REGINA DINIZ
“Somos seres humanos assustados.
O mundo nunca viu gente tão acuada como nós. Não envelhecemos, apodrecemos. A
maturidade está fora de moda. O espelho é nosso algoz. Os mais jovens, em pânico, fingindo que não sofrem, diante de pais e
mães ridículos em seus modos e rostos
falsamente juvenis. Com a morte do amadurecimento morre o narrador, como diria
o filósofo alemão Walter Beijamin. Ninguém mais assume a responsabilidade de
falar do significado da vida. Todos querem fingir que tudo pode ser uma balada.
“Eu me invento” eis o mandamento máximo do ressentido. De negação
absoluta”. (Autor: Luiz Felipe Pondé –
Livro: A Era do Ressentimento – Texto Editores Ltda)
Deus é uma ideia interessantíssima
de existir um ser que criou não só o
planeta terra, mas o universo inteiro. Reafirmamos a superioridade criativa de
Deus, quando percebemos comportamentos humanos absolutamente generosos, e temos
a impressão que são verdadeiros milagres. Sempre acreditamos na abertura para
possibilidades novas e nos sentimos em contato mais íntimo com todas elas. As
descobertas que nos parecem mais importantes
dizem respeito ao espaço interno, ao reino dos poderes psicológicos e
das habilidades psíquicas da pessoa humana. Entendemos que esta área constitui
a nova fronteira do conhecimento.
A noite é o paraíso maldito dos
“livres”, como diria o sociólogo Zygmunt Bauman. Sempre existiram razões para a
solidão de valor, mas esta é rara, e exige certa personalidade sofisticada e
singular, não é a solidão da vida contemporânea. A solidão da vida
contemporânea aparece por trás das alegrias montadas para as fotos, também
irrelevantes. A solidão ataca como um enxame de abelhas. Procuro fazer amigos
próximos, homens e mulheres, posso compartilhar qualquer aspecto de meu eu, os
sentimentos, os sentimentos de dor, de alegria, de insegurança, de medo, de
sentimentos loucos, egoístas, autodepreciativos. Posso compartilhar sonhos e
fantasias. Do mesmo modo, meus amigos compartilham profundamente comigo os seus
próprios sentimentos. Considero essas experiências muito enriquecedoras.
A beleza física é uma obsessão
contemporânea. Fala-se muito pouco da beleza interior. Virou coisa muito
antiga, apresentar-se como pessoa ética, uma forma milenar de beleza interior.
A beleza interior
como o talento fere a
contemporaneidade, pois revela o vazio interior. Está comprovado que as pessoas
mais inteligentes são as que comprovaram através de estudos, que o
desenvolvimento da personalidade é que nos leva ao sucesso pessoal e social.
Os indivíduos possuem dentro de
si vastos recursos para a auto compreensão, que é para a modificação de seus
autoconceitos, que é para a renovação de suas atitudes e de seu comportamento
autônomo. É importante a compreensão empática, é imprescindível a liberdade
para aprender. O núcleo de toda a motivação é a tendência do organismo à auto-realização.
Sempre estamos em busca de algo, sempre iniciando algo, sempre prontos para
alguma coisa. A maneira mais simples de conceituá-la é como uma tendência
à plenitude, à auto-realização,
que abrange não só a manutenção, mas também o crescimento cognitivo.
Faz sentido admitir que o núcleo
de toda a motivação se expressa através de uma série ampla de comportamentos, é
como resposta a uma grande variedade de necessidades. Sentimos a urgência de
explorar e de produzir mudanças no ambiente, todos esses e muitos outros
comportamentos são expressões dessa tendência criativa. Com certeza existe uma
fonte central de energia em nosso organismo humano.
Somos dotados pela tendência à
plenitude que influi decisivamente em nosso crescimento pessoal. Admitimos que
as bases dos valores encontram-se mais
dentro das pessoas do que fora no mundo material. A vida interior em um nível
de consciência mais elevado, um reconhecimento de que no interior de cada
pessoa existem significativos recursos para a criação da vida plena. O impulso
de participação de que todas as pessoas desfrutam é outra possibilidade de
sobrevivência. Atualmente, os indivíduos exigem cada vez mais a participação
nas decisões, que afetam as suas vidas nos planos governamentais, e no
funcionamento das organizações estatais e industriais.
Conheço indivíduos, que
desistiram da competição, por altos salários, para viverem uma vida mais
simples. Encontro pessoas de todas as idades, usando jeans que desafiam a maior
parte dos valores da cultura atual, vivendo de maneira mais simples. Homens e
mulheres lutam contra as limitações, que a sociedade impõe à sua
individualidade e superando-as. Escolheram um tipo de vida mais livre, mais
rico e mais autodirigido.
Atualmente, a maioria das pessoas
consideram estranha, ou perigosa, a noção de que a política deve cultivar
virtudes. Quem pode definir a virtude? E se as pessoas não chegarem a um
consenso? Se a lei procura promover determinados ideais morais e religiosos,
isso não estará abrindo caminho para a intolerância e para a coerção? Quando
pensamos em Estados que tentam promover a virtude, se não pensarmos
primeiramente na pólis de Atenas: pensamos no fundamentalismo religioso,
passado e presente, em apedrejamento por adultério, no uso obrigatório de
burcas, e assim por diante. Para Kant e Rawls, as teorias de justiça que se
baseiam em uma determinada concepção de vida boa, sejam elas religiosas ou
seculares, entram em conflito com a liberdade.
A Crise Ética é um tema
globalizado e no Brasil retrata uma situação de desonestidade. Imortalizada em
verso e prosas, a figura do malandro ajudou a solidificar o imaginário
nacional, na concepção de que inteligente é quem desconsidera as leis, enquanto
o brasileiro correto eticamente é chamado de pessoa ignorante. Em situação de
carro irregular numa blitz por exemplo, ele propõe uma gorjeta alta e
interpreta como uma situação social normal.
O imaginário brasileiro foi
invadido pela paranoia de tirar vantagem em tudo e acreditar seriamente na
impunidade, marcado pela corrupção e que chegou fácil nas estruturas do poder.
O problema histórico maior é que em todas as camadas solidificou-se a confusão
de que os bens públicos também
podem ser pessoais. A falta de Ética
nas relações da cultura
brasileira vem desde o período colonial, no qual um forte autoritarismo foi se
consolidando. Esse autoritarismo, característico do nosso povo, pode ser
observado em práticas como a do coronelismo ou a venda de votos, por exemplo. O
estudo da Ética deve constar nos currículos escolares, para que o nosso país
melhore, e que a nossa juventude acredite, que vale apena ser uma pessoa idônea.

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