REGINA DINIZ
Nas últimas décadas do século XX, segundo o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, pelo menos cem das nações em desenvolvimento ou em reforma vivenciaram uma forte queda econômica,
e teve como efeito, que a renda per capita estivesse aqui mais baixa do que 10,15,20 ou até 30 anos atrás. Certamente os frutos do crescimento econômico se concentraram numa pequena minoria da população mundial, de modo que a pirâmide do bem-estar se torna sempre mais íngreme: as 200 pessoas mais ricas possuem o correspondente àquilo que 41% da população mundial possui.(UNDP.1999, p. 38). (Citação de Thomas Kesselring – Ética, Política e Desenvolvimento Humano – A justiça na Era da Globalização).
Apesar da enorme produção de riquezas que o mundo produz, o relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicará nos países menos desenvolvidos ou periféricos. A frieza humana das Nações Unidas para O Comércio profetiza a quebradeira total dos países mais pobres e nos deixam estarrecidos. Em nível global, segundo o Banco Mundial – 11- 2011 -, há cerca de 1,4 bilhão de pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia.
Atualmente, milhões de pessoas, no mundo todo, morrem silenciosamente sem o mínimo reconhecimento humano dos governos municipais, estaduais e nacionais. Todos eles vítimas da ausência de planejamentos públicos que lhes garantam ao menos Direitos Básicos de Sobrevivência, como saneamento, água potável, alimentação, moradia, saúde e educação. População que passa fome: 850 milhões em 2007; 925 milhões em 2008; l - Necessidades de investimentos: 30 bilhões por ano: 3 – 2% detêm mais da metade da riqueza mundial (ONU – 2008).
A pobreza e a miséria, apesar de cinco décadas de políticas para o desenvolvimento, absolutamente não desapareceram. Segundo dados do Banco Mundial na virada do século, 2,8 bilhões de pessoas, portanto a metade da população mundial, dispunha de uma receita diária de menos de dois dólares. Essas pessoas viviam na média até bastante abaixo dessa marca, a saber, 44,4 % (Pogge, 2002, Cap.4.3.1).
Aproximadamente 1.2 bilhões de pessoas, um em cada cinco habitantes do planeta sobrevivem com menos de 1 dólar por dia. Essas pessoas vivem na pobreza extrema, sem acesso aos mercados, sem acesso a bens e serviços sociais os quais seriam necessárias as conduções de uma vida humanamente digna. Devido à pobreza, morrem todos os anos, prematuramente em todo o mundo 18 milhões de pessoas, significando 50 mil por dia.
“Desde a Segunda Guerra Mundial, a desigualdade na repartição dos bens materiais aumentou, quando deveria ter diminuído em nível global. A população mundial triplicou e segundo os dados do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas revelam que, desde 1965, a mortalidade infantil reduziu mundialmente à metade e a expectativa de vida se ampliou em uma década”. (UNDP, 1999, p.23). Entretanto o número de pessoas que vivem em condições de vida indigna e até extremamente deplorável no mundo todo é hoje maior do que antes.
Relatórios do Banco Mundial afirmam que 73% da população mundial detêm apenas 15% da riqueza produzida no planeta. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) revela que quatro em cada dez trabalhadores no mundo são pobres. Dos 3 bilhões de pessoas empregadas, 1,3 bilhão ganha até US$ 2,00 diários e 489,7 milhões ganham menos de US$ 1 por dia. (23 – 01 -2008). Segundo o relatório Indicadores de Desenvolvimento Mundial, divulgado em Washington, cerca de 986 milhões de pessoas em todo o mundo ainda vivem com menos de US$ 1 ao dia, critério de avaliação da pobreza extrema. O Banco nota, entretanto, que mesmo nos países que reduziram os níveis absolutos de pobreza a desigualdade cresceu muito.
Aceitar que a pobreza é global, que é desesperadora, que é um problema dramático, e que temos que debatê-la, em busca de possíveis soluções sociais, já é um avanço civilizatório. Cada país fazendo a sua obrigação humanística, ajudando e valorizando as chances de vida, que cada um pode oferecer aos seus compatriotas, enche a alma do nosso planeta de esperança. Rejeitando totalmente a corrupção, exigindo um bom funcionamento democrático, com igualdade de oportunidades para todos os pobres, deve ser um assunto para exigirmos todos os dias de nossos políticos.
As pessoas que vivem a margem da economia formal movimentam-se no círculo negativo da miséria. Estão mal nutridas, porque estão desempregadas. Não conseguem trabalho porque estão desempregadas. Não conseguem trabalho porque estão enfermas e debilitadas. Elas apresentam o quadro da nutrição precária. Esta tremenda injustiça social acontece em dimensões continentais.
Relatórios do Banco Mundial afirmam que 73% da população mundial detêm apenas 15% da riqueza produzida no planeta. Cerca de 14,2 da população global passa fome o que corresponde ao estimativo de 925 milhões de pessoas. Segundo a FAO, o preço do alimento no mundo mais que dobrou em 5 anos. Isto afetou principalmente os cerca de 1,4 bilhão que ganham menos de 1,25 por dia. Para a ONU, se a escalada de preços dos alimentos continuar a persistir, mais de 100 milhões de pessoas podem ser arrastadas para baixo da linha de pobreza, em todos os continentes. 2,5 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso a saneamento básico, ou seja, cerca de 30% da população mundial, estimada hoje em 6,5 bilhões.
A pobreza é causada pela carência de oportunidades – principalmente de educação – e que escancara a ausência governamental, causando o aumento incontrolável da pobreza. A vontade política de assumir a pobreza é questão humana de justiça social e é da responsabilidade dos mais ricos ajudar os necessitado. Na Doutrina de Jesus de auxílio e de emancipação dos pobres foram desenvolvidas estruturas e organizações de caridade, entre elas as missões nos países pobres, que incentivam as pessoas a praticar a caridade cotidianamente.
Singer fala principalmente de gastos monetários, mas também considera outras ações como possíveis, por exemplo, o empenho por formas melhoradas de ajuda ao desenvolvimento, por acordos de cooperação mais justos entre os países ricos e os países pobres, ou por uma limitação do poder das sociedades multinacionais, enquanto elas não participam ativamente no combate à pobreza. (p.244). “Talvez seja até mais importante defender politicamente os interesses dos pobres, do que lhes fazer chegar doações pessoais”.(p.245) (Singer – Livro: Pobre e Rico – pág. 215 – 247).