REGINA DINIZ
“Quando
Platão examinou a grande trilogia da Beleza, da Verdade e da Bondade, ele
colocou em primeiro lugar a Beleza, porque a Beleza é harmonia, mas o teste da
integridade, da Verdade ou da Bondade consiste em saber se são harmoniosas. A
Bondade dá-nos respeito próprio: a Verdade, satisfação, mas a Beleza nos dá
simultaneamente tanta paz como alegria. Platão acreditava que a Bondade, ou a
Ética, consistia em agir de uma maneira
que fosse harmoniosa com nossos semelhantes, e isso fazia com que a ação fosse
verificável por sua beleza. Na verdade, a mesma
palavra grega “Kalon” significa tanto beleza como bondade. Quando Rilke
escreveu seu soneto “Ao Torso do Apolo desconhecido”, e o rematou com aquele
desafio ético: “Você tem que mudar de vida”, ele estava expressando
acuradamente a visão grega da vida. ( Autor – Rollo May – Livro – Minha Busca
de Beleza – Editora Vozes Ltda – Agosto de 1992).
A
maneira harmoniosa com seus semelhantes demonstra o autoconhecimento a nível
pessoal, que abre um leque de possibilidades construtivas, viabilizando
elevada
qualidade de pensamento consigo mesmo e com as outras pessoas. São necessários
estudos e reflexões sobre o valor da ética humana, porque convivemos numa
cultura materialista, que não admite o diálogo consigo mesmo, e
conseqüentemente neutraliza a descoberta de si mesmo e do mundo. Pensar sobre
os próprios valores existenciais, fazendo-se perguntas simples sobre a vida e o
viver, nos oferece qualidade de vida, anulando ansiedades e depressões e também
situações futuras difíceis.
As
caminhadas matinais, os exercícios físicos nas esteiras, nos proporcionam
momentos importantes, sobre a revitalização de possíveis energias emocionais.
Quando caminhamos, contemplando as árvores, o sol, o silêncio, o canto dos
pássaros, ficamos mais presentes, a fim de realizar com mais alegria os nossos
planos de crescimento pessoal. Com o tempo poderemos nos envolver com a ética,
com a concentração mental e com níveis de criações melhores. A vida possui
características próprias, que devemos atendê-las e não desperdiçar a nossa
preciosa existência em buscas por coisas, que não nos gratificam.
“A
Qualidade de Vida: um mundo que não se interessar pela beleza não será digno de
ser salvo”. (Aristóteles 384-322) certamente tinha razão quando escreveu: - Não
é a vida que se deve dar valor, mas a boa vida”. Para todos os gregos
autênticos, isso era fundamental em seu conceito de ARETE: a vida nobre era
antes de tudo a vida virtuosa, excelente, bela. Aí está a importância
fundamental da beleza e da arte que brota do amor à beleza. As humanidades,
tais como a Arte, A Música e a Poesia existem para uma finalidade apenas:
realçar a qualidade da existência humana”. (
Autor: Rollo May – Livro – Minha Busca de Beleza – Editora Vozes Ltda –
agosto de 1992 ).
A
virtude é uma prática poderosa, podemos interpretá-la como a arte de praticar o
bem, o que é justo, enfim ela é a excelência moral. No momento em que começamos
a idealizar, em como viver bem a própria vida dizemos para nós mesmos: - tenho
um conjunto de responsabilidades, tenho
relacionamentos a prezar como a família, o emprego, as amizades. A
qualidade da personalidade se sustenta em níveis de comportamentos éticos que
ajudam muito nos acertos existenciais.
Normalmente,
queremos ser boas pessoas, corajosos e não covardes, justos e não injustos e
decidimos corretamente em ajudar as pessoas. A Ética surge com o interesse não
somente em viver a própria vida, mas em fazê-lo a fim de concretizar um bom
trabalho. A felicidade para todos os pensadores antigos e modernos é a
realização de quem vive uma vida admirável. Esta almejada qualidade de vida é a
conquista da paz interior. O indivíduo em paz consegue bons relacionamentos,
triunfa a solidariedade e todos ficam felizes.
“Há
apenas uma paixão, que satisfaz a necessidade humana de unir-se com o mundo,
adquirindo ao mesmo tempo, sensação de integridade e individualidade, e esta
paixão é o amor. O amor é a união com alguém, ou algo, fora da criatura, sob a
condição de manter a separação e a integridade própria. É uma sensação de
partilha, de comunhão, que permite a plena manifestação à atividade interior. O
que importa é a qualidade particular de amar não o objeto do amor. O amor está
na sensação de solidariedade humana com os nossos semelhantes, está no amor
erótico entre homem e mulher, no amor materno e também no amor-próprio, como
ser humano; está na sensação mística de união. (Erich Fromm – Livro:
Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Zahar Editores – 1979).
O
amor, o desejo, a intenção, a vontade, a decisão são espaços afetivos, em torno
dos quais circulam muitos assuntos, objetivos permanentes da criação, e da
interpretação do indivíduo. A complexidade da alma humana estuda também as duas
forças profundas que movem o homem: o amor e a vontade, e ele pensa
profundamente na sua própria realidade pessoal e procura caminhos de
interpretação e solução de seus problemas interiores.
Sinto
uma profunda simpatia pela busca sincera e solidária de um bálsamo que tire a
dor e cure as chagas profundas de nossa civilização tecnotrônica, visivelmente
triste e insatisfeita. Mas não podemos nos contentar somente com o afeto
pessoal, mas procurar também entender o efeito social de nossos sentimentos e atitudes.
O mais importante é criar um estilo de vida que seja genuinamente interessante.
Mesmo numa sociedade onde a segurança, a justiça e a liberdade estejam
presentes, pode não ser favorável ao amor à vida se a criatividade criadora não for estimulada. Não basta os homens
serem escravos, se as condições sociais favorecerem a existência de autômatos,
o resultado não será amor a vida.
“Ainda não sei quem sou, mas, por vezes,
quando sinto realmente determinadas coisas, tenho a impressão, durante um momento,
da minha solidez e da minha realidade. Sinto-me perturbado pelas contradições
que descubro em mim – atuo de uma maneira e sinto de outra. É realmente
desconcertante. Mas, outras vezes, é uma aventura exultante tentar descobrir
quem sou. As vezes me surpreendo, pensando que talvez eu seja uma boa pessoa.
Começo a sentir muita satisfação, embora isso me seja muitas vezes penoso, em
partilhar precisamente o que sinto em determinado momento. Sabem, ajuda
realmente tentar ouvir-se a si mesmo, ouvir o que se passa no próprio íntimo. Já não
tenho tanto medo do que está se passando em mim. Sinto-me mais confiante.
Durante as poucas horas que passo com ele, mergulho em mim mesmo para saber o
que estou sentindo. É trabalho árduo, mas quero saber. Durante a maior parte do
tempo, tenho confiança nele e isso me ajuda. (
Autor-Carl R.Rogers – Livro – Tornar-se Pessoa – Livraria Martins Fontes
Editora Ltda. São Paulo – 1985).
A
descoberta que reside no autoconhecimento é complexa, pois o começo e o fim
estão dentro de nós. Perceber a felicidade, o amor, a esperança fora de nós nos
leva à ilusão, ao sofrimento. Encontrar a felicidade, paz e alegria dentro de
nós requer refinamento nas mediações construtivas, que nos permitem a estudar a
nós mesmos. Estamos profundamente convictos de nossos motivos, de nossos
desejos de melhorar o mundo, de nossas altas metas nos investimentos do vir a ser,
que exigem absoluta atenção interior.
Sem
a compreensão de nós mesmos para poder decifrar os mecanismos superficiais de
reformas econômicas e sociais, somos e continuaremos a ser manipulados, desse
modo não podemos melhorar o mundo, mas colaborar para maior confusão e miséria.
No entendimento de nós mesmos virá a lucidez e a ordem. Se nos levarmos a sério
e nos tornar conscientes de nossa inteligência e assim cultivarmos o
autoconhecimento de onde nasce o pensar correto, então criaremos um espelho em
nós, que mostrará os nossos pensamentos mais elevados. Afugentaremos para
sempre de nossas mentes as distrações e divagações estéreis, que não são nossas
próprias criações vem então o pensar correto. Precisamos fazer a nossa parte de
seres inteligentes que somos.
