sexta-feira, 30 de abril de 2010

FORÇAS SUBLIMES

Regina Diniz

A sabedoria espiritual é sempre viva...
É uma força como a luz do sol...
Ela é a busca dos caminhos...
Das energias que inspiram a alma.

Agora, cinco e trinta da manhã,
No despertar da aurora,
Surge a mágica claridade,
Anunciando no horizonte o nascer do sol...
Impulsiona-me uma poderosa força,
Em direção às energias espirituais,
Em direção às descobertas subjetivas.
Quero ser estável quanto uma montanha...
Quero dobrar sem quebrar...
E voar com a leveza do vento...
Num Cooper compassado,
Suplico a Deus,
Que me fortaleça a harmonia criativa.
Necessito de uma corrente de fluídos universais,
Para nutrir as minhas observações de entendimento divino,
Que é o caminho da motivação da vida...

O horizonte é tão amplo...
O nascer do sol é tão arrebatador...
E eu como testemunha,
Pego o embalo e vou em frente...

A consciência me diz,
Que a qualidade do diálogo interior
Reflete a chama da minha alma,
Abrindo-me possibilidades maiores...
Sei que devo ultrapassar barreiras.
Sei que todos nós temos um conhecimento espontâneo,
Que só deslancha na realização espiritual.
A conversa comigo mesma é autêntica.
A alma evolui através da consciência pura.
Sou responsável pela bem-aventurança da minha jornada,
Fortalecendo o meu equilíbrio emocional...
É aqui a direção certa...
Textos sacros registram,
Que a chama da alma
Está refletida nos próprios olhos.
Agora, estou completamente em paz,
Escolho contemplar a vida,
Através de valores supremos,
Luto para alcançá-los.

A essência é viver com fé...
Tudo é fé...
Em cada coração humano,
Há uma ânsia por Deus...

Crio áreas de imaginação...
Para entender os mistérios da existência.
Observo no máximo do meu esforço,
Os vastos campos do progresso da alma.
Para prosseguir em direção a uma
Expansão maior de identificação,
No meu papel a desempenhar,
Neste planeta tão generosamente lindo...
Planto as sementes da auto-indagação...
É essencial motivar-me...
Descobrir os verdadeiros motivos da minha existência.
Sinto que eu mesma é que devo desabrochá-los...
Porque as culturas materialistas são muito ingênuas.
Não quero alienar-me...
Anoto na minha consciência interpretações...
Analiso aspirações que estão sem respostas...
Estou por hora no plano físico.
Tenho absoluta certeza da imortalidade da alma.
Com obstinação, faço tudo para ser uma boa pessoa.

Aproximar-me de Deus...
De momento a momento...
A purificação das emoções
Liberta a intuição espiritual...

O constante reexame das minhas intenções,
Emociona-me, deixa-me alerta...
O modo pelo qual admiro estas metas,
Emociona-me, a minha responsabilidade aumenta...
Esta revisão constante
Proporciona-me uma alegria indizível.
Ao sentir o vigor esplendoroso da natureza,
Vejo que fico mais forte emocionalmente...
Insisto com perseverança,
Na interação com este magnetismo,
Que cura a minha alma sedenta por energias.
O meu crescimento
Está na união permanente com Deus.
As emoções sadias desejam o bem-estar
Do conjunto de todos os seres vivos.
Pratico um desapego do materialismo...
Que me permite olhar
Todas as intenções sobrenaturais...
Sou uma expectadora,
Das energias sutis,
Que nutrem a auto-estima.

O espírito de aventura espiritual...
A busca solitária do divino...
A imprevisibilidade das respostas...
A sublime inquietação da espera...

As estrelas brilham na imensidão do cosmos...
A lua brilha bem de perto...
O clima é de total euforia...
Os pássaros cantam hipnotizados de alegria...
E encantam com seus trinados sublimes.
E eu participando nesta festa de vida...
Surpreendi-me ao constatar-me gratificada.
Sem dar-me conta
Participo desta reunião tão efusiva,
Na maneira de celebrar a vida.
Realizo-me espiritualmente.
Relacionei-me com todos,
E com tudo neste imenso universo...
Descobri que é uma necessidade vital,
Unir-me a eles,
Para viver meus sonhos espirituais mais profundos,
Que hoje começo a realizá-los.
Com certeza hoje comecei a curar a alma,
Mas reconheço...
Preciso aprimorar a qualidade vibratória.

Estado de alegria profunda...
Dentro de si a potencialidade...
Descobrir e descobrir-se...
O homem é a sua própria fortuna...

Vi a rota da celebração da vida...
Mas reconheço,
Que as sementes de crescimento espiritual,
Ainda jazem adormecidas dentro de mim...
Consigo muito de longe deduzir,
Que a consciência divina,
Está em toda a parte.
Ela mostra-se em tudo...
Basta lembrar-se de acessar a consciência divina,
Vontade, desejo, sonho,
Valores espirituais me dão energia,
Responsabilizo-me pela busca.
Alcanço coragem...
Estou admirada pelo misterioso bem-estar,
Que estou sentindo.
A qualidade das minhas percepções
Fazem a diferença...
Começo a compreender os desígnios divinos.
Aumenta a minha dedicação.
Procuro esclarecimentos.

Felicidade perfeita
Dos que acreditam em Deus.
Bem-aventurança celestial
Alegria espiritual é tudo...

Amo as pessoas incondicionalmente...
Vibro pensamentos de compreensão.
Divido desejos de proteção afetiva.
Valorizo a saúde da alma,
Fico mais corajosa emocionalmente,
Penso e escolho
Flutuar nas marolas da bondade,
Que suaviza a minha alma desejosa de paz.
Não é por acaso que vivo em tempos violentos.
A mansidão de coração
Deixa-me aliviada...
Dá-me uma esperança profunda...
Para seguir em frente com lucidez espiritual.
Não nutro mágoas com a vida.
Eu é que tenho de me decidir,
Eu é que tenho de melhorar o nível
Do meu mundo interior.
Agradeço a Deus por não ser materialista...
Sempre vivi com muita simplicidade.
Sempre me lembro de avivar
A pequena chama da paz no meu interior...

Mais consciência saudável...
Imagino pensamentos de mais luz...
Não me é nada fácil...
Sonho com a paz...

A suntuosidade do nascimento do sol,
Mostra uma ciência oculta,
Usando conscientemente poderes invisíveis...
Apresenta uma mágica estética inigualável...
Aprecio os poderes extraordinários,
Das leis naturais de Deus.
Esta beleza me encanta.
Impressiona-me a força magnética,
Que Deus oferece a quem lhe der atenção.
Graças a Deus...
Sou fascinada pela natureza,
Ela me desperta para forças sublimes,
Ela tem um poder sobrenatural extraordinário...
Estou sensibilizada com tanto esplendor...
É um espetáculo de beleza...
Abandono todos os ressentimentos.
Escolho os milagres de Deus...

Livro-me de todos os pensamentos...
Presto atenção no coração...
Experimento o seu som...
Sinto-o palpitar...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O SENTIDO HUMANO DE IDENTIDADE

REGINA DINIZ

“Na medida em que não sou diferente, na medida em que sou como os demais, e em que estes me consideram uma pessoa “normal”, posso sentir-me a mim mesmo como “eu”. Eu sou “como tu me queres”. (Pirandello – no título de uma de suas peças teatrais – citação no livro – Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Erich Fromm – l979 – Zahar Editores). Surge uma nova identidade gregária na qual o sentimento de identidade descansa no sentimento de vinculação indubitável com a multidão. Em nada modifica as coisas o fato de essa uniformidade e essa conformidade não serem muitas vezes, reconhecidas como tais e permanecerem cobertas pela ilusão de individualidade.

A problemática maior do sentimento de identidade não é, como se supõe um mero problema filosófico, o que afeta com exclusividade a mente e o pensamento. A necessidade de experimentar um sentimento de identidade nasce da condição da existência humana e é fonte dos mais intensos impulsos. Como não posso ser mentalmente sadia sem o sentimento do “eu”, sinto-me compelida a fazer qualquer coisa para adquiri-lo.

Explode uma forte paixão pela conformidade, sendo por vezes mais forte até do que a necessidade de sobrevivência física. Haverá algo mais convincente do que o fato de os indivíduos se mostrarem dispostos a arriscar suas vidas, a renunciarem a liberdade, a sacrificarem suas idéias para sentirem-se parte do rebanho. Justifica-se tal fraqueza de ser? A contemporaneidade tornou-se um exército de robôs sem usar a inteligência criativa. O ser humano depende fundamentalmente do desenvolvimento de sua razão e de seus conhecimentos.

“Aqueles que chamamos de autônomos são capazes de transcender sua cultura em qualquer tempo e a qualquer respeito. A pessoa torna-se consciente de que lhe é dada, a possibilidade de mudar, de que existem muitos papéis acessíveis, papéis que outros indivíduos adotaram no decorrer da história ou em seu próprio meio”. (Filósofo G.H. Mead). Atualmente, em níveis culturais mais elevados, a combinação de tecnologia e lazer ajuda a familiarizar os indivíduos com outras soluções históricas, e abastece-os com uma variedade crescente de modelos sociais, estimulando a individualidade de ser.

Inúmeros pensadores estudam os fenômenos sociais da cultura de massa consumista, procurando a saída para a falta de emoção e vacuidade de expressão. Nota-se que o amortecimento de sentimento torna-se um sintoma clínico. O indivíduo alterdirigido (manipulado de fora para dentro) se esforça para alcançar um estilo pessoal de tolerância, drenado de emoções, humor e impertinência.

A pessoa autônoma, vivendo em um ambiente cultural, emprega o seu caráter e a sua posição para se afastar da média ajustada pelo mesmo ambiente. A pessoa autônoma, numa sociedade dependente da introdireção (motivação de dentro para fora) possui objetivos nítidos internalizados e é disciplinada para árduos combates com o mundo em mudança. É admirável a pessoa “escolher-se a si mesma” seja no trabalho, seja no lazer. Empobrecemos cognitivamente, quando procuramos nos tornar parecidos com os outros. Precisamos exercer a nossa proposta de renovação.

“A responsabilidade” é uma das experiências humanas que perdeu o seu significado original, sendo normalmente usada como sinônimo de dever. O dever é um conceito no âmbito da não-liberdade, ao passo que a responsabilidade é um conceito no âmbito da liberdade. Essa diferença entre dever e responsabilidade corresponde à distinção entre a consciência autoritária e a humanista. A consciência autoritária é essencialmente a disposição de seguir as ordens das autoridades a quem a pessoa se submete: é obediência glorificada. A consciência humanista é a disposição para ouvir a voz da própria humanidade e independe de ordens dadas por qualquer outra pessoa. (Erich Fromm – Psicanálise da Sociedade Contemporânea).

A consciência humanista é um dos maiores pedestais do crescimento da personalidade, pois envolve sentimentos, afetos e atitudes. A palavra responsabilidade atualmente esmaeceu o seu significado original, sendo usada como sinônimo de dever.
Embalar a decisão própria só em valores construtivos fortalece a identidade, e ajuda a enfrentar a manipulação da sociedade consumista, que transforma os homens em objetos, anulando a sua identidade.

A identidade no sentido humano é a experiência que permite “o eu” como centro idealizador das próprias atividades reais ou potenciais. Este “eu” “ativo” deixa as pessoas em prontidão cognitiva e despertas para cuidar de suas vidas. Entra em jogo a leitura atenta do contexto, a memória e a motivação para compreender. A crise do nosso tempo é baseada essencialmente na alienação do homem, que só é solucionada na medida em que ele se torna novamente ativo.

A saúde mental não pode ser definida em termos da “adaptação” do indivíduo à sua sociedade, mas que, pelo contrário, deve ser definida como adaptação da sociedade às necessidades do homem, e pelo seu papel em impulsionar o desenvolvimento da saúde mental e cultural. Uma sociedade sadia desenvolve a capacidade do homem para amar o próximo, para trabalhar criativamente, para desenvolver sua razão e sua objetividade, para ter um sentimento de si mesmo baseado em suas próprias capacidades. Uma sociedade doente é aquela que cria hostilidade mútua e desconfiança, que transforma o homem em instrumento de uso e exploração para outros, que o priva do sentimento de si mesmo, salvo na medida em que se submete a outros ou se converte em um autômato.

“É fácil ver que um só sentimento de identidade baseado na sensação de capacidade própria pode proporcionar vigor, enquanto todas as formas de identidade baseada no grupo tornam o homem dependente e, por conseguinte fraco. Apenas na medida em que o homem capta a realidade, pode ele tornar este mundo seu”. ( Erich Fromm - A Revolução da Esperança). A mais elevada sensação de identidade é baseada no sentimento de si mesmo como o sujeito e o agente das próprias capacidades pela captação da realidade interior e exterior. Para ajudar-se e auxiliar os outros é preciso saber com clareza qual a nossa posição na vida.

“Você é feliz. Portanto, você ´solicitado a dar muito. Tudo que você recebeu mais que os outros em saúde, em talento, em capacidade, numa infância feliz, em harmonia no lar, você não pode tomar tudo isso como se fosse seu por direito. Você precisa pagar. Em troca você deve sacrificar muita coisa na sua vida pela vida de outros”. (AlbertSchweitzer). É possível desenvolvermos todo nosso potencial quando nos comprometemos a avançar direto para os desafios. Nenhum deles está além de nossa capacidade.Cada um deles promete maior evolução e certa dose de serenidade. Nossa busca de segurança, pela valorização nos motiva a enfrentarmos mudanças, que nos ensinarão o que estivermos preparados para aprender.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

OURO, OURO E OURO

Regina Diniz

Lutamos para superarmos a incapacidade nas relações humanas...
O sentimento de isolamento nos fragiliza.
Rejeitamos o espírito de manipulação.
Envergonhamo-nos do uso pelo uso.

E só falam em ouro e ouro e ouro...
E por que não purificamos o relacionamento interpessoal?...

Procuramos nos encantar com o mundo...
O desencanto conduz ao empobrecimento emocional.
Um homem sem sentimentos não é totalmente humano.
Buscamos estimular a benevolência absoluta.

E só falam em ouro e ouro e ouro...
E por que não conciliamos o material com o espiritual?

Admitimos a falta de sentido em nossas vidas...
O desencanto com o mundo é verdade mesmo.
Estamos desesperadamente em busca de uma alma.
E com dificuldade procuramos construí-la.

E só falam em ouro e ouro e ouro...
E por que não acendemos a lâmpada da compreensão interna?

A cultura se sustenta com o capital de crenças que rejeitou...
A atitude essencial de fraternidade e compaixão é atual.
Não param de atacar todos os tipos de ideais.
O nosso tempo está em estado deplorável...

E só falam em ouro e ouro e ouro...
E por que não resgatamos os valores construtivos?

Perdeu espaço as frias rajadas do pensamento moderno...
Queremos ver a luz.
De nada adianta a cultura ser impávida e desiludida.
Queremos conhecer os mistérios da saúde espiritual...

E só falam em ouro e ouro e ouro.
E por que não unir o homem bom e puro com Deus?

Não desejamos ser sensualistas sem coração...
As necessidades espirituais são urgentes.
O depender só de si mesmo nos deixou confusos.

E só falam em ouro e ouro e ouro
E por que não ficar de olho sobre a verdade eterna?...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

PRONTIDÃO PARA MUDAR

REGINA DINIZ


“Quinhentos anos depois da chegada dos europeus, repetimos os mesmos vícios, perpetuamos os mesmos problemas. Relatos freqüentes de viajantes estrangeiros que circularam pelo Brasil, sobretudo no século 19, quando a Corte portuguesa já se instalara no país, chamavam a atenção para “o analfabetismo, a falta de cultura e instrução”, escreve o jornalista Laurentino Gomes, autor do memorável l808, que traduz muito da alma brasileira e das raízes daquilo em que viemos a nos transformar”. “O Brasil não é lugar de literatura” afirmou James Henderson, que aqui esteve em l819. “Na verdade, a sua total ausência é marcada pela proibição geral de livros e a falta dos mais elementares meios pelos quais seus habitantes possam tomar conhecimento do mundo e do que se passa nele. Os habitantes estão mergulhados em grande ignorância e sua conseqüência natural: o orgulho”. Já botânico inglês William John Burchelf, que percorreu o Brasil entre l825 e 1830, escreveu que neste país de analfabetismo, não se encontra ninguém, que tenha intimidade com a noção de ciência. E assinalou:”Aqui, a natureza tem feito muita coisa – o homem nada. Aqui, a natureza oferece inumeráveis temas de estudo e admiração, enquanto os homens continuam a vegetar na escuridão da ignorância e na extrema pobreza, conseqüência da preguiça”.Exageros à parte, preguiça de nobres e ricos daquela época, sejamos claros, porque os escravos e os pobres sempre trabalharam muito. Como o fazem até hoje. E sem que participem minimamente da distribuição de toda a riqueza.( CelsoVicenzi – caderno cultura – Diário Catarinense – l6/01/2010 ).

O Brasil é o oitavo país com a maior desigualdade social, na frente apenas da Guatemala e dos africanos Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia, segundo o coeficiente de Gini, parâmetro internacionalmente usado para medir a concentração de renda. No Brasil, 46,9% da renda nacional concentra-se nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da renda. (Celso Vicenzi – caderno de cultura – Diário Catarinense – 16/01/2010). Como pode o nosso Brasil não se envergonhar perante o mundo, de manter a população escravizada numa condição permanente de pobreza extrema? Já se passaram cinco séculos sem a mínima transformação. Sem nenhuma reação, indica que ainda somos uma cultura abatida.

Em recente entrevista publicada na imprensa, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, traduziu em números essa questão abissal:”Temos uma realidade dantesca na cultura brasileira. A gente não consegue envolver culturalmente 20% da população com única exceção da TV aberta. Só 8% foram a um museu, só 13% vão com alguma regularidade ao cinema, só 17% compram livros, mais de 90% das cidades não têm cinemas. A realidade é muito grosseira e excludente. Ou seja, não dá para garantir desenvolvimento cultural no Brasil nessas condições. E a lei Rouanet aprofunda, acirra essa desigualdade, esta desconcentração, esses privilégios e essas exclusões, por isso tem que mudar”. (Celso Vicenzi – caderno de cultura – Diário Catarinense l6/01/2010) O país está entre as 10 maiores economias do planeta. As pretensões delirantes afirmam chegar em 2020 entre os cinco maiores, mas sem expressivo investimento em educação será impossível.

No livro: As Contradições Culturais do Capitalismo, Daniel Bell defende que a cultura do consumo estimula uma ética do hedonismo e corrói, assim, a disciplina industrial. O capitalismo avançado está em desavença consigo mesmo, na sua visão: necessita de consumidores que procurem gratificação imediata e nada neguem a si próprios, mas precisa também de produtores que se auto-sacrifiquem, desejosos de atirar-se aos seus trabalhos, labutar por longas horas e seguir à risca as instruções. O ponto forte dos argumentos de Bell situa-se em sua compreensão do vínculo entre capitalismo avançado e o consumismo, que tanto observadores atribuem meramente aos educadores e pais permissivos, à decadência moral e à omissão das autoridades. O seu ponto frágil está na equiparação tão estrita entre consumismo e hedonismo. O lançamento das mercadorias depende de desestimular o indivíduo quanto à confiança em seus próprios recursos e julgamentos: neste caso, o discernimento do que ele necessita para ser saudável e feliz.

A demanda por consumo liderada pela indústria americana viu que para dominar o mercado de massa era necessário desencorajar as pessoas de prover as suas próprias necessidades e socializá-las enquanto consumidores. Foi preciso um vasto esforço de reeducação, iniciado nos anos 20, antes que os americanos aceitassem o consumo como um modo de vida e o impusesse principalmente na América latina.

A indústria moderna passou a se basear nos duplos pilares do fordismo e do sloanismo. Ambos tendiam a desestimular e espírito empreendedor e independente e a fazer com que o indivíduo desacreditasse em seu próprio julgamento, mesmo em matéria de gostos pessoais. As suas próprias e incultas preferências, ao que parecia, estariam em atraso diante da moda vigente; elas também tinham que ser periodicamente aperfeiçoadas. É uma proposta de amassamento emocional, liquidando totalmente a auto-estima.

“A história da humanidade é a história da crescente individuação, mas é também a da liberdade crescente. A busca da liberdade não é uma força metafísica e não pode ser explicada por leis naturais; é a resultante necessária do processo de individuação e da expansão da cultura”. (Livro – O Medo à Liberdade – Erich Fromm – Zahar Editores).

Certas qualidades psicológicas e inerentes ao homem, que têm de ser atendidas e que provocam certas reações caso sejam frustradas.A mais importante destas qualidades é a tendência para crescer, para desenvolver e realizar potencialidades que o homem formou através da História, como por exemplo, a faculdade de pensamento criador e crítico e a de variar as experiências emocionais e sensoriais. Cada uma dessas potencialidades possui um dinamismo próprio; uma vez que tenha se formado ao longo da marcha de evolução, tendem a manifestar-se. Se suprimidas e tolhidas surgem reações de aparecimento de impulsos destruidores e simbióticos.

A liberdade de ser é condição fundamental para qualquer crescimento. Observando as lutas que nos confundem e a aceitação da responsabilidade por elas talvez não sirvam para diminuí-las, mas com toda a certeza restauram nosso poder pessoal. Não somos indivíduos indefesos, à mercê de manipulações, mas sim sócios de outros seres humanos e, a qualquer momento, cada um de nós tem o poder de reescrever os termos do contrato da vida.

“Desejo de alguma maneira contar a história de como os espoliados tornaram-se donos de sua própria história sem perder a visão, sem se esquecer do significado ou natureza de sua jornada”. (Sherley Anne Willams). Usarmos o passado sem sermos controlados por ele – essa é a responsabilidade que temos perante a História. Sermos verdadeiros com nós mesmos significa sermos fiéis a nossa história.

As crueldades do passado podem permanecer muito poderosas em nossas vidas. Tornarmo-nos donos de nossa história significa nos libertarmos da servidão aos eventos passados. Nada jamais poderá modificá-los. Se quisermos ter um bom futuro, precisamos extrair ensinamentos do passado, mas nossa liberdade exige que façamos escolhas com base nas necessidades do presente, não do passado. Podemos agir de tal forma a honrar o passado e favorecer o futuro.

Precisamos encarar os nossos desafios como dádivas, compreendermos que sua resolução nos dará um novo horizonte existencial. A vida é uma série de lições e as crises são nossos deveres de casa. O mais triste da vida é enjaular-se no desamparo pela falta de perspectiva de ser. Devemos lutar pela inclusão social de todos os brasileiros. Assumir projetos que assumam abertamente a educação em todos os níveis. A participação não só dos solitários heróicos professores, mas principalmente dos pais e alunos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O ANJO DA MATA

Regina Diniz


Ilumino as estrelas da minha galáxia...
Abro um nobre espaço,
Para Deus passar...
Recolho suas dádivas...


Admiro o crepúsculo vibrante do Rio Guaíba...
O horizonte salpicado de vermelho, amarelo, verde e azul,
Ilumina-se em diversos matizes.
Procuro a razão de beleza tão rara...
Então percebo que a cultura dos meus tempos,
Não dá as respostas que desejo,
Afinal eu luto para encontrar-me na vida.
É o cosmos que me dá respostas profundas...
Que é uma força maior...
Que me obriga a fazer esta leitura...
O cosmos é um plano de crescimento pessoal.
Admirando o colorido dos raios do sol,
Refletidos no rio, que agora parece um lago,
Sinto-me emocionada positivamente...
Nasce um desejo profundo do meu subconsciente criador,
De descobrir novas possibilidades de ser...
De descobrir soluções,
Que desafiem a minha imaginação para renovações...


Na tempestade do conhecimento,
Busco as essências...
Acordo anseios profundos...
Abro a mente para criar...


A natureza sinaliza que todos devem inovar-se,
Liberando na estética o maior impulso
Nas grandes escolhas da vida...
Pernoitarei aqui no sítio sozinha,
Num pacote turístico chamado “Reencontro”
Participei em três sessões de terapia pela meditação,
Nas quais fui encorajada a deixar cair
As minhas defesas e fachadas e vidas duplas...
Para aprender pela própria iniciativa
A estimular a intuição, a manipular conceitos chaves...
Da minha motivação, o que é muito dificílimo.
Desejo a verdade interior amadurecida... Agora é o tempo.
Desejo incentivar uma relação imediata
Da minha pessoa para a minha pessoa.
Estou muito tensa porque desejo confrontar-me.
Gostaria de orientar-me com tranqüilidade
Para obter mais profundidade de propostas.
E viver com mais qualidade o presente,
Explorando novas potencialidades, novas inteligências,
E assim ficar mais estruturada emocionalmente,
E facilitar a descoberta de novos sentimentos...


Perspectivas para o bem...
Abro novas fronteiras...
Procuro a própria identidade ...
Tento novas abordagens...


Percebo que as pessoas que quebraram idéias padronizadas
São mais saudáveis... São seguras de si...
Apresentam soluções sábias...
Favorecem o surgimento da liberdade mental,
Estão muito mais bem centradas cognitivamente...
Sempre optei por mudanças pessoais,
Mas acorrentada pela cultura padronizada nunca saí do mesmo lugar.
Agora estou disposta a criar
Novas formas de ultrapassar a pobreza da rotina.
Nem sempre uma vida pode esconder outra.
É necessário gratificar-me emocionalmente no dia a dia.
A maior provocação, que posso fazer a mim mesma,
É acessar-me em profundidade com unicidade.
Como uma pessoa fragmentada pode ser feliz?
Sinto uma forte vontade de cultivar a sensibilidade de alma.
Não gosto de ser indelicada com os meus sentimentos.
Está muito silencioso aqui na cabana...
A beleza rústica e selvagem deste lugar me desperta,
Atira-me com força à brutal realidade
Da responsabilidade pelo investimento da minha alma.

Dramas que surgem repentinamente.
É a viagem da vida que se apresenta...
A regra mestra é a autonomia na procura...
Rejubilo-me em legislar para mim mesma...

São temerosas estas experiências solitárias.
É um medo justificável em culturas padronizadas no não ser,
Que mata a qualquer hora por tralhas materiais,
Atitude considerada banal e corriqueira...
Olho para todos os lados, o lugar é seguro,
Entretanto ouço um grito desesperador ,
Que ecoa no ar...Assusto-me do grito do pássaro errante...
Parece ser a visão de alguma alma que se confrontou
Com problemas não resolvidos em vida...
Pergunto-me: -Quem sou eu?
Respondo-me: - Sou personagem e testemunha de momentos pobres.
O planeta em constante litígio explode na violência...
Matam em nome da vida...
- Os valores éticos foram sepultados...
Passamos de seis a sete décadas aqui na matéria...
E vamos embora daqui para a condição de almas infinitas.
Vivenciamos tempos de profunda desumanização...
A pedagogia do mal vence abertamente...
Perdemos de vista o esplendor cultural,
Que adornou os séculos passados,
Apostando tudo na excelência de ser.
Deu-se bem acreditando num ser ético.
A contemporaneidade não refinou nada,
Acreditou num ser humano ignorante, muito ignorante...
Onde será que quer chegar?
A antiguidade milenar liquidou com os sofistas...
A modernidade entronizou-os.

Merecerei a graça da paz.
Serei feliz olhando mais longe...
A responsabilidade afetiva triunfará.
Serei responsável afetivamente comigo e com os outros.

Anoiteceu rápido... A lua é cheia...
Cumprindo a prática meditativa para o crescimento pessoal,
Caminharei uma hora por uma trilha na mata.
Apesar do luar, está um pouco escuro entre as árvores.
Respiro fundo... alcanço coragem... meu coração bate forte...
Percebo o frescor da noite... acalmo as emoções...
Os pensamentos ficam mais claros...
Volta a minha tranqüilidade...
Renovam-se as minhas esperanças...
Conscientizo-me de que existo para ser...
Aqui não existem regras, procuro ficar calma.
Esta experiência estimulará a minha individualidade,
Que está numa situação cambaleante...
Um pássaro furtivo atropela-se assustado.
Paro... me observo mentalmente, fico com medo das psicoses...
Sempre estive separada de forças rivais.
Nunca competi com ninguém graças a Deus.
Sempre estive longe de inimigos...
Nunca os tive... e não tive tempo para tê-los...
Fiz um grande esforço para sobreviver dignamente.
Graças a Deus não sou uma predadora em guerra.



Aprendo a equilibrar-me em situações difíceis...
Aprecio o silêncio da noite...
Experimento a força das mudanças...
Dialogo comigo mesma... Sofro muito...


Agora o pássaro voa baixo entre as árvores,
Bate as asas mostrando presença,
Abre espaços para a compreensão entrar...
Solitário, a seu modo celebra a vida.
A natureza é de uma riqueza incalculável...
A força do silêncio é impressionante...
A natureza está consciente do mundo em que vive...
A natureza é proprietária de profunda harmonia...
Não troco esta experiência por toneladas de barras de ouro...
Preciso aprender com a natureza este equilíbrio,
Para permitir-me uma abertura para experiência interna,
Deixando que eu me fale diretamente...
O pássaro canta uma melodia dramática de tristeza...
Sentindo a minha presença comunicou-se...
Tento ativar o diálogo... Imito o seu canto...
Ele voa para um galho mais baixo...
Atento, investiga-me profundamente...
Na tentativa de agradá-lo, imito o seu gorjeio...
Ele me responde com o mesmo canto suavemente triste...
Ele me avalia... Eu o avalio...
Nos fitamos intensamente... Fortalecemos vínculos...
Por alguns momentos trocamos essências energéticas...
Ele voa desaparecendo na mata...

A emoção manifestou-se expontaneamente...
Nos completamos só pelo som emitido...
Comemoramos empolgados o encontro...
Vibramos forças magnéticas inexploradas...

É possível que um dos segredos maiores desta vida
Seja a interação plena em momentos fugazes...
É possível que a qualidade surja das relações inesperadas...
É possível que as experiências mais profundas,
Sejam breves, quase imperceptíveis raios de luz,
Que marcaram intensamente a minha consciência.
Os eventos da natureza curam as minhas emoções...
Sou uma pessoa em busca do magnetismo espiritual...
Sou uma pessoa frágil e sensível...
Em busca de essências espirituais energéticas...
Sou uma alma enfraquecida e muito medrosa...
Reconheço que se abrir os olhos,
Tentando uma interação sadia com todos a minha volta,
Aliviarei o meu coração torturado pela frieza materialista.
Por que será que o tom impessoal
Satura todas as instituições de nossa terra?
Como os animais gratificam!...
Eles desfrutam e partilham afeto...
Compreendem-se e nos compreendem...
Desempenhando o seu papel...
Eu também aprenderei a interação construtiva...


Sede de diálogos verdadeiros...
Sede de encontrar companheiros de busca...
Para a difícil interpretação
Dos inúmeros caminhos da vida...


Analisando o comportamento do pássaro,
Que foi aberto e flexível em nosso encontro,
E comparando com as minhas manobras afetivas...
E constato que fico muito atrás dele.
Demonstrou elaborada habilidade no quebra-gelo...
Localizando-me na semi-escuridão da mata,
Iluminada pela lua que nos contemplava
Jogou o seu canto choroso, mas consolador.
Derrubou as barreiras e comunicou-se comigo...
Sentiu a minha solidão.
Indiretamente incentivou-me a reagir...
Houve uma explosão de energia,
Que festejou a aventura do encontro,
Fugaz, mas o suficiente para mostrar-me que:
“O paraíso está nas relações puras”
Ele me deu forças...
Eu tentei retribuir...
Bateu coração com coração...
Jamais me esquecerei deste encontro,
Foi inspirador...


Anjos do caminho existem...
É só percebê-los...
Basta querer...
Mais vida dentro de si...


Da pequena cabana sou agraciada,
Por uma pequena cachoeira, que escorrega mansamente...
Adornando-se em meio a flores coloridas...
Este lugar é tão simples e generosamente belo.
É vital receber estes impactos estéticos.
Preciso da beleza natural para fugir para dentro.
Os atrativos e as manipulações materialistas escravizam-me...
Entristeço pelas maquinações abusivas...
Gostaria de ter um olho para fora,
E dois olhos para dentro...
Nesta terapia de “Reencontro” vejo que:
Para melhorar o presente e o futuro,
Devo purificar os meus pensamentos.
Só eu posso libertar-me das algemas...
Uma a uma...
A minha vida foi atropelada e confusa...
Em tempo dou uma travada...
E luto para decidir e aprovar
Os melhores sentimentos e emoções
Para a minha alma e para outras almas.
Devo confirmar-me...
Quais serão os meus mundos além da vida?


O vento sopra forte...
Estarei sempre viva...
Deus é bom...
É o pacto com a eternidade...