quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A REDISTRIBUIÇÃO ECONÔMICA NOS ESTADOS DEMOCRÁTICOS


REGINA DINIZ 
                                            
“Os princípios da justiça global que deveriam governar povos democráticos e decentes correspondem, em larga medida, às regras que já existem no direito internacional e na Carta das nações Unidas, porém com dois corolários críticos. Por um lado, o direito dos povos autoriza intervenções militares para defender os Direitos Humanos em países, que não são nem decentes nem liberais, e cuja conduta os coloca como marginais na sociedade das nações. Podem ser atacados com base em suas políticas internas, mesmo que não constituam uma ameaça à comunidade das nações democráticas, a despeito de disposições em contrário na Casta das Nações Unidas. Por outro lado, o direito dos povos não obriga a redistribuição econômica entre os Estados, como exige nos Estados democráticos. O princípio da diferença, explica o filósofo político John Rawls no livro Liberalismo Político (1993), não se aplica aos povos, porque a disparidade de renda não se deve a uma desigualdade de renda não se deve a uma desigualdade de recursos, mas sobretudo a contrastes entre as culturas. Cada sociedade é responsável por seu próprio destino econômico. Povos mais abastados têm o dever de ajudar aqueles que são historicamente mais onerados por suas culturas, mas essa ajuda não vai além de fazê-los alcançar as suficiências necessárias para o estabelecimento de uma obra hierárquica decente”. (Autor: Perry Anderson -  Livro: Espectro da direita à esquerda  no mundo das idéias Ed: Boitempo Editorial – 2012).

Os planos dos países de renda baixa ou média para combater a pobreza priorizam o crescimento econômico e a criação de empregos, mas raramente explicitam estratégias para que esses processos beneficiem mais os pobres. Essa é a conclusão de um estudo que analisou o texto-base de programas de 22 nações em desenvolvimento, todos eles preparados após o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (CODM – uma série de metas sócio-econômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015).

“Todos os Documentos de estratégia de Redução da Pobreza enfatizam o crescimento econômico como o principal meio de alcançar o objetivo geral de reduzir a pobreza, mas nem todos especificam políticas de crescimento que favoreçam os pobres. Embora quase todos os documentos vejam tanto a pobreza quanto o crescimento como prioridades, a maioria não apresenta estratégias para aumentar a produtividade e o emprego, nem para gerar crescimento de uma maneira que assegure os benefícios para que sejam mais amplamente distribuídos”. Segundo as pesquisas mais recentes na área dizem que a pobreza é mais do que a falta de renda: é uma privação multidimensional nas vidas humanas e suas causas repousam não apenas na falta de crescimento, mas na falta de participação, nas vulnerabilidades a choques e em obstáculos a oportunidades. O impacto do crescimento da redução da pobreza não é de modo algum automático e acrescenta que o crescimento do PIB pode levar apenas a mais aumento de renda da parcela mais rica, e não da mais pobre”. ( Autora: Sakuda-Parr. Professora de Relações Internacionais da New School Universitv. Em texto publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
   
“Pareceu-me que nesses tempos de incertezas, em que o passado se esquiva e o futuro é indeterminado, seria preciso mobilizar nossa memória para compreender o presente. A situação atual é marcada por uma comoção que, recentemente, afetou a condição salarial: o desemprego em massa e a instabilidade das situações de trabalho, a inadequação  dos sistemas clássicos de proteção para dar cobertura a essas condições, a multiplicação de indivíduos que ocupam na sociedade uma posição de supra-numerários, “inempregáveis”, inempregados ou empregados de um modo precário, intermitente. De agora em diante, para muitos, o futuro é marcado pelo selo do aleatório”.(Autor: Robert Castel – livro: As metamorfoses da questão social. – Uma crônica do salário – 10ª - Edição – Editora Vozes – 2012 ).

Sabe-se que o setor financeiro internacional recebeu, apenas em 2010, dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinqüenta anos. O dado foi divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) pelas metas do milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego no mundo cresce mais entre os jovens. (Dado atualizado em 21-01-2013). O número de desempregados no mundo deve crescer até 2017, diz a OIT. Nos países europeus cerca de 12,7 dos jovens não trabalha e nem estuda. Em todo o mundo, há 197 milhões de pessoas desocupadas, uma alta de 4 milhões em relação a 2011, levando a taxa a 5,9%. A estimativa é que esse percentual chegue a 6% em 2014 e se mantenha no mesmo nível pelos próximos cinco anos.

“A Organização Internacional do Trabalho aponta que a situação é mais preocupante entre os jovens. Na faixa etária de 15 a 24 anos, o desemprego chega a 12,6% e deve seguir crescendo até 2017. Em países como a Grécia e Espanha, esse percentual ultrapassa os 50%. Na zona do euro, está situado em 22%. Do total de desempregados do mundo, 73,8 milhões são jovens. A OIT informa que é provável que a desaceleração da economia mundial “empurre” outro meio milhão de jovens para o desemprego em 2014 em todo o mundo. A taxa de desemprego dessa faixa etária deve chegar a 12,9% em 2017”.

Países em desenvolvimento, como o Brasil, apresentaram os melhores índices globais de crescimento econômico, com a retirada de centenas de milhões de pessoas da pobreza e o ingresso de outros milhares de milhões a uma nova classe média mundial. É o que revela o relatório 2013 do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado em 14-03-2013  pela Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento tem por objetivo promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo.

Com a melhoria da renda, a população de países mais pobres investiu mais em telefonia e Internet, com destaque para a Ásia, África e América Latina. O Brasil, China, Índia, Indonésia e o México possuem hoje tráfego mais elevado em ligações e acessos à Internet. A ascensão dos países mais pobres deixa essas nações menos reféns das nações mais ricas. A evolução da renda é atribuída a um relacionamento mais aberto com um mundo cada vez mais interligado.

“Ser humano significa viver como se não fosse um ser entre os seres... Sou eu que apoio o Outro e sou responsável por ele. Minha responsabilidade é intransferível, ninguém poderia me substituir. De fato, é uma questão de dizer a verdadeira identidade do eu humano partindo da responsabilidade... A responsabilidade é o que incumbe a mim exclusivamente, e o que humanamente não posso recusar. Essa carga e uma suprema dignidade do único. Eu sou eu só na medida que eu sou responsável, um eu não intercambiável, eu posso substituir-me a mim mesmo por qualquer um, mas ninguém pode substituir-se a si mesmo por mim”. (Autor Emannuel Lévinas –
Livro: Ethics Infinity. Pp 100-101).

A responsabilidade ética enquanto princípio ético, embora seja evocada pelos filósofos clássicos, desde a antiguidade ao existencialismo, assume novas perspectivas a partir do pensamento do Filósofo Emannuel Lévinas que diz: A responsabilidade não nasce da boa vontade, de um sujeito autônomo que quer livremente se comprometer com o outro ser. Ela nasce como uma resposta a um chamado. A responsabilidade é o fundamento primeiro e essencial da estrutura ética a qual não aparece como suplemento de uma base existencial prévia. Aquém do ser se encontra uma subjetividade capaz de escutar a voz, sem palavras de um dizer original, e aponta para outra dimensão do eu. Prévio ao ato da consciência, anterior ao sujeito intencional, o eu já responde a um chamado.


A responsabilidade pelo outro ser precede a representação conceitual ou a mediação de um mandamento ético. Ela é a obediência a uma vocação, a uma convocação pelo bem além do ser. A responsabilidade determina a liberdade do eu, pois esta não consegue mais se justificar por ela mesma. Sob o ponto de vista filosófico tradicional, a responsabilidade se constitui como decorrente da liberdade. A noção de responsabilidade é baseada na noção de escolha livre. Uma ação é livre na medida em que se responde por ela. Em princípio, se o ser humano é livre, então cabe a ele assumir a conseqüência dos seus atos. Cabe a cada um responder diante de si mesmo e diante dos outros, pelo que faz ou pelo que deveria fazer e não fez. A responsabilidade exige fundamentalmente a consciência dos atos praticados, a capacidade de entendimento adequado aos princípios éticos.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O ENTUSIASMO PELA VIDA

                            
 REGINA DINIZ

O grande desafio é pensar com amor...
O amor de Deus opera em toda a sua criação...

Vivenciar a presença de Deus em cada dia...
É a chave para a harmonia, saúde e paz...
A alegria interior é a plenitude da cura...
Descubro as qualidades boas em tudo e em todos...

As flores do amor divino...
Orientam o coração para a verdadeira vida...

Saúdo todos, os que encontro no meu caminho...
Saúdo as pessoas, os animais, e as árvores...
Porque tudo faz parte da expressão divina...
Devo melhorar muito mais como ser humano...

Devo cultivar as sementes da divindade...
Porque elas desabrocharão na minha mente...

A beleza da vida me alegra profundamente...
A infinita presença de Deus...
Cura o meu interior sedento de luz...
E que suplica por forças espirituais...

Eu me visto com as roupas coloridas...
Do amor fraterno, da humildade, e da alegria...

Sinto-me completamente realizada...
Quando a felicidade é espiritual...
Admiro as leis puras, simples e poderosas...
Que regem a harmonia do universo...

Desejos, sonhos, visões e objetivos de vida...
Circulam, na minha mente, por união...

Achei as chaves da serenidade espiritual...
Que me presenteiam com sentimentos de alegria...
Que me presenteiam com a realização pessoal...
Que me transformam numa pessoa melhor...

Abasteço a mente com a vivência da serenidade...
Que me dá felicidade, amor e boa vontade...

A abundância espiritual significa saúde e energia...
A abundância espiritual significa o entusiasmo pela vida...
A abundância espiritual significa os bons relacionamentos...
A abundância espiritual é a serenidade...

Quando estou em paz ouço o canto dos pássaros...

As flores  dão vida para a minha alma...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

INTEGRAÇÕES COM AS PROTEÇÕES SOCIAIS


 REGINA DINIZ

Quem poderia contrabalançar as tendências à desigualdade tão impressionantemente visíveis nas Décadas de Crise? A julgar pela experiência das décadas de 1970 e 1980, não seria o livre mercado. Se essas décadas provaram alguma coisa, foi que o grande problema político do mundo, e certamente do mundo desenvolvido, não era como multiplicar a riqueza das nações, mas como distribuí-la em benefício de seus habitantes. Isso se dava mesmo em países pobres “em desenvolvimento” que precisavam de mais crescimento econômico. ( Autor: Eric Hobsbawm – Livro: Era dos Extremos – ano 2009 – Editora: Companhia das Letras).

A nossa era é dominada por grande insegurança e também por crises devastadoras e este quadro se repete há séculos. Hoje, não há nações vitoriosas ou derrotadas nem mesmo na Europa oriental. Os problemas permanecem os mesmos: o uso abusivo e descarado da vantagem social e o desordenado poder do dinheiro, que sempre dirige o curso dos acontecimentos.

O século XX acabou com muitos problemas, para os quais ninguém apresentou soluções. As autoridades globais, nacionais e transnacionais sempre estiveram de olho nos países que precisavam de dinheiro emprestado para impor-lhes políticas monetárias. Décadas de crises destruíram o consenso político. Surgiram povos solidamente identificados com seus governos, mas eram poucos na década de 1990. Os cidadãos de muitos países admitiram a idéia de um Estado forte, ativo e socialmente responsável, merecendo a liberdade de ação porque servia ao bem-estar comum. Mas esses Estados eram raros.

Houve muitos países, onde o governo era suspeito por aderir a um anarquismo, individualista misturado com disputas e políticas de mamatas.Tinham também numerosos países, onde o Estado era tão ignorante socialmente e corrupto, que os cidadãos decepcionados não esperavam um governo que produzisse o bem público. Estes países são comuns no terceiro mundo.

No século XX surgiu a democracia liberal, enfrentando sérios problemas de política para os quais as eleições de presidentes e assembléias pluripartidárias não eram importantes. Brilhava no imaginário social o desejo de uma época em que o governo devia ser “do povo” e “para o povo”, mas não podia ser exercido “pelo povo”, entretanto os candidatos representativos competiam pelo voto do povo. No início do século XXI, um grande número de cidadãos se retirava da política, deixando as questões de Estado para a classe  política.

“Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e por quê. Contudo uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade é a escuridão”. ( Autor: Eric Hobsbawm – Livro – Era dos Extremos).  

“Metamorfoses da questão social foi explicitamente nomeada como tal, pela primeira vez, nos anos de 1830. Foi então suscitada pela tomada de consciência das condições de existência das populações que são ao mesmo tempo, os agentes e as vítimas da Revolução Industrial. É a questão do pauperismo. Momento essencial aquele em que pareceu ser quase total o divórcio entre uma ordem jurídica-política, fundada sobre o reconhecimento dos direitos dos cidadãos, e uma ordem econômica que acarreta miséria e desmoralização de massa. Difunde-se então a convicção de que aí há de fato “uma ameaça a ordem política e moral”, e ou, mais energicamente ainda: É preciso encontrar um remédio eficaz para a chaga do pauperismo ou preparar-se para a desordem do mundo”. (Autor: E. Buret, De la misere dês classes laborieuses em France et en Angleterre, Paris, 1840, t.I., p.98). Citação por Robert Castel – Editora Vozes Ltda – 10 Edição – 2012).

Aquilo que dificilmente se compreende, que é um verdadeiro mistério é a promoção e a aceitação de um multiplicador da riqueza, que instala a miséria em seu centro de difusão. Propostas de mudanças se fossem estudadas e debatidas renovariam toda a paisagem social. Como imaginar a saúde emocional de um homem que há muito tempo está desempregado, recolhido e acolhido na própria família? Como imaginar um jovem sem condições de estudar, com sua auto-estima abalada, cujo trabalho principal é procurar emprego sem jamais consegui-lo?

Não podemos deixar de pensar profundamente nas reestruturações econômicas e sociais atuais. A população dos excluídos e totalmente abandonados, onde a corrente das trocas produtivas foram desviada deles precisam ser exaustivamente estudadas. Estou habituada a ouvir falar no fantástico investimento humano com o quase pleno emprego com os progressos de integração e com as devidas proteções sociais. Afirmações totalmente falsas. Surgiu modernamente uma nova sigla, “a existência de inúteis para o mundo” porque não acompanharam a atualização das competências econômicas e sociais. Quanta desumanidade!... Quanta indiferença!... O mundo não é só de alguns, mas é de todos nós.

“Ninguém esperava. Num mundo turvado por aflição econômica, cinismo político, vazio cultural e desesperança pessoal, aquilo apenas aconteceu. Subitamente, ditaduras podiam ser derrubadas pelas mãos desarmadas do povo, mesmo que essas mãos estivessem ensangüentadas pelo sacrifício dos que tombaram. Os mágicos das finanças passaram de objetos de inveja pública a alvos  do desprezo universal. Políticos viram-se expostos  como corruptos e mentirosos. Governos foram denunciados. A mídia se tornou suspeita. A confiança desvaneceu-se. E a confiança é o que aglutina a sociedade, o mercado, e as instituições. Sem confiança, nada funciona. Sem confiança, o contrato social se dissolve, e as pessoas  desaparecem, ao se transformarem em indivíduos defensivos lutando pela sobrevivência. Entretanto, nas bordas de um mundo que havia chegado ao limite de sua capacidade de propiciar aos seres humanos a faculdade de viver juntos e compartilhar sua vida com a natureza, mais uma vez os indivíduos realmente se uniram para encontrar  novas formas de sermos nós, o povo”. (Autor: Manuel Castells – Livro: Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet ).

A esperança triunfou no Brasil e no mundo. Foram gigantescos os impactos sociais, culturais, econômicos e políticos da tecnologia digital. Agora todo o mundo se apossa de análises do tempo presente, o que legítima a dinâmica  no tempo e na hora graças as ferramentas de Comunicação Digital. Com certeza a elevação ética triunfará, elaborando em análise qualitativa todas as mídias e as relações de comunicação, em cenários onde crenças e reações estarão num mesmo nível, e certamente triunfarão as mediações refinadas.


Reflexões sobre novos modos de engajamento político e social já acontecem. De forma pacífica e horizontal e sem nenhum investimento financeiro, crianças, jovens, adultos e idosos se mobilizam em quase todas as cidades. Transformou-se o medo em esperança de mudar o descontentamento geral dos cidadãos. Viva a primavera da juventude brasileira. Desejamos profundamente que estes jovens alcancem o poder, e que se tornem políticos, advogados, empresários, servidores públicos, professores. É admirável partir dos jovens esta virada social tão almejada por todos nós. Desejamos êxitos... vidas melhores para todos.