quinta-feira, 18 de abril de 2013

NOVOS CAMINHOS DE PERCEBER E PENSAR


REGINA DINIZ


“Nosso Produto Nacional bruto considera em seus cálculos a poluição do ar, a publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em nossas rodovias. Ele registra os custos dos sistemas de segurança que instalamos para proteger nossos lares e as prisões em que trancafiamos os que conseguem burlá-los. Ele leva em conta a destruição  de nossas florestas de sequóias e sua substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Ele inclui a produção de napalm, armas nucleares e dos veículos armados usados pela polícia para reprimir a desordem urbana. Ele registra programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos para as crianças”.(Autor: Jean Claude Michéa  - Livro: L’Empire du moindre  mal. Essai sur la civilization liberale, Castelnau-le – Lez, Climats, 2007, p.117).

“As melhorias nos padrões de vida em nações como os Estados Unidos e Grã-Bretanha não estão associadas a um aumento – e sim a um significativo declínio – do bem-estar subjetivo”. (Michel Rustin – What is rong with happiness?( – Soundings – verão 2007 p. 67 – 84). As sociedades com a nossa
movidas por milhares de homens e mulheres  buscam a felicidade,  sonhando com fortunas inalcançáveis, apostando numa vida feliz com dinheiro a disposição, bens e riquezas. Mesmo com o aumento das rendas dos americanos do pós-guerra, eles declararam que a felicidade tinha diminuído. Junto com o aumento da riqueza e mesmo que aumentasse o bem-estar subjetivo – subiu assombrosamente a taxa de criminalidade: roubos a residências e de automóveis, tráfico de drogas, suborno e corrupção no mundo dos negócios. Instalou-se uma desconfortável sensação de incerteza e muito medo difícil de se conviver permanentemente. A busca da felicidade em nossos tempos nos deixaram nervosos, repletos de riscos diários provocando depressão psicológica.

A contemporaneidade está muito confusa, achou que a felicidade seriam só  bens materiais. A felicidade humana não tem preço de mercado e não pode ser comprada em lojas. Não podemos adquirir num shopping o amor e a amizade. A felicidade está na satisfação profunda de cuidar de nossos familiares, de ajudar uma pessoa em dificuldades. A auto-estima nasce do trabalho bem feito comum a todos nós, o reconhecimento, a simpatia e o respeito dos colegas e dos amigos e de todas as pessoas, que nos aproximamos. Estes são bens não negociáveis.

   Laura Potter embarcou numa habilidosa exploração de todos os tipos de sala de espera na expectativa de que viesse a encontrar ali pessoas impacientes, descontentes, agitadas, xingando cada segundo perdido, explodindo diante da necessidade de esperar pelo “assunto urgente” qualquer que fosse, que os levara para lá. Com nosso “culto à satisfação instantânea” ponderava ela, muitos de nós teríamos perdido a capacidade de esperar”. Vivemos numa era em que esperar se transformou num palavrão. Gradualmente erradicamos (tanto quanto possível) a capacidade de esperar por qualquer coisa, e o adjetivo do momento é “instantâneo”.  Não podemos mais gastar meros 12 minutos, fervendo uma panela de arroz, de modo que foi criada uma versão de dois minutos para microondas. Não podemos ficar esperando que a pessoa certa chegue de modo que aceleramos o encontro... Em nossas vidas pressionadas pelo tempo, parece que o cidadão do século XXI não tem mais tempo para esperar coisa alguma.

Precisamos relembrar da arte da paciência, da calma, que nos faz tanto bem, ou seja vivenciamos o relax. A nossa vida foi manipulada para que corrêssemos, sem parar, para procurar e comprar coisas e mais coisas. Não restam dúvidas os nossos tempos nos escravizaram sem que notássemos, nos tornamos em servos da Cultura Consumista. Esquecemos de investir em nossas próprias capacidades, precisamos resgatar o nosso instinto de artífice, de descobrir de dentro de nós mesmos a criatividade construtiva, condição vital para a auto-estima que vem unida a felicidade oferecida pelo respeito por nós mesmos.

Conversar com o outro, mostrar interesse pessoal, demonstrar consideração e carinho fortalece a felicidade agregada dos bens afetivos. Reunir-se em torno de uma mesa, expondo os nossos planos, os nossos pensamentos, esperanças e apreensões mais íntimas obtemos a atenção e o compromisso afetivo humano. Pode-se dizer que a profundidade da felicidade pode ser a atenção, cuidados e consideração empática. Os bens capazes de tornar a vida mais feliz começam a se aproximar do valor afetivo genuíno do relacionamento humano, que o dinheiro não pode comprar. 

“Para começar, é como se, aparentemente, existisse um único valor básico para a humanidade, um objetivo que todos os homens se esforçam por alcançar. A esse valor são dados vários nomes, por diferentes autores – individuação, auto-realização, integração, saúde psicológica, autonomia, criatividade, produtividade – mas todos eles concordam em que isso equivale à realização de potencialidades da pessoa, quer dizer, à sua plenitude humana, tudo aquilo que ela pode vir a ser. É verdade que os seres humanos lutam perpetuamente pela sua plenitude humana, a qual pode ser, de qualquer modo, uma diferente espécie de Devir e de desenvolvimento. É como se estivéssemos para sempre condenados a tentar chegar a um estado que nunca poderemos atingir. Felizmente, sabemos agora que isso não é verdade ou, pelo menos, não é a única verdade. Somos repetidamente recompensados por um bom devir, mediante estados transitórios  de Ser absoluto, de experiências culminantes. A realização de gratificações de necessidades básicas, propicia-nos muitas experiências culminantes, cada uma das quais é um prazer absoluto, perfeito em si mesmo e necessitando apenas de si mesmo para validar a vida”.(Autor: Abraham H. Maslow – Livro: Introdução à Psicologia do Ser – Livraria  Eldorado Tijuca Ltda.- Rio de Janeiro).

As nossas aptidões nos impelem na direção de um conceito de crescimento saudável ou de tendências para a individuação. Está presente no ser humano a tendência para o crescimento numa direção, que pode ser resumida de modo que, com saúde psicológica e também, como crescimento no sentido de todos e cada um dos aspectos da individuação: isso significa que o ser humano possui dentro de si uma pressão que se faz sentir no sentido da unidade da personalidade, da expressividade espontânea, da plena individualidade e identidade, da visão da verdade e não da cegueira, no sentido de ser criativo, do ser bom e de muitas mais qualidades positivas.

A destinação do ser humano é grandiosa, porque pressiona no sentido de uma plenitude cada vez maior, e isto significa pressão no sentido  de que a maioria das pessoas chamam bons valores, serenidade, gentileza, coragem, honestidade, amor, altruísmo e bondade. Há confirmações da individuação de um bom desenvolvimento nesse sentido. Falamos nos sentimentos de gosto pela vida, de felicidade ou euforia, de serenidade, júbilo, calma, responsabilidade, confiança na própria capacidade para dominar as tensões, ansiedades e problemas.  

Ter sempre esperanças de modificar tudo para melhor é uma condição essencial de ser humano, e trazer de dentro de si toda a sua humanidade. Por milênios e milênios e milênios as pessoas sempre desejaram uma vida mais feliz. O homem é bom ou mau, afetuoso ou destruidor, ele pode ser tudo isso, bem como pode ser musical, como também sensível a pintura. Todas essas e centenas de outras qualidades são várias possibilidades de ser humano, que estão dentro de cada um de nós. Segundo Terêncio: - Sou um ser humano e nada humano me é estranho.

Todos os indivíduos têm consciência da existência do laço harmonioso e unificador da fraternidade, no qual a solidariedade e os laços humanos que sempre deram certo por ele usufruir da liberdade emocional e intelectual. Gostamos de ser parte do todo e de sermos independentes. Todo ser humano sente uma necessidade humana de criar laços de solidariedade juntamente com a individualidade e a independência irrestritos. Hasan Ozbekhan disse: - O homem e não a técnica, o homem e não a padronização da cultura consumista, deve ser a fonte básica de valores: o desenvolvimento ótimo e não a produção máxima deve ser o critério para todo planejamento social.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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