quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O HOMEM É SEMPRE UM HOMEM


     
  Regina Diniz

O Ser Humano,
Aninha-se nos valores: Beleza, Verdade, Bondade...
Sabe que as oportunidades estão escondidas dentro dos desafios...
Enfrenta-os para contribuir pela evolução do mundo...
Compreende o presente com clareza o que é uma dádiva...

Os apelos da vida forçam a descoberta da própria missão...

As boas ações vêm da alma que vê claro,
É complexo, conciliar liberdade e disciplina.
Aceita a responsabilidade pelos sentimentos e atitude...,
Libera conflitos através da via construtiva...

Os talentos latejam dentro de si para dar a sua contribuição ao mundo...

Dinamiza as potencialidades individuais com sensibilidade...
Favorece a originalidade numa cultura padronizada...
Eterniza-se na vigília emocional pela apreciação do novo...
Arranca de dentro de si a expressão individual...

Luta para expressar amor e carinho por si mesmo...

Prestigia a sensibilidade de ser...
Dá imensa atenção a percepção sensorial...
Tenta, ensaia, reformula...
Arrisca tudo na autodireção...

Deseja tomar posse de seus desejos mais profundos...

Explora o mundo, que de propósito é complexo e ardiloso...
Enriquece a delicadeza de ser em tempos de violência extrema...
Joga tudo na criação construtiva e essencial,
Quando a cultura acredita só no inessencial...

Valiosas experiências interiores criam forte motivação...

O homem define a si mesmo pelo seu projeto...
Luta por respostas existenciais novas...
Defende a sua independência interna a qualquer preço...
Orienta-se pela vida ativa e socializada...

Flui a humildade de ser no aprendizado da vida...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A REAFIRMAÇÃO DA UNIÃO HUMANA


REGINA DINIZ

“Ações, pensamentos e sentimentos que são propícios ao funcionamento e expansão adequados de nossa personalidade total, provocam uma sensação de aprovação íntima, de retidão, característica da “consciência tranqüila” humanista. Por outro lado, atos, pensamentos e sentimentos nocivos a nossa personalidade total provocam uma sensação de desassossego e mal-estar, característica de uma consciência culpada. A consciência é, pois uma reação de nós face a nós mesmos. É a voz do verdadeiro eu que nos convoca para nós mesmos, para viver produtivamente, para desenvolvermo-nos ampla e harmoniosamente – isto é, para tornarmo-nos aquilo que somos potencialmente. Ela é a guardiã de nossa integridade; é a “capacidade de garantir nosso eu com todo o justificado orgulho, e também ao mesmo tempo de dizer sim a si mesmo”. (F. Nietzache – livro: The Genealogy of Morals, 11,3 – l927).

A consciência pode ser denominada a voz de nossa cuidadosa atenção por nós mesmos. A consciência representa não só a expressão do verdadeiro eu; contém a essência de nossas experiências éticas na vida. Nela protegemos as nossas descobertas e mantêm o potencial cognitivo nos objetivos e princípios, que nós mesmos levantamos o véu e iluminamos a nossa alma, e que constatamos como verídicas. Dizemos aos outros, o que devem pensar de nós através de nossas ações e reações, silêncios e decisões...

A consciência é a maneira de exteriorizar pensamentos e sentimentos do interesse próprio. A natureza da consciência é exuberante porque a sua função é ser guardiã do verdadeiro interesse humano. Quanto mais investimos na energia construtiva de ser, tanto mais vigorosa é a nossa consciência.

“Em nosso mundo pós-industrial as pessoas vivem cada vez mais fora da natureza, e cada vez menos com máquinas e coisas; só vivem e encontram umas com as outras... Para a maior parte da história humana, a realidade era a natureza... Nos últimos 150 anos, a realidade tornou-se a técnica, os instrumentos e as coisas feitas pelo homem, que todavia recebem existência independente fora do homem num mundo coisificado... agora a realidade está se tornando apenas o mundo social.” (Daniel Bell – livro Culture and religion  in a postindustrial age, en Ethics in an age of pervasive technology, org.- l980).

Os seres humanos admiraram sempre, por milênios, a natureza de nosso planeta.  A identificação com a beleza natural, como admirar um riacho, uma floresta, uma montanha, um lago, uma praia nos leva a uma interação harmoniosa com todos os elementos das forças vitais, que nos dá a sensação de união com todos os seres vivos. Aprendemos a entrar em contato com a mais profunda essência de nosso ser, o que nos desperta a magia do encantamento com a vida. Mas os lugares paradisíacos recomeçam a ser valorizados, porque queremos acessar ao nosso  verdadeiro eu, a nossa verdadeira natureza de ser.

A contemporaneidade que me perdoe, mas foi acometida de cegueira jamais vista na história da humanidade. Substituíram Deus e sacralizaram, as coisas materiais. Na ausência do conhecimento da fonte infinita de energia e criatividade, as dificuldades da vida afloram. Aproximar-se de Deus através do verdadeiro conhecimento cura o medo da morte, confirma a existência da alma e dá um sentido definitivo à vida. Deus não deixa pegadas no mundo material, mas deixa caminhos abertos para a nossa compreensão. Admirando o universo, apesar de sua imensidão e solidez sentimos a sua presença reconfortante, mais energizante em altos vôos de crescimento espiritual, do que se identificar com objetivos e objetos totalmente sem vida...

“Walter Benjamin se referia à extinção da experiência na modernidade, aludia às implicações do modo de vida instaurado pelo capitalismo urbanos e industriais, que dinamitou as condições necessárias para uma experiência coletiva e partilhada. Dilacerou-se aquela tradição fortemente sedimentada no grupo e, do mesmo modo, se desmoronaram as possibilidades de vivenciar experiências pautadas pela transcendência. Este distanciamento das tradições comunitárias e do além, que alimentou as fabulosas possibilidades abertas pelo individualismo moderno e contemporâneo, mas também fechou outras portas. Nesse saldo negativo seria necessário anotar a solidão”. (Walter Benjamin – livro: A Obra de Arte na Época de sua reprodutividade técnica – primeira verso- Ed.Brasiliense – São Paulo – l986).

Diversos fatores no moderno sistema industrial em geral propiciam o desenvolvimento de uma personalidade, que se sente solitária e impotente, ansiosa e insegura. Estamos constantemente expostos às
opiniões e idéias, que nos martelam vindas de todos os lados: cinema, jornais, rádio, televisão, argumentos frívolos. Nos padrões atuais, os ídolos estão quase sempre longe de casa. Detêm fama, poder ou beleza: normalmente artistas famosos, jogadores e cantores. Ninguém conta mais uma história humana simples, bem diferente do que essas exaustivas repetições midiáticas cansativas.

Indubitavelmente, o ser humano ainda está muito só, e quase sempre deprimido. Sabemos que o isolamento psicológico, para além de certo ponto resulta sempre em ansiedade, pois ele se torna resignado, e perde a vitalidade motivacional, ficando furioso e agressivo.
Entretanto começa a se delinear a personalidade do futuro: estrutura viva, alegre, interessada, ativa, pacífica. Já está diminuindo consideravelmente as estruturas inertes, monótonas, desinteressantes, passivas e agressivas.

Seria providencial, lapidarmos quadros comuns de vivências, de memórias, de tradições com outros seres humanos para minimizarmos a solidão. Nossa vida é influenciada pelos imaginários postos em circulação pelos meios de comunicação nos formatando em autômatos verdadeiros. Não suportamos mais a padronização, desejamos nos descobrir como pessoas, em busca do desenvolvimento do próprio eu.  Como abrir essa caixa de ferro maciço, para que nos libertemos da solidão?

“Cada vez, que um homem abre o coração para um estranho, reafirma o amor que une a humanidade”.( Germaine Greer). A confiabilidade e a intimidade são dádivas que nos unem uns aos outros. Somos cuidadores de nossos familiares, dos nossos amigos, dos nossos colegas, e quando repartimos sentimentos, pensamentos, e valores éticos passamos a entender nossas afinidades e diferenças. Percebemos que os seus temores e mágoas são idênticos aos nossos, e nos revitalizamos com estas descobertas emocionais, ganhando força motivacional.

Tornarmo-nos amigos de alguém é algo extremamente compensador, porque aumenta a qualidade de nossa capacidade de animar, de ajudar as pessoas que fazem parte de nossa vida. O nosso crescimento emocional depende de nossas tentativas de procurar, conservar, e retribuir laços humanos de interação pessoal. A amizade com outra pessoa só é possível quando mostramos a ela aquele que habita dentro de nós, só assim rompemos a caixa de ferro, só assim rompemos o casulo da solidão. Abrindo os braços para os meus semelhantes, jamais sentirei a solidão orquestrada pelo sadismo social dos meus tempos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SILÊNCIO ENIGMÁTICO


Regina Diniz

                                  
Procuro ser consciente comigo mesma...
Olho com atenção o mundo de hoje...
Quero fazer as pazes com a minha história pessoal...
Gostaria de sentir ternura em meu coração...

Estou fascinada pela beleza selvagem,
Desta floresta densa que transborda harmonia...
São incontáveis os tipos de árvores frondosas,
E ao mesmo tempo folhagens lindíssimas,
Ornamentam divinamente este lugar...
Parece que elas sentiram a minha presença...
E querem, enfaticamente, afirmar-me,
Através do seu silêncio enigmático,
Que só a leveza de ser flui emoções generosas...
Estas folhagens de cor verde-musgo,
Salpicadas de cor branca,
Amanheceram viradas para o nascer do sol.
Olhando-as, atentamente,
Admiro-me do vigor estimulante
Que elas transmitem.
Deus gosta de tudo bonito, é extremamente generoso...
A beleza deste jardim, nesta floresta,
É um sinal exterior de bondade...
Elas estão aglomeradas,
Uma ao lado da outra, em completo entrosamento.
Aqui a paz é uma mágica realidade.
Todas exercitando com convicção
O direito de viver, primando pelo entendimento.
Mas viver pela beleza de viver com empatia...
Agora o silêncio absoluto foi levemente interrompido...
Logo atrás uma pequena malha de taquaras
Toca, refinadamente um som sutil,
Que comunica a certeza no desempenho da vida.
Encantam...
Leves muito leves...
As taquaras balançam suavemente...
A fim de manter este clima ameno,
De íntima convivência entre si...
Um pássaro azul-escuro canta emocionado,
Desejando reverenciar os valores inundados de energia,
Aqueles que aprimoram a arte de viver...
É uma prece de agradecimento ao criador...

A natureza me conscientiza do dom da vida...
                                    Liberta-me o coração...
                                    Purificando-me...
                                    E motivando-me a pensar em Deus...

A natureza revigora a imaginação...
É magia, é mistério...
É sedução...
É a grande chave dos segredos de auto-estima.
Aos poucos vem surgindo o sol,
Que é comemorado com alegria,
Sem aviso penetra na mata.
Um canto triunfante de pássaros,
Lembra a todos que a motivação,
Não só deve ser conservada como também aumentada...
Acho que eles são os líderes do contentamento,
Mantenedores da felicidade tão almejada por todos...
Aqui é possível perceber claramente
Respostas seletivas a estímulos.
Descobri, agora, neste exato momento,
Que sempre procurei e ainda procuro com afinco,
Exercitar a consideração comigo mesma.
Privilegio acima de tudo o auto-respeito,
Porque me assusta tremendamente a autodestrutividade.
Sempre soube que o mais difícil de tudo
É matar-se a si mesmo...
Decepciono-me profundamente,
Quando me vejo perdendo as forças para prosseguir...
A força do meu inconsciente grita mais alta,
Jamais desistir de lutar por mim mesma.
E como é difícil atingir a meta do equilíbrio...
E como é difícil edificar o ego saudável...
É um segredo fechado a sete chaves,
É imprescindível dedicação profunda...
Porque a banalização da saúde mental é um fato...
Tremo de medo só de pensar assim.
Mostro a minha alma,
Pela saúde das minhas emoções,
E pela consideração incondicional aos outros.
Luto para que meus sonhos sejam de avaliações positivas...
Luto para atingir os meus objetivos de purificação interior...
Luto pelas minhas esperanças em evoluir...
O sol aquecer-me-á sempre...

Busco o poder do propósito de existir...
Algo novo nasce dentro de mim a cada dia...
Atendo ao meu chamado...
Cumpro a minha missão...

Ouvindo o canto dos pássaros,
E apreciando o todo,
Identifico esta atmosfera sublime,
Como um campanário, chamando-me para a fé,
O que me consola profundamente...
O mundo pisou tão duro em minha alma,
Que ela se escondeu dentro de uma gaveta...
Procuro formas e formas de libertá-la,
Elevando a minha rotina...
Irrompe no meu peito fome de crescimento interior...
Lateja na minha alma sede de sintonia espiritual...
Raciocinando com moderação,
Acredito que construí como principais metas,
Suaves emoções para sobreviver na rotina da vida.
Vou estudar com afinco a compreensão estética.
Acho que este é o caminho
Para construir um coração puro e radiante.
Estes anseios são extremamente complexos...
Acessar ao meu coração,
Que dá o destino que os meus sentimentos desejam...
Melhorando o nível das minhas aspirações
Pelas sementes de vida que elas ofereceram...
Procuro aprender a retirar energias,
Porque eu sou o que recebo,
E o que eu dou à vida,
E acolho da vida...
Eu sou o que eu dou aos meus companheiros de jornada...
É este o caminho que eu desejo ardentemente...
Necessito de um toque de pureza espiritual...
Vim até aqui neste lindo lugar ermo
Para ser vacinada pela santa natureza
Contra a corrupção...
Contra a falta de esperança...
Contra a inveja dos outros...
Contra o gigantesco narcisismo,
Que tanto deprime os meus tempos...

Tenho a minha vida para ser cuidada...
Acreditando na bondade.
                                    Acreditando no amor que é a luz da existência...
                                   A vida é um eterno plantio...

Agora sopra a brisa fresca entre as árvores da floresta úmida.
Nos braços de uma haste pendente,
Dançam pétalas coloridas,
São as orquídeas,
 Fazendo na natureza,
Um verdadeiro balé de flores...
Jamais esquecerei este lugar...
É um santuário ecológico...
Eu faço estas excursões para equilibrar-me...
Às vezes fico temerosa em perder o meu rumo...
Quero avançar em minha própria vida com alegria e direção...
E não consigo perceber pontos de apoio,
Parece que fico solta, debatendo-me na correnteza,
Nestes três dias a natureza mudou completamente...
Aqui a mudança é a única constante...
Este estado de ser me deixa insegura...
Então descubro que para ter paz
Preciso ver a verdade além da mutações...
O que eu desejo é um porto seguro de vida...
Necessito acreditar em valores constantes...
Senão fico confusa, parada, indecisa,
 Perdida nas encruzilhadas da vida...
Gosto muito de colocar-me de lado, no alto...atrás
Da vida puramente mecânica e fatalista dos meus tempos.
Só assim consigo captar uma visão da realidade melhor.
A interpretação do conjunto tranqüiliza o meu eu...
Porque o que perdi sobre tudo foi a expectativa...
Preocupo-me porque só eu posso comandar a minha vida,
Sempre só eu decidi a minha vida.
Quero escolher os caminhos do meu destino,
Para responsabilizar-me pelos acertos e erros,
Desejo esta resposta de consideração
Pratico atalhos e uso muitos desvios,
Preciso aprender as lições da vida,
É preciso ousar...
Porque não quero ficar boiando,
Num mar de racionalização e dúvida...

A natureza guarda
Um verdadeiro tesouro
De mensagens
Ricamente estimulantes...

O alto padrão estético da floresta
Deixou-me completamente extasiada,
Valeu a pena libertar-me do confinamento urbano...
Aqui respirei liberdade de ser,
Neste lugar isolado,
Assolou-me a fixação da miséria do destino humano.
Passei horas vendo o mundo como um vale de lágrimas,
Então me lembrei da reflexão de Voltaire:
“Se Deus não existisse era necessário inventá-lo”
Agora, no término de minha exploração interior,
Cheguei a conclusão de que se me dedicar
A viver a minha metade divina,
Construirei dentro de mim
O tão almejado céu interior,
E fiquei imaginando que é possível,
Acontecer um gigantesco dilúvio,
E só a ética se salvará,
Porque dói muito a ausência da construtividade pessoal.
Sou de uma geração triste...
A alegria não enche o vazio do meu coração...
O mundo está cheio de vida infinita,
Mas não percebo a não ser aqui.
Foi preciso inundar-me da perfeição da natureza
Para elevar a minha vibração...
Luto para defender e proteger
O eu esmagado dos meus tempos.
Lembrar-me-ei diuturnamente
Em manipular as forças gigantescas do divino...

Não abdicarei do investimento
Em minha personalidade,
Investirei, descobrirei vias...
Viverei procurando a alegria da vida espiritual.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A EXPRESSÃO DO POTENCIAL AFETIVO

REGINA DINIZ

“É o gesto ético de  assumir a responsabilidade. Nossa inerradicável responsabilidade pelo destino e pelo bem-estar do Outro; e que, quanto mais fraco e menos capaz de exigir, litigar e processar for o Outro, maior é nossa responsabilidade. Somos todos guardiões de nossos irmãos; mas o que isto significa está longe de ser claro e dificilmente pode ser tornado transparente. A clareza e a falta de ambigüidade podem ser o ideal de um mundo em que a “execução processual” é a regra. Para o mundo ético , no entanto, a ambivalência e a incerteza são seu alimento diário e não podem ser apagadas sem destruir a substância moral da responsabilidade, o fundamento sobre o qual aquele mundo descansa.” (Zygmunt Bauman – Livro: A Sociedade Individualizada – Jorge Zahar Editor – Rio de Janeiro – 2008).

Ser o guardião de seu irmão é uma sentença perpétua de trabalho árduo e de impulso afetivo moral, e que nenhuma tentativa será capaz de anular. A responsabilidade pelo outro é o fundamento de toda moralidade, e se impõem por conta própria em nosso imaginário ético. A construção da paz baseia-se no amor universal, no altruísmo, no sentimento de pertencer e celebrar a comunidade dos seres humanos e da vida. Funda-se no vigor e na ternura generosa do cuidador.

E como poderíamos propor possíveis soluções na ausência marcante da responsabilidade humanística em nossos tempos? Precisamos renovar a prática de nossos conhecimentos sobre comunicação positiva e relação construtiva. O esforço, a prática da ética em minimizar conflitos conosco e com os outros é fundamentada em princípios (valores universais) com respeito às diferenças. Honestidade e altruísmo são princípios universais a serem praticados no plano interpessoal. Fortalecimento da estabilidade democrática, existência digna, igual liberdade e igualdade de oportunidades são princípios universais no plano social a serem promovidos.Com fundamentos nesses princípios poderemos construir a cultura da paz.

Somos seres de relação, convivendo irmanados em grupo. A arte de se relacionar com outras pessoas é desafiante, é a mesma coisa que nos atirarmos nas ondas do mar revolto. Achamos, que sempre estamos correndo riscos, mas são oportunidades de qualidade humanística. Expressar nossos pensamentos, nossas idéias, nossos sentimentos e nossas emoções nos gratificam, pois damos vazão ao nosso potencial afetivo.

A litigiosidade crescente no Brasil, em grande parte fruto de seculares desigualdades e em parte conseqüência das conquistas democráticas, não é matéria a ser resolvida exclusivamente através do poder do estado. Estudos indicam que o avanço democrático, em sociedade fortemente consumista como a nossa, escancara os efeitos de incompatibilidade entre as aspirações
populares e os meios de acesso aos bens da vida, agravados pelas nossas históricas desigualdades sócio-econômicas. A omissão social por séculos nos deixou numa situação insustentável de violência extrema.

Precisamos assegurar os direitos e as condições necessárias a uma sociedade fundada na harmonia social e comprometida com a solução pacífica da exclusão. Os conhecimentos socialmente compartilhados através das modernas tecnologias da informação, acentuam a contradição entre o sentimento de eqüidade e a real possibilidade de acesso justo aos bens e direitos. A busca desesperada por tal acesso se expressa num movimento de emancipação, que acomete especialmente os jovens das comunidades de baixa renda.

A sociedade brasileira vem passando por um longo processo evolutivo, que inclui transformações tecnológicas, culturais, econômicas, sociais, entre outras. Entretanto já são séculos e séculos de ausência total de investimentos em educação para preparar os jovens em geral, como também, principalmente para preparar os jovens de baixa renda, a fim de que aprendam a lidar com novos paradigmas da era dos conhecimentos, para afastá-los da prática de uma cultura da violência.

A sociedade brasileira de hoje vivencia cada vez mais o surgimento de novos conflitos, frutos de transformações de ordem política, social, econômica e cultural, além de um enorme crescimento populacional urbano, gerando um aumento no desemprego e, conseqüentemente, no nível de violência. Essas mudanças causam aumento na quantidade de conflitos interpessoais especialmente nas camadas sociais menos favorecidas. Elas são totalmente privadas dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal Brasileira tais como os direitos à saúde, à educação, à alimentação, à moradia, e ao acesso à justiça.

Há na realidade uma exclusão social na qual alguns vivem totalmente marginalizados. A inabilidade no trato desta questão acarreta confrontos e violência. Na minha compreensão o problema não é raça, não é cor e sim a falta total de investimento do governo federal em educação, que permita a conquista de um emprego, e a formação profissional para adquirir experiências em cursos de apoio.

O “problema dos pobres” é remodelado como a questão da lei e da ordem, e os fundos sociais outrora destinados à recuperação de pessoas temporariamente desempregadas (em termos econômicos a reacomodação da mão-de-obra) são despejados na construção e modernização tecnológica das prisões ou outros equipamentos punitivos e de vigilância. A mudança é mais acentuada nos Estados Unidos, onde a população carcerária triplicou entre l980 e l993, alcançando em junho de 1994 o total de 1.012.851 (o crescimento médio foi de mais de 65.000 por ano) onde a parcela mais pobre da “classe baixa” constitui aproximadamente a metade dos sentenciados a um ano e mais de prisão, e onde o aumento sistemático de gastos com a polícia e as prisões segue de mãos dadas com os cortes sistemáticos de fundos e auxílios assistenciais”.( Zygmunt Bauman- Livro O Mal-Estar da Pós-Modernidade – Editora Zahar – Rio de Janeiro – l998).

É preocupante o tema carcerário, porque ninguém acredita, que mais prisões solucionarão este grave problema social. Na conjuntura atual estes presídios se constituem no principal foco de reprodução e organização do crime, cuja conseqüência é conhecida em outras grandes metrópoles do nosso país. Inexistem projetos para sanar esta situação, a fim de que este ser humano não volte a ser preso novamente. A punição sem propostas de recuperação comprova ódio, sadismo sem precedentes, e que não soluciona nada, ao contrário afundamos cada vez mais.

A sábia decisão é admitir, é aceitar a inclusão social, como a solução desta triste conjuntura que nos abala profundamente. Vejo a educação, a saúde, a profissionalização e a segurança como pontos de partida para a construção do bem comum. Educar, profissionalizar o excluído deve ser o primeiro dever estatal e federal. O resto será conseqüência. Posso estar equivocada, mas sempre seguirei apostando na educação.”O pior pecado que cometemos com nossos semelhantes não é odiá-los, mas sermos indiferentes a eles; essa é a essência da desumanidade”. ( George Bernard Shaw).