quinta-feira, 25 de março de 2010

A VISÃO DAS REFERÊNCIAS INTERNAS

Regina Diniz


Quaisquer que sejam os méritos da fonte de validade das normas humanísticas, a meta geral de uma sociedade industrial humanizada pode ser definida da seguinte maneira: a mudança da vida social, econômica e cultural da nossa sociedade de maneira tal que estimule e intensifique o crescimento e a vivência do homem em vez de incapacitá-lo, que ela ative o indivíduo em lugar de torná-lo passivo e receptivo, que nossas capacidades tecnológicas sirvam ao crescimento do homem. Para que seja assim, devemos privilegiar a vontade do homem, orientada pela sua razão e pelo seu desejo de vivência ótima, deve tomar as decisões. ( Rollo May - Psicologia e Dilema Humano – Zahar Editores). As gerações futuras exigirão um planejamento cultural que inclua o crescimento do indivíduo, como principal objetivo, propondo toda a educação necessária para que ele alcance o máximo de funcionamento ótimo como ser.
Solicitarão mudança total do procedimento alienado para a administração humanista. Aparecerão novas formas de orientações e devoções espirituais em termos de alegria e realização, interesse no trabalho, motivação construtiva etc...

Na última década, os departamentos de recursos humanos deram um salto gigantesco na sofisticação das entrevistas para a seleção e promoção no trabalho. É evidente que desejam atrair mentes mais avançadas não só em termos de inteligência como também em termos de uma ampla visão do bem-estar humano. Aconteceu uma profunda mudança, agora é valorizada significativamente a unidade do coração e da mente. A psicologia proposta por Abraham Maslow é atualíssima com sua famosa pirâmide de auto-realização, cujo vértice termina com os valores: Vitalidade –Beleza –Bondade – Verdade.

Precisamos despertar para a importância dos problemas da Filosofia, Psicologia, Sociologia, História e Antropologia em nossa própria vida pessoal e profissional. A qualidade da vida subjetiva é fundamental. É o homem como homem, se relacionando com o mundo, como relações humanas, e só poderá trocar amor fraterno por amor fraterno, confiança por confiança, credibilidade por credibilidade, consciência por consciência etc... Urge exercer uma influência estimulante e propulsora.

“Para termos paz, devemos amar, começar a viver uma vida ideal, vendo as coisas como são, e sobre elas atuando e as transformando”. (Krishnamurte) A motivação nasce na vertente do autoconhecimento, onde ativamos nossa percepção para construir as nossas metas e objetivos da nossa vida. O nível da nossa motivação se reflete através de atos e gestos simples que mostram aspectos importantes de nosso ser, e que a interpretamos pelas nossas referências internas. O processo de autoconhecimento (diagnóstico auto-realizado) nos leva a compreender os nossos motivos interiores e o caminho para o crescimento.

Para identificar os nossos motivos, liberamos nossos sentimentos, utilizando a sinceridade, a autenticidade, a coerência para interpretar profundamente a nossa vida atual. É característica natural da espécie humana a constante mutação. Não devemos bloquear nossos impulsos, mas selecioná-los. A qualidade de ser é expressa por pensamentos bons.

Nós é que determinamos o nosso próprio valor. Podemos optar pelo refinamento da auto-imagem mental. A flexibilidade em todos os sentidos na vida é uma grande virtude. Ser flexível conosco e com os outros é saudável. É positivo considerar-se uma pessoa única e merecedora de seu lugar no universo.

Não há jeito como escapar de assumir a responsabilidade por nós mesmos. Abrindo os nossos corações para o mundo, a nossa existência parece naturalmente bela e harmoniosa. Pessoas motivadas têm um respeito por si mesmo e pelos outros.

Melhorando a nossa qualidade interior, poderemos refletir as benfeitorias que o mundo espera sentir em nossas ações, em nossa consciência e em nossos compromissos
pessoais, profissionais e sociais. O ideal é alçar vôo nas asas de nossa capacidade interna e refletir nossas ilimitadas possibilidades, sustentadas na harmonia e no equilíbrio do nosso ser. Temos uma séria obrigação com a vida de um modo geral, e uma gigantesca responsabilidade com esse maravilhoso templo que habitamos: o corpo, a mente e o coração.

Atualmente presenciamos uma busca ansiosa pela elevação do padrão de vida, pela aquisição de bens materiais que traz prestígio social. Isto não é qualidade de vida. Quando consideramos a dimensão individual, constatamos que a qualidade de vida corresponde à percepção e ao grau de satisfação que cada um tem de si em um dado momento. Quando maior for esta satisfação, melhor a qualidade de vida.
É importante destacar o grau de subjetividade dessa satisfação. O ponto-chave da qualidade de vida, então, reside na capacidade de se perceber e distinguir o que é bom e o que é ruim para cada um de nós. Mas é sempre bom lembrar, que é importante investir na elevação da alma.

“Todos possuem um talento. O raro é a coragem de seguir o talento até o lugar escuro para onde ele nos conduz” (Erica Yong). Nossa vida tem um propósito maior e os sonhos que moldam nossas ações ou nos estimulam a procurar novos caminhos não são coincidências. Os sonhos são mensagens do eu interior, que nos motiva a alcançar o objetivo para cuja realização recebemos de Deus os talentos necessários. Cada um de nós tem aptidões para serem empregadas de uma maneira só nossa.

Precisamos participar e oferecer plena atenção na vida à nossa volta. Para vivenciar a alegria que merecemos, precisamos beneficiar os habitantes deste mundo com nosso talento. Nossos sonhos são nossos guias e nós devemos segui-los.

Possuímos talentos que precisam de incentivo para desabrochar. Todos nós fomos abençoados com determinados talentos, porque o mundo em que vivemos precisa de nosso envolvimento individual. Cada um de nós tem o encargo de contribuir para a vida dos que nos cercam. Quando cada um agiu à medida que a necessidade surgia, a soma de talentos tornou a estrada mais fácil.

Somos convocados a participar da vida através de nossa criatividade e ela ajuda a definir quem somos. O que ela quer nos dizer é que somos importantes, necessários. Não existe ninguém sem uma capacidade criativa, uma característica que emprega a quantidade certa a uma situação que envolve outras pessoas. Quer seja o senso de humor, a capacidade de escrever ou pintar, o dom de resolver disputas, cada um de nós possui um talento especial ligado ao nosso nome, como um cartão de visita, e diariamente somos convocados a dar a nossa contribuição por menor que seja.

quarta-feira, 17 de março de 2010

VIDA NA MINHA VIDA

Regina Diniz

Não fui forte na independência pessoal...
Sempre entreguei excessivamente a minha vida aos outros.
Procurei por muito tempo os meus aliados salvadores,
Mas só achei pessoas tremendamente possessivas.

Talvez almejasse que todas as estradas se subordinassem a minha vida...
Só eu posso salvar-me de mim mesma...

Não me encarei como um sujeito com direito a ser...
Mudei diversas vezes os meus aliados salvadores,
Mas sempre caia no mesmo modelo dominador,
Comecei então a questionar o meu imã pessoal.

Talvez entendesse que os caminhantes da vida devessem gravitar ao meu redor...
Só eu posso cultivar a interdependência salutar...

Não me davam atenção, interesse e respeito...
Decepcionada comigo devido a repetição dos mesmos modelos.
Vi que meus aliados salvadores fracassavam comigo.
Porque procuravam em mim uma depositária de neuroses.

Talvez se me unisse aos outros sem nada exigir...
Só eu posso aprender o amor solidário...

Tratava-me como objeto de ser...
Admiti que me afastara de mim mesma,
De medo de ficar só afoguei-me em solidão extrema.
O motivo maior era distrair-me para não me ver.

Talvez se olhasse a frente, mil caminhos se descortinariam...
Só eu posso assumir-me plenamente...

Agora respeito corajosamente os próprios sentimentos...
Escolho a convivência comigo, exigindo-me qualidade...
Pouco a pouco fiquei emocionalmente mais forte,
E comecei a gostar muito mais da vida.

Não esqueço a estrada que me é própria e avanço confiante...
Deixei de ser vítima de minhas ilusões... O sol ainda brilha...

Conheci a realização autêntica e original...
Comecei a descobrir o meu lugar no mundo,
Entendi que deveria oferecer a minha parte e não só pedir.
Meus amigos tornaram-se dádivas de iluminação.

Procuro o que seja útil e belo, santo e sublime e sigo adiante...
Respeito o meu próximo através do altar do coração.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A DESCOBERTA DAS APTIDÕES

Regina Diniz

Seria nosso desejo dizer muito mais a respeito do tipo de sociedade em que os sentimentos individuais de liberdade e eficácia poderiam florescer, da Utopia que convertesse a autonomia não apenas numa realização individual, face ao feitio de nossa vida comum, mas também num incremento de eficácia dessa vida e, portanto, do próprio senso que o indivíduo tem de si. (David Riesman – livro – A Multidão solitária – Editora Perspectiva S.A. – São Paulo – 1995). Aproximar-se de si mesmo, nos dias atuais é um grande desafio. O futuro existe agora em nossa vida sob a forma de ideais, esperanças, deveres, tarefas, planos, metas, potenciais irrealizados, missão, fé, destino. É um luxo nos presentear com momentos de transformações positivas. É possível praticar “violações solenes” para oxigenar nossas idéias.

Uma boa escolha é olhar para trás e se reinventar para a frente. “Jesus Cristo é o precursor do movimento romântico na vida, o supra-sumo dos individualistas”. Tendo criado a si mesmo, Jesus de Nazaré pregava o poder da imaginação como a base de toda a sua vida emocional e espiritual. A renovação de nossa individualidade só pode surgir de dentro de nós mesmos, depois de uma profunda busca e redirecionamento de nossos valores existenciais.

Quando admitimos evoluir significa que nos saturamos com o trivial, e que estamos prontos para as novas opções, que já amadureceram em nosso interior. A pressão do crescimento pessoal é a presença do divino em nossa destinação. A individuação significa transcender as deficiências, dando espaço para o surgimento do estado metamotivado, que abre as portas da criatividade.

“A perda do eu, e sua substituição por um pseudo-eu deixam o indivíduo em um estado de intensa insegurança. Ele fica obcecado por dúvidas, já que, sendo essencialmente um reflexo das expectativas que outras pessoas têm com relação a ele, de certo modo perdeu a identidade. Com o fito de vencer o pânico resultante dessa perda de identidade, ele se vê compelido a conformar-se, a procurar sua identidade graças a contínua aprovação e reconhecimento dos outros. Como ele não sabe quem é, ao menos os outros saberão – se agir segundo a expectativa deles; se eles souberem, também saberá, desde que aceite a palavra deles”. (O Medo á Liberdade – Zahar Editores – 1983). A automação do indivíduo na sociedade moderna deixou-o desorientado e inseguro. Foi facilmente seduzido pela cultura das máquinas, e considerando-se inferior sujeitou-se a novas autoridades, que manipulam o seu imaginário.

Ao longo dos séculos, a história da humanidade gira em torno do esforço para livrar o homem das peias políticas e econômicas que o têm mantido acorrentado. As batalhas pela liberdade foram sustentadas pelos que sentiam a escravização e queriam novas liberdades. O nosso planeta poderia estar muito melhor se não houvesse os inimigos da liberdade, que sempre defenderam novos privilégios. Entretanto o homem sempre acreditou ser possível governar a si mesmo, tomar decisões por si mesmo e pensar e sentir conforme seu ponto de vista.

A cultura pós-moderna aposta com força na padronização cultural (escravização disfarçada), que assumiu o controle da vida pessoal e social do homem, é a submissão de todos, salvo um punhado que exerce uma autoridade forte e invisível. John Dewey no livro “Fredom and Culture” argumenta: “A ameaça mais grave a nossa democracia não é a existência de Estados totalitários estrangeiros: é a existência em nossas atitudes pessoais e em nossas instituições, das condições em que países estrangeiros asseguraram a vitória da autoridade externa, disciplina, uniformidade e dependência do chefe. O campo de batalha, por isso, também se acha aqui – dentro de nós mesmos e de nossas instituições”. A presença de valores fortes de honradez moral é uma das possibilidades para enfrentar a auto-anulação total, que atira o indivíduo numa acentuada depressão.

Segundo Joseph Wood Krutch – 1929 - “A obediência incondicional à ética é a única alternativa para enfrentar o niilismo moral (descrença absoluta –aniquilamento moral ). Tão logo se começa a duvidar da validade das leis de Deus, consideradas como princípios fundamentais da Teologia, ou assim que se começa a questionar o propósito da vida, inicia-se da descida pelos flancos escorregadios do relativismo (casual – acidental – fortuito), da anarquia moral e do desespero cultural.” Descobri por conta própria que ao afastar-me de Deus, perco a imagem sadia dos meus objetivos existenciais e liquido com a minha auto-estima. Peço sempre em orações a inspiração em introspecções construtivas para descobrir novas possibilidades de ser, que normalmente não conseguiria reconhecer.

Quem sou eu? É uma pergunta milenar do autoconhecimento, que avança pela vida, em níveis cada vez mais profundos. Quando me recordo de decisões importantes que tomei em décadas passadas, reconheço que foram muito simplórias. Passado o tempo, hoje me sinto mais competente para enfrentar os desafios do crescimento pessoal. De todos os julgamentos, que passamos na vida o mais importante é aquele que fazemos sobre nós mesmos. Não podemos sabotar a nossa felicidade e atrapalhar a nossa realização pessoal e espiritual.

Fortalecemos a nossa auto-estima quando nos consideramos aptos a compreender a vida e suas exigências. A descrição da condição moderna segundo Jung: “O homem moderno está de pé sobre um pico. Na própria borda do mundo, com o abismo do futuro diante dele, os céus sobre a sua cabeça e aos seus pés toda a humanidade com a sua história que desaparece nas brumas primevas (tempos primitivos). A visão das alturas era vertiginosa, mas imponente”. A trajetória do ser humano é muito bonita, quando alicerçada na honestidade, integridade e responsabilidade própria. Precisamos, sem dúvida, fazer a nossa parte, nos permitindo momentos de graça, de luz e de elevação espiritual.

“A natureza da consciência é fluir. Ela parece estar sempre mudando. Estados de espírito se sucedem... Podemos dirigir a consciência para uma idéia ou impulso, mas não podemos trancá-la no lugar”.(Dr.George Weinberg). Possuímos diversas dimensões de crescimento pessoal, que podemos vivenciar e das quais podemos usufruir. E há muitas formas de entrar em contato com o eu interior que abrigamos. Trata-se da escolha de uma jornada de qualidade na qual quanto mais nos dedicamos, mais nos tornamos competentes para alcançar degraus cada vez mais altos em espiritualidade.

Nossa mente é maravilhosa. Está sempre se movendo, crescendo, absorvendo energias puras, eliminando idéias negativas, guardando só o que nos impulsiona para a saúde psicológica. Nós é que controlamos a direção, Deus nos abençoou com está imensa possibilidade. Inteligentemente rejeitamos os resultados negativos e só valorizamos as projeções positivas. Quando fazemos uma faxina espiritual, desenvolvemos uma progressiva habilidade de concentração, abrindo as comportas para alcançarmos planos mais criativos e clarividentes da nossa mente, dos quais trazemos auxílios espirituais, psíquicos e intelectuais muito úteis em nosso dia-a-dia.

Assumir a posse de nossa mente e a responsabilidade de administrá-la, desenvolve um sentido de força espiritual e, em troca, aumenta a auto-estima. A intenção de admitirmos, que vale a pena assumir a qualidade dos pensamentos e atitudes será o grande ponto de virada. Utilizar e direcionar nossas energias para a purificação de nossa mente, e para a descoberta e o desenvolvimento de nossas aptidões espirituais é a nossa sagrada missão.

quinta-feira, 4 de março de 2010

ONDAS DE OTIMISMO

Regina Diniz


Piscinas naturais...
Mar de águas translúcidas...
Areias claras... montanhas verdes...
Pode alguém querer mais...

Estou absolutamente decidida... determinada...
Cheia de energias sutis, vibrando satisfação...
Disposta a abrir o baú com as jóias dos sentimentos positivos.
Estou no litoral catarinense fazendo terapia por conta própria,
Tentando agarrar a felicidade com as próprias mãos,
Arrancando a minha felicidade das mãos dos outros.
Atravesso uma fase de intensa motivação,
Animada, saudavelmente inconformada,
Desejando renovar –me interiormente...
Receptiva para mim mesma,
Com memórias de alegria e de sonhos alcançados.
Quando dei credibilidade a qualidade de minha personalidade,
Aconteceram as batalhas mais significativas...
Complexas e aprofundadas...
Eram mergulhos ousados...
Ficava surpreendida quando despertavam talentos adormecidos...
Compreendia então que era preciso acioná-los,
Mas percebia que a via era inconsciente,
Aparentemente magnetizada pelo objetivo.
As possibilidades encubavam-se, e logo surgia a descoberta.
O cumprimento de determinadas metas
É obrigatória... é séria... são sagradas missões...
Quando desabrocham fico realizada.
As minhas emoções transformam-se em felicidade...
Os sonhos são sinais fortes de potencialidades,
A serem vivenciadas para beneficiar a mim e aos outros.
Procuro sempre a coragem de seguir adiante,
E muitas vezes as minhas fantasias levam-me a lugares incertos...
Mas gratificantes... são lembranças do lado emocional positivo,
Tenho receio das memórias negativas,
Procuro apagá-las e o meu esforço é recompensado.
Coleciono só o que deu certo,
E recebo retribuição viva de estímulos,
Mesmo diante de grandes desafios...
Seleciono alternativas até receber cheques de auto-estima,
Porque vivo em tempos extremamente depressivos...
E todo o investimento em memórias de júbilo é pouco...

Admiro a beleza poética da lagoa do Peri
O sol aquece-me suavemente...
Ouço o som das folhas agradecendo a brisa,
Os pássaros cantam hinos de alegria...

Investigo-me em busca de ansiedade,
E vivencio-me em profunda paz interior...
Vasculho-me em busca de territórios de tensão...
Encontro-me com todos os músculos descontraídos,
Estou deslumbrada... tal é o viço da beleza natural...
Experimento a ancestral simplicidade de impulsos,
Longe das afetações das teatralizações narcísicas...
Longe das caóticas experimentações intelectuais...
Ouço o borbulhar fervente das minhas intenções,
Pedindo-me que signa em frente,
Insistindo para que eu sinta prazer em transpor empecilhos rotineiros,
Sempre presentes... tão permanentes...
Para então desfrutar de momentos inesquecíveis
De crescimento emocional saudável.
Graças a Deus... estou deixando de boiar
No mar das racionalizações estéreis...
No mar das dúvidas irascíveis...
No mar das aquisições materiais inalcançáveis...
Dou importância, agora, a prática
Da bondade para mim mesma...
Descubro então o antídoto poderoso
Contra as frustrações devastadoras,
Do esquecer-se de si mesmo...
Programado por forças poderosíssimas...
Busco forças sadias de encontrar o meu eu saudável...
Passo um pano macio na minha vidraça mental...
A minha via emocional é a da autodescoberta,
A criatividade sempre me atirou para confrontos terríveis...
Não esmoreço no roteiro que escolhi,
Sigo com arranhões profundos da jornada,
Mas cicatrizados... bem curados...
Não quebrei porque fui resignada nos erros,
Humilde nos acertos...
Aqui é muito fácil cair e não levantar mais.
A minha grande escolha
Foi jogar-me para o estudo da sabedoria espiritual...
Pratico a obsessão compulsiva por valores equilibrados,
Não aderi aos costumes que mudam
Como as nuvens batidas pelo vento...

Entro levemente na intimidade da lagoa,
Revestida de ladrilhos de areia prateada...
O dia está quente...
A água está refrescante...

Procuro a estabilidade de ser,
Nas emoções que curam a alma,
Porque eu sei que quando penso bem de mim mesma...
As estrelas agradecem...
Hoje, eu tenho certeza que cicatrizei
Tristezas inconscientes...
Aquece o meu coração,
Lembrar-me das altas cifras de confiança,
Que depositaram em mim ao longo da vida,
E orgulho-me de sempre ter correspondido.
Empreendi grande soma de esforços,
Em trabalhos essencialmente de cunho humano,
Nunca fui bem remunerada, mas fui gratificada emocionalmente.
Desde muito jovem conscientizei-me
De pertencer a cultura do ter,
Mas desejava profundamente a construção do ser.
Ouvi o meu grito interior que clamava,
Para apresentar o melhor para mim mesma,
Porque acredito que existo
Com a suprema destinação de pontuar o meu jeito de ser.
Nunca destruí a vida de ninguém
Como resposta: Ninguém conseguiu destruir-me...
Lutarei sempre
Para qualificar o meu pensamento.
Dedico-me com empenho para afastar da minha mente
A tagarelice mental destruindo os outros...
Assustei-me sempre da semente destruidora da inveja...
Não perco tempo em abstrações destrutivas,
E sempre estou fazendo-me convites
Para cuidar da minha saúde psíquica...
Agora estou descansando o meu cérebro,
Alegrando-me com toda a beleza desta natureza,
Que enleva suavemente a minha alma,
Que não gosta da vida agitada.
Tenho certeza
Que o tumulto não é meu amigo.

A água da lagoa é cristalina.
O solo arenoso é macio sob meus pés,
O sol procura-me por entre as copas das árvores,
Espalhando afetivamente seus raios dourados.

Nadando, admiro as montanhas verdes,
Que me contemplam surpreendidas,
Por ter-me dado um tempo
Para avaliar a minha vida,
Mas a minha sorte foi entusiasmar-me
Fantasticamente, com a simplicidade das pequenas coisas...
Sempre delirei de prazer
Pela comunicação vibrante da natureza,
E seis perguntas sempre me inquietaram:
O que eu estou fazendo com a minha vida?
Procuro e distribuo afeto?
Administro a tristeza, transformando-a em avaliação positiva?
Monitoro a raiva que teima explodir no meu peito?
Transformo com responsabilidade o medo em coragem?
Nutro a minha indignação para melhorar o mundo?
Olho-me... observo-me no espelho da água,
E respondo-me:
Não importa o que a vida fez para mim,
Importa-me a obsessão por compreender a vida,
Importa-me nutrir a inclinação para a abstração,
Que Deus mantenha-me eternamente curiosa...
Com a qualidade de mistério do meu eu...
Com a qualidade das fantasias construtivas...
Com a essência da vida.
Sempre simplifiquei a vida,
Mas devo simplificá-la ainda mais,
Para desfrutar da felicidade
Que é de foro íntimo...
E só eu posso buscá-la...
E só eu posso responsabilizar-me por ela.
Vivenciarei só os ganhos.
Entendi e continuarei a entender as perdas,
Que não são perdas e sim afastamentos temporários.
Nutro grandes esperanças
De que tudo se tornará
Um grande jardim de flores coloridas,
E a cultura então ficará mais humanizada...

A lagoa é emoldurada
Por montanhas de um verde profundo...
As árvores que as cobrem são orvalhadas...
O céu está azul...

Agora, decidi caminhar margeando,
Este lugar estimulante e renovador.
Sinto a relva molhada e macia sob os pés,
Dando-me a sensação de apoio emocional
Sempre fui atraída pela pureza da natureza,
O que me faz tirar esta vibração horrível
Da maldade e arrogância de meus tempos.
O conjunto da natureza, aqui é rico de subjetividade,
O que me é entusiasmante...
Procuro sentir o gosto do melhor caminho...
O que não me é fácil,
Então facilito a própria percepção...
Hoje estou sendo recompensada,
Porque estou passando da inquietude e agitação
Para a paz consoladora...
Como eu preciso de paz duradoura,
Que me impulsione a respeitar o sagrado...
Que me impulsione a cultivar o sagrado,
Porque sei que ficaria mais sábia na vida prática.
Resolveria meus conflitos de modo mais eficiente,
Saberia escolher só valores a meu favor,
Praticaria um comportamento emocional inteligente,
Libertar-me-ia das propostas de ser infantilizantes,
Apressaria o meu desenvolvimento espiritual,
A minha mente se expandiria,
E praticando a pureza interior,
Saberia reverenciar energias superiores,
E então elas chegariam a minha alma...

Admiro a lagoa do Peri
Mas terei que ir embora...
Sabendo que a sua beleza revigorante...
Ficará dentro do meu coração...