REGINA DINIZ
“Nosso
Produto Nacional bruto considera em seus cálculos a poluição do ar, a
publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em
nossas rodovias. Ele registra os custos dos sistemas de segurança que
instalamos para proteger nossos lares e as prisões em que trancafiamos os que
conseguem burlá-los. Ele leva em conta a destruição de nossas florestas de sequóias e sua
substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Ele inclui a produção
de napalm, armas nucleares e dos veículos armados usados pela polícia para
reprimir a desordem urbana. Ele registra programas de televisão que glorificam
a violência para vender brinquedos para as crianças”.(Autor: Jean Claude Michéa - Livro: L’Empire du moindre mal. Essai sur
la civilization liberale, Castelnau-le – Lez, Climats, 2007, p.117).
“As
melhorias nos padrões de vida em nações como os Estados Unidos e Grã-Bretanha
não estão associadas a um aumento – e sim a um significativo declínio – do
bem-estar subjetivo”. (Michel Rustin – What is rong with happiness?( –
Soundings – verão 2007 p. 67 – 84). As
sociedades com a nossa
movidas
por milhares de homens e mulheres buscam
a felicidade, sonhando com fortunas
inalcançáveis, apostando numa vida feliz com dinheiro a disposição, bens e
riquezas. Mesmo com o aumento das rendas dos americanos do pós-guerra, eles
declararam que a felicidade tinha diminuído. Junto com o aumento da riqueza e
mesmo que aumentasse o bem-estar subjetivo – subiu assombrosamente a taxa de
criminalidade: roubos a residências e de automóveis, tráfico de drogas, suborno
e corrupção no mundo dos negócios. Instalou-se uma desconfortável sensação de
incerteza e muito medo difícil de se conviver permanentemente. A busca da
felicidade em nossos tempos nos deixaram nervosos, repletos de riscos diários
provocando depressão psicológica.
A
contemporaneidade está muito confusa, achou que a felicidade seriam só bens materiais. A felicidade humana não tem
preço de mercado e não pode ser comprada em lojas. Não podemos adquirir num
shopping o amor e a amizade. A felicidade está na satisfação profunda de cuidar
de nossos familiares, de ajudar uma pessoa em dificuldades. A auto-estima nasce
do trabalho bem feito comum a todos nós, o reconhecimento, a simpatia e o
respeito dos colegas e dos amigos e de todas as pessoas, que nos aproximamos.
Estes são bens não negociáveis.
Laura Potter embarcou numa habilidosa
exploração de todos os tipos de sala de espera na expectativa de que viesse a
encontrar ali pessoas impacientes, descontentes, agitadas, xingando cada
segundo perdido, explodindo diante da necessidade de esperar pelo “assunto
urgente” qualquer que fosse, que os levara para lá. Com nosso “culto à
satisfação instantânea” ponderava ela, muitos de nós teríamos perdido a
capacidade de esperar”. Vivemos numa era em que esperar se transformou num
palavrão. Gradualmente erradicamos (tanto quanto possível) a capacidade de
esperar por qualquer coisa, e o adjetivo do momento é “instantâneo”. Não podemos mais gastar meros 12 minutos,
fervendo uma panela de arroz, de modo que foi criada uma versão de dois minutos
para microondas. Não podemos ficar esperando que a pessoa certa chegue de modo
que aceleramos o encontro... Em nossas vidas pressionadas pelo tempo, parece
que o cidadão do século XXI não tem mais tempo para esperar coisa alguma.
Precisamos
relembrar da arte da paciência, da calma, que nos faz tanto bem, ou seja
vivenciamos o relax. A nossa vida foi manipulada para que corrêssemos, sem
parar, para procurar e comprar coisas e mais coisas. Não restam dúvidas os
nossos tempos nos escravizaram sem que notássemos, nos tornamos em servos da
Cultura Consumista. Esquecemos de investir em nossas próprias capacidades,
precisamos resgatar o nosso instinto de artífice, de descobrir de dentro de nós
mesmos a criatividade construtiva, condição vital para a auto-estima que vem
unida a felicidade oferecida pelo respeito por nós mesmos.
Conversar
com o outro, mostrar interesse pessoal, demonstrar consideração e carinho
fortalece a felicidade agregada dos bens afetivos. Reunir-se em torno de uma
mesa, expondo os nossos planos, os nossos pensamentos, esperanças e apreensões
mais íntimas obtemos a atenção e o compromisso afetivo humano. Pode-se dizer que
a profundidade da felicidade pode ser a atenção, cuidados e consideração
empática. Os bens capazes de tornar a vida mais feliz começam a se aproximar do
valor afetivo genuíno do relacionamento humano, que o dinheiro não pode
comprar.
“Para
começar, é como se, aparentemente, existisse um único valor básico para a
humanidade, um objetivo que todos os homens se esforçam por alcançar. A esse
valor são dados vários nomes, por diferentes autores – individuação,
auto-realização, integração, saúde psicológica, autonomia, criatividade,
produtividade – mas todos eles concordam em que isso equivale à realização de
potencialidades da pessoa, quer dizer, à sua plenitude humana, tudo aquilo que
ela pode vir a ser. É verdade que os seres humanos lutam perpetuamente pela sua
plenitude humana, a qual pode ser, de qualquer modo, uma diferente espécie de
Devir e de desenvolvimento. É como se estivéssemos para sempre condenados a
tentar chegar a um estado que nunca poderemos atingir. Felizmente, sabemos
agora que isso não é verdade ou, pelo menos, não é a única verdade. Somos
repetidamente recompensados por um bom devir, mediante estados
transitórios de Ser absoluto, de
experiências culminantes. A realização de gratificações de necessidades
básicas, propicia-nos muitas experiências culminantes, cada uma das quais é um
prazer absoluto, perfeito em si mesmo e necessitando apenas de si mesmo para
validar a vida”.(Autor: Abraham H. Maslow – Livro: Introdução à Psicologia do
Ser – Livraria Eldorado Tijuca Ltda.-
Rio de Janeiro).
As
nossas aptidões nos impelem na direção de um conceito de crescimento saudável
ou de tendências para a individuação. Está presente no ser humano a tendência
para o crescimento numa direção, que pode ser resumida de modo que, com saúde
psicológica e também, como crescimento no sentido de todos e cada um dos
aspectos da individuação: isso significa que o ser humano possui dentro de si
uma pressão que se faz sentir no sentido da unidade da personalidade, da
expressividade espontânea, da plena individualidade e identidade, da visão da
verdade e não da cegueira, no sentido de ser criativo, do ser bom e de muitas
mais qualidades positivas.
A
destinação do ser humano é grandiosa, porque pressiona no sentido de uma
plenitude cada vez maior, e isto significa pressão no sentido de que a maioria das pessoas chamam bons
valores, serenidade, gentileza, coragem, honestidade, amor, altruísmo e
bondade. Há confirmações da individuação de um bom desenvolvimento nesse
sentido. Falamos nos sentimentos de gosto pela vida, de felicidade ou euforia,
de serenidade, júbilo, calma, responsabilidade, confiança na própria capacidade
para dominar as tensões, ansiedades e problemas.
Ter
sempre esperanças de modificar tudo para melhor é uma condição essencial de ser
humano, e trazer de dentro de si toda a sua humanidade. Por milênios e milênios
e milênios as pessoas sempre desejaram uma vida mais feliz. O homem é bom ou
mau, afetuoso ou destruidor, ele pode ser tudo isso, bem como pode ser musical,
como também sensível a pintura. Todas essas e centenas de outras qualidades são
várias possibilidades de ser humano, que estão dentro de cada um de nós.
Segundo Terêncio: - Sou um ser humano e nada humano me é estranho.
Todos
os indivíduos têm consciência da existência do laço harmonioso e unificador da
fraternidade, no qual a solidariedade e os laços humanos que sempre deram certo
por ele usufruir da liberdade emocional e intelectual. Gostamos de ser parte do
todo e de sermos independentes. Todo ser humano sente uma necessidade humana de
criar laços de solidariedade juntamente com a individualidade e a independência
irrestritos. Hasan Ozbekhan disse: - O homem e não a técnica, o homem e não a
padronização da cultura consumista, deve ser a fonte básica de valores: o
desenvolvimento ótimo e não a produção máxima deve ser o critério para todo
planejamento social.

Nenhum comentário:
Postar um comentário