sábado, 11 de fevereiro de 2017

A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DO CAPITALISMO GLOBALIZADO


REGINA DINIZ

No ano de 1929, em o mal-estar na cultura, Freud adverte: “Os homens de hoje levaram tão longe o domínio das forças da natureza que com a ajuda delas, tornou-se-lhes fácil exterminar uns aos outros, até o último. É isso que explica boa parte de sua atual agitação, de sua infelicidade e de sua angústia”. Elisabeth Roudinesco, ao longo de sua obra, vem nos proporcionando um olhar crítico para a subjetividade contemporânea, e os desafios decorrentes dessa realidade lançados aos pensadores do sofrimento psíquico. Mais pontualmente no livro Por que a Psicanálise?, ela aponta, que ao longo de 20 anos, o culto de si e o cuidado terapêutico se tornaram os grandes modelos de uma organização  da sociedade ocidental que os sociólogos e psicanalistas caracterizaram como narcísica.

Passamos a falar de uma “cultura do narcisismo” ou da necessidade moderna da estima de si, como a injunção ao mesmo tempo negativa e positiva. Mais adiante, pensou-se que, a psicanálise, o homem não seria mais condenado ao inferno de suas paixões e poderia curar-se. Em uma palavra, sonhou-se que a psicanálise cumpriria enfim, pelo conjunto da sociedade, o desejo do Narciso de ser liberado do desejo.

Mas no final dos anos de 1970, ocorre um declínio da psicanálise nos Estados Unidos. Apesar de sua potência institucional, de sua expressão em todos os setores da psiquiatria e da evolução clínica da terceira geração de psicanalistas, a psicanálise foi atacada com a mesma força com que foi adulada em outros tempos. Os participantes do antifreudismo dos anos de 1980 a 2000 utilizaram argumentos empíricos idênticos aos argumentos já utilizados para criticar os pioneiros do freudismo: recusar a cura freudiana alegando ineficácia terapêutica, propondo, em oposição, as terapias biológicas, farmacológicas ou cognitivas fundadas numa concepção experimental do homem e reduzindo o psiquismo a neurônios e à subjetividade aos comportamentos instintivos.

Inscrita no movimento de uma globalização que transforma os homens em objetos, a sociedade então depressiva não queria mais ouvir falar de culpa, sentido íntimo, consciência, desejo e inconsciente. Mas encerrada na lógica narcísica, mais da idéia de subjetividade, interessada pelo indivíduo, portanto, para contabilizar seus  sucessos, e pelo sujeito sofredor para encará-lo como uma vítima – ao passo que se procura incessantemente codificar o déficit, medir a deficiência ou quantificar o trauma, é para nunca mais ter que se interrogar  sobre a origem deles.

Mas, assim como saliente Roudinesco, o homem doente da sociedade depressiva não é responsável por coisa alguma em sua vida, como também já não tem o direito de imaginar que sua morte possa ser um ato decorrente de sua consciência ou de seu inconsciente. Somente a psicanálise foi capaz desde suas origens, de realizar a síntese dos quatro grandes modelos da psiquiatria dinâmica que são necessários a uma apreensão racional da loucura e da doença psíquica.

A psicanálise, portanto, não se alinha à idéia, hoje dominante, de uma redução da organização psíquica e comportamentos. Se o termo “sujeito” tem algum sentido, a subjetividade não é mensurável nem quantificável: ela é a prova, no mesmo tempo visível e invisível, consciente e inconsciente, pela qual se afirma a essência  da experiência humana.

Por que a psicanálise? Presente em várias listas de best-sellers da  França, esse ensaio faz um balanço magistral dos cem anos da psicanálise e uma projeção de seu futuro no novo milênio. Na contra corrente ao fascínio pela neurociência, fustiga uma sociedade em que o homem é levado a tratar suas neuroses a golpes de receitas, atacando as correntes cientificistas quanto as obscurantistas e charlatanescas. Elizabeth não tem papas na língua. Nesse pequeno e certeiro ensaio o ataque é direto, na melhor tradição do intelectual combativo, figura em desaparição na era de consensos.

Definitivamente empenhada em estimular o conflito que a sociedade depressiva quer abolir, Elizabeth Roudinesco não deixa barato: a querela entre cientificismo e psicanálise uma das muitas facetas da eterna luta da civilização contra a barbárie. Elizabeth Roudinesco diz que a grande virada dos tempos é marcada por uma forte crise da democracia e do individualismo. As turbulências globalizadas ameaçam a Europa com desvios totalitários em meio ao descrédito na política tradicional e ao sentimento de perda de representação social.

Há um crescente anseio por mudanças, mas de rumo incerto. Este é o diagnóstico resumido da psicanalista e historiadora Elizabeth Roudinesco ao analisar o homem deste conturbado início de século. A psicanálise não é uma disciplina científica no sentido das ciências da natureza. Também não é uma ciência suscetível  de progresso co-mo a medicina. No domínio do psiquismo, não há progresso da ciência. É a razão pela qual se pode sempre voltar aos textos fundadores. Por outro lodo, surgiram psicotrópicos e remédios, que não são um progresso em si, pois nunca curaram loucura nem neurose. Os loucos passaram do asilo à vida na cidade. Não temos curas, mas rearranjos. Autora: Elisabeth Roudinesco – 2016).

Elizabeth diz que com a química, acreditou-se que havia progresso, que doenças psíquicas seriam erradicadas. Mas elas, são apenas tratadas de modo diferente. É melhor ter remédios do que hospícios? Sim, mas é um progresso social, não científico. Após 40 anos, a ilusão da química está sendo contestada pelos próprios pacientes.

Elizabeth Roudinesco diz que não foi por acaso que abandonou a prática da clínica e se tornou historiadora. Hoje, a cultura psicanalítica, o estudo dos textos, não são mais os psicanalistas que fazem. Eles desertaram para publicar casos clínicos. Os estudos quem faz são filósofos, literatos e historiadores. Este fenômeno é mais evidente nos EUA e na Europa, e menos no Brasil.

Elizabeth Roudinesco afirma que os psicanalistas brasileiros são ecléticos, menos dogmáticos. A ausência no Brasil de um grande pensamento ordenado resultou em algo mais positivo. Há trinta anos, os psicanalistas franceses viajavam ao Brasil como colonizadores.  E sofreram um terrível golpe, porque hoje os brasileiros são melhores que eles.
   

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

APRENDENDO A ARTE DA PLENITUDE






REGINA  DINIZ



Viver a criatividade é saber como ser tudo...

E nada ao mesmo tempo...

E não ter uma imagem de si mesmo...

E não ter uma imagem congelada de si mesmo...



Viver a transcendência é dominar a arte do silêncio...

Viver a transcendência é dominar a arte da plenitude...



Pode-se viver a transcendência meditando...

Pode-se viver a transcendência, olhando o nascer do sol...

Pode-se viver a transcendência vivendo filosofias espiritualizadas...

Pode-se viver a transcendência amando a humanidade...



Pode-se viver a transcendência cumprindo o dever profissional...

Pode-se viver a transcendência servindo a uma causa nobre...



Pode-se viver a transcendência sem esperar nada em troca...

Pode-se viver a transcendência sem esperar a fama...

Pode-se viver a transcendência sem esperar o poder...

Pode-se viver a transcendência sem esperar o dinheiro...



Transcender é o poder que nos faz parecer...

Nada aos olhos dos outros...



Transcender é ser feliz agora...

Sem impor condições...

Podemos transformar a dor em vitória...

Podemos transformar a dor em crescimento espiritual...



Fazer da transitoriedade da vida um incentivo...

Para realizar ações responsáveis e significativas...



Uma boa receita para superar as dificuldades da vida...

É transcender psicologicamente o mundo material...

Encontrando a paz...

É viver para algo que amamos incondicionalmente...

Devemos concentrar-nos no que queremos fazer...

Devemos decidir, escolher a meta e missão pessoais...