REGINA DINIZ
“A sociedade de consumo tem como
base de suas alegações a promessa de satisfazer os desejos humanos em um grau
que nenhuma sociedade do passado pode alcançar, ou mesmo sonhar, mas a promessa
de satisfação só permanece sedutora enquanto o desejo continua insatisfeito;
mais importante ainda, quando o cliente
não está satisfeito “plenamente satisfeito” – ou seja, enquanto não se
acredita que os desejos que motivaram e colocaram em movimento a busca da
satisfação e estimularam experimentos consumistas tenham sido verdadeira e
totalmente realizados.
O espírito comercial da vida
íntima é constituído de imagens que mostram o caminho para um paradigma de
desconfiança... oferecendo um modelo bem defendido do sofrimento... Segundo a
sociedade de consumo, os atos heróicos que uma pessoa pode realizar são
isolar-se, partir, depender e necessitar
menos dos outros... A possibilidade de povoar o mundo com gente afetuosa
e induzir as pessoas a terem mais afeto não figura nos panoramas pintados pela utopia consumista.
O topo da lista dos prazeres
preferidos e mais cobiçados tem sido, nas duas últimas, ocupado invariavelmente
por passatempos que foram tornados disponíveis principalmente por meio de
formas de abastecimento baseadas no mercado: fazer compras pessoais, comer
fora, exercitar o faça você mesmo e assistir a vídeos. A “sociedade de
consumidores” representa o tipo de sociedade que promove ou reforça a escolha
de um estilo de vida e uma estratégia
existencial consumistas e rejeita
todas as opções culturais alternativas. A pessoa pobre é forçada a uma situação
na qual tem que gastar o pouco dinheiro ou os parcos recursos de que dispõe com
objetos de consumo sem sentido, e não com suas necessidades básicas, para
evitar a perspectiva de ser provocado e ridicularizado.
“Observadores indicam que cerca
de metade dos bens cruciais para a felicidade humana não rem preço de mercado
nem pode ser adquirida em lojas. Qualquer que seja a sua condição em matéria de
dinheiro e crédito, você não vai encontrar num shopping o amor e a amizade, os
prazeres da vida doméstica, a satisfação que vem de cuidar dos entes queridos
ou de ajudar um vizinho em dificuldade, a autoestima proveniente do trabalho bem-feito,
a satisfação do “instinto de artífice” comum a todos nós, o reconhecimento, a
simpatia e o respeito dos colegas de trabalho e outras pessoas a quem nos
associamos; você não encontrará lá proteção contra as ameaças de desrespeito,
desprezo, afronta e humilhação. Além disso, ganhar bastante dinheiro para
adquirir esses bens que só podem ser obtidos em lojas é um ônus pesado sobre o
tempo e a energia disponíveis para obter e usufruir bens não-comerciais e
não-negociáveis como os que citamos acima. (Autor: Zygmunt Bauman – Livro: A
Arte da Vida – 2008).
Émile Durkheim, um dos que se
esforçou para inserir e estabelecer a “sociedade” no lugar antes ocupado por
Deus e pela Natureza, vista como sua
criação ou personificação – e assim reivindicar para o nascente Estado – nação
o direito de articular, pronunciar e aplicar os mandamentos morais e exigir de
seus súditos a lealdade suprema; o direito antes reservado ao Senhor do
Universo e seus consagrados lugares – tenentes terrenos. Precisamos descobrir substitutos
racionais, para esses motivos religiosos que por tanto tempo tem servido de
veículo para as idéias morais mais essenciais. A verdadeira felicidade que
Durklein recomenda é que os seres humanos procurem o que deve ser redirecionada
do amor a Deus e a obediência à sua
Igreja para o amor à nação e a disciplina perante
Um Estado nacional. Em ambos os
casos, porém, o mesmo argumento é usado em relação à superioridade da
eternidade sobre a transitoriedade.
Segundo Émile Durkheim, se nossos
esforços não resultarem em algo permanente, então são vãos, e por que se
esforçar pelo que é fútil? De que valem nossos prazeres individuais, tão vazios
e tão curtos? O indivíduo se submete à sociedade e sua submissão é a condição
de sua libertação. Para o homem a liberdade consiste em se livrar de forças
cegas, irracionais, isso ele alcança opondo-lhes a grande e inteligente força
da sociedade, sob cuja proteção se abriga. Colocando-se sob as asas da
sociedade, também se torna, até certo ponto, dependente dela. Mas é uma
dependência libertadora.
“Há certa semelhança entre nosso
bem-estar físico e mental. Se nossa constituição física básica for forte e
gozarmos de boa saúde, o corpo será capaz de resistir e superar eventuais
doenças que contrairmos. Da mesma maneira pontos de vista basicamente saudáveis
e éticos evitem o surgimento de muitas emoções e pensamentos negativos. E se
eles ocorrerem, com pontos de vista e idéias saudáveis, estaremos bem equipados
para superá-los, e evitaremos que eles exerçam um impacto duradouro em nós.
Assim no futuro, seremos capazes de reduzir seu surgimento”. (Autor: Dalay Lama
XIV – Livro: Iluminando o Caminho – Nossa Busca de Felicidade ).
Aprendi com Dalay Lama que a
minha maior aliada e protetora é a minha inteligência que é a combinação de
“coração” e mente. Ela me confere força interior, autoconfiança e entusiasmo.
No fundo do meu ser, sinto a paz interior que é a combinação de inteligência e
bom coração e acredito que é a verdadeira ajuda de Deus. Todos nós seres
humanos temos o mesmo potencial.
Nascemos e crescemos sob a
influência de nossos pais, de modo que, desde a infância aprendemos o valor da
afeição e bondade humanas. Atualmente as pessoas pensam mais nos valores do ser
humano: compaixão e senso de preocupação mútua. Se adquirirmos mais desses
valores, nossos sentimentos e emoções serão mais saudáveis e, como resultado,
nossa paz de espírito será maior. Aprendi com o Dalay Lama, que cada um de nós
tem o potencial de
Desenvolver um coração humano e
caloroso. Por exemplo, não podemos desenvolver experiências espirituais
verdadeiras e significativas sem boas qualidades humanas em nossa formação.
Neste aspecto, cada indivíduo é responsável por si mesmo e ninguém pode
desenvolver um bom coração por nós. Mas cada um de nós possui o mesmo potencial
para criar uma vida feliz.
