sábado, 25 de abril de 2015

INTEGRIDADE E AUTOCONHECIMENTO; A ESSÊNCIA DA LIDERANÇA NOS TEMPOS MODERNOS

REGINA DINIZ

“Tradicionalmente, considerou-se ser responsabilidade da religião prescrever quais comportamentos são salutares e quais não são. Contudo, na sociedade atual, a religião perdeu até certo ponto seu prestígio e influência. E, ao mesmo tempo, nenhuma alternativa, como por exemplo uma Ética secular veio substituí-la. Por isso, parece que se dedica menos atenção à necessidade de levar um estilo saudável de vida. É por isso que acredito que precisamos fazer um esforço especial e trabalhar com consciência com o objetivo de adquirir esse tipo de conhecimento. (Autor: Dalay Lama – Livro: A Arte da Felicidade – Livraria: Martins Fontes Editora Ltda).

A utilização correta de nossa inteligência e o conhecimento ajuda a fazer mudanças de dentro para fora, para desenvolver um bom coração. Está comprovado que os sentimentos de amor, afeto, intimidade e compaixão trazem a felicidade. Todos nós temos acesso aos estados mentais de amor e compaixão, que produzem a felicidade. A natureza básica do ser humano é a serenidade e o equilíbrio.

O afeto humano não é apenas uma questão religiosa. Trata-se de um comportamento ético indispensável na vida do dia-a-dia. Podemos constatar que desde a tenra infância até a morte, podemos notar como somos nutridos pelo afeto de outras pessoas. A nossa estrutura física mostra-se mais adequada a sentimentos de amor e de afeto. A
nossa disposição mental tranquila, afetuosa e salutar produz efeitos benéficos para a nossa saúde e bem-estar físico.

A nossa saúde emocional é beneficiada por sentimentos de afeto. Basta refletir sobre como nos sentimos quando os outros nos demonstram carinho e afeto. É observável que as emoções mais suaves e os comportamentos positivos propiciam uma vida familiar e comunitária mais feliz. A natureza essencial dos seres humanos é meiga. Faz sentido levar uma vida, que esteja mais em harmonia com essa afetuosa natureza  fundamental do nosso ser.

“Havia um sentimento sadio de solidariedade e responsabilidade, e ampla oportunidade para o exercício da autoconfiança e da individualidade. Havia um alto padrão de cultura, de disciplina auto imposta, e grande consideração pelo dever, pela ação altruísta e pelo sacrifício, combinados com auto respeito e reverência aos outros; um alto padrão de dignidade acadêmica e um senso da nobreza do grande propósito da vida humana. (Autor: Paramahansa Iogananda – Livro Autobiografia de um Iogue).

 “Perguntar pelo sentido do conhecimento em nossos dias é uma questão que se torna cada vez mais urgente. Ele também nos coloca o sentido do autoconhecimento que visto de um ponto de vista crítico, ainda teria muito a nos dizer sobre nossa potencialidade Ética (e que será sempre, por um fim, política). Mas quem quer autoconhecimento hoje? Só que esta pergunta esconde uma outra: onde está o desejo hoje? Neste campo, a pergunta Ética por excelência é “o que cada uma de nós está fazendo consigo mesmo?” quando nos entregamos às ordens de um sistema econômico, social e comunicacional deturpados? (Autora: Márcia Tiburi – Título: O desafia da ética  na Sociedade do Conhecimento – 1º- Encontro do Causc no dia 08/12/12.

É bem possível, que os perfis das futuras gerações sejam muito diferentes, do que vemos atualmente. O autoconhecimento das emoções e o equilíbrio emocional serão as qualidades mais valorizadas. O que torna uma empresa, um lugar bom para trabalhar?
A resposta é pessoas preparadas.

As lideranças do futuro saberão controlar as suas emoções, e assim ter condições de administrar a sua própria motivação e a dos seus seguidores. Esses indivíduos usam este conhecimento para incentivar e colaborar no crescimento de todos a sua volta, que acreditam na sua missão de vida e terão uma visão do presente e do futuro profissional.


A chave do enigma é colocar-se em condição de igualdade, o que significa acreditar, que todas as pessoas têm dentro de si um potencial ilimitado. É preciso acreditar e respeitar os valores éticos de cada indivíduo. Todos nós temos que ter autoconfiança, paixão pelo que fazemos e amor pelas pessoas. É uma riqueza pessoal ter uma vida equilibrada: ser um líder em sua família, em sua comunidade, na busca pela espiritualidade e pela saúde. O líder de sempre, não se deixa levar por tentações. Integridade não tem meio termo. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A HERANÇA ESPIRITUAL

REGINA DINIZ

Converso com meus amigos alegremente...
Gosto também de momentos de privacidade...

Quero paz e benevolência...
Aprendo a perceber e sentir...
Ouço a minha voz interior...
Não ignoro a minha herança espiritual...

Admiro a beleza do planeta...
É maravilhoso ouvir os sons da natureza...

Busco a gratificação emocional...
Dedico-me a alcançar o meu objetivo...
Acho tempo para praticar e meditar...
Sigo a minha intuição...

Acredito que estar inspirada...
É alcançar o estado de realização...

Esforço-me em vibrar bons pensamentos...
Como a bondade, amor e serenidade...
Quando penso em ajudar outras pessoas...
Idéias notáveis surgem...

Pensando construtivamente...
Descubro novas maneiras de olhar o mundo...

É bom sentir a experiência da segurança...
É bom sentir a coragem de ser...
É gratificante sentir-se confiante...
Repleta de estima por mim e pelos outros...

A fé em Deus me dá a juventude eterna...
Necessito de um centro de animação espiritual...

Sou profundamente grata...
Pelo que a vida me reservou...
O mundo continua tão vivo ano após ano...
Acredito que a natureza humana é confiável...

Aprendo a sentir a minha voz interior...

Assim supero medos e limites...

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O ENTRELAÇAMENTO DA UNIÃO ENTRE POVOS

REGINA  DINIZ

A palavra globalização, que nos últimos anos foi inflacionariamente empregada (na França prefere-se falar em mondialisation (mundialização).  Com esse conceito, muitos pensam em primeira linha na progressiva transformação da economia mundial, devido ao fato de que os mercados nacionais e regionais estão se coligando gradualmente para formar uma rede de mercados, em função da qual as fronteiras nacionais se tornam uma quantité négligeable . Não apenas o capital, mais também lugares de produção, centros de distribuição, e mesmo sedes de empresas são deslocados além das fronteiras nacionais, enquanto os mercados financeiros regionais se fundem, passo a passo, num só (Autor: Thomas Kesselring  - Livro: Ética, Política e Desenvolvimento).

Entende-se por globalização o entrelaçamento da união entre povos e nações do mundo, despertado pela enorme baixa de custos do transporte e da comunicação e o afastamento de barreiras artificiais para garantir o fluxo desimpedido de bens, serviços, capital, conhecimento e pessoas através de fronteiras estatais. O conceito de globalização  ainda tem outras dimensões. Temos a globalização
da Coca-Cola, da pizza, da música pop.  

A difusão das conquistas culturais além do local de sua origem é um fenômeno, cujos  vestígios arqueológicos podem ser seguidos até o período cinzento da Pré-História. Invenções exitosas espalhavam-se
cruzando pelos continentes. Sem tal esforço, as sociedades deste planeta se teriam desenvolvido com menos rapidez. Quanto mais desenvolvidas as conquistas civilizatórias de uma sociedade e quanto mais diversificado o Knouv-how tecnológico. Tanto melhores foram suas chances de subsistir no confronto com outras sociedades.

Ao longo de milênios os ricos se tornaram mais ricos, e os pobres mais pobres. As desigualdades no mundo, durante quase dois séculos aumentaram constantemente. Uma análise de tendências de longo prazo na distribuição global da renda (entre nações) mostra que a distância entre a nação mais rica e a mais pobre no ano de 1820 era de 3 para 1, em 1913 de 11 para 1, entre 1913 de 11 para 1, em 1950 de 35 para 1, em 1973 de 44 para 1, e em 1992 de 72 para 1.

“Nos últimos anos venho observando os problemas mundiais, tenho pensado sobre isso e encontrado pessoas de diversas áreas e diferentes países. Fundamentalmente todas são iguais. Sou originário do Oriente:^a maior parte de vocês é ocidental. Se eu analisar de modo superficial, acharei que somos diferentes, e se aprofundar esse nível, ficaremos mais distantes ainda. Por outro lado, se eu os encarar como sendo da minha espécie, seres humanos como eu, que possuem um nariz, dois olhos, e assim por diante, naturalmente a distância desaparecerá. Eu desejo a felicidade; vocês também a querem. A partir desse reconhecimento mútuo é possível construir a verdadeira confiança e o respeito recíproco. Daí podem surgir a cooperação e a harmonia, com as quais viabiliza-se a solução de muitos problemas. ( Autor: - Dalai Lama – Livro: Bondade, Amor, e Compaixão - Ed. Pensamento – São Paulo).

Contribuir e servir tanto quanto pudermos, será causa de grande alegria. É com base em tal atitude, que a verdadeira compaixão e o amor às pessoas podem ser desenvolvidos. Adquirimos maior experiência nos períodos mais difíceis da vida. Podemos aprender, desenvolver força interior, determinação e coragem para enfrentar momentos críticos. É necessária uma boa motivação: um bom começo é compreender, que os outros são nossos irmãos e irmãs, e também respeitar  os direitos e a dignidade humana.

Nós seres humanos podemos nos ajudar mutuamente, é uma de nossas capacidades excepcionais. Temos de conviver com o sofrimento alheio. Quando não podemos dar auxílio material, temos a possibilidade de dar atenção, de conceder apoio moral e de expressar simpatia, é extremamente  valioso. A verdadeira justiça e a honestidade não são compatíveis com os sentimentos ardilosos. Falamos muito sobre paz, amor, justiça, etc... mas ao sermos atingidos pelo que nos acontece nos desiquilibramos, nos desesperamos, e oprimimos, partimos para uma verdadeira guerra...

Este clima social negativo mostra a realidade de nossos tempos. As pessoas não acreditam no seu crescimento interior, a sua motivação maior é acreditar profundamente que a suprema felicidade depende do dinheiro e do poder. O nosso planeta tornou-se extremamente violento, a sociedade humana perdeu, abdicou do verdadeiro valor do amor, perdeu o sentido da justiça, da compaixão, da honestidade, com certeza enfrentaremos maiores dificuldades e muito mais sofrimento, nas próximas gerações ou num futuro mais adiante.

Nós seres humanos podemos nos ajudar mutuamente, é uma de nossas capacidades excepcionais. Temos de conviver com o sofrimento alheio. Quando não podemos dar auxílio material, temos a possibilidade de dar atenção, de conceder apoio moral e de expressar simpatia e que é extremamente valioso.

Este clima social negativo mostra a realidade de nossos tempos. As pessoas não acreditam no seu crescimento interior, a sua motivação maior é acreditar profundamente que a suprema felicidade depende do dinheiro e do poder. O nosso planeta tornou-se extremamente violento, a sociedade humana perdeu, abdicou do verdadeiro valor do amor, perdeu o sentido da compaixão, da honestidade, com certeza enfrentaremos maiores dificuldades e muito mais sofrimento nas próximas gerações ou num futuro mais adiante.

Podemos dizer que tanto a moral e a ética religiosas tentam responder duas grandes questões, que desde o início preocuparam o Homem: o desejo de felicidade (para Aristóteles a felicidade é a finalidade da natureza humana) e o acesso aos bens e a sua repartição (levar uma vida digna). Na ética religiosa, os deveres, os
 mandamentos, são absolutos  e ditados por Deus. A felicidade  alcança-se pela conformidade do Homem com esses deveres. O amor a Deus. A felicidade alcança-se pela conformidade do Homem com esses deveres. O amor a Deus  é primordial em relação ao amor aos homens. Neste caso é fundamental o reconhecimento do outro.

Para Aristóteles  o mais importante é apontar os traços de caráter, que são virtudes e o que é importante, é a definição que considera virtuosos: honestidade, lealdade, coragem, generosidade, temperança, autodomínio, sensatez, justiça, equidade, bondade e perseverança (no bem). Analisando profundamente  a coragem só é uma virtude, se além disso, respeitar o outro na sua humanidade. Respeitar é respeitar-se. Ser boa pessoa, ser virtuoso pressupõe sempre o outro. Há alguma virtude entre as virtudes que possa ser considerada a virtude das virtudes. Aristóteles responde:  -Há. A sabedoria. O que é a sabedoria? - O conhecimento de si. “O conhece-te a ti mesmo” de Sócrates. É um conhecimento de si que só se alcança através da contemplação do outro, do olhar do outro, do respeito do outro. Só esta sabedoria  - a verdadeira sabedoria traz a felicidade.

Enquanto a sociedade assiste a uma ruptura entre considerações  éticas  e princípios estritamente  morais, a escola demora para reco-
nhecer  a importância  da preocupação ética. Convivemos com uma crise da educação moral, que não consegue reconhecer como autênticas as reflexões que, fazem parte do cotidiano de alunos e docentes. É necessário debater a renovação ética na escola sobre três aspectos: a relação, consigo, a relação com o outro, e a relação com a sociedade. Além de suas funções de transmissão de conhecimentos e de seleção social, a escola na modernidade, tem sido frequentemente associada a um duplo processo. Por um lado, deveria permitir a integração dos indivíduos em sua sociedade, garantindo a continuidade da vida social. Norteia-se por uma figura ideal de indivíduo, o qual todos aderem de uma maneira ou de outra.


Por moral entendemos uma herança normativa, baseada no caráter obrigatório da norma, julgada universal e imposta do exterior. Por ética entendemos uma herança normativa antes teleológica, organizada em torno do objetivo de uma “boa vida”. A comunicação com o outro trata-se menos de uma crise global do que uma dificuldade da escola em compreender o retorno das indagações éticas.