terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A LUZ CRIATIVA DA INTUIÇÃO

 REGINA  DINIZ


“O ser humano alter-dirigido motiva-se para fora. Este tipo de subjetividade é esculpida com o objetivo de atrair e monopolizar a atenção. Este jeito de ser é orientado para e pelos outros. Não investe na estrutura da própria interioridade, mas só acredita na sua habilidade de seduzir e despertar emoções em outros indivíduos. Esta prática de construção de si já esteve presente em contextos históricos anteriores”.(Sennet, Richard – livro: A Corrosão do Caráter: Rio de Janeiro: Record, 1999).

O ser humano introdirigido orienta-se a partir de si mesmo. Modernamente este indivíduo é definido como sólido caráter ligado à estabilidade, à palavra, e à elevada confiabilidade. Para a personalidade introdirigida a cultura é considerada e sentida em termos de processos intelectuais e tecnológicos, e também em termos de cooperação humana. Sobressaiu ao longo da história...

O ser humano autônomo é capaz de transcender sua cultura em qualquer tempo e a qualquer respeito. “No mesmo cenário aberto em que outros falharam, eu próprio não tenho pronta explicação para o fato e sou tentado, às vezes, a recorrer aos fatores constitucionais ou genéticos, o que as pessoas de épocas anteriores chamavam de centelha divina”. ( David Riesman – livro: A Multidão Solitária – Ed. Perspectiva – São Paulo – Brasil - 1995).

A subjetividade alter-dirigida espalhou-se, desde a antiguidade, em todo o mundo. Os valores privilegiados pelo capitalismo, momentaneamente em alta, favoreceram a explosão de habilidades de autocomercialização, e projetos de autopromoção nas vitrines midiáticas. Neal Gabler  no  livro  Vida  explica: “É essa estranha sede de visibilidade e celebridade, que marca profundamente as experiências subjetivas contemporâneas, cujo maior objetivo é a transformação da realidade em entretenimento”. (Citação de Paula Sibilia – livro: O Show do Eu: a intimidade como espetáculo – Rio de Janeiro – Nova Fronteira - 2008). Esta proposta cultural é norte-americana e foi empunhada em oposição às pretensões da alta cultura européia. Uma falta de sentido paira nas experiências subjetivas puramente alter-dirigidas.

A subjetividade introdirigida, através dos tempos, é a principal autora das funções socializadoras, através da publicidade de idéias, que começaram a sensibilizar a novidade da instrução. Há uma fome por livros, há uma fome por tecnologia. Este estímulo é sinal da revolução caracterológica que acompanhou a revolução industrial. Esta subjetividade reestrutura atitudes e valores no fim do século dezenove. A agricultura polonesa apoiou medidas de ”edificação de caráter” tais como sobriedade, poupança e também fomentou a agricultura científica. Esta personalidade acredita na cultura e no investimento científico.

“A moderna sociedade industrial submeteu numerosas pessoas à ausência de leis, à ausência de normas e à ausência de regras de organização e produziu uma conformidade doentia em outras, mas o próprio desenvolvimento que levou a estes, abriu para a autonomia
possibilidades jamais imaginadas. Um alto grau de autoconsciência constitui a bandeira do autônomo numa era dependente de introdireção. No horizonte uma nova polarização entre aqueles que se apegam a um ajustamento compulsivo, via alterdireção e aqueles que vão se esforçar a fim de superar este meio através da autonomia”.( David Riesman – livro: A Multidão Solitária). 

Avaliando estas modalidades de subjetividade, vê-se que o introdirigido sempre foi muito autoconsciente. O alterdirigido deseja ser aceito e luta para alcançar a autoconsciência. O autônomo que também sempre marcou grandes rumos para a humanidade, modernamente cresceu vertiginosamente, e propõem abertamente uma autoconsciência ainda maior.

É nas épocas de mudanças históricas e sociais que o homem mais se pergunta a si mesmo, no empenho de definir sua posição no Universo e assumir a consciência de seu destino. O homem moderno descobre mundos distantes e já penetra na própria estrutura cósmica. Começa a sentir profundamente que não pode mais ser vítima de si mesmo e nem carrasco dos outros. Deseja ser uma pessoa humana e não desumana.

Sua determinação é a de remexer todas as suas camadas subterrâneas, não só de descobrir motivos que se travam no interior de seu ser, mas principalmente compreender a busca de pontos de equilíbrio e serenidade que assegurem a sua sanidade mental. Deseja crescer como pessoa num processo de flexibilidade dinâmica e não de acomodação passiva. Quer construir uma personalidade desenvolvida e plenamente espiritual.

Para tentar transcender a própria cultura é necessário abrir-se a compreensão de novas idéias, abrir-se à visão do novo imaginário e aos sentimentos de prontidão cognitiva na vida e no trabalho, que se impõem diante de nossos olhos. Devemos dar espaço generoso para decifrar a voz da nossa intuição, que capta e mostra tudo o que nos cerca. A nossa intuição jorra para dentro de nossa percepção, murmurando mensagens da profundeza de nosso inconsciente.

O pensamento intuitivo se baseia em tudo o que sabemos, em tudo o que somos, e em tudo o que vemos e compreendemos. Num único momento mágico ocorre uma rica interpretação de fontes e direções claras e lúcidas, que sempre marcaram o pensamento intuitivo. Os transcendentalistas afirmam, que a lição mais simples dessa vida é aprender a ouvir esta voz interior fantástica. 

A alma humana está conectada com a mente da substância universal. A nossa vida tem uma ligação direta com o manancial infinito da abundância e da bondade. Possuímos o poder de usá-lo em nosso benefício e também usá-lo em interações solidárias. O impulso elementar e a força vital para criar provêm de áreas ocultas do ser. Além dos impulsos do inconsciente entra nos processos intuitivos, tudo o que sabemos, os conhecimentos, as conjeturas, as propostas, as dúvidas, tudo o que pensamos e imaginamos...  Descobrir a mensagem do coração é a grande aventura de nos transformar e de transformar tudo para melhor...

Investindo em nosso saber, ficamos aptos a avaliar as concepções e fazer novas opções... A nossa capacidade em discernir símbolos e significados, que se originam nas regiões mais profundas de nosso interior, do sensório e da afetividade, onde a emoção permeia os pensamentos, e ao mesmo tempo a inteligência estrutura as emoções. A intuição está na base dos processos criativos e é um dos mais importantes modos cognitivos e espirituais do homem.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A ESCRAVA INCONFORMADA

Regina Diniz

Arrancarei o véu que teima impedir a evolução da minha consciência...
Apesar das guerras, conflitos econômicos, ansiedades e depressões,
Brota do meu ser a ânsia pela compreensão da razão de minha existência.
Depende apenas da minha livre escolha descobrir o caminho...

Do alto da minha reflexão sonho em alcançar a liberdade interior...

Arrancarei o véu que teima impedir as decisões responsáveis...
Sou filha de uma sociedade conformista, automática e materialista,
Desapareceu completamente a necessidade da percepção pacífica.
Mas lutarei para alcançar a consciência de mim mesma...

Do alto de minha reflexão sonho em alcançar a sabedoria humana...

Arrancarei o véu que teima impedir a pureza de minhas emoções...
Sepultaram a importância das crises do crescimento da alma.
Recuso-me a viver como escrava do tempo automático,
Quero viver e crescer conforme o meu ritmo humano...

Do alto de minha reflexão sonho em alcançar a saúde espiritual...

Arrancarei o véu que teima impedir as opções a meu favor...
Acontece uma luta feroz contra a evolução do indivíduo,
Armadilhas gigantescas sufocam a minha alma.
É preciso coragem para exercitar a reflexão cósmica...

Do alto de minha reflexão sonho em alcançar a coragem construtiva...

Arrancarei o véu que teima impedir o meu ardor criativo...
Após séculos de fracasso ainda impera o relacionamento força,
Que é privilégio de culturas que não atingiram o ser enquanto ser.
A criatividade é severamente sufocada por todos os lados...

Do alto de minha reflexão sonho em alcançar uma cultura ética...

Arrancarei o véu que teima impedir o fluir da coragem estética...
Há milhões de anos o homem debate a pureza da alma.
E o tempo moderno mergulhou profundamente na corrupção,
Continuarei lutando com tenacidade pela seriedade comigo mesma...

Do alto de minha reflexão sonho em alcançar a compreensão espiritual...


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

VIDA MAIS ESPIRITUALIZADA

REGINA DINIZ

A globalização que é considerada o maior plano de salvação na economia em nossos dias, seduziu espetacularmente todas as culturas, tornando-se o caminho para a tão procurada felicidade... É uma magia que se eleva, voando para todas as direções, divulgando a grande solução do destino financeiro do mundo. Muitas vezes, renegamos a nossa própria pátria para fazermos parte do seleto grupo dos “globais”, que fazem a teoria do jogo moderno da vida.

O professor Ricardo Petrella, da Universidade Católica de Louvain conceituou: “A globa-
lização arrasta as economias para a produção do efêmero, do volátil (por meio de uma re-
dução em massa e universal da durabilidade dos produtos e serviços) e do precário (empregos temporários, flexíveis, de meio expediente). (Une Machine Infernale” Le Monde Diplomatique – junho de l997, pg.17)- (Citação retirada do livro Globalização – As Conseqüências Humanas de Zygmunt Bauman – 2010).

Para abrir atalhos no caminho escuro da competitividade global e chegar à visibilidade da atenção pública, os sinais devem arrancar poderosos desejos, permanentes êxtases, seduzindo cegamente os seus consumidores e matando sem piedade os seus competidores. A continuidade da manipulação emocional de renovados objetos de desejo é uma fonte inesgotável, é uma caça global absurda de gigantescos lucros insaciáveis, que correm livres e soltos. Este é o crescimento econômico proposto...

Jeremy Seabrook conta a vida de Michelle em seu livro Landscapes of Poverty (Oxford, Blackwel, l985) p.59. Aos 15 seu cabelo era num dia ruivo, no outro louro, depois preto, em seguida eriçado em estilo afro, logo cortado em caminhos de rato, aí entrançado, então raspado rente ao crânio, cintilante... A cor de seus lábios era escarlate, depois púrpura, em seguida preta. O rosto ia de uma palidez de fantasma ao tom de pêssego, ficando depois bronzeado como se tivesse sido banhado em metal. Perseguida por sonhos de fuga, saiu de casa aos 16 para viver com o namorado, que tinha 26... Aos 18 voltou para a casa da mãe, com dois filhos... Sentou-se no quarto de onde fugira três anos antes, agora com as antigas fotos de astros pop já desbotadas nas paredes. Disse que se sentia como uma velha de cem anos. Experimentou tudo o que aquela vida podia oferecer. Nada mais restava...

Quantos dos nossos jovens foram empurrados, arrancados de seu país, de sua família, por uma força poderosa demais para resistir. Essa desesperadora situação é tudo menos liberdade de escolha. Jeremy Seabrook diz: “O segredo da sociedade atual está no desenvolvimento de um senso de insuficiência artificialmente criado e subjetivo, uma vez que nada mais poderia ser mais ameaçador do que as pessoas se declararem satisfeitas com o que têm. São exibidas aventuras extravagantes pelos mais favorecidos:“Os ricos se tornam objetos de adoração universal”.

O ato de prestar culto divino à criaturas por causa dos bens materiais é milenar. É incrível como este processo de identificação se repete, sem jamais evoluir!... Atualmente o maior problema de nossa civilização moderna, é que ela parou totalmente de se questionar. Impera um silêncio absurdo, extremamente tenso... O correto seria enfrentar as importantes questões humanísticas... O preço da ausência do debate é pago no duro e profundo sofrimento humano...

O 41º Fórum Econômico Mundial(WEF) começa hoje (26-01-2011) em Davos na Suíça, com foco absoluto na necessidade de estabilização da economia global, abalada por seqüelas da crise, como o endividamento dos países da Euro-zona e a guerra cambial. Davos celebra sua 41ª edição, num momento, em que a economia parece desorientada por complexos problemas decorrentes da pior crise desde o pós-guerra e das mudanças diante do surgimento de novas potências.- Temos no mundo uma situação, no qual o sistema político e as instituições estão simplesmente “desbordados”, pela complexidade que precisam enfrentar – explica o fundador e presidente do WEF, Klaus Schwab. A Suíça mobilizou 5 mil soldados para garantir  a segurança em Davos, que deve receber 2,5 mil líderes mundiais, entre eles 35 chefes de Estado e governo.(Diário Catarinense – 26-01-2011).

Disseram que esta é a pior crise econômica desde o pós-guerra. Mas já desde a 1ª guerra a economia mundial foi totalmente destruída e não conseguiu mais se reerguer. Nota-se que o processo de consumo nunca foi alterado. Nenhum plano de economia sustentável foi debatido... A confirmação materialista é obsessiva apesar de revezes por milênios e milênios...

Na insegurança social impera o medo. Gatuno perto de casa, alarmes contra assalto, bairros 
vigiados e patrulhados, condomínios fechados, câmeras eletrônicas de longo alcance, guardas particulares... Este é o resultado caótico da presença da cultura consumista, que privilegia a exclusão social.Todos nós desejamos e necessitamos de paz de espírito – a maior das dádivas – em nosso ambiente.

Mas com certeza, já estão surgindo mentes abertas que debatem a inclusão social, o confinamento, a rejeição e a discriminação humana. Atualmente procura-se compreender a personalidade do rejeitado, do excluído que fica violento diante do poder esmagador dos que os rejeitam e os excluem. Quando cultivamos um espírito de bondade, verdade, beleza, amor e boa vontade é Deus que está em nós e que aquilo que acreditamos como verdadeiro se torna realidade e que aquilo que desejamos aos outros estamos desejando a nós mesmos.

Mentes abertas e corações receptivos já abandonaram as velhas crenças materialistas, e viabilizam com segurança confirmações de uma vida mais espiritualizada. Podemos construir nossas vidas baseadas em confirmações espirituais. A percepção contínua da nossa mente nos mostra o poder criativo que existe em nós, para expressarmos as nossas capacidades individuais, nossos talentos e habilidades. O nosso objetivo é que renovados pensamentos, idéias, atitudes e crenças favoreçam nossas escolhas. Temos o direito de pensar e construir a nossa cultura.