domingo, 3 de novembro de 2019

O PASSADO E O PRESENTE DE UMA DOENÇA



Lucia Regina Diniz Trindade


            Autora: Sidharta Mukerjer vive para transpor fronteiras. Hoje professor da Universidade de Columbia, em Nova York, o médico e cientista nasceu em Nova Delhi, na Índia, em uma família bengali de classe média. Distinguiu-se nos estudos, recebendo as mais altas honras na escola. Cedo mostrou pendor para a ciência e seus primos na Califórnia convenceram-no a cursar Biologia na Universidade de Stanford, um dos principais centros mundiais de inovação. Ganhador da Bolsa Rhodes seguiu para a Universidade de Oxford, na Inglaterra. Lá obteve o doutorado em Imunologia, trabalhando com respostas imunes a vírus. Autora: CRISTINA BONORINO, Imunologista e pesquisadora.

            Surpreendeu a todos quando recusou propostas para estabelecer seu próprio laboratório, decidindo que, para realmente compreender doenças, precisava estar ainda mais próximo destas. Assim, retornou aos estados Unidos, mas agora para cursar Medicina Harvara, onde especializou-se em Oncologia. Nada em décadas de estudo o havia preparado, contudo para o impacto que o contato com os pacientes de câncer teria em sua vida. Consumia-se com as histórias destes, atormentado pelas decisões diárias, que precisava tomar quanto aos tratamentos que via de regra apenas prolongavam temporariamente algumas vidas, ainda que as transformando para sempre. Autora: CRISTINA BONORINO – Imunologista e pesquisadora.

            Sentindo-se impotente, intuiu que as experiências de cada um de seus pacientes eram parte de uma batalha mais ampla e muito antiga. Mergulhou assim profundamente na história do câncer, e dali emergiu ciente de que o passado da doença explicava o seu presente. Nossa visão do câncer e seu tratamento – acompanhou e acompanha a evolução do pensamento humano. Por maiores que sejam nossos avanços tecnológicos, a única esperança de revolução definitivamente o campo residia em revolucionar os paradigmas, que guiam nosso comportamento. O resultado dessa jornada tornou-se um best-seller internacional – O Imperador de Todos Males: Uma Biografia do Câncer, publicado em 2010. O livro ganhou uma série de prêmios, incluindo o Pulitzer de 2011 na categoria não ficção e foi adaptado como documentário para TV, dando sua vez um Emmy ao seu realizador, Ken Burns.

            Mukherjee surpreende ao escrever como ficcionista experiente. É difícil crer que o livro, como ele conta, sem nenhum processo do ou disciplina, em cada intervalo que conseguia extrair nos exaustivos dias de residência médica no Dana Farber Hospital, em Harvard. Com estilo, mas sem descuidar dos fatos ou da ciência, a história é contada como uma biografia, em que o personagem principal tem 4 mil anos. Mukherjee viaja cronologicamente pelos principais conceitos já empregados para definir o câncer, mas não se limita a um relato. Ele usa o aprendizado emocional que obteve tratando pacientes oncológicos para trazer ora a gravidade, ora a euforia necessária para dimensionar ao leitor episódios desse embate entre a humanidade e a doença.

            Mukherjee ignora fronteiras entre identidades e ideias, salta sobre elas com leveza. Cientista, anseia por transcender a academia, aplicando o conhecimento que ajuda a gerar. Médico, coloca-se no lugar dos pacientes e, como eles, e, como eles, anseia por uma solução definitiva para a doença até hoje mencionada em voz baixa e aterrorizada. Pesquisador, busca na história respostas para o presente e esperança para o futuro. Escritor, usa arte para explicar de maneira simples problemas extremamente complexos. É admirável seu desapego a qualquer conceito que ele mesmo, ou outro, tenha da sua pessoa. Para escrever seu livre seguinte. O Gene, publicado em 2016, não hesitou em cruzar uma fronteira íntima; investigou e trouxe elementos de sua própria história familiar, atormentada por uma série de casos de doença mental.

            Mukherjee narra de maneira ele eletrizante como os seres humanos descobriram as leis da hereditariedade conceberam o conceito de gene, desvendaram a estrutura do DNA e, finalmente chegaram a um ponto onde podem manipulá-lo, contudo ainda sem entender completamente as consequências disso. Ele partilha com o leitor o privilégio que teve em presenciar muitos dos momentos-chave dessa odisseia. Em Stanford seu mentor, Paul Berg, recebeu o Nobel por seus estudos nas primeiras quimeras de DNA - seres em que misturava o material genético de vírus e bactérias. Ao contrário, cada um de nós precisa fazer um esforço, para conhecer todos os ângulos, ouvir os diferentes argumentos, exercitar o pensamento, em vez de fechar os olhos e tapar os ouvidos para algo que pareça difícil ou mesmo impossível.



domingo, 29 de setembro de 2019

A PRESENÇA RADIANTE DO SAGRADO




REGINA DINIZ

Devemos concentrar-nos no que queremos fazer...
Devemos concentrar-nos no que decidirmos escolher...

Quando uma pessoa percebe...
O sentido profundo da sua existência...
Deixa de perder tempo e energia...
Com situações confusas e disputas pessoais...

Uma vez que se percebe o plano divino...
O resto perde importância...

A presença radiante do sagrado...
Passa a iluminar gradualmente...
Os diferentes aspectos da vida diária...
Afinal quem somos?

Várias vezes nos fazemos esta pergunta...
Voltamos nossos pensamentos para dentro do mundo interno...

O grande desafio é reorientar...
O grande desafio é redefinir nossa personalidade...
Tornando-nos conscientes de que somos?
Que papéis interpretamos até agora?

Redimensionando nossas responsabilidades...
Redimensionando nossos anseios pessoais...

Ter desejos de crescimento espiritual...
É o que Deus quer para cada um de nós...
Esse é o estado natural...
Como criadores da nossa realidade...

A voz de Deus se faz ouvir no maior sentimento...
Que possa palpitar em nosso coração...

Deus nos responde ainda...
Através de suas leis perfeitas e justas...
Que impõem o progresso do ser.
E desenham a sua felicidade...

Observar as leis universais imutáveis...
Ação correta, verdade...

sábado, 31 de agosto de 2019

ONDE ESTÃO OS NEGROS NA EDUCAÇÃO?



POR RODRIGO LOPES

GRAÇA MACHEL É UMA DAS VOZES DE UMA ÁFRICA QUE INSISTE EM MOSTRAR-SE AO MUNDO, MESMO QUE O MUNDO VIRE O ROSTO. A MULHER DE OLHAR PROFUNDO E PALAVRAS PRONUNCIADAS CALMAMENTE MATERIALIZA EM SUA VIDA AS PRINCIPAIS LUTAS DO CONTINENTE NOS SÉCULOS 20 E 21: CONTRA O PRECONCEITO, A SEGREGAÇÃO E O MACHISMO, A VIOLÊNCIA E A INVISIBILIDADE. NA SALA DE AULA, EU ERA A ÚNICA NEGRA ENTRE 40 ALUNOS. EM UMA UNIVERSIDADE DE LISBOA ESTUDEI A FILOSOFIA GERMÂNICA. AOS 25 ANOS, JUNTOU-SE À FRENTE PELA LIBERTAÇÃO DE MOÇAMBIQUE COMO GUERRILHEIRA E MARCOU PARA A EXPULSAR DE SEU PAÍS AS FORÇAS COLONIAIS PORTUGUESAS.

FOI MINISTRA DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA ENTRE 1976 E 1989. NOMEADA PELA ONU PARA O ESTUDO DO IMPACTO DOS CONFLITOS ARMADOS NA INFÂNCIA, RECEBE A MEDALHA NONSEN DAS NAÇÕES UNIDAS EM 1995, ELA TAMBÉM FOI CASADA COM DOIS MITOS AFRICANOS: SAMORA MACHEL (1933- 1986), PRIMEIRO PRESIDENTE DE MOÇAMBIQUE, E NELSON MANDELA (1918 - 2013), DA ÁFRICA DO SUL. NA SEGUNDA-FEIRA ABRIU UM CICLO DE CONFERÊNCIAS FRONTEIRAS DO PENSAMENTO 2019. ANTES CONCEDEU A SEGUINTE ENTREVISTA A ZH. A PASSAGEM DO FURACÃO IDAÍ
POR MOÇABIQUE, QUE DEIXOU MIL MORTOS E AFETOU MAIS DE TRÊS MILHÕES DE PESSOAS, RECEBEU POUCA ATENÇÃO DA MÍDIA EM GERAL E BRASILEIRA EM PARTICULAR.

POR QUE A ÁFRICA AINDA É INVISÍVEL, PARA O OCIDENTE. HÁ DOIS FATORES. O PRIMEIRO É QUE A ÁFRICA NÃO TEM PUJANÇA NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO PARA SE PROJETAR, PARA SE COLOCAR NO MAPA DO MUNDO. UMA PARTE DO PROBLEMA É NOSSO AFRICANO. OUTRA PARTE É QUE AS GRANDES AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÕES GLOBAIS TÊM SEUS INTERESSES VIRADOS PARA OUTROS CONTINENTES. A ÁFRICA É UM CONTINENTE PARA A QUAL SE BUSCA DINHEIRO.NÃO É UM CONTINENTE NO QUAL SE BUSCAM NOTÍCIAS. REPARE QUE TEMOS, NOS ÚLTIMOS TEMPOS UMA PRESENÇA SIGNIFICATIVA DE EMPRESAS GLOBAIS, MINERADORES DE SETORES DE PETRÓLEO E GÁS   DAS TELECOMUNICAÇÕES E NÃO É FALTA DE PRESENÇA DE MULTINACIONAIS.

SÓ QUE O INTERESSE, LÁ É SÓ DINHEIRO. AO PASSO QUE O INTERESSE LÁ, É SÓ O DINHEIRO. AO PASSO QUE O QUE ACONTECE NA EUROPA É NOTÍCIA. O QUE OCORRE NA CHINA TAMBÉM, PORQUE O PAÍS ESTÁ ABALANDO O PODERIO ECONÔMICO DOS EUA. A CORÉIA DO NORTE TAMBÉM SE TORNOU UM FATOR MOBILIZADOR. ELAS PASSAM FOME LÁ, MAS É PRECISO OLHAR PARA AQUELA GENTE PORQUE PODE PROVOCAR UMA CATÁSTROFE GLOBAL. O BRASIL É A AMÉRICA LATINA COM A FORÇA QUE TEM TAMBÉM CONSTITUEM UM CASO PARA SE PRESTAR ATENÇÃO. SE OLHARES A CNN, O CONTINENTE LATINO-AMERICANO NÃO APARECE. ESSAS SÃO GRANDES QUESTÕES QUE VOCÊS, QUE ESTÃO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL DEVEM LEVANTAR. NO FINAL, HÁ AQUELES QUE SÃO APENAS FONTES PARA ENRIQUECIMENTO DE QUEM JÁ É RICO. MAS AS PESSOAS NÃO CONTAM AS SUAS HISTÓRIAS, SUAS VISÕES DO MUNDO.

A SENHORA TINHA LIGAÇÕES CO O EX-PRESIDENTE LUIZ INÁCIO DA SILVA E COM INTEGRANTES DO GOVERNO DO PT. CONTINUA ACOMPANHANDO A REALIDADE BRASILEIRA? U POUCO. APESAR DE NÓS PERTENCERMOS À GRANDE FAMÍLIA
DOS PAÍSES DA LÍNGUA PORTUGUESA, SABEMOS POUCO UNS DOS OUTROS. MESMO DENTRO DESSA FAMÍLIA. NÃO HÁ CURIOSIDADE DE IDENTIDADE ACIMA DOS TAIS INTERESSES ECONÔMICOS. NÃO HÁ INTERESSE GENUÍNO DE DIZER QUE, SIM CABO VERDE, ANGOLA E MOÇAMBIQUE SÃO PARTE DESSA FAMÍLIA. QUE POVOS SÃO ESSES? O QUE FAZEM? QUAIS SÃO SUAS HISTÓRIAS? QUAIS SÃO AS CONTRIBUIÇÕES PARA A HUMANIDADE? NEM DENTRO DA FAMÍLIA DAS NAÇÕES REUNIDAS NA CPLP, COMUNIDADES DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA TEMOS ESSA CURIOSIDADE.

DECISÕES BOAS ESTÃO FAZENDO PARA COMPREENDER A CENTRALIDADE DA PARTICIPAÇÃO DA MULHER NOS ÓRGÃOS DE DECISÃO NOS PARLAMENTOS, GOVERNOS E MESMO NO JUDICIÁRIO. LULA TINHA COMPREENSÃO DISSO, DE QUE ERA PRECISO SABER ESSA EXPERIÊNCIA. A SENHORA SE DECEPCIONOU COM A PRISÃO DE LULA? NÃO ESTOU APENAS DECEPCIONADA. ESTOU PROFUNDAMENTE MAGOADA. COM QUEM? ESTOU PROFUNDAMENTE MAGOADA PELA INJUSTIÇA
QUE SE ESTÁ PRATICANDO AQUI AO PRENDER LULA. SOU DAQUELES BRASILEIROS



domingo, 28 de julho de 2019

O DESAFIO E O QUESTIONAMENTO DA REALIDADE



LUCIA REGINA DINIZ TRINDADE

         José Eduardo Agualuza - 1960 - escritor angolano é um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance Teoria Geral do Esquecimento. Também publicou Nação Crioula, vencedor do Grande Prêmio de Literatura RTP, Fronteiras Perdidas, Barroco Tropical, e o vendedor de passados, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal The Independente. Seu romance mais recente é A Sociedade dos Sonhadores involuntários, lançado em 1917 e que é uma fábula, satírica e divertida, que desafia e questiona a natureza da realidade da natureza da realidade.

         O entrar com a literatura do escritor angolano, José Eduardo Agualuza, o público brasileiro poderá ter acesso a outra visão literária da contemporaneidade. Poderá experienciar não mais a visão eurocentrada, mas uma cosmovisão pós-colonial profunda e esteticamente bem elaborada. Pode-se dizer que as idéias submersas nos romances de Agualuza são, em sua grande maioria, aquelas que procuram desestabilizar as identidades africanas fixadas pelo Ocidente, idéias que no mínimo frustram o pensamento colonial.

          Agualuza pertence a uma geração, que sofreu com as guerras pela independência e depois com as guerras civis, que se sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças entre a memória e a identidade estabelece uma tensão interpretativa em sua obra. José Eduardo Agualuza tornou-se um dos mais importantes escritores das literaturas luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses sua formação acadêmica em Portugal. O primeiro livro publicado veio com A Conjura (1988], agraciado com o Prêmio Revelação Sonamgol.

Agualuza pertente a uma geração, que sofreu com as guerras pela independência e depois com as guerras civis que se sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças entre a memória e a identidade estabelece uma tensão interpretativa em sua obra. JOSÉ EDUARDO AGUALUZA tornou-se um dos mais importantes escritores das literaturas luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses, teve sua formação acadêmica em Portugal. O primeiro livro veio com a CONJURA 1988, agraciado com o Premio Revelação Sonangol.

A partir de então, AGUALUZA constrói uma carreira literária consistente entre romances, contos e peças teatrais. Em l916, o livro Teoria Geral do Esquecimento torna-se um dos finalistas do Prêmio Man Booker Internacional. Seria uma tarefa difícil apontar em qual ou em quais livros AGUALUZA representa melhor as questões identitárias. No entanto a obra ‘’O Vendedor de Passados – 2004 – evidencia a discussão oriunda do processo doloroso de descolonização sem, com isso, perder de vista o senso crítico. O personagem Félix Ventura, um homem albino, vende passados falsos, isto é, Félix inventa um passado glorioso, com ancestrais importantes para burgueses angolanos.

Por outro lado, é interessante notar que, no fim das contas, a obra nos revela que o passado não pode ser vendido, porque a memória evocada pela literatura é sempre restauradora. A literatura atualiza as raízes sem fechá-las em si mesmas. Para AGUALUZA, a memória é uma espécie de ruído adormecido. Podemos pensar que o conjunto de sua obra se propõe a debater a construção identitária de um país. Nesse sentido, AGUALUZA convida o leitor a penetrar numa outra dimensão humana, capaz de dialogar com a globalização e seus efeitos. Sua literatura promove a diluição das fronteiras entre o eu e o outro e, dessa forma, provoca importantes reflexões sobre o sujeito contemporâneo. Autor Jeferson Tenório – escritor e doutorando em Teoria Literária pela PUCRS.

“A vida no céu” que será lançado na livraria “Ser Devagar” é um livro que AGUALUZA gostava de ter lido quando tinha 16 anos, a idade de seu filho mais velho, que vive em ANGOLA, onde, atualmente, o regime tem ‘’medo de uma dúzia de jovens’’ que, volta e meia, se manifestam nas ruas. Sendo verdade que, hoje, os jovens de 16 anos em Portugal ou Angola, partilham referências culturais, o escritor distingue o acesso do filho a internet, a cultura, ao mundo realçando que nem todos os angolanos tem essas facilidades.

O regime de JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS mantêm a cegueira em relação aos mais desfavorecidos e ignora totalmente a miséria da população vivendo uma espécie de endo-colônia.


sábado, 29 de junho de 2019

SOMOS CAPAZES DE COMPREENDER DEUS




REGINA DINIZ


A única coisa boa para fazer ao mundo...
É ficar em paz consigo mesmo...

O plano de Deus é de nos tornarmos pessoas boas...
Que tenhamos o nível de sabedoria e de inteligência...
Necessária para nos tornarmos pessoas perfeitas...
Que tenham maturidade para fazer...

Sou mais responsável pela minha felicidade...
Do que imaginava...

Cada indivíduo carrega um pouco de paz consigo mesmo...
Um pouquinho aqui, um pouquinho ali...
Logo terá a paz maior em toda a parte...
Desenvolvendo a paz interior...

Privilegiando o equilíbrio...
Sentimos a felicidade em grau maior...

Estudar sobre si mesmo...
Aprender sobre Deus...
Tudo o que ele nos pede para fazer...
É só para o nosso bem...

Ele quer nos fazer feliz...
Por isso ele nos criou...

Deixe que o meu amor seja sagrado...
Deixe que eu aprenda com minhas falhas...
Deixe que eu receba paz e bênçãos...
Eu quero espalhar o bem...

Todos somos capazes de compreender Deus...
Todos somos capazes de compreender o amor...

A palavra Deus fala da vida, do amor...
A palavra Deus fala na inteligência do amor...
Que governa o universo...
A palavra Deus fala da bondade e paz interior...

Necessitamos da calma e do otimismo...
Necessitamos da confiança, alegria e bondade...



sexta-feira, 31 de maio de 2019

A REALIDADE É MAIS COMPLEXA DO QUE PARECE


    Em Porto Alegre para o ciclo Fronteiras do Pensamento, o escritor espanhol Javier Cercas compara o mundo ocidental de hoje ao dos anos 1930 e defende a literatura que mostre como ‘’A realidade é mais complexa do que parece’’. O espanhol Javier Cercas consolidou seu nome nas últimas décadas. O espanhol Javier Cercas como como o grande cronista histórico da sociedade espanhola do século 20. Cada livro parece encontrar um novo e original ponto para pensar sobre o que aconteceu na Espanha ao longo do difícil pro processo de reconstrução nacional após a ditadura de Francisco Franco – 1938 – 1973.

    Soldados de Salamina seu romance mais internacionalmente, é uma reflexão sobre a conciliação nacional ao narrar a história de um falangista fugitivo que escapa de um fuzilamento ao fim da Guerra Civil ‘’iniciada em l936’’ e em sua tentativa de fuga, encontra um soldado republicano que pode ou não entregar para uma nova execução. Ao mesmo tempo, a narração é feita pelo ponto de vista de um escritor chamado Javier Cercas, que busca elementos sobre a história para escrever um livro.

    Publicado em 2001 e adaptado para o cinema por Fernando Trueba dois anos depois, o romance foi responsável por turbinar uma nova onda de reflexões e obras sobre o trauma da Guerra Civil na Espanha. E também uma amostra condensada de como escreve seus romances; reconstruindo episódios reais com rigor histórico e, ao mesmo tempo, embaralhando as noções entre fato e ficção. O que bons romances fazem é mostrar que a realidade é sempre mais complexa do que parece, e, desse modo, nos enriquecem a vida e a tornam mais digna de ser vivida.

    Cercas, que esteve em Porto Alegre na última segunda-feira para participar do ciclo Fronteiras do Pensamento, no qual debatem com o escritor chileno Alejandro Zambra, concedeu a seguinte entrevista na qual discute os limites da ficção, suas obras, a crise catalã de um ano atrás e a ascensão recente, no mundo todo de movimentos populistas de extrema direita. Javier Cercas definiu o romance o Reino da Ambiguidade. Que espaço ainda há para o romance e seu caráter ambíguo no momento em que a polarização e o maniqueísmo parecem ser a tônica.

    Receio que a polarização e o maniqueísmo tenham sido a tônica em muitos momentos da história, se não quase todos, muito mais que agora. Em meu livro El PUNTO CIEGO, aponto que o romance, especialmente a partir do século 19 – que é quando se torna um grande gênero literário comparável aos gêneros clássicos e ainda mais importante do que eles, se uma arma de destruição em massa da missão monolítica ou totalitária do mundo, precisamente porque carrega a ironia em seu coração.

    Em suma, o que bons romances fazem é mostrar que a realidade é sempre mais complexa do que parece e, desse modo, nos enriquecem a vida e a tornam mais digna de ser vivida. Na verdade, o romance é um jogo. Mas é um jogo em que se joga tudo. Acho que o país tentou, mas ficou no meio do caminho. De qualquer forma, precisamos reconhecer.

sábado, 27 de abril de 2019

O AMOR COMO PURA AMIZADE


REGINA DINIZ

Todos os sentimentos humanos são explicáveis...
Pelas modificações das condições magnéticas...

Amizade, amor, é a lei que equilibra...
Tudo são modificações da atmosfera magnética...
Que se desenvolvem em nós...
E que emana continuamente de nós...

O amor espiritual de uma mãe por seu filho...
Nós purificamos a atmosfera espiritual...

O amor como pura amizade...
São manifestações...
Simplesmente magnéticas...
De simpatia em naturezas idênticas...

O magnetismo do amor puro...
É a origem de todas as coisas criadas...

Para exercitar o poder do magnetismo espiritual...
Com fins benéficos...
O ser humano precisa...
De nobreza de alma...

A alma do mundo é um espírito de vida...
Que existe em toda a vida...

Aquele que pode fortificar o espírito...
Com o espírito universal evoluirá significadamente...
Com paciência suplementada pela fé...
Pode o homem curar-se de quase todos os estados doentios...

A esperança por algum sinal exterior de Deus...
Ou uma vida permanece sempre no coração humano...

Não é um milagre o que esperamos...
E sim encontrar evidencias palpáveis...
Do espiritual e do divino...
A luz é a primeira emanação de Deus...

A luz é o princípio vital...
Que penetra o universo...


sábado, 30 de março de 2019

O MUNDO EM DESACORDO - DEMOCRACIA E GUERRAS CULTURAIS – FERNANDO SCHULER


REGINA DINIZ

Democracia e guerras culturais. Construir consensos é um ideal, indissolúvel das democracias. Ao contrário dos regimes de força, que impõem visões de mundo únicas, democracias contemplam uma pluralidade de modos de vida, de identidades coletivas e individuais, com seus anseios, suas aspirações e suas urgências. É apenas na democracia, graças ao debate público ao esclarecimento e ao convencimento do outro, que variadas identidades formam arranjos de maiorias e minorias para buscar o acordo, a tolerância. [ Autor; Fernando Schuler ].
Contudo, o que ocorre quando identidades religiosas, raciais, de gênero ou de comportamento e cultura tornando-se tão radicalizadas que a sociedade não encontra mais o consenso. O que acontece quando reinam a intolerância e o extremismo onde deveriam triunfar os direitos de todos, o respeito mútuo e a igualdade na diferença. Quando a sociedade envereda por este caminho – o caminho das guerras culturais-, é a própria democracia que corre riscos. Já faz meio século que políticas de ações afirmativas e movimentos identitários tem sido parte essencial da busca por uma sociedade baseada em direitos e oportunidades para todos. [ Fernando Schuler – Doutor em Filosofia e mestre em ciências Políticas pela UFRGS. É professor no INSPER e curador do FRONTEIRAS DO PENSAMENTO.
O problema surge quando um tipo qualquer de identidade produz seus próprios critérios de superioridade moral e exclusão do outro, inviabilizando os acordos e consensos mínimos, que garantem a vida e a força das sociedades democráticas modernas. MARK LILLA, da UNIVERSIDADE DE COLUMBIA, afirma que o progresso norte-americano anda imerso em um tipo de pânico moral em função de temas de gênero, raça e identidade sexual. 0 mesmo poderia ser dito sobre diferentes formas de conservadorismo. As guerras culturais marcam a migração dos temas éticos para o centro do debate público. FERNANDO SCHULER – Doutor em Filosofia e mestre em Ciências Políticas pela UFRGS. É professor em Ciencias no Insper e curados de Fronteiras do Pensamento – 2018.
O sentido e os limites da arte, a natureza do casamento e da família, o papel da mulher e do homem na sociedade passam a ser matéria de acirrado debate político, partidário e governamental, não mais se restringindo a esfera dos indivíduos ou da sociedade civil. Sobre esses temas não haverá acordo em uma ’’grande sociedade plural. O filósofo e neurocientista de Harvard Joshua Greene fala de uma ‘’tragédia de moralidade do senso comum’’ para tratar do desacordo nas democracias contemporâneas.
         Somos talhados para viver em ‘’Tribos Morais’’, não em um universo cosmopolita. Uma ética global ainda está para ser construída. Este é em boa medida, o desafio de nosso tempo. Agravar esta situação há o papel das mídias sociais. No lugar da grande agora global , que no final do século passado prometia o aprofundamento do diálogo entre os diferentes, o que emergiu de fato assemelha-se mais a um tipo de guerra hobbesiana de todos contra todos impedindo os consensos e minando instituições democráticas. Explorar esses temas, celebrar a diferença sem perder a dimensão do diálogo, decifrar os mistérios da guerra cultural e o atual estado da democracia serão alguns dos desafios do Fronteiras do Pensamento em 2018.
        O conceito de reprise nos possibilita de ver ainda, a continuidade e a descontinuidade da história percebendo o seu sentido e o seu  conteúdo. O sentido está na coerência e no conteúdo. O sentido está na coerência e no conteúdo na violência. É a reprise que torna a categoria aplicável a realidade e que permite assim realizar concretamente a unidade da filosofia e da história. Isto é, mostra como uma categoria pode assumir uma realidade, pode ser elevada em nível de categoria, isto é, de pensamento. Pois só através de pensamento. Pois só através de pensamentos encarnado na realidade histórica a qual ele pode expressar.
     A passagem de uma categoria a outra aparece ao logico de filosofia, como uma exigência no sentido que a nova categoria compreenda e supere a categoria precedente, como os demais precedentes. Mas esta exigência é puramente formal, na realidade cada atitude é pura e produz uma categoria pura, isto é, um discurso coerente. O grande homem é aquele que superou uma atitude e o filósofo aquele que soube que a atitude foi ultrapassada. Esta afirmação nos faz lembrar certas atitudes, provindas dos fatos importantes da história, que mais tarde foram elevadas ao conceito. Além do mais sempre uma nova atitude se faz presente. A história é que impulsiona o pensador a mudar de categoria.

A lógica da filosofia tem por tarefa ainda justificar o desenvolvimento dos seus conceitos,  como vimos nas folhas anteriores. Porém existe um argumento, que mesmo antes de ser justificado parece ir contra a tarefa da lógica da filosofia a: ‘’Todo discurso coerente é o fim da história que a ele conduziu. [ WEIL, 1985 , p.83]. Esta conclusão não parece ir de encontro a tudo que afirmamos antes. Porém admitimos esta hipótese que a lógica da filosofia seja possível somente no fim da história. Mas que história que é a sua. Dito de outra forma, ela só é possível a partir do momento onde a violência é vista na sua pureza e, por conseguinte, a vontade de coerência como decisão violenta do homem contra a violência natural é compreendida como o centro do mundo, no qual essa decisão é tomada.

         Em suma, seria a passagem violenta da violência a coerência. Enquanto existir a violência é sinal que a história ainda não chegou ao seu fim, uma vez que neste sentido os homens recorrer a ela, e a decisão a coerência pode ser esquecida, recusada, não mais compreendida como possibilidade concreta do homem. A filosofia, confirma ERIC WEIL ; ‘’ É eterna porque procura sempre a mesma coisa; a compreensão é histórica – porque o que importa não é o que ela encontra, mas o caminho pelo qual ela o encontra, de que parte toma seu ponto de partida ‘’ [WEIL, 1985, p. 84].O caminho que o homem toma para chegar a coerência e sempre o caminho da liberdade condicionada. Neste sentido todo sistema é verdadeiro e ultrapassado. Verdadeiro, enquanto uma determinada coerência é atingida nele, não importa a que momento da história o indivíduo pode se contentar desta coerência, que decorre de sua elaboração, isto é, assumindo o seu mundo sob uma determinada categoria. A Filosofia a partir da verdade e da violência e compreendeu que a verdade é o fim e o início da filosofia. Não se trata mais de compreender como chegar ao universal ou como entrar na verdade, na presença. Ela já se encontra na verdade, na medida em que ele quer ser razoável e ele o é.




domingo, 24 de fevereiro de 2019

O AMOR É A LEI QUE EQUILIBRA


REGINA DINIZ

A meditação espiritual é o que há...
De mais elevado em nossa personalidade...

A meditação se esforça...
Por penetrar nas verdades espirituais...
A meditação é o processo de estimulação...
E aceleração para o amadurecimento espiritual...

A meditação é o processo mental...
Com a finalidade de crescimento espiritual...

O amor é a lei que equilibra...
E guia a evolução do universo...
O amor é a lei do equilíbrio...
Que dirige a evolução do universo...

Não há vida sem amor...
Cada ser humano é concebido por amor...

De todos os bens que a sabedoria nos proporciona...
Para a felicidade da nossa vida...
O da amizade é de longe o maior...
A amizade se apóia na paz de espírito...

O amor é a prática da unidade...
Entre formas diferentes de vida e existência...

A integração dinâmica de todos os seres...
É uma forma mais ampla de amizade...
O amor surge espontaneamente na alma...
De quem percebe algo de bom, belo e verdadeiro...

A humanidade vem tentando compreender...
O desafio do amor há milhares de anos...

O amor tem sido um tema central...
Nas principais religiões e filosofias...
O combinado de contemplação com amor...
É extremamente feliz...

O crescimento espiritual e a busca interior...
As pessoas aceitam a presença do divino...


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A ÉTICA PRESCREVE O C0MP0RTAMENTO UNIVERSALMENTE CORRETO


REGINA DINIZ


      De modo ideal, a ética é um código de leis que prescreve o comportamento “universalmente’’ correto, isto é, para todas as pessoas em todos os momentos. Trata-se daquele comportamento, que separa o bem do mal para todos, de uma vez por todas. É por isso que a enunciação de determinações éticas deve ser uma tarefa de pessoas especiais, como filósofos, educadores e pregadores. A autoridade dos especialistas em ética é legislativa e judiciária ao mesmo tempo. Os peritos proclamam a lei e julgam se suas prescrições foram seguidas de modo fiel e correto. [ Autor; Zigmunt Bauman – Livro; Vida em fragmentos – ano – 1925].

Pessoas afundadas até as orelhas na luta diária pela sobrevivência nunca foram capazes nem sentiram a necessidade de codificar sua compreensão do bem e do mal sob a forma de um código de ética. Afinal, os princípios dizem respeito ao futuro – a como esse futuro deveria ser diferente do presente. Por sua própria natureza, os princípios se encaixam bem no indivíduo moderno emancipado, desencaixado, auto-aprimorador, que arrancou do peito a preocupação apenas utilitária de se alimentar, abrigar e calçar, e assim poderia dedicar seu tempo a ‘’transcender’’ tudo isso.

A lei local da civilização ocidental que se autodenominou modernidade poderia ser articulada e sentida como universalidade do abraço com que o ocidente envolveu o resto do que era humano do globo; foi a globalidade de sua dominação que permitiu aos europeus projetar ’’ a civilização deles, a história deles, o conhecimento deles como civilização, história e conhecimento em qualquer situação; perspectivas a partir das quais as percepções são estabelecidas e reparadas pelo diferencial de poder. O objeto da percepção é tão fraco e ocidental, quanto esmagador o poder de mudá-lo ou movê-lo para fora do caminho.

Os princípios são necessários para impedir a transcendência de sair do controle. A sobrevivência pelo contrário, é essencialmente conservadora. Seu horizonte é desenhado com tintas antigas. Manter-se vivo, hoje, significa não perder o que quer que ontem assegura-se a vida – não mais que isso. O elemento da sobrevivência é as coisas não ficaram piores que antes. Por conseguinte, seja como for que os juízos morais se façam por pessoas sobrecarregadas com a tarefa de sobrevivência, eles tendem a ser negativos, e não positivos.

’’A se confiar na seminal descoberta de Barrington, Moore, a moralidade popular em momento algum se assemelhou do código de princípios universais os quais a verdadeira ética, de acordo com a filosofia moderna, deveria mirar. Isso não significa que as “massas’’ fossem estranhas aos sentimentos morais e à sensibilidade moral, e que deveriam ser ensinadas na moralidade ou forçadas a serem morais. Significa apenas que, fosse qual fosse a moralidade que estas massas possam ter tido, ela em geral não era aprimorada nem diminuída pelos esforços especializados para instalar princípios heterônomos de distinção entre o bem e o mal, ou mesmo pela falta de esforços.

A crise da ética não necessariamente augura uma crise de moralidade. E ainda menos obviamente o fim da “era da ética” proclama o fim da moralidade. Um caso convincente poderia ser montado, em nome da suposição oposta, o argumento de que o fim da “Era da Ética’’ serve de guia para a “Era da Moralidade’’ – e de que a pós-modernidade ser vista justamente como isso era.