quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A CHAVE DO ENIGMA


 Regina Diniz


                   Fascinante drama da evolução...
                   Deus, homem, natureza, cosmos...
                   Insuperáveis fontes de vida...
                   Mostram a pujança divina...


É hoje ou nunca, terminou o prazo...
A criminalidade atingiu todo o planeta...
Guerras e mais guerras oficializadas...
Guerras civis não declaradas...
A loucura é avassaladora...
Desapareceu o encanto da vida...
Morte e vida se equiparam,
A bondade morreu no coração dos homens.
Valores zombeteiros insultam as virtudes...
É sofrimento para todo o lado.
O sombrio assusta...
Reabilito-me perante Deus.
Pratico a eloqüência da fé...
Fujo drasticamente da imantação materialista...
Quero acertar as contas com a vida...
Sinto que é um ajuste inarredável...

                   As flores permanecem florindo...
                   A madrugada é perfumada...
                   A noite é estrelada...
                   O dia é ensolarado...

-Leila, adianta só reclamares do mundo?
-Que contas acertarás? E como?
-Suporta, renuncia e vai levando...
-Eu sempre me exigi muito.
-Veja... São cinco horas do amanhecer...
 -O termômetro marca dois graus negativos...
-Cooper neste frio é o meu contragolpe...
-Sempre soube que a salvação é ir tocando a vida...
-Esta decisão reflete o meu medo extremo,
-De cair no bueiro e não sair mais...
-O exercício físico resgata a minha honradez,
-Fortalece-me interiormente...
-Quando um pensamento negativo invade o meu ser,
-Imediatamente substituo por uma idéia saudável.
-Reabasteço o meu santuário interior,
-Invento uma idéia pura...
-É preciso frutificar a semente da realidade limpa,
-Que eu sei que está dentro do meu ser.
-É preciso reinventar-se afetivamente.
-Consolo-me... A mudança acarreta sofrimento intenso...
-Tenho sentimentos de culpa e remorso... Arrependo-me...
-A saúde da superação espiritual,
 - É como o sol rompendo as nuvens
 -E eu não sou escravizado pelos objetos da terra.

                   A liberdade é azul...
                   O pensamento dá vida às pessoas...
                   A memória emocional é verde...
                   Deixo fluir... Deixo acontecer...

-João, não adiante só desapegar-se da imantação materialista.
-É preciso pensar em etapas mais elevadas...
-É preciso entender o complexo jogo da vida...
-É preciso captar o contexto no qual estamos inseridos.
-Não pode haver dúvidas quanto à existência de Deus.
-É uma explosão de vida a nossa volta...
-Ele não se mostra para ninguém,
-Mas ele é visível em tudo.
-Sem o calor e a beleza do sol não viveríamos...
-Sem o luar não viveríamos...
-Eles nos sustentam de longe.
-Esta qualidade de percepção nos fortalece interiormente.
-Tanto o sol como a lua, estão em nossa companhia.
-Pelos seus poderosos raios de vida,
-Deus se mostra para nós.
-Em fantástica ausência,
-Mas em total presença...

                   Tudo serve...
                   Tudo age...
                   Tudo responde...
                   Tudo evolui...

-“Leila” é pela reflexão de qualidade,
-Que avançamos interiormente.
-São segredos bem guardados...
-É imensurável o valor da transcendência,
-É preciso ir muito além...
-São nichos privilegiados...
-É indispensável pegar a chave e abri-los...
-E cada um de nós tem a sua chave.
-Estou aberto para acertar,

-Mas tenho dificuldades...
-Começo pensando limpo...
-Às vezes tenho que parar senão sujo tudo...
-O que falaste da presença de Deus é profundo.
-Reconheço que Deus dá um show de beleza em tudo.
-Ele diz através da excelência criativa,
-Que o caminho certo é por idéias claras e luminosas.
-Quem sabe um dia, não muito longe,
-Eu admita a harmonia e a simplicidade em tudo.

                   Um sentido poético,
                   Onde o vento murmura soluções...
                   É o silêncio que desperta
                   Molas secretas do bom pensamento...

-João compreenda o meu raciocínio:
-Eu luto com sérios conflitos pessoais...
-Procuro não transferi-los...
-Ninguém tem culpa dos meus erros...
-Sou mestra em negá-los para mim mesma...
-Mas mudarei...
-Agora, depois de muita luta reflexiva,
-Aceito o confronto com a minha realidade,
-De não ficar só a minha volta,
-Mas abrindo os olhos para longe...
-Procuro alterar o meu caminho.
-A incondicionalidade do amor positivo é um fato.
-Estou apreciando amanheceres...
-Para que eu construa uma mágica de crescimento.
-Sinto um instinto forte de esclarecimento espiritual...
-Busco alcançar o sagrado...
-Busco contato com os santuários de cura...
-Algo está mudando...
-Algo está acontecendo...
-São apelos interiores fortes...
-Gostaria tanto de viver a civilização do amor...

                   Dádivas... Reconhecer-se...
                   Ir bem além...
                   Consciência de si mesmo...
                   É o triunfo da realidade interna...

-Leila compreenda a minha idéia...
-O esplendor do amor é divino, é infinito...
-É o maior desafio para os ser humano.
-Desafio quase impossível...
-Desafio quase inalcançável...
-Eu preciso apreciar crepúsculos...
-Fico emocionado com a magia das cores...
-E entendo que preciso descansar,
-Para no outro dia recomeçar tudo...
-Positivo e bem apresentável...
-Lembrando-me do sol...
-Que se mostra sempre com elevado nível estético.
-A natureza nos propõe um poderoso canal de devoção.
-As forças maiores ajudam muito...
-Mas eu sei que a cura essencial
-É realizada por decisões próprias.
-Quero florir o meu jardim interior.
-Não quero viver só no deserto entre as dunas,
-Sufocado por tensões emocionais,
-Pelos espinhos que eu mesmo coloquei.
-Gostaria de celebrar vibrações de encantamento,
-Como o perfume do mato verde...
-Como as gaivotas que cantam para o mar...
-Como os canários que saúdam o amanhecer...

                   Há bênçãos por tentar cantar os recomeços...
                   Respirar profundamente o ar puro da terra...
                   Fortalecer a fé a esperança...
                   Aqui é o lugar onde a vida triunfa...

-João, nós estamos trocando experiências perceptivas,
-Conversando contigo tento compreender-me...
-Abro o meu inconsciente,
-Para expulsar as minhas compulsões.
-Para arrancar as minhas atividades desorganizadas.
-Acredito que pensando em benevolência,
-Eu aciono uma força que jorra energias saudáveis.
-Há milhares de anos os seres humanos lutam
-Para selecionar valores de compreensão interior...
-Se não me renovo esqueço da minha alma desnutrida
- Espiritualmente fico triste,
-A felicidade me escapa...
-A felicidade é o resultado de pensamentos vigorosos...
-Fluindo incondicionalmente positividade para todos...
-Só assim eu arranco de dentro da minha consciência maior,
-As flores que alegram o meu espírito.

                   Templário do conhecimento interior.
                   Bondade para o meu ser...
                   Paz criativa para o meu ser...
                   Alma requintada cultiva a mente...

-Leila, eu tento fazer uma história de mim mesmo,
-Deus é o colírio dos meus olhos espirituais...
-Sinto-o manifestando-se em tudo...
-Rompo com a massificação materialista,
-E reconheço-me como um personagem importante,
-Deste complexo palco da existência terrena...
-Procuro descobrir o meu potencial...
-Procuro esclarecer-me da minha destinação...
-Este envolvimento com o meu imaginário,
-Proporciona-me alegria intensa.
-A minha mente pensando com clareza
-É o máximo que eu posso almejar.
-Todos os dias desejo prosperidade para todos...
-Empenho-me em explorar só o que é construtivo.
-Procuro decifrar o misterioso e o oculto.
-Fluo uma vida austera...
-Fluo uma vida disciplinada...
-Imagino o intelecto humano sofisticado,
-Como uma mente organizada espiritualmente.
-É difícil...
-Mas é bonito e lírico...

                   Deus está junto conosco...
                   São teclas e teclas...
                   Viver o desconhecido...
                   Tudo está no meu interior...


Para as minhas queridas seguidoras fidelíssimas o meu eterno agradecimento, extensivos a todos que acessaram o meu Blog neste ano de 2011. Desejo um feliz ano novo cheio de realizações pessoais e espirituais. Voltarei a postar a partir do dia 20 de janeiro do próximo ano. 
Paz e Luz 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A IGUALDADE DE DIREITOS EM EDUCAÇÃO

                                   
  REGINA DINIZ

“O número de jovens que sofre depressão dobrou em 12 anos, e centenas de milhares se vêem excluídos da possibilidade de elevar seus níveis de educação e prosperidade... Quando, em 1981, pessoas nascidas em 1958 preencheram um questionário sobre sua saúde mental, 7% apresentaram tendência a depressão não clínica. O número equivalente para o grupo de 1970, entrevistado em 1996, foi de 14 %. A análise indicou que o aumento liga-se ao fato de o grupo mais jovem ter crescido com maior experiência de desemprego. A probabilidade de que portadores de diplomas tenham depressão era um terço menor”. (John Carvel, Depression on the Rise among Young – guardian – 27-12 – 2002) Citação feita por Zygmunt Baumann no livro: Vidas Desperdiçadas – Jorge Zahar Editor – 2005.

“Praticamente, em toda a história da civilização, a Educação tem sido para a elite, e as práticas educacionais têm refletido a orientação elitista”. (Blankenship e Lilly – 1981.). Somente, há quase um século, houve a identificação deste erro extremamente desumano de segregação social. Houve o reconhecimento desta situação na educação, e diversos grupos, com elevado grau de civilidade, iniciaram a mediação saudável para eliminar tal injustiça inexplicável.Colocaram em debate os comprometimentos mais dignos com o futuro, oferecendo oportunidade de inclusão social às crianças, aos jovens, e a todas pessoas, com necessidades e características diversas, desejosas de crescimento cultural e profissional.

Os jovens deveriam ser bem acolhidos, porque almejam fortalecer a sua dignidade no mercado de trabalho. São corações cheios de esperanças em vivenciar sentimentos de confirmações positivas. E procuram incansavelmente, oportunidades para serem aceitos pela sociedade, e se orgulham dela, acreditando ser um lar digno de lealdade e respeito. Sentem a sua dignidade como trabalhadores, visualizam o sentimento de serem úteis, e almejam um lugar social próprio.

As mudanças na educação ao longo dos anos, evoluíram significantemente para diversas formas, e progressos graduais foram feitos. Os debates tem sido mais reais, em busca de critérios educacionais e sociais mais inclusivos. Abriu-se a aceitabilidade dos direitos à educação para a população em geral, principalmente as camadas mais pobres. Surgiu o reconhecimento da educabilidade e dos talentos criativos, que todos os adolescentes e jovens têm a oferecer as suas comunidades e aos seus pares, independente de classe social. É debatido também o reconhecimento da necessidade de proximidade e interação, entre alunos de diferentes características, sem discriminação em ambientes escolares.

Planeja-se, com dedicação, oferecer oportunidades educacionais mais inclusivas para as crianças, para os adolescentes, e para os jovens, admitindo as diferenças como parte inerente a todos nós. As diferenças entre os alunos em uma sala de aula estão sendo reconhecidas com uma vantagem para a aprendizagem. Precisamos compreender, que modernamente o que é importante nas pessoas e nas escolas, e na cultura é o que é diferente, não o que é igual, não o que é padronizável. Despertamos em tempo de privilegiar as personalidades humanas genuínas, que são o conjunto das qualidades, que caracterizam um indivíduo, ou seja, a sua própria personalidade.

“Michelangelo teve uma idéia! A partir de um enorme bloco de mármore ele decidiu esculpir uma grande estátua de David. A imagem que ele tinha na mente foi a centelha, o estímulo, a inspiração para a obra prima de criatividade que ele realizou com as mãos”. (Autor:Wilferda A. Peterson – livro: A Arte do Pensamento Criativo – Editora Best Seller – São Paulo). O nosso imaginário criativo é a nossa essência de ser. Em todas as esferas da vida acontece o mesmo. Idéias são os começos de todas as coisas.

Atualmente nós possuímos o maior legado de talento e criatividade de todos os tempos. A nossa maravilhosa aventura criativa teve início pelo menos dez mil anos antes de Cristo com os primeiros desenhos do homem pré-histórico nas paredes das cavernas. Por intermédio dessas imagens, ele começou a transmitir as idéias que tinha na mente. A descoberta do fogo, a invenção da roda, do barco, e de velas deram início a uma cadeia de descobertas e invenções, que deram forma ao mundo em que vivemos agora. Nossa idéia de uma força criativa no universo também evoluiu, passando de um Deus vingativo que infundia medo e terror, para um Deus de amor.

 Por que o nosso Brasil está violento, desigual e elitista? A resposta está em erradamente acreditarmos e investirmos numa educação dirigida só para o crescimento econômico e abdicarmos da responsabilidade ética e não nos sensibilizamos com a justiça social. É impossível negar a existência de milhares de favelas abandonadas a própria sorte. Vivemos numa sociedade excludente, somos atormentados com a sobrevivência, com a falta de perspectiva, com a falta de emprego. Estão trancadas as nossas possibilidades do vir a ser.

Esta busca precisa começar pela escola que sempre assumiu seu papel fundamental na formação de valores como solidariedade, eqüidade, bem comum e democracia. A escola é a única que pode edificar o saber, estimulando o debate da ética, direitos humanos, diversidade, participação política, e paz dentro das salas de aula. Ela é uma importante vertente de cidadania, da segurança, da proteção e inserção da criança, do adolescente e do jovem em seu meio social.

Os professores brasileiros são verdadeiros heróis, nesta missão humanística. Tremendamente mal remunerados realizam o impossível. O poder público não paga especialistas de educação como psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, sociólogos etc...  São suportes emocionais e sociais, que esta população requer. Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observações, e vivências, são alguns processos pedagógicos indicados para a realização destas atividades ressocializantes. Pagar mal os professores, não investir na estrutura pedagógica, não reconhecer a validez do trabalho humanístico dos professores é não desejar a inclusão social.

Há décadas a educação tem sido negligenciada. O governo não investe nas escolas, as bibliotecas inexistem, a aprendizagem da computação não foi assumida. As escolas estão tristemente paupérrimas. O que ocorre dentro das escolas cotidianamente em ameaças verbais, em agressões físicas, em frustrações por falta de estrutura, impede um bom trabalho. Os jovens vivem em bairros violentos, alcoolismo, drogas, tráfico, violência doméstica, resolução de conflitos com base na agressão verbal ou física, estimulando esses jovens a agir conforme o que vivenciam diariamente.

“O Estado social está se tornando aos poucos, mas de modo inexorável e consistente, em um Estado de guarnição como o chama Henry A.Giroux, descrevendo-o como um Estado que cada vez mais protege os interesses das corporações globais, transnacionais, enquanto aumenta o grau de repressão e militarização do front doméstico. Os problemas sociais são cada vez mais criminalizados, somas bilionárias são utilizadas. A repressão aumenta e substitui a compaixão. Problemas reais como a redução do mercado imobiliário e o desemprego maciço nas cidades – como causas da questão dos sem-teto, da ociosidade juvenil e da epidemia das drogas – são desprezadas em favor de políticas associadas à disciplina, ao refreamento e ao controle”. (Henry A. Giroux – livro:Global Capitalism and the Return of the Garrison State, Arena Journal, 19, 2002, pág 141-60) Citação feita por Zygmunt Bauman – Livro: Vidas Desperdiçadas – Ed.Zahar – Rio de Janeiro – 2005.

No jogo da inclusão/exclusão o que custa mais caro? A construção permanente de presídios ou a construção permanente de escolas? A contemporaneidade não acredita em reabilitar, reformar, reeducar e devolver a ovelha desgarrada ao rebanho. Gasta para punir e jamais para reabilitar. Por que? – Acham que a sociedade de consumidores competentes não tem lugar para os consumidores falhos, pobres, incompletos, imperfeitos. A modernidade pratica a paranóia sádica de que os pobres são refugos descartáveis. Precisamos do brilho da bondade divina que diz que todos somos iguais.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

AS PROFUNDEZAS DA ALMA

REGINA DINIZ 

Eu procuro a autonomia e criatividade,
Mas a marca dos meus tempos é a submissão.
Só a mim diz respeito à realização das potencialidades.
Percebo que a vida é uma corrente de luta e esforço.

O meu coração clama para que eu escute as vozes íntimas...
Quero reencontrar-me em pensamentos divinos...

A experiência culminante no criar é prazer absoluto.
É o êxtase na busca da auto-estima elevada.
É fantástico necessitar apenas de si mesmo,
Para validar a vida.

O meu coração clama para que eu escute as vozes íntimas...
Tenho consciência de que o destino do homem é a perfeição...

Na contemporaneidade é difícil confiar em si próprio.
Somos personalidades abatidas por excelência.
É preciso desvendar a natureza íntima e profunda
Para resgatar as fontes de coragem inspiradora...

O meu coração clama para que eu escute as vozes íntimas...
A razão de nossa existência é a ascensão espiritual...

Proliferam as atitudes culturais erradas.
A auto-realização é abafada por si mesmo e pelos outros.
Existe um plantão permanente para ninguém crescer...
O nosso tempo é uma fábrica de episódios traumáticos...

O meu coração clama para que eu escute as vozes íntimas...
A felicidade está no sentido luminoso das escolhas...

Ninguém comenta nada sobre caminhos interiores de evolução.
Ninguém comenta nada sobre a fruição da própria consciência.
Ninguém comenta nada sobre a fruição dos valores da experiência.
Ninguém comenta nada sobre as profundezas do inconsciente...

O meu coração clama para que eu escute as vozes íntimas...
Só pela via divina conseguirei subir alguns degraus...

Sem fé transportaremos toneladas de desespero e tristezas,
Estamos feridos pelo orgulho, vaidade e displicência...
Precisamos de alegria que é privilégio da alma.
Só ela eliminará as trevas dos nossos sentimentos...

O meu coração clama para que eu escute as vozes íntimas...
A sabedoria espiritual está dentro de mim mesma...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A CRENÇA NA INTERAÇÃO DE TODA A HUMANIDADE

            
REGINA DINIZ

“A Alemanha executou a - solução final - do seu - problema judeu - como um exercício escolar de raciocínio instrumental. Logo a humanidade dava de ombros, quando já não podia evitar olhar o que se passara, quando as fotografias tiradas pelos próprios assassinos começaram a circular, e quando os desgraçados sobreviventes regressaram à luz do dia. Mas no final não fez diferença. A mesma lógica, a mesma velha aplicação fria e impiedosa da razão calculista, dizimou pelo menos tanta gente nos vinte anos seguinte quanto o número de vítimas dos técnicos do Reich de mil anos. Não aprendemos nada. A civilização corre tanto perigo hoje quanto naquela época”.( Joseph Weizenbaum – Computer Power.).

Atualmente, a reflexão com história e memória tem sido acolhida, valorizada e divulgada nas escolas, na mídia, em exposições, e em muitos debates culturais públicos. A questão do genocídio executado pelos nazistas contra os judeus na Segunda Guerra Mundial (holocausto), ocupa um espaço significativo nos documentos de interpretações da memória e da história, admitido como o mais violento dos acontecimentos do século XX. Não resta a menor dúvida de que os estudos permanentes deste genocídio nos mostrem com clareza as causas e intenções deste terrível crime contra a humanidade.

É uma obrigação de todos nós, tomarmos conhecimento desta história de barbárie, de como foi admissível, que um país moderno considerado exemplar em seu desenvolvimento, tenha praticado um genocídio em escala industrial há 66 anos atrás. Estudar, relembrar a história é de fundamental importância, para que estes horrores bárbaros jamais aconteçam novamente. Precisamos do conhecimento do passado, não tão distante, para pensar detalhadamente o presente, alargando as possibilidades de entendimento ético.

Ao terminar o século XX surgiu o respeito e o reconhecimento aos Direitos Humanos, surgiu o respeito e o reconhecimento às minorias étnicas, surgiu o respeito e o reconhecimento aos valores básicos da cidadania e da democracia. Continuam e continuarão a serem estudados e discutidos por séculos e séculos, porque infelizmente grande parcela da humanidade permanece sem ter esses direitos assegurados, prolongando este estado de humilhação e sofrimento, que mostram múltiplas formas de violência. E nesta realidade social é que o debate permanente de qualquer tipo de violência adquire importância digna de consideração política e histórica, a fim de que não mais testemunhemos tempos alucinantemente sombrios.

Contam os historiadores que Hitler estudou detalhadamente o extermínio dos Armênios, daí a perfeição da máquina da morte em massa, no holocausto judeu. 1939 – 1945 - Vítimas – 6 milhões de judeus – Autor – Nazistas. Além da quantidade, o mais estarrecedor foi o plano industrial de como os judeus foram massacrados. Durante os seis anos de guerra nos campos de concentração os prisioneiros judeus viviam em máximo grau de trabalho intenso: roupas, dentes, cabelos e até os cadáveres eram aproveitados. Homens mais fortes trabalhavam até a morte, os improdutivos iam direto para as câmaras de gás, calcula-se em 1.4 milhão em operações de limpeza. Cerca de 800 mil judeus morreram de febre tifóide, desnutrição e outras doenças ao ficarem confinados nos guetos.
“A principal acusação foi ter havido uma conspiração nazi-suiça de 50 anos de organização e planejamento, para roubar bilhões dos judeus da Europa e sobreviventes do holocausto. Este é o maior roubo da história da humanidade”. Para a indústria do Holocausto, todos os massacres contra os judeus pertencem a um nível superlativo, o mais estarrecedor. Por mais apavorante, que esta situação possa parecer, eles queriam o dinheiro judaico. A pilhagem nazista dos judeus não é novidade”.( Autor:Raul Hilberg – The Destruction of the European Jews – publicado em 1961.

Após a guerra fria a Alemanha se “recuperou” rapidamente e o holocausto nazista foi esquecido. Silêncio total do maior genocídio até hoje acontecido. Mas no início dos anos 50, a Alemanha entrou em negociação com as instituições judaicas americanas e acertaram  o primeiro acordo de indenização. A Alemanha pagou, ou melhor, devolveu, cerca de 60 bilhões para os Grupos Judaicos já organizados. Os banqueiros suíços também saquearam os depósitos das vítimas do holocausto, e destruíram metodicamente registros vitais.

“Os Suíços compraram vastas quantidades de ouro das vítimas, que os nazistas refundiram em barras. Os nazistas roubaram e pilharam os bens das casas, dos bancos nacionais, dos campos de morte, do ouro dos relógios, braceletes, armações de óculos e obturações dentárias das pessoas”. (Bower, Nazi Gold, 301. Audiência diante do Comitê de Serviços Bancários e Financeiros, Câmara dos Deputados; 25 de junho de 1997 – Nova York). A guerra jurídica dos inúmeros grupos judaicos americanos com a Suíça, para obter a devolução, do que lhes foi miseravelmente saqueado, foi longa e penosa. Em junho de l997, os bancos suíços fizeram uma “oferta final de 600milhões de dólares”. Abraham Foxman, chocada com a arrogância suíça não conteve a sua ira e disse: “Este ultimato é um insulto à memória das vítimas, aos sobreviventes e aqueles da comunidade judaica, que de boa fé se aproximaram dos suíços, para trabalhar juntos a fim de resolver este que é o mais difícil dos problemas”. (Levin, Last Deposit, 218 – Swiss Banks, 214, 223, 221 – Rickman, Swiss Banks, 231).

Em julho de 1998, Hevesi e McCall, ameaçaram lançar novas sanções. Nova Jersey, Pensilvânia, Connecticut, Flórida, Michigan e Califórnia se juntaram em questão de dias. Em meados de agosto, os suíços finalmente se ajoelharam. Eles concordaram em pagar 1.25 bilhão de dólares num acordo de ação coletiva.”O resultado não é só uma aquisição em termos materiais, mas uma vitória moral e um triunfo da vontade”. ( Rickman, Swiss Banks, capítulo de “Boycotts and De Ktats” – (Boicotes e Decretos).

A história atual da humanidade continua repleta de horripilantes genocídios. Diante dos sofrimentos em Camboja com l.7 milhões de óbitos, em Timor Leste com 150 mil óbitos, na Bósnia com 200 mil óbitos, em Ruanda com 700 mil óbitos, no Vietnã, somos todos vítimas de possíveis holocaustos. “Não aprendemos nada. A civilização corre tanto perigo hoje quanto naquela época”.(Weizenbaum, Computer Power- pág. 256).

O fascínio pelos atributos materialistas é inquestionável. É, e sempre foi historicamente comprovado, que todos os genocídios tiveram como principal objetivo o saque, o roubo com mortes. Mas no fim do século XX, inúmeras nações começaram a construir coletivamente os Direitos Humanos, como um instrumento de elevada conscientização na luta contra a violência. Neste alto grau de dignificação, incluem-se os direitos à vida, incluem-se os direitos “a liberdade e segurança, a não discriminação racial, a propriedade privada, privacidade e sigilo de comunicações, asilo face às perseguições políticas. Debate-se também a liberdade de culto, crença, consciência, opinião, expressão, associação, reuniões pacíficas, locomoção, residência, participação política diretamente ou por meio de eleições. Reflete-se muito sobre a ruptura totalitária, que se dá justamente quando estas pessoas destituídas de cidadania, de direito a ter direitos, tornam-se descartáveis e supérfluas, subvertendo o princípio da dignidade de cada ser humano, que está subentendido aos ordenamentos moral e jurídico do ocidente.

A ciclo compulsivo de genocídios começa a ser estudado por quase todas as culturas, estão debatendo o Direito à vida, consagrando o direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. A educação é o grande pilar da existência digna. É pela educação que o ser humano desenvolve a sua inteligência e os seus talentos, tornando-se capaz de compreender o mundo, valorizando a sua capacidade de gerar autonomia, renda e bem-estar. Somente, a educação de qualidade concorre e contribui para o desenvolvimento dos direitos humanos.

A cultura de um povo compõe a sua dignidade. É imprescindível que nos conscientizemos de que o princípio da existência não admite a prática da tortura, de penas e tratamentos degradantes. Já admitimos a prática da comunicação saudável ao tratar as pessoas. Quando adotamos o pensamento de união e conciliação, optamos pela auto-expressão positiva, então as nossas divergências, as nossas discussões, os nossos conflitos tendem, a ser amigavelmente resolvidos. Precisamos assegurar os direitos e as condições humanas necessárias a uma sociedade fundada na harmonia social e comprometida com as soluções pacíficas.   

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A SÁBIA ESCOLHA

Regina Diniz
                                   
               
                                     Procuro compreender as mensagens...
                                     Que surgem nos meus pensamentos...
                                     Transformando-as em positividade...
                                     E fico forte e livre...

É outono... O sol brilha do alto do céu...
Estou a caminho de uma experiência de auto-encontro,
Que se realizará num lugar a dez quilômetros daqui.
O grupo é de duas moças e três rapazes e não nos conheceremos...
O Dr. Felter ficará num lugar determinado,
E se não conseguirmos ficar os três dias isolados,
Em profunda reflexão, poderemos visitá-lo...
Meus pais me oportunizaram esta aprendizagem emocional.
Caminho já há dez minutos...
O lugar é bastante acidentado, cheio de pedras soltas,
Cheio de valos profundos,
Mas possíveis de serem escalados.
Já passei por três córregos lindíssimos pela pureza da água.
Uma cigarra retardatária ainda canta...
Mas de um modo geral a natureza silenciou...
Como sempre faz quando o inverno se aproxima.
A natureza é sábia, porque não há mais o que comemorar...
Mas eu quero pelo menos pensar em tranqüilidade...

Sou o único responsável...
Pelo meu crescimento pessoal...
Peso as minhas intenções...
Na caminhada da vida...

Começo a achar tudo muito fácil.
O Dr. Felter assegurou-me
Que eu jamais esqueceria esta experiência.
Aproveito e converso comigo mesmo...
Se a professora Flávia me visse aqui diria:
“Não adianta matar-se fisicamente,
O que vale é o autoconceito positivo,
 Numa cultura deprimida
Falsa e simulada”.
Será que ela está com a razão? ...
É muito inteligente no jogo de idéias,
Apara sem magoar com maestria,
É uma pessoa congruente,
É séria e responsável.
A motivação é intrínseca,
É só dela mesma, a gente vê...
Que o que ela diz está unido à prática.
Isto é raro nos dias de hoje...
Estou vendo uma pinguela com dois troncos úmidos,
É difícil de ultrapassá-la está coberta de limo...
Rasparei com gravetos,
E atravessarei acavalado é o jeito...

Sou obrigado a decidir
Confronto-me com a individuação...
Arrisco-me...
Preservo a autonomia...

Aprenderei a escolher trilhas boas de valores.
Motivar-me-ei diante das dificuldades intransponíveis...
Serei o meu próprio mago...
Na caminhada obrigatória da vida...
Não quero esperar ficar velhinho,
Para bem frustrado perguntar-me:
Mas o que eu fiz com a minha vida?
Daí não dá para arrumar mais nada...
Porque nada sai do nada...
Só eu poderei construir o meu jeito de ser,
Devo tornar clara esta decisão...
Assumirei a responsabilidade totalmente...
Dia a dia, cultivarei o espírito de aventura inteligente...
Motivar-me-ei na saga solitária da construção do eu...
Preocupar-me-ei com as ondas,
Que os meus prazeres manipularem.
Extrairei a sabedoria especial para acertar na vida.
Só eu acionarei os meus valores.
Sou desconfiado...
 Porque um vulcão de propostas degradantes
São atirados no ar todos os dias...

Desejo hábitos saudáveis...
Quero o lado bom...
Reflito situações ambíguas...
Aprovo as minhas idéias...

É inacreditável mesmo no terceiro milênio...
A vitimicidade encantar...
Por que será que a pessoa abatida
Estimula tanto nos dias de hoje?
É complexo entender a vida...
Assumirei uma motivação para cima... Fugirei da depressão...
Porque a vida é uma viagem de transformação...                                               
Capturarei a essência do destino seguindo os meus sonhos...
Tenho observado o ego-balão de hidrogênio,
Que infla até explodir violentamente,
E não dá para viver só dos pedacinhos que sobrarem,
Durante a vida inteira...
Pois perderei a esperança.
Jamais me fugirá a sagrada esperança...
Que há muito tempo é a minha bandeira mística.
Esperança de buscar sempre, mesmo no auge da ausência de expectativas...
Nunca cansar, mesmo porque o planeta é muito difícil...
Olho para o céu e sinto que devo prestar atenção
Na coerência, a rainha de todas as virtudes...

Estudo a minha consciência...
Aprendo a conviver com Deus...
Aceito circunstâncias celestiais...
Deus acalma a minha angústia...

Gostaria de vivenciar só as emoções positivas...
Aquelas espontâneas que brotam suavemente do fundo do coração.
Paixão para descobrir novos caminhos...
Aqui não é lugar para ossos quebrados...
Meu sonho é flutuar no centro do furacão da suprema ética,
Mas por toda a vida,
Que é vagar sem destino na inquietante busca de paz,
Lutando para acertar nas forças que valem a pena aqui na terra,
E com certeza as que valem lá no mundo maior...
Quando prestar conta no relatório da grande jornada...
De minha própria avaliação...
Quem realmente eu acho que sou?...                          
É difícil expressar sentimentos em palavras...
Batalho para refletir sobre as minhas emoções...
Minuto a minuto sacrifico os pensamentos negativos,
Minuto a minuto crio pensamentos positivos...
Não posso ser adversário de mim mesmo...
A verdade é que ninguém motiva ninguém...
Só eu posso motivar-me...
Na luta pela sobrevivência eu mostro o meu eu...
Preciso aprender com urgência a independência de ser...
Preciso aprender a sentir-me seguro...
Preciso ouvir as minhas dúvidas...
Preciso entender os caminhos cruzados do meu destino...
A partir de hoje reconciliar-me-ei comigo mesmo...
A partir de hoje consolar-me-ei comigo mesmo...
A partir de hoje não mais fugirei de mim mesmo...

Permaneço fiel à minha prática ética...
Não me traio...
Permaneço coerente...
Sinto-me tranqüilo...

Eu mesmo vivenciarei o prazer da vida...
Fecharei os olhos à depressão...
E farei algo de valor na vida...
Pela sinalização do Dr.Felter, cheguei a minha barraca.
Está quase escurecendo...
Este lugar é um oceano de mistérios...
A vida não teria graça senão existissem
O céu, as estrelas e a lua para adornar o nosso quotidiano.
A terra não é sozinha no universo,
Há vida em outros mundos cósmicos também.
A barraca é bem simples,
Extremamente minimalista,
Um saco de dormir,
Um garrafão com dez litros d’água e uma marmita,
Uma cadeira de armar...
E os meus milhões de neurônios para serem usados...
Aqui impera um silêncio absoluto.
 É a atmosfera perfeita para a auto-exploração.
Contarei a lua a minha maior dificuldade,
Que é entender o meu objetivo maior na vida,
Que é sobreviver construtivamente numa cultura extremamente violenta.
Agora estou tão calmo e seguro que me causa estranheza,
Estou em profunda serenidade e sei que vou dormir muito,
Talvez sejam os três dias mais silenciosos da minha vida.
E os de maior paz...

Só em pensar na paz...
Fico gratificado...
Chamo-a...
Ela invade o meu ser...

As vezes fico perguntando-me:
Quem é o culpado pela violência?
Estou tão calmo e tranqüilo aqui neste lugar,
Que agora começo a perceber o canto da natureza,
Que celebra a vida com ardor...
E como pano de fundo ouço o marulhar
Das ondas do mar...
O céu pintado de pontos luminosos
A lua cheia iluminando suavemente a noite...
A sinfonia noturna e o grande mar...
O Dr.Felter é exigente na apresentação...
Dá ambiente estético as suas almas...
Sedentas do grande estímulo para prosseguir sempre...
Estou no último dia da minha reflexão planejada.
Fiz cooper... admirei o mar... pensei profundamente...
Sem interferências de opiniões alheias,
Não ouvi rádio, não assisti televisão,
Não falei com ninguém a não ser comigo mesmo,
Graças a Deus tive esta rica experiência,
Para aprender a viabilizar novas metas.

Trago o céu...
Para a terra...
Compreendo a intenção de Deus...
Aqui também pode ser um paraíso...

É bom que o novo e o surpreendente me encante...
Não sei o motivo de tanta manipulação nos dias de hoje,
Hei de ter o máximo cuidado em
Não aceitar, mas sim afugentar a embriaguez da alienação...
A vida também é o meu coração.
Entro em pânico só em pensar na facilidade
Que tenho em divorciar-me da minha realidade de vida,
E do medo de carentemente invadir o barco dos outros,
Em busca de salvação e deixar o meu a deriva,
Em alto mar... Isto é muito triste...
Nestes três dias senti muita paz...
A visão profunda da minha interioridade
Trouxe-me significativa calma....
Tenho certeza de que esta sadia preocupação,
Influenciará beneficamente as minhas escolhas,
Disporei de mais clareza em minhas opções.
Aquece o meu coração
Aprender a ser independente...
 Experimentar incontáveis transições...
Que passarei ao longo da minha caminhada.
Em nenhum momento me achei deprimido,
Em nenhum momento me arrependi desta experiência.
Nunca se aproximou de mim a solidão destrutiva...
E ninguém me impediu de ser o meu próprio arquiteto...
O Dr. Felter tem razão,
A melhor pedagogia é a do aprender sozinho...
Enfrentarei um a um
Os terríveis desafios que matam a amizade humana
Consigo mesmo...
Embora seja dificílima a sobrevivência,
Praticarei só a competição comigo mesmo,
Porque pensando bem
A competição com os outros há muito se evaporou...
Encantar-me-ei comigo e com o mundo...


O amor existe no meu coração...
Deixo aflorar...
Uma escolha bem feita...
De momento a momento...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O DEVER DA ESPERANÇA EM MELHORAR O MUNDO

                    
 Regina Diniz

Muitos anos atrás, e alguns anos antes que os eventos do 11 de Setembro, o tsumani,o furacão Katrina, e o terrível salto subseqüente nos preços do petróleo (ainda que misericordiosamente por pouco tempo desta vez) propiciassem essas oportunidades horríveis de acordar e ficar sóbrio, Jacques Attali refletia sobre o fenomenal sucesso financeiro do filme Titanic , que superou todos os recordes de bilheteria anteriormente obtidos por filmes catástrofes aparentemente semelhantes. Ele então ofereceu a seguinte explicação, notavelmente plausível quando a escreveu, mas que, alguns anos depois, nos soa nada menos que profética: “O Titanic somos nós, nossa sociedade triunfalista, autocongratulatória, cega e hipócrita , sem misericórdia para com seus pobres, uma sociedade em que tudo está previsto, menos os meios de previsão... Todos nós imaginamos que existe um iceberg esperando por nós, oculto em algum lugar no futuro nebuloso, com o qual nos chocaremos  para afundar ouvindo música... ( Zygmunt Bauman – Medo Líquido –Ed. Jorge Zahar Editor Ltda – Rio de Janeiro – 2006)

Como questionar a procrastinação contemporânea? Como compreender a procrastinação como forma de esperança, de solução, esperando pelo tempo que já se esgotou? Acontece uma negação total com o agora, joga-se tudo para o futuro, elimina-se a realidade e a urgência do presente. Não realizar absolutamente nada, é dar-se mil desculpas pela própria insignificância, e pelo culto a sua própria impotência. A passividade e a inoperância é a indiferença com a responsabilidade no presente.

Gigantescos icebergs, criados pela cultura contemporânea, em seu silêncio majestoso nos contemplam: a crise financeira mundial, a crise nuclear, a crise ecológica, a exclusão social, terremotos, inundações, crimes violentos são evidentes, mas ninguém dá a mínima importância. As catástrofes por maiores que sejam não mais sensibilizam, entretanto a nossa responsabilidade com os nossos tempos, e com as próximas gerações batem forte em nossa sensibilidade afetiva.
  
A esperança de melhorar o social se encaminha para a concretização de ideais de qualidade de vivência, de integridade, de consciência e de razão purificada. São desejos latentes e intrínsecos, que pedem criatividade permanente. O objetivo maior desta emanação é a elaboração de uma vida repleta de construções mentais positivas e ativas. Não dá para não realizar absolutamente nada... Todos devemos pensar na responsabilidade pessoal e social
que nos cabe executar”. No mundo inteiro estão ocorrendo significativas mudanças: surgem grupos de pessoas que nutrem profundo anseio pela vida, por novas atitudes, em vez de repetir esquemas e projetos já superados. São novas idéias que entrelaçam o desejo de renovações profundas em nossa prática econômica e social com mudanças em nossa abordagem psíquica e espiritual da vida.  

A nossa missão maior é desejar, que a civilização seja menos ameaçadora e aterrorizante, pensando em torná-la mais hospitaleira para a vida humana. Todos admitimos que algum melhoramento seja operacionalizado. A chama ardente da esperança é que nos mantém vivos e construtivos. É saudável nutrir o nobre objetivo em toda a nossa existência, fazendo o mundo melhor do que o encontramos. De uma maneira mais geral a meta idealizada é a ativação do indivíduo, a restauração do controle do homem sobre o sistema social, a humanização da tecnologia...

Há milênios o ser humano luta pela liberdade, igualdade e fraternidade. Precisamos acreditar que nós somos o mundo, e que só as nossas idéias serão capazes de melhorar o nosso mundo. Atualmente, considerável número de pessoas buscam novas orientações, novas fontes de realizações, que se centralizem nas prioridades da vida – física e espiritual – e não nas prioridades da morte. Os nossos corações estão se abrindo para a glória luminosa da bondade, da transparência e da confiança na ordem social. Acontece um despertar em nome da vida, e tem uma base tão ampla e comum, porque a ameaça à vida não é, atualmente uma ameaça para uma classe ou nação, mas uma ameaça para todos.

“Como todas as outras formas de coabitação humana, nossa sociedade moderna é um dispositivo que tenta tornar a vida com medo uma coisa tolerável. Em outras palavras um dispositivo destinado a reprimir o horror ao perigo, potencialmente conciliatório e incapacitante; a silenciar os medos derivados de perigos que não podem – ou não devem, pela preservação da ordem social – ser efetivamente evitados. Como ocorre com muitos outros sentimentos angustiantes e capazes de destruir a ordem, esse trabalho necessário é feito. O meio do “silenciamento silencioso” – um processo que é calado em vez de barulhento, oculto em vez de aberto, despercebido em vez de perceptível, invisível em vez de visto, etéreo em vez de físico”. O “silenciamento silencioso”: É estrutural; é parte de nossa vida diária; é ilimitado e portanto está em nós; é silencioso e assim passa despercebido; e é dinâmico no sentido de que, em nossa sociedade, ele se difunde e se torna continuamente mais abrangente. O caráter estrutural do silenciamento “exime” os representantes do Estado da responsabilidade por ele; seu caráter quotidiano o torna “inescapável” do ponto de vista dos que estão sendo silenciados. O seu caráter dinâmico o transforma num mecanismo de silenciamento cada vez mais digno de confiança”.( Thomas Mathiesen – Livro: Silently Silenced:Essays on the Creation of Acquiescence in Moderny Society –Waterside Press – 2004, p.9-14.).

A esperança em evoluir é permanente, é um estado de ser inato. São energias suaves, que nunca se ausentam de nosso imaginário e sempre procuram investir em normas sociais de maior grau civilidade.  Em todos os tempos, o ser humano pressentiu os terríveis golpes de dominação, que visavam a sua escravização absoluta. Durante milênios, ele sempre esteve em ininterrupto plantão, procurando viabilizar a sua libertação. Neste início do século XXI surgiu a Internete com suas poderosas redes sociais, possibilitando mobilizações instantâneas que se interconectam em todo o globo. As pessoas lutam tenazmente apontando muitos alvos, até então intocados: denunciam os políticos, acusam o poder econômico, destacando os banqueiros, condenam os ricos em geral como minoria de 20 %, que sempre exploraram e continuam escravizando 80 % das populações.

São múltiplas as acusações, são muitos os protestos, e através de simples cartazes, as pessoas começaram a reivindicar direitos humanos em todos os continentes. É o início de uma nova era, é a esperança de um estado de espírito, que jamais abandonou a fé em uma vida plena. Agora se abriu em nossa consciência, a compreensão de que o presente é tudo o que temos, e que vale a pena ser vivido com qualidade existencial. Em todo o mundo o debate a crise econômica, denuncia o corte de benefícios sociais, reclamam o desemprego, o descaso com a educação, o desleixo com a saúde pública, corrupção, globalização fracassada, abandono com o meio ambiente, governos autoritários, capitalismo falido e outras causas bem obscurecidas. 

Spinoza chamou a coragem de firmeza, que é encontrada na pessoa que se apóia dentro de si própria, ama a vida e deseja valorização do ser humano, que somos todos nós. A fé e a esperança são qualidades genuínas, que se movem rumo a mediações de realizações individuais e sociais. O atual sistema social mundial tornou-se inoperante, tirânico e ditatorial no que diz respeito às liberdades, e aos direitos universais do cidadão.

Um mundo singular e saudável está nascendo, é um mundo de esperança imorredoura de paz. Um novo equilíbrio entre liberdade, igualdade e segurança está sendo imaginado em escala planetária. Os mentores desta espetacular proposta são pessoas oriundas de regimes de educação democrática. Nos Estados Unidos, nas grandes Capitais Européias, nas três Américas, no Oriente, navegam mensagens: “Todos desejam um planeta, onde todos os seres humanos sejam iguais”.

São convites às mediações construtivas, onde brilham projetos inteligentes, a fim de criarmos planos sensatos e viáveis. No mundo igualitário, justo e humano que tanto almejamos, só se tornará realidade com trabalho delicadíssimo de encontro humano, com esforço coletivo, com políticas públicas transparentes, com liberdade de manifestação, com elevado nível de civilidade, com justiça social, com educação, com oportunidades para todos e principalmente que tremule a bandeira da paz. O primeiro passo foi dado, agora é indispensável o nosso trabalho de união, a nossa dedicação, a nossa paciência para que este novo mundo se concretize.       

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A AUSÊNCIA DO TIMONEIRO


REGINA DINIZ

A lógica da mercadoria contaminou a cultura inteira.
Falsearam as percepções com o mundo que nos rodeia.
Desorientados, perdemos o controle da nossa caminhada.
Foi desencorajada a iniciativa e fugiu a autoconfiança...

Fugirei da procrastinação para o calor construtivo da alma...

A lógica da mercadoria contaminou a sexualidade.
Nunca como hoje se mercantilizou tanto o falso afeto.
Vendemos por muito pouco o nosso corpo,
E achamos que assim salvamos a alma do desespero...

Pensarei além do corpo e buscarei também os tesouros do espírito...

A lógica da mercadoria contaminou as relações humanas.
Os nossos tempos afastaram os homens do leme das emoções.
Hoje o grande timoneiro é o ter virtual.
Morreremos de solidão ao amar só aos objetos...

Refletirei acerca de Deus, da alma, do universo e da vida...

A lógica da mercadoria contaminou os sentimentos.
Fomos transformados em inimigos de nós mesmos.
São tempos de profunda revolta contra si próprio.
Esquecemo-nos completamente da alma...

Preciso urgentemente das vozes celestes...

A lógica da mercadoria reduziu tudo a objeto.
Celebramos o objeto como nunca se viu antes na terra...
A vibração é de encanto alucinante pelos objetos.
Chegamos ao extremo de matar a transcendência da alma...

Percebo milênios de sombra cristalizados contra a luz...

A lógica da mercadoria desintegrou a nossa alma.
Não nos interessa tornar felizes ninguém.
Repelimos com veemência a convivência.
Confinados e rodeados pela solidão dos objetos,
Achamos que somos felizes...

Tudo é belo, tudo é santo na casa de Deus para onde retornaremos...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A PRECIOSA HERANÇA DE LIBERDADE E NOBREZA

                        
 REGINA DINIZ

            Assim como ocorre com a doutrina de que não se deve ser egoísta, também há muita propaganda da tese oposta na sociedade moderna: - tenha em mente suas vantagens, aja de acordo com o que for melhor para si; - fazendo assim você também estará agindo para maior proveito de todos os outros. Com efeito, a idéia de que o egoísmo é a base do bem-estar geral constitui o princípio sobre o qual se ergue a sociedade competitiva. É de estarrecer como dois princípios tão aparentemente contraditórios puderam ser ensinados lado a lado na mesma cultura; quanto ao fato, porém, não há dúvida alguma. Uma conseqüência dessa contradição é a confusão do indivíduo. Dividido entre essas duas doutrinas, ele fica seriamente inibido para integrar sua personalidade. Essa confusão é uma das fontes mais expressivas de perplexidade e atarantamento do homem moderno”. (Karen Horney – livro: The Neurotic Personality of Our Time – Nova York – 1937)

Há milênios o ser humano descobriu, que o amor é um fenômeno de riqueza e opulência interior. O impulso afetivo do amor é a expressão do vigor emocional do indivíduo que pode oferecê-lo. O amor é fecundidade e fertilidade, é o que nos dá força interior autêntica. A compreensão da própria vida – felicidade – crescimento – liberdade autêntica – origina-se de sua capacidade afetiva, isto é, vigilância carinhosa, respeito, responsabilidade e conhecimento. O amor procura construir a união entre as pessoas, e os teóricos manipuladores da sociedade competitiva coloca-as numa disputa social cruel e insana.

Com todo o manancial de reflexão ética de que dispomos, é surpreendente que propostas de união e solidariedade fossem ofuscadas, a ponto de permitir o surgimento triunfante da sociedade competitiva, que aniquilou a contemporaneidade, deixando-a extremamente violenta. Nunca se soube em outros tempos da existência de tantos presídios de segurança máxima.O nosso mundo está como sempre esteve por milhares de anos. Grandes avanços éticos e significativos retrocessos éticos. Crescendo, caindo, mudando, ficando no mesmo lugar. A condição humana continua a mesma. Avanços construtivos e destrutivos entram e saem de cena.

Freud aceita a tese de que o amor a si mesmo e aos outros é conjuntivo em princípio, como explicar o egoísmo, que obviamente exclui qualquer solicitude pelos outros? A pessoa egoísta só se interessa por si mesma, quer tudo para si, não sente prazer em dar, mas somente em tomar. O mundo exterior é olhado apenas quanto ao que dele pode ser tirado; ela carece de interesse pelas necessidades dos outros e de respeito pela sua dignidade e integridade. Nada pode ver além de si própria; julgam todos e tudo sob o ponto de vista de sua utilidade para si: é fundamentalmente inapta para amar.

Entendo que a pessoa egoísta não ama a si mesma. Afastando-se das pessoas envolve-se numa insegurança e por isso se deprecia. Esta ausência de ternura deixa-a enfraquecida emocionalmente. A pessoa egoísta e competitiva acredita, que pode retirar seu afeto dos outros, e colocá-lo na sua própria pessoa, ela não se esforça para cuidar e deixar mais fortalecido o seu verdadeiro eu. São incapazes de amar os outros, e não são capazes de amar a si mesmas.

Aproximar-se de si mesmo, admitir o direito de conhecer o seu próprio eu torna-se difícil, porque sabe que o verdadeiro objetivo é o desenvolvimento total de suas potencialidades como ser humano, e que precisa aprender a valorizar os seus sentimentos de saudabilidade emocional. O caminho mais inteligente é pensar nas jóias raras das qualidades humanísticas, para não ficar presa fácil dos teóricos consumistas midiáticos, que só se interessam em vantagens materiais, poder e sucesso. O homem, contudo, sempre refletiu e criou, porque sabe que a razão subjetiva é a fonte da força, da liberdade e da felicidade.

Infelizmente, na pós-modernidade, foi instalado mais um projeto materialista tremendamente destrutivo, convencendo as pessoas para não sentir e não demonstrar um mínimo de afeto pelos outros. Solidão, perda de laços afetivos, depressão, ansiedade são marcas dolorosas de nossos tempos. “O que gera esta situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômicos, que motivam intensamente os indivíduos para a competitividade, egoísmo e inveja. E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências, que por si só são importantes fontes de problemas, tensões e infelicidades”. (Tenzin Gyatso – Dalai Lama do Tibete – livro – Uma Ética para o Novo Milênio – Editora Sextante – Rio de Janeiro – 2000).

Todos nós sabemos que o objetivo da vida não é prejudicar os outros, mas beneficiá-los, tornando suas vidas úteis, livres de problemas, propondo as soluções positivas, para oferecer uma possibilidade de felicidade maior para as pessoas. Podemos trocar idéias sobre como encontrar a motivação ideal para alcançar e redefinir o propósito de uma cultura socialmente saudável. São possíveis mudanças subjetivas, porque uma mente bem equilibrada ajuda muito, e deveríamos investir mais neste estado mental estável.

O equilíbrio interior é fundamental para a boa saúde, porque uma mente que aprendeu a superação, principalmente em ambientes hostis como é na sociedade contemporânea, significa uma vida feliz e um futuro sadio. E em culturas violentas, as decisões mentais firmes, equilibradas e estáveis evitam possíveis desequilíbrios emocionais. Podemos descobrir valores éticos para administrar nossas emoções, dependem da força de vontade de auto-observação profunda e de conhecimento adquirido ao longo de toda a vida.

“Ninguém conhece a Deus antes de conhecer a si mesmo. Voe para a alma, o lugar secreto do Altíssimo” disse Meister Eckhart. Relacionando esta verdade com Sócrates, Kierkegaard escreve: ”Segundo Sócrates, cada indivíduo é o seu próprio centro e o universo gira a sua volta porque o conhecimento de si mesmo é o conhecimento de Deus. Esta não é a história completa da ética, mas não há dúvida que se não começarmos por aí não chegaremos a lugar algum”.

O simples confronto construtivo consigo mesmo favorece a libertação, que nos consola, então podemos fazer o bem para nós e para o mundo. Todo o ser humano que crê na melhoria do mundo, evolutivamente ama o mundo. Se imaginarmos e ousarmos abraçá-lo com os braços fluídicos de nossa alma, nossas mãos encontrarão as mãos que sustentam o mundo. “Não é o que vemos e tocamos ou o que os outros fazem por nós que nos tornam felizes; é o que pensamos, sentimos e fazemos, primeiro pelo nosso próximo e depois para nós mesmos”. (Helen Keller).

O indivíduo que verdadeiramente vai em busca de sua realização, na construção de um mundo humano melhor se liberta de emoções negativas como raiva, ódio, inveja, ganância extrema... Todas as coisas boas e construtivas, as experiências humanas mais felizes, são motivadas pelo respeito aos direitos dos outros, e pelo interesse pelo bem-estar dos outros, como amor fraterno, bondade, afeto.Como seres humanos somos criaturas sociáveis, dependemos uns dos outros para sobreviver. Nossa atenção às necessidades de alguém traz elevação de espírito tanto para essa pessoa como para nós mesmos. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A CATEDRAL PERDIDA

Regina Diniz


                                    Escalo novos degraus de autoconhecimento...
                                    Administro a vida com propósitos novos...
                                    Quero tanto que aflore
                                    Novas habilidades, novas interpretações...

Estou sentado no ponto de café expresso,
No shopping “Praia de Belas” em Porto Alegre...
Enquanto brinco com a espuma dourada e cremosa,
Que flutua no cafezinho fumegante,
Olho atentamente as pessoas que transitam entre as lojas.
Espero meu irmão Eduardo...
Percebo que as pessoas ficaram mecanizadas,
A vida as tornou distantes...
Tanto de si como de todos os outros indivíduos...
Impera a fé insensata só na aparência,
É a única janela que ficou de comunicação entre os homens,
Neste novo milênio...
Viver na confusão urbana é complexo...
Aos quarenta anos de batalha vejo que eliminei
O meu eu adolescente e o meu juvenil,
Devo reavivá-los como bandeira de luta na maturidade.
Gosto de pensar e viver a vida com o coração...
É extremamente gratificante olhar as pessoas com afetividade,
Em tempos extremos de vazio existencial...
Em tempos extremos de ausência de rumos...

Escolho flores no jardim do bem...
Conjugo valores eternos...
Só assim dou sentido à vida...
Acalmo-me na alegria intrínseca...

É transparente a sedução apenas pela aparência exterior...
Que pena... que pena...
Não acreditamos na força do afeto,
O esplendor humano é pela fruição afetiva,
Pelos olhos das emoções construtivas enxergamos a paz,
Em todos os dias,
Sempre.
Preciso achar a paz.
Ela está dentro da catedral,
Que foi perdida pela contemporaneidade...
A insegurança emocional reluz na face dos meus tempos.
Queremos esconder a alma.
Temos medo de mostrar o coração,
Somos frágeis... As emoções nos amedrontam...
Invade-me uma alegria repleta de quietude e tranqüilidade,
Só em alimentar a possibilidade de cultivar
Uma aventura construtiva...
A meu próprio favor...
Porque a violência é o pior sentimento que alguém possa carregar.
Nutro um grande sonho de crescer espiritualmente.
Acreditarei na minha própria credibilidade,
Confiarei na lisura de meus objetivos,
Serei correta comigo mesmo,
Nunca... jamais...  praticarei a auto-traição...
Nunca... jamais... cairei no auto-engano...

Procuro trazer o céu...
Para a terra...
Vibro Deus...
É uma escolha bem feita...

Viverei corretamente com todas as pessoas que encontrar.
A vida não é só mãos no trabalho.
A vida também é coração em Deus.
Sempre procurei melhorar as minhas escolhas,
Para ser útil indistintamente.
Nunca liguei para os fracassos...
Faz parte dos erros e acertos da caminhada...
A arte do êxito da vida é neutralizar as derrotas...
Mas que derrotas?
Ninguém é derrotado... Ninguém é vencedor...
Todo mundo faz o que pode...
Faz até o impossível para acertar...
Somos heróis todos os dias nos desafios que enfrentamos,
Porque uma nuvem densa escurece os nossos dias.
É preciso enxergar com clareza...
Tenho receio da cegueira coletiva,
E caminhar em círculo durante toda a vida,
Por isso cuido muito de minhas auto-induções...
Só eu posso descobrir os meus segredos construtivos,
Embora seja difícil, exijo-me vias corretas de ser
E a minha alma bate palmas...
A avaliação sagrada é a da própria reputação,
Firmemente é o resultado da avaliação dos meus atos,
Por isso não é válido
Ninguém julgar ninguém e sim se julgar...

Procuro unir os retalhos da minha alma,
Que me mostra o estilo da simplicidade,
Que valoriza as virtudes universais,
É um tom extremamente revitalizador...

O Eduardo está demorando tanto...
Talvez o trânsito congestionado o atrasou...
Mas está interessante ficar aqui olhando as pessoas...
A vida é uma escola difícil...
Custamos a aprender o que nos impulsiona para a frente,
Pisamos facilmente nas pedras soltas do destino,
Que as vezes trancam definitivamente,
As janelas para a compreensão do mundo,
Percebo que a ilusão da auto-suficiência,
É um mal psicológico epidêmico...
Dói dentro da minha realidade interior o medo extremo
De cair nas malhas da infantilidade...
Os nossos tempos proporcionam aos borbotões,
Egos radicalmente ingênuos de onipotência,
Teses arrogantes do indivíduo particular sem a força do social,
A grande virtude da cooperação entre os homens
Desapareceu... Foi tão açoitada...
Que fugiu para sempre, talvez para nunca mais voltar,
E com ela sumiram
As sutilezas da integração humana...
Por forças que desconheço os valores humanos foram sepultados,
Agora é o império dos valores das “coisas materiais”
Mas ninguém agüenta mais...
Haverá um renascimento do homem criativo,
Pétalas de renovação voam ao nosso redor,
Ressurgirá o potencial do homem com grande força...

A lembrança de um momento no tempo,
É o desespero pela mudança
Da realidade violenta...
Desejo ser um raio de sol...

O Eduardo está demorando...
Mas daqui a pouco ele chegará com certeza...
O ser humano de hoje acredita só na força da aparência,
Não restam dúvidas o investimento é extremado,
O interessante é que ele seduz o tempo todo...
Não se cansa jamais...
Repete continuamente o mesmo jogo...
Banalizou o jogo do encantamento...
Liga exaustivamente os imãs de atração,
Não se lembra de si mesmo nunca,
O seu coração deve ser vazio de prazer para si...
Este é o famoso vazio interior...
Parece mentira, mas agora é que eu compreendi.
Ele se expõe à extrema carência de sentimentos,
Tudo para os outros...
Nada para si... Sempre para os outros...
Mas não se liga afetivamente com ninguém,
Mostra o descompromisso emocional abertamente...
É uma pessoa que só tem o presente,
E não pensa em futuro afetivo,
É uma ligação momentânea,
Mas de uma instantaneidade assombrosa,
É consciente da existência dos sentimentos,
Mas é temerosa em usufruí-los...
Tem receio em ser desapontada,
E vive o impossível
Sobreviver com migalhas de falso afeto,
É modesto demais...
Não acredita no potencial das emoções afetivas...
Não acredita na estabilidade dos sentimentos...
Sobreviver com um mínimo de integração,
É um ato heróico...
E continua vivendo a vida bem separado...
E acredita mais do que nunca
Que a suprema felicidade é ser só... 

Empatia, união, compaixão...
Invisto na contemplação mística...
É pela via espiritual,
Que encontro a essência da jornada...

O valor afetivo das coisas
Superou o valor afetivo com as pessoas,
Os vínculos com o ser humano estão sepultados,
Agora o homem só quer as coisas...
E lá vem o Eduardo...
Cabeça erguida, discreto, personalidade profunda,
Não se indigna jamais...
Tem consciência da superficialidade atual...
-Maurício, eu demorei porque o cartório estava superlotado...
-Sei que não gostas da impessoalidade moderna
-E dos paraísos de consumo, por isso fiquei apreensivo,
- Mas poderemos viajar para Santa Maria agora já...
- Só vou tomar uma laranjada com sanduíche integral...
-Eduardo, eu sei que não te preocupas com ninguém...
-Mas como não ver a escuridão afetiva dos nossos tempos?...
-Reflete Maurício... Não é racional lutar contra a maioria silenciosa...
-São forças manipuladoras onipotentes,
-Que são jogadas para ninguém pensar em si mesmo...
-Motivações para distraí-lo totalmente... para que não veja...
-Principalmente a imensa escravidão ao tédio,
-Para que não perceba que não evoluirá nada...
-Absolutamente nada...  tremendamente nada...
-É o triunfo da passiva escravidão,
-Como jamais aconteceu em outros séculos,
-É a total cegueira de percepção...
-É terrível...
-A pior meta é deixar-se seduzir pelo que não tem vida...
-São urgentes as motivações de vida...
-Para continuarmos vivendo...
-A vida se entrelaça só com mais vida...
-Eduardo: -A natureza é uma mãe apaixonada...
-É preciso amar os artistas da natureza...
-E aprender com eles...
-Apreciar o pulso das emoções pela vida construtiva...
-Admirar o pulso da terra sempre generosa...
-É preciso surpreender-se com os animais em liberdade...
-É preciso extasiar-se com a montanha arrebatada pelo vento...
-É preciso assombrar-se com as forças motivadoras...
-É preciso considerar a sabedoria espiritual...