REGINA DINIZ
Somos capazes de agir com
amabilidade e generosidade com aqueles que não são nossos parentes
consanguíneos. Em primeiro lugar, a origem evolutiva desse
fenômeno pode parecer óbvia: claramente, prosperamos trabalhando juntos – na
caça, na coleta, no cuidado da prole, e assim por diante -, e nossos
sentimentos sociais tornam possível esta coordenação.
Adam Smith destacou este fato muito antes de Darwin: Todos os membros da
sociedade humana precisam de ajuda uns dos outros, e estão igualmente expostos
a ofensas mútuas. Nas sociedades onde a ajuda é provida de forma reciproca
através do amor, da gratidão, da amizade e da estima, a sociedade se desenvolve
e cresce feliz”. E assim é em nome do benefício de todos, que nos preocupamos
com aqueles, que nos cercam. (Autor: Paul Bloom – Livro: O que nos faz bons e
felizes ou maus – Editora: Best Seller – Rio
de janeiro – 2014)
Para que a sociedade floresça
dessa forma, os indivíduos têm que se abster de tirar vantagem uns dos outros.
A ética é a morada do homem, diziam os primeiros filósofos gregos no século VI
a.c. A Ética vem dos gregos ethos, que
significa modo de ser ou caráter. Para eles, o ethos representava o lugar que
abrigava os indivíduos e cidadãos, aqueles responsáveis pelos
destinos da pólis (cidade).Isso significa que, vivendo de acordo com as leis e
os costumes, os indivíduos poderiam tornar a sociedade melhor e encontrar nela
sua proteção, seu abrigo seguro. A Ética aparece, assim, como resultado das
leis determinadas pelos costumes ou das virtudes e hábitos gerados pelo caráter
dos indivíduos. Os costumes representam, então, o conjunto de normas e regras
adquiridas por hábito, enquanto a permanência destes define o caráter virtuoso
da ação do sujeito. A excelência moral seria não apenas determinada pelas leis
da cidade, mas também pela decisões pessoais que geram as virtudes e os bons
hábitos.
Ética e moral são palavras que
significa, em sua origem, a mesma coisa, pois dizem respeito ao modo como os
indivíduos devem agir em relação ao outro no espaço em que vivem. Entretanto,
hoje podemos estabelecer uma diferença entre ambas, pois a Ética se constitui
como uma parte da filosofia, que se trata da moral em geral, ou da moralidade
de cada ser humano, em particular. A Ética é por muitos definida como a ciência
da moral. Isso significa que a moral aparece atualmente como um objeto de
reflexão da Ética. Desse modo, enquanto à Ética compete estudar os elementos
teóricos, que nos permitem entender a moralidade do sujeito, a moral diz
respeito à esfera da conduta, do agir concreto de cada um. Pode-se resumir tais
diferenças da seguinte forma: a Ética revela-se como reflexão (teoria) já a
moral diz respeito à ação (práxis).
O mundo da moral envolve a
individualidade (subjetividade e a coletividade (intersubjetividade) dos seres
humanos dotados de sentimento e razão. Nesse sentido, a prática do bem ou da
justiça estaria ligada ao respeito às leis da pólis (heteromania) e a intenção
individual (autonomia de cada sujeito). Isso significa que existem fatores
externos (a lei, os costumes) e internos (as convicções, os hábitos), que
determinam o comportamento dos cidadãos. Nesse sentido, a moral definida como
um conjunto de regras, princípios e valores que determinam a conduta do
indivíduo, teria sua origem nas virtudes, ou ainda na obrigação
de o sujeito seguir as normas que disciplinam o seu comportamento. Todavia, a
boa conduta poderia também se determinada pela educação na medida em que o
processo educacional forneceria as regras e ensinamentos capazes de orientar os
julgamentos e decisões dos indivíduos no seio de sua comunidade.
Desde os gregos, portanto, a
educação se configura como um elemento fundamental para a constituição da
sociabilidade. Assim, enquanto os costumes determinam as normas e valores a
serem seguidos ou transmitidos pelos sujeitos morais, a educação se impõe como
um importante instrumento para o desenvolvimento moral do indivíduo. Isso
porque, as virtudes que determinam a excelência moral dos agentes sociais, que
poderiam ser transmitidos pelos ensinamentos. A educação estaria, por
conseguinte, na base do esforço para fazer do indivíduo um homem bom e do
sujeito um cidadão exemplar. A formação moral serve também de auxílio à
formação do indivíduo em sua dimensão política. Assim, o ethos não apenas
representa o instrumento fundamental para a instauração de um viver em
conjunto, como serve de alicerce à construção do espaço da política. Disso se conclui
que Ética e política são atividades que se relacionam e se completam.
A necessidade que se impõe a cada
ser humano o dever de respeitar os costumes e as normas da sociedade revela a
importância da moral em nossas vidas. Nenhuma
comunidade humana pode sobreviver sem o mínimo de regras ou padrões de
comportamento, ou seja, sem um código de condutas. O referido código normativo
representa os ensinamentos que orientam nossas ações diante do mundo e,
sobretudo, em face do outro. A Ética, enquanto campo de estudo e reflexão,
revela que nossas ações tem efeitos na sociedade e que cada homem deve ser
livre e responsável por suas atitudes. A responsabilidade se constitui como
elemento essencial à vida moral do indivíduo.
“De acordo com o ranking de
felicidade da Organização das Nações Unidas (ONU), os dinamarqueses são a nação
mais feliz do mundo. Para chegar ao ranking, a ONU fez perguntas diretas ao
povo a respeito de sua felicidade e otimismo no momento, além de perspectivas
de vida. Depois, a pesquisa levou em conta o PIB percapita da
população, expectativa de vida
saudável , percepção de corrupção no país
a liberdade, por exemplo.
Com elevados índices de educação,
saúde e renda a Dinamarca saiu na frente. Mas o que, realmente torna os
dinamarqueses felizes é o extremo grau de confiança, que as pessoas têm uma nas
outras, segundo o professor de Economia Christian Bjornskov, que tem um PHD no
tema “felicidade e economia” pela Aarhus Business School.
Nós perguntamos para as pessoas
se elas acham que desconhecidos são dignos de confiança. Cerca de 70% na
Dinamarca, diz que sim. No Brasil, esse índice é de apenas 7%, compara o
professor. Mas por que isso torna as pessoas mais felizes? Segundo ele, melhora
as relações sociais e “as pessoas ficam felizes em saber, que não precisam ter
pequenas preocupações”, diz. Perder a carteira ou tentar encontrar um endereço
na rua deixam de ser pequenas preocupações cotidianas, então, segundo ele.
A Confiança que os dinamarqueses
têm nas instituições do seu país,especialmente políticos e
polícia, também os torna um povo mais feliz. ”As pessoas se acostumam com bens
materiais, não é isso que as faz felizes, mas se você realmente combater a corrupção, elas confiam no país e
isso ajuda na “felicidade” afirma Bjornskov. Para um brasileiro, confiar em
políticos pode parecer estranho, mas a Dinamarca conta com um sistema
judiciário que aparentemente não deixa corrupção impune. Até 1840, explica
Bjornskov, quem fosse pego em esquema de corrupção passaria o resto da vida na
cadeia.