sábado, 27 de junho de 2009

ÉTICA E IDENTIDADE

Regina Diniz

“Quando nos comprometemos com novas áreas de aprendizagem, quando aceitamos
tarefas que exigem mais de nós, aumentamos nosso poder pessoal. A auto-afirmação e-
xige coragem. (Paul Tillich – Livro: The Courage To Be).

Sentimos a nossa competência de percepção e reflexão em uma determinada experiência, quando ela nos mostra interesse e emoção. A condição afetiva conta muito.

Somos plenamente coração. Para compreender a si mesmo é importante momentos de meditação positiva, que nos mostram mananciais de força e segurança emocional.

Estudar, trabalhar, usar o dom da criatividade, ser responsável pela própria vida aumenta a autoconsciência. Interpretar o mundo pela razão pura é uma lei irrefutável. A qualidade de pensamento é o berço das mais elevadas qualidades humanas. Somos proprietários de poderosas abstrações, como amor fraterno, bondade, sensibilidade estéti-ca e assim por diante.

Perceber com inteligência o desafio da cultura em que vivemos e melhorá-la acorda o instinto de criatividade que habita dentro de nós. A imaginação criadora está em contínua prontidão, forçando a sua explosão esclarecedora.

Todos nós podemos viver em estado de criatividade: - levando a vida com alegria, -com seriedade, - com afeto, - com apoio, - com união, - com qualidade de idéias e abertamente com humor.

Sullivan – “As nossas atitudes para com os outros correspondem as nossas atitudes para conosco e necessitamos basicamente amar a nós próprios se quisermos amar os outro, está, hoje, demonstrada acima de qualquer dúvida.

Para operacionar a realização de nossas idealizações precisamos confiar em nós mesmos e nos admirar. A confiança e a admiração devem ser plasmadas no âmbito dos valores.

O auto-respeito é a convicção de nosso próprio valor, e que nosso bem-estar emocional vale a pena ser mantido, protegido e nutrido. O respeito por nós mesmos mostra a qualidade de interação que vivemos, a expectativa da amizade, do amor fraterno e do prazer existencial como conseqüência de quem somos e do que fazemos.

Através de opções, durante as várias etapas da vida, vamos edificando passo a passo a nossa própria identidade. A honra é resgatada a cada trabalho bem feito, o que muito nos gratifica.

Nosso monumento emocional é construído com o melhor de nós mesmos. Minuto a minuto descobrimos novas habilidades que vão sendo substituídas por outras e assim por diante. Os nossos objetivos existenciais são traçados além do horizonte... É assim que progredimos... Desejamos o inalcansável...

O nosso crescimento pessoal e emocional é complexo. Só nós sabemos o que é bom para nós, porém uma coisa é certa: “As maravilhas de nossa evolução não são bens compráveis, assim como o ar que respiramos ainda não foi comercializado e nunca o será”.

Marcas, grifes, objetos, carros, vestuário jamais poderão fazer parte da linguagem de reconhecimento humano. Eles não representam nada diante da sólida estrutura cognitiva do ser humano.

É preciso distinguir atentamente. A própria identidade é o melhor que temos como auto-reconhecimento. Ela não é momentânea e nem descartável.

A cultura de consumo é violenta e sem valores construtivos, encaminha-se para a destruição das bases do ser humano, isto é, do equilíbrio que desde os gregos o pensamento universal manteve. A sociedade de consumo pretende ser uma cultura rodeada de muralhas, rica e ameaçada, mas engana e se engana pois esta favelizando o mundo.

sábado, 20 de junho de 2009

RECOMEÇOS

Regina Diniz

Medo da derrota estraçalha a coragem para enfrentar os desafios da vida.
Envido todos os esforços para mudar o recuo em avanço,
Sinto poderosa motivação para reformular planos, opiniões e decisões.
As correntes da vida em torno de mim estão cheias de significado...

Festejo a própria vida colhendo as flores inconseqüentes da estrada...

Medo da humilhação por praticar a auto-sabotagem.
O meu recomeço é enfrentar a incerteza.
As alternativas devem ser testadas apesar de tudo.
Só assim os meus dias são dignos de serem vividos...

Penso em tudo que é bom e belo no coração humano...

Medo do perigo de não pensar por mim mesma.
Diante das quedas recomeço motivada,
Sei que não passo de principiante da vida.
Deus me deu o dom de sempre recomeçar...

Tomo uma jangada e flutuo nos mares...

Medo da frustração de não buscar a causa dos meus fracassos.
Considero saudável conhecer o mundo que o meu espírito habita,
Tiro de dentro do meu coração o Deus de aprovação dos outros...
Cultivo hábitos de pensamentos saudáveis e saio do desespero...

Usufruo a paz dos anjos...

Medo do sofrimento em remover resíduos de autodestruição.
A violência é uma defesa contra a verdade.
Sou mais humana comigo mesma...
A minha maior vitória é conquistar o meu coração...

Mergulho nos belos sentimentos que adornam a vida...

Medo de conhecer o medo dentro de mim...
Não exijo demais de mim mesma...
Reparto fardos, reformulo idéias, refino valores...
Agora preciso descobrir uma luz que me leve mais longe...

Joguei fora as flores despetaladas da desesperança...
Vibro a realização dos valores espirituais da alma...

sábado, 13 de junho de 2009

ÉTICA E CULTURA

Regina Diniz

Você faz sua vida avançar, utilizando as possibilidades criativas daquele momento preciso, que você está vivendo. Você começa a ocupar integralmente aquele momento em vez de procurar escapar ou desejar que o que está acontecendo seja diferente.(Epicteto 55d.C.-135 d.C).

Personalidades fortes sempre lutaram ao longo do tempo com empenho e energia na leitura inteligente do contexto em que viveram, para compreendê-lo, e concomitantemente entenderem a si mesmo e aos outros, forjando novos valores existenciais.

Motivados por autonomia e inconformismo saudável e exercendo um raciocínio moral avançado, pensaram e construíram valores éticos com sensibilidade intensificada, marcando presença em suas sociedades. As gerações sucedem-se ao longo do tempo...

A independência de pensamento e a apropriação de novos valores existenciais é o maior espetáculo cultural do crescimento humano. Brilha a auto-estima em relação ao trabalho.
Cultivam a personalidade positiva e segura nas habilidades. Pela dedicação se valem de seu poder de reflexão. Desejam tornarem-se merecedores de consideração pelos seus pares.

Questionam o seu desempenho e exigem-se alto desempenho. Firmeza, perseverança e concentração são cultuados. Vibra a metacognitividade...
Predileção por uma participação na vida responsável, ordenada por si, admirando e conservando todos os avanços que a humanidade já conseguiu . Acentua a realização do próprio prazer, que são os prazeres simples da vida, numa abertura descontraída à vida.

Culturas anteriores categoricamente afirmaram que a felicidade está no SER e não no TER. Graças a Deus que o SER se mantém até os dias atuais, e se manterá, porque dispomos de um apreciável código de crescimento humano. Mais do que nunca as melhores colocações exigem uma personalidade integral com a felicidade oferecida pelo respeito por si mesmo.

O pensador Lucien Febvre no livro Le Problème de l’incroyance au XVI, siécle conta:
“Peur toujours, peur partout”(medo sempre e em toda parte.)A experiência de viver na Europa no século XVI – o tempo e lugar em que nossa Era Moderna estava para nascer.
Cinco séculos depois Febvre está notavelmente adequado e atual.

A cultura consumista dos nossos tempos tremula, triunfalmente a bandeira do bem estar subjetivo, mas luta tenazmente para reduzir o ser humano à identificação escravizadora com objetos, carros e vestuário.O imenso trabalho das mulheres não aparece na contabilidade nacional das culturas consumistas. Mas este tipo de sociedade agoniza. Jamais conseguirá justificar: - a explosão da taxa de criminalidade – roubos a bancos. – a residências - de automóveis – tráfico de drogas –corrupção na política e nos negócios.

As grandes cidades viraram favelas... É de se pensar profundamente na realidade contemporânea... é urgente rejeitá-la totalmente ...

Satisfaça o teu instinto de descoberta triunfar. Pense e repense e não caia nestas velhas armadilhas. Em frente... É preciso acreditar em Deus. Ele existe.

sábado, 6 de junho de 2009

O CANTO DA CIGARRA SOLITÁRIA

Regina Diniz

Reorientar-me...
Reestruturar-me...
Mudar o padrão vibratório...
A felicidade está aqui...

Hoje, fui acordada por um raio de sol,
Que me aqueceu afetivamente...
A tal ponto, que me senti invadida
Por alegria prazerosa, que me nutriu
De vontade intensa de fazer planos renovados,
Buscando a paz que transcenda a minha própria compreensão,
Assumindo o exercício da ética comigo mesma.
Aqui da janela visualizo o mato verde,
Que começa há quatro metros da casa...
É primavera... a estação das renovações fortes,
É uma festa de cores...
É uma explosão de vida...
Trepadeiras amarelas balançam no ar...
Com a elegância e leveza de trapezistas da natureza,
Parecem querer dizer-me:
- Procura a estrada do comportamento correto...
- Mergulha no prazer da busca...
- E ornamenta tudo por onde andares...
- Aprenda conosco... Sinta o nosso poder de encantamento,
- Porque a retribuição é imediata... Vale a pena praticar...

Edificarei a minha ilha de sobrevivência
E nela só triunfarão
A criatividade que motiva,
Só vibrará a magia pelo aprender...

Uma cigarra solitária canta,
Faz uma pequena pausa e continua
Em tom alto e melodioso.
É uma líder de vanguarda,
Já descobriu que o verão se aproxima,
E quer avisar-me:
Que preciso de muita força interior,
Para transpor os desprezos e os insultos,
Para permanecer com boa saúde mental...
Procurarei saídas interiores de paz...
Paz comigo...
Paz com os outros...
Priorizando confirmações saudáveis,
Levando a sério uma mudança radical,
Rumo a elevada auto-estima,
Porque é escandaloso imaginar
Que viver sempre em litígio,
Que viver de pequenas guerras cotidianas,
Eu vá melhorar a minha felicidade.
Olho-me sempre no espelho,
Procurando traços de desistência,
Não quero tornar-me uma pessoa machucada,
Ferida e ferindo,
Tornando-me uma pessoa seca,
De prontidão para com os motivos depressivos,
Tenho medo do inconsciente mundial...

Custe o que custar
Não fugirei...
Assumirei o meu jeito de estar no mundo,
Responsabilizar-me-ei por atos saudáveis de viver...

Odeio estar sozinha... Nunca estive sozinha...
Sinto nas minhas costas o peso do treinamento sistemático,
De séculos e séculos para a dependência.
Tenho dificuldade em planejar a minha vida
Numa cultura suicida...
Aprendi que os seres humanos mais proeminentes,
Aqueles que auxiliaram decisivamente a humanidade
Foram independentes...
Às vezes acredito que a segurança deforma
E inutiliza as pessoas...
Preciso construir coragem dentro do meu eu...
A necessidade de liberdade para forjar uma personalidade sadia,
Clama por satisfação dentro do meu peito,
Parece que alguém de segundo a segundo
Sussurra ao meu ouvido:
- Agüenta firme... A responsabilidade cura a alma.
Agora estou sentindo o perfume de flores do mato.
É algo essencialmente puro.
Preciso purificar muitos conceitos arraigados dentro do meu ser.
Propostas falsas pululam por todos os lados,
Um caldeirão infernal de corrupção fervilha...
Brota com toda a força... é impressionante...
É preciso coragem para reagir...
Procuro ultrapassar os próprios limites em busca de coerência.
Remo obsessivamente a procura de águas éticas,
Mas o inconsciente do planeta acredita na destruição mútua
Como renovação... São conflitos pessoais e culturais que explodem.
Estou pensando por onde começar...
Para estimular o meu inconsciente coagido,
Acuado e confuso...
Mitos, monstros da idade média
Enchem a minha cabeça... dinossauros, vampiros,
Exijo-me apurada faxina mental...
Agora usufruo desta maravilhosa experiência,
Acordei muito bem hoje,
Os deuses estão sorrindo para mim...
É só me ajudar que idéias saudáveis surgirão,
Boas idéias que elevem a mim e aos outros.
Mas me vejo insegura.
Parece que o que me falta são convicções próprias.
- São intensos os medos da violência,
- Que fico em dúvida no que acreditar...
- Agora vou correr atrás dos valores milenares,
- Aqueles que valeram por séculos e séculos
- E deram excelente base emocional
- E não o terrorismo sádico que hoje é proposto.

Criarei mitos mentais equilibrados
Para entender o mundo,
Fazer o bem incondicionalmente,
Sem estar vidrada nas recompensas...

Desço as escadas do sobradinho,
Olho-me no espelho,
Fotografo-me realmente decidida
Em seguir a frente,
Retirando o limo das pedras do meu inconsciente.
Instalo-me tranqüilamente numa cadeira,
Comendo pedaços de abacaxi.
Início as delícias da manhã...
O sol está radiante...
O céu está azul...
Dentro de poucos minutos irei ao banho de mar...
Árvores as mais frondosas e exóticas mostram exuberância...
Ouço o canto de pássaros raros...
Ar puro...
Silencia Divino...
É um momento iluminado...
Para achar portas de saída existencial...
Tilintou o telefone...
Quem será que ousou interromper o meu retiro
Deste mundo tremendamente conturbado?
A voz do meu amigo Maurício há quinhentos quilômetros daqui
Rompe com as minhas teses de superação...
-Maria Helena estás bem? Dormiste bem?
-Todos estamos preocupadíssimos...
-E sabes bem o porquê, te amamos muito...
-Está comprovado que o estresse do medo
-Penaliza gravemente o coração.
-Qualquer motivo de insatisfação é só chamar...
-Largaremos tudo e iremos buscá-la.
Respirei fundo duas vezes, concatenei a minha concentração
E metralhei:
-Estou feliz da vida, o mar espera-me.
-Agradeço ao mundo maior
-Por ter permitido que eu me afastasse dez dias,
-Das pressões da selva da sobrevivência...
-Passou só um dia e já alimentas com tenacidade
-A idéia de que não posso cuidar –me,
--Que não posso afirmar a minha identidade,
-E que não sei defender-me...
-Fiquei um ano trabalhando, na sufocação,
-Encostada na parede, assustada todo o tempo,
-Com medo da alta do custo de vida,
-Com medo de não poder manter-me viva...
-Dá-me um tempo no mercado afetivo e sexual.
-Dá-me coragem...
-Para construir a autenticidade e fidelidade para comigo mesma...

Uma pausa...
Para a fundação de novos padrões...
Uma pausa...
Para a renovação extraordinária...

E agora mergulho no mar transbordando
E transbordante de vigor mágico...
As ondas embalam o cântico
Da evolução infinita...
Sinto-me em silêncio interior...
Vejo tudo com os olhos da sabedoria,
Sem a ignorância...
Torno-me feliz...
Na serenidade e seriedade...
Longe da superficialidade de consciência,
E perto da concentração profunda,
Consigo tocar os poderes de discernimento claro,
Valorizo agora a introspecção sutil...
Com certeza obterei ganhos em processos biológicos saudáveis,
Descubro que o meu corpo e a minha alma trabalham cooperativamente,
E não competitivamente...
O custo da cegueira é altíssimo...
Perguntas estalam inutilmente em minha mente,
Vencedora de quê?
Perdedora de quê?
O que vale é o modo como nos tratamos...
Que água cristalina!...
Enxergo os meus pés com nitidez,
É bem fresquinha...
Como me faz bem o relax...
A suavidade das ondas refresca-me da luta intensa.
Ouço o piado euforizante das gaivotas,
Cantam para homenagear
Esta tentativa de mudança de ser.
Quero sentir-me segura,
Como um animalzinho em sua toca.
Cansei-me de sentir-me ameaçada,
É horrível...
Gostaria de ser plenamente acolhida neste belo planeta...
Sem pressões...
Sem prontidão para ataques e fugas...
Sem guerrilhas surdas comigo mesma,
Estou idealizando um ambiente acolhedor,
A meu próprio favor...
Sem mascarar a lisura de intenções.
Chegará um tempo não muito longe,
Quando os predadores forem sumariamente eliminados...

Quero crescer como pessoa
Não quero ganhos imediatos...
Não entrarei na desenfreada corrida individualista
Quero cuidar da Contabilidade com Deus...