segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O PACTO DA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS

REGINA  DINIZ

A esperança de nós brasileiros é de que, um grande pacto pela educação de qualidade para todos (crianças, adolescentes e adultos), colocaria o Brasil no trilho certo. Seremos um país muito melhor, mais evoluído e mais competitivo, se fizermos esse pacto nacional pela educação em favor de todos. Escola pública  e privada
(esta para os que podem pagar), de qualidade, desde o jardim da infância até a universidade. Esse seria o primeiro pacto federativo para a reconstrução do Brasil, que demorou demais em acreditar em paz e não em guerra, na vida e não na morte, na prevenção e não apenas, na prevenção, e não apenas na repressão, no estudo da Ética e não acreditar na corrupção, acreditar na conciliação pacificadora e não na violência.

A Coréia do Sul, país integrante dos chamados, nos anos 90, de “tigres asiáticos” pode servir de inspiração para a reconstrução do Brasil por meio da educação. Com uma população estimada de pouco mais de 50 milhões de habitantes, vivencia um sistema econômico e social com crescimento sustentável quase que inigualável. É hoje um dos maiores exportadores mundiais e um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, e Arábia Saudita. Lembrada na atualidade pelo alto nível de desenvolvimento tecnológico, deixou para trás uma imagem de país fabricante de produtos baratos e ruins para a condição de uma nação moderna, competitiva, pujante, evoluída, altamente civilizada e influente. Muitos fatores contribuíram, mas, sobretudo, a educação.

Atualmente a Coréia do Sul ocupa a 1ª- posição entre os melhores países no quesito educação. Seu sistema de ensino é baseado no preparo dos cidadãos para o trabalho e faculdade. Levado muito a sério entre os alunos e familiares o país tem cerca de 80% dos jovens em uma das 347 universidades e mais de 97% dos estudantes completando o Ensino Médio todo ano, maior taxa do mundo.

Pelos números é possível perceber que os estudos são de máxima importância para a Coréia do Sul e que seus esforços estão dando certo. O sistema de educação utilizado no país é dividido em 4 fases: Ensino Fundamental, Ensino Médio Junior, Ensino Médio Senior, e faculdade, sendo obrigatório a todos os coreanos as duas primeiras fases, dos 6 aos 15 anos.

Assim como os outros países com elevada taxa de educação, a grande maioria dos alunos coreanos frequentam colégios públicos e as escolas particulares são bem caras. De qualquer forma, todas elas recebem investimento do governo, mesmo que as privadas em uma quantia menor.

Durante o ensino fundamental e ensino médio júnior, os alunos costumam frequentar escolas próximas às suas casas, diferente do que acontece em outras fases, em que há uma disputa pelas melhores instituições. Após completar a fase obrigatória, o próximo passo é escolher qual tipo de ensino médio sênior o aluno deseja frequentar.

O ensino médio acadêmico dá aos alunos aulas mais avançadas das matérias gerais, assim como as eletivas, que cada um escolhe com base no que pretende cursar na universidade. Esse tipo de ensino médio é o mais procurado pelos coreanos. Para essa escolha, o método de entrada pode variar entre as instituições. Grande parte dos colégios nas áreas metropolitanas de Seul, Busan, Daegu e Gwangju usam um sistema, que escolhe aleatoriamente, onde o aluno estudará – obviamente, dentro de sua cidade. Escolas de outras regiões, costumam escolher seus estudantes pelas notas e re-
gistros acadêmicos, ou por uma prova.

Um seleto grupo de colégios desse tipo é escolhido pelo governo como “escolas com proposta especial”, e oferecem um currículo mais específico, como línguas estrangeiras mais diferentes e foco científico. Mesmo assim, o sistema de entrada continua sendo aleatório e apenas 10% dos estudantes frequentam esse tipo de colégio.

No ensino fundamental, as disciplinas obrigatórias são: Ética, Língua Coreana, Matemática, Ciências, Estudos Sociais, Educação Física, Música e Artes. As escolas apresentam métodos que ensinem as crianças a apreciarem a tradição e cultura coreana, amor ao próximo e ao país, e hábitos básicos cotidianos. Nos últimos anos do ensino fundamental, alguns alunos também cursam aulas extras, como economia doméstica, tecnologia, língua estrangeira e computação.

No ensino médio sênior acadêmico as disciplinas obrigatórias continuam as mesmas, mas os alunos precisam escolher suas específicas em ciências ou estudos sociais. As matérias de ciências são: física, química, biologia e geografia física. Na área de estudos sociais: geografia, história, política, economia e estudo cultural. Nos outros dois tipos de ensino médio, as disciplinas variam um pouco, já que seu currículo é baseado na área escolhida.

Todas essas fases preparam o coreano para a 4ª fase: O vestibular coreano é chamado de CSAT (College Scholastec Ability Test, ou Teste de Habilidade Escolar para a Universidade, em tradução livre) e é o dia mais importante para os coreanos. Esse teste define qual a faculdade que a pessoa cursará e, consequentemente, o orgulho da sua família e suas chances de ter sucesso na carreira. Se formar em grandes universidades garantem um bom emprego e um ótimo salário, além de um grande respeito entre os coreanos.


Acredito que nós os brasileiros devemos estudar a educação implantada nos países, que deram certo, e hoje servem de modelo a todas as nações. A reconstrução do Brasil está em assumir um modelo de educação e acreditar nos benefícios do investimento sólido na aquisição cultural. Só assim nos libertaremos da pobreza, que desnorteia gerações e gerações.

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