LUCIA
REGINA DINIZ TRINDADE
José
Eduardo Agualuza - 1960 - escritor angolano é um dos mais importantes escritores
em língua portuguesa da atualidade. Sua obra foi traduzida para mais de 25
idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance
Teoria Geral do Esquecimento. Também publicou Nação Crioula, vencedor do Grande
Prêmio de Literatura RTP, Fronteiras Perdidas, Barroco Tropical, e o vendedor
de passados, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal
The Independente. Seu romance mais recente é A Sociedade dos Sonhadores
involuntários, lançado em 1917 e que é uma fábula, satírica e divertida, que
desafia e questiona a natureza da realidade da natureza da realidade.
O
entrar com a literatura do escritor angolano, José Eduardo Agualuza, o público
brasileiro poderá ter acesso a outra visão literária da contemporaneidade.
Poderá experienciar não mais a visão eurocentrada, mas uma cosmovisão pós-colonial
profunda e esteticamente bem elaborada. Pode-se dizer que as idéias submersas
nos romances de Agualuza são, em sua grande maioria, aquelas que procuram
desestabilizar as identidades africanas fixadas pelo Ocidente, idéias que no
mínimo frustram o pensamento colonial.
Agualuza pertence a uma geração, que sofreu
com as guerras pela independência e depois com as guerras civis, que se
sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças entre a memória e a
identidade estabelece uma tensão interpretativa em sua obra. José Eduardo
Agualuza tornou-se um dos mais importantes escritores das literaturas
luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses sua formação acadêmica
em Portugal. O primeiro livro publicado veio com A Conjura (1988], agraciado
com o Prêmio Revelação Sonamgol.
Agualuza
pertente a uma geração, que sofreu com as guerras pela independência e depois
com as guerras civis que se sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças
entre a memória e a identidade estabelece uma tensão interpretativa em sua
obra. JOSÉ EDUARDO AGUALUZA tornou-se um dos mais importantes escritores das
literaturas luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses, teve sua
formação acadêmica em Portugal. O primeiro livro veio com a CONJURA 1988, agraciado
com o Premio Revelação Sonangol.
A partir de
então, AGUALUZA constrói uma carreira literária consistente entre romances,
contos e peças teatrais. Em l916, o livro Teoria Geral do Esquecimento torna-se
um dos finalistas do Prêmio Man Booker Internacional. Seria uma tarefa difícil
apontar em qual ou em quais livros AGUALUZA representa melhor as questões
identitárias. No entanto a obra ‘’O Vendedor de Passados – 2004 – evidencia a
discussão oriunda do processo doloroso de descolonização sem, com isso, perder
de vista o senso crítico. O personagem Félix Ventura, um homem albino, vende
passados falsos, isto é, Félix inventa um passado glorioso, com ancestrais
importantes para burgueses angolanos.
Por outro
lado, é interessante notar que, no fim das contas, a obra nos revela que o
passado não pode ser vendido, porque a memória evocada pela literatura é sempre
restauradora. A literatura atualiza as raízes sem fechá-las em si mesmas. Para
AGUALUZA, a memória é uma espécie de ruído adormecido. Podemos pensar que o
conjunto de sua obra se propõe a debater a construção identitária de um país.
Nesse sentido, AGUALUZA convida o leitor a penetrar numa outra dimensão humana,
capaz de dialogar com a globalização e seus efeitos. Sua literatura promove a
diluição das fronteiras entre o eu e o outro e, dessa forma, provoca
importantes reflexões sobre o sujeito contemporâneo. Autor Jeferson Tenório –
escritor e doutorando em Teoria Literária pela PUCRS.
“A vida no céu”
que será lançado na livraria “Ser Devagar” é um livro que AGUALUZA gostava de
ter lido quando tinha 16 anos, a idade de seu filho mais velho, que vive em
ANGOLA, onde, atualmente, o regime tem ‘’medo de uma dúzia de jovens’’ que,
volta e meia, se manifestam nas ruas. Sendo verdade que, hoje, os jovens de 16
anos em Portugal ou Angola, partilham referências culturais, o escritor
distingue o acesso do filho a internet, a cultura, ao mundo realçando que nem
todos os angolanos tem essas facilidades.
O regime
de JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS mantêm a cegueira em relação aos mais desfavorecidos
e ignora totalmente a miséria da população vivendo uma espécie de endo-colônia.
