sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A INCLUSÃO DA CIDADANIA PLENA

REGINA  DINIZ


“A possível extinção da liberdade no mundo moderno preocupa Henry Steele Commager, um historiador cuja visão equilibrada e mente observadora são incontestáveis. Em “A Liberdade Está Morrendo?, ele cita evidências políticas e sociais para demonstrar que estamos de fato  perdendo a nossa liberdade. Já “a liberdade perdeu sua posição exaltada na filosofia e política”. Citando a antiga advertência, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”, ele comenta pesaroso, que há pouca vigilância no momento. Commager acredita que a causa principal dessa morte da liberdade é o extenso crescimento do materialismo e hedonismo no mundo.” (Autor: Henry Steele  - Livro: Is Freedom Dying ?”.).

Com é importante redescobrir o verdadeiro significado da liberdade. Não pode haver liberdade que não comece com a liberdade para comer e o direito ao trabalho. Na luta pela democracia a segurança econômica só recentemente foi reconhecida como uma condição política da liberdade pessoal. Existe um medo reprimido na população, pela inflação descontrolada e o desemprego, ansiedade pela deterioração dos valores antigos, com a erosão das religiões, pela desintegração da estrutura familiar, preocupação com a crise do petróleo, com a violência urbana e assim por diante.

A liberdade é uma necessidade para o progresso e uma necessidade para a sobrevivência. Se perdermos a liberdade interior perdemos também a direção e a autonomia, as grandes qualidades que distinguem os seres humanos dos ro- bôs. O pensador Jerome Bruner expressa: - O caminho construtivo é olhar para dentro de nós mesmos, a fim de redescobrir a verdade renascida, a qualidade de fênix da liberdade agora tão necessária, integrando-a de novo em nosso ser. Vivemos atualmente em um mundo vazio de ideais coletivistas e humanitários, onde a maioria dos indivíduos não é capaz de refletirem sobre os seus próprios papéis no mundo.   

“Cornelius Castoriadis afirmou numa de suas últimas entrevistas que o problema de nossa civilização é que ela parou de se questionar. Podemos dizer, com efeito, que a proclamação da morte das grandes narrativas ou, para Richard Rorty o recuo dos “movimentos políticos, da política que estudava cada passo em termos de encurtamento da distância que nos separa de um estado de coisas ideal, em troca da solução de problemas imediatos, que é o princípio das “campanhas políticas do tipo uma – questão por vez” anuncia o descompromisso das classes cultas, a grande recusa da vocação intelectual moderna”. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: Em Busca da Política – Ed. Zahar ).”

É verdade que a contemporaneidade parou de se renovar. A visão de mundo proposta atualmente pela elite culta é sem a valorização da dimensão histórica, são tempos encolhidos, travados, ou um tempo giratório que não evolui, tempo de só repetições, e quanto mais quer mudar mais fica no mesmo lugar. É uma mensagem que nega a história. As classes mandatárias estagnaram para sepultarem o questionamento social que anteriormente foi a sua marca registrada.

Para colocar de maneira mais precisa, ainda achamos que a crise é o momento decisivo  para melhor ou pior , mas não como o momento em que decisões sensatas podem ser tomadas com autoconfiança  para garantir uma virada para melhor. Temos um longo caminho a percorrer antes de pensarmos em alcançar uma sociedade na qual “os indivíduos” reconheçam sua autonomia junto com os laços de solidariedade que os unem, Como os fatos se apresentam no momento com o Estado recusando sua responsabilidade pela segurança de todos e cada um, às leis dos mais fortes triunfam sobre os fracos”; a versão real e efetiva de democracia liberal parece gerar uma “sociedade de duas marchas, uma nação em duas camadas”. Entretanto surgem movimentos  não somente nos fóruns mundiais, mas sobretudo nas redes de defesa em frentes de produção alimentar, e não de armas, na defesa do ambiente, na luta pela paz, contra a exploração do trabalho infantil etc...

“No começo de seu livro - Depois de Auschwitz,- a senhora descreve a Viena no início do século 20 como uma cidade rica, criativa e cheia de vida. Nesse mesmo cenário, aconteceu a guerra. Como vê o mundo atualmente? Há conflitos em regiões específicas, mas, em sua opinião, é possível voltar a acontecer algo assim em escala global? – Espero que não. E não acho que uma coisa assim volte a acontecer. Mas você sabe... Vocês estão vivendo essa tensão no Brasil, tem também no Egito, na Síria, na Grécia... Em muitos países, há pessoas protestando por diversas situações, e elas não estão gostando do que está acontecendo. Acho que os políticos precisam perceber que é necessário mudar o modo como o mundo está sendo gerido. Precisa haver mais igualdade. A diferença entre ricos e os pobres está ficando cada vez maior, e acho que pode chegar uma hora em que as pessoas não vão mais aceitar isso. Ninguém quer um holocausto ou uma guerra, por isso, espero que percebam que o extrato básico do mundo precisa mudar. E acho que estamos fazendo progresso. No epílogo do livro, digo que me parece que ainda há algo de cruel, terrível e  desumano no mundo, mas este é também um tempo em que as pessoas aceitam melhor umas às outras. Espero que em dez ou 20 anos, a discriminação racial seja considerada fora de moda. Este é meu desejo para o futuro.” ( Autora: Eva Schloss  - entrevista realizada por Augusto Paim – Revista da Cultura – setembro de 2013).

Eva Schloss propõe uma reflexão profunda em seu livro “Depois de Auschwitz” comunicando para toda a humanidade sobre a importância da bondade, do amor e da compaixão para a própria estrutura da sociedade. Pede ao mundo que reconheça o cultivo de atitudes harmoniosas, e também que consideremos a fragilidade da conjuntura mundial atual e que trabalhemos, em nível individual no sentido de reformular as atitudes para alcançarmos uma sociedade solidária. Seu apelo dirigi-se ao coração através da mente, usando a razão e a sensibilidade para restringir o egoísmo e gerar o altruísmo.

A sociedade humana começa com as pessoas e, especificamente, com a nossa capacidade de reconhecer no próximo os anseios comuns a todos, pela felicidade. É necessário desenvolver o discernimento mental necessário a todas situações da vida, com transcender as aparências e atingir a natureza profunda das pessoas e das coisas, encurtando a distância entre a aparência e a realidade. O desejo de colaborar com o mundo é algo amplamente compartilhado pelos jovens nos dias atuais. Eva Schloss diz em suas palestras: “Cresci no que estava longe de ser um mundo maravilhoso, mas ainda encontrei uma vida cheia de alegria e amor”.  

“Entre os desgraçados destinados aos trabalhos penosos, produtores do prazer de outrem e recebendo somente de que sustentar seu corpo sofrido e cheio de necessidades, nessa multidão imensa de instrumentos bípedes, sem liberdade, sem moralidade, que não possui senão mãos que ganham pouco e uma alma absorvida, é isto o que chamam de homens? Haverá dentre deles um único que seja capaz de ser admitido em sociedade. A miséria e a subversão da inteligência, a pobreza e o aviltamento da alma, o enfraquecimento e a decomposição da vontade e da energia, o torpor da consciência e da personalidade, o elemento moral em uma palavra, sensivelmente e mesmo com freqüência mortalmente atingido. Eis o caráter essencial, fundamental e absolutamente novo do pauperismo”. (Autor: E.J. Siejes – Livro: Écrits Politiques, op. Cit, p. 81)”.

Qual seria a razão para justificar o padrão ético contemporâneo que nos leva a aceitar a pobreza fabricada por nossa sociedade, apesar de ela causar matanças mais constantes e metódicas que as facções e milícias? Haveria uma única justificativa moral ou ética para essa contradição central entre igualdade proclamada na concessão de direitos e a crescente desigualdade no acesso aos recursos vitais?Tratar esta questão é de importância crucial para a preservação de nossa humanidade.


Em 2013, segundo o estudo, que tem como base dados oficiais captados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pobreza no País entre 2002 e 2012 decaiu mais especificadamente, 57,4%, o que significa, em números palpáveis, 22,5 milhões de brasileiros deixando a condição de pobreza. O relatório conclui: a redução da pobreza no Brasil continuou a se manifestar no tempo recente, não obstante os efeitos econômicos negativos decorrentes da crise internacional desde 2008. Ao contrário de grande parte das regiões do mundo, o Brasil segue sendo uma referência internacional no combate a pobreza e a desigualdade de renda. Após muito tempo em que o conjunto dos pobres se mantinha na condição de intocável pela dinâmica do mercado e ação das políticas sociais, o país demonstrou no último decênio caminho próprio de inclusão social. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A POSSIBILIDADE INFINITA

                                               
                         REGINA DINIZ

Desejo a paz interior...
Visualizo lasquinhas de perfeição...

Eu sou...
Uma possibilidade infinita...
O infinito planeja tudo...
O que for será...

Privilegio a qualidade ética na apreciação...
Libero a energia tranquila...

A gratificação emocional acontece...
Não tem data marcada...
Ela chega devagar...
Veio pelo caminho da vida...

Invisto na criatividade...
A alegria se expande...

O universo é calmo, silencioso e iluminado...
A natureza é cheia de vida...
A cada segundo tudo se renova...
Minhas emoções também evoluem...

Espero com tranqüilidade as percepções de luz...
A atenção afetiva é tudo...

Eu me encanto com a natureza...
Eu vejo a água, o sol e o verde...
Meus pensamentos fluem...
Minha consciência está alerta...

São momentos naturais da vida...
Quero apenas existir...

Eu sou os meus bons pensamentos...
É assim que visualizo a qualidade de ser...
Faço parte do todo...
Sigo em frente...

Sou os meus sonhos, renovo-os...
Procuro esclarecer os objetivos da minha existência...

Fico unida à vida...
Vibro o momento presente...
Espero sempre algo novo...
Vibro sempre o agora...

Há muita beleza nas distrações...

Impulsos e mais impulsos fluem...