quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O SENTIDO DA PROXIMIDADE HUMANA

REGINA DINIZ

“A tomada de consciência de uma vulnerabilidade de massa, que torna cada vez mais fictícia a propensão a reduzir a questão social ao tratamento de dois grupos extremos: os indigentes incapazes de trabalhar, que são assistidos, e os vagabundos, que são reprimidos. De outro lado, uma transformação da concepção do trabalho, que não é mais só um dever que responde a exigências religiosas, morais ou mesmo econômicas. O trabalho torna-se a fonte de toda a riqueza, e, para ser socialmente útil, deve ser repensado e reorganizado a partir dos princípios da nova economia política”.( autor: Robert Castel – livro: As Metamorfoses da Questão Social – Ed. Vozes – 2012).

Uma parcela da população acredita que a condição de miséria de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo é causada pela preguiça, falta de interesse pelo trabalho, acomodados  à espera de programas sociais oferecidos pelo governo, acham que só não trabalha quem não quer, mas isso não é verdade. Segundo os órgãos internacionais existem hoje, aproximadamente, 850 milhões de pessoas desempregadas, algumas profissões foram superadas, outras completamente extintas, o crescimento constante de tecnologias provoca alterações no mercado de trabalho em todo o mundo. Tantas tecnologias e avanços não trazem benefícios a todos, a robotização e a constante evolução colocam em risco milhões de postos de trabalho, provocando uma exclusão gigantesca.

Várias são as conseqüências negativas do estágio tecnológico, que a atual sociedade presencia e certamente o desemprego é um dos piores, se continuar retirando postos de trabalho o mundo poderá entrar em colapso. Em países desenvolvidos já são visíveis os problemas decorrentes do desemprego, como o aumento da criminalidade. As autoridades ainda não propuseram soluções que aliem tecnologia e empregabilidade já que as pessoas sobrevivem da renda de seu trabalho. A solução momentânea é a requalificação profissional, quem perde o seu emprego deve passar por treinamentos e reciclagens. Só assim poderão encontrar uma outra atividade e assumir uma nova vaga no concorrido mercado do trabalho moderno.

“Direita e esquerda propõe dois conjuntos de reflexões.  A afirmação central é que a distinção entre esquerda e direita continua viva e saudável, pois está baseada em duas visões fundamentalmente  diferentes de igualdade, que separam de forma permanente a esquerda e a direita. Na caracterização, a esquerda vê a desigualdade natural entre os seres humanos como menor que sua igualdade, a maior parte das formas de desigualdade como sendo socialmente alterável, que poucas  - se é que alguma – são positivamente funcionais e que demonstrarão cada vez mais sua própria efemeridade histórica. A direita está comprometida com a visão de uma desigualdade natural entre seres humanos maior que sua igualdade, com a idéia de que poucas formas de desigualdade são alteráveis, que a maioria delas é socialmente funcional e que sua evolução não pode ser direcionada”. ( Autor: Perry Anderson – Livro: Espectro – Ed. Boitempo – 2012).

É possível acreditar que os seres humanos são mais iguais que desiguais e que, apesar disso muitas desigualdades sociais podem e devem ser eliminadas. A esquerda na história humana é incentivada por um sentido mais duradouro do movimento na direção da igualdade. No âmbito da política o conceito de igualdade descreve a ausência de diferenças de direitos e deveres entre os membros de uma sociedade. Para Anderson, o marxismo é a forma de explicação que permite a revisão dos valores sociais básicos como a defesa da igualdade, da democracia e de uma sociedade livre sem desigualdades: nenhum movimento político realizou exatamente aquilo que se propõe levar a cabo e nenhuma teoria social prevê jamais o que irá justamente ocorrer.

Atualmente, fala-se na terceira reinvenção da democracia, que surge como um movimento reforçado pelos apelos dramáticos da juventude. Acontece uma forte pressão para a democracia se reformar numa direção mais humana. Pesquisas confirmam que democracias não guerreiam entre si. Com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) as nações tornaram-se economicamente interdependentes. O Estado de bem-estar social pacificou os antagonismos de classe. ONGS e cúpulas internacionais sobre população e meio ambiente mostram que uma esfera pública mundial está se reformando.   

“Todos nós, em maior ou menor grau, entendemos o mundo em que habitamos como cheio de riscos, incerto e inseguro. Nossa posição social, nossos empregos, o valor de mercado de nossas habilidades, nossas parcerias, vizinhanças e redes de amigos em que podemos nos apoiar, são todas instáveis e vulneráveis, portos inseguros para ancorar nossa confiança. Na verdade, a vida está repleta de ansiedade e medos, e poucas pessoas diriam  que não mudariam nada nela se tivessem chance. Nossa sociedade de risco enfrenta uma tarefa assustadora, quando se trata de conciliar seus membros com os riscos e pavores da vida cotidiana. É essa tarefa que os pobres apresentados como uma subclasse de proscritos, tornam um pouco mais fácil.  Se seu tipo de vida é a única alternativa para “permanecer no jogo”, então os riscos e os horrores de um mundo flexível e com uma incerteza perpétua parecem um pouco repulsivos e insuportáveis, isto é, eles se sentem melhor do que em qualquer outra opção possível”. (Autor:Zygmunt Bauman – Livro: A Sociedade Individualizada – Ed.Zahar – 2008).
 “O encarceramento no Brasil está funcionando a todo vapor. O nosso país  como solução fecha escolas e inaugura novos presídios. Segundo os levantamentos realizados pelo Instituto Avante Brasil, em apenas 6 meses (dez | 2011) – jun \ 2012), a população carcerária cresceu 6,8%, crescimento assombrosamente expressivo. O crescimento no Brasil na última década (2003 – 2012) aumentou para 78% no montante de encarcerados do país. O número de presos explodiu e gera superlotação. O Brasil está em quarto lugar no mundo com o total de 549.577 com a taxa de ocupação de 184 %.
A Ética no período da modernidade foi alijada das relações humanas, das questões do convívio humano pela ciência positivista, pela racionalidade técnicas e científicas, utilitaristas e promotoras do poder e do poder do dinheiro, da produção. Reféns do mundo sistêmico, do poder e do dinheiro, o desenvolvimento econômico e tecnológico tem beneficiado um pequeno número de pessoas no mundo, em detrimento de condições mínimas de vida, sendo uma máquina de exclusão social. As tragédias decorrentes da ganância, e da incompetência social e de corrupções estruturais e pessoais, continuam ceifando vidas e impedindo dignidade e educação para a maioria da população mundial. É urgente a redistribuição dos Bens Educacionais e dos Bens Culturais. Precisamos aprender a socializar as recompensas.         

 “Aquele que chega ao encontro é absolutamente outro – é outrem – em relação a mim, em relação a nós, em relação a mim, em relação a nós, em relação a qualquer conhecimento e, até, em relação a si mesmo, pois há nele uma verdade no ato do encontro, a que ele próprio assiste. Nesta medida, o outro da relação face a face é também uma revelação para si próprio. Mas será esse encontro inevitável ainda que seja a única maneira de o poder conhecer? Na verdade, não é. O encontro face a face é uma decisão minha, não é um acidente, não acontece por acaso, apenas se eu o desejar e se decidir fazê-lo. Sem desejo e decisão éticas, nunca nos encontraremos  com ninguém no sentido da proximidade ética, ainda que possamos viver fisicamente muito próximos de outras pessoas e nos relacionemos todos os dias com muita gente”. (Autor: Emmanuel Lévinas – Livro: Totalidade e Infinito – Edições 70. Ltda. – Lisboa – Portugal -  2010).

A primeira questão da ética de Lévinas é desvendar que desejo é este que nos faz iniciar um movimento em direção ao outro. Diz o autor que: “O outro metafisicamente desejado não é o “outro” como o pão que como, como o país que habito, como a paisagem que contemplo, como, por exemplo, eu para mim próprio, este “eu” esse outro”. Dessas realidades, posso nutrir-me, e, em grande descoberta, satisfazer-me, como simplesmente me tivessem faltado. Surge a alteridade que é a compreensão do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos.


Para que haja respeito entre todos é necessário que em todos haja um muito de alteridade. Pensando profundamente a sua alteridade que é a capacidade de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, relação com grupos, família, trabalho, lazer é a relação que temos com os outros, com consideração, identificação e diálogo. Para nos relacionarmos com outras pessoas ou grupos é preciso conhecer a diferença, compreender a diferença e aprender com a diferença, respeitando o indivíduo como ser humano psicossocial.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O PLANO DIVINO

REGINA  DINIZ

 Sou abençoada por Deus...
Vivo no meu planeta azul que é muito lindo...

O melhor presente que posso desejar...
É receber a inspiração celeste...
Sinto-me mais viva e mais feliz...
Sinto-me mais alegre e vibrante...

Tenho um Deus para orar para sempre...
Ele está dentro do meu coração...

Sou motivada pela evolução da minha alma...
A mente é luminosa, ela cria o que quer...
Quando existe um propósito de vida a pessoa cresce...
São as sementes vivas da sabedoria espiritual...

Agradeço a Deus a generosidade pela destinação...
Aprendo pouco a pouco ser mais humana...

Eu sou uma andarilha espiritual...
Administro o meu crescimento interior...
Eu sou o que sou...
Porque Deus está em mim...

Percebo o poder divino em tudo ao meu redor...
O meu coração se comunica com o universo...

Ouço a canção das águas do riacho...
Não posso parar de cantar...
Não posso parar de pensar na evolução da alma...
O mundo não pode parar de florir...

Quero me unir à esfera da luz divina..
Aproximo-me mais de Deus...

Sei que tenho uma razão para estar aqui...
Seu que tenho de deixar um legado positivo...
Sei que devo acertar as contas com a vida...
Tudo na vida tem o seu tempo...

Aprendo a harmonizar e a estabilizar...
O equilíbrio saudável do viver com qualidade emocional...

Renasço do confronto com os meus limites...
A imaginação otimista é o alimento essencial à alma...
Descubro novas formas de encantamento...
Deus tem um plano para cada um de nós...

A busca da paz me consola...

Deus obrigada pelo dia de hoje...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A REDISTRIBUIÇÃO QUANTO AO RECONHECIMENTO HUMANO

REGINA DINIZ
  
“Ser e permanecer diferente é um valor em si mesmo, uma qualidade digna de ser preservada a qualquer custo, mesmo com luta, um clarim  é tocado para o alistamento, a formação e a ordem-unida. Antes, porém, diferença adequada ao reconhecimento sob a rubrica dos  “Direitos Humanos” precisa ser encontrada ou construída. É graças à combinação de todas essas razões que o princípio dos “direitos humanos” age como um catalisador que estimula a produção e perpetuação da diferença, e os esforços para construir uma comunidade em torno dela. É correto protestar contra a indiscriminada separação da política cultural da diferença em relação à política social da igualdade e ao insistir  em que a justiça hoje requer também a redistribuição quanto ao reconhecimento. Não é justo que alguns indivíduos ou grupos vejam negado seu status de plenos parceiros na interação social simplesmente em conseqüência de padrões institucionalizados de valor cultural cuja construção não participaram com igualdade e que menosprezaram suas características distintivas ou as características distintivas a ele atribuídas”.( Autora: Nancy Fraser – Livro: “Social Justice in the age of  identity politics: redistribution, and participation”, in Detlev  Claussen e Michael Werz (orgs) Kristische Theorie der gegenwart (Hanover: Institur für Soziologie and der Universitat hannov_ ).

Atualmente muito se debate sobre a reivindicação do reconhecimento humano. Colocar a questão do reconhecimento no quadro da justiça social atenua a separação física ou social, diminui a quebra da comunicação e hostilidades perpétuas por demandas de reconhecimento social. Estas mediações por redistribuições feitas em nome da igualdade são formas de integração, enquanto, que as desmandas por reconhecimento em termos de distinção cultural promovem a divisão, a separação, o ódio e a interrupção do diálogo, citando Fraser “ A Justiça Social significa que todos tenham Direitos Iguais à estima social”.

Todos os seres humanos têm o direito de procura pela estima pessoal, em condições de igualdade. A auto-afirmação e a auto-realização, as guerras pelo reconhecimento descarregam o seu potencial combativo em genocídios. Quando a justiça social, as reivindicações ao reconhecimento e a política de esforços de reconhecimento se tornam fortes e férteis para a aceitação mútua e diálogo significativo surge o nascimento da “Comunidade Ética”.

“Emile Durkheim e os republicanos do fim do século XIX chamaram de solidariedade esse vínculo problemático que assegura a complementaridade dos componentes de uma sociedade a despeito da complexidade crescente de sua organização. É o fundamento do pacto social. Durkheim reformulava-o nesses termos no momento em que o desenvolvimento da industrialização ameaçava solidariedades mais antigas que ainda deviam muito à reprodução de uma ordem baseada na tradição e no costume. No raiar do século XX, a solidariedade deveria tornar-se um assumir-se voluntário  da sociedade e o o Estado Social, fazer-se seu fiador. Na aurora do século XXI, quando as regulamentações implantadas no contexto da sociedade industrial estão, por sua vez, profundamente abaladas, é o mesmo contrato social que, sem dúvida, deve ser redefinido a novas expensas. Pacto de solidariedade, Pacto de Trabalho, Pacto de Cidadania: pensar as condições da inclusão de todos para que possam comerciar juntos , como se dizia na época do iluminismo, Isto é, ”fazer sociedade””(autor: Robert Castel – Livro: As Metamorfoses da Questão Social – Uma Crônica do Salário – 10ª. Edição – Editora Vozes).

A inclusão social é o maior desafio de nosso país, que por razões históricas que nunca foram devidamente esclarecidas, acumularam gigantesco conjunto de desigualdades sociais, que até hoje não foram elucidadas no tocante à distribuição da riqueza, do acesso aos bens materiais e culturais e na apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos. Não podemos esconder de nós mesmos, e do mundo todo a favelização que cada vez mais aumenta sem o mínimo de acesso à redistribuição dos bens educacionais e culturais. O maior desempenho social é estabelecer condições para que todos os habitantes do país possam viver com adequada qualidade de vida e como cidadãos plenos de ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. Um país rico como o nosso não justifica a riqueza de poucos (20%) e extrema pobreza de muitos (80%).

O gesto de solidariedade expressa o desapego às coisas materiais, contribui para formar o indivíduo para uma vida mais simples, prepara-o para a partilha. Ensina-se pela generosidade o amor ao outro pelo exemplo da generosidade. Percebemos que ao ajudar o outro, também nos ajudamos e nos sentimos úteis e necessários aos seres humanos e ao mundo. A solidariedade e a generosidade são valores positivos, mais não pode ser uns valores isolados, individuais. Somando-se com outros valores seu sentido social cresce e contribui para a formação de uma sociedade dentro de padrões humanizados e respeitáveis, elevados para todos os seres humanos.
      
“As melhorias econômicas já não anunciam o fim do desemprego. Atualmente “racionalizar” significa cortar e não criar empregos, e o progresso tecnológico e administrativo é avaliado pelo “emagrecimento” da força de trabalho, fechamento de divisões e redução de funcionários. Empregos vitalícios já não existem. Na verdade, empregos como tais, da maneira como outrora os compreendíamos , já não existem. Sem estes, há pouco espaço para a vida vivida como um projeto, para planejamento de longo prazo e esperanças de longo alcance. Seja grato pelo pão que come  hoje, e não cogite demasiado do futuro... O símbolo da sabedoria já não é a conta da poupança. Atualmente, pelo menos para os que podem se dar ao luxo de ser sábios, passou a ser os cartões de crédito e uma carteira cheia deles”.(Texto da Conferência Willlem Bonger proferida na Universidade de Amsterdam em maio de 1995).

Há 30 anos atrás os países adiantados culturalmente investiam no estado de bem-estar social, a fim de reabilitar os temporariamente inaptos, e motivar as pessoas aptas a se empenharem mais, protegendo-as do medo de perder a aptidão. A Previdência Social era considerada uma rede de segurança, entendendo pela  comunidade sob cada uma de seus membros, fornecendo-lhe a coragem necessária para enfrentar o desafio da vida, para que cada vez mais conservassem os seus empregos. O estado de bem estar, a comunidade assumia a responsabilidade de garantir para que os desempregados tivessem saúde e habilidades suficientes para se reempregar e manter o seu poder aquisitivo.

Mas todos esses avanços sociais regrediram e a Responsabilidade Social pela situação humana foi privatizada e os instrumentos e métodos não foram regulamentados. O auto-engrandecimento tomou o lugar do aperfeiçoamento social patrocinado e a auto-afirmação ocupa o lugar da responsabilidade coletiva pela exclusão de classes. Os padrões da sociedade consumidora prometem alcançar os fins diretamente sem primeiro se aparelharem os meios. O resultado atual foi o surgimento da criminalidade cada vez maior. Nos anos de desregulamentação e desmantelamento dos dispositivos de bem-estar foram também os anos de criminalidade ascendente  de força policial e população carcerária cada vez maiores.    

“Os pobres de hoje (aqueles consumidores irremediavelmente falhos, imunes às adulações do mercado e improváveis contribuintes para a procura ávida de estoques, por mais tentadores que esses estoques possam ser) são evidentemente inúteis para os mercados orientados para o consumidor e, cada vez mais, também para governos de estado, que agem mais e mais como  xerifes locais em nome do comércio e das finanças extraterritoriais. Os pobres de hoje não são mais as “pessoas exploradas” que produzem o produto excedente a ser, posteriormente, transformado em capital; nem são eles o “exército de reserva da mão-de-obra”, que se espera seja reintegrado naquele processo de produção de capital, na próxima melhoria econômica. Economicamente falando (e hoje também governos politicamente eleitos  falam na linguagem da economia), eles são verdadeiramente redundantes, inúteis, disponíveis, e não existe nenhuma “razão racional” para a sua presença contínua... (Autor: Zygmunt Baumann – Livro: O Mal-Estar da Pós-Modernidade. Jorge  Zajar Editor Ltda. – 1997).

A incriminação da pobreza e a brutalização para com os pobres emergiu    como o principal substituto  da sociedade de consumo para o rápido desaparecimento dos dispositivos do estado de bem-estar. A resposta ao problema da pobreza numa época em que os pobres eram a reserva de mão-de-obra, e se fossem preparados para voltar a atuar no processo produtivo, não é mais, sob essas circunstâncias alteradas “economicamente justificáveis” como um luxo que a sociedade de consumo não pode dar. O maior problema dos pobres é remodelado como a questão da lei e da ordem, e os fundos sociais outrora destinados à recuperação das pessoas temporariamente desempregadas, são despejadas na construção e modernização tecnológica das prisões, ou outros equipamentos primitivos e de vigilância. A mudança é mais acentuada nos Estados Unidos, onde a população carcerária triplicou entre 1980 e 1993, alcançando em junho de 1994 o total de 1.012 851. O crescimento médio foi de mais de 65.000 por ano.


É oportuno refletirmos sobre o mundo moral de Levinas que estende-se  entre o eu e o outro. É no interior desse espaço que ele encontra o berço da Ética e todo o alimento de que o eu ético necessita para manter-se vivo: o silencioso desafio do Outro  e a minha dedicada, mas desprendida responsabilidade. É um vasto espaço até onde chega a Ética, reduzindo a uma escala os mais elevados picos da santidade.