sábado, 29 de dezembro de 2012

A JUBILOSA EXPECTATIVA


     REGINA DINIZ


Ouço o concerto das cigarras que cantam a beleza da vida...
Que é a realização de sonhos e propósitos de boas inspirações...

Sempre consulto a intimidade do meu subconsciente...
Quero descobrir qual a missão a cumprir...
Que me torne capaz, apta na contribuição original...
Que tenho como objetivo maior de dar ao mundo...

Ouço o concerto das cigarras que aceitam as idéias positivas...
Cremaram os pensamentos negativos e desfrutam a alegria de ser...

Presto muita atenção aos meus pressentimentos...
Que me sugerem sensações de buscas únicas...
Fujo da cultura padronizada que limitam a minha criatividade...
Seleciono as sugestões originais, aceito as boas renovações...

Ouço o concerto das cigarras que se expressam cantando...
Que souberam descobrir as emoções da felicidade...

Sento-me confortavelmente... fecho os olhos...
Percebo que tudo está na perfeita paz...
As percepções construtivas afloram na calma interior...
Lembro das energias do lindo nascer do sol...

Ouço o concerto das cigarras que tem fé só em coisas boas...
Que centram os seus pensamentos na expectativa do melhor...

Quanto mais tranquila, sinto mais possibilidades...
Aparecem mais soluções simples e viáveis...
A calma somada ao otimismo criativo...
Desperta-me para as realidades mais profundas...

Ouço o concerto das cigarras que demonstram crença firme...
Que aceitam a inteligência infinita mostrando os bons caminhos...

Aprendi que idéias surgem do meu imaginário...
E que regadas pelos benefícios dos meus bons pensamentos...
Supero dificuldades criativas transformando-as em mais paz...
Curando enfermidades mentais, vou crescendo espiritualmente...

Ouço o concerto das cigarras que depositam sua fé em Deus...
Que lhes dá coragem para enriquecer as convicções interiores...

A qualidade da vida pessoal pede prática e paciência...
Porque tudo em investimento pessoal requer dedicação...
Tenho certeza que fortaleço a parte bonita,
Acolhedora, gratificante que é a porção feita de luz...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O HOMEM É A META DE TODOS OS ESFORÇOS SOCIAIS


REGINA DINIZ

“Confesso que não me sinto atraído pelo ideal de vida apresentado pelos que pensam que o estado normal dos seres humanos é o de lutar para progredir; que atropelar, esmagar, acotovelar e empurrarem-se uns aos outros, que compõem o tipo existente de vida social, é o destino mais agradável da espécie humana, ou qualquer coisa que não os sintomas desagradáveis de uma das fases do progresso industrial... Na verdade, é mais conveniente que, enquanto a riqueza for o poder, a ficar tão rico quanto possível for o objetivo universal da ambição, o caminho para a sua realização deveria ser aberto a todos, sem favor ou parcialidade. Mas o melhor estado para a natureza humana é aquele em que, embora ninguém seja pobre, ninguém deseja ser mais rico, nem tem qualquer motivo para ter medo de ser empurrado para trás pelos esforços que os outros fazem para ir a frente”. ( Autor John Stuart Mill - Principles of Political Economy – Londres).

Após profundas reflexões desde o fim da Idade Média, sonhava-se com um ser humano que enfatizasse a qualidade de vida acima da quantidade de vida. Recusava-se a definir a vida apenas em termos de ter e acentuava o seu desejo de ser. Cultivava a solidão e o silêncio construtivo. Descobria novas maneiras de se relacionar consigo mesmo, com os seus familiares, com os amigos e vizinhos e com o mundo.

Sabiam do valor das amizades, gastavam mais tempo em conversas amigáveis, socializando-se em alto nível. Privilegiavam a arte, a boa música, os livros, as caminhadas, apreciando a beleza da natureza. Rejeitavam a multiplicação ilimitada de necessidades desnecessárias. Suas preocupações maiores eram com a durabilidade, utilidade e beleza com os produtos que adquiriam e que deveriam ser escolhidos para durar e não como deseja a atual Sociedade de Consumo, para serem substituídos em pouco tempo.

O ideal seria se perguntar: Onde estamos agora e para onde nos dirigimos? O ser humano sempre lutou pela liberdade e pela felicidade e sempre se considerou como o senhor de seu destino. Na história da civilização ele sempre acreditou numa Sociedade Humanizada, na qual ele, e não os bens materiais seria a meta de todos os esforços sociais. De repente, sem ninguém entender, ele começou a competir pelos bens materiais, e tornou-se narcisista. É incrível que a força da megamáquina, a qual criou uma sociedade com funções maiores, e os homens como as peças de sua engrenagem com funções menores.

Os especialistas de marketing e propaganda no mundo inteiro, sempre trabalharam avidamente para vender os seus produtos, É preciso admitir que a sociedade de consumo e a globalização sempre existiram ao longo de milênios  com um único objetivo, transformar o mundo num mercado persa. Até os dias atuais, todos são habilmente seduzidos, para que comprem de tudo,  carregando para casa, e voltando na mesma hora para buscar mais.

Precisamos desconfiar da máquina da propaganda moderna, sermos incansavelmente críticos com a padronização de suas orientações, que habilmente manipulam os nossos desejos, e nos dobram para adquirir compulsivamente os seus repetitivos e superados produtos. É fundamental esclarecer, esmiuçar e ensinar as crianças a cultivar este espírito de discernimento. Seria uma excelente decisão não comprar por impulso, mas pensar antes.

“O mundo nunca foi alguma coisa estática, uma coisa que simplesmente nos foi dada e à qual uma pessoa, então “aceita” ou “ajusta-se” ou “combate”. Ao contrário, ele é um padrão dinâmico, no qual, desde o momento em que possuo autoconsciência, estou em processo do planejar e projetar. Assim Binswanger se refere ao mundo como “aquilo em cuja direção a existência seguiu de acordo com o que ela própria projetou “e continua para enfatizar que enquanto uma árvore ou um animal estão presos a seus “rascunhos” no que diz respeito ao ambiente,” a existência humana contém não somente numerosas possibilidades de ser como também e, principalmente, está fundamentada nessa potencialidade múltipla de ser”. ( Autor: Rollo May – Livro: A Descoberta do Ser – Editora Rocco Ltda – Rio de Janeiro – 1988 ).

Construir a própria identidade, e lapidá-la ao longo da vida é a maior conquista do indivíduo como um ser em busca da qualidade da experiência. A autoconsciência é o componente intrínseco e inseparável, é o ser que obrigatoriamente tem de estar consciente de si mesmo, ser responsável por si mesmo, se pretende tornar-se ele mesmo. Toda a dignidade do homem está no pensamento. Segundo Pascal em seu livro O Pensamento afirma: “- Vamos lutar para pensar bem – aí reside o princípio da moralidade”.

Quando sou apenas um reflexo, um espelho do mundo exterior apenas, não posso experimentar o sentimento de existir. O meu sentimento de ser não é a minha capacidade de perceber o mundo exterior, de medi-lo, de avaliar a realidade: ele é, ao contrário, minha capacidade de ver a mim mesma como um ser no mundo, de conhecer a mim mesma como o ser que pode traçar o seu próprio caminho. O sentimento de ser não se encontra voltado contra o mundo exterior, mas deve incluir a capacidade de impulsionar-me contra ele se necessário.

“Na década  de 1960 os estudantes revolucionários adotaram slogans como “Todo o poder para a imaginação”; “É proibido proibir”. O constante apelo a estas idéias, trinta anos depois, deveria ser óbvio para quem quer que volte o seu olhar para o cenário acadêmico e para a mídia.O estado de espírito pós-moderno, assim chamado, define-se, por um lado, por uma desilusão com as grandes histórias ou metanarrativas, incluindo um ideal de liberdade pessoal; por outro, do fato de ter se originado em grande parte da rebelião estética contra a cultura da classe média. A sensibilidade pós-moderna rejeita grande parte do modernismo também, mas está enraizada no ideal modernista de indivíduos emancipados das convenções, construindo identidades para si mesmos a seu próprio gosto, conduzindo suas próprias vidas - como Oscar Wilde teria dito - como se elas  mesmas fossem umas obras de arte. (Autor: Christopher Lasch – Livro: A Rebelião das Elites e a Traição da Democracia –
Ediouro 2000).

Diante de uma cultura padronizada, as lideranças consideradas inimigas da conformidade, rebeldes aos hábitos e costumes conservadores deveriam ser mais ouvidas. Os artistas com os seus riquíssimos imaginários, que Deus lhes deu, sempre mostraram o desprezo pela estagnação da tradição, que congelam a evolução cultural. O próprio Jesus Cristo era também um grande artista com a mensagem de um artista para o mundo. Ele disse ao homem: - Você tem uma personalidade maravilhosa. Desenvolva-a. Seja você mesmo.

Oscar Wilde ampliou a sua interpretação de “Cristo como precursor do movimento romântico na vida”.Tendo “criado a si mesmo” na sua própria imaginação, Jesus de Nazaré pregava o poder da imaginação como a base de toda a vida espiritual e material. Ele pregou a simpatia imaginativa, não o altruísmo, mas os seus próprios poderes de identificação simpática o tornaram “porta-voz” de todo o mundo que não consegue se expressar, o universo mudo dos que sofrem. Sua vida, conforme registrada nos Evangelhos era “como uma obra de arte”. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A CANÇÃO DO ENCONTRO




REGINA DINIZ


O pássaro amarelo me olha e canta Bem-te-vi...

Olho para ele e recebo energias magnéticas...
Reconheço a inteligência infinita dentro de mim mesma...
Porque me orienta em todos os bons caminhos...
Tanto eu como este lindo pássaro nos abastecemos de fé...

O pássaro amarelo me olha e canta Bem-te-vi...

Olho para ele e sinto Deus fixado em nossos corações...
Identificamos a troca criativa presente em toda a parte...
Resolvemos nossos problemas nutridos de fé...
É o reconhecimento ao princípio divino em nosso íntimo...

O pássaro amarelo me olha e canta Bem-te-vi...

Olho para ele e digo que Deus é a presença no bem...
Sabemos que estamos fortalecendo a fé em nós mesmos...
Acreditamos que a fé é um modo de pensamento...
Sentimos que a fé é uma atitude mental positiva...

O pássaro amarelo me olha e canta Bem-te-vi...

Olho para ele e revelo que a fé é um sentimento de confiança...
Que pelo qual estamos orando irá ocorrer...
Deus é Inteligência Infinita e Bondade Absoluta...
Descobrimos que Honestidade e Sinceridade são filhos do amor...

O pássaro amarelo me olha e canta Bem-te-vi...

Olho para ele e conto que Deus está nos guiando...
E revela o nosso verdadeiro lugar...
Que ansiamos por saúde, harmonia e Paz...
Todas as pessoas têm fé em algo...

O pássaro amarelo me olha e canta Bem-te-vi...

Olho para ele e conto que lhe ofertei forças espirituais...
Ele cantou com exuberância...
As oportunidades estão sempre batendo a nossa porta...
Constantemente exaltamos Deus em nosso íntimo...

Eu te olho, tu me olhas, tudo pela vida...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A UNIVERSALIDADE DA EXPERIÊNCIA ÉTICA



REGINA DINIZ

Por mais freqüente e disseminado que se tenha tornado o uso da palavra  “crise” em nossa época, o estado mental que ela designa foi e é mais freqüente ainda. A sensação de que as coisas “vão mal”, de que não batem com o que era esperado, e a desorientação resultante sobre a maneira de prosseguir são freqüentes, comuns, talvez um acompanhamento universal da experiência existencial humana. Todo ser no mundo humano é reflexivo, sempre implica a recapitulação e análise, não pode durar muito sem autocrítica. O que é levado em conta com menos freqüência, porém, é o fato de que, a cada momento, na história várias gerações convivem, interagem, fazem intercâmbios e enfrentam assim a tarefa de coordenar suas ações e comunicar-se. Por esta razão a sociedade está permanentemente em “estado crítico” e as gerações mais velhas, pessoas que estão no mundo há mais tempo e tiveram mais tempo para desenvolver hábitos e expectativas, tendem a ser as primeiras a perceber o estado atual de coisas como um “estado de crise”. (Autor: Zygmunt Bauman Livro – Em Busca da Política – Ed.Jorge Zahar Editor Ltda – Rio de Janeiro – 2000).

A sociedade humana em si é uma entidade inventada, idealizada em modelos muito diferentes, e não facilmente compreensíveis. Avaliá-la e considerá-la na sua pluralidade, para compreender as suas novas propostas, acompanhar e discutir o seu sistema humano e social é grande acerto. São normais as invalidações das possibilidades e somos atingidos por profundas incertezas de como organizar o próprio código ético, o que é o estado normal da sociedade humana.

“Estar em crise” é a maneira costumeira e talvez a única concebível de autoconstituição (Castoriadis) ou autopoiesis (Luhmann), de auto reprodução e renovação, e cada momento na vida da sociedade é um momento de autoconstituição, reprodução e auto-renovação. A harmonização com a razão sempre aconteceram.  Mas há algumas décadas a sociedade entrou em desequilíbrio e ainda não conseguiu voltar ao estado de equilíbrio. É grande a preocupação pública atual com a “crise de ordem mundial”, a “crise de valores” a “crise da cultura”, a “crise das artes” e outras crises diariamente descobertas.

“O homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores, hierarquizá-os e dá assim sentido à sua existência mediante opções que ultrapassam incessantemente as fronteiras do seu conhecimento efetivo. No homem que pensa, esta questão só pode ser raciocinada, no sentido em que, para fazer a síntese  entre  aquilo que ele crê e aquilo que ele sabe, ele só pode utilizar uma reflexão, quer prolongando o saber, quer opondo-se a ele num esforço crítico para determinar as suas fronteiras atuais e legitimar a hierarquização  dos valores que o ultrapassam. Esta síntese raciocinada entre as crenças, quaisquer que elas sejam, e as condições do saber, constitui aquilo que nós chamamos uma “sabedoria” e é este que nos parece ser o objeto da filosofia”. (Jean Piaget – Sageza e Ilusão da Filosofia).

A “Crise de Valores” é percebida nos dias de hoje como um imenso perigo, detonando a moralidade que não é exercitada, por ser desacreditada a idéia da própria responsabilidade autônoma do sujeito moral. Na ausência da proposta ética (os regimes totalitários retiram o estudo da Ética dos bancos escolares e universitários como 1º. Ato) os indivíduos são confrontados com as próprias opções de acordo com o nível do julgamento moral, sentem-se inseguros e desorientados, porque não tiveram oportunidades de se desenvolverem. Esta “crise de valores” ou seja, a ausência do conhecimento ético é observada com preocupações.

O grande equívoco que a “crise de valores” propõe é a definição dos sujeitos morais por sua conformidade à norma, e não na certeza pela opção da conduta responsável. A prática da educação ética prima pela reflexão para que todos os indivíduos vivam de acordo com este preceito. A natureza da moralidade na qual a responsabilidade é ensinada e refletida ocupa um lugar de honra. A reflexão sobre a moralidade sempre motivou idéias favoráveis para os indivíduos, que admitiram que o caminho mais correto seria a prática da responsabilidade pelas escolhas morais.

Anthony Giddens, chega a ponto de descrever a modernidade como “uma cultura de risco”. O conceito de risco torna-se fundamental para a maneira como tantos agentes leigos como especialistas organizam o mundo moral... O mundo moderno tardio... é apocalíptico, não porque esta se dirigindo inevitavelmente rumo à catástrofe, mas porque introduz riscos que gerações precedentes não tiveram que enfrentar”. (Modernity and self – identity: Self and society in the late modern age, Polity Press, Cambridge – 1991, pp,3-4 ). Mas em seu estudo pioneiro dos riscos e perigos que a “ação cega” ( e nas sociedades contemporâneas ultracomplexas as ações estão, por assim dizer institucionalmente de olhos tapados) não pode senão gerar, Ubrich Beck observou que “o que prejudica a saúde e destrói a natureza não é reconhecível ao sentido do tato ou da vista”. Os efeitos escapam inteiramente às capacidades humanas de percepção direta. ( Risk Society: Towards a new modernity, Sage, Londres, 1991, p.27).

Nestes últimos trinta anos, a ausência do debate ético no sistema educacional e a retirada total do ensino ético na própria sociedade desnortearam a identidade humana. Tornaram-se desacreditadas as normas éticas, testadas e confiáveis que herdamos do passado e que nos ensinaram a importância do respeito e consideração para com os demais e para consigo mesmo.  Imediatamente teremos de investir e zelar para que não se destrua a dignidade que é o principal dos valores. Os pilares éticos não são coisas nem simples idéias que adquirimos, mas conceitos que traduzem nossas preferências.

Os valores éticos que se referem às normas ou critérios de conduta que afetam todas as áreas da nossa atividade como, por exemplo, -Solidariedade,  -Honestidade, -Verdade, -Lealdade, -Bondade, -Altruísmo, são valorizados  e procurados. Na hora de tomar uma decisão, cada um de nós, hierarquiza os valores de forma muito diversa. Os valores são as razões que justificam ou motivam as nossas ações.

Os valores individuais atualmente são definidos como crenças duradouras sobre formas específicas de comportamentos sociais ou sobre estados abstratos de existência. Atualmente, presta-se muita atenção em três componentes considerados básicos e universais da natureza humana: -necessidades biológicas, -necessidades de interação social estável –necessidades de sobrevivência dos grupos. Os valores e expectativas levam em consideração o universo do relacionamento e seu desempenho, que é avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento de suas responsabilidades, lembrando que o indivíduo deve investir continuamente no seu desenvolvimento ético.

Hoje, para as pessoas, o reconhecimento do eu é tão importante quanto o de outros fatores do ambiente cultural, procurar a verdade sobre o eu é tão valioso quanto a procura da verdade em outros aspectos da vida. Devido a degradação dos costumes o indivíduo deveria saber se a sua introspecção é construtiva ou fútil. Podemos dizer que é construtiva quando direcionada para atender o desejo de tornarem-se seres humanos melhores, mais fecundos e mais fortes, cujo objetivo final seria a auto-aprovação.

Conforme nos lembra Freud (1930-1981), nossa felicidade e mesmo a nossa saúde depende diretamente da capacidade de amar. Em uma cultura que desencoraja e mesmo impede esse tipo de vínculo, teremos indivíduos cada vez mais frágeis e solitários. O indivíduo contemporâneo deve vivenciar a verdadeira felicidade. “As ciências mais relacionadas com as demandas humanas, são chamadas ao papel de questionar os aspectos de uma cultura que por estar mais submetida às leis de valorização do capital do que aos princípios éticos e a proteção dos seres humanos, perde sua característica fundamental de ser um processo de humanização, que prima pelos objetivos da pulsão de vida”. (Pedrossian – 2008).  

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

AS ALEGRIAS DA VIDA



REGINA DINIZ


Pois eis que o inverno se foi, as chuvas diminuíram de todo...
As flores se apresentam de novo em nossa terra...
Chegou o tempo de os pássaros voltarem a cantar...
E a voz dos sabiás, e a voz das rolas é ouvida em nossa terra...

Para trazer a consciência às leis da compreensão divina...
Devo observar a prodigalidade da natureza...

A fim de levar uma vida equilibrada,
Sei que devo motivar-me pelo amor fraterno...
Penso na identificação afetiva indistintamente com todos...
Deus se revela como amor universal...

Quero desenvolver o tesouro do meu subconsciente...
É onde estão as minhas riquezas infinitas preciso recordá-las...

O nosso planeta é tão espontaneamente cheio de vida...
Que ao apreciar a natureza eu suplico por energias curativas...
Necessito de vitalidade para me renovar como alma...
Quero me tornar inebriada de Deus...

Sei que só o trabalho árduo não basta...
Preciso investir também nos recessos íntimos da minha mente...

As flores tão bonitas colorem o meu imaginário...
Os pássaros tão inflamados pelo entusiasmo...
Expressam a alegria da vida todos os dias...
Esforço-me por imitá-los, estão repletos de emoção...

A lei da vida é fartura e não carência...
Preciso abrir o tesouro infinito que há dentro do meu coração...

A natureza entoa a canção de Deus...
Sinto a harmonia, o equilíbrio triunfante...
Que explica que todos nós, indistintamente...
Estamos inebriados de Deus...

Como é esclarecedor se concentrar nas verdades eternas...
Sou impulsionada para a crista da onda...

Sempre vejo pessoas nutridas de forças emocionais admiráveis...
Gostaria de atingir esta plenitude de alegria...
Sei que o coração cheio de amor e bondade...
É um importante irradiador de paz...

O pensamento toma forma no interior da mente...
Eu dirijo os meus pensamentos para as riquezas do infinito...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A EDIFICAÇÃO DE UM MUNDO MELHOR



REGINA DINIZ

“Pode-se dizer que o “consumismo” é um tipo de arranjo social resultante da reciclagem de vontades, desejos e anseios humanos rotineiros, permanentes e por assim dizer, “neutros quanto ao regime, transformando-os na principal força propulsora  e operativa da sociedade, uma força que coordena a reprodução sistêmica, a integração e a estratificação sociais, além da formação de indivíduos humanos, desempenhando ao mesmo tempo um papel importante nos processos de auto-identificação individual e de grupo, assim como na seleção e execução de políticas de vida individuais. O “consumismo” chega quando o consumo assume o papel-chave que na sociedade de produtores era exercido pelo trabalho. A menos que saibamos por que as pessoas precisam de bens de luxo, ou sejam bens que excedem as necessidades de sobrevivência e como os utilizam, não estaremos nem perto de considerar com seriedade os problemas de desigualdade”. (Mary Douglas – In the  Active Voice. Routledge and Ke Kam Paul – 1998. (Citação:Zygmunt Bauman – A Transformação das Pessoas em Mercadorias – Ed. Jorge Zahar – Editor Ltda – Rio de Janeiro – Brasil – 2007 ).

Segundo Lipovetsky, o período compreendido entre as duas últimas décadas do século XIX até a Segunda Guerra Mundial, foi marcado por um aumento vertiginoso da produção industrial. O avanço tecnológico permitiu que as indústrias produzissem em abundância e de uma forma muito mais veloz. É quando os mercados locais dão lugar aos grandes mercados nacionais, favorecendo o desenvolvimento do transporte e do comércio. No capitalismo do consumo o lucro dá-se pelo volume de vendas do que pelo preço unitário dos produtos.

Foi tudo muito bem planejado, pois esta primeira fase inventou o marketing de massa, bem como moldou o consumidor moderno. Inteligentemente inventou a “marca” e o nome dos produtos e concomitantemente os grandes magazines. Aumentou extraordinariamente o volume de vendas e surgiu triunfal o “glamour” ao consumo com as técnicas de marketing que inauguraram o “consumo-sedução” e o “consumo-distração” que perduram até hoje. Foi apresentado o consumo de massa como um modo de vida: bens duráveis, lazeres, férias, modas, deu o poder de compra às classes sociais mais simples antigamente associados somente às elites sociais mais elevadas. Rapidamente as políticas de diversificação dos produtos bem como, o processo visando reduzir o tempo de vida das mercadorias foram colocados em prática dando verdadeiro golpe na economia do mundo.

“A produção de corpos supérfluos, não mais exigidos para o trabalho, é conseqüência direta da globalização”, como aponta Hauke Brunkhorst. Ele acrescenta que a peculiaridade da versão globalizada da “superpopulação” é a maneira como ela combina, com grande rapidez, a crescente desigualdade com a exclusão dos “corpos supérfluos do domínio da comunicação social”. “Para os que caem fora do sistema funcional, seja na Índia, no Brasil ou na África, ou mesmo, hoje, em muitos distritos de Paris ou Nova York, todos os outros logo se tornam inacessíveis. Suas vozes não serão mais ouvidas, e muitas vezes eles são literalmente emudecidos”. (Hauke Brukhorst, “Global Society as the Crisis of Democracy”, in Mikael Carleheden e Michael Hviid Jacobsen (orgs.), The Transformation of Modernity:  Aspects of the Past, Present and Future of an Era, Ashgate, 2001, p.233). Citação de Zygmunt Bauman – Vidas Desperdiçadas – Jorge Zahar Editor Ltda. 2005).

A produção de seres humanos refugados, considerados “excessivos” e redundantes, que não puderam ser reconhecidos, é um resultado inevitável da modernidade. É um efeito colateral da construção da ordem, que elimina totalmente, parcelas da população considerando-as “deslocadas”, inaptas ou indesejáveis, que estão a margem do “progresso humano” que não pode ocorrer sem eliminar, sem degradar e desvalorizar os modos efetivos de “ganhar a vida”, privando-os  dos meios de subsistência. A remoção destes seres humanos considerados refugo, nas partes modernizadas do globo, foi o  mais importante objetivo da colonização e das conquistas imperialistas e que eram a causa da desigualdade  de desenvolvimento, em outras palavras pobres e atrasados culturalmente.

Há milênios estas deportações foram praticadas, mas a globalização aumentou mais do que nunca a produção de pessoas refugadas. Agigantaram-se em quantidades enormes os seres humanos destituídos de formas e meios de sobrevivência. Os temores relacionados a segurança surgiram na lógica das lutas pelo poder ao Direito da Igualdade. Os problemas do refugo (humano) e da remoção do lixo humano que se tornaram no maior desafio sobre a “moderna e consumista cultura da individualização. “Houve uma época, é claro, em que nós cinco não conhecíamos um ao outro... Ainda não conhecemos um ao outro, mas aquilo que é possível e tolerável para nós cinco possivelmente não será tolerado por um sexto. Em todo caso, somos cinco e não queremos ser seis... Longas explicações poderiam resultar que o aceitássemos em nosso círculo, de modo que preferimos não explicar e não aceitá-lo”. (Franz Kafka, Amizade)      

“Para a EUROPA, o resto do planeta não era uma fonte de ameaças, mas um tesouro de desafios. Por muitos séculos, a Europa foi uma exportadora de seus próprios excedentes de história, incitando, forçando o resto do planeta a tomar parte como consumidores. Esses longos séculos de comércio unilateral, iníquo, agora se rebatem sobre a Europa, colocando-a face a face com a tarefa desanimadora de consumir localmente o excedente da história planetária. Esses séculos foram registrados nos livros europeus de história como “a era das descobertas geográficas”. Descobertas européias são claras: realizadas por emissários da Europa, e em benefício desta. Vastas terras jaziam prostradas, esperando que as descobrissem.  Descobrir significava desnudar os tesouros até deixá-los vazios, subutilizados ou malbaratados, ou empregá-los de todas as maneiras erradas, extravagantes ou irracionais; tesouros desperdiçados por nativos ignorantes de seu valor, veios de riquezas, clamando para serem extraídas e então recolhê-los e transportá-los para outros lugares onde poderiam ter uso melhor e mais sensato”.(Zygmunt Baumann – Europa: uma aventura inacabada – Jorge Zahar Editor Ltda – 2006).

Há milênios, sempre a Europa desejou e precisou de grandes riquezas para preencher os esvaziados cofres reais como também necessitou das terras estrangeiras para acomodar homens e mulheres, cuja ambição social não correspondia ao nível suficiente em sua terra natal. A Europa sempre sonhou em cultivar homens destemidos, empreendedores que sabiam o valor dos metais preciosos e como extraí-los dos minérios. E sempre havia pessoas prontas a lutar por um rápido enriquecimento. A Europa sempre soube que havia espaços vazios nos quais “o problema social humano” poderia ser despejado. Durante séculos e séculos a Europa sentiu-se a rainha do planeta.

A Europa planejou e vivenciou o modo de vida superior, mais culto, seguro e rico, construtivo e mais digno. A conquista européia jamais foi questionada, entretanto hoje o papel de dinastia iluminada o papel de realeza, e a condição de monstro foi arrancada das mãos da aventura intitulada Europa. A Europa ficou grisalha num mundo que cada vez se torna mais jovem a cada ano que passa. A Alemanha, Grã-Bretanha e França a pouco tempo atrás eram gigantes econômicos, mas rapidamente perderam posições no ranking mundial. Crise Européia, FMI repete apelo que veio das ruas. Em Tóquio, Fundo propõe mudanças nas políticas de austeridade para tirar economias do atoleiro. Não são mais nas ruas que se erguem apelos para a mudança nas políticas de austeridade que devastam a Europa.  Precisam recalibrar as metas para arrancar a economia do atoleiro, proclama o Fundo Monetário Internacional (FMI), diante do risco de mais um ano, o quinto, de estagnação, desemprego alto e tensão social.

“Sabemos que, por trás da opaca nuvem de nossa ignorância e da incerteza de resultados detalhados, as forças históricas que moldaram o século XX continuam a operar. Vivemos num mundo conquistado, desenraizado e transformado pelo titânico processo econômico e tecnocientífico do desenvolvimento do capitalismo, que dominou os dois ou três últimos séculos. Sabemos, ou pelo menos é razoável supor, que ele não pode prosseguir ad infinitum. O futuro não pode ser uma continuação do passado, e há sinais, tanto externamente quanto internamente, de que chegamos a um ponto de crise histórica. ( Eric Hobsbaium  - A Era dos Extremos – O breve século XX – 11914 – 1991 -  Editora Schwarcz S.A. - São Paulo – Brasil 2012.).

A integração de economia mundial acentuou-se a partir dos anos 1990 com a revolução tecnológica. A Internet revelou-se a mais inovadora tecnologia de comunicação do planeta. As trocas de informações tornaram-se quase instantâneas, o que acelerou em muito a integração das atividades econômicas. Segundo as soluções, o modelo do FMI  e do Banco Mundial a presença estatal na economia inibe o setor privado e freia o desenvolvimento. Tendo algumas características como: - livre circulação de capitais, com a abertura da
economia e a eliminação de barreiras a investimentos estrangeiros – amplas privatizações – redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos – desregulamentações do trabalho, para reduzir os custos das empresas, aconteceram mudanças significativas na economia no mundo.

Quem acreditaria que países como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha formassem o grupo na posição mais delicada dentro da Zona do Euro, pois foram os que atuaram de forma mais indisciplinada nos gastos públicos e se endividaram excessivamente. Estes países possuem pesados déficits orçamentários ante o tamanho de suas economias. Não possuem formas de recurso (superávit), entraram no radar da desconfiança dos investidores... Quem imaginaria que a Europa, como um dos maiores  mercados consumidores do mundo diminuiriam o ritmo de importação de bens e serviços e prejudicaria a dinâmica econômica global? A humanidade quer edificar um mundo melhor e como estamos vendo não podemos nos espelhar na continuidade do passado ou do presente. Recebemos herança destrutiva. Precisamos planejar o mundo com visões evolutivas construtivas para todos, esta é a mudança de sociedade que almejamos.                                          

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A DESTINAÇÃO EVOLUTIVA

REGINA DINIZ

Depositar atenção nos valores reais da vida...

Com serenidade penso na paz interior permanente...
Para que ela inunde a minha mente e o meu coração...
Consigo imaginar um mundo melhor...
A minha alma é invadida pelo amor a todos...

Conhecer o Deus do amor como senhor absoluto...

Convivo com idéias de ajuda mútua...
Vivo na radiosa expectativa de evolução espiritual...
Sonho na união com Deus, com a vida e o universo...
Descobri que a fé reside em todas as coisas boas...

Vibrar fé num mundo pleno de alegria, felicidade e paz...

A prosperidade maior é perceber a sabedoria divina...
A inteligência divina me leva ao caminho certo...
Acalento Deus na minha intimidade...
Desejo para todos a prosperidade espiritual...

Seguir sempre para o alto no rumo de Deus...

Permito que meu coração seja motivado pelo afeto...
Porque é a atitude mental e espiritual de maior êxito...
A inteligência infinita de Deus intui o plano perfeito...
Peço ajuda porque Deus sabe o que me falta...

Acreditar em Deus é auxiliar todos os seres humanos...

Entronizo os pensamentos afins com Deus me purificando...
O importante é conservar a qualidade das idealizações...
A paz de Deus flui na minha mente, no meu ser inteiro...
Confio na vida e vou em frente...

Entender que a paz e o amor fluem do coração...

Deus me conduz para águas serenas...
Com fé em Deus um novo dia é um novo recomeço...
Deus me acompanha, sempre estou junto dele...
Sua orientação, sua paz, seu amor estão comigo...

Vibrar Deus é privilegiar a harmonia e a boa vontade...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

AS MEDIAÇÕES PELA PAZ MUNDIAL


REGINA DINIZ


Qual era o status político internacional da nova União Européia, que aspirava a uma política comum, mas se mostrava espetacularmente incapaz de até mesmo fingir ter uma, ao contrário das questões econômicas? Não estava claro nem mesmo se todos os Estados, grandes ou pequenos, velhos ou novos – com exceção de uns poucos -, existiriam em sua presente forma quando o século XX atingisse o seu primeiro quartel. Se a natureza dos atores no cenário internacional não era clara, o mesmo se dava com a natureza dos perigos que o mundo enfrentava. O Século XX fora de guerras mundiais, quentes ou frias, feitos por grandes potências e seus aliados em cenário de destruição de massa cada vez mais apocalípticos, culminando no holocausto nuclear das superpotências, felizmente evitado. Esse perigo desaparecera visivelmente. O que quer que traga o futuro, o próprio desaparecimento ou transformação de todos os velhos atores do drama mundial, com exceção de um significava que uma Terceira Guerra Mundial do velho tipo se achava entre as perspectivas menos prováveis. ( Autor: Eric Hobsbawm – Livro: Era dos Extremos – O breve século XX – Editora Schwarcz S.A., - São Paulo).

O século XX acabou em problemas, porque nenhum país apresentou projetos sinalizando soluções. O terceiro milênio entrou com muitas dúvidas e não surgiram novas propostas. Desde 1990, não foi criada uma nova estrutura internacional. Desapareceram as conferências internacionais de trabalho, que foram substituídas por rápidas conferências de cúpula para relações públicas e sessões de fotos. As causas dessa impotência não eram a complexidade da crise mundial, mas o fracasso de todos os programas, velhos e novos para apresentar alternativas de superação dos conflitos da raça humana.

O mundo do século XXI será bem mais saudável, será bem mais promissor. No dia 12 de outubro de 2012, a União Européia recebeu o Primeiro Nobel da Paz pela reconciliação dos países da Europa nos últimos 60 anos e a vitória da Paz e dos Direitos Humanos em toda a região. A escolha foi realizada pelo Comitê do Nobel da Noruega. Para o grupo a organização de 27 países conseguiu alcançar a paz e a promoção dos Direitos Humanos em duas ocasiões: A primeira é a união obtida após o fim da 2ª. Guerra Mundial (1939 – 1945) em que a Europa se dividiu entre aliados comandados pelos Estados Unidos, e o eixo liderado pela Alemanha governada por Adolf Hitler. Foi considerada também a reunificação depois da decadência do comunismo com a queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da União Soviética (1991). A União Européia e as instituições que a precederam em sua formação contribuíram durante mais de seis décadas para a paz e a reconciliação, a democracia e os Direitos Humanos disse o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, A entrega do prêmio Nobel será em 10 de dezembro, data que lembra a morte de Alfred Nobel.

“A grande ironia é que a supremacia militar não é mais capaz de enfrentar as novas ameaças globais. Esse foi um dos grandes problemas para a segurança internacional expostos pelo diplomata egípcio Mohammed El-Baradei, Prêmio Nobel da Paz em 2005, durante o ciclo, Fronteiras do Pensamento, ontem, no Salão de Atos da UFRGS em Porto Alegre. Para Ell-Baradei, o diálogo é a melhor forma para a solução de conflitos. A própria história dos Estados Unidos mostra que a conversa e a criatividade diplomática não são uma tática apenas para idealistas. Até os mais conservadores presidentes americanos, como (Richard) Nixon e (Ronald) Reagan, conversaram com seus inimigos. Hoje, as armas nucleares se tornaram uma futilidade. O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) acredita que a placa tectônica das sociedades está mudando, e que uma reforma do sistema que garanta mais segurança ao sistema internacional precisa acompanhar essas transformações”.
( Diálogo pela Paz  - Jornal Zero Hora – Porto Alegre – 1º de novembro de 20012).

Na Síria, em 15/03/2011, o que era uma simples manifestação de descontentamento popular degenerou numa verdadeira guerra civil, ceifando milhares de vidas, e que a Cruz Vermelha Internacional passou a classificar o conflito como Guerra Civil. A total incompetência da ONU, na mediação de conflitos de grandes proporções fez com que o emissário das Nações Unidas, Kofi Annan renunciasse, confessando ser incapaz de negociar um simples cessar-fogo, sequer um acordo de paz duradouro. O caso da paralisia do Conselho da ONU mostra a necessidade de uma competente visão e uma modernização profunda nas práticas de Mediação de Conflitos.

No dia 01/11/2012 a China disse: O mundo deve apoiar esforços de mediação no conflito Sírio. O mundo deveria agir com maior urgência para apoiar os esforços de mediação do enviado da Paz na ONU e Liga Árabe Lakhdar Brahimi, uma vez que a situação está piorando disse o Ministro de Relações Exteriores Chinês, Yang Jiechi. O Chanceler também repetiu um pedido para que todos os lados no confronto da Síria cessem fogo imediatamente, e tomem medidas para formar um governo de transição. Assad é apoiado pela Rússia. Coréia do Norte, Hezbollar, Xiitas Iraquianos, Venezuela e o Irã todos campeões mundiais da anti-democracia, das violações dos Direitos Humanos, da supressão à autodeterminação dos povos e da liberdade. A conquista maior em civilidade é a participação atuante de muitos países no mundo desejosos de solucionar este conflito através de canais políticos.

A construção da Paz começa a partir de uma atitude pessoal que pode se refletir depois em diversos campos da vida, no meio ambiente, na sociedade, na saúde coletiva entre outros. Essa discussão se fortalece a partir da crescente visão da interdependência global, e da responsabilidade universal pela construção de um novo mundo, e coloca este tema como uma das principais ações educativas, que promovem fontes efetivas de paz no mundo.

A Cultura de Paz iniciou-se oficialmente pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1999 e empenha-se em prevenir situações que possam ameaçar a paz e a segurança – como o desrespeito aos Direitos Humanos, a Discriminação e intolerância, exclusão social, pobreza extrema e degradação ambiental, utilizando como principais ferramentas a conscientização, a educação, e a prevenção. De acordo com a UNESCO, a cultura da Paz “está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não-violenta de conflitos” e fundamenta-se nos princípios de Tolerância, Solidariedade, Respeito à Vida, aos Direitos Individuais e ao Pluralismo.

A proposta da Cultura da Paz busca alternativas e soluções para estas questões que afligem a humanidade como um todo, na paz como um estado social de dignidade onde tudo possa ser preservado e respeitado. Estes pontos são um dos desafios da construção de uma Cultura de Paz. É válido lembrar que para construir uma sociedade mais humana, é fundamental, que cada um comece por si mesmo e faça a sua parte por meio de uma mudança de atitudes, valores e comportamentos que visem a construção de um mundo mais justo e melhor de se viver. 

“A Fraternidade é um empenho, que favorece o desenvolvimento autenticamente humano do país sem isolar na incerteza do futuro as categorias mais fracas, sem excluir outras do bem-estar, sem criar novas pobrezas; salvaguarda os Direitos da Cidadania e o acesso à própria cidadania, abrindo uma esperança a todos que buscam a possibilidade de uma vida digna em nosso país, o qual pode mostrar a própria grandeza, oferecendo-se como pátria para quem perdeu, ajuda a pesquisa científica e a invenção de novas tecnologias, salvaguardando, ao mesmo tempo, a dignidade da pessoa humana do primeiro ao último instante de sua vida, fornecendo sempre as condições para que cada pessoa possa exercer a própria liberdade de escolha e possa crescer assumindo responsabilidades. (Lubich, Chiara. Ideal e Luz. Pensamento, Espiritualidade e Mundo Unido, São Paulo: Cidade Nova, 2003,pág.309 – 310).

Para pensar sobre a importância da fraternidade mundial é indispensável avaliar os objetivos da Revolução Francesa: - Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Purificada por filósofos e poetas ao longo da modernidade, a Fraternidade foi sendo paulatinamente afastada da Liberdade e da Igualdade, aproximada apenas às idéias de caridade, filantropia e romantismo. Ao longo da modernidade observamos, que nas sociedades liberais avançadas sob a bandeira da liberdade, se ausentaram as questões atinentes a Fraternidade.

A filosofia política como também a Ciência Política nunca propuseram estudos ou pesquisas sobre a Fraternidade. A temática humana da Fraternidade desapareceu do debate político e dos estudos nas academias tradicionais de Ciência Política. Entretanto vemos este debate crescer nas organizações não governamentais, em movimentos sociais e em grupos religiosos.    

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A MENTE ABERTA PARA DEUS


                              
 REGINA  DINIZ

Quando a tempestade da vida se avoluma...

Procuro equilibrar o meu barco existencial,
Lembro-me de Jesus e me revitalizo espiritualmente,
Então a minha mente se enaltece e sigo adiante,
Confiante na verdadeira vida divina...

Com Deus todas as propostas são possíveis...

Deus está tão próximo, que noto boas idéias,
Nascendo da essência do meu ser,
Que observa as energias de evolução interior...
O poder de Deus, nos meus pensamentos,  tranquiliza-me...

Faço ligações mentais com a harmonia de Deus...

Aprendi que para superar obstáculos,
É preciso muita fé para que surja,
Uma sugestão perfeita e Divina.
Sempre peço paz permanente para todos nós...

Com fé e confiança em Deus fico equilibrada...

Uma grande calma invade a minha alma,
Esta tranqüilidade vai além da compreensão...
Todos os esforços em busca de qualidade interior,
São válidos para alcançar o lado mais elevado da vida...

Deus é amor e me leva para águas serenas...

Em orações irradio amor para todas as pessoas...
Eu lhes desejo paz, harmonia e alegria...
Porque todos nós procuramos ser dignos de Deus...
O seu afeto está presente em nossos pensamentos...

Deixar a mente aberta para a luz da inspiração entrar...

Quando decidi acolher a luz da união espiritual,
Vivifiquei a emoção da fé...
Quando aceitei a presença de Deus no coração,
Eu vi um novo céu, eu vi uma nova terra...

Sinto a Presença de Deus, quando irradio amor e alegria... 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O DIREITO HUMANO DE SER DIFERENTE



REGINA  DINIZ

Como princípio da “dignidade humana” entende-se a exigência enunciada por Kant como segunda  fórmula do imperativo categórico: - Age de forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa  de qualquer outro, sempre também como um fim e nunca como um meio. Este imperativo estabelece, na verdade, que todo homem, aliás, todo ser racional, como fim em si mesmo, possui um valor não relativo, mas intrínseco, isto é a dignidade. Substancialmente, a dignidade de um ser racional consiste no fato de que ele não obedece a nenhuma lei que não seja também instituída por ele mesmo? A filosofia Kantiana mostra que o homem como ser racional, existe como fim em si e não simplesmente como meio. Os seres racionais estão submetidos à lei segundo a qual cada um deles jamais se trate a si mesmo ou aos outros  simplesmente como meio, mas sempre e simultaneamente como fins em si. Isso, em suma, quer dizer que só o ser humano, o ser racional, é pessoa.


As nações capitalistas supervalorizaram o princípio de igualdade e os socialistas supervalorizaram a igualdade. A fraternidade foi enfocada com a idéia de caridade por filantropia. Os movimentos religiosos cristãos, através de seus trabalhos adotaram os despossuídos do mundo em nome da fraternidade. Diante dos grandes desafios colocados pela humanidade: as violações de Direitos Humanos, as barbáries das guerras étnicas, a indiferença social produzida pela globalização e pelo neoliberalismo, não precisaríamos debater o lugar da fraternidade numa perspectiva de reconciliação do tripé da Revolução Francesa (Igualdade, Liberdade e Fraternidade). Não seria o momento de pensar: solidariedade, responsabilidade social, gestão honesta dos recursos públicos, respeito à diversidade, a alteridade, a multiculturalidade,  e meio ambiente como aspectos da fraternidade universal?

Todos este valores citados nos tornam membros da comunidade de seres humanos. A discussão da fraternidade  como princípio político nos mostra um rumo eticamente possível de repensar valores civilizatórios, em um mundo pautado pelo consumo numa perspectiva: local, regional, nacional e internacional. O tema Direitos Humanos tem sido, na atualidade objeto de inúmeros debates e estudos embora há vários séculos, os homens já tivessem consciência de que a pessoa humana tem Direitos Fundamentais, cujo respeito é indispensável para a sobrevivência do indivíduo em condições dignas e compatíveis com sua natureza.

Nas palavras de G.H.Von Wright, a nação-estado parece que está se desgastando ou talvez “definhando”. As forças erosivas são transnacionais. Uma vez que as nações-estado continuam sendo as únicas estruturas para um balanço e as únicas fontes de iniciativa política efetiva, a “transnacionalidade” das forças erosivas coloca-as fora do reino da ação deliberada, proposital e potencialmente racional. Como tudo o que elide dessa ação, tais forças, suas formas e ações são ofuscadas na névoa do mistério; são objetos de adivinhação e não de análise confiável. As forças modeladoras do caráter transnacional são em boa parte anônimas e, portanto, difíceis de identificar. Não formam um sistema ou ordens unificadas. São uns aglomerados de sistemas manipulados por atores em grande parte “invisíveis”. O mercado não é uma interação de barganha de forças competidoras, quantas pressões de demandas manipuladas, artificialmente criadas, e desejo obsessivo de lucro fácil.(Georg Henrik Von Wright, “The crisis of social science and the withering  away of the nation state” Associations, 1 (1997), p.49-52).

A “globalização dos valores” resulta da penetração dos valores da economia de mercado nas relações sociais (produtivas, culturais e até familiares). A tensão que se verifica entre os princípios éticos comuns e a extensão das relações de mercado para o campo dos valores está implícita no conceito de sociedade de mercados. Na verdade a globalização ataca e promove, ao mesmo tempo, a diversidade cultural, pois segmentos inteiros da humanidade sentem ameaçados as suas próprias histórias e os valores que regem nas comunidades.

A globalização procura estreitar as relações entre tradições culturais e modos de vida distintivos e mistura uma pluralidade de interpretações sobre a ordem do mercado global. Mas a extensa história dos movimentos sociais vem adquirindo, nos últimos anos, uma nova dimensão: a luta pelo direito á identidade de povos e grupos sociais, que se sentem ameaçados pela tendência à homogeneização cultural, à padronização imposta pela globalização. Este “Direito a ser diferente” mantém uma forte relação com os Direitos Humanos, no sentido tradicional que reconhece a igualdade dos cidadãos, entre si e seu estado. Igualdade e Identidade se movem numa complexa e intrincada relação no mundo global.

A sensação de incômodo, uma reação que era de esperar numa situação sem alavancas de controle óbvias, foi captada de maneira clara e incisiva no título do livro de Kenneth Jowitt – A Nova Desordem Mundial. Ao longo de toda a era moderna nos acostumamos com a idéia de que a ordem é equivalente  a “estar no controle”. É dessa suposição – quer bem fundada ou meramente ilusória de “estar no controle” que mais sentimos falta. A “nova desordem mundial” nos dias de hoje não pode ser explicada meramente pela circunstância que constitui a razão mais óbvia e imediata da sensação de pasmo e perplexidade.

No acesso às novas tecnologias, como no âmbito comercial, a globalização dos mercados oferece aos países em desenvolvimento amplas oportunidades para uma melhor integração na economia mundial. Nesta perspectiva, o crescimento persistente do comércio internacional e o fortalecimento das regras multilaterais e das práticas de solução de controvérsias, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), são elementos propícios. Mas as aberturas incompletas das economias desenvolvidas, através das práticas protecionistas predominam no mundo. Conclui-se que a parte mais importante não é praticada, porque não está presente a verdadeira igualdade de oportunidades no âmbito internacional, por isso pode-se dizer que as normas globais não são justas e geram grandes disparidades.

Os países em desenvolvimento ainda não se deram conta do valor enorme da educação para o seu crescimento cultural no mundo globalizado. Esta disparidade educativa faz parte de grandes perigos para a segurança econômica e social dos indivíduos, que enfrentam uma situação de debilidade dos sistemas de estimulação e proteção educativa, desde os de formação familiar até os de responsabilidade do Estado. A globalização representa no terreno não-econômico grandes oportunidades inéditas como a expansão dos valores globais, a luta pelo Direito a ser diferente e a criação de mecanismos internacionais e da defesa da Cidadania são acontecimentos espetaculares, que se refletem nos avanços, sem dúvida ainda insuficientes, dos Direitos Humanos, da Democracia, da Igualdade entre os sexos e do Respeito à Diversidade Étnica.

O rompimento de estruturas arcaicas de dominação e o controle do abuso de poder no âmbito nacional devem ser considerados como avanços da era global, embora não isentos de tensões associadas à ausência total de canais que permitam, legitimar as ações internacionais e atenuar os imensos desequilíbrios de poder no âmbito mundial. Concomitantemente, a globalização dos meios de comunicação e seu controle radicado em poucas mãos geraram problemas sérios, porque cria poderosas tensões entre homogeneidade e diversidade cultural e enormes distâncias entre integração simbólica ao mundo global e escassa capacidade de integração material, dadas as amplas desigualdades existentes. Tudo isto sublinha a necessidade de um novo planejamento internacional baseado numa agenda ampla e num processo de negociação representativo e plural no mundo todo.

“Depois de ter sido premiada com o Nobel da Paz, a União Européia viveu ontem um dia de confronto de idéias. Tradicionais inimigas nos campos de guerra da história continental nos séculos passados, a Alemanha e a França se digladiam na reunião de cúpula realizada em Bruxelas, com a primeira defendendo a austeridade para combater a crise financeira e a segunda se opondo a métodos que estrangulem as economias nacionais”. (Depois do Nobel Líderes Europeus trocam farpas – ZERO HORA – 19- 10 - 2012 ).

É bom recordar que os dois países cultivaram durante 80 anos uma rivalidade pela hegemonia continental, que serviu de combustível para três guerras. A União Européia não acalenta o amor e procura desencorajar o ódio – e em matéria de ódio mútuo, Alemanha e França tem uma larga folha corrida. No atual debate Merker e Hollande são partidários da austeridade (no caso da chanceler) versus defensores do Estado de bem-estar social (Hollande). Merker propõem aperto fiscal e reforma na legislação social e previdenciária, especialmente nos países mais atingidos pela crise, com Grécia, Espanha e Portugal. Hollande alerta para os riscos políticos dessas medidas num contexto de desemprego crescente. Uma das principais conseqüências do momento difícil vivido pela Europa é a taxa de desemprego que fomenta protestos. Quase um em quatro jovens (22,7%) está desempregado nos 27 países da União Européia. Em agosto de 2012  havia 5,46 milhões de jovens desempregados – 3,39 milhões dos quais nos 17 integrantes do Euro. Torcemos para que através dos caminhos pacíficos da paz resolvam este problema com sabedoria construtiva.        

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O PLANO ESPIRITUAL PERFEITO

REGINA DINIZ

Depositar atenção nos valores reais da vida...

Com serenidade penso na paz interior permanente...
Para que ela inunde a minha mente e o meu coração...
Consigo imaginar um mundo melhor...
A minha alma é invadida pelo amor a todos...

Conhecer o Deus do amor como senhor absoluto...

Convivo com idéias de ajuda mútua...
Vivo na radiosa expectativa de evolução espiritual...
Sonho na união com Deus, com a vida e o universo...
Descobri que a fé reside em todas as coisas boas...

Vibrar fé num mundo pleno de alegria, felicidade e paz...

A prosperidade maior é perceber a sabedoria divina...
A inteligência divina me leva ao caminho certo...
Acalento Deus na minha intimidade...
Desejo para todos a prosperidade espiritual...

Seguir sempre para o alto no rumo de Deus...

Permito que meu coração seja motivado pelo afeto...
Porque é a atitude mental e espiritual de maior êxito...
A inteligência infinita de Deus intui o plano perfeito...
Peço ajuda porque Deus sabe o que me falta...

Acreditar em Deus é auxiliar todos os seres humanos...

Entronizo os pensamentos afins com Deus me purificando...
O importante é conservar a qualidade das idealizações...
A paz de Deus flui na minha mente, no meu ser inteiro...
Confio na vida e vou em frente...

Entender que a paz e o amor fluem do coração...

Deus me conduz para águas serenas...
Com fé em Deus um novo dia é um novo recomeço...
Deus me acompanha, sempre estou junto dele...
Sua orientação, sua paz, seu amor estão comigo...

Vibrar Deus é privilegiar a harmonia e a boa vontade...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A INDIVIDUALIDADE E O SIGNIFICADO DA LIBERDADE


 REGINA DINIZ

 Seria um erro grave, contudo, supor que o impulso que leva à exibição pública do “eu interior” e a disposição de satisfazer esse impulso sejam manifestações de um vício/ anseio popular , puramente geracional e relacionado aos adolescentes, por natureza ávidos como tendem a ser, para colocar um pé na “rede” (termo que está rapidamente substituindo “sociedade”, tanto no discurso das ciências sociais quanto na linguagem popular) e lá permanecer, embora sem muita certeza quanto à melhor maneira de atingir tal objetivo.  Desde que não se esqueça que o que antes era invisível – a parcela de intimidade, a vida interior de cada pessoa – agora deve ser exposta no palco público (principalmente nas telas de TV, mas também na ribalta literária), vai-se compreender que aqueles que zelam por sua invisibilidade tendem a ser rejeitados, colocados de lado ou considerados suspeitos de um crime. A nudez física, social e psíquica está na ordem do dia. (Eugène Enriquez – “L’ideal type de l’individu hyppermoderne: l’individu pervers?” in Nicole Aubert (org.), L’individu hipper moderne, Erès, 2004, p.49. pág.9 ).

A necessidade de satisfazer o desejo audiovisual é própria do ser humano de todas as épocas. Entretanto com a explosão das tecnologias digitais, surgiram aumentos multiplicados de uma nova visibilidade, reforçando aquela necessidade. É o moderno “Voyeur” seduzido pela contemplação da vida erótica alheia, e que é a personalidade que a sociedade contemporânea reforçou: espectador passivo, como também uma personalidade indiferente e apática aos eventos sociais (como a Sociedade de Consumo gosta). Indivíduos que se realizam no universo alheio, e substituem a ação pela visão que se tornou em um fim. Quanto isolamento!...

Sentado confortavelmente frente à tela de televisão, ou do computador, o sujeito contemporâneo satisfaz o seu desejo, o seu sonho visual. Se o anseio, se a aspiração de olhar, está subentendida na natureza do homem a avalanche de imagens, que planejou a era digital foi consumada ao infinito. Hoje por todas as mídias o espectador é cada vez mais seduzido em destruir a discrição. Desde sempre o homem sentiu a necessidade de satisfazer seu desejo audiovisual. A modernidade destruiu advertências como a de Santo Agostinho sobre os êxtases da visão, “a concupiscência dos olhos” pretendendo instalar um plano melhor, centrado na imagem religiosa, e no mundo com o texto divino. Não restam dúvidas de que o objetivo mais construtivo é a interação afetiva com outros indivíduos, com outros grupos, só assim conseguiremos afugentar a solidão.

“O ser humano é movido pelo impulso de transcender o papel da criatura, o caráter acidental e a passividade na sua existência, procurando tornar-se um “criador”. O homem pode criar vida. É uma qualidade miraculosa que ele, em verdade, compartilha com todos os seres vivos, mas com a diferença de somente ele tem a consciência de ser criado e de ser criador. O indivíduo pode criar pela semeadura, pela produção de objetos materiais, pela criação artística, pela criação de idéias, e pelo amor recíproco. No ato da criação o homem transcende a si mesmo como criatura, eleva-se acima da passividade e do caráter acidental de sua existência até à esfera de iniciativa e liberdade. Na necessidade de transcendência, que tem o homem, estão as raízes do amor,  bem como da  arte, religião e produção material. ( Erich Fromm Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Zahar Editores – Rio de Janeiro – 1979.)

A melhor escolha que podemos fazer é participar ativamente da formação de nosso presente que deverá primar por qualidade de ser. A característica mais distintiva, mais presente no ser humano, é influenciar com suas idéias criativas a evolução por meio do reconhecimento consciente, insistindo em modelar  uma sociedade mais justa e humana. É possível lançar mão de toda a coragem necessária para preservar nossos sentimentos, nossa consciência, e nossas responsabilidades diante de renovações, ou seja, realizar algo novo, penetrar na floresta cultural onde ainda não há trilhas feitas pelos homens.  

Kierkegaard e Nietzche, Camus e Sartre afirmam que a coragem não é a ausência do desespero, mas a capacidade de seguir em frente, apesar do desespero. A coragem é vital para expressarmos nossas idéias originais, e para ouvir o nosso eu interior, só assim estaremos contribuindo para nós mesmos, para a comunidade e para o mundo. A coragem origina-se no interior de nosso eu, pois em sentido contrário nos sentimos vazios. Só preenchemos este vácuo assumindo o compromisso de nos engajarmos no que é autêntico, quando originado no interior de nosso eu.

“Brian, o herói cujo nome compõe o título do filme da série Monty Python, furioso por ter sido proclamado o Messias e ser acompanhado aonde quer que fosse por uma horda de adoradores, em vão fez o possível para convencer seus seguidores a pararem de se comportar como um rebanho de ovelhas a se dispersarem. “Todos vocês são indivíduos!”, gritou. “Nós somos indivíduos!”,
gritou. ”Nós somos indivíduos!”, respondeu devidamente em uníssono o coro dos devotos. Só uma longínqua voz solitária objetou: “Eu não sou...” Brian tentou outro argumento. “Vocês têm que serem diferentes!”, gritou. “Sim, todos nós somos diferentes”, concordou o coro, extasiado. Mais uma vez, só uma voz contestou: ”Eu não sou...” Ouvindo isso a multidão olhou em volta com irritação, ávida por linchar o dissidente assim que o encontrasse em meio à massa de pessoas parecidas. (Zygmunt Bauman – Vida Líquida – Jorge Zahar Editor Ltda – Rio de Janeiro – 2007).

A liberdade tem sido considerada, ao longo das histórias humanas, tão admiravelmente preciosas, que centenas de milhares de seres humanos morreram de bom grado por ela. A liberdade tem em seu interior um significado profundo, que se mostra como a essência do ser humano, por isso ela é prestigiada com tanta devoção. As grandes guerras, os conflitos bélicos que até hoje acontecem no mundo inteiro, e que nos colocam em situação civilizatória inferior, mas sempre as pessoas estiveram prontas a morrer pela liberdade.

Desde o início da história até o nosso século, o princípio da liberdade é considerado o bem mais precioso do que a própria vida. Jean Jaques Rousseau
sentiu-se profundamente sensibilizado,  pelo fato de que  as pessoas podem “suportar fome, fogo, a espada, e a morte para preservarem a sua independência. Atualmente no convívio face a face, a individualidade é afirmada e renegociada diariamente na atividade contínua da interação. Cada membro da Sociedade Individualizada encontra obstáculos no seu caminho para a individualidade de fato, pois significa uma luta para toda a vida. Os movimentos do – mercado de consumo – desafiam a lógica, mas não a lógica da luta pela individualidade. A propaganda maciça  como “Seja você mesmo”
- prefira Pepsi - dá para pensar e avaliar profundamente a cultura padronizada... A luta pela singularidade agora se tornou o principal motor da produção e do consumo de massa...    

“Cogitamos muitas vezes por que haverá tanta ansiedade, e tantos protestos de que se perderá a liberdade caso não conservemos os velhos hábitos do laissez-faire. Uma das razões não será o fato de que o homem moderno renunciou completamente à liberdade psicológica e espiritual interior em benefício do trabalho rotineiro e dos padrões massificados das convenções sociais, a ponto de sentir que o último vestígio de liberdade, que lhe resta é a oportunidade de progresso econômico? Terá transformado a liberdade de competir economicamente com seus semelhantes num último remanescente de individualidade que, portanto, deve representar todo o significado da liberdade? ( Rollo May – O Homem à Procura de Si Mesmo – Editora Vozes Ltda – Petrópolis – Rio de Janeiro – 2005).

A liberdade deve ser apreciada como a bandeira principal do ser humano. A liberdade política está entrelaçada à liberdade interior dos indivíduos, que constituem os países, certamente não há liberdade em uma nação de conformistas, não há liberdade em uma nação livre transformada em robôs. O nível cultural de um país é visualizado pela liberdade pessoal de pensar, sentir e falar com autenticidade, e esta consciência os destacam como seres humanos. O destino pessoal superior, esta liberdade inata fundamenta a escolha de valores éticos como o amor, a coragem e a honestidade...

Da luta para construir a própria liberdade, para construir o próprio destino nasceram a criatividade e as nossas civilizações. A liberdade é conquistada minuto a minuto enriquecendo a subjetividade. Para que fique cada vez mais presente em nossos atos é obrigatório que a renovemos em todos os dias de nossas vidas. O primeiro grande passo é optar por si mesmo, e nos exigir auto-responsabilidade para não nos deixarmos manipular por ninguém. Nada é mais importante do que as nossas próprias opções fundamentais. A adesão
à competição imposta pela sociedade de consumo parece revelar o quanto perdemos da verdadeira compreensão da liberdade.       

sábado, 6 de outubro de 2012

A ESCALADA DA MONTANHA


 REGINA DINIZ

Os pensamentos espiritualizados nutrem a afeição humana.

Fico calma ao me lembrar das idéias divinas...
Imagino o poder da bondade, da verdade e da beleza...
Qual é o sinal da fé e da confiança?...
Preciso destes pilares de natureza afetiva...

Confio na ajuda mútua e escalo a montanha da vida...

A consciência saudável, feliz, e próspera de subjetividade...
Eleva as idealizações para o alto...
Acalmo, amplio e libero esta memória afetiva...
Que de uma fagulha nasce uma chama do bem...

Paciente e feliz removo as pedras e planto flores...

Pressinto o desejo inconsciente de vida saudável...
Vejo que tenho de me preservar o tempo todo...
Preciso irradiar positividade em minha alma...
Sou do bem, porque sou de natureza divina...

Contemplo o azul do céu e agradeço a Deus...

Por poder crescer como espírito através dele...
Todo o ser humano é filho de Deus...
Somos herdeiros de atitudes de fé e devoção...
A jornada é sempre progressiva na consciência...

Admiro o universo cheio de pontos luminosos...

Apelos e murmúrios interiores brotam do meu coração...
Sei que é pela estrada do bem que acharei o meu lugar...
Surgem fortes sentimentos na direção certa...
O desejo que flutua é o anseio do coração...

Estendo os braços para as estrelas, aprendo boas emoções...

A maior fonte de estudos da humanidade é o ser humano...
Permanecerei cultuando Deus de onde procedo...
Acerco-me de Deus, da verdade e da fonte eterna.
Festejo o Amor Divino, a Paz, a Alegria, a Felicidade...

A luz brilha na alma de cada pessoa... 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A CRENÇA NA PRÓPRIA IDENTIDADE

REGINA DINIZ

“O homem moderno está bem alimentado, bem trajado, satisfeito e, contudo sem personalidade, sem qualquer contato com seus semelhantes a não ser o mais superficial possível. “Quando o indivíduo sente, a comunidade vacila”; “Nunca deixes para amanhã o prazer que podes ter hoje, ou, como afirmativa culminante: “Todos agora são felizes”. A felicidade do homem, hoje em dia, consiste em divertir-se. E divertir-se consiste na satisfação de consumir e “obter” artigos, panoramas, alimentos, bebidas, gente, conferências, livros, filmes – tudo é consumido, engolido. O mundo é um grande objeto de nosso apetite. Somos os eternamente em expectativa, os esperançosos – e os eternamente decepcionados. Nosso caráter é engrenado para trocar e receber, para transacionar e consumir: tudo, os objetos espirituais como os materiais, torna-se objeto de troca e consumo”. (Aldous Huxley – Admirável Mundo Novo- 1a. Edição – 1976 – Cia.Editora Fon-Fon e Seleta – Rio de Janeiro).

Como se preocupar menos com o consumismo e com o dinheiro? Como manter a mente sã nesta cultura materialista e totalmente escravizante? Como encontrar o trabalho ideal? É importante salpicar reflexões sobre a vida cotidiana. Uma tremenda insanidade tomou conta dos indivíduos nas nações,  onde reina a civilização capitalista. O consumismo grave como bandeira da felicidade trouxe consigo misérias individuais e sociais, que há dois séculos martirizam a humanidade que se tornou muito infeliz. A comunicação de massa exclui a cultura e o saber. O conteúdo genuinamente cultural só aparece como conotação e função secundária. Nota-se que o indivíduo contemporâneo fatigou-se de reciclar-se todos os anos, todos os meses, todas as estações, no vestuário, nos objetos e no carro.     

Entretanto, começamos a viver no meio de uma revolução em nossos tempos, que é o nascimento da sociedade pós-industrial, que valoriza a produção de bens materiais e prioriza os produtores de idéias, já sem tempo surge a excelência criativa. A ação conjunta do progresso tecnológico e da escolarização difusa ocasionou uma enérgica redução do tempo humano necessário para a produção de bens e serviços. A conseqüência é que para um  número crescente de pessoas o tempo livre prevalece sobre o tempo absorvido pelo trabalho. Chegamos a um ponto de inversão de rota, ou seja, o tempo livre e a capacitação de valorizá-lo determinam o nosso destino cultural como também econômico... Finalmente teremos tempo de pensar e fazer um bom investimento em termos de crescimento pessoal, cultural e social.

“A perda do eu aumentou a necessidade de conformar-se, pois dela provém uma dúvida recôndita a respeito da própria identidade. Se eu não sou mais do que aquilo que julgo que devo ser – Quem sou eu? A identidade do indivíduo tem sido um problema capital da Filosofia moderna desde Descartes. Hoje, fiamo-nos em que somos nós mesmos. No entanto, a dúvida acerca de nós mesmos ainda subsiste ou até mesmo aumentou. Em sua famosa peça teatral – Como me queres –Luigi Pirandello – parte da pergunta: Quem sou eu? Que prova tenho eu de minha própria identidade... Não tenho identidade, não há ego que não aquele que é o reflexo do que os outros esperam que eu seja: eu sou “como você me quer”. (Erich Fromm – O Medo à Liberdade – 14ª edição – Zahar Editores – Rio de Janeiro – 1983).

Na elaboração da identidade equilibrada é fundamental a presença da liberdade e da independência, para que os homens seja livres, críticos, independentes, tornando-os parte integral da humanidade. A liberdade e a independência são fortes pilares que sustentam a realização de seu ego, para que ele tenha forças emocionais para ser ele mesmo, idealizando suas próprias propostas para consigo mesmo, e também para a própria cultura.  Filósofos idealistas acreditam que a realização individual é alcançada através da percepção intelectual.

Acredita-se que a busca da independência e da liberdade para que o homem se torne uma forte individualidade é um objetivo social de grande valia. A liberdade e a independência são potencialidades que se encontram em todas as pessoas, e só se tornam reais quando são manifestadas. A liberdade positiva consiste na atividade espontânea da personalidade integrada em sua totalidade. Se o indivíduo realiza seu eu por meio de atividade espontânea, relacionando-se assim com o mundo, ele elimina as suas dúvidas a respeito de si próprio e do sentido da vida. Descobre-se como um indivíduo ativo e criador,  reconhece que só há um sentido para a vida: o próprio ato de viver construtivamente para si e para o mundo.

“Esse fascínio suscitado pelo exibicionismo e pelo voyeurismo encontra terreno fértil em uma sociedade atomizada por um individualismo com beiradas narcisistas, que precisa ver sua bela imagem refletida no olhar alheio para ser. Essas forças tendem a esfacelar todos os nós sociais que poderiam propiciar uma ultrapassagem das tiranias da intimidade. No entanto, uma eventual reformulação em chave contemporânea daqueles laços cortados pela experiência moderna possibilitaria, talvez, enxergar o outro como outro, em vez de fagocitá-lo no inchaço do próprio eu sempre privatizante”. (Paula Sibilia – O Show do Eu – A intimidade como espetáculo – Editora Nova Fronteira S.A. – S.A. – Rio de Janeiro – 2008).

Percebem-se, nos programas televisivos, cinematográficos, artísticos, reality shows, biografias e renovadas formas de diários íntimos uma carência desmedida por mostrar-se. Neste clima, pautado pelo imenso desejo de visibilidade total, e pelo culto à personalidade usam diversas ferramentas disponíveis online para expor sua intimidade e criar, assim, uma personalidade que lhes pareça grandiosa e ostentosa. Neste processo histórico e cultural tão desconcertante, quanto espantoso, em que o velho slogan “faça você mesmo” vem sendo substituído pelo “mostre-se como for” e o verbo “ser” torna-se um efeito de parecer.

Neste século XXI, está sendo marcado por fortes mutações nas formas como nos construímos como sujeito. Houve um profundo deslocamento na base central que alicerça a experiência de si. Em vez daquelas subjetividades tipicamente modernas, dedicadamente elaboradas no silêncio e na solidão construtiva do espaço privado (caráter introdirigido) explodiu  absurdamente de maneira crescente as personalidades alterdirigidas, voltadas não mais para dentro de si, mas para “fora”, visando a captação dos olhares alheios em um mundo saturado de estímulos visuais.   

“O que conta hoje em dia não é a diferença entre os que crêem e os que não crêem, mas a diferença entre os que se interessam e os que não se interessam. Essa nova atitude com relação à vida pode ser expressa mais especificamente nos seguintes princípios: O desenvolvimento do homem requer sua capacidade de transcender a estreita prisão de seu ego, da sua cobiça, do seu egoísmo, da sua separação do seu próximo e, por conseguinte da sua solidão básica. Esta transcendência é a condição para ser franco e ligado ao mundo, vulnerável, embora com uma experiência de identidade e integridade; da capacidade de gozar tudo o que é vivo, de verter suas faculdades no mundo que o cerca, de ser “interessado” em suma ser em vez de ter e usar são conseqüências do passo para superar a cobiça e a egomania”. (Erich Fromm – A Revolução da Esperança – Por uma tecnologia Humanizada – Zahar Editores – 1981).

Uma das maiores alegrias da vida numa época tão confusa é a possibilidade de sermos obrigados a tomar consciência de nós mesmos. A sociedade contemporânea, nesta fase de decadência, de propor estados primitivos de padrões e valores, não nos dá uma visão do que somos e do que devemos ser, então não temos outra escolha a não ser a busca de nós mesmos. A realidade é que muitas pessoas lutam para resolverem os seus próprios problemas, é uma luta íntima e profunda para alcançar uma nova integração.

Existem potencialidades no nosso íntimo, que só são liberados quando tomamos uma decisão consciente. É urgente entronizar a ética, que jamais deveria ter se ausentado um minuto sequer de nossa civilização e de nossos pensamentos. As decisões de caráter ético devem ser, permanentemente ações pensadas e afirmadas pela pessoa, uma expressão profunda de seus motivos e atitudes interiores. Para agir de maneira ética será sempre preciso lutar, duvidar, entrar em conflito. Isto quer dizer que a pessoa se esforçou por agir, tanto quanto possível, a partir do âmago de si mesma.”Segundo Sócrates, cada indivíduo é o seu próprio centro e o universo gira à sua volta porque o conhecimento de si mesmo é o conhecimento de Deus”.