quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A FELICIDADE REAL

REGINA DINIZ

Na minha pequena cabana na floresta...

As estrelas aparecem num resplendor de luz...
As árvores em silêncio contemplam o firmamento brilhante...
Os pássaros, em tom delicado, fazem serenatas...
Homenageiam Deus em vibração serenamente bela...

Ouço o silêncio da minha alma...

Sugerindo mudanças para um nível elevado de consciência...
Significando seguir a luz das atitudes saudáveis...
Aconselhando seguir a luz das memórias puras...
Sou presenteada por pacotes de energias de luz...

Imagino a paz em todo o mundo...

Penso em Deus, idealizando pensamentos elevados...
Fluo intenções espirituais para alcançar conexões boas...
Desejo experiências gratificantes...
Aprecio emoções em nível místico...

Abro os olhos para as maravilhas espirituais...

Acredito em Deus. Todos acreditamos em Deus...
A crença em Deus cria uma realidade rica de ser...
Nosso verdadeiro destino é sempre estar com Deus...
A crença em Deus torna realidade a nossa fé...

Vejo a luz nos bons sentimentos...

A alma nunca abandona a perfeição na jornada...
O campo da consciência é a nossa morada...
A consciência guarda os segredos da evolução...
A consciência é o maior potencial de vida...

Acredito na existência cósmica que sustenta a vida...

Desperto para um novo nível de realidade...
Abro os olhos para o pôr do sol radiante...
A existência de uma inteligência cósmica,
Permite que as minhas emoções percebam mais luz.

 Aproximar-se de Deus traz felicidade real...

sábado, 18 de agosto de 2012

O AUTO-INTERESSE E A PREOCUPAÇÃO COM OS OUTROS

 REGINA DINIZ

“Nas multidões das cidades, os seres humanos tornaram-se aparências um ao outro pela simples razão de que essa é a única coisa, que uma pessoa pode  observar no espaço urbano de grande quantidade de estranhos. Os outros convertem-se em aparências para os olhos das pessoas,  e a própria pessoa uma aparência para os daquelas que a pessoa não pode escapar de perceber. Assim, a aparência torna-se o objeto da forma de avaliação que pode ser realizada pelo olhar, ou seja, uma avaliação estética, segundo critérios tais como belo ou fastidioso, maçante ou fascinante”.(Henning Bech, “Living together in the (post) modern world) (conferência feita na sessão sobre “Changing famaly structures  and new forms of living togetgher” na conferência Européia de Sociologia, Viena, 26 – 28 de agosto de 1992. – citado do texto fotocopiado).

Sempre foi assim, por milênios e milênios, agarrados a materialidade, ao egoísmo, a competição, ao consumo exacerbado que continuam ditando as regras de vida, mas nosso pauperismo  emocional  necessita ser restabelecido, sanado e curado. Viramos estátuas estagnadas de onipotência, estamos em estado de profunda neurose, achando que vamos encontrar a felicidade nas satisfações materiais apenas... A avaliação essencialmente estética, a competição desenfreada pelo culto a aparência  nos escravizam, deixando-nos frustrados e neuróticos.

A maior dádiva que recebemos de Deus são as motivações para conquistarmos a vida plena, que é a abertura sensível ao autoconhecimento. Acreditar na confiança da própria capacidade para desvendar novas relações e vivências criativas, que obrigatoriamente exigem uma cultura interior não conformista. Em qualquer tempo e em qualquer lugar, deveríamos viver de maneira saudavelmente responsável, que nos impulsionariam para descobrirmos novos caminhos de relação e realização equilibrada em nosso meio cultural.

  ”Os filósofos da ética fizeram o possível para estabelecer uma ponte entre as duas margens do rio da vida: o auto-interesse e a preocupação com os outros. Tentaram demonstrar que a obediência aos mandamentos morais é do próprio interesse de quem obedece; que os custos de ser moral serão recompensados com lucros; que outros lhes pagarão a gentileza com a mesma moeda; que cuidar de outras pessoas e ser bom para elas é, em suma, uma parte valiosa, talvez até indispensável, dos cuidados da pessoa consigo mesma. Alguns argumentos eram mais engenhosos que outros, alguns sustentados com maior autoridade, e portanto mais persuasivos, mas todos giravam em torno do pressuposto aparentemente empírico, embora não testado empiricamente, de que “se você for bom com os outros, os outros serão bons com você”. (Zygmunt Bauman – A Arte da Vida – Ed. Jorge Zahar – Rio de Janeiro – 2009)..

A Ética possibilita a compreensão das mudanças e transformações interiores, para que saibamos mais sobre nós mesmos, para que aprendamos a lidar com nossos dons, que pedem para serem vivenciados. A natureza profunda do ser humano é construtiva e digna de confiança. Todos nós somos conscientes da nossa necessidade mais profunda, que é de se associar e de se comunicar com os outros. Não resta a menor dúvida de que todos nós teremos derrotas existenciais imensas, quando deixarmos de defender a nossa vida e a dos outros.

Não adianta segurança e conforto, presenciando o sofrimento das pessoas. É preciso mudar o rumo humanístico dos nossos tempos. Diante dos grandes desafios colocados pela comunidade: - as violações de Direitos Humanos, as barbáries das guerras étnicas, a indiferença social produzida pela globalização e pelo neoliberalismo, nos levam a debater e dar vida a fraternidade.

“Modernamente precisaria ser uma sociedade com justiça social e com boa distribuição de renda. Eu diria igualdade de oportunidades para as pessoas, sem levar em conta raça, sexo ou origem étnica. Eu quero ver todos tendo oportunidades de acordo com as próprias habilidades e aspirações, que seriam diferentes para pessoas diferentes. As pessoas teriam motivações diferentes para ganhar dinheiro. Algumas fariam muito mais do que outras. Não defendo a possibilidade de igualdade de renda. Quero que se reconheça que a nossa economia distribui a renda de um modo muito desigual nos EUA e no Brasil”.(John Kenneth Galbraith – A Sociedade Justa – em entrevista concedida a Paulo Francis e exibida em 20/10/1996 – “Grandes Entrevistas do Milênio” – O olhar de grandes pensadores sobre o Mundo Atual e Suas Perspectivas).

É urgente pensar na solidariedade, responsabilidade social, gestão honesta dos recursos públicos, respeito à diversidade, alteridade, multiculturalidade e  meio ambiente como ícones de união entre os seres humanos. Não há povo alfabetizado, educado e culto que seja pobre, e não há populações analfabetas e incultas, que não sejam miseravelmente pobres. É muito importante criar serviços para os pobres como saúde, bibliotecas, casas populares.

O caminho é a rediscussão permanente da inclusão social, porque só teremos paz, resolvendo a violência urbana, quando aceitarmos os valores que nos tornam todos membros da comunidade de seres humanos. A empatia social construtiva que propõem o desenvolvimento autenticamente humano em nosso país, sem massacrar na incerteza do futuro, gerações e gerações dos segmentos mais fracos, e sem criar novas pobrezas. Os Direitos Humanos inalienáveis, os Direitos da Cidadania abrem uma grande janela iluminada  de esperança a todos que lutam pela dignidade de ser pessoa humana.

“Uma vez que o critério da pureza é a aptidão de participar do jogo consumista, os deixados fora como um “problema”, como a “sujeira” que precisa ser removida” , são consumidores falhos – pessoas incapazes de responder aos atrativos do mercado consumidor porque lhes faltam os recursos requeridos, pessoas incapazes de ser “indivíduos livres” conforme o sendo de “liberdade”  definido em função do poder de escolha do consumidor. São eles os novos “impuros”, que não se ajustam ao novo esquema de pureza. Encarados a partir da nova perspectiva do mercado consumidor, eles são redundantes – verdadeiramente “objetos fora do lugar”. “Zigmunt Bauman – O Mal-Estar da Pós-Modernidade – Ed. Zahar – Rio de Janeiro – 1998).

A modernidade desde o início produziu “gente supérflua”. A indústria moderna que representa o chamado “progresso econômico” sempre produziu “consumidores falhos”, que sempre foram excluídos. Este acontecimento histórico não é novo. A população supérflua da Europa que se modernizava, no século XIX era descarregada em terras desertas: América do Norte, sul da África, Austrália, Nova Zelândia, que dispunham de territórios inabitados, pois as pessoas que ali viviam eram consideradas fracas e selvagens. O moderno estilo de vida venceu: livre mercado, economia e consumo livres e McDonald’s para todos.

Com o passar do tempo, a História demonstra com clareza esta segregação, esse sadismo social. Assumir a formação de cidadãos comprometidos com as virtudes éticas e morais capazes de constituir a autêntica humanidade e assim reconstituir a consideração do outro, resgatando o respeito pela vida e seus inerentes e intrínsecos atributos e valores. “O maior objetivo de sobrevivência pessoal e social é a de devolver a confiança às cidades e aos subúrbios, estudando-se a fundo sua realidade e potencialidades (...) criar uma verdadeira democracia urbana, pesquisar novas maneiras de os cidadãos tornarem-se cidadãos de fato, de responsabilizarem-se por sua cidade, por seu subúrbio, de criarem novos projetos para si”. ( Jean  Sic François – Livro: Dinâmica de Mediação pagina.171 – 2001).  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MISTÉRIOS FASCINANTES


Milagres acontecem todos os dias...

Sempre me pergunto: - quem sou eu?...
Rodeada de lampejos infinitos de vida...
A natureza tão generosamente alegre...
Gostaria de compreender esse manancial da criação...

A luz cintilante da bondade divina é visível.

Procuro interpretar os mistérios fascinantes da vida...
Privilegio pensamentos profundos e bons...
É meu dever corresponder a tanta beleza...
Tudo vibra potencialidade pura...

A centelha da luz divina aumenta a autoconfiança...

Lembrar-me da minha alma com qualidade,
Ajuda-me a investir em motivação saudável.
Noto o impressionante poder subjetivo da alma.
Nesta jornada o que fascina é a realização eterna...

A iluminação divina traz a força e a felicidade...

Luto por bons sentimentos de solidariedade e paz...
Fico mais generosa com a própria alma...
Esforço-me para descobrir as dádivas da evolução...
Imagino a energia vital nos bons hábitos...

A iluminação divina ensina o propósito da existência...

A alma sustenta a essência de quem sou...
A minha alma pessoal é o meu eu,
Que é a emanação da alma eterna...
Viver ao nível da alma é reconhecer a perfeição de Deus...

A iluminação divina propõe, o bem, e a alegria de existir...

Quando fecho os olhos bons pensamentos aparecem...
Estimulo o viver com a energia da simplicidade...
Estimulo o pensar com elevação espiritual...
Através da fraternidade me aproximo de Deus...

A iluminação divina está presente nas boas intenções... 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

OS BENEFÍCIOS DE UNS PARA OS OUTROS

                           
 REGINA DINIZ


“Moisés desceu as montanhas. Debaixo do braço trazia as leis gravadas em granito que lhes foram ditadas “por Deus”. Moisés era apenas um mensageiro, o povo - populus – era o destinatário... Aqui nasceu a ”justiça piramidal”. Agora o outro quadro: mulheres reunidas na fonte, em volta do poço ou em algum lugar de reunião ao longo do rio... Buscar água, lavar as roupas, trocar informações e opiniões. O ponto de partida para a conversa serão sempre atos e situações concretas. São descritos, comparados e avaliados, belos ou feios, fortes ou fracos. É por esse processo que são criadas as normas. É um caso clássico de “justiça igualitária”. (Nils Christie, - Civilityy and State – manuscrito inédito) – Citação de Zygmunt Bauman – livro: Globalização – as Conseqüências Humanas – Editora Zahar – 1998 ).

Desde quando Moisés desceu as montanhas com as leis gravadas em granito,  implantou a justiça piramidal, que foi decretada por milênios e milênios e nunca foi sequer questionada ou avaliada... A justiça piramidal encontra-se mais forte do que nunca, mais atual do que nunca. O erro social de nossa civilização é a dominação social psicótica de grupos, que por motivos de insegurança e desequilíbrio emocional, que por motivos de sadismo incurável desejam serem melhores que todos...

É inexplicável que a justiça horizontal não tivesse sido discutida socialmente  até os dias de hoje. Fomos isolados uns dos outros. Há urgência de lugares acolhedores para bate-papos com a finalidade de rever padrões sociais ultrapassados, para renovar padrões culturais. É preciso conversar, pensar, ouvir, analisar, renovar algumas possibilidades de crescimento pessoal, discutir alguma coisa além de adorar objetos em exposição.

“Edward Wilson da Universidade de Harvard, considerado o criador da sociobiologia e um dos mais respeitados acadêmicos da atualidade afirma, que o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até países que agem pensando em benefícios dos outros e de forma coletiva alcançam mais sucesso”. (Edward Wilson – livro: A Conquista Social da Terra – W.W.Norton & Company – 2012 ).

Charles Darwin desenvolveu a teoria da seleção natural na metade do século XIX, dizia ter encontrado a solução da evolução da vida no planeta. A competição constante embora silenciosa entre os indivíduos preservava as melhores linhagens, afirmava o naturalista britânico. O filósofo Herbert Spencer, no início do século XX, afirmou que sobreviveriam só os mais fortes.

O comportamento altruísta é a chave da teoria de Edward Wilson em seu livro, que arrebatou importantes publicações internacionais, como “The New York Times”, e também as prestigiadas revistas científicas como “Nature” e “Scientific American”. A Conquista Social da Terra surgiu para debater e repensar a importância da cooperação entre os indivíduos”. “Nos seres humanos existem três aspectos importantes para explicar a evolução: o corpo físico, os pensamentos e a psique. Darwin foca o seu trabalho na evolução do corpo, por isso a explicação fica incompleta, afirma Robert Cloninger”.

“Universitários de cinco continentes estão mais preocupados com seu progresso pessoal do que em contribuir com a vida em sociedade, apontam os resultados iniciais de pesquisas sobre o perfil de estudantes de instituições de Ensino Superior Católicas divulgadas ontem (27-07-2012), durante encontro da Federação Internacional de Universidades Católicas (FINC). Foram entrevistados 17 mil jovens com idades entre 16 e 30 anos de 34 países. Dentre as principais razões apontadas pelos pesquisados para ingressar na universidade, 91% escolheram a necessidade de conquistar trabalho. Os outros itens mais citados foram: - gosto pelo estudo (43%) e vontade de obter uma melhor posição social (25%). Apenas 18 % citaram a necessidade de ser útil à sociedade. Envolver-se em projeto social (5%)”.(Artigo: Foco Universitário – Preocupação Maior é com o próprio sucesso – Zero Hora – Porto Alegre – RS).

As transformações sociais pelas quais passamos nas últimas décadas desencadearam profundas mudanças  nas relações pessoais, nas relações sociais e nas relações de trabalho. O conceito de competência humana evoluiu muito, e atualmente não basta provar o conhecimento técnico exigido pela profissão, é preciso mostrar autonomia criativa para solucionar problemas. É importante a disposição de interagir construtivamente no grupo, oferecendo ótimas decisões e dividindo responsabilidades com as outras pessoas.

É imprescindível a qualificação humanizada no conjunto das capacidades técnicas que se entrelaçam na capacidade de organizar, coordenar, inovar, motivar e cooperar,  fortalecendo o grupo de indivíduos. Essas competências humanas tornaram-se indispensáveis para as pessoas alcançarem êxito não só no trabalho, mas na vida pessoal, social e cultural. Acreditamos que as palavras mais apropriadas seriam as de que são processos positivos, construtivos, realistas e dignos de confiabilidade, portanto muito bem vindos.

“Com a sua abertura sensível ao mundo, a confiança na sua própria capacidade para formar novas relações com o seu ambiente, devia ser o tipo de pessoa de quem provêm as produções e vivências criativas. Não devia estar necessariamente “adaptada” à sua cultura com toda a certeza, não devia ser um conformista. Mas, em qualquer época e em qualquer cultura, viveria de uma maneira construtiva, numa grande harmonia com o seu meio cultural para conseguir uma satisfação equilibrada das suas necessidades. Em determinadas situações culturais, poderia em alguns aspectos ser uma pessoa muito infeliz, mas continuaria a progredir  para ser ela própria e para se comportar de tal forma que satisfizesse de um modo tão completo quanto possível as suas necessidades mais profundas”.( Carl R.Rogers – livro: Tornar-se Pessoa – Livraria Martins Fontes – Ed.Ltda – novembro de 1985).

A capacidade técnica, pessoal, social e participativa são competências inerentes a todos os seres humanos, que  exigem habilidades de como saber se comunicar, de negociar no grupo, de apresentar as próprias idéias, de debater,  de saber ouvir, de valorizar a opinião das pessoas e de perceber como a variedade de interpretações sobre um mesmo problema enriquece  uma discussão e as próprias pessoas participantes do grupo. É imperioso acreditar, que modernamente não há mais espaço para individualismos em qualquer  situação. Atualmente toda atividade  é compreendida como resultado de um esforço conjunto, todas as vitórias e todas as derrotas são de responsabilidade de todos os membros da equipe e não de uma única pessoa. Quando todas cooperam, as propostas ganham em produtividade e qualidade.

Na justiça horizontal, debatem-se o equilíbrio e a motivação do ser humano em crescimento emocional, colocando na pauta conceitos tais como a  atualização num contínuo vir a ser. Estamos fazendo grandes progressos na compreensão das tensões interpessoais e intergrupais. O mais importante é que estamos a procura de uma compreensão mais adequada das relações humanas. Já possuímos conhecimentos, que aplicados preventivamente, poderão ajudar no desenvolvimento de pessoas equilibradas, não-defensivas e compreensivas, que possam enfrentar de maneira construtiva as tensões do dia a dia.