quinta-feira, 13 de março de 2014

O COMPORTAMENTO HUMANO ESSENCIALMENTE LIVRE

REGINA  DINIZ


Novos incrementos na renda não aumentam o volume de felicidade. O que essas descobertas indicam é que, ao contrário da promessa vinda lá do alto e das crenças populares, o consumo não é um sinônimo de felicidade nem uma atividade que sempre provoque sua chegada. O consumo visto na esteira hedonista, não é uma máquina patenteada para produzir um volume crescente de felicidade. O contrário parece ser válido: como os relatórios coligidos com muito cuidado pelos pesquisadores deixam implícitos, entrar numa “esteira hedonista” não faz aumentar a soma total da satisfação de seus praticantes.” (Autor:Zygmunt Bauman – Livro: Vida para o  consumo – a transformação das pessoas em mercadoria – Ed. Zahar – 2007 – Rio de Janeiro).

Além de ser um excesso e um desperdício econômico, o consumismo também é, por essa razão, uma economia do engano, atingindo massas culturalmente atrasadas e manipuláveis. Ela aposta na irracionalidade dos consumidores, e não em suas estimativas sóbrias e bem informadas; estimula emoções consumistas e não cultiva a razão. O descarte de sucessivas ofertas de consumo das quais se esperava a satisfação dos desejos estimulados e de outros ainda a serem induzidos deixa atrás de si toneladas crescentes de expectativas frustradas.

A possibilidade de aumentar o mundo com pessoas mais afetuosas e induzi-las  a serem solidárias com as outras não figura nos objetivos  criados pela utopia consumista.. Os indivíduos da opulência (falsa) não se encontram rodeados, como sempre acontecera, por outras pessoas, mas por objetos. O indivíduo pobre é forçado a uma situação na qual tem de gastar o pouco dinheiro ou os parcos recursos de que dispõe com objetos de consumo sem sentido, e não com suas necessidades básicas, para evitar a total humilhação social e evitar a perspectiva de ser provocado e ridicularizado. A violência explode em todas as culturas consumistas.

“A aceitação do eu, do destino, da vocação própria, está a conclusão de que o principal caminho para a saúde e a auto-realização das massas é através da satisfação e não da frustração das necessidades básicas que é interpretada como se significasse objetos, coisas, possessões, dinheiro, roupas, automóveis etc... As necessidades básicas são: 1 – proteção e segurança; 2 – pertença, como numa família, uma comunidade, um clã, um bando, amizade, afeição, amor: 3 – respeito, auto-estima, aprovação, dignidade, amor-próprio: 4- liberdade para o mais pleno desenvolvimento dos talentos e capacidades da pessoa, individuação, realização do eu. Isso parece muito simples e, no entanto, poucas pessoas parecem capazes, em qualquer parte do mundo, de assimilar o seu significado.” (Autor: Abraham H. Maslow – Livro Introdução a Psicologia do Ser – Livraria:Eldorado Tijuca Ltda – Rio  de Janeiro.”).

As necessidades menores e mais urgentes são materiais (alimento, abrigo, vestuário etc...) que tendem a generalizar para uma motivação preponderantemente materialista, esquecendo que assim como existem as necessidades básicas também existem as superiores não materiais. Para sermos seres humanos realizados devemos adquirir a capacidade de amar outras pessoas incondicionalmente e se comprazer tanto na satisfação dos outros, quanto na satisfação de nós próprios.

Os nossos dons, os nossos talentos pressionam para serem usados. A autodescoberta  requer coragem, vontade, deliberação e vigor no indivíduo, assim como proteção, complacência e encorajamento do meio, especialmente no caso da criança. O ser humano necessita de uma estrutura de valores, uma filosofia da vida, uma religião ou um substitutivo da religião para que possa pautar sua vida e compreensão. As teorias do crescimento, da individuação e da competência afirmam que o futuro existe agora na pessoa, sob a forma de ideais, esperanças, deveres, tarefas, planos, metas, potenciais irrealizados, missão, e fé.  

 “As condições que decidimos instituir, fazem prever conseqüências no comportamento como as seguintes: O indivíduo torna-se mais autônomo no seu comportamento, menos rígido, mais aberto ao testemunho dos sentidos, mais bem organizado e mais integrado, mais semelhante ao ideal que adotou. Em outras palavras estabelecemos condições que, segundo as nossas previsões, serão acompanhadas por um controle  interior do indivíduo sobre si próprio nos seus esforços para atingir os objetivos que interiormente escolheu. Estabelecemos as condições que fazem prever diversas espécies de  comportamento: comportamentos de autodireção, sensibilidade às realidades interiores e exteriores, capacidade para se adaptar com maleabilidade – comportamentos que são, pela sua própria natureza imprevisíveis na sua especificidade. Estas condições estabelecidas por nós prevêem um comportamento que é essencialmente livre.” (Autor:Carl Rogers – livro: - Tornar-se Pessoa. Ed. Livraria Martins - Fonte Editora Ltdas – São Paulo – 11/ 1985).

Foram surgindo comportamentos, que demonstravam maior maturidade no comportamento, de menor dependência em relação aos outros, de um progresso na capacidade de se exprimir como pessoa na mediação, na variabilidade, na maleabilidade, na capacidade de se adaptar, de assumir as próprias responsabilidades e de se orientar a si mesmo. Podemos acreditar na conceituação de John Dewey: -“ A Ciência foi avançando pela libertação, e não pelo esmagamento dos elementos de variação, de inovação e de novas criações nos indivíduos”. Atualmente temos certeza de que o progresso na vida pessoal e na vida de grupo se consegue da mesma maneira, expandindo a
variação, a novidade, o espírito de criação, e a liberdade.

O indivíduo contemporâneo tem a possibilidade de optar pelo processo de devir, que procura se realizar a si mesmo e de priorizar a criatividade em que o conhecimento acaba por se transformar. O objetivo de continuar a descobrir, através dos métodos científicos por intermédio de novas experiências, procuram meios mais aperfeiçoados  de atingir esses objetivos. Os indivíduos ou grupos têm a possibilidade de atingir a criatividade sem o mínimo de poder e controle. Segundo os atuais conhecimentos, a única autoridade necessária é o que sugere determinadas qualidades de relações interpessoais.

“Todas as tentativas dão a entender que o conhecer-se a si mesmo é coisa fácil. Isso é uma ilusão, uma crença baseada nos próprios desejos, e, por isso mesmo, uma ilusão positivamente nociva. As pessoas que tomam esse caminho, que promete ser fácil, ou adquirem uma falsa presunção, julgando conhecer tudo a respeito de si mesmas, ou então desanimam ante o primeiro obstáculo sério, tendem a abandonar a busca da verdade julgando-a um trabalho inútil. Nada disso acontecerá tão facilmente quando se tem consciência de que a auto-análise é um processo lento e porfiado, com probabilidades, às vezes, mostrar-se doloroso e desconcertante, exigindo todas as energias construtivas de que dispõe.” (Autora: Karen Horney – Livro: Conheça-se a si mesmo -  Editora  Difel – São Paulo – 1984).

Debatendo em termos mais gerais, é antiqüíssima esta pergunta: - pode alguém, conhecer-se a si mesmo? Evoluímos quando nos defrontamos abertamente para resolver um problema nosso. Sempre procurei tornar-me uma pessoa livre das cadeias interiores, libertar-me para o desenvolvimento de minhas melhores potencialidades. A determinação de assumir a responsabilidade, que teria de interpretar-me como também de questionar-me em qualidade de ser, que na realidade é a vontade  de melhorar.


Segundo minha experiência, quanto mais eu fosse autêntica, tanto mais o meu eu real se revestia de interesse e quanto mais questionasse surgia o incentivo para desabrochar, libertando-me dos grilhões interiores, para viver uma vida melhor conforme as circunstâncias existentes. É normal o desejo de auto-aperfeiçoamento, pois sentimos certos ganhos de caráter mais espiritual, menos tangíveis mas muito mais compensadores. Todos estes investimentos de crescimento interior podem ser sintetizados como um incremento do vigor interior e da confiança em si mesmo.      

quinta-feira, 6 de março de 2014

O PORTADOR DE ESPERANÇAS


 REGINA DINIZ


O humor sadio é portador de esperanças...
Quando eu dou amor incondicional ele aumenta...

É importante mudar a própria história...
Dar apoio para uma vida renovada...
É descobrir novos rumos de interpretação da vida...
É reconstruir de fato a própria vida...

As idéias saudáveis me enchem de esperanças...
Quando eu idealizo me realizo...

É admirável construir de fato a  própria vida...
Desde que seja em harmonia com o universo...
Faço a minha parte num planeta fantástico...
Preciso dar-me respostas ao dom da vida...

A felicidade se inicia na descoberta positiva...
Quero conhecer a significação profunda...

Sou criadora do mundo...
E não consumidora do mundo...
Sou presenteada pelas paisagens naturais...
Encanto-me com a beleza da natureza...

Eu apoio os meus projetos de vida...
Para curar a minha alma...

Conscientizo-me do lugar que ocupo no universo...
Assumo o lugar saudável na vida...
Perdôo-me muitas vezes ao dia...
Transformo tudo em forças espirituais saudáveis...

Assumo a responsabilidade pela própria vida...
Acredito na mente límpida e tranqüila...

Agradeço, ajo e descubro rumos inteligentes...
Sempre coloco novas interpretações existenciais...
Pratico uma relação de troca com o universo...
Admirando o céu estrelado sinto-me motivada...

Exponho-me ao risco de ser feliz sem dinheiro...
Construo um futuro harmonioso e brilhante...

Quando peço ajuda a Deus...
O mundo maior responde na mesma hora...
Modifico a minha própria  vida...
A evolução espiritual é conquista pessoal...

A esperança em tornar-me melhor, deixa-me animada...

Fico mais confiante na vida...