quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A SUBSISTÊNCIA PRERROGATIVA FUNDAMENTAL DA HUMANIDADE


 REGINA DINIZ

“A sociedade contemporânea admite seus membros primeiramente como consumidores; só de maneira secundária, e em parte, os aceita como produtores. Para atingir os padrões de normalidade, ser reconhecido como um membro pleno, correto e adequado da sociedade, é preciso reagir pronta e eficientemente às tentações do mercado de consumo, contribuir com regularidade para a “demanda que esvazia a oferta” enquanto em tempos de reviravolta ou estagnação econômica se deve ser parte  da recuperação conduzida pelo consumidor”. De nada disso são capazes os pobres e indolentes pessoas destituídas de um lar decente, cartões de crédito e perspectiva de melhores dias. Por conseguinte, a norma quebrada pelos pobres de hoje que os coloca à parte e os rotula de “anormais”, é a da competência ou
aptidão  de consumo, não ao do emprego. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: Vida para o Consumo – Ed. Zahar – 2008 ).

 Os pobres de hoje, não são consumidores e não são desempregados. São pessoas simples definidos como consumidores falhos, já que o mais importante dos deveres sociais eles não desempenham que é o de comprador ativo de bens e serviços que o mercado oferece. Nos livros de contabilidade de uma sociedade de consumo, os pobres entram na coluna dos débitos, e nem por um erro de avaliação poderiam ser registrados  na coluna dos ativos, sejam estes presentes e futuros.

Desnecessários, indesejados, desamparados – onde é o lugar deles. A Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) contabilizou 53,9 milhões de brasileiros que vivem na pobreza. Isto corresponde a 31,7 da população do país.  E dentro deste número existe um dado ainda mais preocupante: do total 21,9 milhões de pessoas indigentes. Estudos ajudam a mostrar como as riquezas são mal distribuídas no país. 50% da população mais pobre fica apenas com 13% de toda a renda. Um vexame. É por isso que somos considerados pela ONU como o segundo país do mundo com maior desigualdade social, atrás somente de Serra Leoa. Que cada movimento pessoal que ainda acreditam em Jesus, sindicatos sérios, ong’s, partidos políticos, que todos possam se unir juntamente com suas comunidades, para que aconteça uma modificação nesta realidade, pois não podemos aceitar essa situação caótica. Lembremo-nos de Jesus e de toda a sua luta, ao lado do povo pobre, e mesmo os que não são cristãos bastam apenas ser humano e ter amor no coração.  

“O discurso neoliberal ficou mais “forte” à medida que prossegue a desregulamentação, enfraquecendo as instituições políticas que poderiam em princípio tomar posição contra a liberdade do capital e da movimentação financeira. Outro passo fundamental rumo ao domínio quase inconteste do neoliberalismo foi dado com a recente assinatura do Acordo Multilateral de Investimentos, que para todos os efeitos amarra as mãos dos governos nacionais e desamarra as mãos dos governos nacionais e desamarra as das empresas extraterritoriais, (as chamadas “multinacionais”. Um a um são desmantelados todos os obstáculos efetivos e potenciais à livre movimentação do capital: os Estados-nação, cuja margem de manobra encolhe  incessantemente; os grupos profissionais, devido, por exemplo, à individualização dos salários e carreiras conforme, a competência individual, o que resulta na atomização dos empregados; as defesas coletivas  de direitos trabalhistas, como sindicatos, associações, cooperativas; e até a família que no rastro da reestruturação  dos mercados por faixas etárias, perdeu boa parte do controle que exercia  sobre o consumo. (Autor – Pierre Bourdieu – Livro – L’essence du néolibéralisme” – Lê Monde Diplomatique, março de 1998).

Pierre Bodieu em se livro “contrafogos” explica: A chancela invocada da liberdade dos indivíduos é efetivamente a violência estrutural de desemprego, da precariedade e do medo inspirado pela ameaça de demissão: a condição de funcionamento “harmonioso” do modelo micro-econômico individualista e o princípio da “motivação” individual para o trabalho residem em última análise, num fenômeno de massa, qual seja, a existência do exército de reserva dos desempregados. Nem se trata a rigor de um exército, pois o desemprego isola, atomiza, individualiza, desmobiliza e rompe com a solidariedade humana.

Os custos sociais das decisões econômicas calculam o preço da saúde humana. O que custarão a longo prazo, em demissões, sofrimentos, doenças, suicídios, alcoolismo, consumo de drogas, violência familiar etc...problemas que custam muito caro em dinheiro, mas também em sofrimento? E propõe a essa economia estreita e de visão curta, que é preciso opor uma economia de felicidade, que levaria em conta todos os lucros, individuais e coletivos, materiais e simbólicos associados à atividade (como a segurança), e também todos os custos materiais e simbólicos associados à inatividade ou à precariedade por exemplo o consumo de medicamentos: Não se pode trapacear com a lei da conservação da violência : toda violência se paga; A violência estrutural exercida pelos mercados financeiros, sob a forma de desempregos, de precarização etc. tem sua contrapartida em maior ou menor prazo sob a forma de suicídios, de delinqüência, de crimes, de drogas,de alcoolismo, de pequenos ou grandes violências cotidianas.

“Aqui se produz uma distinção de alcance decisivo para o futuro. Realmente o homem tem direito à subsistência. O direito à vida é uma prerrogativa fundamental da humanidade que nenhuma sociedade pode transgredir, pois o que está em jogo é sua própria unidade: Em todo lugar em que existe uma classe de homens sem subsistência, existe uma violação dos direitos da humanidade e o equilíbrio social é rompido. Porém, a aplicação desse direito se desdobra conforme esses “homens sem subsistência” sejam capazes ou não de trabalhar. O Comitê retoma tal qual essa distinção que, como se evidenciou amplamente, estruturava há vários séculos toda a reflexão sobre a indigência. Há dois tipos de desgraçados que sempre dependeram e devem continuar a depender de um tratamento completamente distinto”. (Autor:Robert Castel – Livro: As Metamorfoses da Questão Social – Uma Crônica do Salário – Ed.Vozes – 1998 ).  

Os inaptos para o trabalho dependem dos direitos aos socorros. São as pessoas que após dedicaram vida laboriosa, a saúde entrelaçada com a idade avançada não tem mais forças para trabalhar. O Poder Pú blico organizou cuidadosamente a lista exaustiva das crianças abandonadas junto com os idosos sem recursos. Mas, em se tratando de uma vida inviolável e sagrada, esses socorros serão, de agora em diante integralmente, financiados e administrados pelo poder público.

A vida do ser humano é bem fundamental, pois sem a vida, não há que se falar em outros direitos, nem mesmo os de personalidade. Com base nesse entendimento, todo o homem tem direito à subsistência, ou seja, o direito de viver e não apenas isso, tem o direito de uma vida plena e digna, respeito aos seus valores e necessidades. O direito à subsistência da vida é o mais fundamental de todos os direitos, já que se constituem em pré-requisito a existência e exercícios de todos os demais direitos. Direito à vida é expressão que tem, no mínimo dois sentidos: o primeiro, ligado à segurança física da pessoa humana, quanto a agentes humanos ou não, que possam ameaçar-lhe a existência; o segundo, ligado ao direito de prover a própria existência.

“A inter-humanidade no sentido próprio reside na não-indiferença em relação   aos outros, na responsabilidade pelos outros.Abandonamos o que denomino a ordem da santidade, ou a ordem da misericórdia, ou a ordem do amor¸ ou a ordem da caridade, onde o outro ser humano me interessa independentemente do lugar que ocupa na multidão de seres humanos e mesmo independentemente da nossa compartilhada qualidade de indivíduos da espécie humana. Ele interessa-me como alguém  próximo a mim, como o primeiro a chegar.Ele é singular”. (Autor: Emmanuel Lévinas: Livro:Qui étes vous? Lyon, Editions la Manufacture, l987). Citação feita por Zygmunt Bauman – Livro – O Mal-Estar da Pós-Modernidade – Ed.Jorge Zahar Editor Ltda – 1998 – Rio de Janeiro ). 

A Ética Pós Moderna analisa as mudanças que a nova perspectiva trouxe ou poderá trazer para nossa compreensão ortodoxa da moralidade e da vida moral. Propõem a abolição de certas esperanças e ambições modernas, e a dissipação com que elas envolveram os processos sociais, e as condutas de vida dos indivíduos, permitem-nos enxergar melhor que nunca a verdadeira natureza dos fenômenos morais. Desde muito cedo estamos numa situação de escolha moral.


Somos inevitavelmente – existencialmente seres morais. Somos confrontados com o desafio do outro, o desafio da responsabilidade pelo outro, uma condição do ser para ser. Essa responsabilidade por, em vez de resultar do ordenamento social e de formação pessoal, enquadra a cena primordial a partir da qual os arranjos sociais e as orientações pessoais tem início, a qual eles se referem e que tentam reenquadrar  e administrar. Ser Moral não significa “ser bom”, e sim  praticar o exercício da liberdade de outrora ou atuação na forma  de uma forma e de uma escolha entre o bem e o mal.     

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O ESPETÁCULO DA VIDA

REGINA  DINIZ

Ao admirar o meu jardim...
Tomo decisões para a minha vida...

O milagre está na fé de ouvir...
O Deus interior, o Deus de dentro...
Estimulo os meus pontos positivos...
Fortaleço a minha corrente de renovação...

Suplico para a justiça cósmica...
Acredito no avanço espiritual do planeta...

Objetivos espiritualizados dão a direção da vida...
Dados positivos gravados na minha mente...
Apóiam as minhas metas...
O sentimento positivo faz a vida dar certo...

O contato com o sagrado...
É a fantástica experiência do viver...

Coloco a vida em minhas mãos...
Sou responsável e tudo depende de mim...
Resgato as memórias de apoio...
Resgato as memórias de realização...

Aprendi que para descobrir a verdade...
É preciso participar da sabedoria espiritual...

Acredito que rezar é voltar-me para dentro...
É conectar-me com algo que acredito...
Porque tudo trabalha ao meu favor...
Quando me lembro de mim mesma...

Agradeço a Deus pelo espetáculo da vida...
Agradeço a Deus pela generosa evolução...

Fiz um tratado pela paz...
A sabedoria vem dos céus...
Ouço o canto da serenidade interior...
Ouço o canto dos pensamentos positivos...

Coloco o meu barco a vela no mar...
É preciso ouvir e ver...

Aposto na qualidade de vida...
Torno a realidade mais rica...
Torno a realidade mais viva...
Torno a realidade mais estimulante...

O tempo está mudando, algo está acontecendo...

Presto atenção no meu caminho...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A EXPRESSÃO DA PRÓPRIA HUMANIDADE

REGINA  DINIZ

“A ascensão repentina, espetacular do trabalho, passando do último lugar  da situação mais desprezada, ao lugar de honra e tornando-se a mais considerada  das atividades começou quando Locke descobriu no trabalho a fonte de toda propriedade;  prosseguiu quando Adam Smith afirmou que o trabalho é a fonte de toda riqueza; atingiu seu ponto culminante no “sistema de trabalho” de Marx, em que o trabalho se tornou a fonte de toda produtividade e a expressão da própria humanidade do homem”.( Autor: Hannah Arendt, Condition de l’homme moderne, 1ª edição - 1958,  TRAD.FR. Paris, Calmann – Levy, 1983, P. 114 – 115.).

O avanço da globalização, que ultrapassou os processos econômicos, invadiu as dimensões políticas, sociais e culturais, trazendo conseqüências  nas atribuições  do Estado,  desregulamentação nas economias nacionais, a reestruturação do mercado de trabalho, a flexibilização do trabalho, o crescimento dos empregos precários, o desemprego cíclico e estrutural, e a exclusão de contingentes de trabalhadores do mercado formal. A forte segmentação da força de trabalho ( incluídos X excluídos do mercado formal, qualificados X não-qualificados, trabalhadores de empresas modernas e trabalhadores de empresas terceirizadas desmobilizou a sindicalização dos trabalhadores. A globalização econômica corresponde, pois, a globalização do mundo do trabalho e da questão social.

Atualmente, o processo de globalização (competição intercapitalista acirrada) obrigou as empresas a buscar estratégias para obter ganhos de produtividade que podem ser visualizados pelo uso da microeletrônica e da flexibilidade dos processos de trabalho e de produção, exigindo um aumento da capacidade produtiva da força de trabalho. Neste processo de ampliação do trabalho precário e informal é substituído pela emergência de um trabalho revalorizado, no qual o trabalhador multiqualificado, polivalente, deve exercer na automação funções abstratas e intelectuais, implicando cada vez menos trabalho manual, e cada vez mais manipulação simbólica. É também exigido deste trabalhador, capacidade de diagnóstico, de solução de problemas, capacidade de tomar decisões, de intervir no processo de trabalho, de trabalhar em equipe, auto-organizar-se  e enfrentar  situações em constantes mudanças. É neste contexto que retorna à agenda de discussões o papel da educação.
   
“Fosse lá o que fosse além disso, a ideologia  era uma declaração de intenções do que a pregavam, uma intenção de compromisso com a sociedade a que pertenciam e da qual se consideravam membros. Era também uma promessa de responsabilidade por essa sociedade, expressão da disposição de assumi-la ou partilhá-la. Por fim, mas de forma alguma menos importante, era um sinal de desapreço pelo mundo tal como se apresentava, de uma atitude crítica face ao estado atual das coisas e o desejo de melhorar ou transformar esse quadro. Todas as ideologias, incluindo as mais conservadoras , eram lâminas agudas ameaçando a realidade tal como se apresentava. Em suma, a percepção de que nem tudo na realidade social é como deveria ser, de que algo deve ser feito para corrigir o estado de coisas vigente, seja o que for que tiver de ser feito deve sê-lo de forma sistemática e consistente, tal percepção era a principal razão para o compromisso de tecer a tela da ideologia”. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: Em Busca da Política – Ed.Jorge Zahar Editor Ltda – Rio de Janeiro – 2000).

Ao longo de milênios as ideologias nasceram da não aceitação do status quo  e, sobretudo, da descrença na capacidade da própria realidade para se retificar. Todas as ideologias nasceram como projetos a serem implementados de modo atuante e conjunto, mesmo quando projetavam o futuro no passado e mostravam a novidade como uma volta ao passado e retratavam a novidade como uma volta e a reforma como restauração. Cornelius Castoriadis em suas últimas entrevistas afirmou que o maior problema de nossa civilização é que ela parou de se questionar. Na modernidade é preciso debater a causa de as riquezas passarem para as mãos de poucos, enquanto a grande maioria acaba sendo sacrificada, marginalizando parte da sociedade e criando uma divisão entre os mais abastados e aqueles que nada possuem. É preciso achar uma solução porque estes seres humanos acabam por se revoltar contra a outra parte da sociedade, por não possuírem um mínimo indispensável para a sobrevivência, gerando conflitos pessoais, marginalidade, o tráfico de drogas e outras complexas espécies de delitos.

Lutar por outro mundo melhor significa combater a continuidade da exclusão, a marginalização política e a desigualdade social; significa preocupação com o meio ambiente, com os direitos humanos e com a paz, o êxito destas questões depende de um significado maior, o respeito pelo Outro com a gama de diferenças, alterando positivamente a nossa relação com ele, possibilitando o surgimento de uma nova cidadania. Um outro mundo é possível desde que a reconstrução passe pelo respeito e pelo diálogo democrático com todos nós, e que chamamos de humanidade.

“No berço da ética encontramos todo o elemento de que o eu ético necessita para manter-se vivo: o silencioso desafio do Outro e a minha dedicada mas desprendida responsabilidade. Este é um vasto espaço, até onde chega a ética: amplo o suficiente para acomodar o eu ético em pleno vôo, reduzindo a uma escala os mais elevados picos da santidade e todos os recifes submarinos da vida moral, as armadilhas que devem ser evitadas pelo eu em seu caminho para a ética – para a admissão  da incomoda responsabilidade por sua responsabilidade. Isso deixa à parte a maioria das coisas que preenchem a vida diária de todo o ser humano, a busca da sobrevivência e auto-engrandecimento, a consideração racional de fins e meios, a avaliação de ganhos e perdas, a procura do prazer, o poder, a política, a economia... Acima de tudo, penetrar nesse espaço representa tirar uma folga da atividade cotidiana, deixar do lado de fora suas normas e convenções mundanas”.  (Autor: Emmanuel Levinas – Livro: Ética e Infinito – Edições 70 Ltda – 2010).

Vivemos num século que conheceu os horrores dos campos de concentração, e que atualmente os conflitos bélicos deste século XXI continuam a nos aterrorizar. Precisamos reavivar a ética, descobrindo uma via alternativa ao humanismo que predominou até então. Não se trata de rejeitar o humanismo, mas de reativá-lo que através de debates construtivos permanentes possamos descobrir uma luz que ilumine uma visão satisfatória do mundo e do homem.
O ideal será renovar uma moral melhor capaz de aproximar o homem com o outro homem.

O humanismo não fracassou, mas as interpretações que dele foram feitas pararam de evoluir. No encontro moral com os outros, chegamos despidos de nossos adornos sociais, despojados de status, distinções sociais, desvantagens, posições ou papéis, não sendo rico nem pobres, arrogantes ou humildes, poderosos ou destituídos, reduzidos à simples essencialidade da nossa humanidade comum. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar  para padrão, de que devemos fazer aos outros aquilo que para nós desejamos.

“Não foram apenas a pobreza, a crise econômica ou a falta de democracia que causaram essa rebelião multifacetada. Evidentemente, todas essas dolorosas manifestações de uma sociedade injusta e de uma comunidade política não democrática estavam presentes nos protestos. Mas foi basicamente a humilhação provocada pelo cinismo e pela arrogância das pessoas no poder, seja ele financeiro, político ou cultural, que uniu aqueles que transformaram medo em indignação, e indignação em esperança de uma humanidade melhor. Uma humanidade que tinha de ser reconstruída a partir do zero, escapando das múltiplas armadilhas ideológicas e institucionais que tinham levado inúmeras vezes a becos sem saída, forjando um novo caminho, a medida que o percorria. Era a busca de dignidade em meio ao sofrimento da humilhação – temas recorrentes na maioria dos movimentos”. ( Autor: Manuel Castells – Livro: Redes de Indignação e Esperança – Ed.Zahar – Rio de Janeiro – 2013.).

Ouvir o povo e, buscar soluções para suas demandas passará a ser rotina em nosso país, que os milhares de jovens manifestantes bem-intencionados pretendem construir. Diante do clamor contra a corrupção e do medo da inflação, o governo acena com um pacto pela responsabilidade fiscal, que obrigará os administradores públicos a serem austeros nos seus gastos e contribuir na estabilidade da economia. A Presidenta Dilma Rousef em resposta atenuou o gravíssimo das deficiências da saúde pública , oferecendo um pacto pela saúde pública, acelerando investimentos em hospitais e do programa de troca de dívidas por atendimento nos atendimentos filantrópicos.


Em relação à educação de qualidade. Que também aparece fortemente entre os pleitos dos indignados brasileiros, a presidente renovou as promessas que inclua escola em tempo integral, ensino profissionalizante, ensino superior de qualidade, pesquisa e salários dignos para professores (ainda está no terreno das promessas). Este pronunciamento à nação, com o respaldo dos governantes de todos os Estados, deve ser interpretado como resposta concreta ao grito de revolta da Nação. Os manifestantes que ocupam ruas e praças do país, liderados por jovens universitários querem, acima de tudo, serem ouvidos. Com certeza ouvir o povo  e buscar soluções passa a ser rotina nesta nova nação, que os jovens manifestantes bem intencionados pretendem construir.         

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A SÉRIE DE RENASCIMENTOS

                                                    REGINA DINIZ

Questiono os valores de toda a minha vida...
Redefino novas possibilidades existenciais...

O Sol raiou e uma nova esperança nasceu...
O meu coração se aproximou de mim mesma...
Aprendi a purificar a minha alma...
Realizando o trabalho de amor ao semelhante...

Separo-me do meu passado...
E abro-me ao meu presente...

Recupero a lucidez e a alegria de viver...
Reconstruo-me através das experiências da vida...
Faço o bem, para que ele volte a mim...
Procuro idéias novas e transformadoras...

O crescimento representa uma série de renascimentos...
É maravilhoso arremessar-se ao desconhecido...

O silêncio absoluto cura a alma...
É urgente renovar o meu imaginário...
Só assim transmito algo de valor para as pessoas...
Cada um de nós é um pequeno Deus...

Fico feliz quando aceito totalmente...
A responsabilidade básica por minha existência...

O mais importante é ser útil aos outros...
Percebo qualidades significativas nas pessoas...
O meu olhar deve refletir a luz da união...
A amizade brota em cima do correto...

Lembro um por um os meus próprios pensamentos...
Vivencio um por um os esforços de lutas ganhas...

A amizade sólida desperta a bondade recíproca...
A amizade está pronta para ajudar os outros...
É a responsabilidade com o outro ser humano...
Que me converte em eu aceitando o outro...

Arrisco-me para aprender a vida...
Se errar, levanto e começo tudo de novo...

É importante emergir para a sensatez humana...
É fundamental a harmonia e a paz de espírito...
O mundo deseja a humanização...
Vejo o eu em mim e eu nos outros...

A grande descoberta é rejeitar a vida materialista...

A grande escolha é falar com Deus...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

NOVAS FORMAS DE SERMOS NÓS O POVO

REGINA DINIZ

“Todo homem tem direito à subsistência: esta verdade fundamental de toda sociedade, e que reclama imperiosamente um lugar na Declaração  dos Direitos do Homem, pareceu ao Comitê ser a base de toda  lei, de toda instituição política que se propõe extinguir a mendicância. Assim, cada homem tendo direito à subsistência, a sociedade deve prover à subsistência, de todos os seus membros que poderão estar carentes dela, e esta benéfica assistência não deve ser encarada como um favor; é, sem dúvida, a necessidade de um coração sensível e humano, o desejo de todo homem que pensa, mas é o dever estrito e indispensável de todo homem que não está na pobreza, dever que não pode ser aviltado nem pelo nome nem pelo caráter da esmola; enfim, ela é uma dívida inviolável e sagrada para toda a sociedade”. (autor: Robert Castells – Livro: As Metamorfoses  da Questão Social – Uma Crônica do Salário – Editora Vozes – 2012).

Aceitando o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus Direitos inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo. Abertamente, a contemporaneidade admite que o desconhecimento e o desprezo aos Direitos do Homem que conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e a possibilidade de um mundo em que os seres humanos sejam livres para falar e crer, libertos do terror e da miséria, que foi declarado como a mais alta inspiração do homem. Temos consciência em proclamar a fé nos Direitos Fundamentais do Homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade dos Direitos dos Homens e das Mulheres instaurando melhores condições de vida aos excluídos (miséria extrema). A contemporaneidade desrespeita violentamente os Direitos Humanos ao não debater este problema social, que envergonha e marca-o como o mais atrasado de todas as civilizações em todos os tempos.

Estamos no limiar de um grande desafio no século XXI, qual seja manter o respeito à dignidade humana. O direito à vida à vida é inato: quem nasce com vida tem direito a ela. O direito a vida significa o direito à comida, às vestes, aos remédios, à casa. O direito à dignidade humana pressupõe o direito ao salário mínimo que o direito à existência. O Estatuto da Criança e do Adolescente têm a proteção à vida e a saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso em condições dignas de existência.


  “Originalmente, o que prometiam os pensadores da modernidade emergente era uma liberdade ativa, a liberdade de fazer as coisas e refazê-las para  melhor se adequarem a existência humana. O que tinham em mente era a liberdade do ser humano. Liberdade que tinha como elemento primordial a capacidade de dar às coisas uma forma tal que os membros da espécie não fossem mais impedidos de agir de acordo com o mais humano dos seus dons naturais: o poder de fazer juízos racionais e se portar segundo os preceitos da razão. Era na capacidade humana de agir, na capacidade coletiva da espécie de corrigir erros e descuidos da natureza e os seus próprios erros e desleixos do passado que se esperava encontrar um inabalável alicerce para a liberdade individual – liberdade de seguir o caminho da razão, Só dentro da coletividade todo-poderosa o indivíduo poderia ser realmente livre – quer dizer, não ser escravo de suas paixões e desejos pré-humanos ou inumanos”. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: Em Busca da Política – Ed. Zahar – 2000).

O ser humano na sociedade pós-moderna vivencia uma individualidade privatizada que pensando com profundidade, significa essencialmente uma antiliberdade. Luta desesperadamente para fugir à insegurança e incertezas que o assaltam. “Em 1993 Jacques Pradel diagnosticou  – rompemos com o tudo aprendido até então: que as emoções são sinais de fraqueza, que é feio e errado chorar”. Por milênios foi cultuado o direito ao segredo que foi esfacelado pelo direito à publicidade. Tornar público o que quer que desperte ou possa despertar curiosidade virou o cerne da idéia de uma coisa ser do interesse público.

As pessoas ficaram sozinhas para resolver seus problemas e mergulharam na solidão. Hoje, sabem que só podem contar consigo mesmas, com sua própria vontade e determinação. Mas milênios de reflexão ética jamais poderiam ter sido sepultados, ela sobreviveu acima da tudo. Surgiram novas interpretações que procuraram vivificar o que era essencialmente correto, pois somos herdeiros de vasto conteúdo ético. Atualmente, qualquer empresa dispõe de especialistas em comportamento para fazerem a triagem em qualquer trabalho. Os valores éticos são tão atuais como sempre foram.   

“Descrevendo positivamente o rosto, e não apenas de um modo negativo. O senhor lembra-se daquilo que dizíamos: a abordagem do rosto  não é da ordem da percepção pura e simples , da intencionalidade que se encaminha para a adequação. Positivamente, diremos que, desde que o outro me olha, sou por ele responsável, sem mesmo ter de assumir responsabilidades a seu respeito; a sua responsabilidade incumbe-me. É uma responsabilidade que vai além do que faço. Habitualmente, somos responsáveis por aquilo que pessoalmente fazemos. Digo, em  Autrement  qu’être, que a responsabilidade é inicialmente um por outrem. Isto quer dizer que sou responsável pela sua própria responsabilidade”. (Autor: Emmanuel Levinas – Livro: Ética e Infinito – Edições 70, Ltda – Lisboa – Portugal  - agosto de 2010 ).

Não restam dúvidas que o rosto do ser humano me faz uma exigência ética, perante a qual só eu posso responder. Na realidade, quando alguém me dirige um apelo, a resposta a esse apelo é sempre da minha responsabilidade, em todas as solicitações, das mais simples às mais exigentes. Se alguém me diz bom dia devo responder amavelmente. Se alguém me solicita ajuda para atravessar a rua, cabe-me a mim ajudá-lo para atravessar a rua, cabe-me a mim ajudá-lo a atravessar. Se alguém me pede um prato de comida, uma peça de vestuário, uma palavra de conforto, sou a única responsável pela resposta.

“A responsabilidade não é um simples atributo da subjetividade, como se esta existisse já em si mesma, antes da relação ética. A subjetividade não é um para si: ela é, mais uma vez, inicialmente para o outro”. (Autor :Lévinas  - Livro - Ética e Infinito). Trata-se de afirmar a própria identidade, do eu humano a partir da responsabilidade, isto é, a partir da posição ou da deposição do eu soberano na consciência de si, de posição que é precisamente a sua responsabilidade por outrem. A responsabilidade é o que humanamente me incumbe, pois o meu dever, o qual não posso recusar. Este encargo é uma suprema dignidade do único. Sou apenas na medida em que sou responsável.

“Ninguém esperava. Num mundo turvado por aflição econômica, cinismo político, vazio cultural e desesperança pessoal, aquilo apenas aconteceu. Subitamente, ditaduras podiam ser derrubadas pelas mãos desarmadas do povo, mesmo que essas mãos estivessem ensangüentadas pelo sacrifício dos que tombaram. Os mágicos das finanças passaram de inveja pública a alvos de desprezo universal. Políticos viram-se expostos como corruptos e mentirosos. Governos foram denunciados. A mídia se tornou suspeita. A confiança desvaneceu-se. E a confiança é o que aglutina a sociedade, o mercado e as instituições. Sem confiança nada funciona. Sem confiança o contrato social se dissolve e as pessoas desaparecem, ao se transformarem em indivíduos defensivos, lutando pela sobrevivência. Entretanto, nas margens de um mundo que havia chegado ao limite de sua capacidade de propiciar aos seres humanos a faculdade de viver juntos, e compartilhar a sua vida com a natureza, mais uma vez os indivíduos realmente se uniram para encontrar novas formas de sermos nós, o povo. ( Autor: Manuel Cartells – livro: Redes de Indignação e Esperança – Ed. Zahar Ltda -  1ª. Edição – Rio de Janeiro – 2013).

Np início eram muitos poucos, mas em pouco tempo formaram-se redes de milhares, que ganharam o apoio de milhões e que com os seus apelos justos, desejavam recriar dentro de si a esperança de um mundo melhor para todos ultrapassando ideologias e publicidades demagógicas, para se unir com propostas reais de pessoas reais que foram reivindicadas. Fizeram uma grande
Descoberta que se tornou realidade, surgiram as Redes Sociais da Internet, totalmente autônomas, totalmente livres de governos e empresas, que há séculos haviam monopolizado totalmente os canais de comunicação, implantando alicerces profundos de seu poder. Chegou em tempo de articular mentes, recriar novos significados existenciais, contestando o poder de poucos sobre muitos.


Compartilhando no espaço público da Internet, unido-se com qualidade entre si, planejando projetos a partir de múltiplas fontes de ser, formaram redes, e mediando as suas opiniões pessoais ou filiações organizacionais. Uniram-se, e se ajudaram em nome de Direitos Iguais para Todos. Conseguiram perceber que a dominação ultrajante dos poderes constituídos estava totalmente acabada. Da segurança do ciberespaço, pessoas de todas as idades passaram a ocupar o espaço público, porque desejavam criar, ao reivindicar seu direito de fazer a história numa demonstração de autoconsciência que sempre caracterizou os grandes movimentos sociais.  

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A REALIZAÇÃO DOS SONHOS


 REGINA  DINIZ

É preciso remover montanhas...
Para realizar sonhos existenciais...

Imagino somente valores íntegros...
Penso e repenso no amor solidário...
Relaciono-me com idéias boas para a comunidade...
Acredito na segurança interior ajudando os outros...

Sei que evoluo pelas ligações emocionais saudáveis...
A oração é a verdade da vida...

Aprendo me colocando no lugar do outro...
Abro uma janela no meu aprendizado espiritual...
É necessário dedicação para sentir a ciência do existir...
Procuro espaços para pacificar as emoções...

Conhecer a si mesmo é Deus frente a frente...
É o convite para as belezas da vida...

Dialogando com Deus, harmonizo os meus pensamentos...
Resgato a capacidade para descobrir novas idéias...
Descubro níveis mais elevados de ser como pessoa...
A busca da paz deve ser preservada...

A criatividade é a maior força dos planos da existência...
Cristo é o sol de nossas vidas...

Cultivo a fé no sentido da confiança mútua...
Confio em mim e nos outros...
Percebo as vibrações do divino...
Elevo-me acima do horizonte da vida...

Dependo da mágica da motivação espiritual...
Fluo o afeto para as pessoas incondicionalmente...

Preciso da força da motivação espiritual...
Para poder abrir o afeto para as pessoas...

Eu me comprometi a ser feliz na vida...
Para tanto foi preciso dedicação e disciplina...
Reviso todas as coisas boas que realizei...
A felicidade só é explicada pelos aspectos sadios...

O meu objetivo é ser boa em minhas atitudes...
Minhas intenções devem tornar-se puras...

Faço da felicidade um propósito consciente...
As boas ações destacam-se em minhas escolhas...
Pergunto: - O que há de bom em minha vida?...
E o que precisa ser feito para melhorá-la?...

Tento compreender a sabedoria espiritual...

Sou a minha única realidade...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O SENTIDO DA PROXIMIDADE HUMANA

REGINA DINIZ

“A tomada de consciência de uma vulnerabilidade de massa, que torna cada vez mais fictícia a propensão a reduzir a questão social ao tratamento de dois grupos extremos: os indigentes incapazes de trabalhar, que são assistidos, e os vagabundos, que são reprimidos. De outro lado, uma transformação da concepção do trabalho, que não é mais só um dever que responde a exigências religiosas, morais ou mesmo econômicas. O trabalho torna-se a fonte de toda a riqueza, e, para ser socialmente útil, deve ser repensado e reorganizado a partir dos princípios da nova economia política”.( autor: Robert Castel – livro: As Metamorfoses da Questão Social – Ed. Vozes – 2012).

Uma parcela da população acredita que a condição de miséria de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo é causada pela preguiça, falta de interesse pelo trabalho, acomodados  à espera de programas sociais oferecidos pelo governo, acham que só não trabalha quem não quer, mas isso não é verdade. Segundo os órgãos internacionais existem hoje, aproximadamente, 850 milhões de pessoas desempregadas, algumas profissões foram superadas, outras completamente extintas, o crescimento constante de tecnologias provoca alterações no mercado de trabalho em todo o mundo. Tantas tecnologias e avanços não trazem benefícios a todos, a robotização e a constante evolução colocam em risco milhões de postos de trabalho, provocando uma exclusão gigantesca.

Várias são as conseqüências negativas do estágio tecnológico, que a atual sociedade presencia e certamente o desemprego é um dos piores, se continuar retirando postos de trabalho o mundo poderá entrar em colapso. Em países desenvolvidos já são visíveis os problemas decorrentes do desemprego, como o aumento da criminalidade. As autoridades ainda não propuseram soluções que aliem tecnologia e empregabilidade já que as pessoas sobrevivem da renda de seu trabalho. A solução momentânea é a requalificação profissional, quem perde o seu emprego deve passar por treinamentos e reciclagens. Só assim poderão encontrar uma outra atividade e assumir uma nova vaga no concorrido mercado do trabalho moderno.

“Direita e esquerda propõe dois conjuntos de reflexões.  A afirmação central é que a distinção entre esquerda e direita continua viva e saudável, pois está baseada em duas visões fundamentalmente  diferentes de igualdade, que separam de forma permanente a esquerda e a direita. Na caracterização, a esquerda vê a desigualdade natural entre os seres humanos como menor que sua igualdade, a maior parte das formas de desigualdade como sendo socialmente alterável, que poucas  - se é que alguma – são positivamente funcionais e que demonstrarão cada vez mais sua própria efemeridade histórica. A direita está comprometida com a visão de uma desigualdade natural entre seres humanos maior que sua igualdade, com a idéia de que poucas formas de desigualdade são alteráveis, que a maioria delas é socialmente funcional e que sua evolução não pode ser direcionada”. ( Autor: Perry Anderson – Livro: Espectro – Ed. Boitempo – 2012).

É possível acreditar que os seres humanos são mais iguais que desiguais e que, apesar disso muitas desigualdades sociais podem e devem ser eliminadas. A esquerda na história humana é incentivada por um sentido mais duradouro do movimento na direção da igualdade. No âmbito da política o conceito de igualdade descreve a ausência de diferenças de direitos e deveres entre os membros de uma sociedade. Para Anderson, o marxismo é a forma de explicação que permite a revisão dos valores sociais básicos como a defesa da igualdade, da democracia e de uma sociedade livre sem desigualdades: nenhum movimento político realizou exatamente aquilo que se propõe levar a cabo e nenhuma teoria social prevê jamais o que irá justamente ocorrer.

Atualmente, fala-se na terceira reinvenção da democracia, que surge como um movimento reforçado pelos apelos dramáticos da juventude. Acontece uma forte pressão para a democracia se reformar numa direção mais humana. Pesquisas confirmam que democracias não guerreiam entre si. Com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) as nações tornaram-se economicamente interdependentes. O Estado de bem-estar social pacificou os antagonismos de classe. ONGS e cúpulas internacionais sobre população e meio ambiente mostram que uma esfera pública mundial está se reformando.   

“Todos nós, em maior ou menor grau, entendemos o mundo em que habitamos como cheio de riscos, incerto e inseguro. Nossa posição social, nossos empregos, o valor de mercado de nossas habilidades, nossas parcerias, vizinhanças e redes de amigos em que podemos nos apoiar, são todas instáveis e vulneráveis, portos inseguros para ancorar nossa confiança. Na verdade, a vida está repleta de ansiedade e medos, e poucas pessoas diriam  que não mudariam nada nela se tivessem chance. Nossa sociedade de risco enfrenta uma tarefa assustadora, quando se trata de conciliar seus membros com os riscos e pavores da vida cotidiana. É essa tarefa que os pobres apresentados como uma subclasse de proscritos, tornam um pouco mais fácil.  Se seu tipo de vida é a única alternativa para “permanecer no jogo”, então os riscos e os horrores de um mundo flexível e com uma incerteza perpétua parecem um pouco repulsivos e insuportáveis, isto é, eles se sentem melhor do que em qualquer outra opção possível”. (Autor:Zygmunt Bauman – Livro: A Sociedade Individualizada – Ed.Zahar – 2008).
 “O encarceramento no Brasil está funcionando a todo vapor. O nosso país  como solução fecha escolas e inaugura novos presídios. Segundo os levantamentos realizados pelo Instituto Avante Brasil, em apenas 6 meses (dez | 2011) – jun \ 2012), a população carcerária cresceu 6,8%, crescimento assombrosamente expressivo. O crescimento no Brasil na última década (2003 – 2012) aumentou para 78% no montante de encarcerados do país. O número de presos explodiu e gera superlotação. O Brasil está em quarto lugar no mundo com o total de 549.577 com a taxa de ocupação de 184 %.
A Ética no período da modernidade foi alijada das relações humanas, das questões do convívio humano pela ciência positivista, pela racionalidade técnicas e científicas, utilitaristas e promotoras do poder e do poder do dinheiro, da produção. Reféns do mundo sistêmico, do poder e do dinheiro, o desenvolvimento econômico e tecnológico tem beneficiado um pequeno número de pessoas no mundo, em detrimento de condições mínimas de vida, sendo uma máquina de exclusão social. As tragédias decorrentes da ganância, e da incompetência social e de corrupções estruturais e pessoais, continuam ceifando vidas e impedindo dignidade e educação para a maioria da população mundial. É urgente a redistribuição dos Bens Educacionais e dos Bens Culturais. Precisamos aprender a socializar as recompensas.         

 “Aquele que chega ao encontro é absolutamente outro – é outrem – em relação a mim, em relação a nós, em relação a mim, em relação a nós, em relação a qualquer conhecimento e, até, em relação a si mesmo, pois há nele uma verdade no ato do encontro, a que ele próprio assiste. Nesta medida, o outro da relação face a face é também uma revelação para si próprio. Mas será esse encontro inevitável ainda que seja a única maneira de o poder conhecer? Na verdade, não é. O encontro face a face é uma decisão minha, não é um acidente, não acontece por acaso, apenas se eu o desejar e se decidir fazê-lo. Sem desejo e decisão éticas, nunca nos encontraremos  com ninguém no sentido da proximidade ética, ainda que possamos viver fisicamente muito próximos de outras pessoas e nos relacionemos todos os dias com muita gente”. (Autor: Emmanuel Lévinas – Livro: Totalidade e Infinito – Edições 70. Ltda. – Lisboa – Portugal -  2010).

A primeira questão da ética de Lévinas é desvendar que desejo é este que nos faz iniciar um movimento em direção ao outro. Diz o autor que: “O outro metafisicamente desejado não é o “outro” como o pão que como, como o país que habito, como a paisagem que contemplo, como, por exemplo, eu para mim próprio, este “eu” esse outro”. Dessas realidades, posso nutrir-me, e, em grande descoberta, satisfazer-me, como simplesmente me tivessem faltado. Surge a alteridade que é a compreensão do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos.


Para que haja respeito entre todos é necessário que em todos haja um muito de alteridade. Pensando profundamente a sua alteridade que é a capacidade de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, relação com grupos, família, trabalho, lazer é a relação que temos com os outros, com consideração, identificação e diálogo. Para nos relacionarmos com outras pessoas ou grupos é preciso conhecer a diferença, compreender a diferença e aprender com a diferença, respeitando o indivíduo como ser humano psicossocial.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O PLANO DIVINO

REGINA  DINIZ

 Sou abençoada por Deus...
Vivo no meu planeta azul que é muito lindo...

O melhor presente que posso desejar...
É receber a inspiração celeste...
Sinto-me mais viva e mais feliz...
Sinto-me mais alegre e vibrante...

Tenho um Deus para orar para sempre...
Ele está dentro do meu coração...

Sou motivada pela evolução da minha alma...
A mente é luminosa, ela cria o que quer...
Quando existe um propósito de vida a pessoa cresce...
São as sementes vivas da sabedoria espiritual...

Agradeço a Deus a generosidade pela destinação...
Aprendo pouco a pouco ser mais humana...

Eu sou uma andarilha espiritual...
Administro o meu crescimento interior...
Eu sou o que sou...
Porque Deus está em mim...

Percebo o poder divino em tudo ao meu redor...
O meu coração se comunica com o universo...

Ouço a canção das águas do riacho...
Não posso parar de cantar...
Não posso parar de pensar na evolução da alma...
O mundo não pode parar de florir...

Quero me unir à esfera da luz divina..
Aproximo-me mais de Deus...

Sei que tenho uma razão para estar aqui...
Seu que tenho de deixar um legado positivo...
Sei que devo acertar as contas com a vida...
Tudo na vida tem o seu tempo...

Aprendo a harmonizar e a estabilizar...
O equilíbrio saudável do viver com qualidade emocional...

Renasço do confronto com os meus limites...
A imaginação otimista é o alimento essencial à alma...
Descubro novas formas de encantamento...
Deus tem um plano para cada um de nós...

A busca da paz me consola...

Deus obrigada pelo dia de hoje...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A REDISTRIBUIÇÃO QUANTO AO RECONHECIMENTO HUMANO

REGINA DINIZ
  
“Ser e permanecer diferente é um valor em si mesmo, uma qualidade digna de ser preservada a qualquer custo, mesmo com luta, um clarim  é tocado para o alistamento, a formação e a ordem-unida. Antes, porém, diferença adequada ao reconhecimento sob a rubrica dos  “Direitos Humanos” precisa ser encontrada ou construída. É graças à combinação de todas essas razões que o princípio dos “direitos humanos” age como um catalisador que estimula a produção e perpetuação da diferença, e os esforços para construir uma comunidade em torno dela. É correto protestar contra a indiscriminada separação da política cultural da diferença em relação à política social da igualdade e ao insistir  em que a justiça hoje requer também a redistribuição quanto ao reconhecimento. Não é justo que alguns indivíduos ou grupos vejam negado seu status de plenos parceiros na interação social simplesmente em conseqüência de padrões institucionalizados de valor cultural cuja construção não participaram com igualdade e que menosprezaram suas características distintivas ou as características distintivas a ele atribuídas”.( Autora: Nancy Fraser – Livro: “Social Justice in the age of  identity politics: redistribution, and participation”, in Detlev  Claussen e Michael Werz (orgs) Kristische Theorie der gegenwart (Hanover: Institur für Soziologie and der Universitat hannov_ ).

Atualmente muito se debate sobre a reivindicação do reconhecimento humano. Colocar a questão do reconhecimento no quadro da justiça social atenua a separação física ou social, diminui a quebra da comunicação e hostilidades perpétuas por demandas de reconhecimento social. Estas mediações por redistribuições feitas em nome da igualdade são formas de integração, enquanto, que as desmandas por reconhecimento em termos de distinção cultural promovem a divisão, a separação, o ódio e a interrupção do diálogo, citando Fraser “ A Justiça Social significa que todos tenham Direitos Iguais à estima social”.

Todos os seres humanos têm o direito de procura pela estima pessoal, em condições de igualdade. A auto-afirmação e a auto-realização, as guerras pelo reconhecimento descarregam o seu potencial combativo em genocídios. Quando a justiça social, as reivindicações ao reconhecimento e a política de esforços de reconhecimento se tornam fortes e férteis para a aceitação mútua e diálogo significativo surge o nascimento da “Comunidade Ética”.

“Emile Durkheim e os republicanos do fim do século XIX chamaram de solidariedade esse vínculo problemático que assegura a complementaridade dos componentes de uma sociedade a despeito da complexidade crescente de sua organização. É o fundamento do pacto social. Durkheim reformulava-o nesses termos no momento em que o desenvolvimento da industrialização ameaçava solidariedades mais antigas que ainda deviam muito à reprodução de uma ordem baseada na tradição e no costume. No raiar do século XX, a solidariedade deveria tornar-se um assumir-se voluntário  da sociedade e o o Estado Social, fazer-se seu fiador. Na aurora do século XXI, quando as regulamentações implantadas no contexto da sociedade industrial estão, por sua vez, profundamente abaladas, é o mesmo contrato social que, sem dúvida, deve ser redefinido a novas expensas. Pacto de solidariedade, Pacto de Trabalho, Pacto de Cidadania: pensar as condições da inclusão de todos para que possam comerciar juntos , como se dizia na época do iluminismo, Isto é, ”fazer sociedade””(autor: Robert Castel – Livro: As Metamorfoses da Questão Social – Uma Crônica do Salário – 10ª. Edição – Editora Vozes).

A inclusão social é o maior desafio de nosso país, que por razões históricas que nunca foram devidamente esclarecidas, acumularam gigantesco conjunto de desigualdades sociais, que até hoje não foram elucidadas no tocante à distribuição da riqueza, do acesso aos bens materiais e culturais e na apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos. Não podemos esconder de nós mesmos, e do mundo todo a favelização que cada vez mais aumenta sem o mínimo de acesso à redistribuição dos bens educacionais e culturais. O maior desempenho social é estabelecer condições para que todos os habitantes do país possam viver com adequada qualidade de vida e como cidadãos plenos de ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. Um país rico como o nosso não justifica a riqueza de poucos (20%) e extrema pobreza de muitos (80%).

O gesto de solidariedade expressa o desapego às coisas materiais, contribui para formar o indivíduo para uma vida mais simples, prepara-o para a partilha. Ensina-se pela generosidade o amor ao outro pelo exemplo da generosidade. Percebemos que ao ajudar o outro, também nos ajudamos e nos sentimos úteis e necessários aos seres humanos e ao mundo. A solidariedade e a generosidade são valores positivos, mais não pode ser uns valores isolados, individuais. Somando-se com outros valores seu sentido social cresce e contribui para a formação de uma sociedade dentro de padrões humanizados e respeitáveis, elevados para todos os seres humanos.
      
“As melhorias econômicas já não anunciam o fim do desemprego. Atualmente “racionalizar” significa cortar e não criar empregos, e o progresso tecnológico e administrativo é avaliado pelo “emagrecimento” da força de trabalho, fechamento de divisões e redução de funcionários. Empregos vitalícios já não existem. Na verdade, empregos como tais, da maneira como outrora os compreendíamos , já não existem. Sem estes, há pouco espaço para a vida vivida como um projeto, para planejamento de longo prazo e esperanças de longo alcance. Seja grato pelo pão que come  hoje, e não cogite demasiado do futuro... O símbolo da sabedoria já não é a conta da poupança. Atualmente, pelo menos para os que podem se dar ao luxo de ser sábios, passou a ser os cartões de crédito e uma carteira cheia deles”.(Texto da Conferência Willlem Bonger proferida na Universidade de Amsterdam em maio de 1995).

Há 30 anos atrás os países adiantados culturalmente investiam no estado de bem-estar social, a fim de reabilitar os temporariamente inaptos, e motivar as pessoas aptas a se empenharem mais, protegendo-as do medo de perder a aptidão. A Previdência Social era considerada uma rede de segurança, entendendo pela  comunidade sob cada uma de seus membros, fornecendo-lhe a coragem necessária para enfrentar o desafio da vida, para que cada vez mais conservassem os seus empregos. O estado de bem estar, a comunidade assumia a responsabilidade de garantir para que os desempregados tivessem saúde e habilidades suficientes para se reempregar e manter o seu poder aquisitivo.

Mas todos esses avanços sociais regrediram e a Responsabilidade Social pela situação humana foi privatizada e os instrumentos e métodos não foram regulamentados. O auto-engrandecimento tomou o lugar do aperfeiçoamento social patrocinado e a auto-afirmação ocupa o lugar da responsabilidade coletiva pela exclusão de classes. Os padrões da sociedade consumidora prometem alcançar os fins diretamente sem primeiro se aparelharem os meios. O resultado atual foi o surgimento da criminalidade cada vez maior. Nos anos de desregulamentação e desmantelamento dos dispositivos de bem-estar foram também os anos de criminalidade ascendente  de força policial e população carcerária cada vez maiores.    

“Os pobres de hoje (aqueles consumidores irremediavelmente falhos, imunes às adulações do mercado e improváveis contribuintes para a procura ávida de estoques, por mais tentadores que esses estoques possam ser) são evidentemente inúteis para os mercados orientados para o consumidor e, cada vez mais, também para governos de estado, que agem mais e mais como  xerifes locais em nome do comércio e das finanças extraterritoriais. Os pobres de hoje não são mais as “pessoas exploradas” que produzem o produto excedente a ser, posteriormente, transformado em capital; nem são eles o “exército de reserva da mão-de-obra”, que se espera seja reintegrado naquele processo de produção de capital, na próxima melhoria econômica. Economicamente falando (e hoje também governos politicamente eleitos  falam na linguagem da economia), eles são verdadeiramente redundantes, inúteis, disponíveis, e não existe nenhuma “razão racional” para a sua presença contínua... (Autor: Zygmunt Baumann – Livro: O Mal-Estar da Pós-Modernidade. Jorge  Zajar Editor Ltda. – 1997).

A incriminação da pobreza e a brutalização para com os pobres emergiu    como o principal substituto  da sociedade de consumo para o rápido desaparecimento dos dispositivos do estado de bem-estar. A resposta ao problema da pobreza numa época em que os pobres eram a reserva de mão-de-obra, e se fossem preparados para voltar a atuar no processo produtivo, não é mais, sob essas circunstâncias alteradas “economicamente justificáveis” como um luxo que a sociedade de consumo não pode dar. O maior problema dos pobres é remodelado como a questão da lei e da ordem, e os fundos sociais outrora destinados à recuperação das pessoas temporariamente desempregadas, são despejadas na construção e modernização tecnológica das prisões, ou outros equipamentos primitivos e de vigilância. A mudança é mais acentuada nos Estados Unidos, onde a população carcerária triplicou entre 1980 e 1993, alcançando em junho de 1994 o total de 1.012 851. O crescimento médio foi de mais de 65.000 por ano.


É oportuno refletirmos sobre o mundo moral de Levinas que estende-se  entre o eu e o outro. É no interior desse espaço que ele encontra o berço da Ética e todo o alimento de que o eu ético necessita para manter-se vivo: o silencioso desafio do Outro  e a minha dedicada, mas desprendida responsabilidade. É um vasto espaço até onde chega a Ética, reduzindo a uma escala os mais elevados picos da santidade.    

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A EXPERIÊNCIA DO MILAGRE

REGINA DINIZ


Sinto que o desenvolvimento espiritual...
Está situado no momento presente...

A verdadeira descoberta é a fé que expressa...
A divindade se abrindo em nosso interior...
A divindade está em toda a parte...
Na beleza de uma flor, no vôo de um pássaro...

O fundamento de nossa alegria existencial...
É sempre no momento atual...

São admiráveis as leis simples e poderosas...
Que regem a harmonia do universo...
O nosso planeta vibra de vida afetiva...
Podemos ouvir, sentir o perfume das flores, sonhar...

Valorizo o tempo presente que Deus me ofertou...
Com a destinação do aprendizado espiritual...

A abundância espiritual é o sucesso da jornada...
Agradeço o poder do amor que me criou e me curou...
O que posso retribuir é honrar a fé...
Peço-me sempre novas interpretações da vida...

É no presente que aprofundamos as nossas reflexões...
Que me deixa mais forte para ir adiante...

Vivo uma nova auto-imagem...
Exercito a alegria e as emoções...
Esforço-me por realizar o meu sonho...
As fontes da fé são abundantes...

Acredito que resolver o futuro...
É resolver bem a qualidade do presente...

Escolho os caminhos da humanização da consciência...
Amar a si mesmo é ouvir o próprio coração...
É preciso harmonizar-se para ser feliz...
Jesus tu és vida...

É aqui e agora que fortaleço as emoções...
Para compreender o mundo a minha volta...

No momento em que acreditei, eu me salvei...
Agora graças a Deus eu me encontrei...
Eu sei, eu tenho certeza...
Depois vem a grande avenida iluminada...

Posso produzir mudanças pensando...

Em ser boa para mim mesmo e para os outros...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O RESPEITO PELA AUTONOMIA DO OUTRO

                   REGINA  DINIZ

“Eles são menos excluídos do que abandonados, como se estivessem encalhados na margem, depois que a corrente das trocas produtivas se desviou deles. Tudo se passa como se redescobríssemos com angústia uma realidade que, habituados com o crescimento econômico, com o quase pleno emprego, com os progressos da integração e com a generalização das proteções sociais, acreditávamos esconjuradas: a existência, novamente, de inúteis, de “inúteis para o mundo”,  pessoas e grupos que se tornaram supranumerários diante da atualização das competências econômicas e sociais. Esse estatuto é de fato, completamente distinto daquele que ocupavam até mesmo os mais desfavorecidos na versão precedente da questão social. Assim, o trabalhador braçal ou operário especializado das últimas grandes lutas operárias, explorado sem dúvida, não lhe era menos indispensável. (Autor: Robert Castel
- livro:As Metamorfoses da Questão Social – Editora Vozes – 2012).

Os excluídos, a pobreza extrema ocupa o último lugar da sociedade e nunca foi pensado em todo o mundo uma maneira de inseri-los no quadro de uma possível integração. Este plano reformista em termos de redução das desigualdades, de política de salários, de promoção de oportunidades sociais e de meios de participação cultural nunca foi discutido. Nunca esta vertente humanística em termos de transformação total da estrutura social para garantir a todos uma real igualdade de condição foi sugerida.

Por milênios e milênios o nosso planeta demonstrou uma indiferença humana inexplicável pelos chamados supérfluos. Tão desprezados e humilhados não representam um potencial de luta política e não possuem condições de pedir ajuda. Podemos dizer sem condições nenhuma de pedir socorro para uma vida mais humana. São considerados supérfluos porque não fazem nada de socialmente útil, portanto não existem socialmente. Eles estão bem presentes e isso é o maior problema, pois são numerosos demais.     

“Sempre que a questão do reconhecimento é levantada, é porque certa categoria de pessoas se considera relativamente prejudicada e não vê fundamento para essa privação. Como sabemos pelo estudo clássico da injustiça de Barrington Moore Jr., as queixas de privação raramente eram manifestadas no passado simplesmente porque grupos de pessoas se encontravam em condições de desigualdade (se isso aconteceu, o número relativamente pequeno de rebeliões ao longo da história humana seria um mistério). Baixos padrões de vida, por mais infames, miseráveis e repulsivos para um observador de fora, foram em geral, suportados com humildade e não levaram à resistência quando duraram por longo tempo e foram incorporados pelas vítimas como “naturais”. Os despossuídos se rebelaram não tanto contra o horror de sua existência como contra  uma “volta do parafuso, contra terem que enfrentar mais  demandas ou receber menores recompensas do que antes; em uma palavra, não se rebelaram contra condições repugnantes, mas contra a mudança abrupta  das condições a que estavam acostumados e suportavam. A “injustiça” contra a qual estavam prontos a se rebelar era medida em relação às suas condições de ontem e não pela comparação invejosa com as outras pessoas à volta”. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: Comunidade – a busca por segurança no mundo atual – Ed. ZAHAR – 2003). 

Ao longo de sua história, os homens se colocaram certos objetivos, em que não apareciam os desejos de felicidade baseada na riqueza. No que diz respeito à sobrevivência, da estruturação de um grupo social, das operações ou ideologia técnica, a preocupação com a felicidade não aparecia. (Foi uma novidade proclamada pela revolução moderna) a possibilidade de produção de abundância e de garantia de uma vida material melhor, uma vida mais fácil, longe dos perigos, do cansaço, da doença e da fome.

A sociedade moderna proclama, que a felicidade não era só a melhoria do padrão de vida, mas o grau de felicidade dos homens e mulheres envolvidos, que devia justificar (ou condenar caso aquele grau se recusasse a chegar a níveis cada vez mais altos) a sociedade e todos as suas obras. Nesta procura desesperada pela felicidade a esperança de sucesso tornou-se a motivação principal da participação do indivíduo na sociedade. Esta busca de felicidade materialista tornou-se até os dias de hoje num dever, e no supremo princípio ético. Os obstáculos responsabilizados ou suspeitos de bloquear essa busca  passaram a constituir o sistema de injustiça e uma causa legítima de rebelião.     

“Eu sou para o outro, quer o Outro, seja para mim ou não; o seu ser para mim é, por assim dizer, problema dele, e se e como ele trata este problema não afeta minimamente o meu ser para Ele (da mesma forma que o meu ser para o Outro inclui respeito pela autonomia do Outro, que por sua vez inclui meu consentimento de não chantagear o Outro para ser-para-mim, nem interfere de qualquer outra maneira com a liberdade do Outro). O que quer que possa conter a mais o “eu para ti”, não contém uma exigência de repagamento , espelhado ou “contrabalançado” no “tudo-para-mim”. Minha relação ao Outro não é reversível; se acontece ser respondida na reciprocidade não passa de acidente  do ponto de vista do meu ser-para”. (Autor: Zygmunt Bauman – livro: - Ética Pós-Moderna – Ed.Paulus – 4ª edição – 2010).

Nos relacionamentos humanos não podemos chegar como alguém a quem possamos conhecer, representar, reduzir a uma imagem, dominá-lo como pessoa, mas tratá-lo como alguém a quem podemos acolher, dar abrigo, permitindo, que tome a palavra para nos dizer, pedir, propor o que entender. Sendo o outro completamente exterior a mim, resta-me  acolhê-lo e esperar que ele me fale convidando-me à relação ética. Acolher o outro é, então, a apreensão, sem choque, daquilo que o outro tem para dizer, vindo de uma distância da qual nada sei e sobre o qual nada posso.

O acolhimento pacífico do outro tem a ver com as condições do próprio encontro: o eu está disponível para acolher, sem ocupar o primeiro plano, sem ditar leis, sem impor interesses ou vontades próprias; e o outro chega desarmado, despojado dos seus bens, dos seus títulos e dos seus contextos. Portanto quando acolhemos alguém, não importa que seja rico ou pobre, desta ou daquela etnia, cultura, religião, ideologia etc..., exercendo esta ou aquela profissão, desempenhando este ou aquele cargo, com este ou aquele passado, com este ou aquele presente, uma vez que nada disso é importante, porque nada disso conta. O ser humano significa por si mesmo, e isso chega. 

“Ser pessoa moral significa que eu sou guarda de meu irmão. Mas também significa que eu sou guarda de meu irmão quer o meu irmão veja, quer não seus próprios deveres fraternos da mesma forma que vejo; e que eu sou guarda de meu irmão não importando o que os outros irmãos, reais ou putativos, fazem ou podem fazer. Pelo menos, eu só posso ser adequadamente seu guarda se ajo como se eu fosse o único obrigado, ou mesmo apto, a agir dessa maneira. Eu sou sempre aquele que carrega aquela palha que quebrará as costas do camelo da indiferença moral. É essa unicidade (não “generabilidade”), e essa não- reversibilidade de minha responsabilidade, que me coloca no relacionamento moral. Isso é o que conta, quer façam, quer não todos os irmãos do mundo por seu próprio irmão o que eu estou a ponto de fazer. Seu eu fosse buscar padrões pelos quais deva ser medida minha responsabilidade moral para se ajustar a meu impulso moral, eu não os encontraria nas normas que posso exigir razoavelmente que os outros sigam.  “ O eu sempre tem uma responsabilidade a mais que todos os outros”. (Autor: Emmanuel Lévinas – livro: Ethics and Infinity – 1985 – Pittiburgh).

A minha responsabilidade é sempre um passo a frente, sempre maior que outro. Sinto o conforto das normas éticas já existentes, que serve para guiar-me, para assegurar-me de que atingi o limite do meu dever e assim me livrar da ansiedade a qual chamo de consciência culpada. O padrão pelo qual eu (somente eu) meço a minha própria responsabilidade é o padrão da justiça ética, é um plano que só eu posso estabelecer para mim e não posso impor perante outras pessoas como a medida de sua moralidade. O padrão da justiça ética é um padrão além e acima da medida da medida de decência moral, medida que é partilhada e universal.


“O dever de todos nós”, que conheço, não parece ser a mesma coisa que a minha responsabilidade sente. A simples regra de respeitar a privacidade de outrem e tornando o respeito visível é fundamental. O resto do tempo, estou em situações carregadas  moralmente, e isso significa que estou  no que me é próprio. Pensar nas situações-limite é estar no solo em que as morais germinam, crescem, florescem, murcham e renascem. “A lógica da evolução, a forma que a evolução deu à sobrevivência, pode afiançá-la: se há vantagens em ser participante de uma troca recíproca, e se é mais provável que alguém seja relacionado como participante se tem genuíno interesse por outros, há vantagem evolutiva em ter genuíno interesse por outros”. (Autor: Peter Singer – Livro: The expanding circle: Ethics and sociobiology, - 1981).