quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A VIVÊNCIA DA GENUÍNA FELICIDADE

   
 REGINA DINIZ

“De fato, como poderia haver algo de errado com a felicidade? – Felicidade não seria sinônimo de ausência de erro? Da própria impossibilidade de sua presença? Da impossibilidade de todo e qualquer erro? Hoje eu faço estas perguntas, como o foi anteriormente, e com certeza o será no futuro, por pessoas preocupadas. Sociedades como a nossa, movidas por milhões de homens e mulheres em busca da felicidade, estão se tornando mais ricas, mas não está claro se estão se tornando mais felizes. Parece que a busca dos seres humanos pela felicidade pode muito bem se mostrar responsável pelo seu próprio fracasso. Todos os dados empíricos disponíveis indicam que nas populações das sociedades abastadas, pode não haver relação alguma entre mais riqueza, considerada o principal veículo de uma vida feliz, e maior felicidade! (Michael Rustin – What is wrong with happiness? – Soudings, verão 2007) – (Citação de Zygmunt Baumann – Livro- A Arte da Vida).

Os economistas e políticos do século XIX observaram, que o processo de produção era um meio para um fim e não um fim em si. Quando admitido um teto sustentável de vida material, acreditava-se que as energias produtivas fossem reordenadas para o desenvolvimento humano da sociedade. O homem surge na história como um ser cultural. Ao agir, ele age culturalmente, apoiado na cultura e dentro de uma cultura. Esperava-se que surgissem projetos, que estimulassem todos os tipos de cultura mental e de evolução moral e social.

Os economistas e políticos do século XIX estudaram possíveis práticas de motivação, para despertar o progresso da inteligência criativa, a fim de que as mentes não se deixassem dominar pelo “artifício de prosperar”. Ao estudar o consumo Alfred Marshall afirma: “que pouco ou nada contribui para tornar a vida mais nobre ou verdadeiramente mais feliz”. Através de métodos mais dignos de consumo, as pessoas não seriam tão estressadas, e usufruiriam o insubstituível lazer, que se ausentou na modernidade.

Avançaríamos em direção a uma sociedade viva e interessada, se as pessoas e comunidades envolvidas assumissem a operacionalização de projetos com a participação máxima, e a diversidade destes projetos deveria ser o objeto básico e prioritário. Surgiriam novas formas de consumo público, que incluiriam os indivíduos em atividades comunais criativas. Fromm (1941), psicanalista firma que uma pessoa sente dignidade, autoconfiança, amor e bem-estar, dizendo textualmente: “O homem só é verdadeiramente feliz, quando cria na realização espontânea do eu, e se une novamente com o mundo. Durante a criação, seu intelecto e seu sentimento encontram-se em harmonia e ele abraça o mundo com renovado vigor”.

Todos nós sabemos que o ser humano, não funciona convenientemente, se satisfizermos apenas as suas necessidades materiais, garantindo, assim, a sua sobrevivência fisiológica, mas não as necessidades e faculdades que são especificamente humanas, - amor, ternura, razão, alegria etc...  

O homem precisa primeiro satisfazer suas necessidades materiais, mas sua história é um registro da procura e da expressão das suas necessidades de transobrevivência, que se expressam através da pintura, da escultura, no mito, no drama, na música e na dança. A religião incorpora esses aspectos da existência humana. A imaginação humana é uma capacidade, que não pode deixar de ser desenvolvida, por que estimula o processo criador e faz parte do processo evolutivo da personalidade. Criação e imaginação são inseparáveis. Dando asas à imaginação o indivíduo liberta-se do mundo dos fatos da realidade, cria imagens mentais e deixa de lado o prosaico, de modo que o pensamento criativo exige invenção, originalidade e liberdade para pensar no que é novo e diferente.

O acesso às condições de vida digna precisa ser pensado e operacionalizado, porque a ausência de investimentos em parques como opção de lazer é inadmissível. Os que existem são muito poucos e só estão localizados em bairros nobres. O desafio maior é transcender essa etapa de desenvolvimento econômico e técnica, construindo sociedades realmente humanas, que não seja definida e avaliada pelo número de carros e aparelhos eletrônicos. Atualmente há mais preocupação com instrumentos do que com idéias.  

O importante é gratificá-lo, satisfazendo suas necessidades reais como seres humanos felizes. Aceitar formas mais humanas de consumo social: grande expansão e valorização na educação e saúde pública que nunca foram assumidos. Há muito tempo já deviam ter sido operacionalizados centenas de projetos de recreação popular – parques, - bibliotecas, competições esportivas etc... “No caso dos direitos de realização, trata-se de direitos, cuja satisfação o cidadão espera do Estado moderno. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos podem ser diferenciados cinco tipos de tais direitos: o                        direito à subsistência e à segurança social, o direito ao trabalho remunerado, bem como o direito de acesso ao sistema de saúde, à formação e à participação na cultura, arte e ciência. Onde estariam as prioridades?”(Thomas Kesselring – livro: Ética, Política e Desenvolvimento Humano - A Justiça na Era da Globalização).


Decisões inteligentes. Resultados diferentes. É inadiável transformar este quadro social de abandono total, pois temos seres humanos tristes, violentos porque perderam a esperança de desfrutar a interação social saudável. Sentem-se em condição de escravos completamente segregados. O poder público tem que oferecer a vida cultural para a população – teatro, música, dança, pintura, arte cinematográfica, esportes para centenas de milhares de comunidades, que infelizmente não tem nenhum sentido real dessa dimensão da existência humana.

Seria a conduta inspirada no desejo de ajudar os outros a maneira mais eficaz de obter a felicidade genuína? Considerem o seguinte. Nós humanos somos seres sociais.Viemos ao mundo em conseqüência de ações de outros. Sobrevivemos aqui, dependendo dos outros. Gostemos ou não, talvez não exista em nossa vida um só momento em que não nos beneficiemos das atividades dos outros. Por esses motivos, não chega a surpreender que a maior parte de nossa felicidade esteja associada ao nosso relacionamento com outros. Nem é tão extraordinário que nossas maiores alegrias ocorram quando estamos motivados pela consideração pelos outros”. (Tenzin Gyatso – Livro: Uma Ética para o Novo Milênio – Ed. Sextante – Rio de Janeiro – 1999.)

Como seres humanos somos basicamente iguais, porque todos nós pertencemos ao mesmo planeta. Acredito que a emoção mais gratificante da vida é o afeto humano na sua esplendorosa universalidade. Com a presença deste sentimento, que nos impulsiona para os entrelaçamentos construtivos conseguiremos vivenciar a genuína felicidade.

Mesmo que todos os habitantes da terra ficassem milionários, sem o desenvolvimento afetivo, não haveria paz ou felicidade duradoura. O afeto, o amor e a empatia do auxílio mútuo são as dimensões espirituais mais importantes para a nossa felicidade. O coração em paz é fundamental para a saúde. Todos somos um.   

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A ETERNA ALIANÇA

Regina Diniz

Exercitar o amor por si mesmo exige o equilíbrio incondicional...
Neste fim de século a humanidade chegou perto do suicídio coletivo...
Agora, começa a soprar a suave brisa da cooperação entre os homens...
Formam-se redes cada vez mais sofisticadas de ajuda mútua...

As badaladas dos sinos nos falam da perfeição de Deus...
É salutar festejar os benefícios da vida tal como ela é...

Exercitar o amor por si mesmo exige humildade batendo no esnobismo...
Expressamos a dimensão espiritual de nossa vida de maneira simples,
Esta atitude nos fortalece e transborda a nossa existência de luz,
Gratificaremos a nossa alma e não sentiremos inveja de ninguém.

As badaladas dos sinos nos aconselham valores eternos...
É salutar valorizar as dádivas do momento presente...

Exercitar o amor por si mesmo exige a rejeição ao narcisismo...
Onde o fracasso material é evidente surge a competição selvagem,
Matamo-nos para impor a mentira do que não somos,
Assassinamo-nos por acreditar na mentira que mentimos para nós...

As badaladas dos sinos nos lembram do valor da autenticidade...
É salutar agradecer a Deus por simplesmente viver...

Exercitar o amor por si mesmo exige o divórcio do delírio consumista...
A vida, toda a vida é sagrada.
É maravilhoso sentir o ritmo de afirmação com tudo o que é vivo...
Com certeza não nascemos só para consumir as coisas da terra...

As badaladas dos sinos nos dizem que o avanço espiritual é que vale...
É salutar equilibrar o espiritual com o material...

Exercitar o amor por si mesmo exige luta permanente a seu favor...
Não adianta ficarmos tristes e tratarmos os outros como fracassados,
É destruidor praticarmos o discurso desqualificador.
Crescemos como indivíduos, quando investimos com amor e fé...

As badaladas dos sinos nos avisam da perpétua evolução...
É salutar ver que o alimento da alma é a união entre si...

Exercitar o amor por si mesmo exige a aliança com os outros...
Só o afeto cura e nos transforma em bondade incondicional...
Todos desejamos ser amados...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O MUNDO EM QUE TODOS SERÃO AMIGOS E IGUAIS

 REGINA DINIZ


Guy Haarcher defende que desde os tempos de Sócrates (469- 399 A.C.) é que se tenta adquirir os Direitos do Homem, e eliminar certos poderes do Estado. Não há nenhuma data específica que possamos dizer: “Foi a partir deste dia que se reivindicou dos Direitos do Homem” mas podemos imaginar que desde sempre os indivíduos quiseram evoluir, ser dignos e terem os mesmos direitos que os outros. Lafer localiza as origens dos Direitos Humanos nas tradições judaico-cristã e estóica da civilização ocidental. Tais tradições afirmam o valor, a dignidade de cada ser humano, o ser humano como valor-fonte, seja por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, seja por ser cidadão da cosmo-pólis (o mundo é uma única cidade em que todos são amigos e iguais). Desenvolveu-se assim a mais que milenar crença ocidental do Direito Natural, um conjunto de normas jurídico-morais, de natureza divina inerentes a cada ser humano, perante os quais poder-se-ia julgar o direito positivo como justo ou injusto”.

Já no início da Era Moderna (séc. XVI e XVII) o Direito Natural foi racionalizado e seu fundamento divino foi substituído pela Razão, o elemento comum a todos os seres humanos. Nesta mesma época, as Reformas Protestantes levaram a um corte profundo na Cristandade ocidental, engendrando conflitos sangrentos, os quais levaram ao reconhecimento da liberdade individual de crença religiosa. O Tratado de Vestfália, de 1648, que encerrou a guerra dos 30 anos e que também garantiu a igualdade de direitos entre as comunidades cristãs, católica e protestante no território alemão. Podemos considerar um dos primeiros instrumentos internacionais com medidas de proteção aos direitos humanos.

A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, votada pela Assembléia Nacional Constituinte francesa em 26 de agosto de 1789 marcou importantes princípios, inspirando-se no iluminismo, criando a nova constituição francesa. O segundo passo na evolução de Direitos Humanos, de direitos econômicos, sociais e culturais foi reivindicada ao longo do século XIX, pelos movimentos proletários socialistas. O Sistema Internacional Vestfaliano foi-se consolidando, e passou-se a identificar o Estado com a Nação. Nesse sistema a proteção dos Direitos Humanos se estruturava pelas vias diplomáticas, através das quais cada Estado procurava zelar pelos direitos de seus cidadãos onde quer que eles se encontrem.

O sistema diplomático de proteção aos direitos humanos começou a ruir com a crise mundial da primeira metade do século XX. As duas Grandes Guerras geraram um gigantesco contingente de refugiados, apátridas e minorias que simplesmente não se encaixavam no sistema internacional, na trindade “Estado-Povo-Território”. “Sua simples presença em algum país já era uma violação da lei, o que levou ao Estado policial, em prejuízo também dos seus nacionais”.(Lafer – 1988). Hannah Arendt identifica neste fenômeno um dos mais importantes ingredientes para o surgimento do totalitarismo. A ruptura totalitária se dá justamente quando essas pessoas destituídas de cidadania, de direito a terem direitos, tornam-se supérfluas, subvertendo o princípio de dignidade de cada ser humano subjacente aos ordenamentos moral jurídico do Ocidente.

 O sistema de proteção diplomática dos direitos humanos foi substituído por uma proteção internacional, que tutelasse os direitos dos indivíduos independentemente de serem nacionais de qualquer Estado. Chegaram à conclusão de que a real proteção dos direitos humanos dependeria da cidadania, só assim poderia ser tratado pelos outros como um ser semelhante. Admitiram que todos os seres humanos devem ter acesso à liberdade, ao trabalho, à saúde, à moradia, a educação.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Direito Internacional Público reagiu, procurando minimizar os efeitos da condição de refugiado. Por meio da elaboração de instrumentos jurídicos multilaterais, que tutelem a pessoa sem nacionalidade definida (apátrida) e o status de refugiado que prevêem a cidadania como um direito humano, mas também pela proteção dos direitos humanos, que fosse aplicável a todos seres humanos enquanto tais, independentemente de sua condição ou não de nacionalidade. Os direitos humanos atuais lutam pela liberdade e pela vida.

“Enquanto escrevo, seres humanos altamente civilizados estão sobrevoando, tentando matar-me. Não sentem qualquer inimizade por mim como indivíduo, nem eu por eles. Estão apenas “cumprindo o seu dever”, como se diz. Na maioria, não tenho dúvida, são homens bondosos e cumpridores das leis, que na vida privada nunca sonhariam em cometer assassinato. Por outro lado, se um deles conseguir me fazer em pedaços com uma bomba bem lançada, não vai dormir mal por causa disso. Está servindo ao seu país, que tem o poder de absolvê-lo do mal.” George Orwell, Inglaterra,-1941.(Citação de Zygmunt Bauman – Livro: Modernidade e Holocausto – Ed.Zahar1996).

O fim da Segunda Guerra trouxe um grande prejuízo ao Continente Europeu. O conflito contabilizou um gasto total de 413,25 bilhões de libras. Fabricaram mais de 296 mil aviões de guerra. 53 milhões de vidas foram ceifadas, sendo a grande maioria de inocentes.

Os problemas cruciais do mundo de hoje e da sobrevivência da espécie humana em face da política belicista das grandes potências como meio para assegurar o domínio sobre todos os recursos naturais da humanidade, criando necessidades e escassez para milhões de pessoas  assusta o mundo inteiro inteiro. Se continuar assim dificilmente se terá uma adequada distribuição de renda oriunda das imensas riquezas que detém a maioria dos países pobres. E como defenderemos o nosso Pré-sal? Precisamos imediatamente criar Universidades de Mediações Internacionais para a Paz Mundial.

 Todas as guerras são injustificadas. Abandonada devido às revoluções árabes ( Iraque – Afeganistão - Líbia) a erradicação da fome e da pobreza extrema no mundo foi relegada e deixou de ser uma prioridade da comunidade internacional dentro dos oito objetivos do Milênio (ODM). Analisando em sua estrutura ontológica, o ser humano oriundo dos países pobres, não membros da União Européia, é descartável e supérfluo na política monetária e mundial. A União Européia elogia os direitos humanos, mas na prática é a última preocupação.

Todas as pessoas merecem respeito e oportunidades. Paradoxalmente, os arsenais bélicos dos países desenvolvidos acumulam armas de alto poder destrutivo, que consomem bilhões  de dólares anualmente, objetivando a destruição e a morte, quando este dinheiro poderia ser utilizado para a preservação e o enobrecimento de milhões de vida, eliminando a fome e as doenças que as espreitam.

Precisamos reagir construtivamente, formando uma rede de amor fraterno, de compreensão e de união entre as nações. Que estes objetivos sejam interligados pelo sentimento de amor à vida, onde não haja espaço para o ódio, para a discriminação e para o preconceito. Que uma compreensão social afetiva se estenda por todo o planeta e cumpra o sublime objetivo: gerar um mundo habitado por seres humanos amigos. Transformar o nosso mundo num lugar onde todos possam despertar para os milagres da vida. O nosso pensamento é energia, e se nos unirmos em pensamentos positivos e equilibrados ajudaremos a fluir a paz,  superando estes tristes tempos, de que seres humanos continuem matando outros seres humanos.      

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

JANELAS PARA O MUNDO

Regina Diniz

                                   
                                    Não posso esquecer-me...
                                    O planeta é lindo...
                                    Avalio os meus objetivos de vida...
                                    Lembro da minha alma.

Andando pela rua da praia ao entardecer,
Senti-me sufocado pela multidão,
Que caminhava rápida e silenciosamente...
E arrebentava no íntimo da minha emocionalidade
A frieza personalizada das pessoas.
Então pensei: fiquei oito horas no trabalho
E estudarei até as vinte e três horas.
Estava sedento por integração humana,
Pelo menos vê-los... de preferência menos tensos...
Mas estava num mar de conformismo cultural.
Havia perda do sentimento de ser.
A dureza dos traços faciais decretava a frieza...
E estraçalhava o encanto da sedução,
Que pela sua ausência fortalecia a aridez da hostilidade.
Até a juventude endureceu o olhar...
Perdeu-se o encanto pela estética dos sentimentos...
A luta pela sobrevivência tornou-se um campo de batalha,
É o império da baixa auto-estima.
Sumiu o arrebatamento da busca humana,
Que foi substituído pela escravidão às falsas aparências...

Almejo vivenciar a alegria da vida...
Retoco a beleza interior...
É fundamental...
Compreendo Deus...

É difícil enfrentar o medo da vida.
A fuga do medo enfraquece...
E muita gente está desesperadamente,
Comprando a tranqüilidade dopada...
Ou a agressão dopada...
Ou a alegria dopada...
Necessito de experiências que me fortaleçam,
Aprenderei a usar os músculos emocionais...
Acharei o aonde e como...
Encontrarei a área da livre expansão da mente.

O conformismo cultural veio para ficar
Por séculos, séculos e séculos.
Esquivar-me-ei...
E aprenderei a explorar o mundo...

Não é fácil abrir o porta-jóia das verdades do mundo...
Todos escondem de todos a chave,
E tudo se perde,
E tudo fica mergulhado em profundo tédio,
Mas talvez não saibam...
Graças a Deus temos o dom de pensar.
O ideal seria captar a essência da vida...
Fazer um plano a longo prazo,
Talvez se organizar em décadas...
Até agora o que mais me chamou a atenção,
Foi deduzir claramente que neste planeta,
A única certeza é a incerteza,
Acho a cultura violenta demais...
 Tenho medo e vou seguindo passo a passo...

Esforço-me pelo nível de consciência elevado...
Que pratico comigo mesmo...
Os meus anseios interiores me dizem:
-Concilie o material com o espiritual...

Não me adapto ao modelo adotado,
Não gosto de viver confinado,
Parece que estou sitiado,
Sinto-me acorrentado mentalmente,
Preciso urgentemente,
De uma área de livre criatividade,
Para descobrir novos meios de ver o mundo.
A minha sensibilidade maior me diz,
Que o ato de viver exige
Explorar as maravilhas
Dos segredos do ser...
E precisamos de toda a vida
Para conhecê-los, vivê-los, e apreciá-los.
São complexas as dificuldades,
Pois há perigo em toda parte,
Mas vencidas as armadilhas da jornada,
Alcançados os pontos centrais de ultrapassamentos emocionais...
É magnífico o meu destino de crescimento pessoal.
Sinto-me na vertente do sonho,
No futuro o desconhecido,
Visão impenetrável, extremamente fantástica...

Aventureiro da compreensão da vida...
Aventureiro da motivação da vida...
Aventureiro da difícil subida da vida...
Aventureiro da escalada no limite das minhas forças...

O tio Jarbas convidou-me para fazer uma pescaria,
Libertar-me-ei das pressões da civilização por dois dias...
Recolhi-me cedo ontem, dormi o sono dos justos,
Agora são quatro horas da madrugada de sábado,
Estamos viajando para acampar às margens
Do rio lagoão... três horas até lá...
Voltaremos domingo a tarde para Porto Alegre,
Ele tem um filho que é engenheiro eletrônico,
E trabalha em São Paulo,
Tem vinte e sete anos, é dez anos mais velho do que eu.
O pai e ele se deram bem na vida,
Só casaram uma vez e são felizes.
Eu acho o tio Jarbas de um rigor ético
Que me intimida...
Pratica esporte com freqüência admirável,
É sociável mas distante...
Não partilha intimidade com quase ninguém...
Mas coopera em grupos filantrópicos...
É jovial, não aparenta a idade que tem...
Vou desfrutar de uma ótima oportunidade,
Para conhecê-lo melhor... estreitaremos laços...
Passamos por um barômetro que marcava treze graus.
O tempo está ótimo, pois o céu está estrelado...
O frio purifica o ar.
Na estrada, parece que estou em outro mundo, partilho com a natureza...
É bom estar junto dela...

O grande desafio
É instigar-se...
Tudo é coberto de mistérios...
É intrincada a dança da vida...

-Tio Jarbas, eu tenho dificuldade de compreender a vida...
-E o senhor?
-Eu também acho a vida bastante complexa... até hoje...
-Vivemos num momento extremamente confuso...
-É preciso atenção à deriva...
-São tempos de consciência confusa...
-Delinearam-se estradas perigosas...
-Estamos no auge do império da vulgaridade...
-As insignificâncias estão entronizadas...
-Eu e o teu pai não arredamos um milímetro sequer
-Do aprofundamento de nossos dons e talentos...
-E selecionamos compulsivamente...
-As formas socialmente construtivas...
-É um empreendimento santo...
-Aprendemos com os nossos pais...
-Que acreditavam só em relações cooperativas...
-A nossa mãe era extremamente perseverante...
-Ela dizia todos os dias...
-O objetivo fundamental da vida é aperfeiçoar-se...
-E o resto é o resto...
-Mas o que vemos atualmente é a exaltação da trivialidade...
-Que nos empurra para trás... e nos cega totalmente...
-E o nosso pai era essencialmente positivo,
-Nas horas mais difíceis dizia:
-É preciso sorrir para a vida,
-E jamais deixar escapar a tensão seletiva...
-Este é o grande segredo...
-Mapear e compreender o próprio coração e a própria obstinação...
-Enriquecer a sensibilidade...
-Garimpando as energias positivas...
-É preciso prestar muita atenção,
-O caminho está cheio de pedras invisíveis
-O ideal é trilhar pelo lado estimulante,
-Empenhando-se nas descobertas das verdades...
-Que estão escondidas...
-Este é o maior encanto da procura...

Não quero que a vida seja fácil...
Seguirei os meus sonhos...
O bem deve vencer o mal,
Para renovar a terra...

Cada um de nós armou a sua pequena barraca,
Apenas há dez passos da margem do rio,
O lugar é paradisíaco...
Ouço o som das águas que deslizam silenciosas,
Que curam as feridas do estrago sonoro do centro urbano...
É uma excelente sensação...
As belas montanhas espalham-se na minha frente...
As nuvens brancas no céu azul
Movem-se lentamente, modificando a paisagem
E mostrando a continuidade das infinitas mudanças,
Provando que a renovação existe,
E é natural na vida de todos.
Atrás de nós a mata vicejante marca presença,
Respiro oxigênio puro,
Perfumado pelas flores nativas,
Tudo é muito puro,
É a luta pela distante perfeição,
É a porta para o sol, para o vento, para a vida interior...
A natureza transmite esta mensagem...
O melhor de nós para todos indistintamente...
E não unicamente o tudo só para mim...
Que ambiência fantástica...
Causa-me assombros de alegria profunda,
E a natureza oferece tudo gratuitamente,
Não dá para acreditar...
Agora ao meio dia, estamos assando duas piavas,
Eu colhi maracujás no mato,
E agora tomamos suco bem puro,
Sinto-me vibrar de alegria por dentro...
Tio Jarbas achou amoras vermelhas,
Um verdadeiro mel de tão doces,
À tarde leremos bons livros...
Para continuar ativando as próprias possibilidades,
Que é um poema inacabado e inacabável,
É o infinito é a magia do crescimento interior...

Oriento as minhas revoadas cognitivas...
Tudo é magnético...
Tudo é inconsciente...
Tudo é Deus...