quinta-feira, 29 de julho de 2010

RUMO À AUTO-REALIZAÇÃO


REGINA DINIZ

Atualmente, o homem está gradativamente despertando para uma nova consciência,
apesar de sua prisão espiritual, moral e social, poderá se colocar além da violência, da
ignorância e do isolamento que o cercam. Sem dúvida estamos isolados ao lado de mi-
lhões de pessoas. Essa consciência se renova através de uma nova visão da realidade.

Entramos numa nova era de história humana, em que a mudança rápida é um resultado dominante. Aceitamos mudanças fundamentais desde que intervimos no processo evolutivo. Precisamos observar atentamente este fato para desenvolver a sabedoria rumo a auto-realização ao invés da destruição.

O homem com alto nível humanístico já apareceu. A nossa capacidade cognitiva é inata, investimos em nossa habilidade e necessidade de comunicação. Modernamente, a habilidade de pensar e criar, é vital em qualquer profissão desde a mais simples a mais complexa. Sabemos que o melhor caminho é a intervenção inteligente. Aceleramos, e expandimos o âmbito de nossas possibilidades.

Entretanto estes avanços culturais não foram entendidos como se esperava, pois não atingiram o básico de como ser uma pessoa saudável socialmente.Ainda, são escolhidos caminhos, que levam à esterilidade da mente e do coração, à indiferença moral e à inércia intelectual. Mas já começamos a revitalizar a proposta de ser por um novo humanismo, através de um processo mais integrador de significados e propósitos existenciais.

Estamos cônscios da verdade além da divergência entre os homens, pertencemos a grande família das aspirações humanas, que esperam realizar-se como seres pensantes e conscientes. Precisamos descobrir o princípio de uma relação clara, para justificar e purificar os outros conhecimentos filosóficos, intuitivos e espirituais, e aceitando a sua interdependência. O respeito pelos diferentes níveis evolutivos é o novo despertar.

A Religião, a Filosofia, a Arte, a Ciência, a Economia, a Política e a História são formas de atividades humanas, que levam em consideração a variedade, a possibilidade, e a complexidade para se construírem. O poder ecumênico da mente e do coração capacita o homem, através de sua misteriosa grandeza, a renovar continuamente a sua existência. As leis da vida têm a sua origem além das simples manifestações físicas, e nos obrigam a considerar a sua fonte espiritual.

O acesso ao conhecimento é um meio de libertar os seres humanos do poder destrutivo do não-ser, indicando direções para o importante objetivo de reabilitação da vontade e do renascimento da fé e da confiança em si mesmo, e também em outras pessoas. Pensadores modernos esforçam-se por mostrar que o clamor por padrões, sistemas e autoridades está ficando menos insistente, à medida que o desejo da recuperação de uma dignidade, integridade e auto-realização, que são os direitos inalienáveis do homem, se expressem.

Somente numa sociedade, onde exista a consciência dos problemas culturais e sociais, é a maneira como suas descobertas podem originar grandes ondas de mudança na mente humana, aprofundando o sentido de comunidade universal. A variedade de experiências históricas, as diferenças de tradições, culturas, línguas e das artes já são protegidas e conservadas. Precisamos de coragem para debater e polemizar o que sempre deu errado, para reconhecermos as virtudes, que já são admitidas em pequenos grupos.

A compreensão das questões humanísticas é um requisito importantíssimo, para se debater caminhos rumo a soluções construtivas. Avaliar os valores da pirâmide de Maslow
é um ponto importante para um início de mudança, pois ela revitaliza a auto-estima das culturas abatidas.É decisivo resgatar os valores – amor – paz – fraternidade e DEUS para fazer a nossa história pessoal e social significativa.

“Não existe nada tão comovente – nem mesmo atos de amor ou ódio – como a descoberta de que não se está sozinho”. (Robert Ardrey) Vivemos sempre em contato com outras pessoas, às vezes de maneira compatível, em outras nem tanto, mas sempre com outros. Nem sempre temos noção de que caminhamos juntos, mas quando somos levados a entender isso, logo sentimos o conforto de não estarmos sozinhos numa viagem longa e penosa.

Pertencemos a muito mais do que nossa família, círculo de amigos ou vizinhança. O concerto do qual participamos é muito maior do que podemos imaginar e cada um precisa contribuir com seu acorde para a melodia ficar completa.

O todo da cultura depende da parte de cada um. Nós existimos interdependentemente,
jamais sozinhos. Somos unos com todos e esta unicidade é eterna.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A ESCADA ORVALHADA

Regina Diniz

Momentos para existir...
Lembro-me de mim mesma...
Percebo-me no universo todo...
Sinto a sua presença...

Estou um pouco abaixo do topo da montanha,
Desfrutando os sons da natureza, aprendendo com a imaginação,
Embalando-me na busca consciente de mim mesma...
Era assim que o meu amigo Carlos afirmava:
“O homem tem que descobrir, quem realmente ele é,
Senão não vale a pena viver”...
Passa um córrego serpenteando ao lado da montanha,
Sussurrando alegre em direção ao mar,
Repouso mansamente o coração agitado
Da violência do grande centro urbano.
O meu espírito recebe este aquecimento afetivo,
E percebo-me com o ego nutrido,
E redobro a minha auto-estima,
Que me dá condições de respeitar-me
E tratar prestigiosamente os outros seres humanos,
E sentir-me bem em sua companhia...
Comportar-me eticamente para que ele
Também sinta essas emoções...
E sinta confiança e apoio,
Aumentando a minha tranqüilidade e a dele...

Vida, vigor, energia...
Sinto-os na consciência...
Sinto-os unidos a mim...
Renovo-me diante da vida...

Há na montanha uma cascata,
Que na descida multiplica-se em alegres
E cantantes quedas d’água.
As folhagens formam uma escada orvalhada,
Que através dos raios solares refletem incontáveis nuances de verde.
Aspiro o ar úmido e perfumado,
Que gratifica inconscientemente o meu ego,
De tal maneira que percebo o poder da alegria,
Renascer dentro do meu inconsciente...
Parece que existe uma parte psicológica
Mais sábia do que a minha mente consciente
Estas percepções acontecem comigo,
Quando me reconcilio e luto a favor
Da minha parte positiva,
Que é difícil de fazê-la fluir...
Adoro exercitar emoções estéticas.
É fantástico descobrir jeitos de alegrar-se, crescendo como pessoa,
Tornar-se mais compreensível para si mesmo,
E para emanar estas qualidades de percepções,
É preciso buscar incessantemente...

Procuro a aceitabilidade
Que a minha consciência exige.
Procuro acender a lâmpada
Da lucidez espiritual...

A cascata ao terminar forma um pequeno lago,
Represado por pequenas pedras redondas.
A água parece um vidro refletindo luz...
E as borboletas pousam aqui e ali,
Cintilando tudo de alegre colorido,
E só ouço o som acariciante da água.
Sou atraída a sentar na margem,
Mergulhando os meus incansáveis pés nômades,
Que são envolvidos por frescor agradabilíssimo...
Gostaria de vir outras vezes aqui...
Para cristalizar definitivamente no meu eu,
O monólogo interior saudável.
Agora, soou o canto de um pássaro,
Parecido com um silvo de policial.
Incrível, até neste paraíso isolado,
Ele quer acusar veementemente,
A extrema violência dos meus tempos...
Graças a Deus que parou...
E as cigarras com seu concerto inebriante
Inundaram novamente o lugar com a música
Do impulso nutridor das expectativas inimagináveis.
Preocupo-me em escolher bons valores,
Para administrar com maestria a minha caminhada.
Não quero passar toda a minha existência
Como uma sonâmbula perdida na encruzilhada.
Com o olhar apreciando este lugar,
Vejo que consegui avançar significativamente,
Pelo fato de ter concretizado o meu desejo
De vir sozinha, no meu ritmo, sem guarda-costa...
Estou admirada de ter conseguido vencer o medo da solidão,
Que muito me atrapalha na superação dos desafios da vida.
E é de vital importância para a minha sobrevivência emocional
Achar esta via de conceito próprio,
Porque com mais segurança
Serei mais calma e mais feliz,
E mais próspera espiritualmente, mais pacífica...

A vida quer orientar-me...
Dirijo o leme das decisões...
Preciso descobrir os caminhos...
Abro-me às experiências espirituais...

Olhando um pouco para o céu...
Gostaria de mergulhar nas possibilidades das aventuras construtivas.
Acredito profundamente na via dos objetivos puros,
Receio os largos desvios...
Receio a auto-sabotagem...
Não vejo nada da sagrada auto-realização,
Existe um vácuo...
É muito difícil prosseguir sem a auto-realização...
É preciso refazer tudo...
Só olhando para o céu...
Alcançarei a tranqüilidade interior.
É preciso esforço para pensar com qualidade...
É preciso esforço para progredir na auto-investigação...
É preciso esforço espiritual profundo...
Só é válido o julgamento que nós fazemos de nós mesmos...
A conquista da felicidade só é duradoura,
Quando os seus alicerces são éticos...
O que eu penso de mim é o meu destino.
O maior desafio é administrar a vida...
O maior desafio é atender às suas exigências...
O maior desafio é fluir a lucidez redentora...
É necessário sabedoria para interpretar a realidade...
É necessário sabedoria para ter segurança emocional...
É preciso não desistir jamais...
Desejo ser ajudada pelas forças da luz...
Junto com a qualidade das minhas escolhas...
Deus ajudar-me-á a purificar as minhas intenções...

Amo o infinito...
Amo a natureza...
Recebo a energia vital...
Entro no fluxo da vida...

Após a cascata o pequeno lago,
E depois o som delicado da água despencando montanha abaixo...
Gratifica-me renovar a minha intuição,
Já gasta no enfrentamento intenso num cotidiano complexo...
Com os obstáculos naturais da luta pelo grande ser,
Sinto a minha atenção renovada,
E consigo detectar um silêncio sutil em minha personalidade...
Por que será que o meu tempo usa poderosas estratégias
Para nublar a minha mente?
Que luta com dificuldades de percepção...
Foi só retirar-me do mundo organizado pelo homem,
E penetrar no mundo da grande paz de Deus,
Que me vejo em estado de clarividência,
Que me vejo em estado de clara audiência,
E a minha força interior aumentou...
Diariamente sou bombardeada por milhares de estímulos,
E perco o próprio foco mental,
E agora aqui com os pés balançando,
No pequeno lago rodeado de flores coloridas...
Descubro a minha necessidade de silêncio interior,
Para permitir-me caminhar com percepção criativa,
No meu sagrado momento presente,
Fonte de todas as minhas motivações,
Porque rompi definitivamente com a retrospecção,
Foi uma grande vitória minha...
Custou-me décadas...
Mas consegui entender os mistérios terríveis dos envolvimentos destrutivos.
Passou... Passou... Passou...
Caminho devagar, mas sempre à frente,
Investindo na magnetização do meu eu esfolado,
Mas ainda de pé, lutando por mais avanço pessoal,
Descansando criativamente um pouco mais...
Para livrar-me da cegueira espiritual dos meus tempos...
E com esforço sofisticar a minha consciência maior...

Aprendo a conhecer o meu eu profundo...
Que se equilibra na natureza...
E me diz: - Estás certa...
Consolo-me e sigo lembrando-me de Deus...

Gostaria de passar a vida toda,
Admirando a beleza silenciosa da montanha
Com os seus pássaros de canto exótico,
E suas cascatas quebrando-se nas pedras,
E assim mesmo tocando o som que curam as emoções.
Folhagens raras exalando o perfume que rejuvenesce a alma,
Estou satisfeita comigo mesma em buscar horizontes novos,
Sinto que avanço no meu caminho,
Quando tento construir novas possibilidades de introspecção.
Graças a Deus que forças maiores permitiram,
E dispensaram-me da contribuição na transformação realizadora material...
Progrido em temas espirituais profundos,
Do que os da aparência física temporária.
O grande desafio é interpretar perfeitamente
A essência fundamental do homem,
Que é o investimento na alma imortal e ilimitada,
Então não só me concentro na vida física transitória.
Enriquece-me ver o mundo sob outro ângulo,
Porque não só fico envolvida comigo e com os outros,
E então consigo abrir um espaço com Deus.
Compreendo com limitações, que os meus objetivos
De consciência plena seria de unir-me com o todo,
Porque o que está aqui com vida,
Merece totalmente o meu apoio...
Sem preconceitos e defesas, mas com pureza de interpretação...
A escola planetária é complexa...
Uma das chaves talvez seja a amplitude de consciência,
Pois tudo que existe aqui tem um nobre objetivo,
Que deve ser visto e interpretado a luz do humanismo...
E a minha realização é observar estes maravilhosos fenômenos...
Levanto-me e fico contemplando afetivamente
O lago da grande paz interior,
Que melhorou o nível das minhas percepções...
Olho para ele com indizível gratidão,
Ele que com o seu silêncio nutridor,
Comunica-me que houve troca afetiva.
O nosso planeta está rodeado de vida,
É só permitir-se elevar a alma
E todo o desespero desaparece,
É só não trair os desejos da alma eterna.


Torno-me mais solidária...
Dou um salto...
Em valores divinos...
Entro no plano de Deus...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

VISÃO ABERTA DO MUNDO

REGINA DINIZ

É indispensável centrar o nosso pensamento, permanentemente nos valores humanos autênticos. A reflexão profunda do pensador Abraham Maslow no seu livro”Motivation and Personality”, aborda em sua famosa pirâmide de crescimento pessoal as necessidades satisfeitas, como condição indispensável ao equilíbrio emocional. A cultura ideal é aquela que satisfaça os valores de liberdade, justiça, ordem e desafios (estimulação de impulsos construtivos).

No primeiro degrau da pirâmide como necessidade básica de vida de ordem fisiológica são citadas: ar - água - privacidade – repouso – sexo, junto com segurança e proteção pessoal. Este é considerado o caminho para se converterem em adultos equilibrados no sentido psicológico. Vê-se que os indivíduos que satisfazem suas próprias urgências vitais são mais sadios, felizes e eficientes. Os indivíduos frustrados em suas necessidades básicas desenvolvem sintomas psicopatológicos.

Em sua pirâmide, Maslow aborda a necessidade de desenvolvimento, no qual identificamos como valores de ser as metanecessidades. Em segundo lugar está o amor fraterno. Em terceiro lugar está a auto-estima definida como o desejo de ser considerado pelos demais indivíduos.

Até o topo da pirâmide são aglomeradas onze metanecessidades
para alcançarmos a auto-realização, que expressa os seguintes valores: significação – auto-suficiência – simplicidade – ordem – justiça – perfeição – individualidade – vitalidade – beleza – bondade - verdade. A pirâmide de Maslow é a bússola nas entrevistas para seleção de trabalho. Especialistas em comportamento a usam como porta de entrada e também para avaliação permanente de desempenho funcional.

A pensadora Karen Horney em seu livro: “ Conheça-se a si mesmo”(1984 – Editora Difel – Difusão Editorial) afirma que as propostas que intensificam o amor, a impetuosidade construtiva e a criatividade, reduz o temor e a hostilidade. Estes valores citados são congênitos no ser humano. As necessidades básicas atendidas constituem um forte nascedouro de personalidades sadias.

No século XX, intencionalmente esses valores humanos autênticos, foram anulados ou deformados pela irrupção de síndromes patológicas individuais ou sociais. A civilização tecnológica – a era da multiplicação do poder criador humano pela máquina – merece um contraponto no sentido de clamar pela restauração da dignidade do homem relegada e posta a margem da vida, com o advento avassalador do predomínio cibernético.

A nossa realidade demonstra a necessidade vital da humanização da tecnologia, ou seja, uma tecnologia que sirva à humanidade toda e não sirva apenas para aumentar a riqueza e o poder das nações ricas e poderosas. O cerne dessa urgente humanização é a criação concreta de um novo humanismo, fundado limpidamente na força da esperança de evoluir como pessoa, e que se alimente e se sustente de transformações reclamadas pelas gerações, que agora buscam se confirmar no plano social, econômico e individual.

A construção desse humanismo é a grande tarefa do nosso tempo. As provas da mecanização do homem se multiplicam monotonamente na vida das relações sociais, afetivas, econômicas, psicológicas e políticas.

É uma urgente questão de sobrevivência emocional e espiritual, o renascimento deste novo homem, atuante centro de uma civilização tecnológica, que já se lançou à saturação total. Agora são necessárias idéias para a nossa plena realização humana, superior às exigências que conduzem ao predomínio estéril das coisas...

O ideal seria fazer clarificações históricas. Não é possível admitir o consumo de ostentação em culturas pobres. É uma poderosa manipulação dos países mais ricos, da qual devemos nos libertar. É sempre a mesma regra do jogo. Em descobertas históricas, sabemos que 10 mil anos antes de Cristo, no vale dos reis no Egito, muitos reis e suas famílias dominavam exércitos de até 5.000 guerreiros para se apossarem indevidamente do ouro de outros grupos humanos. Levavam para seus túmulos, acreditando que iriam usá-lo no mundo espiritual...

Para entender este lindo planeta é preciso praticar uma visão aberta do mundo. É necessário elaborar uma compreensão profunda de nossas raízes, desde milênios atrás até o nosso presente momento histórico, nos exigindo uma competente leitura do contexto.

Uma choupana com alimentos, vestuário, junto com a consciência de um trabalho honesto, é um hotel cinco estrelas. A constante prática reflexiva é o maior tesouro do ser humano. Consumo consciente é o único caminho para não sermos dominados e manipulados. A preocupação com idéias construtivas é o que o mundo precisa e não só de máquinas virtuais...




quinta-feira, 8 de julho de 2010

AS PEDRAS DO CAMINHO

Regina Diniz

Prossigo, pulando por entre as pedras do caminho.
A minha personalidade explode em exclamações de fúria...
É a compulsão que desesperada exige:
Um tempo de equilíbrio saudável a mim mesma...

É o nobre convite divino para reavivar promessas de renovação...
Pelo sereno espreguiçar das ondas harmonizarei as minhas emoções...

Não me canso jamais de formular hipóteses.
Grito de raiva para acordar desta monotonia corrosiva.
Sofro para após extasiar-me com as minhas discordâncias.
Meu tempo de qualidade é ficar só com meus pensamentos...

É bom nutrir-me de abençoadas consolações...
Pelo sereno espreguiçar das ondas elevar-me-ei aos cimos resplandecentes,
Da eterna ressurreição...

Procuro soluções...
A liberdade criativa não me dá um momento de paz,
Dúvidas surgem exigindo-me uma via de esperança...
Morreria sem a brisa das expectativas germinantes...

Este é o caminho da jornada redentora...
Pelo sereno espreguiçar das ondas habilitar-me-ei a luz do caminho eterno...

Estimulo a minha energia psíquica.
Abate-me o medo de não apreciar o baile contraditório.
Angustia-me pensar sempre os mesmos fatos.
Nutro a qualidade de concentração em recolhimento perpétuo...

É preciso lutar para ser um humilde tarefeiro da luz e do bem...
Pelo sereno espreguiçar das ondas, refugiar-me-ei nos conhecimentos superiores...

Interesso-me por problemas fundamentais da alma.
Arranco do meu cotidiano as distrações vindas do exterior.
O vulcão interior arremessa-me por ares desconhecidos...
Ativo em vigília a minha independência de julgamento...

O panorama dos cimos pede ascensão espiritual...
Pelo sereno espreguiçar das ondas vibrarei a nobreza dos sentimentos...

Inconformada desejo algo novo...
Peço a Deus que santifique a minha inconformidade.
Adoro esta vida infatigável, incansável, infinita,
Pareço realmente desgraçada, mas sou muito feliz...

O aperfeiçoamento espiritual exige esforço...
Pelo sereno espreguiçar das ondas enriquecerei a consciência eterna...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A AUSÊNCIA DA REFLEXÃO NA VIDA


Regina Diniz

“A sociedade global além de possuir mais de 40 mil línguas, e uma variedade impressionante de culturas traz a marca de vertiginosos abismos sociais. Ape
sar da chamada “globalização”dos mercados, três quartos do volume do comércio mundial concentram-se na tríade: Continente Norte-Americano, União Européia e
Sudeste Asiático.”(THOMAS KESSELRING – Livro: - A Ética Política e Desenvolvimento Humano, Justiça na Era da Globalização – Educs, 389 páginas).

“Os 20% mais privilegiados da população mundial detêm 80% da renda do produto social global, o que é 50 vezes maior do que a participação dos 20 % mais pobres que não detêm mais do que 1.5%. Quase a metade da população mundial, ou seja, 2,9 bilhões, encontra-se excluída do mercado globalizado, vivendo com, no máximo, US$ 2 por dia. Um bilhão vive em condições de pobreza extrema, com menos de US$ 1 por dia.” ( THOMAS KESSELRING –
Livro: - A Ética Política e Desenvolvimento Humano, Justiça na Era da Globalização – Educs, 389 páginas). A ordem econômica e política da sociedade global está enormemente distorcida: Em linguagem da Ética,
é profundamente injusta. Por que tantos esforços, durante mais de meio século de políticas desenvolvimentistas, se não conseguiram acabar ou minimizar com o problema da miséria?...

“Em alguns países do sul do Saara, a expectativa de vida caiu para menos de 40 anos, o que é a metade da européia. Todo o dia morre aproximadamente 20 mil pessoas por razões evitáveis, como doenças curáveis causadas por desnutrição e falta de higiene. Como se poderia evitar que o crescimento econômico eleve ainda mais os preços da alimentação básica, aumentando o número de famintos?” ( THOMAS KESSELRING – Livro: A Ética Política e Desenvolvimento Humano, Justiça na Era da Globalização – Educs, 389 páginas.) Para poder avançar na solução de desafios tão complexos como o de tornar menos injusta a ordem econômica e mundial é preciso elaborar teorias não ideológicas, diferenciadas e adequadas às situações particulares de cada sociedade.

No século XX por causa das guerras que explodiram no mundo (1ª guerra, 2ª guerra, Alemanha, Inglaterra, Rússia, China e outras) destruíram-se economicamente. Por causa dos custos bélicos extremamente altos ficaram mais pobres...

Com o objetivo de estancar o rombo da inadimplência, implementaram em todo o mundo a cultura consumista. Com se vê foi um fracasso total, ruíram as oito economias mais fortes – o famoso G8. A quebradeira começou em 2008. Agora em 2010 caiu a Grécia que viu sua divida explodir e foi obrigada a recorrer à ajuda do FMI e de outros países do bloco.

Na comunicação oficial que marcou o fim do encontro no dia 27/062010 p.p., em Toronto, os dirigentes do G20 reiteraram que sua maior prioridade é salvaguardar e fortalecer a recuperação da economia mundial (crise 2008 – 2009). Os países mais ricos aglutinados no G-8 – se comprometeram a estabilizar ou reduzir a relação entre o déficit público e PIB (a soma das riquezas de um país) até 2016. Se isto realmente acontecer a Sociedade Consumista voltará triunfante a manipular as culturas que de novo se endividarão. Não caiu a ficha dos mentores do consumismo ou melhor expressando, os grandes incentivadores do consumo de ostentação. O crescimento econômico está estagnado há tempo. A recuperação é desigual e frágil. O desemprego, em muitos países, permanece a níveis inaceitáveis e as conseqüências da crise são profundas.

Uma nova moral nasceu: investimento forçado (sedução da publicidade, fuga para a frente, consumo acelerado, inflação crônica) torna-se absurdo economizar. Todo o sistema resulta disto, em que se compra primeiro para em seguida se resgatar o compromisso por meio do trabalho. O consumidor moderno assume espontaneamente esta obrigação sem fim... Comprar para que a sociedade continue a produzir a fim de se poder pagar aquilo que foi comprado.

Os slogans americanos exprimem isto muito bem: - Comprar é continuar a trabalhar. – Comprar é ter o porvir assegurado. – Uma compra hoje é um desempregado a menos. Talvez você. O ilusionismo proposto pela Cultura Consumista é psicótico.

A única lógica da sociedade de consumo é sobreviver e nesse sentido, a respectiva estratégia é manter a sociedade humana sobre suporte em falso e em perpétuo déficit. As guerras do século XX dilapidaram violentamente o patrimônio do planeta. Não se deram conta ainda de que a hegemonia (imperialismo) no mundo é insustentável. É absurdamente caro. Com que finalidade subjugar os povos pelas armas em pleno século XXI?...

O imperialismo é a forma pura de tirania. Guerras e guerras – Iraque, Afeganistão etc... Os EUA já soma uma dívida de um trilhão de dólares. Quem e como será paga esta dívida?... Os americanos se afastaram demais da reflexão da vida...

80% de pessoas extremamente pobres, passando fome em nosso planeta tão bonito. Sou convicta do crescimento da alma pelo caminho que Jesus traçou:
“Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Apresentar-se aos outros pela via materialista é um grande erro, pois deixaremos tudo, só levaremos as nossas ações de bondade ao próximo.