sábado, 3 de janeiro de 2015

A TENDÊNCIA À PLENITUDE E A AUTO-REALIZAÇÃO

REGINA  DINIZ

“Somos seres humanos assustados. O mundo nunca viu gente tão acuada como nós. Não envelhecemos, apodrecemos. A maturidade está fora de moda. O espelho é nosso algoz. Os mais jovens, em pânico,  fingindo que não sofrem, diante de pais e mães ridículos  em seus modos e rostos falsamente juvenis. Com a morte do amadurecimento morre o narrador, como diria o filósofo alemão Walter Beijamin. Ninguém mais assume a responsabilidade de falar do significado da vida. Todos querem fingir que tudo pode ser uma balada. “Eu me invento” eis o mandamento máximo do ressentido. De negação absoluta”.  (Autor: Luiz Felipe Pondé – Livro: A Era do Ressentimento – Texto Editores Ltda)

Deus é uma ideia interessantíssima de existir um ser  que criou não só o planeta terra, mas o universo inteiro. Reafirmamos a superioridade criativa de Deus, quando percebemos comportamentos humanos absolutamente generosos, e temos a impressão que são verdadeiros milagres. Sempre acreditamos na abertura para possibilidades novas e nos sentimos em contato mais íntimo com todas elas. As descobertas que nos parecem mais importantes  dizem respeito ao espaço interno, ao reino dos poderes psicológicos e das habilidades psíquicas da pessoa humana. Entendemos que esta área constitui a nova fronteira do conhecimento.

A noite é o paraíso maldito dos “livres”, como diria o sociólogo Zygmunt Bauman. Sempre existiram razões para a solidão de valor, mas esta é rara, e exige certa personalidade sofisticada e singular, não é a solidão da vida contemporânea. A solidão da vida contemporânea aparece por trás das alegrias montadas para as fotos, também irrelevantes. A solidão ataca como um enxame de abelhas. Procuro fazer amigos próximos, homens e mulheres, posso compartilhar qualquer aspecto de meu eu, os sentimentos, os sentimentos de dor, de alegria, de insegurança, de medo, de sentimentos loucos, egoístas, autodepreciativos. Posso compartilhar sonhos e fantasias. Do mesmo modo, meus amigos compartilham profundamente comigo os seus próprios sentimentos. Considero essas experiências muito enriquecedoras.

A beleza física é uma obsessão contemporânea. Fala-se muito pouco da beleza interior. Virou coisa muito antiga, apresentar-se como pessoa ética, uma forma milenar de beleza interior. A beleza interior
como o talento fere a contemporaneidade, pois revela o vazio interior. Está comprovado que as pessoas mais inteligentes são as que comprovaram através de estudos, que o desenvolvimento da personalidade é que nos leva ao sucesso pessoal e social.

Os indivíduos possuem dentro de si vastos recursos para a auto compreensão, que é para a modificação de seus autoconceitos, que é para a renovação de suas atitudes e de seu comportamento autônomo. É importante a compreensão empática, é imprescindível a liberdade para aprender. O núcleo de toda a motivação é a tendência do organismo à auto-realização. Sempre estamos em busca de algo, sempre iniciando algo, sempre prontos para alguma coisa. A maneira mais simples de conceituá-la é como uma tendência
à plenitude, à auto-realização, que abrange não só a manutenção, mas também o crescimento cognitivo.

Faz sentido admitir que o núcleo de toda a motivação se expressa através de uma série ampla de comportamentos, é como resposta a uma grande variedade de necessidades. Sentimos a urgência de explorar e de produzir mudanças no ambiente, todos esses e muitos outros comportamentos são expressões dessa tendência criativa. Com certeza existe uma fonte central de energia em nosso organismo humano.

Somos dotados pela tendência à plenitude que influi decisivamente em nosso crescimento pessoal. Admitimos que as bases dos valores   encontram-se mais dentro das pessoas do que fora no mundo material. A vida interior em um nível de consciência mais elevado, um reconhecimento de que no interior de cada pessoa existem significativos recursos para a criação da vida plena. O impulso de participação de que todas as pessoas desfrutam é outra possibilidade de sobrevivência. Atualmente, os indivíduos exigem cada vez mais a participação nas decisões, que afetam as suas vidas nos planos governamentais, e no funcionamento das organizações estatais e industriais.

Conheço indivíduos, que desistiram da competição, por altos salários, para viverem uma vida mais simples. Encontro pessoas de todas as idades, usando jeans que desafiam a maior parte dos valores da cultura atual, vivendo de maneira mais simples. Homens e mulheres lutam contra as limitações, que a sociedade impõe à sua individualidade e superando-as. Escolheram um tipo de vida mais livre, mais rico e mais autodirigido.

Atualmente, a maioria das pessoas consideram estranha, ou perigosa, a noção de que a política deve cultivar virtudes. Quem pode definir a virtude? E se as pessoas não chegarem a um consenso? Se a lei procura promover determinados ideais morais e religiosos, isso não estará abrindo caminho para a intolerância e para a coerção? Quando pensamos em Estados que tentam promover a virtude, se não pensarmos primeiramente na pólis de Atenas: pensamos no fundamentalismo religioso, passado e presente, em apedrejamento por adultério, no uso obrigatório de burcas, e assim por diante. Para Kant e Rawls, as teorias de justiça que se baseiam em uma determinada concepção de vida boa, sejam elas religiosas ou seculares, entram em conflito com a liberdade.

A Crise Ética é um tema globalizado e no Brasil retrata uma situação de desonestidade. Imortalizada em verso e prosas, a figura do malandro ajudou a solidificar o imaginário nacional, na concepção de que inteligente é quem desconsidera as leis, enquanto o brasileiro correto eticamente é chamado de pessoa ignorante. Em situação de carro irregular numa blitz por exemplo, ele propõe uma gorjeta alta e interpreta como uma situação social normal.

O imaginário brasileiro foi invadido pela paranoia de tirar vantagem em tudo e acreditar seriamente na impunidade, marcado pela corrupção e que chegou fácil nas estruturas do poder. O problema histórico maior é que em todas as camadas solidificou-se a confusão
de que os bens públicos também podem ser pessoais. A falta de Ética

nas relações da cultura brasileira vem desde o período colonial, no qual um forte autoritarismo foi se consolidando. Esse autoritarismo, característico do nosso povo, pode ser observado em práticas como a do coronelismo ou a venda de votos, por exemplo. O estudo da Ética deve constar nos currículos escolares, para que o nosso país melhore, e que a nossa juventude acredite, que vale apena ser uma pessoa idônea.    

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