REGINA DINIZ
“Moisés desceu as montanhas. Debaixo do braço trazia as leis gravadas em granito que lhes foram ditadas “por Deus”. Moisés era apenas um mensageiro, o povo - populus – era o destinatário... Aqui nasceu a ”justiça piramidal”. Agora o outro quadro: mulheres reunidas na fonte, em volta do poço ou em algum lugar de reunião ao longo do rio... Buscar água, lavar as roupas, trocar informações e opiniões. O ponto de partida para a conversa serão sempre atos e situações concretas. São descritos, comparados e avaliados, belos ou feios, fortes ou fracos. É por esse processo que são criadas as normas. É um caso clássico de “justiça igualitária”. (Nils Christie, - Civilityy and State – manuscrito inédito) – Citação de Zygmunt Bauman – livro: Globalização – as Conseqüências Humanas – Editora Zahar – 1998 ).
Desde quando Moisés desceu as montanhas com as leis gravadas em granito, implantou a justiça piramidal, que foi decretada por milênios e milênios e nunca foi sequer questionada ou avaliada... A justiça piramidal encontra-se mais forte do que nunca, mais atual do que nunca. O erro social de nossa civilização é a dominação social psicótica de grupos, que por motivos de insegurança e desequilíbrio emocional, que por motivos de sadismo incurável desejam serem melhores que todos...
É inexplicável que a justiça horizontal não tivesse sido discutida socialmente até os dias de hoje. Fomos isolados uns dos outros. Há urgência de lugares acolhedores para bate-papos com a finalidade de rever padrões sociais ultrapassados, para renovar padrões culturais. É preciso conversar, pensar, ouvir, analisar, renovar algumas possibilidades de crescimento pessoal, discutir alguma coisa além de adorar objetos em exposição.
“Edward Wilson da Universidade de Harvard, considerado o criador da sociobiologia e um dos mais respeitados acadêmicos da atualidade afirma, que o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até países que agem pensando em benefícios dos outros e de forma coletiva alcançam mais sucesso”. (Edward Wilson – livro: A Conquista Social da Terra – W.W.Norton & Company – 2012 ).
Charles Darwin desenvolveu a teoria da seleção natural na metade do século XIX, dizia ter encontrado a solução da evolução da vida no planeta. A competição constante embora silenciosa entre os indivíduos preservava as melhores linhagens, afirmava o naturalista britânico. O filósofo Herbert Spencer, no início do século XX, afirmou que sobreviveriam só os mais fortes.
O comportamento altruísta é a chave da teoria de Edward Wilson em seu livro, que arrebatou importantes publicações internacionais, como “The New York Times”, e também as prestigiadas revistas científicas como “Nature” e “Scientific American”. A Conquista Social da Terra surgiu para debater e repensar a importância da cooperação entre os indivíduos”. “Nos seres humanos existem três aspectos importantes para explicar a evolução: o corpo físico, os pensamentos e a psique. Darwin foca o seu trabalho na evolução do corpo, por isso a explicação fica incompleta, afirma Robert Cloninger”.
“Universitários de cinco continentes estão mais preocupados com seu progresso pessoal do que em contribuir com a vida em sociedade, apontam os resultados iniciais de pesquisas sobre o perfil de estudantes de instituições de Ensino Superior Católicas divulgadas ontem (27-07-2012), durante encontro da Federação Internacional de Universidades Católicas (FINC). Foram entrevistados 17 mil jovens com idades entre 16 e 30 anos de 34 países. Dentre as principais razões apontadas pelos pesquisados para ingressar na universidade, 91% escolheram a necessidade de conquistar trabalho. Os outros itens mais citados foram: - gosto pelo estudo (43%) e vontade de obter uma melhor posição social (25%). Apenas 18 % citaram a necessidade de ser útil à sociedade. Envolver-se em projeto social (5%)”.(Artigo: Foco Universitário – Preocupação Maior é com o próprio sucesso – Zero Hora – Porto Alegre – RS).
As transformações sociais pelas quais passamos nas últimas décadas desencadearam profundas mudanças nas relações pessoais, nas relações sociais e nas relações de trabalho. O conceito de competência humana evoluiu muito, e atualmente não basta provar o conhecimento técnico exigido pela profissão, é preciso mostrar autonomia criativa para solucionar problemas. É importante a disposição de interagir construtivamente no grupo, oferecendo ótimas decisões e dividindo responsabilidades com as outras pessoas.
É imprescindível a qualificação humanizada no conjunto das capacidades técnicas que se entrelaçam na capacidade de organizar, coordenar, inovar, motivar e cooperar, fortalecendo o grupo de indivíduos. Essas competências humanas tornaram-se indispensáveis para as pessoas alcançarem êxito não só no trabalho, mas na vida pessoal, social e cultural. Acreditamos que as palavras mais apropriadas seriam as de que são processos positivos, construtivos, realistas e dignos de confiabilidade, portanto muito bem vindos.
“Com a sua abertura sensível ao mundo, a confiança na sua própria capacidade para formar novas relações com o seu ambiente, devia ser o tipo de pessoa de quem provêm as produções e vivências criativas. Não devia estar necessariamente “adaptada” à sua cultura com toda a certeza, não devia ser um conformista. Mas, em qualquer época e em qualquer cultura, viveria de uma maneira construtiva, numa grande harmonia com o seu meio cultural para conseguir uma satisfação equilibrada das suas necessidades. Em determinadas situações culturais, poderia em alguns aspectos ser uma pessoa muito infeliz, mas continuaria a progredir para ser ela própria e para se comportar de tal forma que satisfizesse de um modo tão completo quanto possível as suas necessidades mais profundas”.( Carl R.Rogers – livro: Tornar-se Pessoa – Livraria Martins Fontes – Ed.Ltda – novembro de 1985).
A capacidade técnica, pessoal, social e participativa são competências inerentes a todos os seres humanos, que exigem habilidades de como saber se comunicar, de negociar no grupo, de apresentar as próprias idéias, de debater, de saber ouvir, de valorizar a opinião das pessoas e de perceber como a variedade de interpretações sobre um mesmo problema enriquece uma discussão e as próprias pessoas participantes do grupo. É imperioso acreditar, que modernamente não há mais espaço para individualismos em qualquer situação. Atualmente toda atividade é compreendida como resultado de um esforço conjunto, todas as vitórias e todas as derrotas são de responsabilidade de todos os membros da equipe e não de uma única pessoa. Quando todas cooperam, as propostas ganham em produtividade e qualidade.

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