quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A CRENÇA NA PRÓPRIA IDENTIDADE

REGINA DINIZ

“O homem moderno está bem alimentado, bem trajado, satisfeito e, contudo sem personalidade, sem qualquer contato com seus semelhantes a não ser o mais superficial possível. “Quando o indivíduo sente, a comunidade vacila”; “Nunca deixes para amanhã o prazer que podes ter hoje, ou, como afirmativa culminante: “Todos agora são felizes”. A felicidade do homem, hoje em dia, consiste em divertir-se. E divertir-se consiste na satisfação de consumir e “obter” artigos, panoramas, alimentos, bebidas, gente, conferências, livros, filmes – tudo é consumido, engolido. O mundo é um grande objeto de nosso apetite. Somos os eternamente em expectativa, os esperançosos – e os eternamente decepcionados. Nosso caráter é engrenado para trocar e receber, para transacionar e consumir: tudo, os objetos espirituais como os materiais, torna-se objeto de troca e consumo”. (Aldous Huxley – Admirável Mundo Novo- 1a. Edição – 1976 – Cia.Editora Fon-Fon e Seleta – Rio de Janeiro).

Como se preocupar menos com o consumismo e com o dinheiro? Como manter a mente sã nesta cultura materialista e totalmente escravizante? Como encontrar o trabalho ideal? É importante salpicar reflexões sobre a vida cotidiana. Uma tremenda insanidade tomou conta dos indivíduos nas nações,  onde reina a civilização capitalista. O consumismo grave como bandeira da felicidade trouxe consigo misérias individuais e sociais, que há dois séculos martirizam a humanidade que se tornou muito infeliz. A comunicação de massa exclui a cultura e o saber. O conteúdo genuinamente cultural só aparece como conotação e função secundária. Nota-se que o indivíduo contemporâneo fatigou-se de reciclar-se todos os anos, todos os meses, todas as estações, no vestuário, nos objetos e no carro.     

Entretanto, começamos a viver no meio de uma revolução em nossos tempos, que é o nascimento da sociedade pós-industrial, que valoriza a produção de bens materiais e prioriza os produtores de idéias, já sem tempo surge a excelência criativa. A ação conjunta do progresso tecnológico e da escolarização difusa ocasionou uma enérgica redução do tempo humano necessário para a produção de bens e serviços. A conseqüência é que para um  número crescente de pessoas o tempo livre prevalece sobre o tempo absorvido pelo trabalho. Chegamos a um ponto de inversão de rota, ou seja, o tempo livre e a capacitação de valorizá-lo determinam o nosso destino cultural como também econômico... Finalmente teremos tempo de pensar e fazer um bom investimento em termos de crescimento pessoal, cultural e social.

“A perda do eu aumentou a necessidade de conformar-se, pois dela provém uma dúvida recôndita a respeito da própria identidade. Se eu não sou mais do que aquilo que julgo que devo ser – Quem sou eu? A identidade do indivíduo tem sido um problema capital da Filosofia moderna desde Descartes. Hoje, fiamo-nos em que somos nós mesmos. No entanto, a dúvida acerca de nós mesmos ainda subsiste ou até mesmo aumentou. Em sua famosa peça teatral – Como me queres –Luigi Pirandello – parte da pergunta: Quem sou eu? Que prova tenho eu de minha própria identidade... Não tenho identidade, não há ego que não aquele que é o reflexo do que os outros esperam que eu seja: eu sou “como você me quer”. (Erich Fromm – O Medo à Liberdade – 14ª edição – Zahar Editores – Rio de Janeiro – 1983).

Na elaboração da identidade equilibrada é fundamental a presença da liberdade e da independência, para que os homens seja livres, críticos, independentes, tornando-os parte integral da humanidade. A liberdade e a independência são fortes pilares que sustentam a realização de seu ego, para que ele tenha forças emocionais para ser ele mesmo, idealizando suas próprias propostas para consigo mesmo, e também para a própria cultura.  Filósofos idealistas acreditam que a realização individual é alcançada através da percepção intelectual.

Acredita-se que a busca da independência e da liberdade para que o homem se torne uma forte individualidade é um objetivo social de grande valia. A liberdade e a independência são potencialidades que se encontram em todas as pessoas, e só se tornam reais quando são manifestadas. A liberdade positiva consiste na atividade espontânea da personalidade integrada em sua totalidade. Se o indivíduo realiza seu eu por meio de atividade espontânea, relacionando-se assim com o mundo, ele elimina as suas dúvidas a respeito de si próprio e do sentido da vida. Descobre-se como um indivíduo ativo e criador,  reconhece que só há um sentido para a vida: o próprio ato de viver construtivamente para si e para o mundo.

“Esse fascínio suscitado pelo exibicionismo e pelo voyeurismo encontra terreno fértil em uma sociedade atomizada por um individualismo com beiradas narcisistas, que precisa ver sua bela imagem refletida no olhar alheio para ser. Essas forças tendem a esfacelar todos os nós sociais que poderiam propiciar uma ultrapassagem das tiranias da intimidade. No entanto, uma eventual reformulação em chave contemporânea daqueles laços cortados pela experiência moderna possibilitaria, talvez, enxergar o outro como outro, em vez de fagocitá-lo no inchaço do próprio eu sempre privatizante”. (Paula Sibilia – O Show do Eu – A intimidade como espetáculo – Editora Nova Fronteira S.A. – S.A. – Rio de Janeiro – 2008).

Percebem-se, nos programas televisivos, cinematográficos, artísticos, reality shows, biografias e renovadas formas de diários íntimos uma carência desmedida por mostrar-se. Neste clima, pautado pelo imenso desejo de visibilidade total, e pelo culto à personalidade usam diversas ferramentas disponíveis online para expor sua intimidade e criar, assim, uma personalidade que lhes pareça grandiosa e ostentosa. Neste processo histórico e cultural tão desconcertante, quanto espantoso, em que o velho slogan “faça você mesmo” vem sendo substituído pelo “mostre-se como for” e o verbo “ser” torna-se um efeito de parecer.

Neste século XXI, está sendo marcado por fortes mutações nas formas como nos construímos como sujeito. Houve um profundo deslocamento na base central que alicerça a experiência de si. Em vez daquelas subjetividades tipicamente modernas, dedicadamente elaboradas no silêncio e na solidão construtiva do espaço privado (caráter introdirigido) explodiu  absurdamente de maneira crescente as personalidades alterdirigidas, voltadas não mais para dentro de si, mas para “fora”, visando a captação dos olhares alheios em um mundo saturado de estímulos visuais.   

“O que conta hoje em dia não é a diferença entre os que crêem e os que não crêem, mas a diferença entre os que se interessam e os que não se interessam. Essa nova atitude com relação à vida pode ser expressa mais especificamente nos seguintes princípios: O desenvolvimento do homem requer sua capacidade de transcender a estreita prisão de seu ego, da sua cobiça, do seu egoísmo, da sua separação do seu próximo e, por conseguinte da sua solidão básica. Esta transcendência é a condição para ser franco e ligado ao mundo, vulnerável, embora com uma experiência de identidade e integridade; da capacidade de gozar tudo o que é vivo, de verter suas faculdades no mundo que o cerca, de ser “interessado” em suma ser em vez de ter e usar são conseqüências do passo para superar a cobiça e a egomania”. (Erich Fromm – A Revolução da Esperança – Por uma tecnologia Humanizada – Zahar Editores – 1981).

Uma das maiores alegrias da vida numa época tão confusa é a possibilidade de sermos obrigados a tomar consciência de nós mesmos. A sociedade contemporânea, nesta fase de decadência, de propor estados primitivos de padrões e valores, não nos dá uma visão do que somos e do que devemos ser, então não temos outra escolha a não ser a busca de nós mesmos. A realidade é que muitas pessoas lutam para resolverem os seus próprios problemas, é uma luta íntima e profunda para alcançar uma nova integração.

Existem potencialidades no nosso íntimo, que só são liberados quando tomamos uma decisão consciente. É urgente entronizar a ética, que jamais deveria ter se ausentado um minuto sequer de nossa civilização e de nossos pensamentos. As decisões de caráter ético devem ser, permanentemente ações pensadas e afirmadas pela pessoa, uma expressão profunda de seus motivos e atitudes interiores. Para agir de maneira ética será sempre preciso lutar, duvidar, entrar em conflito. Isto quer dizer que a pessoa se esforçou por agir, tanto quanto possível, a partir do âmago de si mesma.”Segundo Sócrates, cada indivíduo é o seu próprio centro e o universo gira à sua volta porque o conhecimento de si mesmo é o conhecimento de Deus”. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

AS PÉROLAS DA COMPREENSÃO


REGINA DINIZ 

 Diálogo com Deus no santuário íntimo da alma...

Preocupo-me em colaborar com a paz no mundo...
Visualizo-me como parte do todo...
Desejo elaborar um renovado entendimento...
Sei que a verdadeira experiência é de amor e perdão...

Vejo Deus nas pessoas de qualquer raça...

Inspiro-me para uma vida de total fraternidade...
A consciência espiritual é infinita e abraça tudo...
Sinto a sensação de profunda integração...
Ajo com serenidade em todas as circunstâncias...

Dedico-me à contemplação de Deus...

Incentivo-me ao desenvolvimento de mente sadia...
Acredito que a tranqüilidade deve ser cultivada...
Penso em Deus e Jesus diariamente...
O meu propósito de vida é investir na alma...

Medito com Deus e ajo com serenidade...

Acredito no desenvolvimento da alma até a perfeição...
Medito profundamente pelos Estados Unidos do Mundo...
O Reino da Paz Celestial está dentro de nós...
A Paz Celestial vive na nossa vida cotidiana...

Procuro em Deus as pérolas da presença divina...

Em orações eu peço a paz no mundo...
Aprecio uma civilização de amorosa fraternidade...
E que eu possa despertar o amor divino no meu coração...
E comungar no templo interior do silêncio a arte divina...

Sinto a presença de Deus através de bons sentimentos...

Sei que a bondade está dentro do meu coração...
Sei que a bondade mostra-se em pequenas ações...
Sei que as percepções do bem...
São poderosos reflexos de Deus...

Curo a inquietude da mente amando a Deus... 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA ECONOMIA


REGINA DINIZ

Atacar a insegurança na fonte é uma tarefa assustadora, que requer nada menos que repensar e renegociar algumas das suposições mais fundamentais do tipo de sociedade atualmente existente – suposições que se arraigam tanto mais rápido por serem tácitas, invisíveis ou indizíveis, para além  de qualquer discussão ou disputa. “Cornelius Castoriadis colocou que o problema maior com a nossa civilização é que ela parou de se questionar. Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que essa arte caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem – certamente não antes que seja tarde demais e quando as respostas, ainda que corretas, já se tornaram irrelevantes. ( Zygmunt Baumann – Em Busca da Política – Jorge Zahar Editor Ltda – 2000).

A Globalização e a liberalização dos mercados do mundo precisam ser, detalhadamente, estudados e compreendidos em orientações mundialmente aplicáveis para garantir, que toda a humanidade possa usufruir destes benefícios sociais. O Desenvolvimento Econômico deveria respeitar os Direitos Humanos Fundamentais e se comprometer seriamente com a Justiça Social. A ONU trabalha para a manutenção de condições econômicas estáveis em uma base mundial, mas fracassa totalmente porque: - a política de trabalho pata todos, - a política alimentar para todos, - a política industrial para todos inexiste em todo o mundo.

Os Direitos Humanos são os Direitos Legais garantidos pelo Direito Internacional de pessoas em todas as nações, para proteger os seres humanos, e sua dignidade em tempos de guerra e paz. Existem fundamentalmente três tipos de Direitos Humanos: Direitos Civis e Políticos, ou seja, o direito à vida, à liberdade de reunião e liberdade de religião. Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ou seja, o Direito ao Emprego, Educação e Segurança Social. Terceira Geração de Direitos, ou seja, o Direito a um ambiente saudável e desenvolvido para viver. É o maior dever do Estado, do País, debater, pensar, divulgar e garantir os direitos de seus cidadãos para a construção e proteção de garantias de justiça social. A elevada educação social de uma nação é geradora de respeito internacional. 

“Hans Peter Martin e Harald Schumann, especialistas em economia da revista alemã Der Spiegel, calculam que se a tendência atual persistir irrefreada, 20% da força de trabalho global (potencial) bastarão “para manter a economia funcionando”, o que quer que isso signifique, o que tornará economicamente supérfluos  80% da população mundial capacitada”. Pode-se pensar (e muitos o fazem) em maneiras de reverter, interromper ou pelo menos refrear essa tendência, mas a grande questão, hoje, já não é o que deve ser feito, mas quem tem poder e decisão para fazer. Por trás da insegurança crescente de milhões de pessoas que dependem da venda de sua força de trabalho está a ausência de um poderoso e eficiente agente que possa, com vontade e decisão, tornar menos insegura a situação em que vivem”.  (The Global Trap. Londres, Zed Books, 1997, e também Larry Elliot, “The weightless revolution”, The Guardian, 10 de novembro de 1997).

O Modelo de Globalização em vigor tem desencadeado resultados trágicos à maioria da população mundial. Há grandes desigualdades econômicas, tecnológicas e sociais entre os países no planeta, e ao longo do tempo, o processo de globalização tem contribuído de maneira direta, para o aumento em massa da pobreza, excluindo um número cada vez maior de pessoas. Atualmente, cerca de 1.5 bilhão de pessoas no mundo vivem, e sobrevivem com renda diária que não ultrapassa 1 dólar.

Grande problema social provocado pela globalização é o aumento acelerado do índice de desemprego em todo o mundo, resultado dos avanços tecnológicos, que tiram inúmeros postos de trabalho. Mas apesar do crescimento mundial na produção, o mesmo não acontece com o consumo,  porque esse deslancha  somente em países desenvolvidos, ou em populações elitizadas de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, ou seja, em uma restrita parcela dos habitantes do planeta. A falta de emprego no mundo é alarmante diz a Organização Internacional do Trabalho. Desde o início da crise, em 2008, estão faltando, ou melhor, desapareceram 50 milhões de empregos.   

“A insegurança atual é semelhante à sensação que provavelmente teriam os passageiros de um avião ao descobrirem que a cabine de comando está vazia, que a voz amiga do piloto é apenas uma mensagem gravada. A insegurança sobre como ganhar a vida, somada à ausência de um agente confiável capaz de tornar  essa situação menos insegura ou que sirva pelo menos de canal para as reivindicações de uma segurança maior, é um duro golpe no coração mesmo da política de vida”. ( Zygmunt Bauman – COMUNIDADE – Jorge Zahar  Editor Rio de Janeiro – 2003)

Na contemporaneidade, os indivíduos são bombardeados por falsas promessas de felicidade, baseadas no consumismo, e ao mesmo tempo são obrigados a lidar com a insegurança econômica e com a frustração de não conseguir acumular todos os signos de consumo, que garantiriam a felicidade pessoal. Estas propostas enganosas de bem-estar deixam as pessoas inseguras, pois sentem que não estão vivendo, aquilo que queriam viver, passando muito longe da verdadeira vida feliz deixando-a ir embora... Cada vez mais prazeres materialistas, cada vez mais viagens, mais divertimentos, que não abrem as portas da alegria de viver...

A insegurança crescente de como ganhar a vida, da necessidade do indivíduo valer-se por si mesmo, de tornar-se competente num cenário de extrema competitividade, geram grandes sentimentos de insegurança e incapacidade. Trata-se de uma sociedade em que mais de 90% declaram serem muito felizes, e em que simultaneamente, as depressões, as ansiedades e o consumo de medicamentos psicotrópicos aumentam a um ritmo alucinante. Afinal, que felicidade é esta que também é desespero e desamparo?

Em recente ensaio, Jacques Attali explicou o sucesso fenomenal do filme Titanic com a notável semelhança que os espectadores vêem entre sua própria agonia atual e a parábola da vaidade humana, chocando-se contra um iceberg que, devido à arrogância do capitão e à docilidade da tripulação do navio, não foi (nem poderia ser) levado a sério e notado a tempo. O Titanic somos nós, a nossa sociedade triunfalista, cega, autocongratulante, hipócrita, impiedosa com os pobres – uma sociedade em que tudo é previsto, exceto os meios de prever... Todos nós supomos que há um iceberg à nossa espera, escondido em algum lugar no futuro nebuloso, contra o qual nos chocaremos para em seguida afundarmos ao som de música. (Jacques Attali – Le Titanic, le mondial et nous – Lê Monde, 3 de julho de 1998).

Jacques Atalli nos convida para uma séria reflexão. O problema é maior nos países desenvolvidos, especialmente os da Europa, onde o desemprego aumentou em 66% das nações. A organização não prevê recuperação do emprego na região até 2016.  O emprego informal aumentou em 26 das 50 economias avançadas analisadas. 50% dos países desenvolvidos também tiveram aumento do trabalho temporário. Os jovens são os mais atingidos pela crise trabalhista. Em 80% dos países ricos houve aumento do desemprego juvenil, problema que afetou 66% dos emergentes. Em metade dos países ricos, mais de 40% dos desempregados estão fora do mercado há mais de um ano. São os chamados desempregados de longo prazo. Desde 2007, apenas seis países ricos tiveram aumento de postos de trabalho: Alemanha, Israel, Malta, Polônia, Luxemburgo e Áustria.

Precisamos discutir o iceberg consumista, com muita seriedade, pois em qualquer que seja a nossa condição em matéria de dinheiro e crédito, nós não vamos encontrar num shopping, o amor e a amizade, os prazeres da vida com a família e com os amigos, a satisfação que vem de cuidar os entes queridos ou de ajudar um vizinho em dificuldade, a simpatia e o respeito dos colegas de trabalho e outras pessoas a quem nos associamos. A identificação pregada pela sociedade consumista faz com que o indivíduo se perca, pois impera a falta de investimentos nos ideais, nas causas coletivas e nas relações gerando uma libido em seu próprio ego, mantendo-o em estados emocionais narcísicos. Freud afirmou: “Nossa felicidade depende diretamente de nossa capacidade de amar”.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

MOMENTOS FELIZES

REGINA DINIZ

Deus sempre nos traz paz interior.

De tempos em tempos, a vida me dá fortes esperanças...
Encontro um centro de equilíbrio em meio ao tumulto,
Que me presenteia com mais ânimo, então me acalmo...
E vibro a fé que remove montanhas...

Deus é compreensivo e misericordioso.

De tempos em tempos, admito ser uma fagulha divina...
A cada dia acho a natureza mais bela...
E lembro a fé, que me dá idéias felizes...
E o auto-reconhecimento invade a minha alma...

Deus nos ampara e nos protege sempre.

De tempos em tempos, sinto energias espirituais...
Parece que vislumbro a luz divina...
Fico rejubilada por receber esta linda intuição...
Então conservo a minha força interior...

Deus é acolhedor e clemente.

De tempos em tempos, privilegio a reflexão saudável...
Procuro conversar comigo mesma, desejando-me paz...
Fluindo o amor incondicional que me cura...
Aprecio o alcance infinito da criação de Deus...

Deus nos inspira a evoluir espiritualmente.

De tempos em tempos, Deus me desperta para a luz...
Vejo o mistério de Deus nas ondas e nas conchas do mar...
Todos nós recebemos as bênçãos de Deus...
A cada dia sou agraciada por momentos felizes...

Deus está dentro de nossos corações.

De tempos em tempos, eu olho para o céu...
Procurando Deus que está por trás dos milagres...
Desejo a chave da energia vital...
Que traz a paz àqueles que descobriram a sua alma...

O encontro com Deus nunca me deixa sozinha.

sábado, 1 de setembro de 2012

O RESPEITO À SINGULARIDADE HUMANA


REGINA DINIZ


“Aceitar o preceito do amor ao próximo é o ato de origem da humanidade. Todas as outras rotinas da coabitação humana, assim como suas ordens  pré-estabelecidas ou retrospectivamente descobertas, são apenas uma lista (sempre incompleta) de notas de rodapé a esse preceito. Se ele fosse ignorado ou abandonado, não haveria ninguém, para fazer essa lista ou refletir sobre a sua incompletude. Amar o próximo pode exigir um salto de fé. O resultado, porém, é o ato fundador da humanidade. Também é a passagem decisiva do instinto de sobrevivência para a moralidade. Essa passagem torna a moralidade uma parte, talvez condição sine qua non, da sobrevivência. Com esse ingrediente, a sobrevivência de um ser humano se torna a sobrevivência da humanidade no humano”. ( Autor: Zigmunt Bauman – Livro – Amor Líquido ( sobre a fragilidade dos Laços Humanos) – Ed. Zahar – 2003).

Um dos documentos mais antigos, que vinculou os Direitos Humanos é o Cilindro de Ciro, que contêm uma declaração do rei persa (antigo Irã) Ciro II depois de sua conquista da Babilônia em 539 a.C.. Foi descoberto em 1879 e a ONU traduziu em 1971 a todos seus idiomas oficiais. Nele era declarada a liberdade de religião e a abolição da escravatura. Tem sido até hoje valorizado, positivamente por seu sentido humanista e foi descrito como a primeira declaração de Direitos Humanos. O primeiro documento dos Direitos Humanos, na época moderna, é a dos Direitos da Virgínia de 12 de junho de 1776, escrita por George Mason e proclamada pela Convenção de Virgínia.

A Cultura Pós Moderna tem sério compromisso com a defesa permanente dos valores humanistas em todo o mundo. O reconhecimento de que o ser humano é a essência maior, e que necessita do amparo das leis em permanente atua- lização, é fundamental para que avancemos como civilização. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um código de alta importância, mas não contemplou, e ainda não contempla os ideais presentes na História que brada por justiça de sobrevivência de homens, mulheres e crianças, sobretudo daqueles que por qualquer circunstância se encontrem numa  situação de opressão, numa situação de miséria extrema.   

“É uma característica da vida humana que normalmente encaremos uns aos outros com natural confiança. Só em função de alguma circunstância especial desconfiamos antecipadamente de um estranho... Em circunstâncias normais, contudo, nós aceitamos a palavra do estranho e não duvidamos dele até que tenhamos uma razão particular para isso. Nunca suspeitamos da falsidade de uma pessoa até que a tenhamos apanhada numa mentira”. ( Knud Logstrup, Etiske fordring. (Ed.ing: The Ethical Demand. Notre Dame, University of Notre Dame Press, 1997, p.8 ).

Na situação de sobrevivência, a confiança, a compaixão, e a clemência  são portas de entrada de relacionamentos humanizados plenos de emoções construtivas. A presença imediata de outro ser humano, sofrendo e precisando de socorro nos sensibiliza intensamente. Ajudar, defender, aliviar, salvar nos gratifica emocionalmente e ficamos em estado de alegria pela responsabilidade afetiva praticada. “Que cada homem diga o que considera a verdade, e que a própria verdade seja confiada a Deus”. ( Hannah Arendt. – On humanity in dark teines, p. 31).

A Modernidade diante de inumeráveis conflitos bélicos (lembrar 2ª. Guerra Mundial) mais os conflitos bélicos atuais, mais os conflitos urbanos em todos os países já deveríamos praticar, já deveríamos vivenciar, com elevada compreensão social, a vida como valor supremo do ser humano. Precisamos descobrir um modo mais seguro de visão de civilização, para que valorizemos o direito à vida, que é terminar com a infantilizada descriminação e investir profundamente na união construtiva  social. O grande desafio é acreditar que só o relacionamento fraterno garantirá a prática real da vida, substituindo os valores fratricidas, que tanto nos assustam e nos deprimem.   

“Os ensinamentos de Epicteto ( 55d.C. – 135d.C.) referentes à virtude nada tem a ver com a beatice ou servilismo e submissão. Virtude, felicidade e tranqüilidade não são experiências isoladas ou distintas, mas estados estreitamente relacionados. Ao mesmo tempo, que defendia a idéia de que se deve ser bom por princípio, Epicteto observava na prática que uma vida virtuosa, de excelência moral, leva à coerência interior e à harmonia exterior. Há uma grande sensação de alívio em ser moralmente coerente: a alma é pacificada e podemos então levar adiante as nossas atividades de modo mais eficaz e proveitoso ou, como dizia Epicteto “sem impedimentos”. (Autor: Epicteto – Livro: A Arte de Viver – Nova interpretação de Sharon Lebell – Ed.Sextante – Rio de Janeiro – 1957).

Para o filósofo Epicteto, Deus é sabedoria, é inteligência e como tal segue a razão, que é o supremo bem que nos dá liberdade e nos tornam  independentes das coisas, que estão no exterior de nós mesmos. Os bens materiais não podem monopolizar ou dominar os nossos pensamentos, porque roubam o espaço de nossa consciência criativa. Quem escolhe viver segundo as normas do conjunto das coisas, deprecia a sua liberdade interior e torna-se escravo dos bens materiais. Quem investir no desenvolvimento saudável de suas emoções cognitivas torna-se livre e encontra a paz espiritual.

Segundo Epicteto, é preciso lutar para conseguir algo da vida, e a liberdade é fundamental para sermos donos de nós mesmos. A virtude é considerada como único bem. A noção do dever, de viver segundo a razão significa praticar o senso de responsabilidade introduzido na Ética pelos filósofos estóicos. Vida feliz e vida virtuosa são sinônimas, e felicidade e realização pessoal são conseqüências naturais de bem pensar e da prática permanente de atitudes virtuosas. A questão não é agir bem para conquistar os favores dos deuses ou a admiração dos outros, mas adquirir serenidade interior e, conseqüentemente, liberdade pessoal duradoura.

“O consumismo atua para manter a reversão emocional do trabalho e da família. Expostos a um bombardeio contínuo de anúncios graças a uma média diária de três horas de televisão (metade de todo o seu tempo de lazer), os trabalhadores são persuadidos a “precisar” de mais coisas. Para comprar aquilo de que gostam necessitam, de dinheiro. Para ganhar dinheiro, aumentam sua jornada de trabalho. Estando fora de casa  por tantas horas, compensam sua ausência do lar com presentes, que custam dinheiro. Materializam o amor. E assim continua o ciclo”. (Arlie Russel Hochschild – The Commercialization of Intimitate Life, p.208ss).

Milênios de reflexão ética, privilegiando a visão humana do valor do autoconhecimento, que  impulsionaram séculos e séculos de realização pessoal e social, de repente após as duas grandes guerras  há 70 anos atrás, empobreceram consideravelmente a civilização em todos os aspectos éticos, como também foram pauperizados  as economias de todo de todo o mundo. Mas diante do empobrecimento global, jamais se imaginaria a possibilidade do surgimento de um raciocínio engenhoso na transformação dos consumidores em mercadorias como a principal característica, que é o segredo mais profundo e bem guardado da sociedade de consumo. A sociedade contemporânea sucumbiu passivamente, optando por um modelo de consumo fratricida, e que é regida por uma filosofia-padrão de toda a vida moderna.

Mas no horizonte contemporâneo uma nova utopia nasceu, ou seja, enfrentar os desafios da vida, que é a oficina em que a autoconfiança, o senso de dignidade humana e a auto-estima dos indivíduos são formados  e solidificados. Debate-se intensamente no momento a implantação do Estado social com direitos sociais para todos, resgatando o compromisso e a solidariedade, o direito ao respeito e à dignidade humana. “Todo mundo é frágil em algum ponto do tempo. Precisamos uns dos outros. Vivemos no aqui e no agora, juntamente com outros, envolvidos de forma involuntária pelas mudanças que ocorrem. Seremos mais ricos se todos pudermos participar e ninguém for deixado de fora. Seremos todos mais fortes se houver segurança para todo mundo e não apenas para uns poucos”. (Programa Social Democrata Sueco de 2004).