quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

OBJETIVOS EXISTENCIAIS PARTILHADOS

Regina Diniz
Ilya Prigogine , o químico belga que ganhou o Prêmio Nobel (l980) disse: - “Vemos um mundo novo à nossa volta. Temos a impressão de que estamos no alvorecer de uma nova era, com todo o entusiasmo, toda a esperança e também todos os riscos inerentes a um recomeço. Nota-se um desafio aos valores da cultura atual para viver novos paradigmas”. Há uma rejeição aberta contra os obstáculos que o sistema da cultura de massa impõe à individualidade. Lutar para se libertar de séculos de passividade imposta, e desejar uma vida mais afirmativa, mais gratificante, mais auto-realizadora é um desejo de todos nós.

Agregar qualidade em valoração humana ao patrimônio cultural que recebemos é viver em sintonia com a vida. Mantendo-nos abertos, receptivos e conscientes, com certeza seremos recompensados. Inovar o que recebemos pronto é o grande caminho, e a força secreta é a liberdade criativa.

Um dos objetivos mais sagrados do ser humano é evoluir em qualidade de ser e, aceitando que esta renovação é uma das mais gratificantes certezas da vida. Valorizar o crescimento da personalidade é a melhor opção. Construir uma sólida estrutura emocional, porque todos nós sentimos medo, quando não nos modificamos para melhor.

As mudanças nas perspectivas científicas, sociais e pessoais são contínuas. As pressões para o crescimento pessoal sempre existiram e saudavelmente forçam a interpretação da vida. A criatividade é uma forma interior que remove as algemas mentais e emocionais, liberando o que há de melhor em nós.

“O homem e não a técnica deve ser a fonte básica de valores; o desenvolvimento humano ótimo e não a produção máxima deve ser o critério para todo planejamento. -- - Isto significa que o conhecimento do homem, sua natureza e as possibilidades reais das suas manifestações devem tornar-se um dos dados básicos para qualquer planejamento pessoal e social”. (Erich Fromm – A Revolução da Esperança – Editora Zahar.)

Os eventos das renovações científicas, sociais e culturais sempre estiveram vivas. Novas formas de trocas de experiências, de objetivos existenciais partilhados buscam canais de expressão. Mesmo que a larga avenida esteja pedregosa ou estejamos indecisos, precisamos avaliar as propostas das ciências sociais.

Quer aceitemos ou não nascemos com o dom dignificante de pensar. Nestas reflexões
se colaborarmos com a nossa maciça participação acontecerá um maior humanismo. Atualmente as pessoas aceitam de braços abertos um estilo de vida saudável. Necessitamos de nos compreender como uma entidade independente, e nos identificar como um ser humano valioso para nós e para os outros indivíduos.

Atualmente as pessoas desejam dedicar-se a outras pessoas, ajudá-las sem qualquer remuneração. Confiam em sua própria visão de mundo e não admitem leis injustas. Acreditam em sua necessidade de praticar a inteligência espiritual. Querem encontrar um sentido para a vida, que transcenda o individual. O horizonte espiritual está incandescente com idéias novas para refletir. A paz é sempre uma possibilidade a ser buscada.

“A natureza da consciência é fluir. Ela parece estar sempre mudando. Estados de espírito se sucedem... Podemos dirigir a consciência para uma idéia ou impulso, mas não podemos trancá-la no mesmo lugar”. Dr. George Weinberg.

DESEJO UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO A TODOS VOCÊS QUE PRESTIGIARAM O MEU BLOG.

VOLTAREI A POSTAR AS CRÔNICAS, OS CONTOS POÉTICOS, E AS POESIAS A PARTIR DO DIA 19 de fevereiro de 2010.

MUITA PAZ E MUITA LUZ.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A ALAVANCA DA ESPERANÇA

Regina Diniz


É fascinante
a procura do ideal de ser,
porque a maior revolução se dá
nos próprios sentimentos.

Agora os meus pés são acariciados
pelas águas cristalinas do riacho,
que desce contornando a montanha
em direção ao mar.
Há vinte anos mantenho este vínculo afetivo
com suas águas calmas e sussurrantes,
que desviam das pedras cantando.
Continua a desempenhar o seu papel,
magnetizando corações para o bem ...
Sabe alinhar as energias sutis curativas,
é um mestre na arte da resistência,
é inimigo do estresse ...
Parece dizer: “-Eu luto como todo mundo.”
Presto atenção ao seu desempenho,
para aprender a desviar da compulsividade,
que insiste atacar a minha personalidade.

É magnífico
olhar a direção da própria vida,
enfeitando-a com pensamentos puros,
este é o maior desafio da jornada ...

Procuro formas de relax, idéias novas podem surgir ...
Valho-me, as vezes, do passado, que guarda milagres.
Recordo-me de momentos profundos e decisivos,
e que muito me ajudaram a equilibrar-me.
Insisti tanto em vivenciar a tranqüilidade
pois sempre soube que era o que mais desejava.
Pesava muitos aspectos de minha experiência interna.
Gosto de avaliar idéias originais,
Que viabilizam a realização transformadora.
Hoje, fazendo um balanço deste pensamento divergente,
vejo que me livrei de situações desastrosas ...
Foi preciso calma e ponderação
na interação com meus potenciais e limitações,
imperando o desejo constante de renovação em tudo ...
Faço avaliações e reavaliações de metas existenciais.
O objetivo é o de acertar no ato de viver ...
É uma questão de sublime intenção,
passar a ser eficaz comigo,
o que nunca foi fácil ...
É uma questão de sublime intenção,
passar a acertar com os outros,
o que ainda não aprendi ...
Tenho sofrido pesados reveses ...
Mas a vida continua dando-me novas oportunidades,
e a jornada é tão longa como longa é a vida.

Escolher como agir,
em qualquer momento,
durante a vida inteira.
Deus é a perfeição.

Nunca demonstrei as minhas angústias.
Interpretariam como um pedido de ajuda,
e de nada adiantaria, só eu posso motivar-me.
Através de vitórias e derrotas
mantenho a honradez pelo esforço ético.
É assim que alcanço um pouco da sabedoria
da vida, que é tão bonita ...
Bonita mesmo, quando conjugo bons valores.
Observo com incansável intensidade
os dilemas e os desafios.
Com toda a lucidez de que sou capaz de empreender
assumo riscos, tenho o direito de tentar ...
Gosto das lutas éticas,
adoro refletir sobre o meu desempenho,
sempre me exigi ao máximo,
procurei ser maior do que eu mesma ...
Foi esta postura que salvou-me de naufrágios.
A maior vitória foi valorizar os meus sentimentos,
foi cuidar da saúde das minhas emoções.
Tenho amor guardado dentro de mim.

O eterno é sempre ...
O eterno é aqui e agora ...
Acredito em minha bondade ...
E descubro tesouros escondidos ...

Olho agradecida para o meu riacho,
que sempre me acolheu nas horas mais difíceis ...
E com a sua alegria nutridora e sem palavras
me deu as energias que precisava ...
Eu gosto muito das montanhas.
A via é a montanha, é preciso cortejar a montanha ...
A vida é sempre uma montanha, há muitos obstáculos ...
Sempre apreciei as superações ...
O movimento obrigatório é de escalada solitária.
É eu, a corda e a montanha.
Já fiz três escaladas afetivas solitárias.
Sou eu e a responsabilidade do que me acontece ...
Sou eu e os compromissos inadiáveis com a personalidade.
Sou eu tentando arrancar de dentro do meu interior
mais conhecimento a respeito de minhas possibilidades.
É um trabalho duro de auto-expressão e instrospecção ...
Sempre me observei dependurada na corda da vida.
Mudar os rumos é fundamental, reflito em profundidade ...
É assim que visualizo as minhas paisagens interiores ...
É assim que fico mais forte emocionalmente.
Quando me conscientizo que só dependo de mim mesma,
e aceito esta verdade, conquisto algo bom para a vida ...
Fico mais segura emocionalmente.


Um vasto território ...
Cheio de mistérios ...
Cheio de imensas possibilidades ...
Levanto o véu do ser ...


Já é bastante treinar sozinha,
é fundamental reavaliar-se ...
É aqui do alto que eu aprendo
a confiar firmemente nas minhas convicções ...
Aqui de cima quero encontrar soluções fora do comum ...
Eu vejo com clareza e amplitude
os vícios de interpretação dos fatos da vida.
Aqui de cima eu consigo a abertura da minha percepção ...
Eu constato que a minha capacidade de pensar aumenta.
Aqui de cima aprendo pela autodescoberta.
Liberto-me dos pensamentos padronizados,
liberto-me dos comportamentos repetitivos e involuntários ...
Aqui de cima eu reforço o meu pensamento divergente,
descubro a melhor parte do meu mundo interior,
que me dá coragem de mudar
a maneira de encarar a vida,
de encarar os outros e a mim mesma ...
E me confirmo, valeu a coragem e o esforço para escalá-la,
impulsos e exigências renascem,
aqui a terra se une ao céu.
Olhando para o solo
vejo que a situação está terrível ...
Achei um bom lugar, é bom viver no meio do nada ...
Vou fazer um acampamento
para refletir neste silêncio quase mágico,
sobre a maravilha da ancoragem.

O segredo essencial
é vivenciar emoções de coragem ...
O segredo essencial
é vivenciar emoções de autoconfiança ...

Sentei-me, o lugar é tranqüilo ...
Fecho os olhos e respiro profundamente.
Invade-me uma sensação de quietude,
não há lugar para pensamentos negativos ...
Alcancei muita calma,
estou vibrando muita paz ...
A saúde mental é o estado de equilíbrio vibratório.
Aprendo a sentir-me bem,
dirijo-me para a qualidade de ser.
A minha verdadeira riqueza é o meu potencial.
Trago as vibrações positivas dos meus antepassados.
Agora me lembro de quando comia bolinhos fritos
nos dias de chuva, gratifica-me o calor humano ...
Lembro do amor, da proteção e dos ensinamentos
que recebi de minha mãe e da tia Bade ...
Gosto dos dias de chuva, porque esta memória positiva
age em minha motivação como uma alavanca de esperança,
porque vivenciei sentimentos de segurança.
Estas experiências são os meus impulsos motivacionais.

O mundo é enigmático ...
Poderosas incertezas
motivam o imaginário ...
Podem surgir do nada ...

A saúde é a presença de afeto emocional,
a doença é a ausência de bons sentimentos.
O ideal é viver com responsabilidade as decisões ...
Batalho muito nesta direção
para conectar-me com valores espirituais milenares.
Procuro sonhos iluminados dentro de mim.
Daqui e dali procuro rumos sadios.
Invisto na competência de ser coerente.
Procuro com intensidade o acerto.
Acredito firmemente nas virtudes.
Nunca faço inventário dos sofrimentos,
pois os esqueci totalmente, foram erros.
Agora só faço inventário de alegria e satisfação.

Absorvo energias espirituais ...
Brotam emoções de auto-aceitação ...
Acho vias de aproximação humana ...
Há situações felizes no dia-a-dia ...

Para administrar-me melhor
julgo-me como uma pessoa batalhadora,
sempre confiante e jamais insegura.
E sinto-me revigorada
quando me lembro de elogios sinceros
que alguém de auto-estima me fez.
E digo a mim mesma:
- Eu mereço sentir-me bem.
E aparento ser tal como me sinto ...
Fujo dos dramas contemporâneos ...
Livrei-me do drama de competir por status,
que matava o meu desejo de viver.
Só faço metas a longo prazo.
O meu radar emocional
procura um eu divino
dentro do meu próprio coração.

Escolhas audaciosas ...
Fazer certo é um desafio ...
Fluir dignidade e esperança ...
Ganho bênçãos por tentar ...

Sobrevivo heroicamente neste planeta.
Só os valores eternos podem ajudar-me.
Desejo quebrar todas as regras negativas possíveis ...
Desejo as forças alimentadoras da alma.
Converso com Deus e aprimoro a busca.
Meus pensamentos curam o meu espírito.
Faço o melhor possível.
Eu sou um complexo milagre da criação.
Dentro do meu coração está a luz de Deus,
é a única luz que pode iluminar o meu caminho ...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

LIBERDADE E AUTONOMIA NA MODERNIDADE

Regina Diniz

Walter Benjamin se referiu à extinção da experiência na modernidade, aludindo às implicações do modo de vida instaurado pelo capitalismo urbano e industrial, que dinamitou as condições necessárias para uma experiência coletiva e partilhada. Dilacerou-se aquela tradição fortemente sedimentada no grupo e, do mesmo modo também se desmoronaram as possibilidades de vivenciar experiências pautadas pela transcendência. Esse distanciamento das tradições comunitárias e do além, que alimentou as fabulosas possibilidades abertas pelo individualismo moderno e contemporâneo, também fechou outras portas. Nesse saldo negativo seria necessário anotar a solidão. (Citação feita p/ Paula Sibilia no livro “O Show do Eu – a Intimidade como Espetáculo” – 2009).

Os ideais éticos há milênios são o da dignidade do homem como um objetivo e um fim em si, de amor fraternal, da razão e da supremacia dos valores espirituais sobre os valores materiais. Esses ideais se relacionam a conceitos de Deus. Quando expressamos a nossa fé, vivendo-a nos sentimos mais fraternos.

O homem ao longo da civilização, desenvolveu a capacidade de pensar, imaginar e refinar a percepção. Temos acesso aos grandes mestres da raça humana, que postularam as normas para uma vida sadia. Mas, hoje ele ficou ansioso pela ameaça aos valores sociais, emocionais e morais que percebe contra si mesmo.

O homem para sentir-se em paz no mundo deve perceber não só com a cabeça, mas também com os sentidos. Gostamos de olhar, ouvir, criar, usar as mãos em atividades por mais singelas que sejam. Uma necessidade latente exige que mostremos para nós mesmos, que podemos interagir de forma ativa e construtiva com as outras pessoas.

Precisamos trocar idéias, buscando conferir, buscando comparar percepções, buscando ler o contexto cultural. Este partilhar de constatações nos impulsiona, clarificando as nossas escolhas. O instinto gregário é parte integral da vida. Quando nos isolamos e negamos esta necessidade ficamos inseguros e ansiosos.

“A transformação de uma sociedade atomista noutra comunitária depende de novamente criar-se a oportunidade para as criaturas cantarem juntas, dançarem juntas, admirarem juntas, e não como membros de uma “Multidão Solitária”. ( David Riesmann – Livro:A Multidão solitária). Teremos que reaprender também a coragem da solidão criativa, que possibilita a redescoberta do pensamento construtivo. A melhor escolha que podemos fazer é sermos humanos. Conversar com os amigos, fazendo leituras profundas do contexto social, é um grande começo.

Diante de um sistema de valores que nos é imposto, o que nos resta é responder com saudabilidade psíquica, exercitando a nossa liberdade e autonomia. Nós é que devemos escolher a nossa orientação na vida e no mundo. Jamais podemos esquecer
que é através da intimidação ideológica, que se alcança a adaptação das pessoas a qual facilita o controle social, objetivo maior da cultura consumista.

Ao aceitar a padronização o indivíduo detona a sua subjetividade dentro de si passando a fazer tudo o que querem dele. E quanto mais se ajusta a ela, menos compreende seus desejos, sentimentos e a sua própria existência. Lentamente perde a consciência de quem realmente é.

Quando se ofender com a falha de alguém, vire-se para você mesmo e estude seus próprios defeitos. Então se esquecerá de sua raiva.(Epicteto). Um bom plano para crescermos como pessoa seria não prestar atenção no que consideramos erro em outras pessoas, e estimular a nossa motivação para enxergarmos mais longe. Podemos nos aperfeiçoar e aprender a gostar mais de nós mesmos e de nossos semelhantes.

O ideal é nutrir a qualidade de nossa vida interior e não esvaziá-la. Porque se assim não o fizermos, perderemos o contato com o nosso próprio eu para representar uma identidade falsa, um jeito de ser fictício exigida pela sociedade de consumo. Quando abdicamos de ser o jeito que idealizamos nos frustramos, e ficamos sozinhos e deprimidos.

Num tempo como o nosso, os limites entre o verdadeiro e o falso se confundem, e fica difícil distinguir o que é real do que é pura ilusão. Provavelmente o mais novo tipo psicológico que esta sociedade consumista e desumana elegeu é aquele que não se importa de esvaziar-se de toda a sua vida interior. E o prêmio que esta pessoa ganha é sepultar-se num endividamento perpétuo completamente desorientado.

Todos sabemos que coisas, objetos não são capazes de nos trazer a felicidade. Só um coração amoroso e uma consciência tranqüila pode concretizar esta intenção. O mais importante em tudo o que nos envolvemos somos nós, - nosso próprio investimento, a honestidade e abertura de mostrarmos aos outros a confiança, que estamos dispostos a dar. Precisamos nos auxiliar através de interações de qualidade, para enfrentar a complexidade da contemporaneidade.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A TRANSCENDÊNCIA AUSENTE

Regina Diniz

Fui sempre resignada com o pouco que me foi dado.
Impôs o destino que sempre trabalhasse sem estar preparada.
Na busca compulsiva da motivação para a apropriação da competência,
Foram décadas, décadas e décadas a fio de lutas intermináveis.

Agarrei-me na âncora do equilíbrio na alegria e na dor e não mais a larguei...
Subo sem repouso pela montanha escarpada da vida...

Sempre soube que as minhas capacidades eram limitadas.
Inúmeras vezes decidi recuar, mas amigos nunca deixaram.
Cristalizei no desempenho de ir a frente em busca da realização,
Custei a aceitar que pelo conhecimento viveria duplamente...

Agarrei-me na âncora da autenticidade e não mais a larguei...
Convivo em desertos extremamente áridos de afeto...

Sempre gostei de confrontar-me com as abstrações.
O exercício da latência seletiva é fundamental...
Sobrevivi porque organizei o caos que deformara a minha vida...
Acreditei que a felicidade vem do íntimo do espírito...

Agarrei-me na âncora do sentimento fraterno e não mais a larguei...
Esquivo-me da má sorte em dificuldades...

Sempre valorizei o potencial de originalidade.
Os talentos só nos dão alegria quando repartimos com os outros.
Enquanto um ser humano não evoluir,
Sentirei a tristeza poluindo o meu coração.

Agarrei-me na âncora do invisível e não mais a larguei...
Circulo o conhecimento apesar do inferno da ignorância dos meus tempos...

Sempre fui sensível a cooperação multi-dirigida.
Muito do que sou em motivação recebo de outras pessoas.
Meio caminho andado seria reconhecer esta verdade,
O compartilhar ainda não foi compreendido por nós.

Agarrei-me na âncora da necessidade de relação e não mais a larguei...
Ultrapasso os nevoeiros da depressão individualista, olhando o horizonte...

Sempre a independência de pensamento ajudou-me.
A rotina proposta é extremamente escravizadora.
Sabiam que esta manipulação empobreceria violentamente os povos.
Por que povos e povos desejam sufocar a criatividade do ser humano?

Agarrei-me na âncora da inconformidade e não mais a larguei...
Fujo da opressão e por sorte salvo-me...

Regina Diniz

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O CARÁTER E A SOLIDEZ INTERNA

Regina Diniz

Os processos de modernização e urbanização dos Estados Unidos, no final do século XIX e na primeira metade do séc. XX, assinalaram a crescente relevância do consumo e dos meios de comunicação de massa como principais condutores na articulação desse movimento. Houve uma mutação nas subjetividades. Deslocou o eixo em torno do qual se edifica o que se é: - de dentro “intro-dirigidas” o tipo de constituição subjetiva é o caráter, denotando uma solidez interna na qual se hospedam valores ligados à estabilidade, à palavra e à confiança para além do que se vê. A segunda modalidade “alter-dirigidas” para fora, em vez de se assentar sobre a densa base da própria interioridade, aposta nos efeitos que é capaz de provocar nos outros e recebem o expressivo título de personalidade. (David Riesman – A Multidão Solitária – São Paulo – Editora Perspectiva – l995).

Analisando as subjetividades humanas ao longo do tempo, nota-se que sempre foram valorizadas as “intro-dirigidas”, que impulsionam o real crescimento humano. A exploração da interioridade, enfatizando mudanças construtivas é fundamental, pois estaremos viabilizando novas possibilidades de ser. Sinto que quando penso aparecem possíveis experiências vindas de fontes desconhecidas da minha criatividade.

Observando-me, percebo que em meu mundo interior sempre está borbulhando algo que não conheço e que só eu posso descobri-lo. Certamente vivo num mundo marcado pela padronização dos comportamentos e não posso deixar de ler, pensar e meditar. Sou atraída pelas fascinantes questões colocadas pelas abstrações saudáveis.

Pensar torna-se cada vez mais premente nos dias de hoje. Avalio a confiança e a coragem como condições essenciais para compreender-me. Acho salutar descobrir novas visões de mundo, que querem emergir do fundo de minha consciência, e que me mostram a robusta liberdade de ser. É válida qualquer tentativa de renovar a interpretação da vida.

As subjetividades intro-dirigidas têm consciência de que as suas vias de crescimento são ilimitadas. Sua marca registrada é a solidez interior plasmada no seu caráter. A imaginação é a extrapolação da mente. É a capacidade que temos de avaliar as idéias, os impulsos e nos posicionarmos frente ao mundo.

A imaginação é a máquina de nossos sonhos existenciais. A imaginação é a esperança de encontrar idéias geniais na vastidão do nosso mar pessoal. Todos nós temos o nosso jeito de ver como as coisas devem ser. A imaginação não é “o enfeite do bolo”, ela é o alimento essencial à vida. Considero-a como a explosão nascente de toda a experiência humana.

Para seguir o caminho certo devemos amar as formas benéficas de ser desde a infância. Este amor nos leva a pensamentos sensatos. A aspiração para concretizarmos alguma idéia, para atingir uma meta ou realizar um projeto vem de dentro, vem do centro de todo o nosso conhecimento. Todos nós possuímos dotes naturais de pleno conhecimento. Basta acreditar-se.

As bases do comportamento evolutivo encontram-se muito mais dentro das pessoas do que fora. Podemos citar: - a robustez da vida interior, - a existência de um nível de consciência mais elevado, - a existência de enormes recursos para a criação da vida plena. Outra chave para a sobrevivência é a afirmação do impulso participatório nas decisões que afetam nossas vidas.

Se o meu diálogo interior tomar direção negativa, dou rapidamente uma travada, porque sei que Deus me deu o poder de mudar de idéias, e que só a conversa benéfica comigo mesma é que me gratificará, sinalizando linhas fortes de auto-entendimento. Investir com dedicação em bons pensamentos exige fé em desígnios maiores. Acreditar em Deus. A capacidade para enfrentar um novo desafio, que surge em nosso caminho, é uma oportunidade única de renovação pessoal e espiritual.

Costumo fazer uma sincera avaliação nas conversas comigo mesma. Contabilizo com rigor se o meu diálogo interior contêm apoio e intenções salutares. A determinação de modificar meus pensamentos, de curá-los é fundamental para alcançar a paz e a felicidade na vida. O tempo já me mostrou as recompensas advindas dos pensamentos positivos.

Acho complexa cada etapa da evolução espiritual. O processo de mudança exige atenção no resultado do que estou me tornando. Aprendi que o crescimento maior vem acompanhado de dor, o que nos prepara para virar outra página da vida.

Após uma profunda reflexão sobre o enorme potencial de nossa inteligência, temos certeza de que ela é a nossa maior riqueza.Os investimentos em educação tornam as pessoas mais sábias e não presas tão fáceis da degradação social. Superando as dificuldades do passado aumentamos nossa simpatia pelo presente. Ficamos mais fortes na trajetória da vida.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A TRILHA MISTERIOSA

Regina Diniz

Reafirmo a fé na vida...
Auto-realização de grandes sonhos...
Mantenho a fé...
A jornada é uma trilha misteriosa...


A minha rotina está muito monótona.
Desejo viver a vida num outro circuito...
Tenho o direito de me reinventar...
Frustro-me... Sinto que arranho a minha consciência...
Ninguém pode obrigar-me a usar máscaras...
São propostas impiedosas...
São comportamentos massificados,
Que impedem questionamentos autênticos e honestos...
Quero mostrar para mim mesma...
Quero trocar experiências de conhecimento
Mais profundas... A vida não é só isso...
Não sou atriz de um falso teatro.
Aprendo mais sobre auto-percepção
Descubro algo além das palavras...
Vou além da sobrevivência material...
Existe um plano maior na qual estou inserida.


Bebo a água sagrada...
Aquieto-me, purifico a mente.
Cultivo o bom pensamento...
Confio na linguagem do coração...


Sei que necessito muito de bênçãos espirituais,
Procuro lugares sagrados...
Tenho preferência por grutas seculares...
Pratico a caminhada contemplativa,
Para sentir o sagrado e receber graças consoladoras...
Alcanço a paz quando esta ajuda acontece,
Torno-me mais humana.
Grandes mestres sacros
Afirmam que estes lugares santos,
Tem o poder de transformar vidas...
Esforço-me para que a minha existência seja mais real...
Não aceito a incoerência de ser.
Decifro o meu papel na cultura de hoje,
Às vezes me confundo, é muito vazio.
O meu inconsciente quer felicidade autêntica,
Almejo libertar-me de antigas concepções,
Principalmente de mentiras capciosas.
Pregando um mundo sem Deus...
Sem valores humanos espirituais...
È só coisas e coisas, objetos e objetos...
E nada mais, absolutamente nada...
A proposta maior é de escravização total a materialização.


Rituais e tradições seculares...
Símbolos de todas as fés...
A espiritualidade é cósmica...
Paro o coração na verdade de ser...


Justiça, verdade e paz...
Abro a alma para a justiça...
Abro a alma para a verdade...
Abro caminhos para a paz interior...
Procuro reflexões para fluir uma sinceridade humilde...
Farei tudo o que for possível,
Para arrepender-me dos erros cometidos,
Principalmente da arrogância, e da prepotência estéril...
Não tenho que exigir nada de ninguém.
A responsabilidade afetiva pelo meu aperfeiçoamento
É só minha... absolutamente só minha...
Eu é que tenho que superar a falsidade de ser...
Devo ser autêntica e não teatralizada...
Senão colocarei tudo no fundo do inconsciente,
Que se vinga elaborando idéias que só me detonam...
Que nem um vulcão,
Que explode sem avisar,
Causando destruição total...
Então tenho de começar tudo do zero...
Fico bastante tempo perdida na encruzilhada da vida...
Sem saber que rumo tomar.
Tenho clara consciência do desafio dramático dos meus tempos.
Atendo ao meu chamamento interior.
Corro atrás de atributos capazes de renovar-me...
Quero ser uma pessoa nobre de alma...


Surge o ato de purificação
Para a intuição fluir...
É ato da própria vontade...
A inteligência espiritual liberta-se...


Chego à gruta que é um símbolo de pureza...
Silenciosa, mas extremamente profunda...
Nossa Senhora Aparecida encoraja
A descoberta do lado espiritual...
Nossa Senhora Aparecida olha-me
E com as mãos envolvidas em rosário luminoso,
Percebo que ela reza por mim...
Sinto o palpitar de uma bússola que me diz:
“Os valores imortais renovam a alma”.
Deus nos fez a sua imagem...
Se eu seguir o caminho ético milenar...
Será possível renovar a minha mente...
Um jovem peregrino chora de tanta emoção...
Tomara que ele tenha forças,
De rejeitar tudo o que é mal...
Que ele lute para ser construtivo...
Vibro para que ele alcance a luz...
A única maneira de manter a perseverança
É saldar as dívidas...
Pagar todos os erros...
Sou obstinada pelo resgate da honradez...
Aceito com resignação o sofrimento inevitável...


A gruta e a santa...
Santuário de valores benevolentes...
Consulto os planos divinos...
A gruta e a santa mostram o caminho...


As pessoas mudam buscando o seu destino...
Consultam o santuário...
Sinto suas almas pulsantes...
Desejam respostas para o seu reencontro,
Para aproximarem-se de si mesmo...
Querem ser aliados de si próprio...
Visitarei mais santuários...
Sinto-me gratificada.
Exulto por ter escolhido este caminho...
Olho para a gruta,
Olho para a Santa,
Percebo claramente a vertente da imortalidade...
Escapo do mal...
Luto para equilibrar-me no bem.
Este combate vale a pena e é eterno...
Aspiro o perfume da mata...
Preces fervorosas são recitadas.
Passarinhos cantam...
É o magnetismo puro que revigora tudo...
Exemplo de identificação...
Só desejando, incondicionalmente o bem, eu me curo...


Mistérios da fé...
Os Deuses descem a terra...
A vida não existe sem o espiritual...
Todas as religiões são verdadeiras...

Aqui neste clima de fé, elimino velhos preconceitos.
Desperto para bons valores emocionais.
Olho atentamente para os romeiros,
E recebo seus bons eflúvios...
E recebo o magnetismo da natureza...
E mais o desejo de Deus por nós todos,
Desperta uma realidade profunda,
Que abre no meu coração,
Uma sofisticada dimensão do sagrado.
É um sentimento que eleva a harmonia interior.
É preciso que eu me permita mais vezes,
Praticar esta peregrinação...
É lindo passar a vida inteira na busca universal
Do meu eu espiritual...
Batalharei sempre na procura de valores da alma.

Ao longo dos séculos,
Um elemento permanece o mesmo...
Renovar e renovar...
O coração espiritual...

Todas as pessoas já se foram do santuário.
Um dos guias recostou-se numa árvore afastada,
Parece que diz:- “Abaixo as preocupações mundanas”.
Estou só diante da Santa, absorvendo,
As energias de cura deste lugar.
A religiosidade tem seus próprios mistérios.
Acredito que esta busca de sabedoria divina,
Cura o meu coração afetivo que está doente.
Estou na rota certa.
A busca dos significados da vida
Está enlaçado na busca do sagrado,
Que está dentro do meu coração...
Aquieto-me respeitosamente...
Purifico a mente...
Reinvento um novo conceito político de amor...
Sou uma nômade do divino.


Cadeados e correntes...
Ninguém abre o coração de ninguém,
Abro o meu coração...
Pratico um ato milagroso...


Retorno no entardecer...
Ao longe admiro o desfiladeiro...
Com suas montanhas cobertas de mata verde...
Avalio a qualidade da peregrinação.
Reconheço que são viagens sagradas.
Gratificam-me em alto grau.
A minha realização significa palmilhar lugares santos,
Para encontrar as emoções saudáveis,
Que estão presentes em lugares simples e belos...
Onde a natureza purifica tudo,
Então me dou conta da beleza do meu destino
De alma eterna...
A felicidade está conectada a valores internos.
É um teste difícil que tenho que interagir,
Num caos de dificuldades.
O único jeito é serenar e acalmar as emoções...
Para não cair nas armadilhas...


É o bastão iluminado por brilhantes
Das boas ações...
É o bastão iluminado por brilhantes
Dos bons pensamentos...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A BUSCA DO SENTIDO DA VIDA

Regina Diniz

Nos anos l960 – 1970 e 1980 as biografias e autobiografias atingiram o seu auge. Trata-se da literatura testemunho, cujos frutos ostentavam tom confessional, realista e documentário, porém esses relatos se apoiavam em um eu quase anônimo, que narrava, protagonizava e assinava uma história real, que se erguia mais como representante de um tipo social, que como uma individualidade fulgurantemente singular. No Brasil, tivemos “Quarto de Despejo”: diário de uma favelada, da empregada doméstica Carolina Maria de Jesus. Este livro foi traduzido para dezenas de línguas. O livro era explicitamente politizado e não intimista. (Paula Sibilia – O Show do Eu – Editora Nova Fronteira S.A. – 2008)

Há milênios, a humanidade se preocupa em enriquecer a sua apreciação sobre o sentido da vida. Nos tempos modernos a voracidade da sociedade industrial estressou os indivíduos com a sua proposta desesperante por lucros exorbitantes. Pela sedução através da miragem de ficar rico miraculosamente, determinou jornadas de trabalho pesadas, para legitimar o consumo patogênico como modo de vida. Nunca houve tempos tão escravizantes e tão pobres. Vemos indivíduos cansados, estressados, doentes, manipulados abertamente para não pensar, tornando-se presas fáceis das lavagens cerebrais globalizadas.

Toda esta confusão orquestrada pelo capitalismo selvagem, que sempre aparece de roupa nova, encantando facilmente as culturas pobres, investindo com rigorismo na desestruturação cognitiva. Ele faz tudo para ninguém ver nada, cega os povos. E toda esta remexida violenta e prolongada anulou uma perda significativa no investimento dos indivíduos em si, no refletir o mundo, no dedicar-se a interações de qualidade, na lembrança de si mesmo como pessoa em contínuo crescimento pessoal.

Os homens ficaram mais pobres em experiências comunicáveis, que deixaram de ser relatadas. Culturas muito simples (países emergentes) sem investimento algum em educação, intimidadas, silenciam em nome do nada ser e do nada ter. A bandeira de sempre é usada com êxito. A vanguarda do capitalismo selvagem é começar tudo do zero. O velho esquema da aniquilação da memória social torna possível o aprisionamento dos indivíduos.

Poderiam desenvolver um sentido de sociedade, no qual o respeito pelos demais e a cooperação mais do que a competição fossem a tônica. Poderiam desenvolver uma nova confiança em si mesmos, descobrindo a fonte de valores dentro de si mesmos, atingindo a consciência de que a vida plena é interior e independe de fontes externas. Aprendemos que estas mudanças, tão adequadas à vida numa cultura desintegradora, poderiam ter início num curto espaço de tempo se nós mesmos aprendêssemos um modo de ser apropriado a esse mundo mutante. (Carl R. Rogers – Um Jeito de Ser –E.P.U. – Editora Pedagógica e Universitária Ltda – São Paulo – l980).

Agora com a chegada da Internet, descobriu-se uma gigantesca inclinação, melhor dizendo, vocação inata em direção ao construir-se interiormente. Após milênios de um silêncio psicótico imposto, a cultura de massa encontra-se faminta por se descobrir como pessoa, interagindo com o melhor que podem fazer, mas com um fantástico e inesperado imperativo, “A realidade de ser dos pensamentos, das emoções e dos sentimentos”. Desejamos conhecer os meandros que ampliam a compreensão de nossas potencialidades.

Há séculos e séculos, a educação sempre foi privilégio de poucos. Ainda perdura esta idéia de segregação. Mas todos somos um. Todos merecem a luz do conhecimento.
Triunfou neste início de século o saber empírico, numa demonstração construtiva de ser. Queremos debater possíveis caminhos sobre o sentido da vida.

Instalou-se, um respeito crescente pelo uso da intuição, como um poderoso instrumento. Nossa capacidade, neste sentido abre amplos horizontes. Há provas científicas de que a maioria das pessoas é capaz de descobrir ou se desenvolverem por si próprios.

Aumentam as críticas impiedosas sobre a falta de competência literária nos confessionários da Internet. “Durante séculos foi organizado um severo divisor de águas entre escritores e leitores”. (Walter Benjamim em l935). Inacreditavelmente, ao longo do século XX as massas ficaram esclarecidas, e resgataram a importância da troca de idéias, a importância do debate construtivo. Inesperadamente, a Internet retratou a interação tão almejada pelas massas, e que o mundo sempre lhes negou.

Nossas vidas estão cheias de pequenas oportunidades, que muito nos alegram. Oferecendo um buquê de flores silvestres para alguém que gostamos. Fazendo uma visita de meia hora a um lar de idosos. Lendo um poema para eles. Tocando uma canção no violão. Mandando um e-mail, desejando “paz e luz”. Qualquer gesto de aproximação humana enriquece as pessoas envolvidas. Aprenderemos através da interação de qualidade afetiva a nos gratificar, gratificando os outros.

Num dia primaveril lindíssimo, caminhando com um grupo de amigos, fiquei muito feliz, e me dei conta de que fazia muito tempo, que eu não sentia o perfume das flores. Percebi-me invadida por emoção tão profunda, que só a união com outras pessoas oferece. Aprendi, então, a trocar energias de aproximação amigável. Quando somos bons para os outros, dobramos a nossa felicidade.

O que a maioria de nós deseja é ser ouvida, é conversar contando nossos planos, porque a solidão do grande centro urbano nos deixou tristes. A necessidade de sentirmos, que temos importância para outras pessoas é universal. O amor incondicional é uma exigência, que explode em nossos corações.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A COLHEITA DA VIDA

Regina Diniz

A evolução do homem consiste nos mais espiritualizados pensamentos.
A vontade de purificação interior nos aproxima de Deus.
A bondade satisfaz o nosso ego eterno.
Só a benevolência eleva a nossa alma...

E a colheita da vida aqui na terra?
O homem espiritual presta atenção na sua voz interior...

A explicação está na memória das mais nobres ações.
Pelos gestos construtivos encontramo-nos como seres humanos.
Olhamo-nos gratificados quando apresentamos o melhor de nós mesmos.
O homem é o seu próprio salvador ou seu próprio destruidor...

E o júbilo das auto-realizações?
O homem espiritual reconhece o sagrado dentro de si...

O caminho está em tudo que amamos com devoção.
Nenhum homem virtuoso ou de conduta reta decairá.
É indescritível a esperança de redenção.
Um firme propósito de ética nos salva da degradação...

E a esperança de salvação?
O homem espiritual capta seus anseios mais profundos...

A motivação criativa está só nos pensamentos puros.
É mister que escutemos a voz de Deus dentro de nós.
Só assim evitaremos a desesperadora morte da alma.
E deixaremos de ser cadáveres vivos.

E os pensamentos divinos ?
O homem espiritual encontra seus grandes tesouros na consciência...

A felicidade real está nas aspirações elevadas,
A intenção de nos construir é o objetivo da viagem na terra.
Pela serenidade notamos a vida espiritual.
Ela está dentro de nós...

E a sabedoria evolutiva?
O homem espiritual sabe que a sua missão é ajudar os outros...

A luz está nas idealizações espirituais.
Aprender a pensar com qualidade é divino.
A automotivação acontece com paciência, confiança e segurança.
Vale a pena investir, pois somos destinados a perfeição...

E a grande meta da libertação ?
O homem espiritual está no coração...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A CONSAGRAÇÃO DA VIDA REAL

Regina Diniz

Já se tornou um lugar-comum a sensação de viver em um perpétuo presente, como uma característica inerente à contemporaneidade. O assunto foi muito debatido nas duas últimas décadas do século XX, como um dos traços do pós-modernismo: um debate marcado pela descrença na linearidade do progresso, pela crise dos grandes projetos sóciopolíticos modernos e do sentido histórico e inclusive, pelo suposto fim da história graças à consagração de um presente eterno e imutável.( Paula Sibilia – Livro – O Show do Eu - Editora Nova Fronteira S.A. 2008)

Anteriormente, era proposto o passado em direção ao futuro. Com o advento da pós-modernidade, foi bloqueado e congelado o futuro, surgindo o presente com objetivos perpetuantes. Mas contraditoriamente, relatos da história pessoal não desapareceram. Aumentaram as viagens auto-exploratórias, tornaram-se viáveis as escavações no próprio eu. Foi valorizada a história individual, e mais do que nunca nasceu uma subjetividade mais fortalecida, valorizando as conquistas valorativas do passado.

A explosão mundial dos blogs, o sucesso de biografias e autobiografias demonstram um sólido interesse pela vida real, tanto do presente como do passado. Impera o subjetivo, demonstrado abertamente, pela vontade de ser diferente do padronizado. Neste comportamento percebe-se, claramente, nas mensagens publicitárias, que já se tornaram uma arma da sedução consumista.

O que se cria nas praias virtuais são “identidades de férias”. São formas subjetivas com regras mais frouxas e flexíveis, que por isso permitem “descarregar-se um pouco do peso da própria vida, dar-se uma nova oportunidade”. (Lejeuve, Philippe. Cher écran... journal personnel ordinateur, Internet. Paris : Seuil, 2000) citação feita por Paula Sibilia no livro O Show do eu). O admirável nestas biografias e auto-biografias, é a aspiração de criar um eu, escavando nos próprios alicerces interiores do passado, e refinando-os no presente. Em todos estes relatos procuram interpretar o sentido da vida.

Já que os valores dominantes em nossa sociedade reduzem-se, para a maioria das pessoas, a ser estimado, aceito, aprovado, grande parte da ansiedade de nossos tempos advém da ameaça de não ser querido, viver isolado, solitário, abandonado. (Rollo May: O Homem à Procura de Si Mesmo – Editora Vozes – 2005). O passo fundamental para enriquecer a interioridade é exercitar a atitude de vivacidade e decisão. Talvez esta pergunta: - Reconheço a responsabilidade pela qualidade de minha subjetividade? Cada um de nós vem com competência para fazer suas próprias opções fundamentais, para aperfeiçoar-se, fortalecendo-se para compreender a vida.

Todos nós almejamos uma percepção mais profunda do significado de nossa existência e do sentido das nossas possibilidades. Acredito que o maior desafio seja escolher valores construtivos. Auscultar a própria pulsação e fazer-se valer, jamais admitindo jeitos de ser que agrida a si próprio e a outros indivíduos. Realizar-se para desenvolver o uso das potencialidades e trabalhar como um ser humano digno.

É necessário empenho para pensarmos em ideais mais positivos, e projetarmos uma cultura, alicerçada no respeito pessoal. É importante admitir que muitos indivíduos dependem de nós para adquirirem coragem, para serem autênticos e se afirmarem em suas convicções.

O que nos falta, atualmente, é a compreensão da coragem amigável, cordial, pessoal, original de um Sócrates ou Spinosa. ( Rollo May – O Homem a Procura de Si Mesmo – Editora Vozes 2005). O tom ideal de coragem, em nossa época de conformismo, é a habilidade para conservar-se firme nas próprias convicções, naquilo que realmente acredita. A coragem para ser e confiar em si mesmo, significa amar, pensar, criar, apesar de possíveis erros. É imprescindível o relacionamento criativo com a sabedoria do passado.

Novas atitudes requerem novas conscientizações. O mundo está mudando. A escolha das biografias e autobiografias, somente com abordagens da vida real, mostra o gigantesco salto que a humanidade deu. É inacreditável. Através da Internet, constatou-se uma explosão de maturidade emocional e social. As manipulações de massa perderam espaço. A padronização sofreu uma grande derrota.

Ainda não temos projetos grandiosos, mas podemos modificar antigos conceitos. Criar um plano de aproximação amigável com as pessoas, um que possa ser exercido sem subjugá-las. Avistamos a possibilidade de compartilhar mais, ampliando nossos relacionamentos em nível de igualdade. Sejamos corajosos e confiemos no conhecimento que existe em nosso coração.

Cada vez que surge uma nova direção em nossa vida, estamos recebendo uma nova oportunidade de crescer. Às vezes começamos quase sem notar, levados por um sonho, uma leitura ou uma conversa. Em qualquer escolha que façamos, podemos estar sendo desafiados a evoluir.

Quando sentimos necessidade de mudar, devemos reconhecer que teremos à frente trabalho duro, escolhas difíceis e algum sofrimento. Grande parte do nosso trabalho já está em andamento em nosso interior. Bastará uma faxina espiritual, uma absoluta honestidade sobre nossos motivos, e poderemos realizar as mudanças que desejamos. Onde estamos é o lugar em que fomos destinados a estar.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O MISTÉRIO DAS ESCOLHAS

Regina Diniz

Silenciosa e enigmática,
A Igreja de Caravagio,
Lugar sagrado,
Abençoa Farroupilha.

Do sexto andar de um edifício,
Contemplo-a ao alvorecer,
Quando os primeiros raios de sol,
Iluminam aquele grande recinto de fé.
Magicamente, sou invadida,
Por um forte desejo de mudar,
De pensar diferente.
O santuário me sugere sutilmente,
Que posso construir uma vida,
Plena de emoções puras,
E de ampla expressão...
Aprecio a tranqüilidade criativa.
Sinto que hoje o meu dia
Será cheio de esplendorosa busca,
Do meu ser interior.
A minha mochila emocional
Está cheia de inesquecíveis lembranças.
Hoje aprimorarei os meus rituais
Da compreensão infinita do meu destino de ser.

As devoções são cruciais,
Quero Deus me protegendo.
Contemplo o meu mundo,
Contemplo a minha fé...

As seis horas, numa corrida pausada,
Inicio a subida de uma rua,
Colorida de amor perfeito...
A beleza é tanta que me encanta,
A mensagem de delicadeza destas flores,
Suaviza o meu coração,
Motivo-me de alegria...
Esta comunidade sabe muito
Sobre poderosos jogos psicológicos,
Aqueles que driblam
As inevitáveis derrapagens na estrada da vida.
Prestam atenção e dão importância
Aos tombos ocasionais,
No áspero cotidiano dos nossos tempos.
O termômetro do município marca três graus.
O inverno caiu como uma guilhotina,
É o frio mortal do mês de julho.
Há três quadras do edifício que me hospedo,
Surge outra catedral lindíssima...
É a Igreja de São Pedro,
Incrustada, imponentemente, neste local,
Rodeada de floreiras com amor perfeito.
Não resta dúvida,
É um grande espaço de devoção.
A religiosidade é um grande pilar de força
Dos habitantes desta cidade.
Num canto do logradouro,
Construíram um abrigo para usuários de ônibus,
Coberto e com banheiros extremamente higienizados.
Esta cidade transborda de humanismo.
Acreditam que a pessoa é possível.
Ganharam o meu coração,
Reconforto-me...
Vejo que os caminhos da purificação são viáveis...
Contorno o Templo correndo,
Olhando-o, ouço-o, perguntando-me:
- O que você sabe de ti mesmo?
- Descobriste alguns sinais da magnitude dos significados da vida?
Respondo-lhe:
- Procuro iluminar a minha alma,
- Quero fazê-la brilhar como as estrelas...

A busca do próprio destino
Peregrinação necessária
À formação do espírito,
Impera a força do subjetivo...

Continuo correndo ao redor da igreja,
E pergunto-me:
- Porque são tão raros os Spas exotéricos?
Corri tanto atrás das verdades envernizadas,
Mas agora vejo que muito pouco me adiantou.
A ostentação cognitiva,
O narcisismo dos meus tempos,
Acertou-me em cheio...
Mas sempre é tempo de mudar a direção.
Preocupei-me muito com os outros,
E esqueci de mim mesma...
Medo de assumir-me afetivamente,
Ou medo de ter idéias próprias,
Só minhas...
Que coisa séria!
Como pude consentir,
Que as pessoas me envolvessem tanto...
Perderam precioso tempo comigo,
E eu desperdicei excelentes oportunidades,
De conhecer-me melhor...
Não valorizei o autoconhecimento...
Hoje eu entendo o porquê
De frustrações inexplicáveis...
Hoje eu entendo o porquê,
Das águas serem tão geladas,
Quando batem em meu coração...
Tudo está mais claro.
Devo partir em busca da verdade,
Além das aparências,
E defender sempre,
A minha santa rebeldia.

Purificar a meditação...
Purificar o imaginário...
Aprimorar a busca,
Da morada de Deus.

O mundo dos meus sonhos
Seria habitado só por pessoas criativas,
Que primam pela autodescoberta,
Que corajosamente assumem posturas renovadas.
Sinto forte motivação,
Para buscar mistérios secretos.
Em lugares comuns,
Ou em lugares singulares.
Detesto a cultura padronizada.
São exércitos que abdicaram de crescer.
A passividade custa muito caro,
A pessoa explode de ira represada.
É todo mundo bloqueando todo mundo.
Impera um silêncio assustador.
Ninguém fala nada,
Não têm passado e nem presente,
O futuro é desértico.

O encontro com Deus
Redimensiona a vida.
A religiosidade
É a pureza que motiva.

Um padre abre a porta principal da igreja.
Rajadas de vento tornam o frio mais frio...
Silenciosamente começam a chegar,
Dezenas de pessoas de todas as idades,
Muito bem agasalhadas,
Usam mantas para amenizar o frio intenso.
Procuro ler os traços emocionais destas pessoas.
Tento descobrir a coloração de suas personalidades.
Percebo um olhar de dignidade,
São todas as idades plenamente realizadas.
São seres humanos dedicados,
São indivíduos humanizados.
Sou atraída pela angelitude da Ave-Maria
Cantada por uma senhora.
Do meu peito brota
Uma emoção de intenso júbilo,
A qual invade o meu ser.
Entro na igreja para assistir a missa.
Os aconselhamentos do padre são afetivos.
As exortações são feitas para tocar o fundo daqueles corações,
Que buscam o néctar da imortalidade,
Através da sabedoria espiritual.
Entendo-os como se dissessem:
- Queremos vida boa, limpa e com fé.
Entendo-os como se dissessem:
- Acreditamos na cura da alma
- Pelo trabalho árduo e benéfico.
É uma jornada
A caminho da iluminação.
Querem escapar do materialismo,
E entrar na vida virtuosa.

O silêncio místico
Celebra um Deus em particular.
O homem mostra a devoção
Em santuários sagrados...

O padre pregou com maestria
Sobre a piedade, que fortalece as emoções,
Junto com a caridade evangélica.
Dissertou sobre o malefício do ódio.
Insistiu que só a união na benevolência,
Eleva o homem perante Deus.
Era necessário auscultar o próprio coração...
Eram as escolhas corretas e desafiadoras,
Na batalha perpétua entre o bem e o mal,
Que deveriam ser relembradas,
Em todos os dias de nossas vidas...
O ministro de Deus conclui afirmando:
Que só o bem emerge triunfante,
Em todas as situações.
Tudo o que foi dito,
Era tão real,
Que não era real.
Todos em pé, transbordando muita fé,
Recitaram a oração da Ave-Maria.
Em seguida em coro suplicaram:
- Senhor tende piedade de nós...
Ali não havia dúvidas,
Sobre o complexo significado da vida...
Saíram felizes da Igreja de São Pedro.
Eram heróicos sobreviventes de uma época.
Não se amarguravam com a vida,
O que é uma vitória enorme.
O etéreo é que salva
A minha alma errante,
Que necessita beber nestes mananciais da fé
O puro, o elevado, o celestial.
Todos foram embora para suas casas.
Fiquei admirando os jardins da igreja,
Agora que clareou o dia,
E vejo os pés de amor-perfeito
Bem de perto...
Percebo-os orvalhados...
Este quadro me seduz.
Uma lufada de delicadeza gratifica-me.
É o milagre do estético magnético.
Nas muretas defronte a igreja,
Alguém escreveu:
“Paz, amor, empatia,
Tente sempre melhorar
Para você não ser mais um”.
Ao chegar da minha corrida um jovem gravava,
Na parede do edifício, esta mensagem:
“Existe, então resista e persista”.
Então digo para mim mesma:
Que esta cidade é a capital da Fé,
Em dias melhores...

Verdades:
Pensamentos
Palavras
Ações

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O SENTIDO DE FORÇA INTERIOR

Regina Diniz

O conformismo de autômatos é a solução, que a maioria dos indivíduos normais encontra na sociedade moderna. O indivíduo cessa de ser ele mesmo; adota inteiramente o tipo de personalidade, que lhe é oferecido pelos padrões culturais e, por conseguinte, torna-se exatamente como todos os demais são, e como estes esperam que ele seja. A divergência entre o eu e o mundo desaparece e, com ela, o temor consciente à solidão e à impotência. A pessoa que desiste de seu ego individual e converte-se em autômato, idêntica a milhões de outros autômatos, em torno dela, não mais precisa sentir-se sozinha nem angustiada. O preço que ela paga, porém é alto: é a perda de sua individualidade. (Livro: “O Medo à Liberdade” – Erich Fromm – Zahar Editores – Rio de Janeiro – l983).

A interpretação de que o melhor jeito de enfrentar o mundo exterior é tornar-se um autômato, resulta num erro terrível, porque faz oposição frontal às idéias divulgadas e exigidas pela área humana comportamental contemporânea, a cerca do homem ideal. Atualmente, é idealizada uma personalidade com fecundidade criativa de pensar, agir e sentir. O individualismo moderno surgiu e se espalhou rapidamente, sendo uma exigência de sobrevivência pessoal e profissional. O trabalho braçal, não pensante, foi radicalmente substituído pelo avanço das máquinas da cultura industrial.

É indiscutível, que somos nós que tomamos as decisões. Há milênios o mundo exige o uso racional de nossos bilhões de neurônios. Ficou para trás o tempo de se conformar com as expectativas de outros. A inteligência criativa não nos leva ao isolamento, ao contrário ela nos dá liberdade e conforto emocional para evoluirmos como pessoa.

O conformismo de autômatos deixa o indivíduo em estado de intensa insegurança. A própria identidade é o maior patrimônio de ser humano. Perdê-la é catastrófico. Eu procuro, nutro, recapturo a minha identidade, privilegiando a minha aprovação e o meu reconhecimento. Luto tenazmente para descobrir e manter o meu eu original, seguidamente estou renovando o meu olhar sobre as minhas metas existenciais de ser.

O foco de resistência ainda mais sério, e que está presente em toda a sociedade ocidental moderna, é o da necessidade psicológica de evitar, e de em determinadas formas, reprimir todo o interesse em “ser”. Ao contrário de outras culturas que parecem muito dedicadas ao fato de “ser”, particularmente a indiana e a asiática oriental, e a outros períodos históricos em que esta identidade foi importante. A característica de nosso período no ocidente, conforme citou Marcel, com precisão, está exatamente na falta dessa consciência do “senso ontológico”, o sentido de ser generalizado, o homem moderno encontra-se nessa condição; se ele se sente incomodado por quaisquer exigências ontológicas de ser, torna-se insípido como um impulso obscuro.( Gabriel Marcel, The Philosophy of Existence – l949 – pág. 1)

Essa perda do senso de ser está relacionada com as tendências coletivistas de massa e o conformismo generalizado de nossa cultura. Eu sempre me pergunto, se uma tese mais profunda aparecerá para desnudar os efeitos psicológicos doentios da repressão desta emoção de crescimento pessoal, e da recusa desta necessidade de identificação interior. Em avaliações permanentes de minhas características de busca, procuro identificá-las, pelo valor intrínseco ou significativo que me gratificam, para conseguir qualidade para a autoconsciência.

Ser é aquilo que permanece. É preciso parar para pensar antes de decidir. Dotados de consciência, por isso somos responsáveis pela nossa própria existência. Tornar-se cônscio do próprio ser, do próprio pensamento, nos distingue de outros seres. Estamos permanentemente, passando por atos de ir adiante, para ser alguma coisa, para descobrirmos algo novo, no vasto território do Ser.

O estado de ser é o nosso sentido de força interior, que cada um de nós tem e se torna naquilo que realmente conseguiu alcançar. O fantástico é que temos de estar conscientes de nós mesmos, de nossos atos e sermos responsáveis para sermos nós mesmos.

O indivíduo, com auto-estima saudável, percebe a sua visão de mundo independente do contexto. No caso da pessoa com baixa auto-estima, seu valor pessoal depende do contexto. Mas todas as nossas resoluções são apreendidas em estado emocional, que certamente se modificarão com a mente centrada, no aqui e agora, estamos constantemente coletando novas informações. Esta sofisticação de interpretação nos leva a compreender, que nós todos devemos reformular o contexto para melhor. Correntes e correntes de idéias fluem em torno de nós, e estão sobrecarregadas de razões para reformulação de metas, e para introdução de novíssimas opiniões para maior percepção de nós mesmos.

Acho possível acreditar, que posso ficar mais habilidosa, só em pensar assim aumenta este meu desejo, que exerce um efeito muito positivo no aumento de minha auto-estima. Somos seres únicos com missão a concretizar, e quando menos esperamos somos convocados para renovar, mudar e enriquecer situações. O tempo é especializado em reformas.

Nós somos destinados a ser. Devemos rejeitar totalmente o conformismo de autômatos. Compreendemos a medida que avançamos, e cada nova habilidade de visualizar a vida, lança um olhar mais rico sobre nossos planos de evolução pessoal e espiritual. O crescimento do ser humano é maravilhoso. Aprendemos, repartimos experiências, reformulamos conceitos e renovamos valores.

Precisamos, acima de tudo, nos fazer inúmeras perguntas sobre valoração ética, partindo daí, os horizontes da vida vão se abrindo, nos mostrando o céu, Deus e a nossa felicidade, mas para tanto é necessário empenho. Os valores espirituais dormitam dentro de nós e despertam em seqüências inumeráveis. E cada vez que isso acontecer, mais luz, mais vida se aglomerará em nossos corações. São infinitos os horizontes da vida que nos levam à felicidade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A VELHA GOIABEIRA

Regina Diniz

Sentada à sombra desta velha goiabeira aprecio o pôr do sol...
Estou completamente livre das pressões civilizadoras,
Disposta a dedicar um tratamento prestigioso a mim mesma...
Decidida a oferecer às pessoas um diálogo qualificador...

Neste silêncio descubro o desejo de algo novo...
Creio num mundo mais humano...

Sentada à sombra desta velha goiabeira aprecio o lago azul...
E vejo que posso refinar o nível das minhas paixões e afetos...
Que são as fontes de minha força de viver,
Tenho consciência de que tudo é comigo mesma e com os outros...

Neste silêncio busco energias psíquicas curativas...
Sinto formas mais elevadas de relacionamento...

Sentada à sombra desta velha goiabeira aprecio as curvas do horizonte...
Não mais sinto o peito apertado por temores e desconfianças,
Vejo que fluem os meus impulsos criadores,
É esta singularidade fantástica que percebo...

Neste silêncio integro-me a diversos estímulos subjetivos...
Desvendo o meu autoconhecimento...

Sentada à sombra desta velha goiabeira aprecio a montanha sempre verde...
Usufruo a alegria profunda de vivenciar a tranqüilidade,
O caminho é pelo encantamento da capacidade construtiva,
Meu coração arfa de júbilo...

Neste silêncio procuro soluções emocionais...
Vislumbro a real realização humana...

Sentada à sombra desta velha goiabeira aprecio a beleza da natureza...
Sempre me assustei com as grandes paixões contemporâneas,
Tremo com medo da sede de poder e de vaidade,
Grandes isoladores da paixão de amor e fraternidade...

Neste silêncio formulo hipóteses de autoconfiança espiritual...
Cultivo humildade diante da grandeza de Deus...

Sentada à sombra desta velha goiabeira aprecio a riqueza do silêncio...
A grande rainha é a razão e não a loucura,
Quero paz para trabalhar criativamente,
Nada existe de maior valor do que idéias de qualidade...

Neste silêncio respeito os meus próprios sentimentos...
É preciso uma sociedade mais sadia...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O VALOR DAS TRANSFORMAÇÕES EMOCIONAIS

Regina Diniz

A figura criada por Platão e consagrada pelos tempos: “Existem no inconsciente diversos corcéis, que mordendo os freios, procuram disparar em diferentes direções”. O nosso inconsciente é um verdadeiro mar de “impulsos”, que se atropelam para se expressarem no mundo exterior. Pulsões positivas e pulsões negativas estão de plantão para serem concretizadas.

A liberdade de escolha nos foi ofertada, entretanto acertar a direção de nossas opções, é um desafio criativo, que impõe elevada compreensão. Este processo seletivo de nosso inconsciente indicará a alternativa correta. O ideal é aprovarmos as formas positivas e nos abstermos das formas negativas.

Esta decisão pessoal flui, quando ponderamos com dedicação em possibilidades sadias de ser. Acredito que as formas neuróticas surgem em situações muito tensas, que levam a pessoa a enganar a si própria. É preciso treinar jeitos contra a prática da derrota de si mesmo. É necessário descobrirmos maneiras de usarmos formas de comportamento socialmente saudáveis, que são totalmente a favor da saúde de nossas emoções.

Nunca me canso de fazer coleções e coleções de alternativas construtivas. Só eu poderia decifrar de fato os meus erros existenciais, para conseguir agir corretamente. Em auto-avaliações, notei que me repetia em atitudes, que se voltavam contra mim mesma, e que muito me constrangia. Descobri que a transformação de caráter era possível e durava a vida inteira.

Se nos compreendermos de fato, atuaremos a nosso favor. É atualíssima a velha máxima socrática: “Saber é fazer”, e “O conhecimento conduz à virtude”. É possível através de uma reflexão de qualidade nos identificarmos com a vontade positiva, e desta forma nos apropriarmos de uma energia extra, que supere a vontade negativa.

Aprendemos a construir uma vontade de coragem, que se apossa do lugar do desespero, eliminando-o. Através de afirmações especificas de coragem, impulsionamos energias saudáveis, que trabalham forças profundas de nossa interioridade até então adormecidas. Trabalhamos, inconscientemente, em mudanças diárias, no manto de nossa personalidade. A nossa responsabilidade final é interagir em prol de nossa própria salvação.

Alguns pensadores afirmam, que começamos a desenvolver a nossa personalidade como seres psicológicos, outros pensadores afirmam, que iniciamos o nosso crescimento como seres transcendentais. De um jeito ou de outro, o simples meditar sobre a nossa própria identidade, significa que já estamos empenhados no desenvolvimento de nossa autoconsciência. Tornar-se pessoa é a experiência mais simples e mais profunda de nossas vidas.

“Entre as obras do homem, que a vida humana se dedica a aperfeiçoar e embelezar, a mais importante é com certeza o próprio homem”. (John Stuar Mill). Quanto mais investimos em nossas potencialidades, tanto mais admitimos a existência profunda da alegria, que é a esperança do ser humano. A alegria é o objetivo maior da vida, pois é a emoção, que sempre está presente nas realizações da nossa natureza como seres humanos.

Todos nós percebemos, que coisas não são capazes de nos tornar felizes. Só um bom coração e uma consciência pura podem fazer isso. Muitas vezes, sem saber porque acreditamos que o entesouramento de objetos seja algo muito importante. É um terrível engano.

O mais misterioso sobre os tesouros de nosso desenvolvimento pessoal e espiritual é que eles são incontáveis, ilimitados, auto-renovadores, inesgotáveis. Temos o poder pessoal de definir a qualidade da nossa mente e a direção que nossos atos tomarão. Primeiro devemos definir a alternativa construtiva como bússola, para depois dar os primeiros passos no caminho escolhido.

As nossas idéias determinam a qualidade de nossa criatividade. Quando as nossas construções mentais são negativas, nossos êxitos são poucos. Se desejarmos, podemos nutrir positivamente nossos pensamentos.

Aonde quero chegar? O que desejo ver? O que desejo colher? O que desejo amealhar em termos de crescimento humano? A auto-avaliação positiva e conversas estimulantes com nós mesmos, tornam-se um hábito, quando é grande a vontade de descobrir e viver à altura de nosso potencial de seres abençoados pelo desenvolvimento de ser. As expectativas que abrigamos na privacidade de nossos sonhos, resultam na aprendizagem que fazemos hoje e sempre. Tudo pode mudar num cintilar do olho da mente. A nossa destinação de evolução pessoal e espiritual é maravilhosa.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A MAGIA DA FELICIDADE

Regina Diniz

Ouço do fundo do meu ser
vibrarem ondas harmoniosas.
São marolas de auto-compreensão,
aprendo a confiar no próprio pensamento ...

Permitiram poderosas forças
que eu recebesse este presente da vida,
de permanecer horas e horas
extasiada pelo mar e pelas montanhas.
Experimento este sentimento misterioso
que me absorve profundamente.
Mergulho então num sonho divino
de ousar interpretar com originalidade
o sentido profundo e oculto da vida.
A inspiração vai chegando ...
Sinto o meu ego fortalecer-se ...
Lucidamente percebo a auto-realização e
que Deus fala com o ser humano
através da natureza, que dá o melhor de si,
que conhece o porquê da vida
em todas as direções, é a ecologia da alma ...

Interrogo-me construtivamente,
penetro nos mais íntimos espaços
do meu ser, buscando elucidações
esforço-me na redentora purificação ...

Por opção estou completamente insulada ...
Quero ler na intimidade da minha alma
o que há em mim escondido em desafios.
Talvez uma excelente potencialidade
adormecida desejando emergir,
explodem auto-exigências ...
Sempre gostei de perseguir interesses individuais,
de sentir-me com veemência.
Rasgo o véu material com facilidade,
então abrem-se perspectivas imensas.
Sempre programo um passeio solitário
para oferecer-me condições de reflexão ...
Sinto imensa paz ...
Aprecio as potentes ramadas das árvores ...
Encorajo-me em colocar no meu coração
a concepção da existência espiritual.
Coleciono forças emocionais para elevar-me
acima das vulgaridades cotidianas ...
Vejo com clareza que a independência
começa com o ato de pensar sozinha,
mas reconheço que estou na arrebentação da onda.
Com certeza há correntes mais profundas
no oceano da evolução da humanidade.

O templo do sonho ressurge.
É o sagrado conhecimento na sobrevivência ...
É uma metáfora o saber da destinação.
Recapturo a essência da vida ...

Visualizo como único caminho viável ...
Entrar na Internet cósmica,
entrar em níveis de consciência avançados.
Fico pensando e pensando ...
Tecendo inimagináveis teias de idéias,
procurando saídas no emaranhado da vida,
desejando tornar tudo mais fácil ,
mas o crescimento humano é de difícil acesso.
Então assumo as rédeas da minha vida ...
Assumo a responsabilidade por mim mesma ...
Só me sinto feliz quando me vejo
buscando a compreensão de atos de valor.
Tenho consciência de que construo
a minha vida a cada momento,
e vou sentindo-me amadurecida
num cotidiano interior bem simples.
Fujo da prepotência e arrogância,
porque elas me fragilizam.
Então a insegurança surge avassaladora,
e vira um caos a minha personalidade.

Beberei as águas cristalinas
nas fontes puras
onde acontece magicamente
a cura da alma ...

Estou na praia do Matadeiro,
contemplando o azul infinito do céu.
O mar está agitadíssimo ...
As marolas altíssimas ...
Arremessam-se contra o rochedo,
e transformam-se em mil pedaços,
elevam-se à muitos metros de altura.
O mar espuma , esbraveja inconformado ...
Talvez seja pela resistência heróica do rochedo ...
É uma guerra:
o rochedo para conter o mar
e as águas para ultrapassá-lo ...
Vejo que seres humanos e todo o universo
lutam tenazmente para sobreviver com espírito de luta.
Emitem mensagens de independência,
e desempenham os seus papéis com responsabilidade ...
Gosto de celebrar o valor da individualidade,
a responsabilidade por si mesmo é indispensável.
A independência é a consciência
de que tenho algo importante a fazer
para mim mesma e para os outros.
A independência é um sentimento de validez,
de alegrar-me por ser útil.
Esta emoção me proporciona bem-estar psicológico ...
Sempre me pergunto com insistência:
- Estás potencializando a tua auto-estima ?
E fico a pensar como poderei aumentar
tudo o que de bom e positivo construí ?
E só eu sei que se não fosse eu pensar assim
talvez eu tivesse me fechado a sete chaves
numa caixa, e estaria hoje olhando o mundo
por uma pequena fresta, apavorada.
Sempre respeitei as adversidades da vida ...
E sempre achei que a felicidade
é uma emoção digna de auto-respeito ...
E é um estado de ser tão almejado
que sempre o procurei com seriedade ...
Dá-me pavor ver pessoas
cultivando idéias negativas ...
Dá-me pavor ver pessoas
cultivando a auto-piedade ...
Dá-me pavor ver pessoas
atropelando outros seres humanos ...
Quero saber de viver com satisfação ...
E só vou conseguir
valendo-me das minhas qualidades positivas.
Quero saber de ganhar força emocional ...
Esta história de brincar de perder sempre ...
Longe da minha vida estes jogos neuróticos,
posso estar bem simples materialmente
mas rica espiritualmente.

Ouço dentro do meu coração
que devo agarrar a felicidade,
que devo dirigi-la,
que devo regulá-la a meu favor ...

O mar é tão glorificado, tão grandioso,
que fico admirada
do triunfalismo que ele emite.
Este estado de ser gratifica-me,
este estado de ser fascina-me.
Um casal de botos passeia pelas águas
num ritmo e harmonia espetaculares,
que elegância, que leveza de ser ...
Eis aí um narcisismo que deu certo.
Os surfistas sentados nas pranchas
olham os botos que passam bem perto deles.
Observo que os trajes esportivos colorem o mar,
alegram ...
São predominantemente de cor vermelha ...
Eles estão aqui praticando
este belíssimo esporte,
e isto é muito bom ...
Gosto muito de perguntar-me
se estou exercitando a auto-confiabilidade ...
Regulo com atenção o leme da minha vida,
embora seja uma pretensão alta.
Gosto de ter o meu destino
mais ou menos nas minhas próprias mãos,
tenho consciência de que eu sou
a minha própria escolha.
Por isso estou aqui nesta linda praia,
fazendo o impossível para contemplar
o mundo sempre com novo frescor ...
Com um novo olhar
Preparo sempre o terreno para sentir-me bem ...
É preciso interesse para planejar,
abrir a disponibilidade para a felicidade chegar.
Um barco com cinco pescadores parte para o mar ...
De repente, mais longe,
parece um barquinho de papel
ao balanço poético das ondas ...

Fervilham estimulantemente
ondas de questionamentos de vida,
ondas de renovados objetivos existenciais,
ondas de significativas redefinições ...

Aqui de cima do penhasco
admiro a majestosa imensidão do mar,
as batidas nas pedras lá embaixo
são muito fortes ...
Dezenas de tarrafeiros pescam tainhas,
duas garças brancas estão perto dos pescadores.
O mar é uma fonte de alimentos,
a sua beleza e abundância encanta-me,
equilibra-me ficar olhando-o ...
Não quero ficar parada ...
Procuro aqui e ali facilitar as minhas descobertas ...
Desejo curar a própria vida ...
Escolho o caminho da coragem da renovação ...
Só assim encontrarei as premissas verdadeiras,
que são milhares e milhares ...
Busco incansavelmente a minha identidade ...

Tento de todas as formas
qualificar o meu presente.
Esta meta complexa
acalma a minha alma inquieta ...

Quero iluminar os meus caminhos de vida,
fui contaminada por idéias incoerentes,
mas procuro reconciliar-me comigo mesma ...
Pouco a pouco desperto da apatia,
trilho um caminho ativo de qualidade,
trilho um caminho sem estresse,
trilho um caminho de mais alegria ...
O que procuro
é a tranqüilidade interior,
que para mim é a felicidade verdadeira.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ESTILOS COMPORTAMENTAIS CONSTRUTIVOS

Regina Diniz

Em nosso mundo atual, onde a conformidade é a grande destruidora de personalidades – em nossa cultura, onde adaptar-se aos padrões tende a ser aceito como norma, e “ser estimado” representa a salvação - precisamos realçar não somente o fato de até certo ponto, sermos criados uns pelos outros, mas também nossa capacidade para sentirmos e criarmos a nós mesmos.
(Rollo May – Livro: “O homem à procura de si mesmo”- Editora Vozes – 2005)

A consciência é um ato estritamente pessoal. Não descobrimos como as outras pessoas vêem a si mesmo e elas jamais descobrirão a intimidade de nossa interioridade. Esta catedral secreta, cuja chave só a própria pessoa tem, dobra a dimensão da proposta de qualidade das emoções. Somos protegidos por Deus, por esta santa privacidade e devemos ser agradecidos por nossa preciosa destinação de evolução intelectual, emocional e espiritual, nada nos é exigido além de nossa própria competência.

Eu respiro fundo em situações tragicamente difíceis, instantaneamente, agarro a bandeira da equanimidade e penso profundamente na igualdade de ânimo na desgraça e na prosperidade. Seguidamente, agarro a bandeira da eqüidade e medito profundamente sobre a disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um. Todos, indistintamente, buscam desenvolver em si a autoconfiança e o auto-respeito. Há muito tempo, eu me desafio a confiar na minha mente, a cultuar o comportamento saudável e a respeitar-me como pessoa. Converso com Deus, o que me consola muito e me ligo a minha essência espiritual.

Em nosso planeta, a diversidade dos jeitos de ser é imensa. É um verdadeiro caldeirão de estilos comportamentais. Todas as pessoas desejam descobrir os seus talentos. Deus nos deu a chave de nosso tesouro de ser, mas ficamos assombrados pela solidão profunda em que vivemos. Particularmente, eu acho que existe um espaço vazio, que deve ser preenchido pelo conselho de Jesus, “- Ama o teu próximo como a ti
mesmo”. Aprendi com muita dificuldade, que o meu sofrimento se suaviza, quando ofereço conforto espiritual para a pessoa que sofre.

Maslow no seu estudo das pessoas a quem chama auto-realizadas nota as seguintes características:” A sua facilidade de penetração na realidade, a auto-aceitação e a sua espontaneidade implicam uma consciência superior dos seus próprios impulsos, de seus próprios desejos, opiniões e reações subjetivas em geral. Ela começa gradualmente a optar por objetivos que pretende atingir. Separa comportamentos que significam alguma coisa para si e os que não significam nada. ( Abraham H. Maslow –livro:Introdução à Psicologia do Ser.”).

Estipular metas e objetivos de crescimento pessoal, subentendem enfrentar a verdade a nosso respeito, compreender o mundo que nos rodeia e aceitar erros de interpretação da vida. Sempre admiti, que o que penso, sinto e faço são expressões do meu ser no momento em que ocorrem. Mas isto não significa que este comportamento é a palavra final de quem sou. A nossa evolução humana nunca para, porque é permanente. A humanidade evolui em compasso de extrema redefinição de valores.

Li muitos textos sobre crescimento pessoal e deduzi que após entendê-los, subitamente eu me renovava. Nada é decisivo, nunca saberei quais as dinâmicas novas que descobrirei. A visão mais profunda de mim mesma, que influenciou, decisivamente as minhas escolhas, foi perceber que de repente explodiu uma terrível inversão de valores. Sentia no ar a pesada identificação com objetos. Desapareceram as estantes de livros nas residências. As instituições educacionais começaram a desvalorizar os profissionais através de achatamentos salariais nunca acontecidos. As bibliotecas escolares foram totalmente abandonadas. E a poluição mortífera da degradação de valores aconteceu. O único jeito que achei para me salvar,
foi não acreditar nas propostas da cultura materialista.

Desde criança fui conscientizada de que a auto-aversão, a desvalorização e o desprezo voltado para si mesmo, era secular e que deveriam ser enfrentados com seriedade porque destruíam as pessoas. Aprendi a achar dentro do meu coração um lugar (- com dificuldades financeiras – em contextos extremamente adversos) onde eu gostava do jeito que eu me conduzia e me aplaudia. Com exaustiva busca de compreensão aprendi a ver nas pessoas as suas qualidades pessoais, e a trocar as minhas depreciações por competências construtivas.

Tendo assolado o mundo dos humanos, o medo se torna capaz de se impulsionar e se intensificar por si mesmo. Nas palavras de David L. Altheide, não é o medo do perigo, que é o mais crucial, mas sim aquilo no qual esse medo pode se transformar, o que pode se tornar... A vida social muda, quando as pessoas vivem atrás de muros, contratam guardas, dirigem veículos blindados, andam com porretes e revólveres e têm aulas de artes marciais. O problema é que essas atividades reafirmam e ajudam a produzir um senso de desordem que é perpetuado por nossas ações.
(David L. Altheide, “Mas media, crime, and the discourse of fear 2003 p. 9-25) Citação feita por Zigmunt Bauman – Livro: Medo Líquido 2006)

A presença do medo não é exatamente um fato novo. O medo tem acompanhado os seres humanos por milênios, e sempre faltou segurança para as pessoas pobres. Atualmente é assustador a falta de recursos para as pessoas vitimadas pela pobreza extrema. Neste momento, em todo o mundo, o medo está presente em nossos motivos e propósitos, e satura os nossos pensamentos e as nossas rotinas diárias. Os grandes centros urbanos tornaram-se violentíssimos, mortes, assaltos, tráfico de drogas, acontece todos os dias. É indiscutível o desastre total das propostas da cultura de consumo. Motivar a crença total de que o ser humano é julgado e aceito em virtude de suas posses e não pelo seu caráter, potencial e competência é uma proposta psicótica, totalmente fracassada, mas ela continua mais atuante do que nunca. Por que?

A crença de um imaginário rico em nosso planeta é devastador. Todos os países estão favelizados, mas usam todos os artifícios possíveis para esconderem a sua pobreza. Existe um sentimento de vazio no sentido psicológico, que deve ser preenchido pela busca de um modelo mais humano, mais solidário, mais generoso. As gerações futuras ficarão horrorizadas com a inversão total de valores de nossa época, e mais ainda pela lentidão da mudança desta realidade. É necessário semear constantemente a própria história. Tenho fé na evolução humana, e em qualquer momento poderemos impulsionar valores éticos.

Nossa vida é uma série de desdobramentos. O desafio para sermos perfeitos, em cada momento de nossa existência, é um poderoso detalhe de nossa elevada condição humana. É importante o nosso reconhecimento, de que apesar de terríveis obstáculos existenciais, cada etapa contribui para nossa evolução. Nosso progresso espiritual dura a vida inteira, e avança segundo os detalhes conhecidos pelo nosso eu interior e pela ligação com a sabedoria universal. Nutrir a alma, acreditar em Deus, para torna-se forte, sustentando-se pelas águas da vida, é o melhor caminho.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A ETERNA ALIANÇA

Regina Diniz

Exercitar o amor por si mesmo exige o equilíbrio incondicional...
Neste século a humanidade chegou perto do suicídio coletivo...
Agora, começa a soprar a suave brisa da cooperação entre os homens...
Formam-se redes cada vez mais sofisticadas de ajuda mútua...

As badaladas dos sinos nos falam da perfeição de Deus...
É salutar festejar os benefícios da vida tal como ela é...

Exercitar o amor por si mesmo exige humildade batendo no esnobismo...
Expressamos a dimensão espiritual de nossa vida de maneira simples,
Esta atitude nos fortalece e transborda a nossa existência de luz,
Gratificaremos a nossa alma e não sentiremos inveja de ninguém.

As badaladas dos sinos nos aconselham valores eternos...
É salutar valorizar as dádivas do momento presente...

Exercitar o amor por si mesmo exige a rejeição ao narcisismo...
Onde o fracasso material é evidente surge a competição selvagem,
Matamo-nos para impor a mentira do que não somos,
Assassinamo-nos por acreditar na mentira que mentimos para nós...

As badaladas dos sinos nos lembram do valor da autenticidade...
É salutar agradecer a Deus por simplesmente viver..

Exercitar o amor por si mesmo exige o divórcio do delírio consumista...
A vida, toda a vida é sagrada.
É maravilhoso sentir o ritmo de afirmação com tudo o que é vivo...
Com certeza não nascemos só para consumir as coisas da terra...

As badaladas dos sinos nos dizem que o avanço espiritual é que vale...
É salutar equilibrar o espiritual com o material...

Exercitar o amor por si mesmo exige luta permanente a seu favor...
Não adianta ficarmos tristes e tratarmos os outros como fracassados,
É destruidor praticarmos o discurso desqualificador.
Crescemos como indivíduos quando investimos com amor e fé...

As badaladas dos sinos nos avisam da perpétua evolução...
É salutar ver que o alimento da alma é a união entre si...

Exercitar o amor por si mesmo exige a aliança com os outros...
Só o afeto cura e nos transforma em bondade incondicional...
Todos desejamos ser amados...
Gostamos de ter importância na vida daqueles que amamos...

As badaladas dos sinos festejam a eternização do espírito...
É salutar conviver pacificamente e feliz com futuro eterno...

sábado, 5 de setembro de 2009

A CHAVE MESTRA DO AUTO-ENCONTRO

Regina Diniz

Nas páginas do livro “Confissões”, de autoria de Santo Agostinho – século IV e V da era cristã, surge no ocidente, os primeiros ensaios da introspecção, de onde nasce a proposta da exigência de auto-exame perpétuo. Santo Agostinho é reconhecido como “o pai da interioridade”. Sob a influência da filosofia de Platão, através dos textos de Plotino, deduziu em sua obra, a auto-exploração como um caminho para chegar a Deus. Seus textos floresceram no séc. XVI e XVII. “Não vá para fora, volte para dentro de si mesmo, pois no homem interior, mora a verdade".

Atualmente, é proposta a emergência da criatividade construtiva. Ganha espaço o tipo de personalidade que deseja crescer como profissional e concomitantemente como pessoa. Realizar potencialidades, mergulhar nos cantos profundos de sua inteligência, criar idéias novas, dando a sua valiosa contribuição para si e para o grupo, o que é uma obrigação de todos nós. As gerações se sucedem e sempre deixam caminhos iluminados para o futuro.

Através de auto-perguntas, é possível definir-se em si, conhecer-se melhor. Identificar-se, coerentemente, é um objetivo humanístico fundamental. Entre milhares de escolhas, a percepção realística do mundo ocupa um lugar de destaque.

É possível construirmos uma sólida resistência ao conformismo e a padronização cultural, que empobrece emocionalmente a todos nós. Palpita dentro do coração humano o desejo de extrapolação, queremos vivenciar os nossos sonhos existenciais. Com certeza dormita dentro de nós um impulso, eternamente ascendente do nosso eu.

Jean-Jacques Rousseau em meados de 1780, em sua biografia, declarou: “O conhece-te a ti mesmo, do templo de Delfos, não é uma máxima tão fácil de seguir, como eu acreditava em minhas confissões”. Rousseau com esta afirmação deu um terrível golpe na qualidade das introspecções. Textos de baixa qualidade surgiram, mas que não conseguiram sobrepor-se como ideal de ser, pois já havia uma sólida reflexão sobre a qualidade de ser.

No século passado, grandes pensadores existencialistas (Rollo May – Erich Fromm – Karen Horney – Carl Rogers) entre outros, nos legaram obras de alto nível em Teoria da Personalidade, o que com certeza iluminará o século XXI e assim a ética se refinará eternamente. Indubitavelmente, a vocação de nosso planeta é conjugar as formas socialmente construtivas, e as relações cooperativas entre as pessoas.

O objetivo fundamental da vida é aperfeiçoar-se. É no esforço para construir um jeito de ser saudável, que nossos sonhos, nossas experiências dão certo. As atitudes ativadas e dinamizadas dirigem o comportamento das pessoas, que pensam em si com seriedade.

Hoje, mais do que em nenhum tempo, são valorizadas as pessoas excepcionalmente éticas. O poder de construir-se passa pela vontade, decisão, compromisso, descoberta da realidade contextual e pelo esforço de renovar-se. É complexa a trajetória de si para si mesmo, mas vale a pena reconstruir a própria história.

Quando, pela primeira vez, me descobri, sentindo uma emoção inspiradora e gratificante, apesar da adversidade que enfrentava na vida, fui invadida por um grande estímulo, ao reconhecer um fato importante, uma espécie de despertar espiritual, que emocionalmente, me arremessou muito além daquela situação, então recebi, instantaneamente, muita coragem e ânimo para seguir adiante.

Percebi uma força, que trazia incentivo e energia, então compreendi e aceitei, que deveria palmilhar mais vezes esta possibilidade emocional.Vi que esta auto-descoberta, continha em si, a vertente de como atrair mais perseverança, mais resolução frente à situações conflituosas, que são normais na evolução dos seres humanos.

Esta auto-percepção breve, serviu para me explicar o valor inimaginável dos altos padrões de força espiritual, que estavam ao meu dispor, mas que exigiam uma postura humana de vibração pura e saudável, comigo e indistintamente com todas as pessoas, não só em situações favoráveis, como também em situações difíceis. Esta força espiritual que eu recebi, se organizou por si mesmo na minha mente. Acredito que a própria superação seja a chave mestra do auto-encontro.

Existem muitos modelos para descobrirmos as pistas de como viver uma vida equilibrada. Mas cada um de nós tem que achar o seu jeito. A era industrial valoriza somente a especialização e o profissionalismo e padronizou todos os campos das atividades. Mas as inspirações, as intuições que se magnetizam ao divino e misterioso
processo de criação, estão ao nosso alcance, basta acessá-las. E quando alcançadas tornar-se-ão nossas eternamente.

sábado, 29 de agosto de 2009

A EXUBERANTE DEUSA CORAGEM

Regina Diniz

O crescimento humano,
um plano de perfeição ...
Brilham
as centelhas da eternidade.

Gosto muito de admirar o crepúsculo,
porque suavemente o sol se despede,
maravilhado por ter iluminado a terra.
Enfeita o horizonte,
pintando-o de matizes multicores.
O sol é uma janela aberta,
no verdadeiro palácio da auto-estima,
e só falta dizer-me:
- Seja incansável, seja perseverante ...
na aspiração para a luz.
Faz um chamamento na busca de reordenações,
para a qualidade nova de intuição ...
É doador universal de vida,
faz de sua existência
uma obra de força cósmica
perpétua de perfeição.

A vida é maravilhosa ...
O passeio é de evolução.
Vivifico altos níveis de interesse
na peregrinação obrigatória.

Existem épocas na minha vida
em que preciso de um impulso
para prosseguir na direção certa ...
Luto para fortalecer a crença no meu potencial,
abrindo novas fronteiras,
renovando a minha interpretação do mundo.
Faço o que posso para tornar-me
a melhor pessoa possível.
Confronto-me em guerras tremendas
contra as emoções autoderrotistas.
Mas quando começo a enfraquecer,
caso-me comigo mesma,
Torno-me generosa, dou resposta ao mundo ...
Hoje estou me presenteando
com este pôr de sol fantástico.
Acredito na lei de retribuição infalível.
Agora, pensando em bom nível emocional,
este maravilhoso crepúsculo
revitaliza-me ao admirá-lo ...
eclodindo emoções extraordinárias.
São sutilezas que vou aprendendo
no eterno dia-a-dia ...
Que têm momentos maravilhosos ...
E também momentos horrorosos ...
Mas eu quero alcançar o equilíbrio total,
para que o sol e a chuva não alterem o meu humor.
Quero ouvir o grito exuberante da deusa coragem,
ajudando-me a permanecer concentrada no aprender.
Deus que me ajude
a manter o gosto pela autoconfiança total ...
Tiro significativos dividendos
desta relação interior ...
É uma troca enriquecedora que descobri.
Pergunto-me sempre:
- O que quero da vida ?
Sei que a resposta será diferente dos outros,
porque é a minha resposta.
Procuro vibrar a paz e a luz a cada gesto,
e continuar a minha viagem de passagem na terra.
Há muito tempo parei de reclamar da miséria ...
Há muito tempo parei de reclamar e reclamar ...
Percebi que uma pessoa desequilibrada sofre muito ...
Vivo como um passarinho cantador,
olhando a vida de cima de uma árvore.
Cansei de cegamente arrebentar-me na correnteza ...
Abro os olhos e extraio luz da fé pura,
e descubro as verdades para ir adiante ...
Agora, cheguei a conclusão
de que eu sou a melhor terapeuta
para administrar a minha individualidade.

O silêncio revela
que tenho um lugar no mundo,
e só eu posso preenchê-lo,
sou a minha única realidade ...

Observo a amplitude do horizonte,
onde o sol vai lentamente desaparecendo.
Numa verdadeira explosão de cores,
beija as águas caudalosas do rio Guaíba,
que não perde nenhum segundo
para usufruir este relacionamento de amor.
A natureza busca freneticamente as forças do belo,
que fortalece a alma do mundo ...
Presencio todo este milagre,
e pergunto-me:
- Estou consciente de quem sou ?
Não lançarei mão de nada destrutivo para enganar-me ...
Para não ver os estímulos das novas idéias ...
Eu quero ver tudo, em detalhes ...
Bem de perto, para poder seguir adiante,
acertando na raiz do segredo do meu desenvolvimento,
e internamente terei forças para dizer-me:
- Agora eu vou, encorajo-me a expressar novos sentimentos.
Respiro fundo e vou em frente ...
Nada me transtornará ...
Nada me abalará ...
Nenhum acontecimento estremecerá
a minha firme disposição
de continuar criando um ambiente emocional saudável ...
Com firmeza e decisão de bom nível,
descobrirei algumas qualidades mais preciosas,
talvez ainda escondidas, independentes e constantes.
Deus escreve sempre certo o nosso destino,
não mais me assustarei com o sofrimento,
pois sei que só aceitando-o e superando-o,
alcançarei o sábio entendimento ...
Enxergarei com clareza as situações complexas ...
Não desperdiçarei esta grande oportunidade
de visualização do valor da minha vida.
Dedicar-me-ei aos mais nobres sentimentos,
para atender ao divino de perfeição.
Proteger-me-ei da ansiedade, cultivando a autoconsciência ...
Não responderei às exigências descabidas do ter.
Desejo o aplauso e o reconhecimento das forças divinas.
Fugirei do reconhecimento dos homens.
Sobreviverei com heroicidade,
na frugalidade de ser.
Não tenho culpas, esforcei-me ao máximo.
Não carrego mágoas e frustrações de ninguém,
não tenho medo do fim da jornada ...
Eu sou muito mais ...
Eu sou a alma imortal ...
A minha alma vai continuar
sempre em busca da consciência positiva ...

O olho da alma perfeita ...
Para a essência de tudo ...
O refinamento da intuição espiritual
é o poder do conhecimento certo.

Fui convidada pelo meu amigo Marcos
para passar este fim de semana em seu sítio,
cujo nome é “O Repouso do Guerreiro”.
Agora, interrompo esta contemplação do pôr-do-sol,
que me fez acreditar em metas positivas.
Estou sentindo-me desoprimida ...
Mais livre do que nunca ...
Acreditarei na minha própria visão de mundo,
eu quero acreditar, eu preciso acreditar ...
É uma cruzada santa de auto-renovação ...
Encontro-me alegre com sede de vida nova.
Dirijo o meu carro com tranqüilidade.
Em meia hora a bela tarde sumiu no horizonte ...
Há luar ...
A candidez da lua
ilumina a noite de pureza.
Lantejoulas prateadas brilham ...
As mensagens são de gracilidade ...
O reflexo tênue mostra a beleza do imponderável.
Agora, confraternizo com meus amigos de décadas.
Na lareira o fogo crepita ...
As chamas queimam e queimarão.
São eternas no tempo ...
É bom considerar-me aceita pelos meus pares ...
As amizades são dádivas grandiosas ...
Os seres humanos são nossos espelhos,
muitas vezes fico indecisa diante da vida,
sobre qual de muitos o melhor trajeto ...
Por isso eu gosto muito
de repartir sentimentos ...
De repartir pensamentos ...
Gosto imensamente de ponderar opções.
Sempre que posso abro os braços para os outros,
para que abram os braços para mim.
Quando eu precisar de apoio,
é pela via da cooperação mútua
que atingirei a integridade perfeita ...

Procuro a raiz
no oceano da vida ...
Subjetividade sem limites ...
Objetividade determinada ...

A lua ensina o equilíbrio interior.
Brilha poeticamente,
é convicta pela via do encantamento ...
Rompe as nuvens agitadas,
e continua com o mesmo esplendor ...
Conversamos sobre muitos jeitos de ver a realidade.
O Marcos foi incansável em afirmar:
- É necessário confrontar-se para aprender a paciência ...
Todos nós concordamos que nada adianta atropelar ...
Vejo que os problemas existem e aparecem,
é para que eu entenda a arte de sobrepor-me.
As vezes é possível, outras vezes não é ...
Agora no fim do nosso encontro
Marcos fez esta oração:
Amado Deus ...
Abençoa-nos na motivação elevada,
da exigência de ser.
Então agradeci a Deus
pelo que consegui ser,
e pela minha atenção à capacidade
de intuir a vida,
pela via da simplicidade ...

A minha subjetividade
É um eterno é.
A cada esforço de purificação
Jogo-me para o alto.

sábado, 22 de agosto de 2009

POSSIBILIDADES DA SUBJETIVIDADE MODERNA

Regina Diniz


O homem benevolente é atraído pela benevolência, porque ele se sente confortável com ela. O homem sábio é atraído pela benevolência, porque percebe que ela lhe é favorável. Aplico o meu coração no caminho da benevolência para apoio, baseio-me na virtude e encontro entretenimento nas artes. Nunca vi nenhum homem morrer ao cultivar a benevolência. (Confúcio – 551 – 479 A.C.)

Os valores (apreciação íntima) são descobertos por nós dentro de nós próprios. Não existem regras. É possível através de uma profunda auto-interpretação vê-los de uma forma geral: Quais são os nossos talentos, nossas capacidades, nossas necessidades que fazem pressão para surgirem? É indispensável disciplina, trabalho árduo, muita dedicação. A busca da identidade é principalmente a busca dos valores intrínsecos e autênticos da própria pessoa.

Quando as pessoas se sentem fortes emocionalmente, se realmente for possível uma livre escolha, tendem espontaneamente para escolher o verdadeiro e não o falso, o bem e não o mal, a beleza e não a fealdade, a integração e não a dissociação, a alegria e não a tristeza, a vivacidade e não a apatia, a singularidade e não o estereótipo, e assim por diante, para o que já descrevi como valores superiores sadios. ( Abraham H. Maslow – Livro: Introdução a Psicologia do Ser)

A liberdade de escolha é fundamental. “–Sê verdadeiro para ti mesmo”.(Shakespeare). A natureza superior do homem exige um bom meio ambiente emocional, harmonia, equilíbrio, valores tradicionais de família, amor ao conhecimento, amor a transcendência cultural, porque as capacidades clamam para serem usadas e só se calam quando são bem usadas.

O apoio fundamental, na vida, é o da auto-estima. A abertura, a honestidade e a decisão de aliar-se, incondicionalmente, a si mesmo, é investir na luta para gerar energia emocional saudável e com este jeito de ser, vincular-se aos outros. A auto-estima elevada é a elaboração da racionalidade, honestidade e integridade, é um complexo de meios que se combinam, fluindo um conforto emocional que é repassado para outras pessoas.

A auto-estima reflete a nossa segurança e é o nosso tesouro interior. Respeitamo-nos, quando aceitamos nos levantar depois de um tombo e temos consciência de que é vital a nutrição desta fonte inesgotável, que nos dá mais força para os pequenos e grandes recomeços. Gostar de relacionamentos positivos é sinal de boa auto-estima.

Quando o diálogo interior é positivo, descobrimos que nos tornamos numa pessoa mais humana. A boa auto-estima é um dos degraus mais importantes para nos aproximar da tão almejada felicidade. A conversa amiga, de nós para nós mesmos, coopera para surgirem decisões mais acertadas.

Acreditar em seus objetivos existenciais, admitir o valor do próprio esforço é importante na potencialização da auto-estima. É indispensável não ligarmos para discriminações econômicas, sociais etc... porque a elevada auto-estima também é um presente dos céus. A escolha responsável é a alma da fortaleza emocional. É importantíssimo batermos palmas para nossa própria coragem na marcha para adiante.

Os americanos estão acostumados a ver a sociedade de consumo de perto o bastante, para conhecer seus encantos, mas não se aproximam o suficiente para usufruí-la, e estarão mortos antes de terem provado, plenamente, os seus prazeres. Esta é a razão da estranha melancolia que freqüentemente assombra os habitantes das democracias em meio à abundância, e daquele desgosto pela vida, que por vezes toma conta deles em condições de calma e tranqüilidade.(Aléxis de Torqueville – livro”Democracy in América – l988 – Vol.-2 pag.538) – Citado por Zigmunt Bauman – livro”Medo Líquido”- 2006).

Vê-se, claramente, nas culturas consumistas, que a sua maior bandeira é o “estar na frente” seja de que jeito for. A vida pessoal tornou-se estressante como o próprio mercado. Cansaço, desmotivação, neuroticidade, psicopatias, inadimplência fazem com que saturemos nossas mentes, só de metas negativas, que resultam em pesada depressão. São grandes as quantidades de calmantes e antidepressivos consumidos, fato nunca observado em séculos anteriores.

As demandas por reconhecimento inundam os nossos tempos. “Todo mundo busca ansiosamente a aprovação, a admiração ou o amor nos olhos dos outros. E observamos que as bases para a auto-estima fornecidas pela aprovação e admiração de são notoriamente frágeis. O impulso e compulsão de observar, atentamente, na verdade nunca cessam. O calor da vigilância pode muito bem transformar a aprovação e aclamação de ontem na condenação e no ridículo de amanhã. Agora, tal como antes, privação significa infelicidade. As dificuldades materiais, que ela pode provocar, se somam a degradação e a humilhação, de se ver na extremidade receptora da privação, um pesado golpe na auto-estima e uma ameaça ao reconhecimento pessoal. ( Jean- Claude Kaufamam – livro: L’invention de Soi, Paris – l972 pg.14 – (citação feita no livro de Zigmunt Bauman – “A arte da Vida”).

Como escapar a essa guerra de todos contra todos, se a virtude não passa de uma máscara da auto-estima, se não se confia em ninguém e só se pode contar consigo mesmo? Todos sabemos que vivemos: - no absurdo da violência. –no absurdo da maldade. –no absurdo da autodestruição. É inadiável redescobrirmos a compreensão,
a alegria, a responsabilidade e a paz em nosso imaginário. Qual é a fonte dos pensamentos de alta qualidade que nos libertem desta depressão? A imaginação é nossa ou as propostas são impostas para nos escravizar? Quantas lições, quantos ensinamentos poderemos obter, para nos libertarmos destes fantasmas destruidores da nossa alma. É inadiável explorarmos as dimensões interiores de nossa evolução cultural e espiritual. É valioso descobrirmos pistas para construirmos uma vida socialmente sadia, que se criará e se organizará dentro de nós para nós mesmos, que se impõe diante desta prova coletiva. Vibrando Deus, tudo muda, a sua luz ilumina tudo.