domingo, 28 de julho de 2019

O DESAFIO E O QUESTIONAMENTO DA REALIDADE



LUCIA REGINA DINIZ TRINDADE

         José Eduardo Agualuza - 1960 - escritor angolano é um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance Teoria Geral do Esquecimento. Também publicou Nação Crioula, vencedor do Grande Prêmio de Literatura RTP, Fronteiras Perdidas, Barroco Tropical, e o vendedor de passados, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal The Independente. Seu romance mais recente é A Sociedade dos Sonhadores involuntários, lançado em 1917 e que é uma fábula, satírica e divertida, que desafia e questiona a natureza da realidade da natureza da realidade.

         O entrar com a literatura do escritor angolano, José Eduardo Agualuza, o público brasileiro poderá ter acesso a outra visão literária da contemporaneidade. Poderá experienciar não mais a visão eurocentrada, mas uma cosmovisão pós-colonial profunda e esteticamente bem elaborada. Pode-se dizer que as idéias submersas nos romances de Agualuza são, em sua grande maioria, aquelas que procuram desestabilizar as identidades africanas fixadas pelo Ocidente, idéias que no mínimo frustram o pensamento colonial.

          Agualuza pertence a uma geração, que sofreu com as guerras pela independência e depois com as guerras civis, que se sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças entre a memória e a identidade estabelece uma tensão interpretativa em sua obra. José Eduardo Agualuza tornou-se um dos mais importantes escritores das literaturas luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses sua formação acadêmica em Portugal. O primeiro livro publicado veio com A Conjura (1988], agraciado com o Prêmio Revelação Sonamgol.

Agualuza pertente a uma geração, que sofreu com as guerras pela independência e depois com as guerras civis que se sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças entre a memória e a identidade estabelece uma tensão interpretativa em sua obra. JOSÉ EDUARDO AGUALUZA tornou-se um dos mais importantes escritores das literaturas luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses, teve sua formação acadêmica em Portugal. O primeiro livro veio com a CONJURA 1988, agraciado com o Premio Revelação Sonangol.

A partir de então, AGUALUZA constrói uma carreira literária consistente entre romances, contos e peças teatrais. Em l916, o livro Teoria Geral do Esquecimento torna-se um dos finalistas do Prêmio Man Booker Internacional. Seria uma tarefa difícil apontar em qual ou em quais livros AGUALUZA representa melhor as questões identitárias. No entanto a obra ‘’O Vendedor de Passados – 2004 – evidencia a discussão oriunda do processo doloroso de descolonização sem, com isso, perder de vista o senso crítico. O personagem Félix Ventura, um homem albino, vende passados falsos, isto é, Félix inventa um passado glorioso, com ancestrais importantes para burgueses angolanos.

Por outro lado, é interessante notar que, no fim das contas, a obra nos revela que o passado não pode ser vendido, porque a memória evocada pela literatura é sempre restauradora. A literatura atualiza as raízes sem fechá-las em si mesmas. Para AGUALUZA, a memória é uma espécie de ruído adormecido. Podemos pensar que o conjunto de sua obra se propõe a debater a construção identitária de um país. Nesse sentido, AGUALUZA convida o leitor a penetrar numa outra dimensão humana, capaz de dialogar com a globalização e seus efeitos. Sua literatura promove a diluição das fronteiras entre o eu e o outro e, dessa forma, provoca importantes reflexões sobre o sujeito contemporâneo. Autor Jeferson Tenório – escritor e doutorando em Teoria Literária pela PUCRS.

“A vida no céu” que será lançado na livraria “Ser Devagar” é um livro que AGUALUZA gostava de ter lido quando tinha 16 anos, a idade de seu filho mais velho, que vive em ANGOLA, onde, atualmente, o regime tem ‘’medo de uma dúzia de jovens’’ que, volta e meia, se manifestam nas ruas. Sendo verdade que, hoje, os jovens de 16 anos em Portugal ou Angola, partilham referências culturais, o escritor distingue o acesso do filho a internet, a cultura, ao mundo realçando que nem todos os angolanos tem essas facilidades.

O regime de JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS mantêm a cegueira em relação aos mais desfavorecidos e ignora totalmente a miséria da população vivendo uma espécie de endo-colônia.