Regina Diniz
Quero revigorar a alma...
Deixá-la forte e leve...
Procuro as preciosas pérolas
Dos valores de Deus...
Nesta tarde de inverno subo a montanha...
Avisto um pequeno chalé de madeira branco...
Paro, admiro a beleza selvagem,
E ao mesmo tempo poética,
Da praia da Solidão em Florianópolis...
O meu objetivo é aprender com a natureza,
A vibração para surgirem intuições qualitativas.
Valorizei esta sugestão turística,
Que afirma ser aqui um berço de inspiração.
Desejo acalmar a minha mente,
Que se tornou um campo de batalha.
Vim atrás da serenidade de espírito...
O grande centro urbano é muito estressante...
Descobri que o sentimento pelo belo,
É um fator importante de motivação...
Este é o lado divino da natureza humana,
Identificar os mananciais de auto-realização.
A simplicidade é tudo...
Tiro todos os adereços...
Olho para a fonte de inspiração
Meu coração se motiva...
A vista do mar, aqui de cima, é belíssima.
O chalezinho é encantador.
Canteiros de flores silvestres coloridas,
Abrandam a minha visão da vida.
Desejar uma cadeira no céu não é fácil...
É certo que devo voar mais alto...
O chalezinho é tão simples...
O mais sedutor é que nada empurra
Para a prisão materialista...
O ambiente prima pela ética da humildade.
Ressalta a ética da aceitação...
Prioriza a ética da paciência...
Sinto que estou dentro de mim mesma,
Estou conseguindo me ligar
Ao meu ser interno...
Pergunto-me: - Para que eu existo?
Respondo-me: - Para ter intimidade com Deus...
Eu não sou um ponto de poeira perdido no universo.
Eu vejo o divino em cada coisa...
Ajudo os seres humanos com bons pensamentos...
E vibro essências positivas...
Aproximo-me dos impulsos
De um universo consciente...
Encanto-me com o seu ritmo,
Que é harmonia pura...
Vivo na matéria com objetivos divinos,
Graças a Deus não cristalizei na cultura materialista...
A divindade habita na minha consciência...
Devo referenciar todos os seres...
Deus me deu o planeta terra,
Crio um espaço para Deus em minha alma...
Deus está aonde nós o deixarmos entrar...
Em tudo existe um significado divino...
Com Deus a vida se preenche de gratificação...
E tudo dá certo...
Deus criou tudo com tanta beleza,
Em tudo há uma meta estética...
A luz divina está acesa no meu interior...
Maravilhas das maravilhas...
Todos atingiremos as metas da perfeição de ser...
O nosso planeta é tão belo...
É o jardim que Deus nos deu.
Que bom será
Quando a luz divina brilhar em nossos corações,
Seremos amorosos com todos os seres vivos...
Esta minha missão secreta,
Gratifica a minha alma.
Segredos universais bem guardados,
O mistério se ilumina...
A noite chegou depressa...
A lua cheia mostra-se esplendorosa...
Ilumina o mar,
Pintando-o de cor prateada...
O céu está repleto de estrelas...
Participo de toda esta festa cósmica...
Faço parte deste cenário mágico...
Junto da motivação para a vida,
Que é uma alavanca para novos propósitos de ser...
O silêncio absoluto toma conta de tudo,
Amplia a inteligência espiritual.
Este lugar é encantado.
O mar, a montanha, o chalezinho
Mostram a realidade simples
De como o universo é...
Humildemente, purifico a mente e as emoções...
Procuro ligar-me à ponte energética de Deus...
Com esta intenção ganho força,
E me sinto muito feliz...
Não quero ser um barco a deriva,
Sem destino espiritual,
Batendo nas pedras e afundando...
Quero me salvar com Deus junto de mim.
A energia universal me motiva...
Quero ver a luz por mim mesma...
Assumo novos significados divinos...
O universo mostra-me coincidências...
Nunca senti silêncio tão significativo.
Ouço o canto suave das ondas...
A lua brilha em silêncio...
As montanhas são presenças marcantes e silenciosas...
Devo também privilegiar o silêncio interior,
Para despertar o melhor de mim mesma...
Estou surpreendida por ousar me deixar ser...
Liberei a intuição...
Pode surgir alguma verdade de luz...
Impera o som do silêncio em si...
Dou valor ao silêncio interior,
Esta é a solidão construtiva...
Sou responsável pelo nível dos auto-encontros.
Tenho o direito e o dever de me construir,
Pela estrada eterna com Deus...
Devo me alegrar pela qualidade de vida,
Que busco atingir...
Vontades, desejos, sonhos...
Aprendo pelo próprio esforço...
Elaboro o meu aprendizado...
Estudo maneiras de fortalecer a alma...
A natureza me nutre de esperanças...
Noto que a natureza me diz:
-Toque a vida para a frente...
Noto que a natureza me diz:
- Não obstrua o curso da vida...
Noto que ela me diz:
-Aprenda o ritmo da alegria da vida...
Acredito que tudo é energia espiritual...
O ar que agora respiro é vital
Para a minha sobrevivência aqui na terra.
E Deus não me cobra nada...
Tenho certeza de que a qualidade das minhas intenções,
É a exigência maior
Para testemunhar momentos reveladores,
De que o meu espírito é de pura essência infinita...
Acredito na continuidade da vida.
Percebo que tudo está vivo...
E que tudo permanecerá vivo...
Olho para o céu cheio de estrelas...
Acredito que elas se equilibram no cosmos...
Eu sou uma possibilidade infinita...
Minhas intenções são manifestações...
O infinito planeja tudo...
Porque sou parte do universo...
Aceito o mundo como ele é, com barulho e tudo...
Mas batalho para criar um espaço tranqüilo...
A intuição vem de um nível profundo...
Preciso de silêncio e silêncio...
Aqui neste ambiente de total silêncio,
Consegui acalmar o tumulto da minha mente...
Dependo do nível da minha concentração espiritual...
As minhas descobertas acontecem...
As revelações acontecem...
As verdades espirituais acontecem...
Parecem incríveis, mas são efêmeras...
Penso que elas desaparecerão para sempre,
Mas elas não desaparecem jamais...
A fonte da sabedoria intuitiva
Sempre esteve e sempre estará,
No meu imaginário espiritual...
Todas as pérolas das boas ações
Ficarão guardadas no meu cofre evolutivo.
Pensando em Deus e junto com Deus...
Posso receber revelações notáveis sobre a vida...
As revelações surgem sem aviso prévio...
A maior viagem é para dentro de mim mesma...
Então encontrarei a fagulha de Deus...
A vida espiritual é tudo...
Vivo da energia vital...
Olho para a natureza...
Surge a esperança de ser...
Acordo-me com o suave marulhar das ondas.
O sol doura a mata,
Que ostenta com exuberância
A magia estética divina...
Aprecio este fantástico panorama...
A beleza é estonteante...
Aqui na praia da solidão,
A solidão torna-se enriquecedora...
O sol atira generosamente para a terra,
Tintas vermelhas, azuis e amarelas...
Os pássaros comemoram cantando alegremente...
Cheguei ontem à tardinha,
Volto hoje ao meio dia...
Atendi um chamado espiritual,
Que a vida me deu...
Aprendo a fazer-me questionamentos,
Deus acolhe a todos nós...
Sinto que devo espalhar,
A paz e a segurança entre as pessoas...
A fé em Deus realmente dá forças...
Todos somos feixes de energia...
Vivemos em estado de pleno conhecimento...
Um olhar, uma observação, um bom pensamento...
Esta direção nos dirige para a auto-realização espiritual...
O homem, Deus e o universo...
Quem olha para fora sonha...
Quem olha para dentro de si desperta...
Não estamos no universo...
O Universo está em nós...
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
EDUCAÇÃO E JUSTIÇA SOCIAL
REGINA DINIZ
“O progresso econômico moderno é algo muito desigual. Temos de ajudar os países mais pobres do planeta. Eu dou muita importância ao investimento humano em educação e em saúde. Devemos ter sempre em mente um fato simples do nosso tempo: não há povo culto, educado e alfabetizado que seja pobre e não há população iletrada que não seja pobre. Esse é um forte indício da importância da educação. ( John Kenneth Galbraith -livro: A Sociedade Justa). A classe média e os ricos estão muito bem representados no Congresso brasileiro. Os pobres, nas grandes cidades, não tem representatividade, pois não votam. Sobrevivem em sub-moradias e em sub-empregos.
O Brasil tem uma população comprometida com as reformas, com os recursos e, em padrões mundiais, altos níveis de desenvolvimento. Acho que estou certo em dizer que o Brasil partilha do mesmo problema dos E.U.A., um desenvolvimento muito desigual. As favelas do Rio equivalem aos cortiços do Branx. ( John Kenneth Galbraith – livro: A Sociedade Justa).Há uma espécie de guerra contra os pobres. Muitas pessoas, principalmente nas grandes cidades são deixadas fora do sistema. Com todo esse avanço computacional, não se vê falar em nenhum projeto do governo, para encarar a questão do desemprego.
Há três pontos que fazem parte da solução. Em primeiro lugar, é preciso haver uma rede de proteção que livre as pessoas da miséria absoluta. Em segundo lugar, deve existir um bom sistema educacional. Em terceiro lugar, é necessário criar alguns serviços importantes para os pobres, como saúde, bibliotecas, casas populares – o que o sistema privado, o sistema de mercado não fornece. Com estas três soluções, ficaremos muito melhores, do que estamos agora”. ( John Kenneth Galbraith – livro: A sociedade Afluente). A tranqüilidade social, a justiça social, assim como a decência social exigem que os pobres tenham oportunidades decentes, de acordo com as próprias habilidades e aspirações, que seriam diferentes para pessoas diferentes. A nossa economia distribui a renda de um modo radicalmente desigual.
“Nos últimos anos, o sistema financeiro se tornou uma finalidade em si e desvirtuou os investimentos em tecnologia. Tivemos uma concentração do risco e, mesmo tendo avaliações prévias de que haveria um colapso financeiro, não fomos capazes de impedi-lo. Não estamos diante de uma mera crise financeira: uma análise mais profunda revela uma crise do padrão de convivência da sociedade contemporânea”.(Luiz Gonzaga de Mello Belluzo – professor titular da UNICAMP-
Tema: Base Educacional da Sociedade – 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – 26/05/2010 em Brasília.
“A crise estrutural do modelo construído nos últimos 60 anos e radicalizado na década de l980, gerou ao mesmo tempo uma escalada do consumo e da desigualdade.( Luiz Gonzaga de Mello Belluzo – 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação - 26/05/2010 em Brasília). O preço mais alto da sociedade de consumo é o sentimento de insegurança que ela produz. A população é incapaz de agüentar o ritmo do excesso dos gastos. As forças se esgotam, todas na preocupação da sobrevivência... Não é uma proposta adequada ao nosso país.
“Estou assustado com a degradação cultural da sociedade, basta olhar os fóruns da Internet para se ter noção do grau de isolamento e agressividade das pessoas, que se manifestam anonimamente. Isso não está dissociado do meio ambiente,
esse comportamento faz parte de um padrão civilizatório, que precisa ser mudado”( Luiz Gonzaga de Mello Belluzo – 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – 26/05/2010 em Brasília.) Para começar a pensar em inovação e desenvolvimento, será preciso cuidar do aperfeiçoamento cultural dos brasileiros, e da inclusão social e cultural dos jovens da periferia. A inovação precisa começar pela base educacional.
É necessário passar por cima de doutrinas oficiais, para aprender a comprar, não só pacotes de secos e molhados, livros indicados pela cultura padronizada, verdadeiros engessadores do pensamento, mas o pacote maior de uma vizinhança, uma sociedade pensante, um novo estilo de vida. Precisamos de novos projetos que contemplem a qualidade de ensino, atendendo principalmente a necessidade de inclusão social... Devemos criar uma rede de proteção aos adolescentes e jovens pobres.É indispensável bibliotecas, computação, alimentação e abertura de empregos protegidos por Lei.
Corte no Orçamento: Educação perde r$ 1.28 bilhões. O governo definiu ontem os ministérios e órgãos da União que terão uma nova redução de orçamento este ano. O Ministério de Educação foi o mais afetado e terá 1.28 bilhões a menos para investir em 2010. ( Zero-Hora – 1º. De junho de 2010). Com esse novo corte o orçamento da Educação encolheu r$ 2,34 bilhões em relação aos valores aprovados pelo Congresso... A Educação está depauperada há séculos, agora acabaram de liquidá-la... E jogam a culpa nos professores, procurando se esconderem da responsabilidade social do país.
Ninguém entende como é que o Brasil não valoriza a educação do seu povo. Políticos no poder desviam as verbas para outros ministérios e nunca são responsabilizados por este crime social. E o pior de tudo, que sempre são os mesmos que se reelegem. Ninguém admite, que o desespero pela ausência da possibilidade de inclusão social, levou as grandes cidades a um confronto fratricida.
Segundo a antropóloga francesa Noemi Paymal, que esteve recentemente em Porto Alegre, participando do Seminário Internacional “Pare e Pense”, e que se dedica desde 2001 a estudar as crianças do Terceiro Milênio: É voz corrente que as crianças de hoje são mais espertas. Os pequenos são hiperativos, autodidatas, principalmente no que se refere à tecnologia, não aceitam ordens sem justificativas, mas enfrentam dificuldades em se concentrar, distraindo-se facilmente”.( Zero Hora- 06/06/2010 – Caderno Donna – Para Ensinar o Futuro”.
Com a experiência de mais de duas décadas de trabalho em países da América Latina, Noemi concluiu que as escolas nos moldes atuais não estão capacitadas para atender a uma geração com essas habilidades e comportamentos. É admirável a qualidade vanguardista desta antropóloga francesa, que ilumina tendências de ser, que já apareceu entre nós, frutificando debates educacionais.
Ingrid Cañete, psicóloga gaúcha especializada no tema, e que trouxe Noemi, pela 1ª. Vez ao Estado, acrescenta:”São crianças com capacidade para captar informações de diferentes dimensões de consciência, ao mesmo tempo e capacidade de fazer coisas diferentes, ao mesmo tempo, o que não pode ser confundido com distração ou déficit de atenção. ´Temos que valorizar os nossos professores com bons salários e escolas aparelhadas. A responsabilidade com a educação é intransferível para que haja paz e sustentabilidade. Parabenizo a psicóloga Ingrid Cañete pela excelente iniciativa.
Vivemos numa época de total desencanto, e tal modo de pensar inviabiliza o debate, porque a esperança é totalmente frustrada.Cientistas, Economistas, políticos sugerem mudanças mínimas possíveis, que são necessárias para não ficarem parados. O status quo prova ser a mais ilusória das metas. Não podemos fechar os olhos para as alternativas disponíveis. Todos nós temos o direito de debater sobre o tipo de cultura que queremos. Todos nós temos o direito de debater sobre a valorização da educação brasileira.
Todas as crises geram oportunidades de renascimento... Não são os períodos serenos que revelam novas compreensões, mas sim as estrênuas batalhas que nos beneficiam com o conhecimento de que precisamos evoluir. Encararmos nossos desafios como dádivas, compreendermos que sua resolução promete um maior conforto os torna mais agradáveis, talvez até valorizados. Sem os desafios entramos em estagnação e encontramos poucas alegrias na vidas.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A LINGUAGEM DAS FLORES
Regina Diniz
Com olho místico procuro enxergar mais luz,
Mas as vibrações, que sinto são cinzentas e lúgubres,
Parece que a luminosidade esta de luto,
Não consigo viabilizar a essência construtiva do homem...
Quero um mundo transbordante de atmosfera divina...
O meu peito arqueja de ansiedade compulsiva,
Mas ao meu redor toda a natureza está em paz,
O céu, os pássaros, as flores usufruem só o estético,
Só nós sofremos o luto dos males da destruição...
Quero um mundo transbordante dos tesouros do afeto...
Ouço a sublime linguagem dos pássaros que alegra a minha alma...
Eles querem dizer o que é bom para todo mundo,
Precisamos manter a luz da benevolência brilhando,
Só fome e guerras...Quem está contente com o mundo de hoje?
Quero um mundo transbordante de esperança e paz...
As flores com seu perfume sinalizam o ápice da realização...
Silenciosas com sua linguagem extremamente angélica,
Exprimem claramente que o estético é inacessível aos profanos,
E pensamentos negativos, fatos nefastos vibram por todo o planeta...
Quero um mundo transbordante de mediadores de luz espiritual...
Ai... que dificuldade em respeitar o sagrado,
Não é fácil perdoar-se a si mesma...
Sou frágil frente aos choques existenciais evolutivos,
Mas um dia acharei os fios invisíveis de amor e luz...
Quero um mundo transbordante de demonstrações do querer viver...
Quem sabe a superação pela qualidade de atos e intenções...
Necessito secretamente e pacientemente aprender a aprender,
A competência espiritual para compartilhar a via da pureza e do afeto,
Chega de acumular no meu coração ódio, inveja e egoísmo...
Quero um mundo transbordante de solidariedade...
Com olho místico procuro enxergar mais luz,
Mas as vibrações, que sinto são cinzentas e lúgubres,
Parece que a luminosidade esta de luto,
Não consigo viabilizar a essência construtiva do homem...
Quero um mundo transbordante de atmosfera divina...
O meu peito arqueja de ansiedade compulsiva,
Mas ao meu redor toda a natureza está em paz,
O céu, os pássaros, as flores usufruem só o estético,
Só nós sofremos o luto dos males da destruição...
Quero um mundo transbordante dos tesouros do afeto...
Ouço a sublime linguagem dos pássaros que alegra a minha alma...
Eles querem dizer o que é bom para todo mundo,
Precisamos manter a luz da benevolência brilhando,
Só fome e guerras...Quem está contente com o mundo de hoje?
Quero um mundo transbordante de esperança e paz...
As flores com seu perfume sinalizam o ápice da realização...
Silenciosas com sua linguagem extremamente angélica,
Exprimem claramente que o estético é inacessível aos profanos,
E pensamentos negativos, fatos nefastos vibram por todo o planeta...
Quero um mundo transbordante de mediadores de luz espiritual...
Ai... que dificuldade em respeitar o sagrado,
Não é fácil perdoar-se a si mesma...
Sou frágil frente aos choques existenciais evolutivos,
Mas um dia acharei os fios invisíveis de amor e luz...
Quero um mundo transbordante de demonstrações do querer viver...
Quem sabe a superação pela qualidade de atos e intenções...
Necessito secretamente e pacientemente aprender a aprender,
A competência espiritual para compartilhar a via da pureza e do afeto,
Chega de acumular no meu coração ódio, inveja e egoísmo...
Quero um mundo transbordante de solidariedade...
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O SAGRADO DIREITO DE SER
Regina Diniz
“A maior contradição brasileira foi a escravidão. Havia a idéia de um império cristão sob a direção de um imperador cristão de Portugal. Mas como a maioria da população era de escravos e a contribuição em termos de impostos era muito grande, a escravidão continuava e continuava. O Brasil, então, foi o último país a abolir a escravidão. Tal postura conservadora se chocava com a doutrina liberal que, trazida ao Brasil no começo do século, foi absorvida pela Constituição de 1824. Havia, na lei, o ideal de uma democracia parlamentarista, mas com uma economia completamente baseada na escravidão.. Eis aí a maior contradição.”(Thomas Skidmore – Livro: Uma História do Brasil – 366 páginas ). Explorar o ser humano, jogando-o a uma miserabilidade extrema, foi uma prática inadmissível em todos os tempos, ainda mais nos dias de hoje. Sociólogos de países avançados observam estupefatos a condição desumana dos pobres no Brasil, sem o mínimo de incentivo à inclusão social. Ninguém entende tamanha ignorância social...
“A grande contradição no Brasil de hoje, em certo sentido, é a Constituição feita para a elite brasileira. Se a gente soma a classe média à elite, vai falar de 20 milhões de pessoas. Isso deixa de fora 140 milhões de habitantes. É uma divisão muito profunda. É um traço muito feio para o país. Todo mundo promete corrigir o imenso abismo entre as classes, mas ninguém cumpre nada.”( Thomas Skidmore – Livro: Uma História do Brasil – 366 páginas). No planejamento nacional nenhum segmento da população tem direito a opinar. As plataformas de Educação não saem do papel, surgem mil desculpas para não serem implementadas. Assim se passaram 510 anos.
Desde o governo de Juscelino Kubitschek a solução para o Brasil seria a industrialização. Em certo sentido, o país se industrializou, mas a distribuição de renda continuou mal, porque sempre houve negligência nos investimentos em educação e em saúde, coisas que chamamos de “capital humano”. Qual seria o interesse em manter de fora 140 milhões de brasileiros? A favelização dos centros urbanos escancaram perante o mundo, um sistema brutalmente impiedoso, que se realiza sadicamente na exclusão de seus próprios conterrâneos. Milhões de pessoas frustradas caem em profunda depressão...
É um fenômeno social extremamente psicótico o que acontece em nosso país. Desde a época colonial (510 anos atrás) a elite brasileira nunca teve interesse na educação. O sistema educacional é relegado intencionalmente. Por esse motivo, o Brasil exibe desvantagem abismal nos níveis de educação em comparação com outros países.
O modelo de capitalismo que vigora no Brasil dá ênfase ao consumismo, como, por exemplo, a classe média que possui acesso a shoppings centers e televisão a cabo. Mas é tudo restrito aos 20 milhões de pessoas dessa classe. O problema é que esse modelo não funciona para a outra parte (140 milhões de habitantes).
Seria interessante restringir o consumo para aumentar a poupança e o investimento, se acontecesse a inclusão social, que é a chave para o desenvolvimento econômico. Não entendo porque o Brasil importa a maionese. As multinacionais dominam totalmente o mercado dos alimentos, entre outros mercados. Deveríamos gastar em importações essenciais...
Sempre, na história do Brasil, os direitos humanos das classes mais pobres nunca foram respeitados. Nota-se que a capacidade de manipular as massas, com marolas de cordialidade e habilidosa sedução, engessaram as reivindicações da inclusão dos 140 milhões de brasileiros. Com o advento da cultura industrial (máquinas substituindo o trabalho braçal do homem) obrigatoriamente a educação deveria ter sido o ponto alto a ser alcançado. Não é surpresa para ninguém o desespero que tomou conta dos 140 milhões de excluídos, que explodem em violência, e que poderia ter sido evitada há séculos...
Quantas vezes já ouvi: - Não tenho direito a nada... – Não tenho cultura para fazer nada... – Não tenho força para mudar nada... A auto-estima não é cultural. A auto-estima é biológica. Somos obrigados a satisfazer e realizar as nossas necessidades básicas.
Movimentos de civismo como os de Betinho (o sociólogo Herbert de Souza, criador da campanha contra a fome) e as ONGS estão tentando mudar. Mas é preciso milhares de Betinhos e milhares de ONGS. É vital para a sociedade brasileira admitir que o nosso Brasil é de todos os brasileiros.
Cinco séculos de exclusão deixaram profundas marcas em nossa personalidade. “Muitos brasileiros de projeção dizem que o Brasil sofre de uma doença incurável:”fracassomania”. Os estrangeiros afirmam que o maior sintoma é o brasileiro dizer que “o Brasil não dá”. Qualquer coisa que dê errado, dizem logo que é coisa de brasileiro”. (Thomas Skidmore – Uma História do Brasil).
Não é sempre que nos sentimos competentes diante de importantes desafios. Precisamos ter a experiência da competência (auto-eficiência) se quisermos possuir um senso básico de segurança e força interior. É saudável nos sentirmos merecedores de amor, respeito e felicidade. Todos nós precisamos ter a experiência do valor próprio (auto-respeito), se quisermos cuidar adequadamente de nossos interesses legítimos.
É urgente o surgimento de uma nova mentalidade, que resgate 500 anos de total ausência de investimentos em educação para os 140 milhões de brasileiros, no bem maior do ser humano, que é construir-se como pessoa. É inadiável maior número de Universidades Públicas em todos os estados. É preciso valorizar os professores, remunerando-os condignamente. Cada um de nós deve exigir planos de inclusão social nas plataformas de candidatos a cargos eletivos.
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