domingo, 8 de julho de 2012

O DESAFIO DO RENASCIMENTO EDUCACIONAL


REGINA DINIZ

 “O que chamamos de “crescimento econômico” é em grande parte um desperdício. Vamos chamar de economia do desperdício e destruição. Vamos definir como crescimento aquilo que aprimora a vida como geração e regeneração, e declarar que é disso que o nosso planeta mais precisa. Essa noção de – crescimento que aprimora a vida – é o que queremos dizer com crescimento que aprimora a qualidade de vida”. (Francês Moore Sappé – ativista de mudanças sociais.)

O Desenvolvimento Qualitativo é libertador, e se alicerça nas exigências básicas como a alimentação, salubridade e ambiente saudável, segurança, educação, saúde, enfim maior qualidade de vida para toda a população. Mas para isso são prioritários planejamentos competentes em administração e distribuição dos recursos disponíveis. O grande desafio é compreender, que o desenvolvimento qualitativo significa expandir, realizar potenciais, resultando em patamar completo, maior e melhor.

O Desenvolvimento Qualitativo – educação e cultura – colocam o ser humano em importância além da economia. O desafio em propor o conhecimento, a noção de qualidade influi referências éticas às experiências humanas, que são aspectos subjetivos elevados. O desejo de inovação é um dos indicadores de qualidade de vida. Em outras palavras os seres humanos desejam intensamente o Desenvolvimento Qualitativo, aprendizado e evolução. O centro de sua genuína realização é a criatividade, é a geração de novas formas de ser. A vida continuamente tenta criar renovações.

“Brasil, abril de 2012. Que pais é este? Trata-se da sexta economia do mundo. No Índice de Desenvolvimento Humano está classificado na posição 84. No item qualidade da infra-estrutura está na posição 104. No que tange à educação, prioridade para qualquer país que pretenda impulsionar a sua nação, já que é capaz de influenciar positivamente a todos os outros aspectos de um sistema político e social, o que temos? Somos o 115 lugar, colocado na qualidade do sistema educacional. (Carolina Fuhrmeister – Diretora do Fórum da Liberdade –  2037 -  Que Brasil será o seu? –Jornal Zero Hora – 2012 – Porto Alegre).

Há meio século atrás, a população estudantil estudava em escolas públicas e recebia uma boa educação. Rapidamente, sem ninguém entender, o poder público abandonou as escolas, colocando nos ombros dos pais um sacrifício pesadíssimo, ter que pagar pela educação de melhor nível para os filhos em escolas particulares. Sem mínimos investimentos, as escolas públicas perderam o interesse dos alunos, e milhares de jovens frustrados desistiram de estudar.

Contudo, o povo sempre acreditou na educação, sempre teve grandes esperanças pelo resgate cultural, apesar do descaso dos governantes, que admitiram como normal a Devastação Cultural em nosso país. A economia precisa de humanização. Os processos econômicos precisam compreender, e valorizar a qualidade de educação proposta na prática, porque uma pessoa culta enobrece a sua sociedade.

Não entendo porque a saúde física e mental do brasileiro e sua educação de qualidade não são prioridades dos governos, sem as quais não haverá uma sociedade mais justa em termos sociais e econômicos. Pergunto: interessa aos demagogos, populistas e às próprias religiões uma sociedade que não tenha os desníveis hoje existentes, que condenam à exclusão social uma grande parcela da sociedade brasileira? (Paulo Vellinho – Opção pela mediocridade – Zero Hora – 17-06-2012 – Porto Alegre – R.G.S.)

A ausência do investimento na área da educação, esta situação de descaso precisa ser detalhadamente questionada, e cobrada dos poderes públicos. A Constituição Brasileira determina que a União aplique no mínimo 18% de arrecadação de impostos na educação, não é necessário ser um especialista na área para ver, que a realidade está bem longe desse percentual estipulado. “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. (Martin Luther King”.)

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declaram o valor investido em cada estudante do ensino básico no nosso País, é menor cerca de 70% em relação ao mesmo em países desenvolvidos. O Brasil está lamentavelmente atrás de países como a Bolívia e Equador. O relatório da Unesco sobre a Educação mostra também que os índices de repetência e abandono da escola no Brasil aparecem entre os mais altos dos países na América Latina, em sentido contrário do desenvolvimento econômico que tem crescido ano a ano.

“Por falta de outra palavra – cultura - designa, aqui  o bem colhido por quem busca prazer e elevação de espírito no conhecimento e na arte; Quando me refiro às vertentes do conhecimento estou falando, principalmente de filosofia, política, direito, história e religião. Embora os indivíduos recolham da cultura expressivos benefícios pessoais, mesmo quando individualmente construída, ela é socialmente proveitosa. Tanto os que a produzem quanto os que a buscam são essenciais ao progresso das civilizações”. (Percival Puggina – Renascimento Cultural – Jornal Zero Hora – Porto Alegre – 17-06-2012).

A ausência no investimento de uma boa educação tem propiciado comportamentos desesperadores por parte dos cidadãos, o que é compreensível. Grande número de brasileiros não agüenta mais ficar calado diante das inúmeras explorações do dia a dia. A falta de diálogo para se estabelecer o que é justo e correto, faz o cidadão prejudicado se cansar de ser omisso. Nota-se a depressão dos pais por seus filhos não receberem uma educação de qualidade.

A educação brasileira necessita urgentemente de defensores e debatedores para a sua melhoria em todos os níveis de escolarização. Precisamos da presença atuante da Mídia, exercendo um papel sério e moderno em prol da qualidade do ensino. A mobilização social é necessária para ajudar a educação se tornar realmente uma prioridade nacional. Precisamos construir urgentemente um ideal permanente de ação. Investir nas crianças, nos jovens, e em todos que acalentam o sonho de estudar é o grande projeto para construir um presente e futuro melhor. 

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