quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O DEVER DA ESPERANÇA EM MELHORAR O MUNDO

                    
 Regina Diniz

Muitos anos atrás, e alguns anos antes que os eventos do 11 de Setembro, o tsumani,o furacão Katrina, e o terrível salto subseqüente nos preços do petróleo (ainda que misericordiosamente por pouco tempo desta vez) propiciassem essas oportunidades horríveis de acordar e ficar sóbrio, Jacques Attali refletia sobre o fenomenal sucesso financeiro do filme Titanic , que superou todos os recordes de bilheteria anteriormente obtidos por filmes catástrofes aparentemente semelhantes. Ele então ofereceu a seguinte explicação, notavelmente plausível quando a escreveu, mas que, alguns anos depois, nos soa nada menos que profética: “O Titanic somos nós, nossa sociedade triunfalista, autocongratulatória, cega e hipócrita , sem misericórdia para com seus pobres, uma sociedade em que tudo está previsto, menos os meios de previsão... Todos nós imaginamos que existe um iceberg esperando por nós, oculto em algum lugar no futuro nebuloso, com o qual nos chocaremos  para afundar ouvindo música... ( Zygmunt Bauman – Medo Líquido –Ed. Jorge Zahar Editor Ltda – Rio de Janeiro – 2006)

Como questionar a procrastinação contemporânea? Como compreender a procrastinação como forma de esperança, de solução, esperando pelo tempo que já se esgotou? Acontece uma negação total com o agora, joga-se tudo para o futuro, elimina-se a realidade e a urgência do presente. Não realizar absolutamente nada, é dar-se mil desculpas pela própria insignificância, e pelo culto a sua própria impotência. A passividade e a inoperância é a indiferença com a responsabilidade no presente.

Gigantescos icebergs, criados pela cultura contemporânea, em seu silêncio majestoso nos contemplam: a crise financeira mundial, a crise nuclear, a crise ecológica, a exclusão social, terremotos, inundações, crimes violentos são evidentes, mas ninguém dá a mínima importância. As catástrofes por maiores que sejam não mais sensibilizam, entretanto a nossa responsabilidade com os nossos tempos, e com as próximas gerações batem forte em nossa sensibilidade afetiva.
  
A esperança de melhorar o social se encaminha para a concretização de ideais de qualidade de vivência, de integridade, de consciência e de razão purificada. São desejos latentes e intrínsecos, que pedem criatividade permanente. O objetivo maior desta emanação é a elaboração de uma vida repleta de construções mentais positivas e ativas. Não dá para não realizar absolutamente nada... Todos devemos pensar na responsabilidade pessoal e social
que nos cabe executar”. No mundo inteiro estão ocorrendo significativas mudanças: surgem grupos de pessoas que nutrem profundo anseio pela vida, por novas atitudes, em vez de repetir esquemas e projetos já superados. São novas idéias que entrelaçam o desejo de renovações profundas em nossa prática econômica e social com mudanças em nossa abordagem psíquica e espiritual da vida.  

A nossa missão maior é desejar, que a civilização seja menos ameaçadora e aterrorizante, pensando em torná-la mais hospitaleira para a vida humana. Todos admitimos que algum melhoramento seja operacionalizado. A chama ardente da esperança é que nos mantém vivos e construtivos. É saudável nutrir o nobre objetivo em toda a nossa existência, fazendo o mundo melhor do que o encontramos. De uma maneira mais geral a meta idealizada é a ativação do indivíduo, a restauração do controle do homem sobre o sistema social, a humanização da tecnologia...

Há milênios o ser humano luta pela liberdade, igualdade e fraternidade. Precisamos acreditar que nós somos o mundo, e que só as nossas idéias serão capazes de melhorar o nosso mundo. Atualmente, considerável número de pessoas buscam novas orientações, novas fontes de realizações, que se centralizem nas prioridades da vida – física e espiritual – e não nas prioridades da morte. Os nossos corações estão se abrindo para a glória luminosa da bondade, da transparência e da confiança na ordem social. Acontece um despertar em nome da vida, e tem uma base tão ampla e comum, porque a ameaça à vida não é, atualmente uma ameaça para uma classe ou nação, mas uma ameaça para todos.

“Como todas as outras formas de coabitação humana, nossa sociedade moderna é um dispositivo que tenta tornar a vida com medo uma coisa tolerável. Em outras palavras um dispositivo destinado a reprimir o horror ao perigo, potencialmente conciliatório e incapacitante; a silenciar os medos derivados de perigos que não podem – ou não devem, pela preservação da ordem social – ser efetivamente evitados. Como ocorre com muitos outros sentimentos angustiantes e capazes de destruir a ordem, esse trabalho necessário é feito. O meio do “silenciamento silencioso” – um processo que é calado em vez de barulhento, oculto em vez de aberto, despercebido em vez de perceptível, invisível em vez de visto, etéreo em vez de físico”. O “silenciamento silencioso”: É estrutural; é parte de nossa vida diária; é ilimitado e portanto está em nós; é silencioso e assim passa despercebido; e é dinâmico no sentido de que, em nossa sociedade, ele se difunde e se torna continuamente mais abrangente. O caráter estrutural do silenciamento “exime” os representantes do Estado da responsabilidade por ele; seu caráter quotidiano o torna “inescapável” do ponto de vista dos que estão sendo silenciados. O seu caráter dinâmico o transforma num mecanismo de silenciamento cada vez mais digno de confiança”.( Thomas Mathiesen – Livro: Silently Silenced:Essays on the Creation of Acquiescence in Moderny Society –Waterside Press – 2004, p.9-14.).

A esperança em evoluir é permanente, é um estado de ser inato. São energias suaves, que nunca se ausentam de nosso imaginário e sempre procuram investir em normas sociais de maior grau civilidade.  Em todos os tempos, o ser humano pressentiu os terríveis golpes de dominação, que visavam a sua escravização absoluta. Durante milênios, ele sempre esteve em ininterrupto plantão, procurando viabilizar a sua libertação. Neste início do século XXI surgiu a Internete com suas poderosas redes sociais, possibilitando mobilizações instantâneas que se interconectam em todo o globo. As pessoas lutam tenazmente apontando muitos alvos, até então intocados: denunciam os políticos, acusam o poder econômico, destacando os banqueiros, condenam os ricos em geral como minoria de 20 %, que sempre exploraram e continuam escravizando 80 % das populações.

São múltiplas as acusações, são muitos os protestos, e através de simples cartazes, as pessoas começaram a reivindicar direitos humanos em todos os continentes. É o início de uma nova era, é a esperança de um estado de espírito, que jamais abandonou a fé em uma vida plena. Agora se abriu em nossa consciência, a compreensão de que o presente é tudo o que temos, e que vale a pena ser vivido com qualidade existencial. Em todo o mundo o debate a crise econômica, denuncia o corte de benefícios sociais, reclamam o desemprego, o descaso com a educação, o desleixo com a saúde pública, corrupção, globalização fracassada, abandono com o meio ambiente, governos autoritários, capitalismo falido e outras causas bem obscurecidas. 

Spinoza chamou a coragem de firmeza, que é encontrada na pessoa que se apóia dentro de si própria, ama a vida e deseja valorização do ser humano, que somos todos nós. A fé e a esperança são qualidades genuínas, que se movem rumo a mediações de realizações individuais e sociais. O atual sistema social mundial tornou-se inoperante, tirânico e ditatorial no que diz respeito às liberdades, e aos direitos universais do cidadão.

Um mundo singular e saudável está nascendo, é um mundo de esperança imorredoura de paz. Um novo equilíbrio entre liberdade, igualdade e segurança está sendo imaginado em escala planetária. Os mentores desta espetacular proposta são pessoas oriundas de regimes de educação democrática. Nos Estados Unidos, nas grandes Capitais Européias, nas três Américas, no Oriente, navegam mensagens: “Todos desejam um planeta, onde todos os seres humanos sejam iguais”.

São convites às mediações construtivas, onde brilham projetos inteligentes, a fim de criarmos planos sensatos e viáveis. No mundo igualitário, justo e humano que tanto almejamos, só se tornará realidade com trabalho delicadíssimo de encontro humano, com esforço coletivo, com políticas públicas transparentes, com liberdade de manifestação, com elevado nível de civilidade, com justiça social, com educação, com oportunidades para todos e principalmente que tremule a bandeira da paz. O primeiro passo foi dado, agora é indispensável o nosso trabalho de união, a nossa dedicação, a nossa paciência para que este novo mundo se concretize.       

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A AUSÊNCIA DO TIMONEIRO


REGINA DINIZ

A lógica da mercadoria contaminou a cultura inteira.
Falsearam as percepções com o mundo que nos rodeia.
Desorientados, perdemos o controle da nossa caminhada.
Foi desencorajada a iniciativa e fugiu a autoconfiança...

Fugirei da procrastinação para o calor construtivo da alma...

A lógica da mercadoria contaminou a sexualidade.
Nunca como hoje se mercantilizou tanto o falso afeto.
Vendemos por muito pouco o nosso corpo,
E achamos que assim salvamos a alma do desespero...

Pensarei além do corpo e buscarei também os tesouros do espírito...

A lógica da mercadoria contaminou as relações humanas.
Os nossos tempos afastaram os homens do leme das emoções.
Hoje o grande timoneiro é o ter virtual.
Morreremos de solidão ao amar só aos objetos...

Refletirei acerca de Deus, da alma, do universo e da vida...

A lógica da mercadoria contaminou os sentimentos.
Fomos transformados em inimigos de nós mesmos.
São tempos de profunda revolta contra si próprio.
Esquecemo-nos completamente da alma...

Preciso urgentemente das vozes celestes...

A lógica da mercadoria reduziu tudo a objeto.
Celebramos o objeto como nunca se viu antes na terra...
A vibração é de encanto alucinante pelos objetos.
Chegamos ao extremo de matar a transcendência da alma...

Percebo milênios de sombra cristalizados contra a luz...

A lógica da mercadoria desintegrou a nossa alma.
Não nos interessa tornar felizes ninguém.
Repelimos com veemência a convivência.
Confinados e rodeados pela solidão dos objetos,
Achamos que somos felizes...

Tudo é belo, tudo é santo na casa de Deus para onde retornaremos...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A PRECIOSA HERANÇA DE LIBERDADE E NOBREZA

                        
 REGINA DINIZ

            Assim como ocorre com a doutrina de que não se deve ser egoísta, também há muita propaganda da tese oposta na sociedade moderna: - tenha em mente suas vantagens, aja de acordo com o que for melhor para si; - fazendo assim você também estará agindo para maior proveito de todos os outros. Com efeito, a idéia de que o egoísmo é a base do bem-estar geral constitui o princípio sobre o qual se ergue a sociedade competitiva. É de estarrecer como dois princípios tão aparentemente contraditórios puderam ser ensinados lado a lado na mesma cultura; quanto ao fato, porém, não há dúvida alguma. Uma conseqüência dessa contradição é a confusão do indivíduo. Dividido entre essas duas doutrinas, ele fica seriamente inibido para integrar sua personalidade. Essa confusão é uma das fontes mais expressivas de perplexidade e atarantamento do homem moderno”. (Karen Horney – livro: The Neurotic Personality of Our Time – Nova York – 1937)

Há milênios o ser humano descobriu, que o amor é um fenômeno de riqueza e opulência interior. O impulso afetivo do amor é a expressão do vigor emocional do indivíduo que pode oferecê-lo. O amor é fecundidade e fertilidade, é o que nos dá força interior autêntica. A compreensão da própria vida – felicidade – crescimento – liberdade autêntica – origina-se de sua capacidade afetiva, isto é, vigilância carinhosa, respeito, responsabilidade e conhecimento. O amor procura construir a união entre as pessoas, e os teóricos manipuladores da sociedade competitiva coloca-as numa disputa social cruel e insana.

Com todo o manancial de reflexão ética de que dispomos, é surpreendente que propostas de união e solidariedade fossem ofuscadas, a ponto de permitir o surgimento triunfante da sociedade competitiva, que aniquilou a contemporaneidade, deixando-a extremamente violenta. Nunca se soube em outros tempos da existência de tantos presídios de segurança máxima.O nosso mundo está como sempre esteve por milhares de anos. Grandes avanços éticos e significativos retrocessos éticos. Crescendo, caindo, mudando, ficando no mesmo lugar. A condição humana continua a mesma. Avanços construtivos e destrutivos entram e saem de cena.

Freud aceita a tese de que o amor a si mesmo e aos outros é conjuntivo em princípio, como explicar o egoísmo, que obviamente exclui qualquer solicitude pelos outros? A pessoa egoísta só se interessa por si mesma, quer tudo para si, não sente prazer em dar, mas somente em tomar. O mundo exterior é olhado apenas quanto ao que dele pode ser tirado; ela carece de interesse pelas necessidades dos outros e de respeito pela sua dignidade e integridade. Nada pode ver além de si própria; julgam todos e tudo sob o ponto de vista de sua utilidade para si: é fundamentalmente inapta para amar.

Entendo que a pessoa egoísta não ama a si mesma. Afastando-se das pessoas envolve-se numa insegurança e por isso se deprecia. Esta ausência de ternura deixa-a enfraquecida emocionalmente. A pessoa egoísta e competitiva acredita, que pode retirar seu afeto dos outros, e colocá-lo na sua própria pessoa, ela não se esforça para cuidar e deixar mais fortalecido o seu verdadeiro eu. São incapazes de amar os outros, e não são capazes de amar a si mesmas.

Aproximar-se de si mesmo, admitir o direito de conhecer o seu próprio eu torna-se difícil, porque sabe que o verdadeiro objetivo é o desenvolvimento total de suas potencialidades como ser humano, e que precisa aprender a valorizar os seus sentimentos de saudabilidade emocional. O caminho mais inteligente é pensar nas jóias raras das qualidades humanísticas, para não ficar presa fácil dos teóricos consumistas midiáticos, que só se interessam em vantagens materiais, poder e sucesso. O homem, contudo, sempre refletiu e criou, porque sabe que a razão subjetiva é a fonte da força, da liberdade e da felicidade.

Infelizmente, na pós-modernidade, foi instalado mais um projeto materialista tremendamente destrutivo, convencendo as pessoas para não sentir e não demonstrar um mínimo de afeto pelos outros. Solidão, perda de laços afetivos, depressão, ansiedade são marcas dolorosas de nossos tempos. “O que gera esta situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômicos, que motivam intensamente os indivíduos para a competitividade, egoísmo e inveja. E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências, que por si só são importantes fontes de problemas, tensões e infelicidades”. (Tenzin Gyatso – Dalai Lama do Tibete – livro – Uma Ética para o Novo Milênio – Editora Sextante – Rio de Janeiro – 2000).

Todos nós sabemos que o objetivo da vida não é prejudicar os outros, mas beneficiá-los, tornando suas vidas úteis, livres de problemas, propondo as soluções positivas, para oferecer uma possibilidade de felicidade maior para as pessoas. Podemos trocar idéias sobre como encontrar a motivação ideal para alcançar e redefinir o propósito de uma cultura socialmente saudável. São possíveis mudanças subjetivas, porque uma mente bem equilibrada ajuda muito, e deveríamos investir mais neste estado mental estável.

O equilíbrio interior é fundamental para a boa saúde, porque uma mente que aprendeu a superação, principalmente em ambientes hostis como é na sociedade contemporânea, significa uma vida feliz e um futuro sadio. E em culturas violentas, as decisões mentais firmes, equilibradas e estáveis evitam possíveis desequilíbrios emocionais. Podemos descobrir valores éticos para administrar nossas emoções, dependem da força de vontade de auto-observação profunda e de conhecimento adquirido ao longo de toda a vida.

“Ninguém conhece a Deus antes de conhecer a si mesmo. Voe para a alma, o lugar secreto do Altíssimo” disse Meister Eckhart. Relacionando esta verdade com Sócrates, Kierkegaard escreve: ”Segundo Sócrates, cada indivíduo é o seu próprio centro e o universo gira a sua volta porque o conhecimento de si mesmo é o conhecimento de Deus. Esta não é a história completa da ética, mas não há dúvida que se não começarmos por aí não chegaremos a lugar algum”.

O simples confronto construtivo consigo mesmo favorece a libertação, que nos consola, então podemos fazer o bem para nós e para o mundo. Todo o ser humano que crê na melhoria do mundo, evolutivamente ama o mundo. Se imaginarmos e ousarmos abraçá-lo com os braços fluídicos de nossa alma, nossas mãos encontrarão as mãos que sustentam o mundo. “Não é o que vemos e tocamos ou o que os outros fazem por nós que nos tornam felizes; é o que pensamos, sentimos e fazemos, primeiro pelo nosso próximo e depois para nós mesmos”. (Helen Keller).

O indivíduo que verdadeiramente vai em busca de sua realização, na construção de um mundo humano melhor se liberta de emoções negativas como raiva, ódio, inveja, ganância extrema... Todas as coisas boas e construtivas, as experiências humanas mais felizes, são motivadas pelo respeito aos direitos dos outros, e pelo interesse pelo bem-estar dos outros, como amor fraterno, bondade, afeto.Como seres humanos somos criaturas sociáveis, dependemos uns dos outros para sobreviver. Nossa atenção às necessidades de alguém traz elevação de espírito tanto para essa pessoa como para nós mesmos. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A CATEDRAL PERDIDA

Regina Diniz


                                    Escalo novos degraus de autoconhecimento...
                                    Administro a vida com propósitos novos...
                                    Quero tanto que aflore
                                    Novas habilidades, novas interpretações...

Estou sentado no ponto de café expresso,
No shopping “Praia de Belas” em Porto Alegre...
Enquanto brinco com a espuma dourada e cremosa,
Que flutua no cafezinho fumegante,
Olho atentamente as pessoas que transitam entre as lojas.
Espero meu irmão Eduardo...
Percebo que as pessoas ficaram mecanizadas,
A vida as tornou distantes...
Tanto de si como de todos os outros indivíduos...
Impera a fé insensata só na aparência,
É a única janela que ficou de comunicação entre os homens,
Neste novo milênio...
Viver na confusão urbana é complexo...
Aos quarenta anos de batalha vejo que eliminei
O meu eu adolescente e o meu juvenil,
Devo reavivá-los como bandeira de luta na maturidade.
Gosto de pensar e viver a vida com o coração...
É extremamente gratificante olhar as pessoas com afetividade,
Em tempos extremos de vazio existencial...
Em tempos extremos de ausência de rumos...

Escolho flores no jardim do bem...
Conjugo valores eternos...
Só assim dou sentido à vida...
Acalmo-me na alegria intrínseca...

É transparente a sedução apenas pela aparência exterior...
Que pena... que pena...
Não acreditamos na força do afeto,
O esplendor humano é pela fruição afetiva,
Pelos olhos das emoções construtivas enxergamos a paz,
Em todos os dias,
Sempre.
Preciso achar a paz.
Ela está dentro da catedral,
Que foi perdida pela contemporaneidade...
A insegurança emocional reluz na face dos meus tempos.
Queremos esconder a alma.
Temos medo de mostrar o coração,
Somos frágeis... As emoções nos amedrontam...
Invade-me uma alegria repleta de quietude e tranqüilidade,
Só em alimentar a possibilidade de cultivar
Uma aventura construtiva...
A meu próprio favor...
Porque a violência é o pior sentimento que alguém possa carregar.
Nutro um grande sonho de crescer espiritualmente.
Acreditarei na minha própria credibilidade,
Confiarei na lisura de meus objetivos,
Serei correta comigo mesmo,
Nunca... jamais...  praticarei a auto-traição...
Nunca... jamais... cairei no auto-engano...

Procuro trazer o céu...
Para a terra...
Vibro Deus...
É uma escolha bem feita...

Viverei corretamente com todas as pessoas que encontrar.
A vida não é só mãos no trabalho.
A vida também é coração em Deus.
Sempre procurei melhorar as minhas escolhas,
Para ser útil indistintamente.
Nunca liguei para os fracassos...
Faz parte dos erros e acertos da caminhada...
A arte do êxito da vida é neutralizar as derrotas...
Mas que derrotas?
Ninguém é derrotado... Ninguém é vencedor...
Todo mundo faz o que pode...
Faz até o impossível para acertar...
Somos heróis todos os dias nos desafios que enfrentamos,
Porque uma nuvem densa escurece os nossos dias.
É preciso enxergar com clareza...
Tenho receio da cegueira coletiva,
E caminhar em círculo durante toda a vida,
Por isso cuido muito de minhas auto-induções...
Só eu posso descobrir os meus segredos construtivos,
Embora seja difícil, exijo-me vias corretas de ser
E a minha alma bate palmas...
A avaliação sagrada é a da própria reputação,
Firmemente é o resultado da avaliação dos meus atos,
Por isso não é válido
Ninguém julgar ninguém e sim se julgar...

Procuro unir os retalhos da minha alma,
Que me mostra o estilo da simplicidade,
Que valoriza as virtudes universais,
É um tom extremamente revitalizador...

O Eduardo está demorando tanto...
Talvez o trânsito congestionado o atrasou...
Mas está interessante ficar aqui olhando as pessoas...
A vida é uma escola difícil...
Custamos a aprender o que nos impulsiona para a frente,
Pisamos facilmente nas pedras soltas do destino,
Que as vezes trancam definitivamente,
As janelas para a compreensão do mundo,
Percebo que a ilusão da auto-suficiência,
É um mal psicológico epidêmico...
Dói dentro da minha realidade interior o medo extremo
De cair nas malhas da infantilidade...
Os nossos tempos proporcionam aos borbotões,
Egos radicalmente ingênuos de onipotência,
Teses arrogantes do indivíduo particular sem a força do social,
A grande virtude da cooperação entre os homens
Desapareceu... Foi tão açoitada...
Que fugiu para sempre, talvez para nunca mais voltar,
E com ela sumiram
As sutilezas da integração humana...
Por forças que desconheço os valores humanos foram sepultados,
Agora é o império dos valores das “coisas materiais”
Mas ninguém agüenta mais...
Haverá um renascimento do homem criativo,
Pétalas de renovação voam ao nosso redor,
Ressurgirá o potencial do homem com grande força...

A lembrança de um momento no tempo,
É o desespero pela mudança
Da realidade violenta...
Desejo ser um raio de sol...

O Eduardo está demorando...
Mas daqui a pouco ele chegará com certeza...
O ser humano de hoje acredita só na força da aparência,
Não restam dúvidas o investimento é extremado,
O interessante é que ele seduz o tempo todo...
Não se cansa jamais...
Repete continuamente o mesmo jogo...
Banalizou o jogo do encantamento...
Liga exaustivamente os imãs de atração,
Não se lembra de si mesmo nunca,
O seu coração deve ser vazio de prazer para si...
Este é o famoso vazio interior...
Parece mentira, mas agora é que eu compreendi.
Ele se expõe à extrema carência de sentimentos,
Tudo para os outros...
Nada para si... Sempre para os outros...
Mas não se liga afetivamente com ninguém,
Mostra o descompromisso emocional abertamente...
É uma pessoa que só tem o presente,
E não pensa em futuro afetivo,
É uma ligação momentânea,
Mas de uma instantaneidade assombrosa,
É consciente da existência dos sentimentos,
Mas é temerosa em usufruí-los...
Tem receio em ser desapontada,
E vive o impossível
Sobreviver com migalhas de falso afeto,
É modesto demais...
Não acredita no potencial das emoções afetivas...
Não acredita na estabilidade dos sentimentos...
Sobreviver com um mínimo de integração,
É um ato heróico...
E continua vivendo a vida bem separado...
E acredita mais do que nunca
Que a suprema felicidade é ser só... 

Empatia, união, compaixão...
Invisto na contemplação mística...
É pela via espiritual,
Que encontro a essência da jornada...

O valor afetivo das coisas
Superou o valor afetivo com as pessoas,
Os vínculos com o ser humano estão sepultados,
Agora o homem só quer as coisas...
E lá vem o Eduardo...
Cabeça erguida, discreto, personalidade profunda,
Não se indigna jamais...
Tem consciência da superficialidade atual...
-Maurício, eu demorei porque o cartório estava superlotado...
-Sei que não gostas da impessoalidade moderna
-E dos paraísos de consumo, por isso fiquei apreensivo,
- Mas poderemos viajar para Santa Maria agora já...
- Só vou tomar uma laranjada com sanduíche integral...
-Eduardo, eu sei que não te preocupas com ninguém...
-Mas como não ver a escuridão afetiva dos nossos tempos?...
-Reflete Maurício... Não é racional lutar contra a maioria silenciosa...
-São forças manipuladoras onipotentes,
-Que são jogadas para ninguém pensar em si mesmo...
-Motivações para distraí-lo totalmente... para que não veja...
-Principalmente a imensa escravidão ao tédio,
-Para que não perceba que não evoluirá nada...
-Absolutamente nada...  tremendamente nada...
-É o triunfo da passiva escravidão,
-Como jamais aconteceu em outros séculos,
-É a total cegueira de percepção...
-É terrível...
-A pior meta é deixar-se seduzir pelo que não tem vida...
-São urgentes as motivações de vida...
-Para continuarmos vivendo...
-A vida se entrelaça só com mais vida...
-Eduardo: -A natureza é uma mãe apaixonada...
-É preciso amar os artistas da natureza...
-E aprender com eles...
-Apreciar o pulso das emoções pela vida construtiva...
-Admirar o pulso da terra sempre generosa...
-É preciso surpreender-se com os animais em liberdade...
-É preciso extasiar-se com a montanha arrebatada pelo vento...
-É preciso assombrar-se com as forças motivadoras...
-É preciso considerar a sabedoria espiritual...