente a relação
pedagógica correta tem uma profunda natureza igualitária e supõe um respeito
mútuo e um equilíbrio dos sentimentos. A maioria dos alunos não contesta os
alicerces da autoridade, mas pede um tratamento recíproco, exigência
incontornável, anterior do universo de comunicação em que estão imersos. Para
os docentes uma boa comunicação com os alunos costuma ser um motivo de
aprendizado.
