sábado, 28 de maio de 2011

A PRÁTICA DA GENEROSIDADE HUMANA

 REGINA DINIZ

O futuro da democracia depende da concretização do individualismo, que tem sido a meta ideológica do pensamento moderno desde o Renascimento. A vitória da liberdade só será exeqüível, se a democracia evoluir para uma sociedade em que o indivíduo, seu crescimento e sua felicidade sejam a meta e a finalidade da cultura, em que a vida não careça de nenhuma justificativa dada pelo sucesso ou qualquer outra coisa, em que o indivíduo não seja subordinado nem manipulado por qualquer força alheia a ele, quer seja o Estado ou a máquina econômica; por fim, uma sociedade em que a consciência e os ideais do homem não sejam a interiorização de exigências externas, mas sejam realmente dele e exprimem os objetivos oriundos da peculiaridade de seu próprio ego.  (Autor: Erich Fromm – Livro: O Medo à Liberdade – Zahar Editores – ano l983).

Todos nós somos individualidades, valorizamos jeitos de ser diferentes uns dos outros, e a vida que nos foi dada por Deus nos contemplou com a tendência intrínseca para crescer, para expandir e para expressar nossas potencialidades. Sentimos um chamamento interior para contribuirmos com algo construtivo para nós, para os outros e para o mundo. Os arquivos da História da Humanidade revelam crueldade e destruição, mas a despeito de tudo, os homens procuram manter e desenvolver as qualidades de dignidade, coragem e ética, que encontramos em inúmeros indivíduos de nossos dias.

A história da humanidade é a história crescente da responsabilidade pela própria individuação, que reforça a busca incessante da liberdade. Temos certeza de que somos despertados para renovar valores existenciais. Quando sentimos esta força pulsar dentro de nós, tornamo-nos felizes por descobrir respostas, fato que nos deixa conscientes do nosso caminho original, só nosso que não é copiado, nem reproduzido, mas que se originou de nossa própria reflexão. A liberdade de podermos nos soltar de velhas maneiras de pensar, de rirmos de nossas tristezas, de acentuarmos a renovação positiva em nossa vida só nos traz alegrias.

Somos dotados de competência para edificar nossos próprios projetos pessoais, culturais, econômicos e sociais. É bem possível que a nossa emancipação da cultura vigente (consumista), permita surgirem idéias capazes de favorecer novas propostas de crescimento social e cultural. É de se perguntar, num diálogo muito íntimo, do eu para o próprio eu: - Qual o motivo do desaparecimento do mundo das virtudes como a hospitalidade e a magnanimidade?...

Sempre pergunto. - Afinal quem somos nós? – Sinto extrema necessidade de repensar tudo. Sempre me encanto na beleza do planeta!... Sempre agradeço... Deus pensou em tudo... Fazendo uma leitura retrospectiva, vimos que foram cultuados, por milênios, a dedicação às práticas humanísticas civilizadas. Fazendo uma leitura contextualizada, noto muito vivos estes dogmas iluminados praticados por pessoas, que não aderiram a este presente  retrocesso humanístico, e continuam enriquecendo o seu imaginário social e espiritual. Muitos de nós experimentamos momentos em que parece haver uma união de tudo o que nos agrada. Num instante assim, somos felizes e gostaríamos que durasse para sempre.

Essas pessoas maravilhosas de alma iluminada praticam os atos de grandeza de coração, aconselhando e fazendo orações para a humanidade despertar desta cegueira global. Essas pessoas praticam atos de bom acolhimento para as pessoas incondicionalmente, procurando ajudar. Esforçam-se por gerar uma corrente de motivação intensa no auxílio mútuo. Estamos no mundo por desígnio de Deus.

Representamos a fonte básica de valores para a nossa família, para a nossa cidade, para o nosso país e para o mundo inteiro, não só em termos de planejamento na vivência de sustentabilidade econômica, como também em termos de visão do bem-estar humano. Se compreendermos a importância de objetivos, de práticas, que favoreçam a propagação das normas humanísticas, que seriam incorporadas pelas pessoas, que ficariam inteligentes e saudáveis se fosse eliminada a violência, que hoje tomou conta do mundo. O sistema cultural seria orientado para a vida plena. Desapareceria o modelo de ser passivo, entediado, insensível, que desenvolve sintomas patológicos como ansiedade, depressão, despersonalização, indiferença à vida, indiferença à violência...

É um grande desafio para todos nós praticar a generosidade. Somos obrigados a ajudar, nem que seja com um mínimo, pois este gesto humano nos dará a felicidade espiritual que tanto almejamos. Unidos pela prática da generosidade, rezando com fé pelo bem de todas as pessoas, melhoraremos a qualidade de idéias e pensamentos em nosso planeta. É preciso lembrar que nossa atuação é única e essencial para os que nos cercam.


Podemos falar, e falar, de todas as filosofias ao longo de toda a nossa vida e não desenvolver nada em nossos corações. Nada substitui a nossa bondade com os outros. Seja qual for a nossa crença, é possível expressarmos a dimensão espiritual de nossa vida de maneira simples. Cada pensamento de benevolência, cada impulso de brandura fortalece a nossa alma e inunda a nossa vida com a luz dos sentimentos.

“Não menos do que 1.2 bilhões de pessoas, ou seja, um em cada cinco habitantes do planeta deve contentar-se com menos de um dólar por dia. Essas pessoas praticamente não têm acesso aos mercados, portanto, nenhum acesso a bens e serviços, os quais seriam propriamente necessários à condução de uma vida satisfatória e humanamente digna! Devido à pobreza, todos os anos morrem prematuramente, 18 milhões de pessoas – 50 mil por dia. Isso representa um terço de todos os casos de morte em seu conjunto”. (Autor: Thomas Kesselring – Livro: Ética, Política e Desenvolvimento Humano, A Justiça na Era da Globalização) – Editora Educs – Universidade de Caxias do sul – 2007).

O fato de alguns serem ricos e outros serem pobres acompanha a história da humanidade. O contraste chocante entre o luxo suntuoso e a miserabilidade nos propõe uma profunda reflexão. O grande desafio é criar um programa, nem que seja com um mínimo de sustentabilidade, porque um relativo bem-estar e uma mínima qualidade de vida são essenciais à paz social.

Uma razoável qualidade de vida econômica e social depende de um bem pensado sistema educacional, de boas propostas de relações sociais justas, e principalmente de instituições políticas confiáveis. Uma proposta coerente seria o debate em mediação construtiva, das melhorias estruturais de solidariedade e não unicamente materiais. Há milênios já se sabe, que quanto mais alto o padrão de vida de uma sociedade, menos sustentável é sua forma de vida.

É mentalmente sadio afastar do ser humano tudo o que o ameaça, a guerra civil, a insegurança, o terrorismo e a criminalidade violenta. Talvez a troca do modelo da ditadura do desenvolvimento econômico em prol do desenvolvimento humano desse melhores resultados. Cada indivíduo é único e precioso, e lembrar sempre isso eleva o nosso espírito, e assim tornamo-nos competentes em conjunto com nossos semelhantes em respeito mútuo... É possível fazer de nosso planeta um lugar abençoado por Deus...     

quinta-feira, 19 de maio de 2011

DEGRAUS DE LUZ

Regina Diniz


Buscar a natureza da alma...
Despertar para a força da mente...
Privilegiar o celestial...
A renovação emana de Deus...

Lucia olha o céu que está nublado,
E vibra ao deparar-se com um raio de sol,
Prenúncio de um dia para excelente reflexão espiritual...
Antes de dobrar a direita, olha para a pracinha de Teresópolis,
E enxerga a Igreja, quando admite ter recebido essências sutis...
E diz para si mesmo:
-Busco a esperança de ser pela vertente positiva...
-Aumenta a vontade de viver com qualidade...
Foi buscar a Marion, sua amiga, de muitas fés...
Que tem o dom de aliviar pesados sofrimentos...
E que acredita de que um poder espiritual zela por nós...
Em suas orações ela sempre conversa com Deus:
-Pai seja feita a tua vontade e não a nossa...
-Aqui estamos na casa do caminho,
-Fortalecendo os sentimentos para grandes recomeços...
-Exercitando a força interior das boas emoções,
-Tentando ser um bom coração...

Amor puro e devotado reveste a alma de luz...
Só desejar o bem atrai a energia divina...
Abandonar interesses materialistas...
Saldar a dívida cármica...

Ao apertar a campainha da casa surpreende-se encantada,
Pela beleza do jardim coberto de amor-perfeito.
Surge então Marion com alegria entusiasta,
Veste um casaco amarelo ouro,
Entra no carro e avalia o tempo:
-Está nublado, mas o frescor está agradável...
-Eu prefiro passar frio do que passar calor...
-Lucia sentiu a força magnética de superação...
Motiva-se:
-Vamos buscar novos despertares...
-Agora entraremos na Avenida Campos Velho...
-Ótimo, aqui está o retorno...
-Alí está o RN-Vídeo com ótimo estacionamento.
Entram e Marion argumenta:
-Queremos um filme com atributos divinos e imortais...
-Queremos personagens esforçando-se na união com Deus pelo amor...
A atendente olha-as com empatia.
Lucia continua:
-Os personagens devem agir e falar com a mente pura.
-Interesses materialistas nem pensar...
-A felicidade que é real vem do contentamento e da força da mente...
A atendente sugere:
-Nós temos três lançamentos:
-O Segredo, que eu particularmente não recomendo...
-Aparecem, claramente, só objetivos materialistas...
-Temos a Profecia Celestina...
-Maravilhoso, mas está locado...
-Temos ”O Poder pela Eternidade” que é ótimo.
-Conta a vida de um jovem rapaz, que aprende com o mentor espiritual,
   a ciência do poder da mente.
Locaram a fita.

Lampejos de luz súbitos...
Iluminam as virtudes puras,
Que dão vida às qualidades espirituais...
É sublime a trajetória da alma...

Ao chegar na casa da amiga, Marion observa:
-Ficou bonita a entrada com estas rosas verdes...
-Nasceram outras por baixo, é o verde da esperança...
Mirian abriu o portão dizendo-lhe:
-Vens trazer luz... Todos precisamos de muita luz no espírito...
Ao entrar na varanda, Marion observa:
-Que aroma de comida bem temperada! ...
Lucia foi a sua pequena biblioteca,
E trouxe duas folhas de papel ofício rascunhado e diz:
-Eu te confesso Marion... pouco sei sobre o carma..
-Admito que é resgate de terríveis erros...
-Acredito que a verdadeira vida está na consciência espiritual...
-Transformar nossa vida nos mais espirituais pensamentos,
  começando pela responsabilidade afetiva com todos os seres...
-Grande conquista seria levar na memória da alma,
  as nobres e altruístas ações...
-Significativo avanço evolutivo seria conhecer o outro,
  e aprender a ciência das emoções que curam...
-É maravilhoso grafar em nossos arquivos pessoais,
  o amor fraterno incondicional com divina devoção...
- Marion o que achaste desta reflexão?
-Muito Bom...

Fazer tudo com o coração...
Inspirar-se na beleza da natureza,
Que encanta e equilibra...
Deus mostra-se pela harmonia profunda...

Lucia recebeu o estímulo ofertado e continuou:
-Nunca vou esquecer a beleza inigualável deste planeta          
-Acredito que o nível de nosso destino evolutivo é alto...
   está escrito nas estrelas...
-A nossa consciência deve fluir, só agradecimentos a Deus.
-A nossa consciência deve emanar só a bondade incondicional...
-Só assim resgataremos eventuais erros praticados...
-Deus nos dá de graça o ar que respiramos...
-Deus nos dá de graça o sol que nos revitaliza...
-A natureza é de incomparável magnetismo...
-É preciso retribuir em alto nível...
-Devemos envidar todos os esforços para nos salvar,
- E não para nos destruir...
Marion ouvia silenciosamente...
-Que achaste destas colocações espirituais?
-Ótimas... privilegiaste a evolução da alma...
Lucia respira fundo:
-Então a reforma interior brilha nos pensamentos divinizados...
-O nosso crescimento espiritual...
-Depende do nosso poder de cognição.
-Nós somos as nossas únicas realidades...
Lucia concentrada argumenta:
-O sentimento de responsabilidade afetiva
  nasce do amor incondicional do espírito por todos os seres...
- O sentimento da responsabilidade afetiva
-É o início da sabedoria sacra...


O amor é o alimento das almas...
Deus é amor... Deus é paz...
Luz de Deus presente...
Ilumina pactos de amor incondicional... 

Marion refletindo profundamente explica:
-A colheita da vida em bônus espirituais,
-Consiste na prática da caridade...
-Lembrar-me-ei de tudo quanto amei nesta vida,
  com a força da fé em ajuda mútua...
-Somente os sentimentos dignos sobreviverão...
Mirian convida-as para almoçar.
Peixe ao molho, regado com suco de uva...
Grão de bico, arroz e salada mista era o cardápio.
Após o almoço tomaram cafezinho preto.
E logo foram assistir ao filme “O poder pela eternidade”,
Que conta a história do jovem Paulo
 No auge das competições em ginástica na prática das argolas.
Com excelente rendimento na Universidade,
 Era convicto de suas potencialidades,
 Era reconhecido e valorizado pelos colegas,
E principalmente pelas moças que o admiravam.
Numa noite, enquanto aguardava a namorada,
No leito de sua cama, para momentos de amor,
Assustou-se pela visão de um senhor que o fitava dentro do quarto.
Amedrontado, não sabia o que pensar,
 Porque viu que ele desaparecera,
Tão subitamente como aparecera,
Afirmou então para si mesmo:
-Ele surgiu do nada...
-Ele é uma alma...
-O que será que ele quis me dizer?...

Irrompem com exuberância
Diferentes interpretações da vida.
São riquezas da existência
Borbulham fontes de inspiração
Para renovar a alma...

Paulo se dirigiu rapidamente para uma loja de conveniência,
Comprou um refrigerante, quando notou que um senhor de cabelos brancos,
Limpava, calmamente, os vidros de um carro.
Olharam-se interrogativamente por alguns segundos,
Então ele disse:
-Cuidado rapaz com os pensamentos apressados e confusos,
   que impedem as nossas maiores autodescobertas.
E continuou:
-É na mente humana que acontece a maior guerra...
-É a sabedoria tentando impor-se à ignorância...
-A sabedoria é viva, é como o ar que respiramos.
-Ela está aqui bem perto...
-Mas para vê-la temos de criar bons pensamentos...
Paulo não disse nada.
Afastou-se tomando o seu refrigerante calmamente...
Quando olhou para trás, enxergou-o no parapeito do quarto andar,
Voltou e ficou aguardando-o,
De repente ele apareceu do lado dele dizendo:
-A verdade está dentro de nós...
-Não deixes virar o barco da serenidade,
-Só ela acalma as marés negativas da mente...
-Lute por bons pensamentos, eles estão todos dentro de ti...

Refinamento espiritual da alma
A purificação das emoções...
Libera a intuição espiritual,
Que impulsiona a evolução interior...

Paulo após uma festa juvenil de extremada transgressão acidentou-se.
Quebrou a perna que o impossibilitava de praticar o seu esporte...
Novamente foi aconselhado pelo senhor de cabelos brancos.
No término do filme, Paulo procurou o amigo,
Para contar-lhe a sua vitória na olimpíada universitária.
Queria dizer-lhe que ele tinha a razão,
Pois a saúde está na mente positiva...
Mas não o encontrou mais...
Simplesmente desaparecera...
Marion perguntou:
-Afinal era um espírito encarnado ou desencarnado?
Chegaram a conclusão de que era um espírito desencarnado.
Mirian convidou-as para tomar chá de canela com maçã,
 Acompanhado de pães de queijo e pão de ló...
Lucia contou-lhe que a viuvez tomara conta do grupo.
Que talvez fosse necessário ajudá-las nesta passagem da existência.
Marion serenamente respondeu:
-A gente vem com a maravilhosa predestinação de aprender...
  de superar construtivamente as passagens reais da caminhada.
-Depois do que eu passei...
-E hoje estou aqui muito bem graças a Deus...
-Elas aprenderão por si mesmo...
-Porque os seres que amamos não são imortais...
-Eles nos ajudam e vão embora...
-A morte não é apenas o perecer de um corpo físico...
-É um constante avanço...
-A evolução está sempre principiando a cada momento.
-Nesta caminhada nós também os ajudamos...
-Porque também aprendemos a ajudá-los...
-Cumprimos a nossa etapa...
E também seguimos à frente...
Ficamos corajosos...
E libertamos a energia positiva que nos cura...

Relações próximas e verdadeiras...
Mostram-se experiências profundas...
Viagem ao centro do eu...
Os sentimentos abrem-se à compreensão de si mesmo...

Após o chá, Marion levanta-se da mesma.
Senta-se na janela, cruza as pernas.
Recolhe-se interiormente alguns segundos e conta:
-Em um ano eu fiquei completamente só no meu casarão...
-Esta foi a maior realidade que a vida me mostrou...
-Veja: Em um ano meus três filhos se casaram...
-O meu companheiro Galeano foi embora muito cedo...
-Em seguida a minha mãe também partiu...
-Mas em sempre soube...
 -Que a minha maior vocação     
-Era partilhar coragem existencial...
-Era acreditar em relações próximas e verdadeiras,
-Onde as emoções de esperança pudessem manifestar-se.
-O Círculo da Luz era o meu lugar...
-A minha rua do coração é a Alfredo Varela.
- Neste abrigo, presenciei experiências profundas, decepções, alegrias,
-Recomeços fantásticos, renovação de forças espirituais...
-Porque a energia curativa é sempre viva...
-Ela encoraja a dura caminhada na estrada da matéria.
-A viagem do crescimento espiritual é muito complexa,
-Mas é a única que é válida...
-Mas é a única que gratifica a alma...

Constante reexame das intenções e metas pessoais...
A sabedoria é relação harmoniosa...
Desperta o nosso próprio potencial...
Crescemos até a bondade...
E alcançamos a paz...

Lucia foi surpreendida pelas revelações e pensa:
“Ela não se dá conta do quanto sabe”.
-Marion tu chamas o “Círculo da Luz”,
-De a casa abençoada do caminho...
-Após décadas de dedicação ao próximo,
Posso chamar-te de “A mestra da consolação revitalizante”
-Como aprendeste?
-Lendo muito e admitindo do fundo da alma,
-Que só o amor nos cura...
-É o afeto a maior fonte de motivação e equilíbrio...
-Exploro continuamente bons sentimentos comigo mesmo...
-Para compreender os meus semelhantes,
-E levá-los a superação de obstáculos na vida...
-Lamentavelmente o tom impessoal, a frieza afetiva,
  percorre todas as relações de nosso planeta...
-Eu os ouço empaticamente...
-Eles me contam decepções e alegrias...
-Sentem falta de relações próximas e verdadeiras
  onde se arrisquem o cultivo do amor fraterno.
-Existe uma urgência de auto-expressão,
-Onde sentimentos e emoções possam ser ditas e aceitas...
-É o caminho do amor que  Jesus ensinou...
-Quando falo em Deus...
-Eles encontram coragem para falar
-De seu doloroso isolamento...
-Muitos contam que nunca conseguiram ter um amigo...
-E deixam cair lágrimas de autocompaixão...
-E este auto-amor os cura...
-Eu sempre digo:
-Vocês têm que se amarem para conseguirem amar...
-Incondicionalmente a humanidade...,

Responder com amor ao sofrimento alheio...
A troca vibratória é um elo de cura...
Que opera em ambas as direções,
Iluminando o sol interior em nossos corações...

Às dezessete horas Lucia levou-a de volta.
Ao entrar em seu portão, abanou-lhe, desejando:
-“Paz e Luz”.
Ao conversarem sobre a bela tarde,
Mirian admirada conversou:
-É impressionantemente fantástico dedicar a vida toda aos outros...
-Marion, desde a juventude, distribuiu presentes espirituais.
-Pela humildade subiu degraus de luz...
-E reconheceu ser uma serviçal de Deus...
-Nasceu em estreita relação com o mundo celestial...
-É um coração pronto para ajudar as pessoas...
-Essa é a Marion, que sempre soube,
-Que o seu maior dom é doar-se aos necessitados...
-É verdade...
Confirma Lucia dizendo:
-Aprendi inúmeras qualidades espirituais com ela...
-Aprender a amar e a dar amor incondicionalmente,
-É a chave da salvação... sem pensar em recompensa...
-Ela sempre diz:
-É preciso praticar a Doutrina do Coração...
-Condição emocional mágica, capaz de abrir
-As portas da alma e mudar o mundo.
A vida é verdadeiramente a divindade.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O DIREITO À VIDA DIGNIFICADA


 REGINA DINIZ

A desigualdade – intercontinental, entre os estados e, mais fundamentalmente, dentro da mesma sociedade – atinge uma vez mais proporções que o mundo de há pouco tempo, confiante em sua habilidade de auto-regular-se e de autocorrigir-se, parecia ter deixado para trás uma vez por todas. Segundo cálculos cautelosos e, se faz diferença, conservadores, a rica Europa conta entre seus cidadãos cerca de três milhões de desabrigados, vinte milhões de expulsos do mercado de trabalho, trinta milhões que vivem abaixo da linha de pobreza. O desvio do projeto da comunidade como defensora do direito universal à vida decente e dignificada para o da promoção do mercado, como garantia suficiente da universal oportunidade de auto-enriquecimento aprofunda mais o sofrimento dos novos pobres, a seu mal acrescentando o insulto, interpretando a pobreza com humilhação e com a negação da liberdade do consumidor, agora identificada com a humanidade. (Zygmunt Bauman – Livro: O Mal Estar da Pós-Contemporaneidade – Editora Zahar, Rio de Janeiro – l998)

O mundo vem se tornando cada vez menor, oferecendo a todas as nações ótimas ocasiões de se encontrar e de se comunicar. Quando convivo com outros seres humanos, sinto fluir do fundo e além da minha compreensão emoções pacíficas de respeito mútuo. Percebo que somos seres iguais por sermos seres humanos. Cor, cultura, e situação financeira são apenas diferenças superficiais. Necessito pensar e sonhar além de mim mesma para perceber, que faço parte da imensa teia, que abrange toda a humanidade.

Não consigo compreender, de como em pleno século XXI, o projeto de comunidade humana foi substituído abertamente e sem restrições pelo mercado de auto-enriquecimento. Ninguém disse nada, ninguém falou nada, ninguém debateu nada... Por que? Os indivíduos, não importa de onde venham, têm o direito universal de viver com um mínimo de paz, desejamos a felicidade, que também está na simplicidade de ser, e na simplicidade de viver. Nascemos com esta emoção positiva de lutar pelo direito a vida... Somos todos iguais.

Atualmente não há nenhuma barreira ou distância entre diferentes culturas, e por sermos seres humanos podemos nos relacionar de coração para coração. Podemos pensar sobre aproximação de compreensão recíproca e também de criarmos parâmetros de confiabilidade mútua. A partir daí será possível operacionalizar mediações construtivas na harmonia planetária, e em relacionamentos humanos cordiais e civilizadores.

Levarão muitos séculos e até milênios, mas pelo menos começaremos a plantar sementes de propostas humanitárias nos espelhando no equilíbrio do universo. Talvez possamos nos libertar das fugas infantilizadas, que se mostram através da importância, que damos a diferenças insignificantes: - ideologias – raça – riqueza – em detrimento de nosso problema maior que é a destruição mútua. É bem provável que possamos construir uma família humana planetária rica em mediações construtivas.

Seremos inteligentes, poderosos e fortes, quando decidirmos por soluções de construção humanística no mundo, e não por destruí-lo em guerras. Conquistamos o desenvolvimento científico e tecnológico, mas carecemos do mais importante que é o verdadeiro sentimento de calor interior. Precisamos de um coração bondoso, que se manifeste no desejo de nos ajudar incondicionalmente.

Vivemos hoje, na atmosfera do medo ambiente. A incerteza radical a propósito dos mundos material e social que habitamos é o que a indústria da imagem nos oferece.  Nós precisamos fazer a real avaliação dos nossos tempos. A cultura consumista destruiu o nosso passado econômico, explodiu o nosso presente, e nos tirou o futuro do ocidente, deixando-nos mergulhados na insegurança e na violência extrema...

Ninguém alcança a paz interna fechando os olhos para as situações, e desafios da vida cotidiana. Cada indivíduo tem o direito de escolher o que lhe é mais conveniente. Esta é uma questão que diz respeito a cada um, tendo como base a compreensão profunda de que somos todos irmãos... A matéria é importante, precisamos dispor dela para sobreviver, mas os nossos tempos devem combinar uma boa inteligência com um bom coração...

Todos nós necessitamos de paz, seja no contexto familiar, nacional ou internacional, mas sem a tranqüilidade interior não alcançaremos a paz verdadeira. Percebemo-la como uma realidade potencial em nosso interior, e desejamos expressá-la nas diferentes dimensões de nossa vida. Quando conseguimos sentir o centro de serenidade em nosso íntimo, descobrimos porções cada vez maiores de nossa consciência.

Epicteto pede-nos para atribuir menos importância às escolhas “exteriores”, aquilo que hoje em dia chamaríamos de escolhas ligadas ao estilo de vida, e recomenda que nos concentremos nas pequenas e significativas opções morais, e nas escolhas interiores que fazemos no decorrer de cada dia. Não restam dúvidas, estamos cercados hoje de tensões de todos os lados. A vida nos mostra que é sempre inútil procurar serenidade e paz nas coisas externas.

Por mais palpável que pareça, todo bem-estar externo tem a sua base apenas no coração de cada um, e a verdadeira paz só pode surgir de dentro para fora. Cada pessoa escolhe livremente o seu jeito de construir a sua serenidade interior. Há décadas eu luto para construir a minha paz. Estou nos primeiros degraus, e acredito que a alcançarei dedicando-me a melhorar a qualidade vibratória das minhas emoções.

O que devemos curar em nós? – Manter a comunicação com as pessoas e planejar novas mediações positivas de coração para todos os seres humanos do planeta, desejando o avanço do quadro pacificador. É indispensável orar pela própria evolução espiritual, nos aproximando das forças do bem. É importante meditar profundamente sobre a capacidade de amar, e aceitar que o amor é uma lei, que deve ser seguida impessoalmente, sejam quais forem as circunstâncias... A principal tarefa de nossa subjetividade é responder aos apelos da alma...

Se desejarmos construir a serenidade imperturbável dentro de nós, temos de aceitar a irreversibilidade do amor. Ao pensarmos nos seres humanos devemos fluir o afeto em nossas idéias, e em nossas palavras para tecermos uma rede de união vibratória no bem. O afeto propõe a ampliação de nossos compromissos em servir e em praticar a amabilidade em todos os rumos. É imprescindível nos perdoarmos para não perdermos a oportunidade de perdoar a todos indistintamente, e começarmos uma vida nova em nosso planeta.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

AFETO MAIS AFETO


 Regina Diniz

Estamos encarcerados no consumo tecnológico estrangeiro...
Os sete amos são implacáveis, controlam tudo com perfeição.
E nós nos matando com violência...
É imperioso achar outro caminho...

Só a prosperidade material de nada adianta...
Abram o coração! Afeto mais afeto...

Será que seremos escravos por séculos e séculos?
Trabalhamos e só os sete países mais ricos obtém lucros,
Nem no quarto milênio terminaremos de pagar a dívida,
Eles se equivocaram: ela já está quitada...

Pelo trabalho escravo não cresceremos como espíritos.
Abram o coração! Afeto mais afeto...

Morrem crianças de doença e fome enlutando o planeta,
Mas a sede sádica é insaciável,
Gastam um milhão de dólares por minuto em armamentos,
Fazem do mundo propriedade particular deles...

Quando transcenderemos a ganância materialista?
Abram o coração! Afeto mais afeto...

O país está cheio de armas potentes,
Elas não são construídas aqui,
Antigamente esmagaram os índios,
Agora somos nós que estamos a mais...

Quando seremos atraídos pela centelha espiritual da igualdade?
Abram o coração! Afeto mais afeto...

A natureza é linda e generosa,
Não merecemos viver neste matadouro,
Porque este mundo é de Deus
E não de homens psicóticos...

Quando aprenderemos a concepção de fraternidade universal?
Abram o coração! Afeto mais afeto...

É preciso união... serão muitas as tempestades...
A sede de eliminação não é daqui vem de lá...
É preciso despertar, despertar e despertar...
Enlaçaremos as mãos, senão ficaremos despidos na tempestade...

Quando entenderemos que Deus reside em toda parte?...
Abram o coração! Afeto mais afeto...