quinta-feira, 28 de julho de 2011

SONHOS DE VIDA

Regina Diniz

Viver plenamente é festejar a união humana.
Dizem que os direitos, os deveres, os vínculos estão mortos,
E que agora só vale as vantagens materiais.
Ouço o pranto do desespero...

Quanta depressão...
Sonho com uma vida boa, justa, feliz, humana e racional...

Viver plenamente é buscar a realização.
Não é fácil sobreviver na incerteza permanente...
Nunca foi tão extremada a violência urbana.
Ouço o gemido da ansiedade...

Quanta frustração material e espiritual...
Sonho com uma vida que revele a presença das alegrias simples...

Viver plenamente é praticar o espírito da aventura.
Não consigo imaginar uma sociedade profundamente sozinha...
A presença de cada um completa a nossa,
 Ouço o desespero da solidão...

Quanta divinização às avessas...
Sonho com uma vida que nunca lance pessoas contra pessoas...

Viver plenamente é empolgar-se com a própria vida.
Não consigo imaginar uma sociedade baseada na precariedade emocional...
O tempo nos mostrará qual a intenção que tiveram com este modelo.
Ouço o grito de dor pela maldade concretizada...

Quanta sabotagem sádica...
Sonho uma vida com entusiasmo, com significado e finalidade existencial...

Viver plenamente é evitar ser dominada pelas emoções caóticas.
Não consigo imaginar uma cultura que só faz guerras.
Os massacres e massacres não serviram para nada.
Ouço a vibração sádica triunfar...

Quanta ingenuidade humana...
Sonho com uma vida em busca dos ganhos espirituais...

Viver plenamente é dar o melhor de si para ser feliz.
O meu caminho sagrado será a busca da união,
Participarei da festa da vida nem que seja de longe...
Quero sentir o perfume das flores...

Quanta fraternidade e perdão...
.Sonho com uma vida igual a da montanha serena e estável...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A INCLUSÃO E PAZ SOCIAL

             
  REGINA DINIZ

“Walter Benjamin disse: da modernidade, que ela nasceu  sob o signo do suicídio; Sigmund Freud sugeriu que ela foi dirigida por Tânatos – o instinto da morte. As utopias diferiam em muitas de suas pormenorizadas prescrições, mas todas elas concordavam em que o “mundo perfeito” seria um que permanecesse para sempre idêntico a si  mesmo, um mundo em que a sabedoria hoje aprendida permaneceria  sábia amanhã e depois de amanhã, e em que as habilidades adquiridas pela vida conservariam sua utilidade para sempre. O mundo retratado das utopias eram também, pelo que se esperava, um mundo transparente – em que nada de obscuro ou impenetrável se colocava no caminho do olhar; um mundo em que nada estragasse a harmonia: nada “fora do lugar”; um mundo sem “sujeira”; um mundo sem estranhos ou miseráveis”. (autor: Zygmunt Bauman – livro: O Mal-Estar da Pós-Modernidade – Editora ZAHAR – Rio de Janeiro 1998 )

A leitura contextualizada das ideologias totalitárias demonstra estarem sempre, vigiando possíveis alvos para fazerem guerras. No século passado, o nazismo argumentando e justificando a extrema necessidade da “pureza de raça” eliminou milhões de pessoas. O comunismo também sustentou “a pureza de classe”, tirando a vida de milhões de pessoas. Muito dinheiro, muito ouro foi saqueado. O maior problema de nosso planeta é a ânsia, é a ambição de honras ou riquezas, ou seja, a mania, a psicótica carência de ostentação. É desviado o crescimento interior para o exibicionismo exterior. Explode a violência e matamo-nos uns aos outros pela confirmação materialista. Desapareceram totalmente as meditações espiritualizadas.

Aqui em nosso Brasil, a presidenta Dilma Rousseff estabeleceu a erradicação da fome e da miséria como prioridades de seu governo. Este debate sobre a erradicação da miséria nos remete a uma reflexão acerca do conceito de riqueza e pobreza. “Não se deve olhar o progresso de uma economia verificando o aumento da riqueza dos que já são ricos, mas na diminuição da pobreza daqueles que são muito pobres”. (Amartya Sen).É oportuno refletir sobre o mais pobre dos pobres na nossa realidade – favelas urbanas – índios – moradores de rua – excluídos.

Nós começamos a nos inspirar por escolhas sociais cada vez mais inteligentes, abrindo espaços para importantes decisões. Já estamos falando neste tema, o que significa o surgimento de políticas públicas, que modificarão o cenário de exclusão social, como condição prioritária no centro de nosso desenvolvimento. Paira no ar soluções de determinação, para que acertadas proposições libertem o Brasil da miséria extrema. Que Deus ilumine os nossos políticos em sábias decisões sociais.

Precisamos purificar a qualidade de nossos pensamentos humanísticos, elaborando de nós para nós mesmos conceituações sociais civilizadas, que privilegiem a comunicação positiva, de que ninguém é superior em dignidade ou direitos a ninguém. Também é importante o relacionamento construtivo que faz bem ao aperfeiçoamento de nossas relações interpessoais. As discriminações econômicas e sociais deprimem o nosso imaginário afetivo, por testemunharmos, a cada passo, quadros de miséria extrema. Em orações sempre peço que o sofrimento humano desapareça de nosso planeta

Para ativar uma linguagem persuasiva de emoções saudáveis é necessário aceitarmos a verdade autêntica, de que somos iguais, ou seja, somos seres humanos. Ficamos equilibrados quando desejamos o bem de todos. É muito decadente uma visão de mundo dominadora, é muito atrasado um pensamento impositivo, excludente, e também hierarquizante. Mas o certo do certo, é que só seremos felizes, quando todos forem felizes.

Não é correto avaliar o progresso econômico só pela riqueza, mas no soerguimento da pobreza daqueles que são muito pobres. Um novo ideal saudável de imaginário social e coletivo é vital para o avanço da cultura da paz, fortalecida no acesso horizontal dos conhecimentos, característica maior da pós-modernidade. Deus nos ajudará a superar a pobreza social extrema, e o nosso país se tornará o modelo no mundo em inclusão social.

Com efeito, a cultura da paz tem o seu próprio sentimento, a sua própria linguagem de emoções de união, marcada pela convicção, marcada pela crença de que o mais importante de tudo está centrado no valor do ser humano. A nossa avaliação positiva, a nossa comunicação positiva, o nosso relacionamento construtivo constituem os fortes pilares do saudável desejo de  pessoas solidárias. Sairemos da pobreza dos valores atuais e mergulharemos na riqueza dos valores humanitários.

Já começamos a perceber os outros seres humanos gentilmente em nosso convívio emocional e espiritual. Rezamos por eles, torcendo para que se libertem dessa injustiça social e superem este terrível resgate de sofrimento. Examinemos os nossos corações para descobrir o que sabemos sobre a paz, e então conversemos e trabalhemos juntos para humanizar os nossos tempos. O direito à vida pressupõe a existência digna que deve ser amparada pelos poderes públicos.

As vezes, penso profundamente nas causas do ser humano ter sido preterido pelas riquezas da terra.Nunca como em nossos tempos, aconteceu tão severa ausência dos valores humanos, e tão distante a nossa união com Deus. É indiscutível que somos fundamentalmente iguais pela nossa origem e pela nossa destinação. Iguais na nossa natureza humana. 

Ter ou não ter bens materiais não quer dizer ser mais ou ser menos humano. A nossa igualdade está plasmada ao ser humano e não ao ter bens. A igualdade aos seres humanos pobres está relacionada, está interligada à dignidade humana. Não me refiro a igualdade absoluta, mas a igualdade de tratamento para a sua inclusão social. Devem ser assegurados os direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à dignidade humana, daí a responsabilidade universal com o bem estar dos excluídos.

A solidariedade corresponde à fraternidade que a Declaração Universal dos Direitos Humanos recomenda. Que Deus inspire as políticas compensatórias de proteção, de promoção, de inclusão. Já estão incluindo em projetos de proteção especial aos que estão em condições de vulnerabilidade: - crianças-
Idosos – índios – adolescentes – jovens. Num dia, não muito distante, entenderemos que não se trata de proteger uma vida física, mas a existência de acordo com a dignidade humana. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CAMINHOS


 Regina Diniz

Metas e desejos e reflexões…
Lido com situações novas...
Descubro vibrações desconhecidas...
Amplio os horizontes das descobertas...



Que lugar bonito!
E aqui no ápice da montanha,
O mar azul, o sol, as gaivotas, as garças purificam tudo.
-Tia Genoveva eu preciso lhe fazer perguntas.
-O tédio diante da rotina me deprime...
-Pontos de interrogação explodem na minha interioridade...
-Quero a verdade cristalina...
-Como esta natureza vibrante...
-O meu humor é ácido, mas não é frívolo...
-Sei que não saio do mesmo lugar...
-Gostaria de entender melhor a vida...
-Revele-me alguma coisa...
-Só teremos a natureza por testemunha...
-Não quero que concorde comigo,
-Em nada de nada, porque não sei nada...
-Quero aprender as teias da indignação benevolente...
-Que abre as possibilidades na descoberta de si mesmo.
-Esta saudável indignação que nutre a alma.
-Preciso desta força que me empurrará forte para a evolução...


                            Trabalhar a inteligência espiritual...
                            É a parte linda da nossa história...
                            Formas novas de pensar
                            Perguntar-se e obter novas respostas...


-Rafael, eu te diria:
-Que o grande segredo é entender-se...
-Ousar uma imaginação veemente,
-É enriquecer a sensibilidade de apreciação.
-Explorar-se e explorar o mundo do conhecimento espiritual.
-É tenso, mas é a grande decisão...
-A prontidão na visualização das descobertas é permanente...
-Pela incomensurável bondade de Deus é eterna...
-A grande magia acontece com os pensamentos límpidos...
-O contentamento brota de dentro de nós,
-Quando as confirmações se multiplicam
-Pelos acertos que não são muitos...
-Mas que são profundos e perenes...
-E o maior segredo
-É não brincar jamais com comportamentos sofridos,
-Porque o masoquismo se encaixa fantasticamente
-Em culturas materialistas que por si só são deprimidas.
-O caminho é pela estima elevada.
-Ninguém é feliz usando antidepressivos,
-Que agem fácil, mas nos destroem para sempre. 

                            A nossa caminhada de crescimento emocional
                            Exige uma energia saudável
                            Sonhar objetivos de vida suaves,
                            Porque, hoje o mundo ficou triste...

-Tia Genoveva...
-Eu gostaria de gravar este diálogo.
-Aqui, tudo é muito inspirador...
-As idéias são arrebatadoras,
-Segundo a segundo surgem novas possibilidades.
-Este lugar é abençoado por Deus.
-Preciso espelhar-me em escolhas certas,
-A beleza desta praia me fascina.
-Sou um ser humano aprisionado,
-Numa selva de pedras frias, tão frias,
-Que congelam o coração.
-Vivo numa sociedade que destrói a individuação,
-E aposta tudo na cultura de massa,
-Que impõe um conformismo psicótico,
-Ficamos inconscientemente desesperados e nos destruímos,
-Tentando estancar a insuportabilidade desesperante,
-De não conseguir levantar vôo,
-O tão almejado vôo do crescimento pessoal.
-Estou totalmente confuso... Por que será?
-Rafael eu te diria que:
-A insuportabilidade de não ser
-Abre o horizonte da sensibilidade criativa.
-E é pela estrada do altruísmo...
-E é pela avenida iluminada do amor ao próximo,
-Que conseguiremos retirar o véu,
-Que trava o crescimento da alma.
-Tia Genoveva:
-A vida é efêmera...
-Os significados gratificantes da sabedoria da vida
-São por demais complexos.
-É preciso ultrapassar a comida,
-É preciso ultrapassar a habitação, o vestuário,
-E eu empaco nas redes da sobrevivência.
- As minhas propostas são ingênuas,
-Por demais limitadas...
-Tenho fome de amor...
-Mas não amo ninguém.
-Tenho fome de aprovação,
-Mas não aprovo ninguém,
-Acho que é correto ser uma boa pessoa,
-Mas não sou bom para ninguém,
-Nem para mim mesmo,
-Sou indiferente a tudo e a todos,
-Desconfio que somos todos maus...
-Certamente somos sádicos...
-Tenho dificuldade de estender-me a mão...
-Tenho dificuldade de colocar a mão nos meus sentimentos.


                   Subir os degraus até as descobertas,
                   Exige a expressão pelo amor,
                   Que está guardado no próprio coração... 
                   Que é meu templo de luz...


-Rafael eu te diria que:
-As ondas se batem com violência,
-Depois, exaustas se harmonizam.
-Olha... São altas as marolas de incompreensão...
-Nós também nos exaurimos,
-Em lutas suicidas por milênios e milênios,
-Sem melhorar a interação construtiva.
-Só nos livraremos da tragicidade do sadismo...
-E alcançaremos o bem,
-Quando aceitarmos a nossa responsabilidade afetiva...
-Quando enchermos o nosso coração de bondade e luz...
-Somos seres racionais
-É preciso muita coragem para decidir-se...
-Rafael – eu te diria que:
-Nunca foi tão fácil...
-Libertar-se dos exércitos dos deprimidos...
-Nunca foi tão fácil...
-Pertencer ao batalhão da benevolência.
-Primeiro ser bom para si mesmo...
-Admitir-se saudável emocionalmente...


                   Irrompem auto-chamamentos...
                   Estimulantes sugestões...
                   Lutam para emergir...
                   É só deixá-las chegar...


-Tia Genoveva:
-Convivo no olho do furacão da intolerância...
-Convivo no olho do furacão da frustração existencial...
-Admito o alto nível de qualidade de vida
-Dos grandes mestres da humanidade.
-Cultivaram a harmonização profunda...
-Viveram extremamente sós...
-Tiveram como maior amiga a solidão construtiva...
-Envolveram-se em busca de soluções para ajudar o próximo.
-Dedicaram toda a sua vida para este magno objetivo.
- Lembro-me de Pasteur...
-Viveram em comovente simplicidade,
-Levaram a sério o desapego material...
-Venceram o fascínio do exibicionismo...
-Venceram o fascínio da luxúria.
-Palmilharam o caminho das decisões úteis...
-Se eu soubesse de um grupo assim...
-Atirar-me-ia a caça destes corações virtuosos...
-Eles me ensinariam a sabedoria da vida.
-Então me libertaria destes jeitos ultrapassados de ser...


                   A eclosão da promoção do bem...
                   Centelhas chamando todos...
                   Acenam veementemente...
                   Para a reconstrução emocional...


-Rafael.
-Eu te diria que:
-O que torna amplo, dramático e tremendamente emocional,
-É que a responsabilidade no auto-encontro é só nossa...
-É intransferível...
-E o tempo passa muito rápido...
-A volta ao mundo maior vem para todos,
-O ajuste de contas também...
-Eu agüento firme a minha parte,
-Sem murmurar, seja o que for...
-Alivio o que posso as minhas dores,
-Mas vejo que os bons não sofrem tanto...
-Auto-avalio-me... Faço de mim o melhor que posso...
-Atiro-me na ética milenar que erra menos.
-A atmosfera emocional contemporânea
-Cristalizou na pedagogia do mal contra si próprio.
-Sinto que não é permitido
-A invasão da privacidade nas sabedorias,
-Elas estão dentro de nós...
-É preciso purificar os pensamentos,
-É preciso intimar-se e arrumar as descobertas desordenadas,
-Para acessar a qualidade de ser...

                   O sonho e a esperança...
                   Bandeiras que tremulam veementemente...
                   Estimulando novas utopias,
                   É a paixão pela verdade de ser...

-Tia Genoveva:
-Sinto que estou anestesiado...
-Gostaria de permanecer na dependência de ser,
-Mas sei que ela me destrói.
-Levará muito tempo para responsabilizar-me
-Totalmente por mim mesmo, então comemorarei a independência de ser.
-Tornar-me-ei um excelente conhecedor de meus dons,
 -Que estão escondidos dentro do meu ser.
-Dons incomuns, que eu ainda não descobri...
-A partir de hoje serei o meu maior crítico.
-Nada de respostas e auto-avaliações superficiais...
-Serei incansável na procura do autoconhecimento,
-Tão almejado e procurado por todos os seres humanos,
-E tantas vezes conquistado.

                   Precisamos de mitos,
                   Que elevem a alma...
                   Compaixão, piedade...
                   Tudo é intensamente dramático.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O RENASCIMENTO ÉTICO

                          
REGINA DINIZ


“Que tipo de cultura poderia ser considerada conducente à saúde mental? – A pessoa mentalmente sadia é produtiva e inalienada; a pessoa que se associa ao mundo com amor, e que usa a sua razão para conhecer a realidade objetivamente; que se sente como uma entidade única e individual, e, ao mesmo tempo, una com seus semelhantes; que não é sujeita à autoridade irracional, e aceita, prazerosamente, a autoridade racional da consciência e da razão; que está no processo de nascimento enquanto vive, e considera a vida como a mais preciosa oportunidade que lhe é oferecida”. ( Erich Fromm – Livro: Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Zahar Editores – 1979 – Rio de Janeiro).

O desejo de saúde mental, de felicidade, harmonia, amor, produtividade é de nossa natureza, é inseparável do ser humano que tenha nascido mentalmente sadio. São necessários poderosos investimentos culturais para que seja mantido e valorizado esse anseio inato de sanidade. A história humana avançada é pautada e reconhecida pelos objetivos de saúde mental que ela propõe. Nossa saúde mental e emocional é proporcional à nossa disposição
de assumir a responsabilidade pelas nossas reações diante da miríade de circunstâncias de nossa vida.

E qual seriam os projetos ideais, que favorecessem a transformação progressiva para uma sociedade sadia? – Que todas as propostas contemplassem estruturas educacionais sólidas, que girassem a favor da identificação e desenvolvimento dos dons, talentos, realização pessoal e de suas múltiplas competências. – Que o ser humano fosse considerado o centro principal de investimento, e na qual a economia e a política sejam subordinadas ao objetivo de seu crescimento como pessoa. Que o programa cultural tivesse como objetivo principal a motivação ao homem extrapolar dentro de dimensões dirigíveis e observáveis, e ser um indivíduo ativo e responsável da vida em sociedade, bem como senhor de sua própria vida.

“Uma sociedade sadia promove a solidariedade humana, e não apenas permite que seus membros se relacionem uns aos outros com amor, mas estimula esta prática; uma sociedade sadia promove a atividade produtiva de todos em seu trabalho, estimula o desvendamento da razão e permite ao homem dar expressão a suas necessidades interiores na arte e nos rituais coletivos”. ( Erich Fromm – livro: A Sobrevivência da Humanidade – Zahar Editores – 1984 – Rio de Janeiro.)

É necessário discutir uma revisão fundamental no supercapitalismo desumanizante, que só aumenta cada vez mais a patologia imanente ao capitalismo. Uma proposta saudável seria pensar uma nova ordem social que levasse a prática, por meio de providências concretas à solidariedade humana, a razão e a produtividade, sendo debatidas, aceitas e estimuladas. A emancipação do homem da alienação contemporânea propõe a união saudável caracterizada pela fraternidade e justiça.

 Sociedades econômicas e sociais planificadas, em alto nível, desejam criar  sociedades livres, fraternais e sustentáveis. As propostas do capitalismo contemporâneo agonizam gravemente, pois favelizaram o mundo inteiro. Ninguém agüenta mais incontáveis fracassos de ser. O procedimento correto seria gratificar o indivíduo pelas qualidades humanas. A presença de meios pacíficos para a realização humana é um objetivo, que há milênios planejamos.

“Está além de qualquer dúvida que os problemas de transformação social não sejam tão difíceis de resolver - teórica e praticamente – quanto os problemas técnicos que os nossos químicos e físicos resolveram. E também, não se pode duvidar de que necessitamos mais de um renascimento humano do que aviões e televisão. Até apenas uma fração da razão e senso prático usados pelas Ciências Naturais, quando aplicada aos problemas humanos, permitirá a continuação da tarefa de que tanto se orgulhavam os nossos ancestrais do século XVIII”. ( Karl Mannheim – livro: Man and Society in na Age of Reconstruction  - Nova York, l941). Citação no livro: O Significado da Ansiedade – Autor: Rollo May - Zahar Editores – Rio de Janeiro – 1980)

Todas as pessoas se preocupam em redescobrir e enriquecer suas éticas individuais. Muitos riscam de sua ética determinadas paixões, que consideram prejudiciais a sua vida pessoal e social: - orgulho – vaidade – inveja – ambição desvairada – valorização pelo consumo ostentatório etc... Lutam para aumentar a constatação da existência de bens humanos superiores, que nutram a auto-estima: - liberdade – dignidade humana – verdade – justiça.

Todas as culturas, em todos os tempos, se comprometeram a construir o que estivesse ao seu alcance para praticar um mínimo ético comum na vida cotidiana. Na realidade, por séculos e séculos, se prometeram respeitos, aos outros plenamente às convicções, ou à ausência de convicções com os outros. Como cultura os seres humanos sempre desejaram se educarem. Até os dias de hoje, a maior satisfação é dispor de oportunidades para crescer como pessoa.

“Quando Deus perguntou a Caim onde estava Abel, Caim replicou, zangado, com outra pergunta:“ - Sou por acaso o guardião do meu irmão?”O maior filósofo ético do nosso século, Emannuel Levinas, comentou que dessa pergunta zangada de Caim, começou toda a imoralidade. É claro que sou o guardião do meu irmão; e sou e permaneço uma pessoa moral enquanto não pergunto por uma razão especial para sê-lo. Quer eu admita, quer não, sou o guardião do meu irmão por que o bem-estar do meu irmão depende do que eu faço ou do que me abstenho de fazer. E sou uma pessoa moral porque reconheço essa dependência e aceito a responsabilidade que ela implica. No momento em que questiono essa dependência, e peço, como fez Caim, que me dêem razões para que eu me preocupe, renuncio a minha responsabilidade e deixo de ser um ser moral. A dependência de meu irmão é o que me faz um ser ético. A dependência e a ética estão juntas, e juntas elas caem. (Zygmunt Bauman – Livro:A Sociedade Individualizada – Jorge Zahar Editor Ltda. 2008).

Caim rompeu com o amor familiar, rompeu com o afeto consigo mesmo, rompeu com a humanidade, rompeu com Deus, destruindo o objetivo que mais fortalece a existência humana, ou seja, o afeto. Possivelmente Caim mergulhou em profunda vergonha de si mesmo, além de se envolver em profundo sentimento de culpa. Como seres humanos devemos nos refinar na mediação construtiva, unindo-nos de uma forma ou de outra com todas as pessoas indistintamente. Amor, Coragem, Honestidade, Generosidade de Espírito – esses valores não mudam jamais, embora possam surgir em formas pouco conhecidas.

A experiência da aproximação, e a aceitação da nossa igualdade humana nos gratificam, a ponto de nutrimos a nossa personalidade de elevada auto-estima, envolvendo o nosso coração de paz, afastando a ansiedade e nos curando emocionalmente. A experiência de união nos proporciona a capacidade de usar saudavelmente as nossas capacidades intrínsecas. A interação sadia nos torna capazes de compreender o mundo, as coisas e as pessoas de modo ativo. O homem de todas as idades e culturas vê-se diante da solução de uma só e mesma questão: - de como superar a separação, e de como realizar a união, e de como transcender a própria vida individual e encontrar sintonia.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

OS PINGOS QUE CAEM DO CÉU


Regina Diniz


Eu desperto mais ouvindo a chuva que reflete espiritualidade pura...

Porque o seu convite de silêncio interior me desespera.
Não tenho força emocional para olhar à frente.
Só agüento investir no presente, o que considero heróico.
Um dia aprenderei o magnetismo que cura a mente...

Eu desperto mais sentindo a brandura das gotas que caem...

Porque o seu perfume aviva os meus desamores doloridos,
Naqueles que não consegui aquecer a frieza humana,
E pulei do barco das depressões de medo de sucumbir...
Um dia desanuviarei as minhas motivações transcendentais...

Eu desperto mais lendo a sua mensagem generosa...

Porque ela me aconselha o descanso imenso,
E corações em tumulto não entendem a paz interior...
Viver aos sobressaltos é regra neste começo de milênio.
Um dia atrairei o magnetismo vital que fortalece...

Eu desperto mais apreciando a sua musicalidade...

 Porque a ouço dizer através do canto do vento:
-Sem a luz do amor,
-Tudo se perde nas sombras do turbilhão sádico...
-Um dia vivenciarei novas formas da pura realização da alma...

Eu desperto mais com a sua preocupação tolerante...

Porque ela me segreda:
-Desesperar-se? ... Que idéia...
-Aprenda com as rosas a conviver com os espinhos...
Com muita fé acordarei o meu subconsciente criador...

Eu desperto mais ouvindo a chuva...

Porque ela me lembra o valor do crescimento espiritual...
Percebo o ar nutridor das expectativas humanas...
A jornada em direção ao milagroso principia aqui...
Como é profundo o desabrochar do potencial espiritual...