quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A NECESSIDADE DE OUVIR-SE A SI MESMO


REGINA DINIZ

“Quando Platão examinou a grande trilogia da Beleza, da Verdade e da Bondade, ele colocou em primeiro lugar a Beleza, porque a Beleza é harmonia, mas o teste da integridade, da Verdade ou da Bondade consiste em saber se são harmoniosas. A Bondade dá-nos respeito próprio: a Verdade, satisfação, mas a Beleza nos dá simultaneamente tanta paz como alegria. Platão acreditava que a Bondade, ou a Ética, consistia em agir  de uma maneira que fosse harmoniosa com nossos semelhantes, e isso fazia com que a ação fosse verificável por sua beleza. Na verdade, a mesma  palavra grega “Kalon” significa tanto beleza como bondade. Quando Rilke escreveu seu soneto “Ao Torso do Apolo desconhecido”, e o rematou com aquele desafio ético: “Você tem que mudar de vida”, ele estava expressando acuradamente a visão grega da vida. ( Autor – Rollo May – Livro – Minha Busca de Beleza – Editora Vozes Ltda – Agosto de 1992).

A maneira harmoniosa com seus semelhantes demonstra o autoconhecimento a nível pessoal, que abre um leque de possibilidades construtivas, viabilizando
elevada qualidade de pensamento consigo mesmo e com as outras pessoas. São necessários estudos e reflexões sobre o valor da ética humana, porque convivemos numa cultura materialista, que não admite o diálogo consigo mesmo, e conseqüentemente neutraliza a descoberta de si mesmo e do mundo. Pensar sobre os próprios valores existenciais, fazendo-se perguntas simples sobre a vida e o viver, nos oferece qualidade de vida, anulando ansiedades e depressões e também situações futuras difíceis.

As caminhadas matinais, os exercícios físicos nas esteiras, nos proporcionam momentos importantes, sobre a revitalização de possíveis energias emocionais. Quando caminhamos, contemplando as árvores, o sol, o silêncio, o canto dos pássaros, ficamos mais presentes, a fim de realizar com mais alegria os nossos planos de crescimento pessoal. Com o tempo poderemos nos envolver com a ética, com a concentração mental e com níveis de criações melhores. A vida possui características próprias, que devemos atendê-las e não desperdiçar a nossa preciosa existência em buscas por coisas, que não nos gratificam.   

“A Qualidade de Vida: um mundo que não se interessar pela beleza não será digno de ser salvo”. (Aristóteles 384-322) certamente tinha razão quando escreveu: - Não é a vida que se deve dar valor, mas a boa vida”. Para todos os gregos autênticos, isso era fundamental em seu conceito de ARETE: a vida nobre era antes de tudo a vida virtuosa, excelente, bela. Aí está a importância fundamental da beleza e da arte que brota do amor à beleza. As humanidades, tais como a Arte, A Música e a Poesia existem para uma finalidade apenas: realçar a qualidade da existência humana”. (  Autor: Rollo May – Livro – Minha Busca de Beleza – Editora Vozes Ltda – agosto de 1992 ).

A virtude é uma prática poderosa, podemos interpretá-la como a arte de praticar o bem, o que é justo, enfim ela é a excelência moral. No momento em que começamos a idealizar, em como viver bem a própria vida dizemos para nós mesmos: - tenho um conjunto de responsabilidades, tenho  relacionamentos a prezar como a família, o emprego, as amizades. A qualidade da personalidade se sustenta em níveis de comportamentos éticos que ajudam muito nos acertos existenciais.

Normalmente, queremos ser boas pessoas, corajosos e não covardes, justos e não injustos e decidimos corretamente em ajudar as pessoas. A Ética surge com o interesse não somente em viver a própria vida, mas em fazê-lo a fim de concretizar um bom trabalho. A felicidade para todos os pensadores antigos e modernos é a realização de quem vive uma vida admirável. Esta almejada qualidade de vida é a conquista da paz interior. O indivíduo em paz consegue bons relacionamentos, triunfa a solidariedade e todos ficam felizes.    

“Há apenas uma paixão, que satisfaz a necessidade humana de unir-se com o mundo, adquirindo ao mesmo tempo, sensação de integridade e individualidade, e esta paixão é o amor. O amor é a união com alguém, ou algo, fora da criatura, sob a condição de manter a separação e a integridade própria. É uma sensação de partilha, de comunhão, que permite a plena manifestação à atividade interior. O que importa é a qualidade particular de amar não o objeto do amor. O amor está na sensação de solidariedade humana com os nossos semelhantes, está no amor erótico entre homem e mulher, no amor materno e também no amor-próprio, como ser humano; está na sensação mística de união. (Erich Fromm – Livro: Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Zahar Editores – 1979).

O amor, o desejo, a intenção, a vontade, a decisão são espaços afetivos, em torno dos quais circulam muitos assuntos, objetivos permanentes da criação, e da interpretação do indivíduo. A complexidade da alma humana estuda também as duas forças profundas que movem o homem: o amor e a vontade, e ele pensa profundamente na sua própria realidade pessoal e procura caminhos de interpretação e solução de seus problemas interiores.

Sinto uma profunda simpatia pela busca sincera e solidária de um bálsamo que tire a dor e cure as chagas profundas de nossa civilização tecnotrônica, visivelmente triste e insatisfeita. Mas não podemos nos contentar somente com o afeto pessoal, mas procurar também entender o efeito social de nossos sentimentos e atitudes. O mais importante é criar um estilo de vida que seja genuinamente interessante. Mesmo numa sociedade onde a segurança, a justiça e a liberdade estejam presentes, pode não ser favorável ao amor à vida se a criatividade criadora não for estimulada. Não basta os homens serem escravos, se as condições sociais favorecerem a existência de autômatos, o resultado não será amor a vida.    

 “Ainda não sei quem sou, mas, por vezes, quando sinto realmente determinadas coisas, tenho a impressão, durante um momento, da minha solidez e da minha realidade. Sinto-me perturbado pelas contradições que descubro em mim – atuo de uma maneira e sinto de outra. É realmente desconcertante. Mas, outras vezes, é uma aventura exultante tentar descobrir quem sou. As vezes me surpreendo, pensando que talvez eu seja uma boa pessoa. Começo a sentir muita satisfação, embora isso me seja muitas vezes penoso, em partilhar precisamente o que sinto em determinado momento. Sabem, ajuda realmente tentar ouvir-se a si mesmo,  ouvir o que se passa no próprio íntimo. Já não tenho tanto medo do que está se passando em mim. Sinto-me mais confiante. Durante as poucas horas que passo com ele, mergulho em mim mesmo para saber o que estou sentindo. É trabalho árduo, mas quero saber. Durante a maior parte do tempo, tenho confiança nele e isso me ajuda. (  Autor-Carl R.Rogers – Livro – Tornar-se Pessoa – Livraria Martins Fontes Editora Ltda. São Paulo – 1985).

A descoberta que reside no autoconhecimento é complexa, pois o começo e o fim estão dentro de nós. Perceber a felicidade, o amor, a esperança fora de nós nos leva à ilusão, ao sofrimento. Encontrar a felicidade, paz e alegria dentro de nós requer refinamento nas mediações construtivas, que nos permitem a estudar a nós mesmos. Estamos profundamente convictos de nossos motivos, de nossos desejos de melhorar o mundo, de nossas altas metas nos investimentos do vir a ser, que exigem absoluta atenção interior.

Sem a compreensão de nós mesmos para poder decifrar os mecanismos superficiais de reformas econômicas e sociais, somos e continuaremos a ser manipulados, desse modo não podemos melhorar o mundo, mas colaborar para maior confusão e miséria. No entendimento de nós mesmos virá a lucidez e a ordem. Se nos levarmos a sério e nos tornar conscientes de nossa inteligência e assim cultivarmos o autoconhecimento de onde nasce o pensar correto, então criaremos um espelho em nós, que mostrará os nossos pensamentos mais elevados. Afugentaremos para sempre de nossas mentes as distrações e divagações estéreis, que não são nossas próprias criações vem então o pensar correto. Precisamos fazer a nossa parte de seres inteligentes que somos.     

sábado, 26 de janeiro de 2013

PODEROSAS DÁDIVAS


                          
 REGINA DINIZ

Contemplando a mata ouço a alegria dos pássaros...
Aproveito momentos preciosos para conhecê-la melhor...

O amor divino presenteou a vida com a beleza transcendente...
Que nutre o meu coração de esperanças de ser...
Que me conduzem para as verdes paisagens,
Na procura das essências espirituais...

Passeando pela mata percebo um clima de suaves energias...
Admiro o verde e sinto o seu poder criativo...

Nessa troca recebo os benefícios cognitivos...
Que me ajudam a selecionar bons pensamentos...
Gosto muito de usufruir a beleza natural...
Que todos os dias estão ao meu alcance...

Decifrando os enigmas da mata, sinto-a na sua intimidade...
Procuro desvendar os seus segredos de cura...

Noto que ela aumenta a minha capacidade mental...
Aumenta a minha concentração espiritual...
Fortalece as minhas energias emocionais...
Que me ofertam resultados de vigor energético...

Captando a força transcendental da mata...
Elaboro memórias saudáveis e acolhedoras...

Acho excelente aprofundar reflexões equilibradas...
Sinto que consigo fluir emoções amenas...
Que abrandam o meu coração desejoso de paz...
E que muito necessita destas poderosas dádivas divinas...

Desfruto de momentos preciosos na mata...
Aprofundo interpretações que fortalecem a minha vida...

Sou consciente da imensidão da potencialidade pura...
Compreendo a maravilha da infinitude da alma...
Que me convida a ser uma pessoa boa...
Tenho muita fé em Deus, que me protege sempre...

Reencontrando a essência transcendental da mata...
Recebo a desejada ajuda espiritual...

O verdadeiro equilíbrio pessoal é a essência da vida...
Hoje, aqui na mata vivenciei o valor da jornada na terra...
Unida a fé ativa com Deus...
Entendo a responsabilidade pela trajetória no bem...

Ligando-me às sutilezas
Reencontro a minha essência original... 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A REFLEXÃO E INTERPRETAÇÃO DE SI MESMO



 REGINA DINIZ

Para Sócrates, só voltando-se para o seu interior o homem chegaria à sabedoria e se realizaria como pessoa. Sócrates nasceu em Atenas em 469 a.C. e foi condenado a morte, ingerindo cicuta morreu rodeado por amigos em 399 a.C. Seu pensamento marcou uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseado nas observações das forças da natureza. Com Sócrates o ser humano dedicou-se à compreensão de si mesmo. O objetivo principal foi motivar as pessoas por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

O autoconhecimento ou o conhecimento de si é a finalidade de uma busca de natureza ética. Quando estudado como proposta ética, o que se procura é a compreensão de algo, que leve o sujeito a ser mestre de si mesmo, e naturalmente um ser humano melhor. O autoconhecimento é também praticado através da meditação e da psicanálise. Filósofos como Platão. Spinoza, Freud fazem parte de uma tradição, que vê o autoconhecimento como uma conquista ou realização, que traz saúde e liberdade para a pessoa.

Este excelente projeto ético tem suas raízes no Oráculo de Delfos, que tanto influenciou Sócrates no “Conhece-te a ti mesmo. De acordo com essa tradição, a autodescobert     a é uma realização, ao invés de algo dado ou prontamente disponível ao indivíduo. Para conhecer-se a si mesmo, o sujeito precisa refletir e interpretar as suas próprias idealizações, que são frutos de suas introspecções. O indivíduo tem acesso privilegiado aos próprios pensamentos, isto é conhece-os de uma maneira que os outros usualmente não conhecem. A destinação privativa desta busca interior é uma extraordinária ferramenta de transformação pessoal. Para Sócrates o “conhece-te a ti mesmo” é a chave para a conquista da felicidade.

“A doutrina do homem de Sartre refere-se à sentença, na qual todo o problema do existencialismo e do essencialismo torna-se amplamente aberto, sua famosa afirmação de que a essência do homem é sua existência. “A existência precede a essência”. O significado desta proposição é que o homem é um ser cuja essência não se pode garantir,  pois tal essência introduzirá um elemento permanente e contraditório no poder  que o homem tem de se transformar indefinidamente. A natureza particular do homem é o seu poder de criar a si mesmo. E se for levantada a questão de como tal poder é possível e de como deve ser estruturado, necessitamos de uma doutrina essencialista amplamente desenvolvida para poder responder; precisamos conhecer sobre o seu corpo  e sua mente e, em resumo, sobre aquelas questões  que durante milênios têm sido discutidas em termos essencialistas”.  ( Autor: Paul Tillich – The Courage To Be – New Haven, Conn, Yale University Press, 1952).

A coragem criativa ajuda nas transformações pessoais sucessivamente, que impulsionam as descobertas de novas formas, novos símbolos, novos padrões segundo os quais uma nova sociedade pode ser construída. Em nossos dias, a tecnologia e a engenharia, a diplomacia, o comércio e sem dúvida o magistério, e dezenas de outras profissões, passam por mudanças radicais e precisam de indivíduos corajosos, que valorizem e dirijam essas mudanças. Marcadamente são os artistas que apresentam direta e imediatamente as novas formas e símbolos – os dramaturgos, músicos, pintores, dançarinos, poetas.

Quando apreciamos um quadro de arte moderna experimentamos um novo momento de sensibilidade criativa. A interpretação desperta uma nova visão, algo de sensibilidade nasce em nossa percepção. Permanentemente, estamos de plantão, esperando ver mensagens, que impulsionem as nossas descobertas de vidas inteligentes. Permanentemente, estamos de plantão esperando decifrar enigmas que impulsionem elevados níveis de ser. A apreciação da música, da pintura, de leituras questionantes, e de outras interações criativas   que nos realizam  intensamente como seres humanos,     
  
“- Tive uma experiência prévia num seminário de comunicação intercultural de três dias, em Estocolmo, em 1974. Foi lá que conheci Charles Devonshire quando veio para este primeiro workshop piloto, na Suécia; senti que aqueles três dias constituíram uma das experiências mais significativas de minha vida – encontrar e conhecer um grupo de pessoas totalmente diferentes de diversas nações  e conversar sobre tudo, desde o medo da morte até o medo da vida, e tudo o que há entre isso. Compartilhamos lágrimas, sorrisos, raiva, pensamentos, medos e inseguranças; aprendemos a nos abrir aos valores e costumes dos outros, mesmo que fossem completamente diferentes dos nossos; aprendemos a expressar sentimentos a pessoas a quem não nos abriríamos normalmente; a escutar, a expressar nossas necessidades interiores sem expressões ambíguas ou confusas. Vivenciamos cada um desses sentimentos com o conhecimento crescente de que somos mais parecidos do que diferentes”. ( Autor – Carl R.Rogers  Livro – Sobre o Poder Pessoal – Livraria Martins Fontes  Editora Ltda. – São Paulo 1986).

Quando seres humanos se reúnem para trocar idéias entre si, a maturidade emocional mostra-se pelo equilíbrio emotivo e que parece muito próximo da perfeição humana. A capacidade empática é a capacidade de se colocar verdadeiramente no lugar do outro, de ver o mundo como ele o vê. A chave é valorizar a significação pessoal das pessoas e não o nível intelectual. As atitudes que conduzem à mudança, ao crescimento e a melhores relacionamentos não são misteriosas, embora possam ser difíceis de serem alcançadas. A atitude facilitadora é valorizar, respeitar e importar-se com a outra pessoa.

A prática Rogeriana não pressupõe personalidade especial, nem pensamentos superiores, ela requer, no entanto, estes atributos: - a capacidade empática, a autenticidade pura – uma concepção positiva e liberal do homem, ­ simpatia e intuição. A Mudança Construtiva no indivíduo aparece nitidamente, quando ele percebe a experiência de ser aceito e valorizado. Então ele se abre ao debate, permitindo-se ser uma pessoa distinta, com idéias e sentimentos próprios e uma maneira de ser que lhe é exclusivamente pessoal.  

“O mundo nunca é alguma coisa estática, uma coisa que simplesmente nos foi dada e à qual uma pessoa, então,“aceita”, ou “ajusta-se”, “ou combate”. Ao contrário, ele é um padrão dinâmico no qual, desde o momento em que possuo autoconsciência, estou em processo de planejar e projetar. Assim Binswanger se refere ao mundo como “aquilo em cuja direção a existência seguiu de acordo com o que ela própria planejou”, e continua para enfatizar que enquanto uma árvore ou um animal estão presos a seus “rascunhos” no que diz respeito ao ambiente, “a existência humana contém não somente numerosas possibilidades de ser com também e, principalmente, está fundamentada nessa potencialidade múltipla de ser”. (Autor – Rollo May – Livro – A Descoberta do Ser – Ed. Rocco Ltda - Rio de Janeiro – 1988).

O mergulho interior nos faz descobrir que podemos evoluir de maneira integral: - o corporal, - o mental, o ético, o emocional e o espiritual. Entretanto, vivemos numa sociedade padronizada, mecanicista, pragmática, capitalista, impossibilitando o indivíduo, para que pare um pouco e respire! Sim respire! Este parar e respirar com consciência ajuda ao organismo em sua auto-regulação. Somos uma estrutura psicobiofísica, que possui mecanismos próprios de busca de equilíbrio e de harmonia interna.

Todos os seres humanos são dotados de elevada inteligência, mas devido a forte padronização midiática, um grande número deles ignora a si mesmo. Acredita-se que a realização pessoal está em encontrar o ser no interior das outras pessoas e de si mesmo. A característica principal de um homem é sempre estar pronto a aceitar o desafio de viver. Talvez a padronização cultural seja o desencanto pela frustração pessoal que é grande, quando nos sentimos diferentes da maioria das pessoas. Em busca de aceitação social procuramos ser o que os outros são, ter o que os outros têm, pensar como os outros pensam, viver como os outros vivem. Ser diferente é ser discriminado, pensar diferente é ser banido, desta forma perpetua-se a hegemonia dominante. É impossível não falar deste triste retrocesso social...      

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

FONTES DE INSPIRAÇÃO



 REGINA DINIZ

Procuro caminhos para alcançar a paz interior...
Privilegio o apaziguamento da alma...
Tento iluminar a minha interioridade...
Para fluir boas idéias...

Acredito na força do amor fraterno...

Só aceito reflexões que fortaleçam a mente...
Sempre volto para dentro de mim mesma...
Invisto na minha capacidade de união humana...
Compreendo essa visão da vida para achar dons...

Vou ao encontro da saúde, harmonia e paz de espírito...

É gratificante investir nestas preciosidades subjetivas...
Repletas de beleza e gratificação pessoal...
É linda a nossa destinação de seres humanos...
Sinto-me digna de alcançar a felicidade espiritual...

Fluem vibrações salutares, curativas e tranquilizantes...

Somos dotados de habilidades impressionantes...
A criatividade e a intuição são fontes de inspiração...
Temos de dar ao mundo a nossa retribuição única...
Somos acometidos por pressentimentos de responsabilidade...

Brilham as canções das almas felizes...

Achando as respostas criativas levanto a auto-estima...
Assumindo o próprio papel redentor...
As soluções simples, viáveis, sequer imaginadas...
Brotam do nosso ser em idéias maravilhosas...

Vivemos no jardim de Deus...

O eu real é ser perfeito, espiritual e eterno...
É a viva expressão de Deus...
É o desejo que domina a mente sadia...
A paz interior vai além do entendimento humano...

Os nossos corações estão cheios de amor...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A LIBERAÇÃO DO PODER CRIATIVO HUMANO

            
 REGINA DINIZ

“Analisando Tolstoy, Baudelaire, Marx ou Kroppotkin, constataram que eles tinham um conceito religioso e moral do homem. O homem é um fim, jamais devendo ser usado como um meio; a produção material deve servir ao homem, este jamais deverá servi-la; o objetivo da vida é a liberação do poder criador do homem; o objetivo da História é a transformação da sociedade em coisa governada pela Justiça e pela Verdade, estes os princípios em que se basearam, explicitamente, todas as críticas ao capitalismo moderno”. (Autor: Erich Fromm – Livro: Psicanálise da Sociedade Contemporânea – 9ª. Edição – Zahar Editores – Rio de Janeiro – 1979).

No século XIX, os homens de visão identificaram o processo de decadência e desumanização por trás dos encantos, da prosperidade e poder político da sociedade ocidental. Alguns deles se mostraram resignados com a necessidade dessa marcha para o barbarismo, outros enunciaram algumas alternativas. Mas com esta ou aquela atitude, sua crítica se baseou um conceito humanista de homem e sociedade. Criticando a sua própria sociedade, eles a transcenderam.
Não foram relativistas a dizer que, enquanto a sociedade funciona, ela é equilibrada e sadia, e que enquanto o indivíduo está ajustado à sua sociedade ele é equilibrado e sadio.

A razão maior da existência homem é desenvolver o sua introspecção, para evoluir e se tornar em humanidade saudável e construtiva. Todos os processos civilizatórios procuraram conquistar a tão almejada harmonia com ele próprio e com seus semelhantes. Através de buscas intermináveis  o capitalismo, o poder econômico reconhecerá, que nenhum ser humano poderá prosperar sem liberdade e educação. Quando admitirmos o seu princípio e base criadora, incentivaremos em todos os graus possíveis as suas potencialidades.      

“A ficção da igualdade de oportunidades deixou de ter suficiente fundamento para alcançar o consenso social. Em um mundo imprevisível e em rápida transformação, um mundo de mobilidade social para baixo, rebelião social e crônica crise econômica, política e militar, as autoridades deixaram de servir efetivamente como modelos e guardiões. As suas ordens perderam a persuasão. O lado pedagógico, protetor e benevolente da autoridade social e paterna não mais temperam a sua face punitiva. Sob tais condições, nada se ganhará pregando contra o hedonismo e a auto-indulgência”. (Autor: Cristopher Lasch – Livro: O Mínimo Eu – Sobrevivência Psíquica em tempos difíceis – 4ª. Edição – Editora Brasiliense – 1987).

Atualmente, a nossa sociedade necessita de iluminação ética. É prioritário o investimento que privilegie pessoas com força interior, capazes de sugerirem juízos morais entre a grande variedade de escolhas disponíveis, e não de indivíduos que se comportam como escravos, que acatam as ordens, e se adaptam sem refletir nos dogmas morais propagados. É bom lembrar, que a essência da tradição liberal e humanista, com seu respeito pela inteligência humana e pela capacidade de auto-regulamentação é possível. A política e a filosofia moral sempre reconheceram que a consciência não se funda no medo, mas no alicerce emocional muito mais sólido da lealdade e da gratidão. Precisamos prover a segurança e a proteção inspiradoras de confiança, respeito e admiração.

Para apreciarmos a realidade cultural contemporânea são imprescindíveis decifrar as distensões tradicionais entre esquerda e direita, liberalismo e conservadorismo, políticas reformistas, progressistas e reacionárias, que se desmoronaram face às novas questões relativas à tecnologia, ao consumo, aos direitos da mulher, à deterioração ambiental, e muitas outras questões para as quais ninguém dispõe de respostas.  Os indivíduos que ocupam posições de liderança moral obteriam êxito, se ensinassem as habilidades da sobrevivência, cultuando a esperança de que a engenhosidade, a persistência emocional, a força interior possam habilitar as gerações mais jovens a suportar  e ultrapassar as tempestades do futuro. As sociedades pluralistas, dinâmicas e democratas devem construir a sua sabedoria moral no presente.

“O meu grupo principal de hipóteses é que os chamados valores superiores, valores eternos etc... são aproximadamente, o que apuramos como livres escolhas, na boa situação, daquelas pessoas a quem chamamos relativamente sadias (maduras, evoluídas, auto-realizadas, etc...), quando se sentem no auge de sua forma e vigor. Ou, para usarmos palavras mais descritivas, tais pessoas, quando se sentem fortes, se realmente for possível uma livre escolha, tendem espontaneamente para escolher o verdadeiro e não o falso, o bem e não o mal, a beleza e não a fealdade, a integração e não a dissociação, a alegria e não a tristeza, a vivacidade e não a apatia, a singularidade e não o estereótipo, e assim por diante, para o que já descrevi como S-Valores”( Autor: Abraham H. Maslow  -  Livro: Introdução à Psicologia do Ser  -  Livraria Eldorado Tijuca Ltda  -  Rio de Janeiro – 2ª Edição ).

As tendências para escolherem os valores sadios são notadas, levemente na maior parte dos seres humanos, mas são vistos com mais clareza e vigor nas pessoas sadias. Em nossos tempos, padronizou-se e deslegitimou-se a ética, porque as pessoas não são estimuladas a se lançarem na busca de idéias morais e a cultivar valores morais. Os políticos, impensadamente dispensaram as utopias e os idealistas tornaram-se pragmáticos, aceitando as formalidades da boa sociedade.

Foi comprovado que as pessoas sadias apreciam e valorizam não só a verdade, o bem e o belo, mas também os valores de sobrevivência e também os homeostáticos da paz e da quietude, do sono e do repouso, da dependência e segurança. Quanto mais saudável, mais forte, e sadia for a pessoa, mais ela procurará os valores de crescimento pessoal. Os grandes temas da ética como:
Direitos Humanos – Justiça Social – Equilíbrio entre cooperação pacífica e auto-afirmação pessoal – sincronização da conduta individual e do bem-estar coletivo, não perderam nada de sua atualidade. Apenas precisam ser vistos e tratados de maneira nova.   

“O homem é o ser que consegue ser consciente e, portanto responsável por sua própria existência. É esta capacidade de tornar-se consciente do próprio ser que distingue o ser humano dos outros seres. O homem é considerado não somente como um ser “existente em si próprio” como os demais seres, mas também “existente para si próprio., e que significa “a pessoa-que-é-responsável-por sua própria-escolha-existencial”. Ser é a potencialidade pela qual a semente se torna uma árvore ou cada um de nós se torna aquilo que realmente é”. (Autor: Rollo May – Livro: A Descoberta do Ser – Editora Rocco – Rio de Janeiro – 1988).

O sentimento de ser cria uma base para a auto-estima, que não é somente o reflexo das opiniões alheias sobre o indivíduo. Os nossos dons são parcialmente descobertos por nós dentro de nós próprios. E também são criados e escolhidos pela própria pessoa. Quase todas as necessidades, capacidades e talentos podem ser satisfeitos de diversas maneiras. A procura da identidade é essencialmente, uma busca dos valores intrínsecos e autênticos da própria pessoa.

Paul Tillich afirma: “A auto-afirmação de um ser fica mais forte à medida que ele absorve mais o não-ser”.O autoconhecimento ou conhecimento de si é a finalidade de uma busca ética.  O mundo é um padrão dinâmico no qual desde o momento em que possui autoconsciência, está em processo de planejar e projetar. A existência humana contém não somente numerosas possibilidades de ser como também e, principalmente está fundamentada nessa potencialidade múltipla de ser. Visto como um projeto ético, o que se busca  é a realização de algo que leve o sujeito a ser mestre de si mesmo, e, conseqüentemente um ser humano melhor.