segunda-feira, 30 de abril de 2012

Estranhos para nós mesmos



 Regina Diniz

A fascinação pelos objetos impediu-me de sofrer...
O mundo das formas exteriores me seduziu...
Consenti por apreciar o amor passivo...
Senti força libidinosa na obediência aos objetos...

Ouço o pranto pela ausência de perspectiva sobre si próprio...

Os objetos me confirmaram uma poderosa importância de ser... 
Não era preciso investir na criação da complexa personalidade...
Podia sobreviver comodamente do nada e nada...
Eles falavam exuberantemente por mim...

Ouço o pranto do desespero generalizado pela falta da espiritualidade...

A integração e a comunicação pelos objetos marcam os meus tempos...
A abundância virtual acalma a minha voracidade por ter...
A todos é permitido sonhar com palácios encantados,
Nunca se viu falar em imaginário tão rico...

Ouço o pranto dos sentimentos de inferioridade e culpa...

Posses, posses e posses, quem é que gosta da miséria...
As consciências virtuais do valor da abundância são bíblicas...
O planeta delira na exigência da materialidade...
O corpo é matéria, tudo é matéria...

Ouço o pranto da impotência do vazio espiritual...

Pensar na impalpabilidade de ser é a suprema loucura...
Acreditar em situações não concretas é a desagregação mental...
A comunicação pela visualidade é gratificante...
Entendemos sem dificuldades tudo o que vemos...

Ouço o pranto da ausência de sentimentos que elevam a alma...

Nunca houve um ser humano tão objetivo como nos dias de hoje...
Cultura rara: Ciência da Computação, Eletrônica, Mecânica...
No surgimento do lazer brincamos maravilhados com nossas descobertas...
Estamos agora sobre o êxtase da Deusa Mecatrônica...

Ouço o pranto da falta do amor imortal e divino...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE NA SUPERAÇÃO DA POBREZA


 REGINA DINIZ

Pelos dados estatísticos, observa-se na realidade um assustador crescimento da miséria, que maltratou o nosso país, desde o início, ou seja, o período do desenvolvimento, da monarquia e das repúblicas à nova república, das esperanças de milhares de favelados, dos desempregados, dos menores abandonados nos caminhos da vida... O problema da pobreza nunca foi encarado com responsabilidade social, porque ela sempre carregou uma longa história de indiferença humana pela insensibilidade em construir um país de maneira harmoniosa e equilibrada. Pagamos um alto preço, pelo perfil da miséria que mostramos ao mundo, mesmo sendo um país potencialmente rico, convivemos com percentuais sociais desumanos, o que sempre nos causou profundo constrangimento.

Esmiuçando o nosso fenômeno histórico, em busca de compreensão desde o nosso descobrimento, notamos marcas profundas de discriminações. Começamos pela escravidão, primeiro com os índios e depois, e especialmente com a mão de obra africana, a seguir com a colonização mercantilista, com o coronelismo, com as oligarquias. Após a independência, escolhemos um modelo de Estado caracterizado pelo autoritarismo burocrático, que contribuiu enormemente para a reação da violência, por causa da pobreza que  há muito tempo se avolumava em nosso país.

Não restam dúvidas, que a humanidade convive com a existência da pobreza há muito tempo, e é possível dizer que ela acompanha por séculos e milênios, maltratando os povos. Porém na sociedade globalizada temos uma pobreza que se expandiu a níveis insuportáveis, como é o caso de viver nas favelas, desempregados ou subempregados sem terem as condições mínimas de sobrevivência.

Nós nos ressentimos da miséria em nosso país, nos deprimimos e nos envergonhamos, porque sabemos que é uma tremenda desumanização. Os responsáveis pela não solução, pela ausência total de planejamentos confiáveis, sempre apelaram para desculpas como o jeitinho brasileiro de sobreviver com um quarto de salário mínimo. Explodem os devaneios escapistas: - Somos o país do carnaval, - dos forrós, - do futebol, das grandes festividades...

Dizem que o Brasil é um país rico, com muito ouro, diamante, recursos minerais pré-sal, celeiros de alimentos para o mundo, que em outros países não existem. Mas como explicar uma nação tão rica com os seus filhos tão empobrecidos? Segundo o censo de 2010, vivem em nível de pobreza extrema 16,2 milhões de pessoas, que não tem força social de pressão. São os excluídos, hoje perfazendo as grandes maiorias da humanidade, cujas vidas não têm o mínimo de sustentabilidade e em conseqüência morrem antes do tempo.

A sociedade neoliberal entroniza a competição extremamente desumana, desalojando a cooperação e valorizando o indivíduo que constrói sozinho sua vida, que usufrui seu bem estar, e se orgulha de seu destino maravilhoso de visibilidade financeira, e menospreza a sociedade e a comunidade dentro das quais o indivíduo sempre se encontrou e sempre se realizou. O neoliberalismo jogou pesadamente nesta visão atrasada de sociedade.

“A pobreza absoluta é um mal que precisa ser mitigado sob todas as circunstâncias. É preciso distinguir entre pobreza relativa e absoluta, definindo esta última como viver abaixo do mínimo essencial para a existência, e o limiar correspondente como limite da pobreza. Esse limiar situa-se no nível da receita, que justamente ainda é suficiente para cobrir as necessidades materiais elementares: nutrição, vestuário, moradia, saúde e educação básica.A pobreza absoluta, ou sejam, o sofrimento em conseqüência da fome, da falta de moradia ou do insuficiente acesso à ajuda médica - sejam combatidos com todos os meios disponíveis”.(Peter Singer – livro: Pobre e Rico – pg.215 -247) Citação feita por Thomas Kesselring – livro: Ética, Política, e Desenvolvimento Humano – EDUCS – Editora da Universidade de Caxias do Sul – RS – Brasil)

Pensando em obrigações éticas, os países mais ricos deveriam trocar tecnologias avançadas, educação, e ciência com os países pobres, porque eles já lucraram muito com os países emergentes. Num golpe magistral nos impuseram a sociedade de consumo para arrancar ainda mais do que já levaram. Os países mais ricos do mundo deveriam se questionar sobre o porquê de tanta ânsia materialista, justamente com os países mais pobres.

Se as metas sociais fossem elaboradas com o objetivo de construir o desenvolvimento justo, sem os roubos escabrosos praticados (Consenso de Washington ), sem sacrificar nenhum país, o planeta não seria tão pobre. A pobreza no mundo mostra países com personalidades avarentas, que não conseguem aceitar uma sociedade de todos para todos, que é o ideal das culturas sábias, que acreditam na união de todos com todos. É possível planificar formas melhoradas de acordos, de  cooperação mais justa entre países pobres e países ricos.

Aqui em nosso, país a universalização da Bolsa Escola Federal foi realizada em 2001 pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Chegou a beneficiar mais de 5 milhões de famílias em todo o Brasil, quando em 2003 foi incorporada ao Programa Bolsa Família. O projeto Bolsa-Escola do Distrito Federal foi premiado no Brasil e no Exterior. O Programa Bolsa Família é um programa do Governo Lula (2003) de transferência de renda para integrar e unificar ao Fome Zero. Os programas implantados no governo FHC foram idealizados pela então primeira dama D.Ruth Cardoso: o Bolsa Escola, o Auxílio Gás e o Cartão Alimentação. Este programa consistiu na ajuda financeira às famílias pobres, definidos pela renda per capita de R$ 70,00 até R$ 140,00 a extremamente pobres com renda per capita até R$ 70,00. A exigência é que as famílias beneficiárias mantivessem seus filhos ou dependentes com freqüência na escola e vacinados.

O Brasil sem Miséria criado por Dilma Roussef foi lançado em junho de 2011, e tem como objetivo retirar da situação de pobreza 16,2 milhões de pessoas, que vivem com menos de R$ 70 por mês. Amplia o programa anterior de combate à pobreza do governo Lula, conhecido por Bolsa Família. O Brasil sem Miséria pretende promover a inclusão social e produtiva da população extremamente pobre, tendo por meta reduzir drasticamente seus números.

O Programa Bolsa Família é considerado um dos principais programas de combate à pobreza do mundo, tendo sido considerado como “um projeto originado no Brasil e que está ganhando adeptos mundo afora” (pela britânica The Economist), que conta que os governos de todo o mundo estão observando de perto o programa. O jornal francês Le Monde avalia: “O programa Bolsa Família amplia, sobretudo, o acesso à educação, a qual representa a melhor arma, no Brasil ou em qualquer lugar no planeta contra a pobreza. O
Programa Bolsa Família tem sido recomendado pela Organização das Nações Unidas para adoção em outros países em desenvolvimento”. A Ministra Tereza Campelo afirmou que a pesquisa do IBGE vai ajudar a direcionar as ações do “Brasil sem Miséria”. Segundo ela, o governo será capaz de erradicar quase por completo a extrema pobreza em quatro anos. Nós brasileiros estamos depositando esperanças profundas nestes planos sociais, e segundo Peter Singer estamos investindo com todos os meios possíveis para eliminar a miséria extrema no Brasil. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

MISTERIOSAMENTE JUNTOS


Regina Diniz

Atravesso um tempo de extrema restrição de perspectivas.
É heróico atender as exigências imediatas da sobrevivência...
É preciso força para recomeçar em todos os dias da vida...
E cada dia que passa exige mais entusiasmo de mim mesma...

Indigno-me com a destrutividade dos meus tempos...
Recuso-me a ser abatida mesmo em situação extrema...

Procuro não baixar os olhos para a história, mas levantá-los,
Enxergo além dos relacionamentos face a face...
Decidi dar espaço afetivo às pessoas...
E construo a minha história individual com elas...

A minha renovação se faz imperiosa...
Aproximo-me das pessoas só para ajudar...

Agita-se dentro do meu coração a bandeira da superação...
Assumo a responsabilidade pela própria vida...
Confio na justeza de um plano divino maior...
Nutro a minha alma para ser o melhor possível...

Apoio-me na heroína latente dentro de mim mesma...
Reacendo diariamente a chama do entusiasmo espiritual...

Resgato os meus ideais um a um...
Não é fácil resistir à identificação decadente...
Sepultaram todos os valores construtivos...
Deixaram a cultura num estado deplorável...

Busco energias afetivas no fundo da minha psique...
Aproximo-me dos tesouros do coração...

A consciência de hoje é a da maldade radical...
Por que será que existe prazer na maldade?
É mister a intelectualidade aliar-se a espiritualidade,
Só objetivos divinos nos preservam do orgulho doentio...

Acesso a bondade em regiões desconhecidas da minha alma...
Vi que a unidade humana é a excelência da finalidade espiritual...

Em todos os séculos houve êxitos e fracassos,
Mas encontraram forças para sobreviver,
Cheios de coragem num dia
Receosos no outro, mas misteriosamente juntos...

Bebo na fonte essencial dos valores do ser...
Após milênios de trevas...
 Um dia encontraremos a luz...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS DEPENDE DA EDUCAÇÃO

 REGINA DINIZ


O contexto atual no Brasil e no mundo é marcado pela abertura política, pela abertura econômica, pelas mega-fusões entre as indústrias, pela queda das fronteiras. O mercado mundial se expande, se moderniza e se multiplica em renovações de mercados. Essas transformações exigem desenvolvimento da cultura e da educação, que devem demonstrar autonomia e liderança.

A exigência de uma educação crítica e independente deve ser a proposta renovadora. A escola aproveita as forças, que também educam como a televisão, o rádio, os jornais, as revistas etc... Inexplicavelmente, as escolas públicas brasileiras ainda não possuem computadores, que através da Internet possibilitaria um grande avanço em interações com outras nações mais adiantadas. Inexistem bibliotecas organizadas nas escolas públicas de todo o país.Obviamente, a responsabilidade é dos governantes, que deveriam ser os primeiros a se comprometer com a solução deste grave problema.

É preciso compreender, no contexto da globalização, o desempenho da revolução tecnológica e a ideologia do livre mercado (neoliberalismo). O projeto neoliberal impõe aos países periféricos a economia de mercado sem restrições. O consenso de Washington nos arrasou economicamente, sem o conhecimento profundo do neoliberalismo a exclusão social, o desemprego e o aumento da miséria apareceram sem aviso prévio... A irresponsabilidade do poder público com a educação brasileira choca o mundo inteiro... Com a educação não se brinca de “faz de conta”. Pobre profissional do Brasil de amanhã. A vida os reprovará, com certeza, o que é profundamente lastimável.

O próprio Banco Mundial tem declarado explicitamente que “as pessoas pobres precisam ser ajudadas”. O Banco Mundial têm apresentado oficialmente como preocupação nos países pobres a pobreza urbana, que será o problema mais importante e mais explosivo do século XXI do ponto de vista político”. (Banco Mundial – Política Urbana Y desarollo econômico – Caxambu – M.G. – 27/09/99).

Se as pessoas não tiverem acesso à escola a culpa é colocada na sociedade que
“não se organizou”, que não reivindicou, isentando, assim, o governo de sua responsabilidade com a educação. A proposta mais retrógrada é o planejamento do Ensino Médio dividido entre educação regular e profissionalizante, com a tendência de priorizar este último: “Mais mão de obra e menos consciência crítica é a proposta”.
“Falta de professor frustra estudantes... Diretora-adjunta do Departamento de Recursos Humanos da SEC, Virgínia Nascimento explica que o principal problema enfrentado pela secretaria é que muitos professores contratados emergencialmente – hoje são quase vinte mil – deixam o cargo antes do término do contrato, o que faz com que a reposição tenha de ser feita durante o ano. Virginia afirma ser impossível quantificar as turmas sem aula, já que o processo de reposição é cíclico, feito diariamente pelos diretores. O Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul estima falta de 7 mil professores”. (Jornal Zero Hora – sexta-feira – 30/03/2012 – Porto Alegre – R.G.S.).

A estratégia governamental continua a mesma de séculos anteriores. Apresenta a educação como alternativa de “ascensão social” e de “democratização das oportunidades”. Mas mesmo com esta conceituação retrógrada, os professores continuam reinventando a escola, no seu grande potencial de reflexão crítica da realidade, que ocorre sobre a cultura.

Não há como esconder a calamidade catastrófica em que vive a educação brasileira atualmente, pela avalanche de reformas que foi feita nos últimos 20 anos, numa perspectiva destruidora do processo ensino-aprendizagem, através da ausência total do investimento estatal. Espera-se tudo da escola, mas sem investimento algum, para que ela possa cumprir suas funções. O resultado negativo reflete o desmonte, que a escola pública vem sofrendo há décadas no país.

O perfil do aluno do Ensino Médio e Fundamental é o do adolescente ligado em tecnologias. As escolas devem oferecer equipamentos tecnológicos de ponta, que agilizem o aprendizado e motivem os alunos. São urgentes os investimentos pedagógicos nas escolas. O tempo do giz e quadro negro ficou lá atrás. “A educação é a principal ferramenta para a conquista dos sonhos de cada um e também para que o Brasil continue crescendo, distribuindo renda, para que seja um País de oportunidade para todas as pessoas. Nada é mais importante que a educação, quando se trata de distribuição de renda e de garantia de futuro”.(Dilma Rousseff – 16 de janeiro de 2012, Ás 8.26 – Desenvolvimento do País depende da educação).

O Brasil atualmente aplica somente R$ 1.7 mil anuais por estudante, e outros paises de porte econômico semelhante investem cerca de 10 mil. A esfera pública não acredita no valor da formação educativa. Em todo o país ocorre o inverso, está sendo sempre desvalorizada. Só as sociedades cultas prestigiam a educação, porque como estamos vendo, as sociedades incultas investem altas somas na construção de presídios, pois acreditam somente na punição, e não no encaminhamento do ser humano.

O curso noturno do Ensino Médio é o que mais reprova, o que mais registra evasão, porque 80% dos alunos trabalham durante o dia. Todos chegam cansados às aulas e não dispõem de tempo para aprofundar os temas de casa. O desafio maior é segurar o estudante na escola.

Não bastasse a falta total de investimentos, a escola secundária foi sobrecarregada com a expansão do número de vagas. Os alunos que cursam o 2º grau noturno devem receber merenda especial, pois todos estão cansados e mal alimentados. A rede pública do ensino municipal de Porto Alegre oferece a alimentação nos três turnos, e em cada vila pobre junto a escola faz parte um posto de saúde. Esta experiência só acontece na rede municipal de Porto Alegre. “Vontade Política é tudo.”A rede pública estadual está completamente abandonada.