REGINA DINIZ
Mrs. Eeva Pentilla, uma das mais respeitosas vozes em
Educação da União Européia e responsável pelas escolas de Helsinque. Mrs.
Pentilla, nos fez dois longos e apaixonantes relatos sobre a educação
de seu país e confidenciou que
pouco antes de sair o resultado do exame do PISA havia marcado uma reunião para
discutir alguns pontos que considerava
que não estavam nada bons nas escolas de
Helsinque!! – Foi uma surpresa o
1º- lugar, não somos muito bons em matemática, gastamos mais tempo ensinando
línguas.
O sistema educacional da
Finlândia é pequeno se comparado a muitos estados brasileiros. São 161 escolas
básicas, de 7 a 16 anos e 38 escolas secundárias, que totalizam pouco mais de
70 mil estudantes. Soma-se a este sistema os 26 mil alunos matriculados nas 37
escolas vocacionais ou técnicas, 130 mil nas 31 politécnicas
e 176 mil nas 20 universidades.
Na Finlândia saber ler é fazer parte na sociedade, é muito importante um
indivíduo ser aceito pela sociedade, ser aceito pelo vizinho. Assim, esta idéia
persiste até hoje, e a única mudança é que a sociedade não quer só: saber ler,
quer também a conclusão de todo o ciclo escolar básico.
Em 1970 houve uma grande
revolução na educação finlandesa. Isso foi necessário, pois no antigo sistema
20% no máximo completava o
ciclo básico. Em 20 anos a
Finlândia reverteu significativamente essa porcentagem. Já em 2004, as
estatísticas mostraram que 9 alunos estavam fora da escola, e atualmente, 12
alunos. E esses 12 alunos têm ocupado o tempo de vários educadores, buscando
diferentes formas do sistema educacional de reabsorvê-los.
No antigo sistema só a educação
primária de 6 anos era gratuita, o restante da educação era pago. Em 1970, a
educação básica passou a ser obrigatória e gratuita e com 9 anos de
escolaridade e funcionamento das 8 às 15 horas. Também são gratuitos, durante
os primeiros 9 anos de escolaridade e funcionamento das 8 às 15 horas. Também
são gratuitos, durante os primeiros 9 anos, o transporte, a
refeição e todo o material
escolar. Após este período, os alunos têm que pagarem os livros.
Na Finlândia, não se ensina a ler
no ensino pré-escolar – a criança tem o direito de ser criança por mais tempo,
ensinam, e está pronta para aprender a ler a partir dos 7 anos afirmam.
Respondendo sobre a principal diferença entre o sistema educacional sueco e
finlandês, Mrs. Pentilla deu o seguinte exemplo: se pais suecos saem para
esquiar com o filho e o filho cai, eles correm para acudir; pais finlandeses,
na mesma situação, simplesmente olham e dizem: - se levanta você é capaz, você
consegue. Assim, a palavra de ordem no sistema educacional finlandês é:
AUTONOMIA.
Existem escolas privadas na
Finlândia, as independentes, como são chamadas. Todas são gratuitas, totalmente
financiadas pelo Estado e abertas ao
controle do estado. A expansão do ensino privado é bastante incentivada pelo
governo – só o setor privado reúne condições para atender às necessidades de
uma sociedade que demanda por serviços educacionais cada vez mais
diversificados. Os reitores das escolas independentes, assim como os das
públicas, são executivos recrutados no mercado, que têm que provar, ano a ano,
que aplicaram bem os recursos recebidos para continuar no cargo.
Na Finlândia as escolas são
consideradas um ótimo local para se trabalhar. Muitos querem atuar nas escolas,
especialmente na docência. O prestígio dos professores é alto. Esses
profissionais são valorizadíssimos e é comum auferirem salários superiores aos
dos reitores, e ganham ainda mais aqueles que ensinam nos dois primeiros anos
iniciais, considerados os mais importantes na motivação da aprendizagem. Se não
forem adequados, podem interferir negativamente em todos os anos seguintes
afirmam. Os professores, que atuam no nível fundamental, contam com um suporte
de psicólogos para atendê-los.
Se alguns alunos têm
continuamente problemas de aprendizagem, a escola dispõe de professores
especiais para recuperá-los. Na prática, se a dificuldade é em matemática, o
aluno vai estudar com um professor especializado em problemas de aprendizagem,
não com um professor de matemática. E a “recuperação” não ocorre após as aulas:
mais tempo não motiva a criança no aprendizado, pelo contrário só faz cansá-la
ainda mais. Também não são dados muitos exercícios aos alunos com dificuldades
de aprendizagem de aprendizagem, a quantidade de tarefa escolar é de acordo com
as necessidades de cada um. E, ademais as aulas e os exercícios escolares são
organizados de tal forma que o aluno tenha tempo para o lazer.
Os alunos com dificuldades de
aprendizagem não muito severas, estão intregados na mesma turma, e neste caso,
a classe conta com um professor assistente. Pode ocorrer de ter 2 ou 3
professores em sala de aula. Para aqueles com dificuldades mais sérias, há
escolas especializadas que funcionam dentro das escolas normais. A formação do professor
é feita na universidade, que dura de 5 a 6 ano, a do professor-assistente, nas
escolas politécnica. Assim como a dos médicos é na universidade e a dos
enfermeiros, na politécnica.
Em Helsinque para cada 800 alunos
há um psicólogo e um assistente social, com locais de trabalho próprios dentro
das escolas. Todos os alunos quando ingressam na escola tem uma entrevista com
o psicólogo e com o assistente social. Graças a essa rotina de entrada mais
tarde, se eventualmente vierem a precisar de ajuda, não se sentirão
estigmatizados pois já os conhecem.
As mulheres finlandesas são
consideradas “beges”, ou seja, são as que menos gastam com cosméticos em toda a
União Européia, por outro lado, são bem motivadas para os estudos. Segundo
resultado de uma pesquisa, elas atribuem muito valor ao homem que esteja no
mesmo nível intelectual. Do universo feminino 70% tem curso superior, contra
40% do masculino, e a tendência é aumentar na medida em que as mulheres vêm
obtendo melhores resultados nos históricos escolares. Um dos aspectos que
contribuíram para os excelentes resultados no PISA é o nível de formação das
mães, que é alto na Finlândia. Cabe a mãe e não aos pais, a responsabilidade em
motivar os filhos à aprendizagem. Soma-se aos bons resultados os alunos serem
motivados, permanentemente, a ler muito.
É um mau exemplo na Finlândia os
pais levarem as crianças de carro à escola. Elas são levadas a se virarem por
si mesmas. Registra-se que durante as visitas às escolas não houve citação de
nomes teóricos que dão sustentação ao ensino na Finlândia. Enfaticamente
é reforçada a autonomia dos
professores, a confiança depositada neles no fazer bem o trabalho de ensinar.
Há métodos de alfabetização específicos para ensinar famílias de imigrantes,
outros, para ensinar crianças com maior nível de informação e de domínio da
língua, enfim, a educação é individual e não é algo que se faça em massa.

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