REGINA DINIZ
A palavra globalização, que nos
últimos anos foi inflacionariamente empregada (na França prefere-se falar em
mondialisation (mundialização). Com esse
conceito, muitos pensam em primeira linha na progressiva transformação da
economia mundial, devido ao fato de que os mercados nacionais e regionais estão
se coligando gradualmente para formar uma rede de mercados, em função da qual
as fronteiras nacionais se tornam uma quantité négligeable . Não apenas o
capital, mais também lugares de produção, centros de distribuição, e mesmo sedes
de empresas são deslocados além das fronteiras nacionais, enquanto os mercados
financeiros regionais se fundem, passo a passo, num só (Autor: Thomas
Kesselring - Livro: Ética, Política e
Desenvolvimento).
Entende-se por globalização o
entrelaçamento da união entre povos e nações do mundo, despertado pela enorme
baixa de custos do transporte e da comunicação e o afastamento de barreiras
artificiais para garantir o fluxo desimpedido de bens, serviços, capital,
conhecimento e pessoas através de fronteiras estatais. O conceito de
globalização ainda tem outras dimensões.
Temos a globalização
da Coca-Cola, da pizza, da música
pop.
A difusão das conquistas
culturais além do local de sua origem é um fenômeno, cujos vestígios arqueológicos podem ser seguidos
até o período cinzento da Pré-História. Invenções exitosas espalhavam-se
cruzando pelos continentes. Sem
tal esforço, as sociedades deste planeta se teriam desenvolvido com menos
rapidez. Quanto mais desenvolvidas as conquistas civilizatórias de uma
sociedade e quanto mais diversificado o Knouv-how tecnológico. Tanto melhores
foram suas chances de subsistir no confronto com outras sociedades.
Ao longo de milênios os ricos se
tornaram mais ricos, e os pobres mais pobres. As desigualdades no mundo,
durante quase dois séculos aumentaram constantemente. Uma análise de tendências
de longo prazo na distribuição global da renda (entre nações) mostra que a
distância entre a nação mais rica e a mais pobre no ano de 1820 era de 3 para
1, em 1913 de 11 para 1, entre 1913 de 11 para 1, em 1950 de 35 para 1, em 1973
de 44 para 1, e em 1992 de 72 para 1.
“Nos últimos anos venho
observando os problemas mundiais, tenho pensado sobre isso e encontrado pessoas
de diversas áreas e diferentes países. Fundamentalmente todas são iguais. Sou
originário do Oriente:^a maior parte de vocês é ocidental. Se eu analisar de
modo superficial, acharei que somos diferentes, e se aprofundar esse nível,
ficaremos mais distantes ainda. Por outro lado, se eu os encarar como sendo da
minha espécie, seres humanos como eu, que possuem um nariz, dois olhos, e assim
por diante, naturalmente a distância desaparecerá. Eu desejo a felicidade;
vocês também a querem. A partir desse reconhecimento mútuo é possível construir
a verdadeira confiança e o respeito recíproco. Daí podem surgir a cooperação e
a harmonia, com as quais viabiliza-se a solução de muitos problemas. ( Autor: -
Dalai Lama – Livro: Bondade, Amor, e Compaixão - Ed. Pensamento – São Paulo).
Contribuir e servir tanto quanto
pudermos, será causa de grande alegria. É com base em tal atitude, que a
verdadeira compaixão e o amor às pessoas podem ser desenvolvidos. Adquirimos
maior experiência nos períodos mais difíceis da vida. Podemos aprender,
desenvolver força interior, determinação e coragem para enfrentar momentos
críticos. É necessária uma boa motivação: um bom começo é compreender, que os
outros são nossos irmãos e irmãs, e também respeitar os direitos e a dignidade humana.
Nós seres humanos podemos nos
ajudar mutuamente, é uma de nossas capacidades excepcionais. Temos de conviver
com o sofrimento alheio. Quando não podemos dar auxílio material, temos a
possibilidade de dar atenção, de conceder apoio moral e de expressar simpatia,
é extremamente valioso. A verdadeira
justiça e a honestidade não são compatíveis com os sentimentos ardilosos. Falamos
muito sobre paz, amor, justiça, etc... mas ao sermos atingidos pelo que nos
acontece nos desiquilibramos, nos desesperamos, e oprimimos, partimos para uma
verdadeira guerra...
Este clima social negativo mostra
a realidade de nossos tempos. As pessoas não acreditam no seu crescimento
interior, a sua motivação maior é acreditar profundamente que a suprema
felicidade depende do dinheiro e do poder. O nosso planeta tornou-se
extremamente violento, a sociedade humana perdeu, abdicou do verdadeiro valor
do amor, perdeu o sentido da justiça, da compaixão, da honestidade, com certeza
enfrentaremos maiores dificuldades e muito mais sofrimento, nas próximas
gerações ou num futuro mais adiante.
Nós seres humanos podemos nos
ajudar mutuamente, é uma de nossas capacidades excepcionais. Temos de conviver
com o sofrimento alheio. Quando não podemos dar auxílio material, temos a
possibilidade de dar atenção, de conceder apoio moral e de expressar simpatia e
que é extremamente valioso.
Este clima social negativo mostra
a realidade de nossos tempos. As pessoas não acreditam no seu crescimento
interior, a sua motivação maior é acreditar profundamente que a suprema
felicidade depende do dinheiro e do poder. O nosso planeta tornou-se
extremamente violento, a sociedade humana perdeu, abdicou do verdadeiro valor do
amor, perdeu o sentido da compaixão, da honestidade, com certeza enfrentaremos
maiores dificuldades e muito mais sofrimento nas próximas gerações ou num
futuro mais adiante.
Podemos dizer que tanto a moral e
a ética religiosas tentam responder duas grandes questões, que desde o início
preocuparam o Homem: o desejo de felicidade (para Aristóteles a felicidade é a
finalidade da natureza humana) e o acesso aos bens e a sua repartição (levar
uma vida digna). Na ética religiosa, os deveres, os
mandamentos, são absolutos e ditados por Deus. A felicidade alcança-se pela conformidade do Homem com
esses deveres. O amor a Deus. A felicidade alcança-se pela conformidade do
Homem com esses deveres. O amor a Deus é
primordial em relação ao amor aos homens. Neste caso é fundamental o
reconhecimento do outro.
Para Aristóteles o mais importante é apontar os traços de
caráter, que são virtudes e o que é importante, é a definição que considera
virtuosos: honestidade, lealdade, coragem, generosidade, temperança, autodomínio,
sensatez, justiça, equidade, bondade e perseverança (no bem). Analisando
profundamente a coragem só é uma
virtude, se além disso, respeitar o outro na sua humanidade. Respeitar é
respeitar-se. Ser boa pessoa, ser virtuoso pressupõe sempre o outro. Há alguma
virtude entre as virtudes que possa ser considerada a virtude das virtudes.
Aristóteles responde: -Há. A sabedoria.
O que é a sabedoria? - O conhecimento de si. “O conhece-te a ti mesmo” de
Sócrates. É um conhecimento de si que só se alcança através da contemplação do
outro, do olhar do outro, do respeito do outro. Só esta sabedoria - a verdadeira sabedoria traz a felicidade.
Enquanto a sociedade assiste a
uma ruptura entre considerações
éticas e princípios
estritamente morais, a escola demora
para reco-
nhecer a importância
da preocupação ética. Convivemos com uma crise da educação moral, que
não consegue reconhecer como autênticas as reflexões que, fazem parte do
cotidiano de alunos e docentes. É necessário debater a renovação ética na
escola sobre três aspectos: a relação, consigo, a relação com o outro, e a
relação com a sociedade. Além de suas funções de transmissão de conhecimentos e
de seleção social, a escola na modernidade, tem sido frequentemente associada a
um duplo processo. Por um lado, deveria permitir a integração dos indivíduos em
sua sociedade, garantindo a continuidade da vida social. Norteia-se por uma
figura ideal de indivíduo, o qual todos aderem de uma maneira ou de outra.
Por moral entendemos uma herança
normativa, baseada no caráter obrigatório da norma, julgada universal e imposta
do exterior. Por ética entendemos uma herança normativa antes teleológica,
organizada em torno do objetivo de uma “boa vida”. A comunicação com o outro
trata-se menos de uma crise global do que uma dificuldade da escola em
compreender o retorno das indagações éticas.