Regina Diniz
Nos anos l960 – 1970 e 1980 as biografias e autobiografias atingiram o seu auge. Trata-se da literatura testemunho, cujos frutos ostentavam tom confessional, realista e documentário, porém esses relatos se apoiavam em um eu quase anônimo, que narrava, protagonizava e assinava uma história real, que se erguia mais como representante de um tipo social, que como uma individualidade fulgurantemente singular. No Brasil, tivemos “Quarto de Despejo”: diário de uma favelada, da empregada doméstica Carolina Maria de Jesus. Este livro foi traduzido para dezenas de línguas. O livro era explicitamente politizado e não intimista. (Paula Sibilia – O Show do Eu – Editora Nova Fronteira S.A. – 2008)
Há milênios, a humanidade se preocupa em enriquecer a sua apreciação sobre o sentido da vida. Nos tempos modernos a voracidade da sociedade industrial estressou os indivíduos com a sua proposta desesperante por lucros exorbitantes. Pela sedução através da miragem de ficar rico miraculosamente, determinou jornadas de trabalho pesadas, para legitimar o consumo patogênico como modo de vida. Nunca houve tempos tão escravizantes e tão pobres. Vemos indivíduos cansados, estressados, doentes, manipulados abertamente para não pensar, tornando-se presas fáceis das lavagens cerebrais globalizadas.
Toda esta confusão orquestrada pelo capitalismo selvagem, que sempre aparece de roupa nova, encantando facilmente as culturas pobres, investindo com rigorismo na desestruturação cognitiva. Ele faz tudo para ninguém ver nada, cega os povos. E toda esta remexida violenta e prolongada anulou uma perda significativa no investimento dos indivíduos em si, no refletir o mundo, no dedicar-se a interações de qualidade, na lembrança de si mesmo como pessoa em contínuo crescimento pessoal.
Os homens ficaram mais pobres em experiências comunicáveis, que deixaram de ser relatadas. Culturas muito simples (países emergentes) sem investimento algum em educação, intimidadas, silenciam em nome do nada ser e do nada ter. A bandeira de sempre é usada com êxito. A vanguarda do capitalismo selvagem é começar tudo do zero. O velho esquema da aniquilação da memória social torna possível o aprisionamento dos indivíduos.
Poderiam desenvolver um sentido de sociedade, no qual o respeito pelos demais e a cooperação mais do que a competição fossem a tônica. Poderiam desenvolver uma nova confiança em si mesmos, descobrindo a fonte de valores dentro de si mesmos, atingindo a consciência de que a vida plena é interior e independe de fontes externas. Aprendemos que estas mudanças, tão adequadas à vida numa cultura desintegradora, poderiam ter início num curto espaço de tempo se nós mesmos aprendêssemos um modo de ser apropriado a esse mundo mutante. (Carl R. Rogers – Um Jeito de Ser –E.P.U. – Editora Pedagógica e Universitária Ltda – São Paulo – l980).
Agora com a chegada da Internet, descobriu-se uma gigantesca inclinação, melhor dizendo, vocação inata em direção ao construir-se interiormente. Após milênios de um silêncio psicótico imposto, a cultura de massa encontra-se faminta por se descobrir como pessoa, interagindo com o melhor que podem fazer, mas com um fantástico e inesperado imperativo, “A realidade de ser dos pensamentos, das emoções e dos sentimentos”. Desejamos conhecer os meandros que ampliam a compreensão de nossas potencialidades.
Há séculos e séculos, a educação sempre foi privilégio de poucos. Ainda perdura esta idéia de segregação. Mas todos somos um. Todos merecem a luz do conhecimento.
Triunfou neste início de século o saber empírico, numa demonstração construtiva de ser. Queremos debater possíveis caminhos sobre o sentido da vida.
Instalou-se, um respeito crescente pelo uso da intuição, como um poderoso instrumento. Nossa capacidade, neste sentido abre amplos horizontes. Há provas científicas de que a maioria das pessoas é capaz de descobrir ou se desenvolverem por si próprios.
Aumentam as críticas impiedosas sobre a falta de competência literária nos confessionários da Internet. “Durante séculos foi organizado um severo divisor de águas entre escritores e leitores”. (Walter Benjamim em l935). Inacreditavelmente, ao longo do século XX as massas ficaram esclarecidas, e resgataram a importância da troca de idéias, a importância do debate construtivo. Inesperadamente, a Internet retratou a interação tão almejada pelas massas, e que o mundo sempre lhes negou.
Nossas vidas estão cheias de pequenas oportunidades, que muito nos alegram. Oferecendo um buquê de flores silvestres para alguém que gostamos. Fazendo uma visita de meia hora a um lar de idosos. Lendo um poema para eles. Tocando uma canção no violão. Mandando um e-mail, desejando “paz e luz”. Qualquer gesto de aproximação humana enriquece as pessoas envolvidas. Aprenderemos através da interação de qualidade afetiva a nos gratificar, gratificando os outros.
Num dia primaveril lindíssimo, caminhando com um grupo de amigos, fiquei muito feliz, e me dei conta de que fazia muito tempo, que eu não sentia o perfume das flores. Percebi-me invadida por emoção tão profunda, que só a união com outras pessoas oferece. Aprendi, então, a trocar energias de aproximação amigável. Quando somos bons para os outros, dobramos a nossa felicidade.
O que a maioria de nós deseja é ser ouvida, é conversar contando nossos planos, porque a solidão do grande centro urbano nos deixou tristes. A necessidade de sentirmos, que temos importância para outras pessoas é universal. O amor incondicional é uma exigência, que explode em nossos corações.
Nos anos l960 – 1970 e 1980 as biografias e autobiografias atingiram o seu auge. Trata-se da literatura testemunho, cujos frutos ostentavam tom confessional, realista e documentário, porém esses relatos se apoiavam em um eu quase anônimo, que narrava, protagonizava e assinava uma história real, que se erguia mais como representante de um tipo social, que como uma individualidade fulgurantemente singular. No Brasil, tivemos “Quarto de Despejo”: diário de uma favelada, da empregada doméstica Carolina Maria de Jesus. Este livro foi traduzido para dezenas de línguas. O livro era explicitamente politizado e não intimista. (Paula Sibilia – O Show do Eu – Editora Nova Fronteira S.A. – 2008)
Há milênios, a humanidade se preocupa em enriquecer a sua apreciação sobre o sentido da vida. Nos tempos modernos a voracidade da sociedade industrial estressou os indivíduos com a sua proposta desesperante por lucros exorbitantes. Pela sedução através da miragem de ficar rico miraculosamente, determinou jornadas de trabalho pesadas, para legitimar o consumo patogênico como modo de vida. Nunca houve tempos tão escravizantes e tão pobres. Vemos indivíduos cansados, estressados, doentes, manipulados abertamente para não pensar, tornando-se presas fáceis das lavagens cerebrais globalizadas.
Toda esta confusão orquestrada pelo capitalismo selvagem, que sempre aparece de roupa nova, encantando facilmente as culturas pobres, investindo com rigorismo na desestruturação cognitiva. Ele faz tudo para ninguém ver nada, cega os povos. E toda esta remexida violenta e prolongada anulou uma perda significativa no investimento dos indivíduos em si, no refletir o mundo, no dedicar-se a interações de qualidade, na lembrança de si mesmo como pessoa em contínuo crescimento pessoal.
Os homens ficaram mais pobres em experiências comunicáveis, que deixaram de ser relatadas. Culturas muito simples (países emergentes) sem investimento algum em educação, intimidadas, silenciam em nome do nada ser e do nada ter. A bandeira de sempre é usada com êxito. A vanguarda do capitalismo selvagem é começar tudo do zero. O velho esquema da aniquilação da memória social torna possível o aprisionamento dos indivíduos.
Poderiam desenvolver um sentido de sociedade, no qual o respeito pelos demais e a cooperação mais do que a competição fossem a tônica. Poderiam desenvolver uma nova confiança em si mesmos, descobrindo a fonte de valores dentro de si mesmos, atingindo a consciência de que a vida plena é interior e independe de fontes externas. Aprendemos que estas mudanças, tão adequadas à vida numa cultura desintegradora, poderiam ter início num curto espaço de tempo se nós mesmos aprendêssemos um modo de ser apropriado a esse mundo mutante. (Carl R. Rogers – Um Jeito de Ser –E.P.U. – Editora Pedagógica e Universitária Ltda – São Paulo – l980).
Agora com a chegada da Internet, descobriu-se uma gigantesca inclinação, melhor dizendo, vocação inata em direção ao construir-se interiormente. Após milênios de um silêncio psicótico imposto, a cultura de massa encontra-se faminta por se descobrir como pessoa, interagindo com o melhor que podem fazer, mas com um fantástico e inesperado imperativo, “A realidade de ser dos pensamentos, das emoções e dos sentimentos”. Desejamos conhecer os meandros que ampliam a compreensão de nossas potencialidades.
Há séculos e séculos, a educação sempre foi privilégio de poucos. Ainda perdura esta idéia de segregação. Mas todos somos um. Todos merecem a luz do conhecimento.
Triunfou neste início de século o saber empírico, numa demonstração construtiva de ser. Queremos debater possíveis caminhos sobre o sentido da vida.
Instalou-se, um respeito crescente pelo uso da intuição, como um poderoso instrumento. Nossa capacidade, neste sentido abre amplos horizontes. Há provas científicas de que a maioria das pessoas é capaz de descobrir ou se desenvolverem por si próprios.
Aumentam as críticas impiedosas sobre a falta de competência literária nos confessionários da Internet. “Durante séculos foi organizado um severo divisor de águas entre escritores e leitores”. (Walter Benjamim em l935). Inacreditavelmente, ao longo do século XX as massas ficaram esclarecidas, e resgataram a importância da troca de idéias, a importância do debate construtivo. Inesperadamente, a Internet retratou a interação tão almejada pelas massas, e que o mundo sempre lhes negou.
Nossas vidas estão cheias de pequenas oportunidades, que muito nos alegram. Oferecendo um buquê de flores silvestres para alguém que gostamos. Fazendo uma visita de meia hora a um lar de idosos. Lendo um poema para eles. Tocando uma canção no violão. Mandando um e-mail, desejando “paz e luz”. Qualquer gesto de aproximação humana enriquece as pessoas envolvidas. Aprenderemos através da interação de qualidade afetiva a nos gratificar, gratificando os outros.
Num dia primaveril lindíssimo, caminhando com um grupo de amigos, fiquei muito feliz, e me dei conta de que fazia muito tempo, que eu não sentia o perfume das flores. Percebi-me invadida por emoção tão profunda, que só a união com outras pessoas oferece. Aprendi, então, a trocar energias de aproximação amigável. Quando somos bons para os outros, dobramos a nossa felicidade.
O que a maioria de nós deseja é ser ouvida, é conversar contando nossos planos, porque a solidão do grande centro urbano nos deixou tristes. A necessidade de sentirmos, que temos importância para outras pessoas é universal. O amor incondicional é uma exigência, que explode em nossos corações.

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