REGINA DINIZ
Na liberdade construtiva, o próprio homem é que fixa as normas valorativas, ativando a sua própria fonte de ser, que é a origem de sua competência. Somos respeitados pelo valor de nossas propostas abertas ao bem comum. Nesta prática nota-se a ausência total de intimidação, sem as qualidades mágicas da admiração como também sem o respeito cheio de medo.
A presença desta socialização saudável permite constante exame e crítica. Ela apresenta-se sempre como transitória, porque aceita as readequações exigidas pela constante renovação,
que acelera a evolução civilizadora. Ela encoraja a capacidade do homem para aprender o que é bom para si e para todos. A socialização saudável deseja transformar o mundo, promovendo o seu aperfeiçoamento pessoal e efetuando mudanças no seu próprio interior.
Aristóteles emprega a palavra “virtude” para indicar a excelência da atividade por meio da qual se concretizam as potencialidades peculiares ao homem. Ser virtuoso significa espírito de autorealização, aumento da individualidade na sua mais ampla auto-exploração. O indivíduo tem escondido tantas experiências dentro de si, que deseja dar a sua contribuição ao mundo.
O homem é o centro maior da consideração ética, e os seus julgamentos de valores, interpretações e percepções estão enraizados nas particularidades de sua existência. O homem é, de fato, a presença maior de tudo o que existe. Não há nada de mais digno do que a existência humana.”Somos partícipes de uma natureza comum e as mesmas causas que contribuem para o benefício de um contribuem para o benefício do outro”.(William Godwin).
A natureza da conduta ética conclui, que o egoísmo ou o isolamento não são bons para ele.
Muitos defensores da ética humanista percebem de longe, que ele só pode realizar-ser e ser feliz em união e solidariedade com os seus semelhantes. A identificação do homem com os seus pares acontece através de força superior, que espalha raios luminosos de motivação positiva, gratificando a si mesmo e aos outros.
A identificação construtiva é o seu próprio poder de ligar-se em amizades, relacionando-se saudavelmente com o mundo, tornando-se um verdadeiro humanista. Todas as culturas devem dar oportunidades para que ele leve em conta seus próprios sentimentos. “Viver em si mesmo é uma arte”. (Aristóteles).
“Simplesmente tomo por concedido que outros homens também vivem neste meu mundo, e na verdade não só de maneira corpórea como e entre outros objetos, mas antes como dotados de consciência que essencialmente é como a minha... É por si evidente para mim não só que posso agir sobre meus companheiros de humanidade, mas também que eles podem agir sobre mim... Eles, os meus companheiros de humanidade experimentam suas relações, que reciprocamente incluem a mim de alguma maneira que é semelhante, para todos os fins práticos, à maneira como eu os experimento. (Alfrd Shutz e Thomas Luckmann – The structures of the life – world. Heinemann, Londres, 1974, pp. 4-5).
Quando caminhamos por esta vida conscientes da importância aos que estão a nossa volta, e unidos aos nossos semelhantes é por uma identificação consciente. Viver é conhecer o Outro, é saber sobre o Outro, é ajudar o Outro, o que envolve a aceitação de que vivemos com os Outros. São teias entrelaçadas de passados encontros, intercâmbios, associações naturais das grandes batalhas de crescimento pessoal. “Somos partícipes de uma natureza comum e as mesmas causas que contribuem para o benefício de um contribuem para o benefício do outro”. (William Godwin).
Devido ao nosso entrelaçamento natural com todos os seres humanos, somos capazes de influenciá-los tanto como eles nos influenciam. Nós nos entendemos um ao outro. Procuro desvendar “a reciprocidade de perspectivas”. Na interpretação profunda das novas viabilidades sempre perguntei aos meus pares: - Interpretei corretamente esta idéia ou existem outras premissas? Mentes pensando juntas, aceleram os processos de desenvolvimento de civilizações mais humanizadas.
“Se cada um de nós tivesse de confessar o seu mais íntimo desejo, escreve o ensaísta E. M.Cioran, aquele que inspira todos os seus atos e projetos, ele diria “Eu quero ser elogiado”.Todavia nada o levará a confessar tal coisa, pois é menos desonroso cometer um crime que anunciar uma fraqueza tão humilhante e deplorável, originária de uma sensação de solidão e insegurança, um sentimento que aflige tanto os afortunados como os desafortunados, com igual intensidade”.
Quando nos sentimos extremamente solitários, extremamente abandonados e deprimidos, estes momentos servem para nos avisar da unicidade do mundo e de nosso lugar, bem como de nossa missão dentro dele. A interação humana é uma fonte de grande consolo e incentivo para nós. São muitos os motivos para nos tratar com delicadeza e consideração, porque só assim conseguiremos investir acertadamente na delicada teia da vida.
Vivemos em contato com outras pessoas, as vezes não temos noção de que caminhamos juntos, unidos por um mesmo ideal, mas quando entendemos sentimos o conforto e o consolo de termos amigos e companheiros nesta longa viagem de crescimento pessoal e espiritual. A evolução do mundo depende do efetivo trabalho de cada um de nós. Jamais estamos sozinhos e essa unicidade é eterna. “Não existe nada tão comovente – nem mesmo atos de amor ou ódio – como a descoberta de que não se está sozinho”.(Robert Ardrey).
