REGINA DINIZ
A globalização que é considerada o maior plano de salvação na economia em nossos dias, seduziu espetacularmente todas as culturas, tornando-se o caminho para a tão procurada felicidade... É uma magia que se eleva, voando para todas as direções, divulgando a grande solução do destino financeiro do mundo. Muitas vezes, renegamos a nossa própria pátria para fazermos parte do seleto grupo dos “globais”, que fazem a teoria do jogo moderno da vida.
O professor Ricardo Petrella, da Universidade Católica de Louvain conceituou: “A globa-
lização arrasta as economias para a produção do efêmero, do volátil (por meio de uma re-
dução em massa e universal da durabilidade dos produtos e serviços) e do precário (empregos temporários, flexíveis, de meio expediente). (Une Machine Infernale” Le Monde Diplomatique – junho de l997, pg.17)- (Citação retirada do livro Globalização – As Conseqüências Humanas de Zygmunt Bauman – 2010).
Para abrir atalhos no caminho escuro da competitividade global e chegar à visibilidade da atenção pública, os sinais devem arrancar poderosos desejos, permanentes êxtases, seduzindo cegamente os seus consumidores e matando sem piedade os seus competidores. A continuidade da manipulação emocional de renovados objetos de desejo é uma fonte inesgotável, é uma caça global absurda de gigantescos lucros insaciáveis, que correm livres e soltos. Este é o crescimento econômico proposto...
Jeremy Seabrook conta a vida de Michelle em seu livro Landscapes of Poverty (Oxford, Blackwel, l985) p.59. Aos 15 seu cabelo era num dia ruivo, no outro louro, depois preto, em seguida eriçado em estilo afro, logo cortado em caminhos de rato, aí entrançado, então raspado rente ao crânio, cintilante... A cor de seus lábios era escarlate, depois púrpura, em seguida preta. O rosto ia de uma palidez de fantasma ao tom de pêssego, ficando depois bronzeado como se tivesse sido banhado em metal. Perseguida por sonhos de fuga, saiu de casa aos 16 para viver com o namorado, que tinha 26... Aos 18 voltou para a casa da mãe, com dois filhos... Sentou-se no quarto de onde fugira três anos antes, agora com as antigas fotos de astros pop já desbotadas nas paredes. Disse que se sentia como uma velha de cem anos. Experimentou tudo o que aquela vida podia oferecer. Nada mais restava...
Quantos dos nossos jovens foram empurrados, arrancados de seu país, de sua família, por uma força poderosa demais para resistir. Essa desesperadora situação é tudo menos liberdade de escolha. Jeremy Seabrook diz: “O segredo da sociedade atual está no desenvolvimento de um senso de insuficiência artificialmente criado e subjetivo, uma vez que nada mais poderia ser mais ameaçador do que as pessoas se declararem satisfeitas com o que têm. São exibidas aventuras extravagantes pelos mais favorecidos:“Os ricos se tornam objetos de adoração universal”.
O ato de prestar culto divino à criaturas por causa dos bens materiais é milenar. É incrível como este processo de identificação se repete, sem jamais evoluir!... Atualmente o maior problema de nossa civilização moderna, é que ela parou totalmente de se questionar. Impera um silêncio absurdo, extremamente tenso... O correto seria enfrentar as importantes questões humanísticas... O preço da ausência do debate é pago no duro e profundo sofrimento humano...
O 41º Fórum Econômico Mundial(WEF) começa hoje (26-01-2011) em Davos na Suíça, com foco absoluto na necessidade de estabilização da economia global, abalada por seqüelas da crise, como o endividamento dos países da Euro-zona e a guerra cambial. Davos celebra sua 41ª edição, num momento, em que a economia parece desorientada por complexos problemas decorrentes da pior crise desde o pós-guerra e das mudanças diante do surgimento de novas potências.- Temos no mundo uma situação, no qual o sistema político e as instituições estão simplesmente “desbordados”, pela complexidade que precisam enfrentar – explica o fundador e presidente do WEF, Klaus Schwab. A Suíça mobilizou 5 mil soldados para garantir a segurança em Davos, que deve receber 2,5 mil líderes mundiais, entre eles 35 chefes de Estado e governo.(Diário Catarinense – 26-01-2011).
Disseram que esta é a pior crise econômica desde o pós-guerra. Mas já desde a 1ª guerra a economia mundial foi totalmente destruída e não conseguiu mais se reerguer. Nota-se que o processo de consumo nunca foi alterado. Nenhum plano de economia sustentável foi debatido... A confirmação materialista é obsessiva apesar de revezes por milênios e milênios...
Na insegurança social impera o medo. Gatuno perto de casa, alarmes contra assalto, bairros
vigiados e patrulhados, condomínios fechados, câmeras eletrônicas de longo alcance, guardas particulares... Este é o resultado caótico da presença da cultura consumista, que privilegia a exclusão social.Todos nós desejamos e necessitamos de paz de espírito – a maior das dádivas – em nosso ambiente.
Mas com certeza, já estão surgindo mentes abertas que debatem a inclusão social, o confinamento, a rejeição e a discriminação humana. Atualmente procura-se compreender a personalidade do rejeitado, do excluído que fica violento diante do poder esmagador dos que os rejeitam e os excluem. Quando cultivamos um espírito de bondade, verdade, beleza, amor e boa vontade é Deus que está em nós e que aquilo que acreditamos como verdadeiro se torna realidade e que aquilo que desejamos aos outros estamos desejando a nós mesmos.
Mentes abertas e corações receptivos já abandonaram as velhas crenças materialistas, e viabilizam com segurança confirmações de uma vida mais espiritualizada. Podemos construir nossas vidas baseadas em confirmações espirituais. A percepção contínua da nossa mente nos mostra o poder criativo que existe em nós, para expressarmos as nossas capacidades individuais, nossos talentos e habilidades. O nosso objetivo é que renovados pensamentos, idéias, atitudes e crenças favoreçam nossas escolhas. Temos o direito de pensar e construir a nossa cultura.

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