REGINA DINIZ
Democracia e guerras culturais. Construir consensos é um ideal,
indissolúvel das democracias. Ao contrário dos regimes de força, que impõem
visões de mundo únicas, democracias contemplam uma pluralidade de modos de
vida, de identidades coletivas e individuais, com seus anseios, suas aspirações
e suas urgências. É apenas na democracia, graças ao debate público ao
esclarecimento e ao convencimento do outro, que variadas identidades formam
arranjos de maiorias e minorias para buscar o acordo, a tolerância. [ Autor;
Fernando Schuler ].
Contudo, o que ocorre quando identidades religiosas, raciais, de gênero
ou de comportamento e cultura tornando-se tão radicalizadas que a sociedade não
encontra mais o consenso. O que acontece quando reinam a intolerância e o
extremismo onde deveriam triunfar os direitos de todos, o respeito mútuo e a
igualdade na diferença. Quando a sociedade envereda por este caminho – o
caminho das guerras culturais-, é a própria democracia que corre riscos. Já faz
meio século que políticas de ações afirmativas e movimentos identitários tem
sido parte essencial da busca por uma sociedade baseada em direitos e
oportunidades para todos. [ Fernando Schuler – Doutor em Filosofia e mestre em
ciências Políticas pela UFRGS. É professor no INSPER e curador do FRONTEIRAS DO
PENSAMENTO.
O problema surge quando um tipo qualquer de identidade produz seus próprios
critérios de superioridade moral e exclusão do outro, inviabilizando os acordos
e consensos mínimos, que garantem a vida e a força das sociedades democráticas
modernas. MARK LILLA, da UNIVERSIDADE DE COLUMBIA, afirma que o progresso
norte-americano anda imerso em um tipo de pânico moral em função de temas de
gênero, raça e identidade sexual. 0 mesmo poderia ser dito sobre diferentes
formas de conservadorismo. As guerras culturais marcam a migração dos temas
éticos para o centro do debate público. FERNANDO SCHULER – Doutor em Filosofia
e mestre em Ciências Políticas pela UFRGS. É professor em Ciencias no Insper e
curados de Fronteiras do Pensamento – 2018.
O sentido e os limites da arte, a natureza do casamento e da família, o
papel da mulher e do homem na sociedade passam a ser matéria de acirrado debate
político, partidário e governamental, não mais se restringindo a esfera dos
indivíduos ou da sociedade civil. Sobre esses temas não haverá acordo em uma
’’grande sociedade plural. O filósofo e neurocientista de Harvard Joshua Greene
fala de uma ‘’tragédia de moralidade do senso comum’’ para tratar do desacordo
nas democracias contemporâneas.
Somos talhados
para viver em ‘’Tribos Morais’’, não em um universo cosmopolita. Uma ética
global ainda está para ser construída. Este é em boa medida, o desafio de nosso
tempo. Agravar esta situação há o papel das mídias sociais. No lugar da grande
agora global , que no final do século passado prometia o aprofundamento do
diálogo entre os diferentes, o que emergiu de fato assemelha-se mais a um tipo
de guerra hobbesiana de todos contra todos impedindo os consensos e minando
instituições democráticas. Explorar esses temas, celebrar a diferença sem
perder a dimensão do diálogo, decifrar os mistérios da guerra cultural e o
atual estado da democracia serão alguns dos desafios do Fronteiras do
Pensamento em 2018.
O conceito de
reprise nos possibilita de ver ainda, a continuidade e a descontinuidade da
história percebendo o seu sentido e o seu
conteúdo. O sentido está na coerência e no conteúdo. O sentido está na
coerência e no conteúdo na violência. É a reprise que torna a categoria
aplicável a realidade e que permite assim realizar concretamente a unidade da
filosofia e da história. Isto é, mostra como uma categoria pode assumir uma
realidade, pode ser elevada em nível de categoria, isto é, de pensamento. Pois
só através de pensamento. Pois só através de pensamentos encarnado na realidade
histórica a qual ele pode expressar.
A passagem de
uma categoria a outra aparece ao logico de filosofia, como uma exigência no
sentido que a nova categoria compreenda e supere a categoria precedente, como os
demais precedentes. Mas esta exigência é puramente formal, na realidade cada
atitude é pura e produz uma categoria pura, isto é, um discurso coerente. O
grande homem é aquele que superou uma atitude e o filósofo aquele que soube que
a atitude foi ultrapassada. Esta afirmação nos faz lembrar certas atitudes,
provindas dos fatos importantes da história, que mais tarde foram elevadas ao
conceito. Além do mais sempre uma nova atitude se faz presente. A história é
que impulsiona o pensador a mudar de categoria.
A lógica da
filosofia tem por tarefa ainda justificar o desenvolvimento dos seus
conceitos, como vimos nas folhas
anteriores. Porém existe um argumento, que mesmo antes de ser justificado parece
ir contra a tarefa da lógica da filosofia a: ‘’Todo discurso coerente é o fim
da história que a ele conduziu. [ WEIL, 1985 , p.83]. Esta conclusão não parece
ir de encontro a tudo que afirmamos antes. Porém admitimos esta hipótese que a
lógica da filosofia seja possível somente no fim da história. Mas que história
que é a sua. Dito de outra forma, ela só é possível a partir do momento onde a
violência é vista na sua pureza e, por conseguinte, a vontade de coerência como
decisão violenta do homem contra a violência natural é compreendida como o
centro do mundo, no qual essa decisão é tomada.
Em suma, seria a passagem violenta da
violência a coerência. Enquanto existir a violência é sinal que a história
ainda não chegou ao seu fim, uma vez que neste sentido os homens recorrer a
ela, e a decisão a coerência pode ser esquecida, recusada, não mais
compreendida como possibilidade concreta do homem. A filosofia, confirma ERIC
WEIL ; ‘’ É eterna porque procura sempre a mesma coisa; a compreensão é
histórica – porque o que importa não é o que ela encontra, mas o caminho pelo
qual ela o encontra, de que parte toma seu ponto de partida ‘’ [WEIL, 1985, p.
84].O caminho que o homem toma para chegar a coerência e sempre o caminho da
liberdade condicionada. Neste sentido todo sistema é verdadeiro e ultrapassado.
Verdadeiro, enquanto uma determinada coerência é atingida nele, não importa a
que momento da história o indivíduo pode se contentar desta coerência, que
decorre de sua elaboração, isto é, assumindo o seu mundo sob uma determinada
categoria. A Filosofia a partir da verdade e da violência e compreendeu que a
verdade é o fim e o início da filosofia. Não se trata mais de compreender como
chegar ao universal ou como entrar na verdade, na presença. Ela já se encontra
na verdade, na medida em que ele quer ser razoável e ele o é.
