domingo, 22 de fevereiro de 2015

O CORAÇÃO E A MENTE CONFEREM A AUTOCONFIANÇA E ENTUSIASMO

REGINA  DINIZ

“A sociedade de consumo tem como base de suas alegações a promessa de satisfazer os desejos humanos em um grau que nenhuma sociedade do passado pode alcançar, ou mesmo sonhar, mas a promessa de satisfação só permanece sedutora enquanto o desejo continua insatisfeito; mais importante ainda, quando o cliente  não está satisfeito “plenamente satisfeito” – ou seja, enquanto não se acredita que os desejos que motivaram e colocaram em movimento a busca da satisfação e estimularam experimentos consumistas tenham sido verdadeira e totalmente realizados.

O espírito comercial da vida íntima é constituído de imagens que mostram o caminho para um paradigma de desconfiança... oferecendo um modelo bem defendido do sofrimento... Segundo a sociedade de consumo, os atos heróicos que uma pessoa pode realizar são isolar-se, partir, depender e necessitar  menos dos outros... A possibilidade de povoar o mundo com gente afetuosa e induzir as pessoas a terem mais afeto não figura nos panoramas  pintados pela utopia consumista.

O topo da lista dos prazeres preferidos e mais cobiçados tem sido, nas duas últimas, ocupado invariavelmente por passatempos que foram tornados disponíveis principalmente por meio de formas de abastecimento baseadas no mercado: fazer compras pessoais, comer fora, exercitar o faça você mesmo e assistir a vídeos. A “sociedade de consumidores” representa o tipo de sociedade que promove ou reforça a escolha de um estilo de vida e uma estratégia
existencial consumistas e rejeita todas as opções culturais alternativas. A pessoa pobre é forçada a uma situação na qual tem que gastar o pouco dinheiro ou os parcos recursos de que dispõe com objetos de consumo sem sentido, e não com suas necessidades básicas, para evitar a perspectiva de ser provocado e ridicularizado.

“Observadores indicam que cerca de metade dos bens cruciais para a felicidade humana não rem preço de mercado nem pode ser adquirida em lojas. Qualquer que seja a sua condição em matéria de dinheiro e crédito, você não vai encontrar num shopping o amor e a amizade, os prazeres da vida doméstica, a satisfação que vem de cuidar dos entes queridos ou de ajudar um vizinho em dificuldade, a autoestima proveniente do trabalho bem-feito, a satisfação do “instinto de artífice” comum a todos nós, o reconhecimento, a simpatia e o respeito dos colegas de trabalho e outras pessoas a quem nos associamos; você não encontrará lá proteção contra as ameaças de desrespeito, desprezo, afronta e humilhação. Além disso, ganhar bastante dinheiro para adquirir esses bens que só podem ser obtidos em lojas é um ônus pesado sobre o tempo e a energia disponíveis para obter e usufruir bens não-comerciais e não-negociáveis como os que citamos acima. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: A Arte da Vida – 2008).

Émile Durkheim, um dos que se esforçou para inserir e estabelecer a “sociedade” no lugar antes ocupado por Deus e pela Natureza,  vista como sua criação ou personificação – e assim reivindicar para o nascente Estado – nação o direito de articular, pronunciar e aplicar os mandamentos morais e exigir de seus súditos a lealdade suprema; o direito antes reservado ao Senhor do Universo e seus consagrados lugares – tenentes terrenos. Precisamos descobrir substitutos racionais, para esses motivos religiosos que por tanto tempo tem servido de veículo para as idéias morais mais essenciais. A verdadeira felicidade que Durklein recomenda é que os seres humanos procurem o que deve ser redirecionada do amor a Deus e a obediência  à sua Igreja para o amor à nação e a disciplina perante
Um Estado nacional. Em ambos os casos, porém, o mesmo argumento é usado em relação à superioridade da eternidade sobre a transitoriedade.

Segundo Émile Durkheim, se nossos esforços não resultarem em algo permanente, então são vãos, e por que se esforçar pelo que é fútil? De que valem nossos prazeres individuais, tão vazios e tão curtos? O indivíduo se submete à sociedade e sua submissão é a condição de sua libertação. Para o homem a liberdade consiste em se livrar de forças cegas, irracionais, isso ele alcança opondo-lhes a grande e inteligente força da sociedade, sob cuja proteção se abriga. Colocando-se sob as asas da sociedade, também se torna, até certo ponto, dependente dela. Mas é uma dependência libertadora.

“Há certa semelhança entre nosso bem-estar físico e mental. Se nossa constituição física básica for forte e gozarmos de boa saúde, o corpo será capaz de resistir e superar eventuais doenças que contrairmos. Da mesma maneira pontos de vista basicamente saudáveis e éticos evitem o surgimento de muitas emoções e pensamentos negativos. E se eles ocorrerem, com pontos de vista e idéias saudáveis, estaremos bem equipados para superá-los, e evitaremos que eles exerçam um impacto duradouro em nós. Assim no futuro, seremos capazes de reduzir seu surgimento”. (Autor: Dalay Lama XIV – Livro: Iluminando o Caminho – Nossa Busca de Felicidade ).

Aprendi com Dalay Lama que a minha maior aliada e protetora é a minha inteligência que é a combinação de “coração” e mente. Ela me confere força interior, autoconfiança e entusiasmo. No fundo do meu ser, sinto a paz interior que é a combinação de inteligência e bom coração e acredito que é a verdadeira ajuda de Deus. Todos nós seres humanos temos o mesmo potencial.

Nascemos e crescemos sob a influência de nossos pais, de modo que, desde a infância aprendemos o valor da afeição e bondade humanas. Atualmente as pessoas pensam mais nos valores do ser humano: compaixão e senso de preocupação mútua. Se adquirirmos mais desses valores, nossos sentimentos e emoções serão mais saudáveis e, como resultado, nossa paz de espírito será maior. Aprendi com o Dalay Lama, que cada um de nós tem o potencial de

Desenvolver um coração humano e caloroso. Por exemplo, não podemos desenvolver experiências espirituais verdadeiras e significativas sem boas qualidades humanas em nossa formação. Neste aspecto, cada indivíduo é responsável por si mesmo e ninguém pode desenvolver um bom coração por nós. Mas cada um de nós possui o mesmo potencial para criar uma vida feliz.