quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O PODER DA COMPREENSÃO MÚTUA

             REGINA DINIZ

Na liberdade construtiva, o próprio homem é que fixa as normas valorativas, ativando a sua própria fonte de ser, que é a origem de sua competência. Somos respeitados pelo valor de nossas propostas abertas ao bem comum. Nesta prática nota-se a ausência total de intimidação, sem as qualidades mágicas da admiração como também sem o respeito cheio de medo.

A presença desta socialização saudável permite constante exame e crítica. Ela apresenta-se sempre como transitória, porque aceita as readequações exigidas pela constante renovação,
que acelera a evolução civilizadora. Ela encoraja a capacidade do homem para aprender o que é bom para si e para todos. A socialização saudável deseja transformar o mundo, promovendo o seu aperfeiçoamento pessoal e efetuando mudanças no seu próprio interior.

Aristóteles emprega a palavra “virtude” para indicar a excelência da atividade por meio da qual se concretizam as potencialidades peculiares ao homem. Ser virtuoso significa espírito de autorealização, aumento da individualidade na sua mais ampla auto-exploração. O indivíduo tem escondido tantas experiências dentro de si, que deseja dar a sua contribuição ao mundo.

O homem é o centro maior da consideração ética, e os seus julgamentos de valores, interpretações e percepções estão enraizados nas particularidades de sua existência. O homem é, de fato, a presença maior de tudo o que existe. Não há nada de mais digno do que a existência humana.”Somos partícipes de uma natureza comum e as mesmas causas que contribuem para o benefício de um contribuem para o benefício do outro”.(William Godwin).

A natureza da conduta ética conclui, que o egoísmo ou o isolamento não são bons para ele.
Muitos defensores da ética humanista percebem de longe, que ele só pode realizar-ser e ser feliz em união e solidariedade com os seus semelhantes. A identificação do homem com os seus pares acontece através de força superior, que espalha raios luminosos de motivação positiva, gratificando a si mesmo e aos outros.

A identificação construtiva é o seu próprio poder de ligar-se em amizades, relacionando-se saudavelmente com o mundo, tornando-se um verdadeiro humanista. Todas as culturas devem dar oportunidades para que ele leve em conta seus próprios sentimentos. “Viver em si mesmo é uma arte”. (Aristóteles).

“Simplesmente tomo por concedido que outros homens também vivem neste meu mundo, e na verdade não só de maneira corpórea como e entre outros objetos, mas antes como dotados de consciência que essencialmente é como a minha... É por si evidente para mim não só que posso agir sobre meus companheiros de humanidade, mas também que eles podem agir sobre mim... Eles, os meus companheiros de humanidade experimentam suas relações, que reciprocamente incluem a mim de alguma maneira que é semelhante, para todos os fins práticos, à maneira como eu os experimento. (Alfrd Shutz e Thomas Luckmann – The structures of the life – world. Heinemann, Londres, 1974, pp. 4-5).

Quando caminhamos por esta vida conscientes da importância aos que estão a nossa volta, e unidos aos nossos semelhantes é por uma identificação consciente. Viver é conhecer o Outro, é saber sobre o Outro, é ajudar o Outro, o que envolve a aceitação de que vivemos com os Outros. São teias entrelaçadas de passados encontros, intercâmbios, associações naturais das grandes batalhas de crescimento pessoal. “Somos partícipes de uma natureza comum e as mesmas causas que contribuem para o benefício de um contribuem para o benefício do outro”. (William Godwin).

Devido ao nosso entrelaçamento natural com todos os seres humanos, somos capazes de influenciá-los tanto como eles nos influenciam. Nós nos entendemos um ao outro. Procuro  desvendar “a reciprocidade de perspectivas”. Na interpretação profunda das novas viabilidades sempre perguntei aos meus pares: - Interpretei corretamente esta idéia ou existem outras premissas? Mentes pensando juntas, aceleram os processos de desenvolvimento de civilizações mais humanizadas.

“Se cada um de nós tivesse de confessar o seu mais íntimo desejo, escreve o ensaísta E. M.Cioran, aquele que inspira todos os seus atos e projetos, ele diria “Eu quero ser elogiado”.Todavia nada o levará a confessar tal coisa, pois é menos desonroso cometer um crime que anunciar uma fraqueza tão humilhante e deplorável, originária de uma sensação de solidão e insegurança, um sentimento que aflige tanto os afortunados como os desafortunados, com igual intensidade”.

Quando nos sentimos extremamente solitários, extremamente abandonados e deprimidos, estes momentos servem para nos avisar da unicidade do mundo e de nosso lugar, bem como de nossa missão dentro dele. A interação humana é uma fonte de grande consolo e incentivo para nós. São muitos os motivos para nos tratar com delicadeza e consideração, porque só assim conseguiremos investir acertadamente na delicada teia da vida.

Vivemos em contato com outras pessoas, as vezes não temos noção de que caminhamos juntos, unidos por um mesmo ideal, mas quando entendemos sentimos o conforto e o consolo de termos amigos e companheiros nesta longa viagem de crescimento pessoal e espiritual. A evolução do mundo depende do efetivo trabalho de cada um de nós. Jamais estamos sozinhos e essa unicidade é eterna. “Não existe nada tão comovente – nem mesmo atos de amor ou ódio – como a descoberta de que não se está sozinho”.(Robert Ardrey).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O GRANDE MILAGRE

Regina Diniz

O grande milagre está em não fugir das lutas internas,
Os problemas são as ferramentas para alicerces fortes,
Sem a convivência com dilemas nos destruiremos,
Ser e não ser é a oportunidade para evolução maior...

“Lutam para convencer que o objeto é o suplemento da alma”.

O grande milagre é a presença da reflexão...
Só ela resgata o devido valor a nós mesmos...
Só ela nos deixa ver o nosso núcleo interno saudável...
Só ela nos permite o bem-estar subjetivo significativo...

“Matam a introspecção redentora e se descobrem pelos olhos alheios”.

O grande milagre é descobrir uma expectativa sobre si próprio.
O envolvimento em uma vida mais exigente requer coragem.
Qualidade de vida interior intima vigor de nós mesmos.
É difícil desvendar a complexidade do crescimento pessoal.

“Forçam a crença inabalável em posses, e não pelo caráter e potencial.”.

O grande milagre é dar vida ao ser individual do interior.
Auto-estima elevada em culturas deprimidas é ato heróico.
Continuar com qualidade de ser em convívio com a morte do eu
Exige criatividade pela vida por excelência...

“Mutilam as percepções do eu. Cegam completamente as almas”.

O grande milagre é resgatar a finalidade da vida.
O passo maior através da qualidade de percepção.
Buscar experiências estéticas é o aspecto central da vida.
Exige extrema dedicação para serem atingidas.

“Estimulam a obsessão com a posse de coisas e coisa”.

O grande milagre é não abrir mão da transcendência.
É complexa a integração de forças racionais e irracionais.
Exige o pensar para aprendermos a capacidade de apreciar
Precisamos de uma vida inteira para valorizar as emoções...

Qual a essência da evangelização contemporânea?
Suprimem a diversão, manipulam o lazer, deprimem as almas...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O ASPECTO INTERIOR DA VIDA

                                   
  REGINA DINIZ

“Certamente eu disse, o conhecimento é o alimento da alma; e precisamos ter cuidado, meu amigo, para que o sofista não nos iluda quando elogia o que vende, como os vendedores atacadistas ou varejistas que vendem o alimento para o corpo, pois eles elogiam indiscriminadamente todos os seus artigos, sem saberem quais são os realmente benéficos ou prejudiciais: nem tampouco o sabem os fregueses deles, salvo um educador ou médico que porventura deles compre. Analogamente, os que conduzem os produtos do saber, e perambulam pelas cidades vendem-nos ou distribuem-nos a qualquer freguês que deles esteja necessitando, elogiando-os da mesma maneira; embora eu não duvide, ó meu amigo, que muitos deles ignorem de fato o efeito deles sobre a alma, da mesma forma que seus fregueses, a menos que o que deles compre seja um médico da alma. Se, portanto, vós compreendeis o bem e o mal, podeis com segurança adquirir conhecimentos de Protágoras ou de qualquer outro; porém, se não é esse o caso, ó meu amigo, parai e não arrisqueis vossos mais caros interesses em um jogo de azar. Porquanto há perigo bem maior na aquisição de conhecimento do que na compra de carne e bebidas.”(Platão).

Somos herdeiros de um cabedal de conhecimentos éticos admiráveis. A nossa cultura ocidental, nestes últimos séculos, sentiu uma satisfação repleta de esperanças de que a felicidade máxima alcançaria a humanidade. O indivíduo aprendeu a manipular energias físicas e conseguiu as condições materiais para viver condignamente. Todos nós refletimos sobre a grande idéia da unidade da raça humana, que não é mais um sonho, porém uma possibilidade realista.

Contudo o homem moderno sente-se estressado, inseguro e cada vez mais perplexo com a violência que explode em seu cotidiano. Ele trabalha em jornadas estafantes, mas tem consciência da futilidade de seus esforços. O seu poder material cresceu, mas admite-se impotente em sua vida particular e em sociedade. Confuso deixou-se envolver totalmente
pela cultura dos objetos. Em uma época de imensas preocupações, ciente das conquistas materiais mas obcecada por idéias de desastres, o problema da sobrevivência contemporânea permite profundas considerações.  

Tornou-se um escravo da máquina criada pelas suas próprias mãos. Encantou-se de tal forma a respeito de seu progresso material, que esqueceu totalmente das questões mais importantes da existência humana: -Quem sou eu? – Como devo viver para evoluir como  pessoa? – De que maneira posso liberar as tremendas energias que existem em meu universo interior? – Como posso libertá-las e usá-las produtivamente? -Como posso resgatar a fé em mim mesmo?  

Uma nuvem densa e penetrante luta para diminuí-lo como ser humano. O significado profundo da essência da dignidade e poder pessoal, e também de coragem que estimularam as maravilhosas realizações dos séculos anteriores, atualmente são contestadas, e foram substituídas por propostas de conformidade com a insignificância de ser... Qual será o objetivo maior deste desejo orquestrado de arrancar as fortes raízes éticas, que fecundaram e ainda fecundam e fecundarão a nossa cultura?

Em séculos anteriores ensinaram ao homem, que deveria confiar em sua própria razão como uma direção na escolha de suas normas éticas, e de que poderia acreditar e confiar em si mesmo. Acreditar no saber, e confiar em sua própria competência tornaram-se as motivações maiores para que se concretizassem os empreendimentos e realizações do homem moderno. Entretanto, quando estávamos de posse da magnitude do ser ético, instalou-se rapidamente a dúvida avassaladora sobre a autonomia e a razão do homem.
Porém, como foi observado e comprovado há milênios, o ser humano não consegue viver sem a renovação constante de valores e normas éticas, porque o torna refém de sistemas  sociais irracionais.

“A felicidade futura serviu para ocultar a repulsividade do presente. A Grande Idéia deu sentido novo e moderno ao sofrimento, drenado de sua velha percepção com o desmantelamento do Paraíso. Era agora, uma vez mais, o sofrimento “em nome de “, “por causa de “; como antes, a miséria era condição e garantia de felicidade. Mas o sentido moderno se diferenciava do velho. O sofrimento não era mais provação da piedade; era agora um ato, com propósito e função. A modernidade (gosta de remédio amargo) não declarou guerra ao sofrimento: só jurou extinguir o sofrimento sem propósito, sem função. Mas se servisse a um propósito, se fosse “passo necessário” para o futuro, podia-se e devia-se infligir a dor. Os carentes de dinheiro precisariam de mais penúria para ensiná-los como se tornar ricos.” ( Ernes Gellner, “Ethnicity, culture, class and power – 1980 – ABC Clio).

A vida atualmente não é mais feliz do que costumava ser anteriormente. Constatamos que nações que eram fortes economicamente, hoje se encontram em dificuldades financeiras e  completamente falidas. É um desejo compulsivo de riqueza que a modernidade construiu, acolhendo à crueldade, à violência como ética superior. “Ser feliz significa ser livre, não do medo ou sofrimento, mas da ansiedade ou preocupação”. (W.H.Auden).

Questiona-se o fascínio pela riqueza material, mas potencialmente virtual, porque ela não existe como realidade. São tempos de ambição e grandeza paranóica. Toda pessoa é qualificada por seus objetos que substituíram as relações humanas. É pela publicidade que explode forte obsessão, sempre nova por hierarquia e distinção. E o futuro feliz prometido permanece do outro lado do horizonte.

No livro que, se originou dos estudos de Stanford “Simplicidade Voluntária”, Duane Elgin resume a visão de mundo industrial e a visão de mundo pós-industrial em colunas paralelas: “materialismo” oposta a “espiritualidade”, “competição implacável” oposta a “cooperação”,
“consumo conspícuo oposto a conservação. O industrialismo define o indivíduo como “separado e só”. A nova perspectiva planetária o define como “uma parte do universo maior, ao mesmo tempo única e inseparável”. De acordo com Duane Elgin, o movimento conservacionista, o movimento antinuclear, a contracultura, o movimento do potencial do homem, o interesse pelas religiões orientais e a nova preocupação com a saúde combinam-se para gerar uma “revolução silenciosa”, um estimulante interesse pelo aspecto interior da vida”. 

Surge um novo tipo de sociedade, na qual os problemas de sobrevivência econômica e física estão interligados a valores das pessoas e não das coisas, exigindo um novo modelo de liderança. Apresenta-se flexível e tolerante, preocupado em compreender as sutilezas da interação humana. Juntamente com o renascimento religioso está a preocupação com o desenvolvimento do potencial do homem, através da busca de propósitos que enriqueçam o eu.

Esta nova sociedade repudia o egoísmo; sabe que o eu isolado é uma ilusão devastadora. Idealiza reunir o indivíduo e a sociedade, a mente, o corpo, a ciência e o transcendental. Rejeita a concepção materialista da realidade por longo tempo sustentada pelo racionalismo ocidental.

A independência e a autoconfiança são atributos de grande valor e nos preparam para a sobrevivência em épocas difíceis. Quando estendemos a mão do amor solidário, e estamos dispostos a aceitá-lo em troca, alcançamos a suprema felicidade. A nossa vida é rica e satisfatória na medida do amor que trocamos entre nós. “Nossa maior felicidade não depende da condição de vida em que o acaso nos colocou, mas é sempre o resultado de uma boa consciência, boa saúde, ocupação e liberdade em todos os empreendimentos.” (Thomas
Jefferson). 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AS FRONTEIRAS DO POSSÍVEL

                  
 Regina Diniz

Olho-me no espelho,
Pressinto novos caminhos...
Minhas emoções vibram,
Na primavera extasiante...
                 
Invade-me uma forte motivação,
Consigo identificá-la,
Ela vem devagar, chegou...
É inadiável, ordena para que seja realizada.
Remexo no meu baú dos sentimentos positivos,
É aqui que eu guardo as minhas raras energias criativas,
Para descobrir novos caminhos interiores,
Que pulsam de vida para serem expressos...
Eu me entendo perfeitamente...
Quero ultrapassar minhas limitações...
Sinto que há empecilhos, há obstruções pesadas...
Dedicadamente purifico os meus pensamentos,
Esforço-me para vivenciar emoções saudáveis. 
Confronto-me com uma pesada vibração negativa...
Admito que só pela aceitação da bondade incondicional,
Fluirei amor universal comigo e com todas as pessoas.
Só assim levantarei o véu,
E avançarei pelas fronteiras do possível.
Batalho pela descoberta das minhas potencialidades.
Hoje é um dia especial,
O meu núcleo será ativado...

É mágica a percepção dos significados da vida...
Os filtros de motivação se revigoram...
Os mistérios da vida me encantam...
O meu coração se abre, revelando-me sonhos...

A idéia de ser desordenada mentalmente me assusta.
Renovo, diariamente as minhas metas.
Crises econômicas sucessivas,
Incentivam sonhos patológicos.
Só acredito na realidade do meu trabalho.
E só busco auto-afirmações lúdicas.
Neste feriadão vou para Florianópolis,
Precisamente para a praia da Solidão.
O verde das montanhas, o mar, o vento refrescante,
Equilibrar-me-á por meses.
A beleza da natureza cura as feridas da alma.
O estresse de Porto Alegre desaparecerá em instantes...
O grande centro urbano joga pesado no auto-isolamento.
Vou convidar o Jarbas, talvez ele vá comigo.
Por que o nosso relacionamento esfriou?
Convivemos no epicentro dos sentimentos descartáveis.
Fidelidade é a misteriosa ausente.
Tenho atravessado grande solidão.
É um medo absurdo das emoções me escravizarem...
Talvez seja uma sede neurótica de liberdade total...
Às vezes fico pensando...
Que seja o desespero pela aceitação do próprio eu,
Meu ilustre desconhecido.
Pode ser também a ausência do fantástico autoconhecimento.
Mas o importante é renovar a compreensão da vida.
Quero descobrir os meus impulsos construtivos,
Desejo ativá-los...

A pressão interna é forte...
É a fluência ideativa,
Que impõe a evolução das emoções.
É a alma que se aquece...

 Agora, estou no Shopping Praia de Belas,
Conversando com o Jarbas.
-Que fim de semana bonito!...
-É a primavera triunfante...
-Vamos para Florianópolis admirar a natureza?...
- Conversar com as garças brancas...
-Fazer uma caminhada até a Lagoinha de Leste...
-Conversar...
O silêncio é ameaçador...
Jarbas toma laranjada, batendo nervosamente com os dedos.
Olha-me profundamente e fulmina:
-Hoje vamos terminar a nossa parceria afetiva...
-Não nos acertamos mais em nada...
-Quero uma companheira que ganhe mais do que eu.
-Que seja bem de vida financeira.
-Contigo não progredi nada...
-Nunca me contaste quanto ganhas...
-Esconde a sete chaves o que tens, se tens...
-Contigo não progredi nada.
-Não tens amigos influentes...
-As tuas propostas de vida não tem sentido...
-Só queres saber do essencial...
-Como usas a expressão auto-sustentabilidade!
-Nunca vi ninguém odiar o inessencial como tu.
-Eu não agüento mais...
-Sou um homem de projetos...
-Contigo não tenho futuro.
-Queres saber? Tu não mais me motivas...
-Só sexo não adianta...
-Não basta uma cabana e um amor...
-Seja feliz...

                        É difícil ouvir a música do fracasso...
                        Aparo as quedas afetivas...
                        São segredos bem guardados...
                        Não era para ser...

O Jarbas deu um suspiro entediado...
Levantou-se e bruscamente desapareceu na multidão.
Este surto eu já conheço,
É a retórica desesperante da ausência de força emocional,
Que exige um vôo alto na aspiração social,
Não gratificada...
Explodiu a ira do ódio contido...
A necessidade narcisista exigiu
E cegamente:
Jarbas cambaleia sem rumo,
Motivado por vontades hesitantes
De um prestígio social alienado.
A compulsão surge triunfante, como suprema realização,
De um sonho assustadoramente falso...

                           Tudo é extremamente escuro...
                           Paira uma bruma impenetrável.
                           A ilusão é vital...
                           E o déficit é perpétuo...

A realização vem de dentro para fora...
Acontece um equívoco,
A sociedade do fascínio pelos objetos
Mata as emoções...
Liquida com os sentimentos, e mercantiliza tudo.
Sacraliza como nunca aconteceu ao longo de milênios
A abundância virtual...
Sacraliza como nunca aconteceu ao longo de milênios
A ausência mútua de uns com os outros.
Sacraliza como nunca aconteceu ao longo de milênios
O crescimento das despesas individuais.
Triunfa a acumulação de coisas...
Arrepio de medo percorre a minha alma...
Quero é desapegar-me dos objetos...
Desejo fluir uma energia boa que é um investimento arrojado...
Desejo manter o imaginário sadio o que considero complexo...
E o que é o amor?
É a sinceridade com a vida.
Não aprendo com o cérebro,
Aprendo com o coração.
Desejo serenidade e paz,
Solto o meu lado louco por vibrações saudáveis...
Quando, assustada, olho para trás em minha vida,
Mal posso crer, que rolando em dificuldades imensas,
Eu decidi incondicionalmente ser a meu favor...

                  A alegria bate em meu coração,
                  Fico bem mais segura.
                  Quando sinto
                  Que só eu posso salvar-me...

Neste feriadão estou pisando na areia branca
Da praia da Solidão.
Ao longe contemplo a ilha de Campeche.
O mar vibra de auto-realização.
Eu não sei o que fazer com tanta exuberância de vida.
Como gratifica sair da rotina...
Descansar, estirar-se ao sol despreocupadamente...
Deixo o pensamento fluir livre,
Sem remorso, sem insegurança com a alma em paz...
Admito aceitar a responsabilidade pela própria vida.
Resgato as alegrias que vivenciei, uma a uma,
Revigoro-me, entro num mundo novo.
Fecho os olhos e serenamente aproveito o sol e a brisa...
A praia não está tão cheia de pessoas...
As gaivotas cantam em coro...
Quanto júbilo!... Aumenta a minha auto-estima.
Há séculos atrás valia o ser humano sem medo.
Ele fazia de tudo para exorcizar seus demônios.
Hoje o modelo é a pessoa sem coragem de ser...
Vou virar o jogo.
Aprendo com o mar a alegria vibrante...
Ele se administra com sabedoria.
A liberdade libera a minha vontade de viver.
Preciso sofisticar a mente para ser feliz...

                  No edifício da vida
                  A utopia é o jogo.
                  Tudo é efêmero...
                  Enaltecerei a luz espiritual...

Do alto da montanha,
Admiro a beleza do mar azulado,
Bordado de pranchas coloridas...
As fontes de motivação estética jorram...
Faz tempo que estou aqui, contemplando o mar...
É um processo cheio de mistérios...
Todo mundo diz:
-O magnetismo espiritual está na natureza.
-Para entendê-la é preciso admirá-la...
Sinto na mente, no corpo e no espírito,
Que a força boa é a que traz vida...
Como Deus é bom!
Propiciar um planeta tão generoso...
Aqui, neste lugar tudo é gratificante espiritualmente.
A prova maior é que esta mensagem de esperança
É mostrada pelo ritmo das ondas do mar...

                     Mistérios da fé...
                     Montanhas verdes... mar azul...
                     Perfume de água salgada...
                     Iluminação da alma...

O que mais temo na vida,
É perder a qualidade das minhas motivações...
Sempre me pergunto:
-Como está a auto-estima?
Porque percebo sinais quase invisíveis...
São as depressões, que não pedem licença,
Para me avisar que nem tudo vai bem.
Mas pensando profundamente,
É uma verdadeira mágica,
Conciliar tempos de confinamento extremo com relax
É uma verdadeira mágica
Conciliar a escravização materialista extrema
Com o crescimento da alma...
Percebo quando é preciso parar...
Para renovar-me e acreditar que tenho alma

                     Interpretar mensagens...
                     Identificar gestos...
                     Pressentir signos...
                     Sentir a essência divina...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A FORÇA DOS ANSEIOS DE FELICIDADE

                        REGINA DINIZ

“O anjo pintado olhando como se estivesse a ponto de se afastar de algo que contempla fixamente. Seus olhos estão fitos, sua boca aberta, suas asas estiradas. Pinta-se assim o anjo da história. Tem a face voltada ao passado. Onde percebemos um corrente de eventos, ele vê uma só catástrofe, que continua amontoando naufrágios e lança-os a seus pés. O anjo gostaria de parar, acordar os mortos e curar o que foi esmagado. Mas sopra vindo do Paraíso um vendaval, que com tal violência colhe suas asas, que o anjo não as consegue fechar. Esse vendaval irresistivelmente o lança para o futuro ao qual se voltam suas costas, enquanto diante dele um monte de escombros ergue-se para o céu. É esse vendaval que chamamos de progresso”. (autor – Walter Benjamin, “Theses on the Philosophy of  history” em illuminations:” Essays and reflections _ Schacken, Nova York, 1968).

A pós-modernidade é carregada de planos econômicos tremendamente fracassados. Não há registros de semelhante catástrofe de sustentabilidade social, a nível global em tempos anteriores. Numa época carregada de problemas insolúveis, a vida cotidiana passa a ser um forçado exercício de sobrevivência. Vive-se um dia de cada vez. Nunca se olha para trás, por medo de sucumbir a uma debilitante depressão. Este furacão é naufrágio total e não progresso.

Sob ininterrupta pressão, o indivíduo se fecha emocionalmente em posição defensiva, diante da adversidade extrema.O equilíbrio emocional exige uma cultura social coerentemente harmônica. Atualmente a grande preocupação é com a sobrevivência psíquica. Perdeu-se a confiança no passado, no presente e no futuro. A situação contemporânea face à escalada armamentista, à expansão da criminalidade, ao desemprego e à perspectiva de um prolongado declínio econômico, obrigou as pessoas a se prepararem para o pior.  

“Se a modernidade, como afirma Jean François Lyotard, buscou legitimidade não no mito das origens, não no ato fundacional, mas no futuro, se viver com “um projeto” foi o modo característico da existência moderna – o projeto, a Grande Idéia no coração da intranqüilidade moderna, o farol pousado na proa do navio da modernidade, foi a idéia de emancipação: idéia que tira seu sentido do que ela nega  e contra o que se rebela – dos grilhões que quer romper, das feridas que quer curar – e deve seu fascínio a essa promessa de negação” .( Jean-François Lyotard - Livro:La Postmoderne espliqueé aux enfants: Correspondance, 1982-1985, Galilée, Paris, 1988.).

A pós-modernidade tentou eliminar duramente as ambições de legislação ética universal, que sempre harmonizou a humanidade. Desde o começo de sua implantação, gerou fracassos financeiros em todo o mundo, principalmente no leste europeu. A proposta principal da milagrosa sociedade de consumo tem como regra principal divulgar a imagem especialmente sagrada dos objetos em sinais de felicidade, esperando em seguida que a felicidade ali venha pousar.

As satisfações que os objetos em si conferem, são os reflexos antecipados da grande satisfação virtual, da opulência total, cuja esperança psicótica alimenta a banalidade quotidiana. Na prática, os benefícios do consumo não se vivem como fruto do trabalho ou de processos de produção: vivem-se como milagres. O milagre midiático se realiza perpetuamente, sem deixar de ser milagre, que suaviza na consciência do consumidor o próprio princípio da realidade social, o longo processo de produção que conduz ao consumo das imagens. A inculcação da boa fé no consumo surge como elemento novo: as novas gerações são doravante os herdeiros, herdando não só os bens, mas o direito natural à abundância. A sociedade de consumo ilude e se ilude.  

A sociedade contemporânea aterrorizada como os perigos e com a segurança do espaço público, estimula uma poderosa vertente de isolamento individual, um verdadeiro auto-aprisionamento por trás dos muros altos dos condomínios fechados das grandes metrópoles e nos esconderijos virtuais do ciberespaço. Conseguiram ultrapassar a alta muralha pela internete, e mostram-se abertamente, em detalhes íntimos, porque desejam ardentemente o olhar alheio distante, virtual que o reconforta, e que mitiga a solidão que lhe impuseram, e que ele ainda não descobriu. Este plano global maléfico de deixá-lo totalmente só, desesperado e completamente sem chão afetivo, tenta agora com um novo visual humilhar milênios de investimento humanístico, cujo objetivo maior sempre foi descobrir caminhos para que evoluísse como pessoa livre e honrada.

Quando a terra começou a ser povoada já desabrocharam os princípios éticos, que salientavam não só a responsabilidade para com os demais, como igualmente para com o próprio eu. Firmavam o direito inalienável do indivíduo à procura da felicidade, junto com o direito de levar a sério o seu aperfeiçoamento com liberdade e autonomia interior. Mais humanizado e mais digno de confiança em suas relações humanas concorda, que a introspecção é um meio indiscutível de aperfeiçoamento da personalidade.

A expansão da consciência renova-se permanentemente. Há tempo atrás, novas abordagens surgiram dos treinamentos de sensibilidade, de movimentos de encontro e de incontáveis modalidades da ampliação da tomada de consciência de si e dos outros. Reconhecemos o fato de que as idéias estão sempre se mobilizando dentro da cultura humana, porque a cultura é o resultado do contínuo esforço do homem em expandir sua consciência. Cada avanço conquistado no aprimoramento da cultura – seja na religião, nas artes, na ciência natural – representa uma expressão da consciência.  

Escutar a si mesmo é difícil, porque essa arte requer outra habilidade rara no mundo moderno: a de ficar a sós, pensando e conversando consigo mesmo. Entretanto, as poderosas possibilidades de enriquecimento, que nos foram ofertadas abriram oportunidades para nos escutarmos, e assim acessarmos ao vigor de nossa consciência. Uma grande avenida iluminada se abre diante de nós, e então compreendemos que devemos colaborar com nossos familiares, com todas as outras pessoas, vibrando pensamentos saudáveis, sentimentos puros e ações construtivas.

Grandes grupos de lideranças autoritárias e atrasadíssimas estão sempre investindo em padronizações escravizantes. Sempre criam em palcos diferentes práticas de sofrimento extremo tais como: ansiedade, depressão, cansaço físico e mental, dívidas impagáveis etc... Apesar deste quadro terrível ter sempre denegrido o nosso planeta, a renovação saudável está sempre presente.

É visível a presença da força dos anseios de felicidade e saúde, que fazem parte do equipamento natural do homem. A maior parte delas tem boa saúde de espírito a despeito das influências negativas a que se acham expostas. Encontramos a felicidade em nossos familiares, em nossos amigos, em nossos companheiros de trabalho se a levarmos para junto deles e desejarmos que ela vai estar lá. A felicidade está sempre onde estamos, desde que não tenhamos rompido, deixando-a do lado de fora. “A felicidade é o significado e propósito da vida, é o objetivo e finalidade da existência humana”.(Aristóteles).