terça-feira, 28 de setembro de 2010

JÚBILOS DA ALMA ERRANTE

 Regina Diniz


  O tempo é precioso...
  Meu coração palpita antecipadamente...
  Acena-me júbilos para a minha alma errante...
  Sigo sinais em busca de auto-realização espiritual...


 Sinto-me a beira de uma possível depressão...
 Vejo-me cansada... Nada tem graça...
 Trabalhei muito... freneticamente...
 Um descanso junto à natureza vibrante curar-me-á.
 Irei sozinha... Quero descobrir um estilo de vida pacífico...
Quero o silêncio da mata que propõem orações ardentes,
Que acalmará o meu coração agitado.
Vou para Canela, num pacote turístico,
 Especializado em treinos de sensibilidade interior,
 Desejo aproximar-me com intimidade
 De metas e propostas sadias,
 Que me levem a descobrir a fonte de valores de vida.
 Espero o despertar de meu auto-encontro,
 Que está guardado no meu peito.
 Então é eu só comigo mesma.


 O caminho é duplo...
  Sublimes trilhas verdes...
  Pés que caminham em silêncio...
  Para que a alma se revele...


 Esta viagem de aventura me alegra...
 O ar puro e frio renova as minhas emoções,
 Calejadas pela violência de Porto Alegre.
 Aqui, neste hotel, bem no alto, descobrirei a energia cósmica.
 Uma fila de espetos de carne de gado,
 Aguarda a hora de ir para a grelha.
 A iluminação é discreta, velas, lamparinas, tochas,
 Num canto três argentinos cantam músicas portenhas.
 Daqui do terraço descortina-se uma esplêndida visão do lago,
 Que antecipa a entrada na mata,
 Que abriga uma gruta milagrosa...
 E assim, à luz do crepúsculo, transcendo o mundo material...
 E assim mergulho num clima de liberdade de expressão,
 Que abriga um grande sonho de crescimento interior.


                   
O lago é uma miragem,
Que sob o luar...
Veste-se de prata...
 O céu está cheio de estrelas...


Ao redor de uma mesa grande que convida à interação,
Formamos um grupo heterogêneo de amigos recentes
Um inglês, um francês, e uma filipina.
Fiquei interessadíssima neles, brotou a chama da relação imediata,
Um sentimento de identificação de pessoa-a-pessoa...  
Um certo amor aos divergentes,
Um certo respeito aos indivíduos que buscam os seus destinos.
Este congraçamento humano surgiu de repente.
Não sabia o que fazer com tanta gratificação...
Era um afeto represado,
Que despertou a expressão de sentimentos,
Que explodiram no meu peito congelado...
Olhava-nos em silêncio...
Surpresa eloqüente ditava as regras.
Jeitos diferentes de ser...
Surgiu um envolvimento pessoal positivo...
O antídoto para a padronização


A liberdade salva...
O confinamento mata...
 Apropriar-se da graça da vida,
 É encantar a própria vida...


Olho para o lago lá embaixo,
Mas não consigo distrair-me,
O meu foco mental são os três.
 Procuro respostas para os mistérios dos encontros.
Gostaria de ser uma andarilha remunerada,
Viajando que nem eles, conhecendo a diversidade do planeta.
Fiquei impressionada com as aparências diferentes.
O lago, agora, está cheio de contrastes luminosos.
A lua capricha na sedução...
E o lago se embeleza todo,
Provando que o silêncio...
Provando que a quietude...
É tudo na luta interna pela perfeição...
Aprendo um novo modo de experimentar o mundo...


Giro a alavanca inicial...
 Renovo metas emocionais...
 Reinvento a beleza interior...
 Preciso desta bênção divina...  


Nós quatro ouvíamos os três instrumentistas
Tocando e cantando em espanhol.
Todos nós falávamos idiomas diferentes.
Pagamos mais caro pelo pacote turístico,
Cuja peculiaridade era total privacidade,
Para dedicar-se a si mesmo...
Então a coerência deveria vencer,
Porque é a mãe da sanidade mental.
O conjunto nos convidou a cantar uma canção pátria,
Eu cantarolei um samba bem pipocado...
Todos mostraram o folclore de suas terras
Foi um encontro de união entre os povos.
Em seguida nos despedimos afetivamente.
Era uma emoção muito pura...
As amizades efêmeras comprovam a sua força...
Aquele encontro foi significativo
Pela experiência de policultura.
Éramos pessoas de lugares longínquos.
O elo forte que fluiu foi vibratório...
Talvez fosse a atração e sedução para o interior de si próprio.
Sabíamos que nunca mais nos reencontraríamos,
A não ser através desta rica lembrança de identificação.
Trinta anos e ainda não tenho a consciência da verdade...
Tenho muito a aprender...
Operacionalizo esta busca através de viagens de sonho...
A noite caiu gélida...
A aragem é cortante...
Aninho-me em cobertores de pura lã...
E penso:
Amanhã será outro dia maravilhoso.


Correr o risco...
 Nas grandes aventuras...
 Para conhecer a individualidade única...
 Para conhecer novos territórios interiores...


Ilumino com uma pequena lanterna,
A trilha de pedras recoberta de grama verde.
Levo no colete um cantil com água.
Estou realizada nesta busca de compreensão profunda,
E por não estar fechada em quatro paredes.
Trabalhei toda a semana...
Minha casa é rica de simplicidade...
Mas não é tudo, pois anula a interação com a natureza.
Não agüento viver a vida
Sem a possibilidade de significativas transformações interiores.
Integrar-se a todas as forças é manter a vitalidade.
Caminhando nesta mata sinto que ultrapasso
As muralhas invisíveis da rotina...
Defronto-me com o vento frio,
E agarro um pouco da coragem da natureza,
Que também é minha e eu também sou parte dela,
Intercambiamos energias sutis...


Caminho despreocupadamente...
 A minha alma está livre...
 Estou bem calma...
 Meu coração se renova...


O meu baú de angústias e ansiedades
Sepultei-o há muitos anos atrás,
Porque quero expandir a minha percepção...
Procuro desapegar-me das emoções negativas...
Procuro o equilíbrio espiritual.
Ouço o respeito silencioso das árvores...
Percebo o vôo dos pássaros na escuridão da madrugada...
Aqui é a lei do silêncio e serenidade
Para decidirem o que é melhor para si...
Minhas emoções são influenciadas por esta seleta platéia,
 Que me olha como amiga,
E não como intrusa.
Acho que a natureza e o ser humano,
Lutam pela qualidade emocional.
Quanto mais renovada a mente
Mais o coração se purifica.


A fé é inconsciente...
 Basta crer...
 Fico autoconfiante...
Confio no compromisso espiritual.


Descendo, chego à gruta, símbolo religioso deste lugar.
Este santuário é muito procurado.
Esta obra foi executada três séculos atrás...
Ali naquela paz estava Nossa Senhora das Graças.
Ressaltava o véu branco...
Ressaltava o manto azul...
O rosto exaltava a força da piedade...
Braços abertos espargindo graças...
Mãos estendidas, mãos acolhedoras...
A seus pés um jovem colocou três rosas brancas dizendo:
-Ajude-me a curar esta depressão...
-Tenho a vida pela frente...
-Ajude-me a sorrir...
Eu precisava ter ouvido este pedido...
Vim até aqui para sentir fortemente
A presença do divino...
Vim até aqui para aprender
O recolhimento espiritual profundo...


Aqui a presença de Deus é imensa...
Ele prova a sua existência...
Mostra-se através da criação.
Compreendo o oceano imenso e as galáxias...


Tomo a água abençoada que corre livre na cascata,
Que me ajudará a construir a fortaleza da alma.
Quero ver a luz espiritual que cura.
Estou sentindo uma tranqüilidade profunda.
Todos nós nos ajoelhamos em silêncio respeitoso,
Enquanto o lusco-fusco da alvorada transformava-se em luz,
E realçava, aos poucos, o lago plácido e sereno.
Quando o sol nasceu, o cenário ficou emocionante...
Imagens de santos esculpidos em pedras,
Refletiam-se nas águas tranqüilas...
Havia várias pessoas no santuário,
E logo se ouvia orações comoventes...
Nestes lugares miraculosos,
Onde todas as pessoas desejam evoluir,
Através da fé pura.
Eu procuro compreender a minha inteligência espiritual.
O meu próprio comportamento de crescimento espiritual.
O magnetismo das orações transmite-me novas paisagens da alma.
A fé tem o poder de transformar vidas.
A inteligência espiritual vibra no meu coração. 

Exercito a auto-renovação...
Desejo salvar-me...
Preciso curar-me...
Deus já fez tudo por mim...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A RECONCILIAÇÃO SOCIAL

 REGINA DINIZ


Pesquisa divulgada no dia 01/09/2010 pelo IBGE aponta um dado preocupante: nos últimos
15 anos a taxa de homicídios cresceu 32% no país, um índice que supera os da expansão da população e do aumento de renda média dos trabalhadores. É um quadro muito triste. Cento e dezessete brasileiros são assassinados por dia. Em 10 anos entre l997 e 2007, houve 5l2,2 mil assassinatos. (UMA GUERRA CIVIL – Editoriais – Zero Hora – 02/09/2010). Estes dados impõe um debate crítico, sobre que medidas adotar para que a sociedade brasileira enfrente a violência e a criminalidade. Está em curso, uma guerra civil mortífera, contínua e interminável.

Convivemos numa rede complexa de tecnologias fundadas na produção em massa, no consumo de massa, nos meios de comunicação de massa, na cultura de massa, obedecendo cegamente às exigências do mercado, que nos foram insidiosamente impostas. Esses processos criaram um novo tipo de individualidade, caracterizadas como egoísta, hedonista, competitiva. Nota-se que nenhuma de tais descrições capta o significado predominante do eu.

Um dos maiores erros da Sociedade de Consumo é dissolver o mundo das coisas substanciais, e substituí-lo por um mundo de imagens, que apaga as fronteiras entre o indivíduo e seus arredores. A anarquia da Sociedade de Consumo (também chamada de Sociedade “de abundância” e também chamada de Sociedade da penúria e empobrecimento) revela-se como sociedade de solicitude e como sociedade de repressão,
Revela-se como sociedade pacificada e como sociedade de violência extremada. Mas vê-se que a quotidianidade “pacificada”, se nutre incessantemente de violência consumida, de violência alusiva: assassinatos, assaltos, ameaça nuclear etc... e toda a substância apavorante do  “mass media. Crises de crescimento de uma sociedade prometida para ser o melhor dos mundos, ou regressão organizada diante dos conflitos insolúveis? Anarquia da produção ou instinto de morte? O que é que transtorna esta civilização? Precisamos de respostas.

Não é o espectro da penúria, que cerca a Sociedade de Consumo, é o espectro da fragilidade que a assedia, por que diz respeito ao equilíbrio das estruturas individuais e coletivas tremendamente ameaçadas. É a violência real e incontrolável, que a “abundância” e a “segurança” segregam. – proposta desumana de isolamento físico e social por motivo de raça. – proposta desumana de isolamento físico e social por motivo de riqueza. Proposta desumana de isolamento físico e social por motivo de pobreza. – proposta desumana de isolamento físico e social por motivo de educação. – proposta desumana de isolamento físico e social por motivo de profissão. – proposta desumana de isolamento físico e social por motivo de nacionalidade etc... Trata-se de uma violência brutalizada,
que a Sociedade de Consumo  separa na sua própria realização.

A Sociedade de Consumo se impõe através de constrangimentos morais e psicológicos, nada tem a ver com o reino da liberdade sadia, pois ela treina e domestica os homens. Os indivíduos, que não se dobraram para a Sociedade de Consumo, argumentam contra a destruição “cega” dos bens materiais e culturais que ela impõe. Comete um crime hediondo contra as próximas gerações ao estimular o consumo ostentatório ao invés da poupança. Se a Sociedade de Consumo se identificasse com a liberdade, a violência seria impensável.

Se a abundância, se a riqueza da Sociedade de Consumo é constrangimento, então esta violência compreende-se perfeitamente e impõe-se com toda a lógica. Se a violência se revela selvagem, é porque os constrangimentos que ela contesta são idênticos ao da “liberdade” do acesso controlado à felicidade, da ética totalitária da Sociedade de Consumo
(total escravização ao materialismo). Mas os heróis do consumo sentem-se cansados. Em vez de igualar as possibilidades e de atenuar a competição econômica e social, o processo do consumo torna ainda mais violenta e mais aguda a concorrência sob todas as formas. Debaixo de tantas pressões adversas, o indivíduo desintegra-se. A distorção interna entre necessidades e aspirações resultou numa sociedade tremendamente irreconciliada e desintegrada, em situação de profundo “mal-estar” social. A fadiga interpreta a recusa passiva do homem moderno às condições frustrantes de sua existência.

A Sociedade de Consumo se caracteriza pelo fim da transcendência. No processo generalizado de consumo deixa de haver a alma. O DEUS cósmico foi substituído pelo  objeto material. Acabou-se a transcendência, agora impera o objetivo da cultura materialista. “A característica desta sociedade é a ausência de reflexão e de perspectiva sobre si própria”. (Marcuse).

A Sociedade de Consumo concluiu um contrato com o Diabo, vendendo-lhe toda a transcendência e toda a finalidade da vida pelo preço da abundância virtual. Encontra-se agora prensada pela ausência de fins. Desapareceu o espelho onde o homem via a própria imagem: existe apenas a vitrina, lugar preferido do consumo em que o indivíduo não se reflete a si mesmo, mas se petrifica na busca desesperada dos significantes do status social. O sujeito do consumo é a ordem dos sinais.

O pensador Wilhelm Reich diz que uma nova consciência começa a surgir afirmando a “totalidade do indivíduo” e rejeitando “a busca agressiva, disciplinada e competitiva de metas definidas”. O pensador Theodor Roszak define, que a emergente ética da personalidade está motivada por um anseio de crescimento interior, de autenticidade, de largueza de experiências. O pensador Paul Wachtel pressente uma fase passageira no desenvolvimento de uma sensibilidade, que irá finalmente reconciliar o indivíduo e a sociedade, a humanidade e a natureza.

Na versão de Paul Wachtel: “O declínio do homem econômico, e a ascensão do homem psicológico e espiritual pressagiam um bom futuro. Está com os dias contados, o egoísmo ganancioso como a base da natureza humana, que reflete a ética capitalista do individualismo competitivo. Berman advoga a morte da visão de mundo materialista, e acredita no surgimento de um novo sentido de “vinculação cósmica”.

 Surge uma revolução silenciosa, que anuncia uma nova sociedade mais sonhadora, que valoriza a comunidade mais do que a competição. Tolerante, pluralista e descentralizada, ela se preocupa em ajustar-se à natureza em vez de procurar dominá-la. A nova consciência conduz a um reencantamento com o mundo, através de um grande reencontro com Deus. Os assaltos, mortes, assassinatos desaparecerão. Esta nova cultura valoriza as virtudes humildes, que adotam o valor superior da sobrevivência num mundo ameaçado pelo desastre ecológico e pelo perigo de destruição nuclear. Seja qual for nossa crença, é possível expressarmos a dimensão espiritual de nossa vida de maneiras simples. Cada uma dessas expressões fortalece nossa espiritualidade e a aumenta para inundar nossa existência com mais luz. Seja qual for o nome que damos à verdade do espírito, nosso menor ato pode nos ligar a ele. O todo da humanidade depende da parte de cada um. Nós existimos interdependentemente mas jamais sozinhos. Somos unos com todos, e essa unicidade é eterna.   
      


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

FESTA DE LIBERDADE

REGINA DINIZ

A minha alma sente a necessidade de viver mais liberdade...
O maior milagre humano é ter pensamentos próprios.
É vital lutar por condições psicológica que nutram a livre escolha.
Fico abalada e impotente quando sou impedida de ser...

Não é possível assumir a vida como uma prisão...
Vejo-a como uma festa de acesso à observação desprendida...

A minha alma sente a necessidade de ultrapassamentos criativos...
A nossa era é manipulada para um conformismo compulsivo,
Receio tornar-me uma autômata sem sentimentos,
Temo ficar cega e perdida que nem um cadáver ambulante...

Não é possível assumir a vida alienadamente...
Vejo-a como uma festa de oportunidades únicas de autocriação.

A minha alma sente a necessidade de autonomia...
É raro, hoje, ser livre e subordinado só a si mesmo.
Sinto de todo lado a motivação para a cegueira motivacional.
Cultura insegura acredita só na proposta de um homem amordaçado...

Não é possível assumir a vida sem a independência e integridade...
Vejo-a como uma festa de realizações transformadoras...

A minha alma sente a necessidade de conhecer a verdade humana...
A nossa era é manipulada para uma padronização compulsiva.
Só vejo pessoas subordinadas aos outros para a mínima decisão.
É muito triste viver em culturas que pregam a dependência...

Não é possível assumir a vida sem a busca da felicidade construtiva...
Vejo-a como uma festa de autonomia de ação...

A minha alma sente a necessidade da fraternidade incondicional... 
Percebo o vigor espiritual da pessoa que busca a essência interior,
Ela não tem os seus sentimentos espontâneos suprimidos,
E o resultado da falta de liberdade é a morte da alma...

Não é possível assumir a vida sem a capacidade de amar e criar...
Vejo-a como uma festa de valorização das emoções...

A minha alma sente a necessidade de ser dona de si mesma...
O mundo para crescer precisa da rebeldia construtiva.
Ninguém colocará na minha cabeça pseudo-sentimentos.

Não esquecerei de mim mesma... custe o que custar...

Não é possível assumir a vida sem o sentimento de si mesmo...
Vejo-a como uma festa de auto-realização...


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A IMPORTÂNCIA VITAL DA SUSTENTABILIDADE

 REGINA DINIZ

   Fiquei sensibilizada com os acontecimentos na Europa, principalmente com a queda do muro de Berlim. Aquela alegria inusitada reaproximando novamente as famílias alemãs, renovou o meu coração com forte esperança. Senti uma notável abertura emocional, fluía uma animação humana fantástica.

   Assisti aquela cena pela televisão, e pensei no teor do sofrimento de uma guerra brutal, sem justificativa humana. Aconteceu a superação, e a humanidade daria um salto gigantesco em maior democracia, em maior liberdade construtivas. Imaginei mudanças sociais de solidariedade, surgindo em todo o planeta. Achei, que terminaria para sempre o desejo nefasto de países entrarem em guerra, para se apossarem indevidamente de bens materiais que não eram seus.

   Acreditei que depois da 2ª. Guerra todos os países que sofreram profundamente, optariam  por práticas diplomáticas humanizadas. Admiti que todos haviam aprendido a dura lição, que se matando uns aos outros nunca chegariam a lugar nenhum, como tinha acontecido recentemente. E o mundo inteiro colocaria o crescimento do homem como objetivo principal.

   De repente, sem consultar ninguém, as nações mais ricas do mundo decidiram pelo liberalismo econômico. Tomados por desespero inexplicável prognosticaram, que o mercado responderia ao mundo com riquezas incomensuráveis. Não admitiram que a 2ª.
Guerra tinha empobrecido dramaticamente o mundo. Novamente, sofreram uma derrota fragorosa...

   Mais uma vez, o humanismo em si foi colocado em terrível perigo. Mesmo depois da 2ª. Guerra, não conseguimos dar o significado preciso do valor do ser humano. É inquestionável, que tudo no mundo deve ser direcionado para a humanidade e não contra ela. Vale a dignidade do ser humano ou as tralhas materialistas? Vale a dignidade do ser humano ou o mundo dos objetos?

   É uma realidade, que os avanços científicos e tecnológicos favoreceram a globalização. A Internet proporcionou trocas comerciais significativas entre as nações, e tirou muitas pessoas da pobreza. Entretanto, permanece sempre o mesmo problema, porque aumentou muito as diferenças econômicas em todos os países no mundo.

   A proteção da diversidade cultural é uma maneira de fazer um contraponto à globalização, que não é um comportamento novo, porque é um comportamento milenar. O  modelo da globalização, por incrível que pareça, ainda é o velho modelo ocidental, ou seja, o Consumo de Ostentação. Vivemos cegamente em uma padronização cultural.

   Atualmente, acontece abertamente a coerção à compra. Nasceu uma nova moral: precedência do consumo sobre a acumulação, fuga para a frente, investimento forçado, consumo acelerado, inflação crônica. Torna-se absurdo economizar. Voltamos à situação feudal: a de uma fração de trabalho devida antecipadamente ao senhor, ao trabalho escravo.
O consumidor moderno assume espontaneamente esta obrigação sem fim.

   O consumo de ostentação atrelado ao consumo descartável deixou os países muito pobres, que desesperados partem para novos confrontos sanguinários. É impressionante o desejo de gratificação imediata, junto à identificação com aquisições materiais, então as classes pobres, abandonadas e desorientadas simplesmente imitam as suas superiores. E o que representa as nossas favelas? E o que significa os batalhões de guardas armados, cuidando da segurança do povo? E o que significa nossos muros altos, cercas elétricas e câmeras eletrônicas? E o que significa os assaltos à mão armada com óbitos? Eu me pergunto: - O que significa esta deserção em massa dos padrões de conduta pessoal – civilidade, trabalho, autocontrole - que sempre foram considerados indispensáveis à democracia?

   Famosos transcendentalistas, baseados em revelações divinas, dizem que este planeta é um dos mais atrasados do universo. Vê-se, claramente a morte da espiritualidade no mundo.
Acredito, que só a reaproximação com Deus, nos libertará da identificação materialista que nos escraviza, e nos atira à guerras sangrentas.

   “O capitalismo sobrevive à custa de forçar a maioria, a quem explora, a definir os seus próprios interesses, tão estreitamente quanto possível. Já se chegou a isso pela privação prolongada. Hoje, nos países desenvolvidos, chega-se pela imposição de um falso padrão do que é desejável e do que não é” (livro – A Linguagem das Coisas. Autor – Deijan Sudjic – Cap. Um mundo afogado em objetos – Editora Intrínseca Ltda – Rio de Janeiro – 2010)

   Acho que o desejo de posse sem necessidade é para nos iludir com potência, com coragem de ser. A mensagem é fácil de decifrar: “Somos aquilo que compramos e não o que somos como pessoa. O Consumo Ostentatório mostra a sua filosofia: Os objetos refletem o que a pessoa acha de si mesmo. Esta proposta é de uma humilhação terrível. A atitude cristã essencial de fraternidade e compaixão estão ausentes na contemporaneidade.

   Mas os milagres acontecem... Tudo pode mudar... Todavia temos de fazer a nossa parte.
“Não existe uma fórmula para que todos aceitem como sendo uma boa receita para ensinar a sustentabilidade. O que nós estamos promovendo são vários diálogos para que possamos, em conjunto – academia – sociedade civil – governo – empresas - chegar a um caminho de como pode ser feito o ensino de educação para a sustentabilidade. Como impactar um adulto a ponto de ele mudar a forma de tomar as decisões no trabalho e na vida?”(Debate de Futuro – Nosso Mundo Sustentável – Zero Hora  - 30/08/2010 – Ana Lucia Suzuki – presidente da Câmara de Gestão Sustentável do CEBDS e gerente de Responsabilidade Social Corporativa do Brasil). 
  

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MAR DE INDEFINIÇÕES

Regina Diniz

Com o olhar perdido no horizonte
Identifico a minha realidade...
Nado num mar de indefinições,
A procura do caminho verdadeiro...

A manhã está ensolarada...
A grande mensagem é superar-se.
O mar dá o tom da busca do espaço de ser.
As ondas altas se debatem freneticamente,
Explodem mostrando o valor da adrenalina do bem.
A brisa suaviza a compreensão e explica o devagar e sempre.
Aqui de cima do penhasco,
Observo um casal pescando lá embaixo,
Com carretilhas modernas lançam os anzóis longe da costa.
Já pescaram quatro anchovas.
O rapaz alegremente me abanou.
Noto que o ser humano busca integrar-se com a natureza,
Equilibrando seu magnetismo espiritual.
Desço do penhasco, meus pés são tocados pela água salgada.
Exorcizo os meus demônios... Aqui não tem lugar para a negatividade.
Um grupo de gaivotas vivencia esta energia positiva...
Toda envolta em mar resplandecente,
Que se torna belo pela agitação ritmada das águas...

O meu tom no mundo,
É liberar impulsos bons...
Quero iluminar pontos positivos...
Inspiro-me em idéias saudáveis.

O rochedo está todo molhado,
As ondas atacam com violência,
Determinadas a quebrar a indiferença das pedras...
Ouço batidas fortemente pesadas,
E não há trégua por parte das ondas.
O rochedo abriga uma diversidade de vida,
São ostras, mariscos, siris agarrados nas pedras.
E duramente são atingidos pelas águas,
Mas agüentam com firmeza inabalável.
E não há trégua, de minuto a minuto,
O mar organiza-se em altas marolas,
A mobilidade ritmada das ondas deslumbra...
Nestas auto-afirmações identifico-me com o rochedo,
Que suporta esta guerra sem se mover,
E ainda sustenta uma cadeia de vida alimentar...
Sobreviver nesta situação é heróico.
Aprendo com o rochedo a tolerância...
Aprendo com o rochedo a paciência...
Aprendo com o rochedo a coragem...
Este lugar é um berço de questionamento existencial.

A percepção interior é o céu da alma...
É a razão desta viagem de elevação espiritual...
Fluo serenidade e perdão,
Venço a ansiedade e depressão...

Tanto as ondas como o rochedo,
Sinalizam que o processo de afirmação absoluta,
É o que os mantém vivos.
Aprendi com as ondas que a beleza do embate
É a vitória da compreensão.
Como prática de vida para toda a vida.
As ondas se quebram e não desistem jamais...
É este o caminho que devo tomar por conta própria.
Lembrar-me-ei deste lugar em momentos bem difíceis...
Para manter-me com equilíbrio na resistência,
Naqueles momentos em que eu cansar,
E achar que nada mais vale a pena.

Enalteço a realidade,
Da responsabilidade para comigo mesma.
Bons pensamentos me encorajam.
Assumo novos valores...

Não desistirei jamais da busca da consciência amplificada.
É muito triste entregar os pontos...
Não me perdoaria, posso mudar as metas,
Mas desistir nunca...
Abro uma janela para o aprendizado espiritual...
Abro espaços para pensar melhor...
Pacifico as minhas emoções.
Apago da minha memória emocional
As minhas derrapadas na ladeira da vida
O mundo está cheio de ódio incontido.
Do meu santuário interior brota afeto incondicional.
Ultimamente tenho sonhado muito com um belo oásis
Incrustado num grande deserto.
Penso e deduzo que devo enfeitar-me de boas emoções,
Nos lugares por onde passar.
Sonho com jardins no deserto...
O que será que o meu inconsciente quer dizer?
Que devo cessar batalhas interiores?
Que devo adubar as flores no jardim do meu coração?
As tensões e compulsões interrompem a qualidade das percepções.
Fiz um tratado de paz comigo mesma.
Chega de guerras negativas
Que nunca me ajudaram em nada.
Decidi ser a minha própria mestra...
Faço uma limpeza interior profunda,
Não faço o mal para ninguém.
Expulsei de dentro do meu coração a arrogância do não ser.
Conquistei-me quando assumi a responsabilidade por tudo.
Agora não transfiro nada para ninguém.
Procuro saídas cabíveis...
Ando atrás da minha maior promessa de buscar sentido de vida...
Nutro a qualidade do meu imaginário.
Vejo que aprendo um pouco da pedagogia da vida.
Cultivo o jardim dos meus deuses...
E pergunto-me ao despertar pela manhã:
Qual é a essência da minha alma?
Há algo ferido no meu interior que não consigo descobrir.
Cuido da minha personalidade com toda a delicadeza.
A vida sempre aponta para grandes mistérios e descobertas.
Não posso desidratar-me da poesia da motivação elevada.

As idéias abstratas fascinam...
Procuro a essência de ser.
Curvo-me para a beleza da vida.
Que afeta o espírito de todas as crenças...


Agora, admiro as ondas calmas e volumosas...
Que ao baterem nas pedras
Transformam-se misteriosamente em espumas brancas,
Que é a tonalidade da paz.
Pousa elegantemente, aqui perto uma garça branca.
Suas pernas longas são pretas, seus pés amarelos.
Observando atentamente o mar, ela come pequenos camarões,
Que ficaram presos entre as pedras.
A beleza da garça está na calma,
Cada passo é medido,
Daí o seu caminhar cativante.
Salvou-se da ansiedade e compulsão.
O bando já foi embora, ela está sozinha.
Gaivotas compartilham deste espaço lindíssimo.
Aqui há respeito às individualidades.
É valiosa a independência de ser...
É dura a vida da pessoa dependente...
Acredito que fique totalmente bloqueada,
Sem nenhuma chance de emergir...
Fui muito assediada para que me deixasse ser,
Um objeto de manipulação afetiva,
E pagavam um preço bem alto...
Admiro a individualidade de ser...
Admito que é uma conquista interior.
Vale a pena almejar vir a ser um indivíduo completo.
Deleito-me ao agir com segurança pessoal.
Esta escolha acompanhar-me-á pelo resto da vida...
Sempre olhei o mundo com os meus próprios olhos,
Isto é fundamental...

Fujo dos meus tempos...
Que acredita piamente
Na renúncia de si mesmo...
Que despreza as próprias emoções...

Pratiquei esportes desde muito cedo,
Vi nas comprovações de luta uma centelha de firmeza...
Eclodia a noção de responsabilidade pela própria competência.
Gosto muito de criar opiniões próprias,
E lutar por elas... Mas lutar muito.
Já abandonei inúmeras frentes frias,
Que não pediram licença para agredir-me.
Reagi e disse:
-Eu também tenho o direito de existir...
Defendo com todas as forças o meu território emocional.
Coloquei o meu barco no mar da vida,
Icei as velas,
E olhei o céu azul da felicidade espiritual...
Pouco a pouco aprendo a eliminar os pontos negativos,
E começo a conhecer o interior do meu espírito.
Ninguém nunca me aplaudiu,
Mas eu aprendi a me aplaudir...
Diariamente...
Assim coloco combustível emocional
E ilumino o farol do meu caminho...

O meu ontem foi um mistério de superação...
O meu hoje continua com profundas perguntas...
O meu futuro ainda não cheguei lá...
Surfo nas marés do agora, investindo no divino...